Zoro definitivamente estava ferrado. Não devia ter chamado aquele quatro olhos para sair. Não sabia o que fazer. Nunca havia feito nada parecido na vida. Agora estava preso nessa enrascada e o pior, se sentindo muito estranho.

O mais ridículo é que quando o chamou, ele queria que o encontro fosse no mesmo dia. Isso era o mais problemático de tudo. Queria tanto aquilo que ficou ridiculamente irritado por aquele loiro ter marcado para uma semana depois só porque seria Valentine's Day. Zoro não sabia porque ele tinha que ser tão brega. E ter uma semana para pensar no encontro que viria apenas piorava tudo para o rapaz de cabelos verdes.

Durante a primeira semana de aulas, Zoro mal se concentrou nas aulas teóricas. Justiça fosse feita, não era nem um pouco culpa de Sanji, já que Zoro dormiria de todo modo, assim como fez durante todo seu ensino médio. Mas até nos treinos que teve Zoro estava distraído, seu foco que geralmente era impecável agora estava sendo dividido com uma criatura loira, linda e particularmente irritante. E essa última era a pior parte de todas. Quando o convidou em sua loucura de amor à primeira vista, ou o que quer que tenha se passado em sua cabeça, Zoro não tinha como perceber o quão irritante aquele cara era. Ao saírem do auditório, foi só o loiro abrir a boca para acertarem os detalhes do encontro para Zoro perceber que eles não combinavam de jeito nenhum. Eram forças opostas, do tipo que a própria existência de um deveria ser o suficiente para incomodar o outro.

Aquele quatro olhos de sobrancelhas enroladas era insuportável e Zoro nunca tivera sentimentos tão opostos sobre alguém antes. Porque mesmo tendo pensado isso não conseguia tirar Sanji da cabeça nem por um segundo. Talvez seu coração apenas ignorasse os defeitos daquele mauricinho. Ou talvez ele batesse mais rápido por ele por completo, com defeitos e tudo. De qualquer forma, era irritante.

O dia finalmente estava chegando e Zoro continuava sem a menor ideia do que fazer. Ele bufava audivelmente em seu quarto e já havia espantado Usopp quando o colega de apartamento viera algumas vezes perguntar por que ele estava daquele jeito. Zoro não queria admitir que estava nervoso. Não fazia sentido, era ridículo e ele não era esse tipo de pessoa! Ele não tinha medo de nada, era uma das suas qualidades de que mais se orgulhava arrogantemente, não tinha nenhuma razão por ficar desse jeito graças a um jantar estúpido. Mas, mesmo sabendo de tudo isso, mesmo tentando se convencer, o mero pensamento naquele encontro o deixava desconcertado. Pensar no loiro, fosse sorrindo igual a um anjo ou convencido como um capeta, o deixava quente por fora e por dentro.

Naquela mesma semana, havia comentado com Usopp sobre seu encontro e ele falou que conhecia Sanji. A única informação que o colega havia dado a respeito do loiro era que ele era muito romântico, como se Zoro já não soubesse que aquilo significava cafona, e que era muito pervertido. Bom, aquilo era uma informação nova. E algo que Zoro poderia utilizar a seu favor. De alguma forma a ideia daquele olho azul por trás dos óculos analisando seu corpo inteiro não o deixava tão desconfortável. Com esse pensamento em mente, Zoro agarrou seus pesos e começou a levantar repetidamente com os braços fortes. Talvez ainda não fosse tarde demais para fazer uns agachamentos e tornear mais sua bunda. Não que quisesse aquele tipo de atenção naquela parte específica do corpo, claro.

Mas treinar era literalmente a única coisa em que seus dois neurônios conseguiam pensar naquele momento antes do encontro, já que ele nunca se preocuparia em escolher uma roupa minimamente apresentável ou dar um jeito nos cabelos rebeldes.

Já Sanji, como bom oposto que era daquele ogro verde, se comportava de maneira completamente oposta em seu apartamento. Sua cama estava repleta de diferentes blazers e paletós, e o loiro combinava todas as roupas que haviam em seu armário tentando montar o look perfeito. Havia separado seus melhores sapatos, que jaziam lustrosos no pé da cama e seus cabelos estavam enrolados com bobes, aguardando serem completamente arrumados no outro dia. Ele estivera muito tranquilo naquela véspera do seu encontro com Zoro. Ele praticamente relaxou o dia inteiro na cama enquanto lia seu exemplar de "O Caminho para o Coração de um Homem: Seu Estômago". Não que precisasse de qualquer leitura sobre o assunto. Modéstia à parte, duvidava muito que qualquer coisa que cozinhasse não fosse fisgar o brutamontes. Afinal, a coisa mais próxima de uma refeição que aquele ogro de cabelos verdes deveria ter comido na vida era um prato enorme cheio de frango e batata doce. Mesmo assim, Sanji ainda queria dar o seu melhor, como sempre. Queria impressioná-lo.

Já havia comprado todos os ingredientes de que precisaria e estava muito confiante naquele prato que cozinharia com carinho para o garoto de cabelos verdes. Seus colegas de apartamento haviam viajado no final de semana e Sanji insistiu para cozinhar algo para Zoro ali, principalmente depois de ouvir sugestões péssimas de locais de encontro que consistiam apenas em vários bares diferentes. Maldito alcoólatra.

Na noite do encontro, Sanji arrumou a mesa habilidosamente, dobrando os guardanapos com elegância e fazendo questão de que tudo ficasse milimetricamente simétrico. Aguardava com certa ansiedade o rapaz mais novo que estava atrasado chegar, embora não soubesse exatamente o motivo daquilo. Esteve tranquilo todo esse tempo, fazendo tudo com calma e absolutamente relaxado. Era realmente a cara dele entrar em pânico nos últimos segundos. Patético. Mas, como o homem perfeitamente pontual que era, não conseguia entender o motivo de tanta demora. Sanji sempre fazia um esforço absurdo em sua vida para ser confiante ao extremo, assim mascararia suas inseguranças, mas aquilo estava realmente começando a deixá-lo nervoso porque já havia passado pela experiência de levar um bolo num encontro com uma dama vezes demais para conseguir aguentar que acontecesse de novo.

Frustrado, foi até a janela e acendeu um cigarro dentro do pequeno apartamento. Sabia que seus colegas com quem dividia o local não gostariam nada de saber que ele estava fazendo aquilo ali dentro, mas ele achou que era preferível acalmar os nervos e ouvir uma bronca na segunda-feira do que ter um colapso nervoso. Mas bastou tragar o cigarro algumas vezes para escutar alguém batendo na porta com a delicadeza de um elefante.

Sanji revirou os olhos e sorriu ao mesmo tempo. Maldita alga atrasada. Ele atendeu a porta e quando olhou para Zoro quase não conteve sua risada. O neandertal havia aparecido com uma horrível regata verde, que felizmente evidenciava seus braços excessivamente musculosos, bermudas e tênis, quase como se tivesse acabado de sair de um treino. Sanji, cujo perfume francês impregnava todo o ambiente com seu cheiro forte, não pôde deixar de achar peculiar o fato de eles serem mesmo desiguais em absolutamente tudo. Completos opostos e rivais. Bom, talvez não em tudo.

O vermelho das bochechas de Zoro certamente combinava perfeitamente com o das suas naquele momento. Ambos também eram idiotas. E apaixonados. Então, pensando bem, que tinham algumas coisas em comum.