Parte 2: Revelação E Reencontro
As duas amigas estava deitadas na cama de Kiyone, completamente exaustas depois do sexo que haviam feito, mostrando-se satisfeitas e sorriam mutuamente.
"Ahhh. Tenho que confessar, Mihoshi. Para a primeira vez, foi uma coisa do outro mundo. Pareceu profissional. Já tinha feito antes?"
"Não, preciso ser sincera. Só assisti uns filmes sobre isso. Meus favoritos são daquela moça com poderes de estimular os prazeres sexuais das pessoas. Como era mesmo o nome? Emma...Emma...não lembro direito, mas tem um onde se passa em Veneza."
"Ah, sei de quem fala. Nesse ela ajuda uma moça rica muito reprimida e ela passa a seduzir a empregada."
"Tipo, como eu fiz com você?"
"Mihoshi." Kiyone lhe deu um beijo. "Nunca te vi como uma empregada, nem quando papai te trouxe para ser minha dama de companhia. Eu amo você mais que tudo e quero ficar junta de você para sempre."
"Oh. Kiyone." A loira abraçou a companheira com todo carinho. "Você quer se casar comigo?"
"Quero sim, meu docinho. Você é o meu mundo." O abraço se intensificou.
"Mas...tem uma coisa." Kiyone olhou seriamente depois de ouvir. "Seus pais. Será que eles vão aceitar de nós...bem, você sabe."
"Ainda que não aceitem, não vou desistir da felicidade. Posso até ter que ir embora, mas só vou com você."
"E eu vou com você, seja pra onde for. Vamos nos vestir e contar tudo. Quanto mais cedo, melhor."
"De acordo, mas quero que vista uma coisa muito especial." A jovem de cabelo verde foi ao guarda-roupa e dele tirou um vestido fechado numa capa, entregando-o a garota.
"Vista isto. Nunca usei porque é pequeno demais, mas acho que servirá e combinará bem." Mihoshi tirou a capa e ficou maravilhada com o vestido que viu.
"Kiyone. Eu posso mesmo usar?"
"Pode, amor. Ele é seu. Agora, vista-se que também vou me produzir. Não podemos contar as boas novas pra eles de qualquer jeito."
As duas deram um belo sorriso e começaram a se arrumar.
Na sala de estar, os pais de Kiyone, Hayate e Sayaka, se ocupavam escrevendo poemas, uma atividade que tinham desde o tempo em que namoravam. Kodashi, o mordomo-chefe da casa, servia-lhes chá quando Kiyone entrou na sala.
"Com licença, papai e mamãe. Eu queria lhes falar, se não estiverem muito ocupados."
"Não mesmo, minha flor preciosa." "Verdade. Seu pai e eu estamos sempre por perto quando precisar...excetuando nas viagens de negócios, naturalmente."
"Que bom. Vim pra dizer que...decidi com quem me casar, e quero o mais rápido possível." Pela expressão da jovem, seus pais notaram que sua decisão era firme, mas repleta de amor, como se tivesse achado o verdadeiro amor.
"Magnífico, senhorita. E com quem seria?" Perguntou Kodashi ansioso. "Já sei. Com Jacques La Biff, da família La Biff. Ele com certeza seria um cônjuge perfeito. Herdeiro de uma grande fortuna e de família influente, refinada..."
"Não, não, Kodashi. E depois, nunca que me casaria com um cabeça-de-minhoca como ele. Quem eu escolhi o supera em todos os sentidos."
"Verdade, meu bem? E quem seria? Nós conhecemos?"
"Conhecem, sim, mamãe, e a bastante tempo." Kiyone se voltou para a porta. "Pode entrar."
E da porta, Mihoshi adentrou na sala, usando um lindo vestido de rendas amarelas e fitas rosas. O tecido brilhava como glitter. Mihoshi pareceu um pouco apreensiva, mas Kiyone a puxou para seu lado delicadamente.
"Mihoshi?" Perguntou Hayate. "Raramente a vejo usando roupas tão elegantes, mas preciso dizer o quão linda está."
"É...é muita gentileza sua, senhor."
"Mas por fim...Kiyone, não vai nos apresentar...?"
"Mas é ela, mamãe. Mihoshi, queridinha. Poderia dizer a eles o que me pediu?"
"Com prazer, minha joia." Ela se dirigiu aos patrões. "Eu pedi Kiyone em casamento."
"E eu aceitei, porque eu a amo mais que tudo. Minha vida nunca esteve mais completa." As duas deram um abraço de juntar as bochechas.
Hayate e Sayaka mal tinham como encarar o que tinham ouvido. Entretanto, seus olhos não expressavam decepção ou frustração, somente um leve choque.
"Kiyone...Mihoshi..." Disse Sayaka.
"Isso é...como dizer...é algo..." Continuou Hayate.
"ULTRAJANTE." Gritou o mordomo. O berro pareceu ter despertado os patrões.
"Como pode fazer tal ousadia perante meus patrões? E ainda propor isso à jovem senhorita? Eu sabia que não era uma boa ideia tê-la deixado entrar em nossa casa, senhor Makibi." Ele olhou com raiva para Mihoshi. "Você, sua atrevida, está despedida. Eu mesmo vou expulsá-la daqui."
Kodashi veio quase correndo na direção da jovem loira, mas Kiyone entrou em sua frente.
"Não se atreva a chegar perto dela, Kodashi." Kiyone se pôs diante do mordomo, encarando-o duramente.
"Senhorita. Devo pedir que se afaste. Preciso protegê-la dessa...dessa delinquente." Mas por mais que tentasse, o mordomo não conseguia passar por sua patroa.
"Mandei ficar longe. Eu a amo e vou me casar com ela. Ouse encostar nela ou insultá-la de novo que vai se arrepender."
"Senhorita Kiyone. Não pode estar falando sério. Se casar...com uma mulher, que também não passa de uma empregada de nada? Com tantos pretendentes de famílias e clãs muito ricos e de alta classe, como o jovem Jacques, ou talvez Norita Taibana. A família dele é dona de diversos conglomerados. Pense nisso enquanto coloco o lixo para fora."
Ele avançou pra Mihoshi e a agarrou pelo braço, apertando-o com força, porém Kiyone o segurou e chutou-o bem embaixo, fazendo-o soltar Mihoshi ao passo que se contorcia de dor.
"Falei pra não tocar nela, atrevido. Machuque ela que eu te viro do avesso." Ela chegou perto da namorada, lhe acariciando o braço. "Se machucou, querida?"
"N-não foi nada." Mihoshi sorriu de volta.
"Senhorita. Com todo respeito..."
"Com todo respeito, Kodashi, devo pedir que saia da sala agora."
"M-mas, senhora. Não escutou...?"
"Claro que sim, mas parece que você não. Saia da sala ou saia do emprego." Sayaka apontou o dedo pra porta firmemente, não dando oportunidade ao mordomo, que se retirava indignado, de contestar.
"Papai. Mamãe. Por acaso estão...decepcionados?" Kiyone indagou ao notar o silêncio dos dois.
"Senhor. Senhora. Eu amo muito Kiyone. Estive com ela a vida toda e nunca deixei de amá-la, seja como uma amiga, uma irmã...ou pelo que sinto por ela agora. Se isso os desagradou, posso deixar a casa agora." Disse Mihoshi num tom triste, mas sincero.
"E eu também a amo." A jovem Makibi ficou junto da garota bronzeada. "E se não aceitam minha decisão e quiserem mandá-la embora, irei com ela."
"Você não vai a parte alguma." Argumentou o pai de Kiyone, chegando perto das duas e sem nenhum aviso...abraçou carinhosamente ambas. "E nem você, Mihoshi."
A mãe veio para junto e uniu-se no abraço, derramando lágrimas e pela expressão no rosto, eram de alegria e contentamento. Kiyone e Mihoshi mostraram-se confusas.
"Mãe? Pai? Seria isso o que penso que é? Que vocês...?"
"Sim, meu amorzinho, é o que pensa. Esperamos muito que nos dissesse, tão logo se apercebesse." Sayaka disse toda feliz.
"Lembra, filha, que quando nos pedia pra adotar Mihoshi, eu dizia que havia uma razão pra não fazê-lo, e que você saberia quando fosse a hora?"
"Quer dizer que...sabiam que isso se daria?" Kiyone mal acreditava no que estava havendo.
"Sabe, filha." Continuou Hayate. "Sua mãe e eu tivemos algo parecido na juventude. Ela era de boa família e eu, um simples carpinteiro. Nos conhecemos quando fui chamado pra fazer um serviço de reforma de móveis na casa dela. Era muita coisa pra reformar e precisaria ficar uns dias à mais do que o previsto."
"Nesse período," Sayaka tomou o argumento. "pudemos nos conhecer melhor e vi que era diferente de outros homens. Preferia obter seus ganhos por conta própria e trabalho pesado do que mandar outros fazê-lo por ele. Era alguém com quem senti atraída. Começamos a sair, embora meus pais sentissem meio desconfortados de início."
"Entretanto, passou-se o tempo e senti que eles me aceitavam e foram me respeitando. Chegou finalmente o dia de fazer o pedido à eles, apesar de um pouco nervoso, mas Sayaka ficou junto de mim, dando-me apoio."
"E foi um esforço que deu positivo. Hoje, estamos aqui e constituímos uma maravilha de família, tivemos uma garotinha linda que agora é uma bela mulher...e escolheu uma pessoa igualmente incrível pra compartilhar a vida."
"Quer dizer que...apoiam nosso relacionamento e...nos permitiriam casar?" Mihoshi sentia tanto emoção por aquele casal que a qualquer instante, poderia chorar.
"Você ama Kiyone de verdade?"
"Sim, senhora Makibi. Eu a amo. E sei que ela sente igual."
"E sinto com certeza." As duas trocaram mais um beijo diante do casal.
"Para nós, é tudo que importa. Não ligamos de serem do mesmo sexo, pois o que sentem por dentro é o que vale. Só desejamos o melhor para vocês."
"Ah. Muito obrigada, pai."
"Sim. Obrigada, senhor Makibi." "Não por isso e Mihoshi, saiba que temos orgulho de tê-la na família."
"Eu posso...dar-lhes um abraço?" Nem precisou resposta: o amável casal tomou a loira bronzeada nos braços e apertou-a com ternura que apenas pais poderiam dar.
"E então, meus anjinhos? Já decidiram por uma data?"
""Pra ser sincera, mamãe, só decidimos nos casar agora. Ainda não..." Kiyone foi explicando, mas um pensamento logo veio à mente de sua noiva.
"Gente. Acabei de ter uma ideia."
"Você? Uma ideia?" A garota de cabelo esverdeado indagou em forma de piada, mas parecia que Mihoshi não tinha gostado.
"Ei, ei, querida. Eu só estava brincando. Não fica triste. Se ficar, fico também." Mihoshi deu um leve sorriso à companheira, mostrando que tinha levado na brincadeira.
"Muito bem. Mas qual sua ideia?"
"Poderia ser no sábado seguinte, porque assim comemoramos 3 eventos importantes: o dia em que no conhecemos, nossos aniversários e o nosso casamento. O que diz?"
"Mihoshi, você é brilhante quando quer. Eu adorei. O que dizem? Pode ser no nosso aniversário?" Hayate e Sayaka consentiram bem contentes.
"Acho uma boa ideia. Como querem que seja? Uma grande festa, decorações bem arrojadas..."
"Se não se importa, papai, nós preferimos algo mais modesto. Sem ostentação, só com os parentes e amigos mais próximos e de preferência," Kiyone fez uma expressão de dedem. "sem aqueles esnobes metidos à superiores, mesmo que sejam filhos de amigos seus."
"Me parece plausível, querido, mas claro que deverão ficar bem bonitas. É uma ocasião importante e merecem se vestir adequadamente."
Vendo que Sayaka tinha razão nesse ponto, as duas noivas foram com ela até o carro e partiram para o shopping.
"O que acha deste?" Sayaka exibiu um lindo vestido de noiva pra Mihoshi, que olhou com certa dúvida.
"Bem, é bonito, mas creio que é pequeno demais pra Kiyone."
"Mihoshi. Tá dizendo que estou gorda?" A garota perguntou com um ar zangado, mas também hilário.
"Querida. Não devia se zangar só porque ela foi honesta. E acho que aquele ali deve servir melhor."
"Sua mãe está certa, Kiyone, e combina mais com seus olhos."
"Você que está dizendo." "E digo que é verdade." As duas se entreolharam por um instante e sem aviso, riram pra valer.
As três passaram várias horas nas lojas de vestidos do shopping e embora tivessem um pouco de dificuldade de escolher as vestes certas de noivas, se divertiam como nunca. De fato, Sayaka sentia-se uma adolescente com as duas jovens tão ativas.
Tendo conseguido escolher as roupas certas, foram à praça de alimentação fazerem um lanche. Mihoshi sempre teve um grande apetite e comia praticamente de tudo. Kiyone e sua mãe buscavam aceitar as coisas como eram, por mais embaraçosas que pudessem ser.
"MIHOSHI. MIHOSHI." De repente, escutaram uma voz chamando pela loira como uma mãe que buscasse o filho perdido. Vendo ao redor, notaram uma mulher de quase meia-idade porém bem bonita com um longo cabelo castanho, vinda até elas e abraçando a loira.
Oh, Mihoshi. Eu nem acredito que te achei. Depois desses anos todos."
A garota bronzeada pareceu confusa por causa daquela mulher, mas ao ver seu rosto, sua expressão mudou depressa.
"Senhorita...Kikyo?" E seu rosto se iluminou como um poste de luz, abraçando e chorando no ombro da mulher recém-chegada.
"S-senhorita. Senhorita Kikyo. Não pensei que a veria de novo."
"Nunca perdi a esperança de te encontrar. Senti tanta falta sua." Nessa hora que Mihoshi se virou pra explicar.
"Kiyone. Senhora Makibi. Esta é a senhorita Kikyo. Ela que administrava o orfanato onde vivi. Senhorita, apresento minha noiva Kiyone e a mãe dela, Sayaka Makibi."
"Encantada em conhecê-las, mas espere um pouco. Mihoshi a chamou de noiva?"
"Bem, foi sim. Sente-se que contaremos tudo."
Depois de tudo explicado, Kikyo mal sabia conter a emoção que sentia.
"Mihoshi. Nem imagina o como me orgulho de você em seguir seus sentimentos. Só preferia que não tivesse fugido como falou."
"Mas eu não podia ficar. Se eu ficasse..." A jovem baixou a cabeça, mas Kikyo a levantou pelo queixo.
"Queridinha. Jamais que iria acreditar que começou o fogo, ainda mais que se deu por uma fiação deteriorada. Eu teria te defendido. Na realidade, gostava tanto de você que ia pedir pra te adotar."
"V-verdade? Me queria...como filha?" "Queria e ainda quero."
"Bem, se me permitem uma sugestão," Sayaka se pronunciou. "não há nada que impeça uma adulta de poder adotar outra. Dessa maneira, Mihoshi teria uma parente para acompanhá-la na cerimônia."
"De fato, gostei, senhora Makibi. E então, Mihoshi? Quer que eu seja sua mãe?"
"Minha...mãe?" Para essa questão, só teve uma resposta: um caloroso abraço, seguido de um choro extremamente emotivo no ombro da ex-diretora. "Oh, mamãe. Mamãe."
Kiyone mal conseguia se conter e sem poder segurar, chorou nos braços de sua mãe, também. Após uns minutos, as quatros mulheres se recobraram e pegando suas sacolas de compras, continuaram o passeio pelo shopping, apenas esperando o tão sonhado dia.
Continua...
Caso se perguntem a que filme Kiyone e Mihoshi se referiam no começo, trata-se de Emmanuelle, que conta as aventuras amorosas de uma bela mulher com poderes de sedução e paixão.
