Eu não tenho a desculpa de dizer que estava drogada ao escrever isso.
Midousuji pedalava durante a primavera, matando aula.
Até que viu.
Sua cor favorita voando ao vento.
- Kiiro... – murmurou ele.
Eram os cabelos longos e amarelos de uma jovem de pele branquinha e vestido azul celeste. Ela parecia feliz, dançando e rodopiando pela rua.
Até que algo caiu de sua bolsa.
Um blu-ray daquelas bandas de Jpop. Provavelmente comprado em Akiba, ele deduziu.
Ele resolveu segui-la. Aliás, já havia resolvido há muito tempo, mas agora tinha um motivo.
E uau, em que casa grande ela morava! Midousuji escondeu a bicicleta atrás de uma árvore e esperou um pouco para tocar a campainha. Ela abriu a porta, olhando-o com olhos azuis assustados. O que ela via... Era inexplicável. Um garoto de cabelos na altura da nuca, extremamente alto e os olhos... Meu Deus, os olhos! Opacos, bizarros.
Mas lindos dentes. Pareciam-se com os de uma celebridade.
Ele ficou ainda mais encantado ao olhar para ela.
- Isto é seu... – Midousuji entregou-lhe o blu-ray, falando com aquela voz arrastada.
- Minha nossa! Muito obrigada! É uma edição limitada!
Um silêncio desconfortável se instaurou.
- Midousuji Akira. – ele se apresentou.
Mesmo encabulada, ela convidou, aliviada:
- Não quer entrar, Midousuji-kun?
O coração dele disparou com o pronome.
- Você mora sozinha?
Ela mordeu algo que também o encantou. Lábios carnudos, da cor de Sakura.
- Eu tenho um irmão. Mas ele fica fora até tarde. Olha, não pense mal de mim. Eu só ia te oferecer um chá, ou algo assim, para beber.
Midousuji sorriu, aquele sorriso estranho, enorme.
- Pode ser suco? – ele falou, com aquela fala mole.
Ela sorriu.
- Claro!
- Qual seu nome, menina?
- Akiko.
- Você é linda.
Akiko corou violentamente.
- Va- vamos. Entre.
Akiko pensou que devia estar maluca. Mas agora já era tarde...
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O suco estava horrível, mas Midousuji não ousou reclamar. Akiko bebia chá numa xícara estilizada.
- Então você é ciclista, Akira-san? Meu irmão também é.
- E você, Akiko? Pratica algum esporte?
Ela riu.
- Se comer e ir à Akiba à pé contarem...
Midousuji ficou pensativo e disse:
- Não.
- Oh. – ela pareceu decepcionada.
- Seus cabelos são macios e da minha cor favorita. – ele os tocou por um instante. – Tem namorado?
- O- o quê?
- Tem namorado? – Midousuji repetiu no mesmo tom.
- N-n-não.
- Por quê? Não quer?
Akiko olhou para as mãos.
- Meu irmão é muito rigoroso. Não devo ter namorados.
- Ele não está aqui agora, está?
- Suponho que não...
Midousuji não era muito de toque. Mas ele queria tocá-la. Passou-lhe o indicador pela bochecha. O coração de Akiko galopou.
- Você não me procurou por acaso, Midousuji-kun.
- Me chame de Akira. E não. Não quero começar com você com histórias tristes. Seus cabelos têm minha cor favorita. Se me permite...
E a beijou. Akiko levou um susto.
"Certo. Eu acabo de beijar um estranho literalmente estranho."
E Akiko sentiu que Midousuji tinha uma língua... enorme. O que a fez sentir algo mais também.
Lá embaixo.
- Onde fica seu quarto? – os olhos de Akira estavam ainda mais escuros que o comum.
E os de Akiko também...
- Não vamos pra cama só porque você me entregou um blu-ray, Akira-san.
Midousuji lambeu-lhe o pescoço e enfiou a mão por baixo do vestido de Akiko, sussurrando em seu ouvido:
- Não... Vamos porque queremos.
Enquanto ele a tocava por baixo do vestido, ela chorava em êxtase coisas ininteligíveis.
Ele a carregou para o quarto. Havia uma cama de solteiro rosa bebê, cheia de bichinhos de pelúcia. Akira jogou todos no chão e Akiko riu. Os dois se beijavam enquanto tiravam as roupas.
- Nossa! Você é lindo, caramba, é puro músculo! – comentou Akiko sobre o corpo de Midousuji.
Ele se deitou sobre ela e beijou-lhe as pálpebras. A garota soltou uma lágrima. Midousuji sugou-lhe um mamilo e estimulou o outro com uma das mãos e Akiko atingiu o clímax pela segunda vez. Foi-lhe lambendo a barriga até lá embaixo e a degustou como o mais precioso vinho, fazendo Akiko sentir sensações que ela nunca pensou ser possíveis. Ela teve vergonha dos sons que emitia.
Então, quando Akira olhou nos olhos dela, Akiko sabia de suas intenções.
- Não, Akira... Você é muito alto e muito... grande...
- Não tenha medo... – ele acariciou os cabelos amarelos de Akiko. – Vou ser cuidadoso, e depois vou te levar pra andar na garupa da minha bicicleta.
Ela sorriu e fechou os olhos enquanto ele lhe acariciava o rosto. Os dois se beijaram de novo e consumaram o ato.
Midousuji e sua nova namorada uniram as mãos com tanta força que ele se sentiu no céu. Os dois se moviam em uníssono, até começar a ficar cada vez mais rápido. Sem saber como, sem conseguir se controlar, ele emitia gemidos, quase gritos, ao passo que Akiko o desesperava ainda mais gemendo o nome dele.
Akiko nunca se sentiu tão bem, mesmo sentindo um pouco de dor. Colocou as pernas em volta dele e os dois ficaram grudados, como duas metades.
Midousuji suou mais que quando andava de bicicleta. Quando chegou ao êxtase, gritou o nome dela.
E francamente, achou o melhor esporte do mundo.
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Abraçados, os dois brincavam com os dedos um do outro.
- Nossa, Akira, você deve ter tido muitas namoradas.
Ele a encarou com aquela expressão peculiar.
- Não tive nenhuma.
Agora ela foi quem o encarou, embasbacada.
- Mas então...
- Acho que sempre fui um gênio. – ele deu um estranho sorriso e beijou-lhe a testa.
- Então... eu também sou? - ela perguntou, encabulada.
Midousuji não estava muito surpreso.
- Não quis forçar você a nada. Me desculpe se a machuquei.
Akiko riu e o abraçou.
- Foi pitoresco, mas foi a experiência mais incrível da minha vida!
Akira nunca se sentiu assim. Seu coração parecia querer saltar do peito.
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Akiko acordou com alguém lhe chamando.
- Akiko-chan! Cheguei! Está dormindo?
Os dois dormiam agarrados um ao outro até acordarem assustados.
Midousuji conhecia aquela voz. Começou a falar "Kimo! Kimo!" um pouco alto demais.
- Quer parar! Vai atrair a atenção do meu irmão! - sua amante sussurrou.
- Seu irmão! Quer dizer que seu irmão é Imaizumi Shunsuke? Reconheço a voz. Kimo!
- Vocês se conhecem? E qual o problema de ele ser meu irmão?
- O problema, Akiko Shunsuke, que só para não te causar transtornos, vamos andar na minha bicicleta agora. Eu explico tudo no caminho.
Sem saber o porquê, Akiko confiava naquele maluco. Vestiu-se e saiu com ele pela janela escorregando pelo telhado.
Akiko pensava. O que ela fizera? Entregara sua virgindade a um estranho, por mais cavalheiro que ele fosse... Seu irmão iria... tritura-la.
A não ser que ele nunca descobrisse.
Mas e ela? Como iria se casar?!
- No que está pensando, Akiko-chan? – aquele cara que aparecera do nada em sua casa perguntou.
- Estou encrencada, Akira-san. Se meu irmão descobrir me põe num Convento. Jamais me casarei.
Ele segurou-lhe a mão direita e disse:
- Não gostou do que aconteceu entre a gente?
Akiko corou.
- Venha. Vou leva-la a um lugar.
Era longe, a Escola Fushimi de Kyoto. Seu irmão definitivamente a mataria.
Akira abriu uma sala e acendeu as luzes. Estava cheias de bicicletas.
- É aqui que você treina? – ela estava impressionada. – Me deixa andar em uma?
Ele riu, uma rara risada.
- Ainda não. E não foi pra isso que te trouxe aqui.
Ele a conduziu até um altar. Havia uma foto.
De uma mulher que se parecia com ele.
Quando Akiko o olhou, palavras eram desnecessárias.
- Eu a perdi quando era criança. Ela me amou como ninguém. Eu olhava pra ela e lembrava da cor amarelo.
Akiko tocou seus cabelos e as lágrimas começaram a fluir.
- Sem necessidade disso, Akiko.
- Eu achei que você fosse só um louco, mas tinha muito mais!
Midousuji contorceu o pescoço e agradeceu.
- Como ficamos? – perguntou Akiko.
- Bem... Como ainda estou no primeiro ano, não podemos nos casar. Mas assim que pudermos, você vai ter uma surpresa, ah, se vai...
- Akira-san... Não apronte...
E ele fez aquela cara matreira.
Akiko e Midousuji esconderam o namoro durante um bom tempo. Até Akira lhe dar um anel de noivado após o término do Terceiro Ano e virar um escândalo.
Imaizumi nunca perdoou a irmã e cortou laços com ela, para a mortificação da outra.
