Parte 4: Começo De Nossas Vidas


"PRAIA."

"SOL."

"Puxa, Kiyone. Aqui é tão bonito...e tão quente."

"Certamente, mas não tão quente quanto a visão de quem está aqui do meu lado." A jovem de cabelo verde escuro não

Hihoshi e Kiyone mostravam-se radiantes ao colocarem os pés nas areias quentes da praia de Waikiki. Eram tudo que queriam em seu primeiro dia de lua-de-mel no Havaí. A jovem de cabelo verde escuro não deixava de ver o quanto sua recém-esposa era linda ao se exibir num biquíni verde com franjas. Mihoshi também não tirava os olhos de sua companheira naquele biquíni azul e amarelo bem fino.

"Fico feliz que gostou do biquíni. Eu que escolhi."

"Preciso dizer, Mihoshi. Não é que me sinto desconfortável com ele. É bem ao contrário, mas parece um pouco...revelador demais."

"Ah, Kiyone. Quer trocar por outro?" "Oh, não. Estou bem, juro. Que tal um mergulho de estréia?"

Nem necessitou de uma resposta verbal: Mihoshi agarrou a esposa pela mão e a puxou pra dentro do mar, desfrutando com ela a delícia das águas geladas do oceano.

Nadaram e brincaram por vários minutos. Um pouco depois, foram pra terra e se deitaram. Kiyone pegou o bronzeador.

"Mihoshi, querida. Passa um pouco de óleo nas minhas costas?" "Com prazer, se prometer passar em mim depois."

O toque do óleo nas costas era estimulante. Kiyone sentia grande satisfação daquelas mãos macias em sua pele.

"Oh, Mihoshi. Você tem um toque de anjo. Como gosto da sua pele junta à minha." A jovem sussurrava tão sensualmente que a loira de pele morena mostrava-se maravilhada.

"Querida. Você fala tão suave que me excita. Não é a toa que me apaixonei por você."

"E quero retribuir esse amor para sempre, paixão. Hoje e todos os dias e noites de nossa vidas. Eu te amo."

"E eu também te amo." Mihoshi chegou mais perto da companheira e se aglomerou em suas costas, quase abraçando-a. Kiyone adorava tal sensação, mas vendo que já juntavam alguns olhares curiosos, virou-se pra Mihoshi.

"Hã, Mihoshi. Sejamos um pouco mais discretas, sim? Em outro lugar onde não tenha...tantos olhares."

"Ih. Desculpe. Mas sabem o quanto gosto de ficar ao seu lado. Quer um sorvete? Vou comprar." E a loira deixou a esposa pra ir até o sorveteiro pegar duas casquinhas. Para Kiyone, tê-la como sua mulher foi a decisão mais acertada que poderia ter.

"Ela me faz tão feliz, e prometo que farei igual à ela, pelo resto da vida." Foi seu pensamento enquanto aguardava Mihoshi retornar.


Logo após o luau regado à comidas havaianas, coquetéis e sucos de abacaxi e frutas, as duas companheiras deram umas voltas por meio à vegetação, aproveitando a beleza daquele paraíso onde escolheram para a lua-de-mel. Seus passos as conduziram até uma bela cachoeira com flores em volta da margem da lagoa e iluminada pela lua.

Sentando na margem com os pés na água, as duas amantes aproveitavam a noite estrelada sem qualquer nuvem encobrindo. De repente, se viraram com um sorriso leve nos lábios e foram se aproximando, beijando-se sem inibição alguma. Uma vez que não tinha ninguém por perto, tiraram as roupas e mergulharam na lagoa, desfrutando de um relaxante banho. Voltando para a margem, se abraçaram e começaram a fazer amor com intensidade, se esfregando e tocando uma na outra, dizendo apenas gemidos que representavam ternura, amor e carinho, como só os apaixonados podiam dizer.

"Não acredito que estamos transando aqui ao ar livre, mas não quero parar, nem se nos virem." Mihoshi gemia enquanto sua esposa lambia-lhe os seios.

"Nem eu, querida. Só quero você, pois ninguém me dá mais prazer que você e que seja assim para sempre. Eu te amo." E com outro beijo, ambas soltaram suas libertinagens por toda a noite, e em todas que seguiram até o fim das férias.


Voltando para o Japão, a primeira coisa que fizeram depois de ver os pais de Kiyone foi visitar a casa que tinham ganho de presente de casamento, tendo respeitado seu pedido de viverem sozinhas.

A casa onde iam morar era bem grande, mobiliada e com um bonito jardim de frente. Mihoshi se apaixonou logo de cara.

"Que casinha linda. E será nosso lar, não vai?"

"Vai sim, embora o papai e a mamãe não precisassem dar uma tão grande. Uma menor ou mesmo um apartamento já seria de bom tamanho."

"Bem, está certo, Kiyone. Mas se um dia decidirmos aumentarmos a família, como adotar uma criança por exemplo. Não que devamos fazer isso agora, mas quem sabe..."

Kiyone notou o como entusiasmada sua mulher parecia. Na real, nunca tinha lhe passado a ideia de querer ter mais alguém que não fosse Mihoshi, mas ao citar sobre crianças em suas vidas, não pensava que ela poderia ter um certo instinto materno.

"Mihoshi. Creio que talvez seja cedo demais pra considerarmos isso, mas não quer dizer que não possamos estudar isso no futuro. Por hora, vamos viver nossas vidas a sós, ok?" E com uma piscada, tomou a mão dela em direção à porta da frente.

"Ei, Kiyone. É costume a esposa ser carregada pelo marido antes de adentrarem no novo lar, e como fui eu que te pedi em casamento...eu posso te carregar?"

Não vendo mal algum em seguir com um costume até tão bonito, a garota de cabelo esverdeado se deixou erguer e ser conduzida até a porta. Sentia-se como que flutuando nos braços da amada, até que num momento, Mihoshi tropeçou no tapete de entrada e começou a desequilibrar, levando as duas a se estatelarem no chão.

"Ai. Essa doeu. Puxa vida, Mihoshi." Kiyone massageava o topo da cabeça.

"Kiyone, me perdoe. Foi sem querer. Não queria te machucar. Por favor, não me castigue." Mihoshi exclamava em prantos.

"Calma, calma. Não foi nada. Sei que foi um acidente. Quantas vezes causou um desastre de me deixar nervosa ao extremo, mas sempre perdoei ou busquei um jeito de limpar sua barra? Querida, eu te amo demais e perdoarei qualquer coisa que faça, não importa o quão absurda seja."

"Oh, Kiyone. Você tem um coração de ouro." As duas se encararam e abraçaram-se com emoção, mas muita emoção, percebendo como era forte a ligação amorosa que as envolvia.

Nesse instante, ouviram um barulho parecendo vir da cozinha. Olharam preocupadas.

"Que foi isso? Será que tem alguém na casa?"

"Não deveria ter ninguém aqui, Mihoshi. Aposto que deve ser um ladrão." E com esse pensamento na mente, Kiyone e a esposa andaram em silêncio pela casa e pegando uns vasos na sala de estar, se prepararam caso houvesse mesmo um intruso na casa.

Indo até a cozinha, notaram que a geladeira tinha a porta aberta, mas por razões óbvias, não havia comida. Seguindo pela residência, andaram um pouco mais além quando se depararam com a portinhola do sótão meio aberta.

"Acho que o intruso deve estar lá cima. Vamos lá, mas com cuidado."

Mihoshi foi na frente com Kiyone na retaguarda. Em meio as sombras do sótão, viram que se escondia alguém e ao chegarem mais perto, viram que se tratava de uma menina de cabelo loiro dividido em 2 grandes mechas com uma cara de assustada.

"P-por favor, não me machuquem." Ela murmurou quase chorando. A loira bronzeada foi pra perto dela, tomando-a nos braços.

"Fique calma, querida. Não vamos te fazer mal."

"Mas por que você está na nossa casa?" Kiyone veio pra mais perto, pegando sua mão.

"Sinto muito por ter entrado se pedir, mas tive um dia dos mais horríveis. Nem sei por onde começar."

"Tá tudo bem, querida." Kiyone lhe levantou o queixo com carinho. "Vamos até a cozinha, pedimos algo pra comer e daí você nos conta o que houve. Ok?"

A garotinha parecia ainda um pouco amedrontada, mas viu que aquelas moças tinham algo no qual podiam confiar. Com um sorriso leve, desceu do sótão com elas.


"...e depois que voltei do acampamento, foi aí que tudo deu errado." Foi relatando a menina um pouco menos nervosa enquanto bebia um chá e comia bolinhos diante de Kiyone e Mihoshi.

"Meu namorado estava com outra garota e dizendo que eu era só um passatempo pra ele. Minhas amigas, que pensei que me ouviriam, me acusaram de falta de responsabilidade e atenção com diversos assuntos e me deram às costas sem sequer me escutar e para piorar, ao chegar em casa, estava vazia e não tinha ninguém da minha família. Se mudaram sem sequer me avisar. Eu sabia que andava com as notas um tanto baixas e isso acabava gerando algumas brigas, mas não pensei que iriam chegar ao ponto de me abandonarem." Ela começou a chorar intensamente, mas Mihoshi lhe deu amparo e um lenço.

"Obrigada. Depois de ser abandonada, eu quis desabafar. Acendi o registro de gás ainda ligado na casa, acendi um fósforo e saí. Instantes depois, a casa toda explodiu. Nunca me senti mais aliviada. Não querendo ser pega, fugi o mais rápido que pude. Fiquei na rua por dias até achar a casa de vocês. Vendo que não tinha ninguém morando, embora soubesse que teria gente por causa dos móveis, entrei pelo telhado e fiquei escondida no sótão. Pegava comida dos vizinhos e saia bem depressa pra não ser vista. Quando vocês chegaram, tentei fugir, mas acabaram ouvindo o barulho que fiz da cozinha. O resto vocês sabem."

"Mas é tão triste. Ser rejeitada tanto pela família quanto os amigos e precisar viver desse jeito? Nenhuma criança merece isso." Kiyone sentia-se bem abalada com tudo que ouvira. Lembrava de que Mihoshi passara por algo similar e que só não foi pior graças a seu pai, que a acolheu e lhe deu uma casa e sua companhia.

"Agora que me acharam, talvez eu deva ir embora. Sinto muito pelo incômodo." Quando ela ia se levantar, Mihoshi a segurou.

"Não, espera. Talvez possamos te ajudar. Aliás, ainda não sabemos seu nome."

"Sou Usa...NÃO. Não quero usar nunca mais esse nome que é um sinônimo da vida miserável que passei. Podem me chamar pelo meu nome do meio, que será o único que usarei: Kaori."

"Tá certo, Kaori. Se quiser, pode passar a noite aqui e amanhã veremos o que podemos fazer." Kaori contemplou a moça de cabelo verde, reparando um brilho de confiança em seu olhar, mas ainda lhe era tomada pelo fantasma da dúvida.

"Bem, não sei. Confiei em tantas pessoas que diziam que me apoiariam, fosse no que fosse, mas depois..."

"Kaori, querida. Entendo que seja difícil confiar nos outros de novo, mas saiba que nem todos irão rejeitá-la. Todavia, tem de dar uma chance. Você nos daria uma?"

A jovem loira mal sabia como falar, porém reparando em um certo tom de verdade nas palavras da mulher bronzeada, consentiu com uma expressão amorosa. Logo a abraçou, recebendo outro abraço de Kiyone.


Apesar de ser sua primeira noite na casa nova, Mihoshi e Kiyone pensavam mais na menina que tinham conhecido. Mal conseguiam pregar os olhos, mesmo tentando dormir.

"Kiyone? Tá acordada?"

"Estou, Mihoshi. Com dificuldade para dormir também?"

"Um pouco." A loira levantou seu braço sobre a esposa. "Pensando o mesmo que eu?"

"Creio que sim. Sobre Kaori, o que acha que deveríamos...?"

"Fazer? Ela é uma garotinha simpática e tão amável. Não posso imaginar como pode ter gente que a desprezou com fizeram. Eu não suportaria, pessoalmente, tal tratamento." Mihoshi sentia que iria chorar, mas sua amada a abraçou.

"Sei o que está pensando. Senta um pouco. Já que não conseguimos dormir, talvez precisemos conversar." As duas sentaram na beira da cama e viram que tinham uma decisão importante a discutir, mas que fariam com muito gosto.

Continua...


Na boa, eu ia encerrar essa história na parte 3, contudo vi que ia ficar um tanto vago o final e como alguém me perguntou sobre as parte 4 e 5, decidi fazer isso mesmo.

Os atentos à detalhes poderão ver quem é de fato a garota que nossas lindas protagonistas conheceram.