V
O novo Parceiro

Expresso Kyoki. 02 de março. 07 a.m.

Foi uma baita surpresa quando recebeu uma ligação do próprio Presidente Senju Tobirama em sua pequena sala particular – minúscula, para dizer a verdade – no prédio onde trabalhava. Em Minarin, cidade sudoeste de Nangoku, o programa de detetives não era levado muito a sério e, por muitas vezes, Naruto foi tratado como um mero policial, deixando claro que ele não era nada especial; até o local onde trabalhava, a Central Kenkyou, não passava de um prédio mediano com vinte andares, sendo somente o último andar designado à Investigação Criminal. A sua euforia por ter sido finalmente notado pela maior figura pública, com grande poder dentro da legislação e com a voz de maior influência, foi tão avassaladora que o Uzumaki agradeceu imensamente por trabalhar em um prédio meia boca com pessoas de mente fechada.

Naruto sempre foi mais inteligente do que a maioria das pessoas de sua idade, mas nunca teve uma atitude arrogante ou pretensiosa sobre isso, desde cedo ele foi ensinado que portar uma beleza exótica e possuir uma soberba inteligência não o tornava melhor do que ninguém; nascido em uma família humilde, o belo garoto de madeixas loiras e olhos azuis estudou em escolas particulares através de bolsa integral fornecida pelo governo e nunca sentiu que poderia ser mais importante do que ninguém só por ser mais esperto ou algo do tipo. Mesmo com a sua família o incentivando em adiantar as matérias e se formar mais cedo do que o normal, Naruto decidiu por não o fazer, preferindo seguir como todos de sua sala, juntando-se as massas. Por um tempo, ele chegou a acreditar que havia se misturado demais ao ponto de não ser notado, o que provou ser um pensamento ridículo assim que esteve frente a frente ao Presidente.

Naruto cursou o ensino superior na maior faculdade de Shinguru em Direito, a Migiue, fase complicada que quase acarretou em sua desistência, mas não seria um autêntico Uzumaki se assim o fizesse. Ver tudo o que passou e comparando com o agora, o louro afirmaria a qualquer um que tudo valeu a pena e que, sim, ele foi reconhecido. Diante de todos os seus anos de experiência e da sua segurança em ser capaz de investigar qualquer coisa que lhe fosse designada, a sua ansiedade parecia totalmente irracional, no entanto, era exatamente assim que ele se sentia; nervoso por estar no mesmo caso que o melhor detetive do país, Uchiha Sasuke – também conhecido como Lorde Intelligence. Ele estava nervoso, ao ponto de, provavelmente, vomitar tudo o que comeu e não comeu naquela manhã.

Não deveria estar inseguro apenas por Sasuke – e todos na equipe – ter mais experiência com assassinatos que si, entretanto, Naruto não conseguia evitar os pensamentos agourentos que sempre cercavam sua mente, a maioria deles resultado de toda a negatividade ao seu redor acerca da sua incapacidade de alcançar seus objetivos e a mediocridade do seu sonho: Ser um Detetive. Seus pais o apoiaram sem hesitação ou cobrança, sempre deixando o loiro a vontade para decidir o que queria fazer com o seu futuro e Naruto, por sua vez, sempre contou aos quatro ventos seu maior sonho – o que mais tarde ele aprendeu da forma mais dolorosa que não é bom se expor tanto – e agora, nove anos depois, ele havia atingido o auge de todos os seus devaneios mais ousados.

O curso para Detetives fornecido pelo governo requer muito estudo e um tempo mínimo de dois anos de atuação como policial para a inscrição, Naruto havia conseguido algumas façanhas plausíveis antes de entrar no curso e passar na prova, porém as coisas passaram longe de como o loiro as idealizou e menos de um ano após se tornar oficialmente um detetive – a prova no final do curso era o inferno na terra, mas ele conseguiu passar – Naruto foi chamado para investigar a máfia e, em meio a investigação, uma testemunha fundamental para destruir a maior família da máfia de Satsujin, a cidade norte de Nangoku, havia sido colocada em sua jurisdição e assim o crime organizado da família Masashi foi destruído. Naruto ganhou algumas risadinhas debochadas e parabéns sarcásticos dos companheiros de andar em Kenkyou, toda essa felicitação sendo completamente falsa, pelo notório feito. Depois disso, Naruto foi tomado por uma profunda decepção e acabou recluso sem conversar com mais ninguém no prédio, evitando assim se abalar ainda mais com todo o tratamento hostil e as piadinhas maldosas que eles faziam de forma velada justamente para o afetar; comportamento esse que fazia com que o Uzumaki pensasse seriamente em desistir por, pelo menos, três vezes ao dia.

Com a mente perdida em pensamentos, e nas lembranças tristes da época mais difícil da sua vida, Naruto não prestou atenção em toda a bela vista em sua janela, tendo agora uma simples paisagem nada empolgante de árvores e terra. Deduziu, pelo lugar remoto ao qual o trem estava passando, que faltava provavelmente menos de dez minutos para chegar à estação Kyoki, o que realmente lhe agradou já que não sabia quanto tempo mais poderia aguentar as inúmeras emoções que estava sentido e o balançar do transporte sem colocar para fora toda a refeição daquela manhã. Longos minutos depois o trem parou.

Apressado para sair do ambiente apertado, Naruto pegou sua bagagem e desceu do trem em uma velocidade impressionante. A estação estava abarrotada de pessoas, algumas seguiam para o térreo, onde encontrava-se a entrada para a cidade; outras embarcavam nos trens que ali paravam, tudo como o esperado da maior cidade da capital. Naruto não gostava de multidões; o barulho o impedia de pensar com clareza e de forma rápida, a agitação aguçava sua energia fazendo com que fosse impossível ficar parado por mais de três segundos, ter estranhos ao seu redor fazia aflorar o lado mais tímido dele e sempre era desconfortável se locomover em estações, aeroportos, rodoviárias e embarques no porto, sendo ainda pior ficar esbarrando em pessoas aleatórias por aí.

Ele seguiu para as escadas, andando o mais depressa possível, e subiu para o térreo indo para a entrada da estação, as portas deslizando cada uma para o lado, se abrindo automaticamente para que Naruto e todos os outros cidadãos apressados, pudessem sair da estrutura em forma oval. Na área exterior, o Uzumaki virou o rosto, procurando por qualquer tipo de transporte, o agente encarregado do caso tendo o instruído – na ligação mais rápida que Naruto fez na vida – a pegar um táxi e seguir diretamente para o prédio Hanzai onde eram feitas as investigações. Naruto logo avistou os vários táxis parados de forma estratégica no lado direito da estação, os motoristas apenas esperando fisgar algum cliente. Sem pensar muito em qual o melhor carro, Naruto andou até o primeiro da fila e guardou sua bagagem no porta-malas.

— Preciso que siga para o endereço Ky. Hoki, área especial nº 20, Prédio Hanzai. — instruiu ao motorista, nem mesmo olhando pro rosto do homem ao entrar no carro com evidente pressa. Mais um pouco e ele chegaria atrasado.

Naruto não prestou atenção na forma exasperada com a qual o taxista fechou a porta do carro, ele não reparou no olhar desgostoso que lhe foi dado no vidro retrovisor; o loiro estava ocupado demais perdido em pensamentos e balançando a perna por conta da crescente corrente de energia que corria de forma livre pelo seu corpo. O automóvel saiu de forma lenta do acostamento, avançou alguns metros e realizou o primeiro retorno para pegar a via principal que fica do lado contrário da estação de trem. O som que ligou de forma automática assim que a ignição foi girada, havia deixado de tocar uma música pop do momento para tocar uma ópera; o volume estava baixo, o que permitia com que Naruto observasse a cidade de Kyoki com mais apreço sem se sentir incomodado. A linda vista das flores desabrochadas e da cor vívida das árvores em meio a avenida agitada fez com que Naruto perdesse o fôlego; estavam em plena primavera sendo essa a época em que tudo fica mais florido e o clima fica mais ameno, trazendo uma paz de espírito e uma calma para o interior agitado do Uzumaki que ele nem ao menos sabia explicar. Na opinião do loiro, a primavera era de longe a melhor estação do ano.

Depois de avançarem em uma autopista lisa e praticamente sem carros por dez minutos, o táxi virou à esquerda e adentrou o centro da cidade, parando quase que imediatamente atrás de um belo carro vermelho. Naruto se remexeu inquieto no banco traseiro, se curvou buscando com os olhos o resto da pista em que haviam parado e, com completo desagrado, viu que tinha ainda mais carros a frente; o trânsito avançaria com lentidão estando estagnado naquela manhã (como em todas as outras) por ser horário de pico. Naruto passou a suar frio, ele não gostava de atrasos assim como não gostava de se atrasar. O loiro olhou no relógio do seu celular, eram sete e meia, sua reunião estava programada às nove e saber que tinha apenas uma hora e meia para chegar na reunião apenas deixou o loiro mais agitado.

Sem opções além de tentar se acalmar e observar a cidade nova em que estava, Naruto se concentrou em gravar o grande centro comercial. A primeira coisa que notou foi que as lojas ainda estavam fechadas e isso o surpreendeu já que esperava que, por ser uma cidade tão grande e agitada em um horário tão cedo, as coisas estariam funcionando bem antes da nove como ocorria em Minarin, contudo ali estava a prova de que não havia esse tipo de diferença entre uma cidade e outra de Nangoku; o comércio em Kyoki abriria somente depois da sete, provavelmente as nove.

Pelo enorme engarrafamento, Naruto deduziu que aquela era a via Mosumi que cortava o centro e ligava toda a cidade. Pelo o que o Uzumaki leu em jornais locais, todos aqueles que precisavam trabalhar seguiam por ali, mas ela não é a única forma de deslocamento em Kyoki, havia também a via Hasumi, uma estrada pavimentada tão grande quanto a própria Mosumi, contudo Hasumi não tinha contato com alguns setores importantes, como o Setor Empresarial onde continha várias empresas de pequeno porte e duas de grande porte, provocando assim a superlotação de carros na via principal. De qualquer forma, não havia como escapar do engarrafamento porque além de também estar lenta, Hasumi não tem vínculo com a estrada que liga o Setor Residencial com a rua Hoki, sendo assim uma opção válida para Naruto.

Naruto suspirou, perdendo o interesse pelo centro de Kyoki e pegou seu celular, a tela feita de material transparente, verificando seus horários. Mesmo gostando da parte de investigação do seu trabalho, ele não gostava dos horários irregulares ou das noites não dormidas, mas bem, nada era perfeito.

Depois de quase meia hora parados, os carros finalmente passaram a andar com mais agilidade. Naruto suspirou aliviado com a perspectiva de que ainda poderia chegar a tempo, tendo em vista que após avançar pelo centro da cidade, o prédio não estava mais do que vinte minutos de distância. Dirigiram por dez minutos na Mosumi, alcançando a entrada para os bairros residenciais e o carro entrou à direita, passando por uma pequena área cercada por árvores antes que as ruas passassem a ser preenchidas por casas de todo tipo e tamanho. Assim que a primeira moradia apareceu Naruto percebeu que estava agora no Setor Residencial aberto que consistia em várias casas, uma ao lado da outra, com separação mínima de um metro uma da outra, de vários tamanhos e formas, dando a impressão que não acabariam mais. Naruto bem sabe que ali era o único local de Kyoki que tinha casas, esse sendo o maior diferencial entre as cidades de Nangoku, os Prédios Residenciais ficavam todos no Setor de Residenciais Fechados, não sendo permitido construir em nenhum outro local e fazendo com que os residenciais, tanto o fechado quanto o aberto, tivessem quilômetros e quilômetros de apenas casas e o outro de apenas prédios. Naruto não sabia dizer se era uma baita organização bem planejada ou se era ridículo não poder ter uma casa distante das outras ou em um diferente local.

O táxi avançou por mais um quilômetro, a paisagem sendo a mesma durante todo o caminho fazendo Naruto enjoar de ver tanta casa, até atingir a estrada de terra, em um caminho mais afastado da cidade onde havia somente árvores ao redor e mato seco. Como uma criança que nunca viu de perto um circo, Naruto deslizou pelo banco traseiro e praticamente colou o rosto do vidro da janela, sentindo-se abismado ao ver, bem longe de onde eles estavam, o Complexo Tosaku, a maior e mais famosa prisão em nível internacional. Aquele era o lugar onde se encontrava as mentes mais perversas e perigosas da Capital do País; uma estrutura tão bem guardada que, entre a estrada em que o táxi dirigia e o complexo, havia uma muralha, portões e diversos carros oficiais. Diziam que, se um dia acontecer uma tentativa de fuga de lá, os policiais estão autorizados a se retirar e um esquadrão classe A da aeronáutica tomaria o controle bombardeando o local e, por isso, o acesso àquela estrada não era permitida a qualquer um. Essa história não passava de uma lenda urbana feita com o intuito de assustar criancinhas, mas a verdade é que, como todos em Shinguru são muito supersticiosos, poucos cidadãos de Kyoki andavam por aquela estrada e evitavam sair da área pavimentada e civil da cidade – somente aqueles que possuíam fazendas e chácaras andavam livremente por ali. Mesmo se algum maluco quisesse aparecer, ele não iria muito longe, foi o que o loiro percebeu assim que viu alguns metros à frente várias viaturas policiais paradas.

De acordo com a sinalização das placas, o taxista seguiu o caminho trilhado por cones e encostou o carro próximo aos policiais. O senhor vestido com a farda da Capital pediu para que ambos saíssem do carro e, após descerem, os três caminharam para a pequena base de operações do outro lado da pista. O homem corpulento e baixinho os convidou a sentar com um gesto. O motorista aceitou o convite, Naruto, no entanto, manteve-se de pé por esta agitado demais para ficar sentado.

— Objetivo final da viagem? — O policial questionou, olhando do taxista para o loiro.
— Prédio Hanzai. — Naruto respondeu, limitando-se a mostrar o seu emblema.

O policial assentiu em reconhecimento e empurrou uma pequena máquina de registro através de impressão digital para o Uzumaki e Naruto não perdeu tempo, ele registrou a sua digital, se responsabilizando assim pelo tráfego em área restrita e garantindo, sem palavras, que estava ali por motivos profissionais.

Uma dupla de policiais, uma mulher ruiva e um rapaz negro, que também trajavam a farda da polícia da capital apareceu na pequena sala, cada um ficando em uma extremidade perto do canto, tornando a presença deles ainda mais intimidante. Ambos assentiram para o policial mais velho que devolveu o gesto em uma linguagem profissional que não fez nenhum sentido para o loiro, mas que provavelmente provinha de uma verificação do veículo em que eles estavam. Em seguida, o homem parrudo se levantou e disse:

— Pode seguir viagem, meu rapaz.

Naruto apenas acenou e murmurou um "obrigado" ante de sair da salinha abafada caminhando de volta para o carro com certa pressa, o taxista nada disse em momento algum, mas seguiu o passageiro e, assim que entraram novamente no carro, avançou com rapidez de volta para a estrada. O silêncio continuou pesando, contudo Naruto não tinha mais nervos para tentar puxar assunto e nem cabeça para se distrair, tendo sido tomado totalmente pelo medo de chegar atrasado em seu primeiro dia. Mais um quilômetro foi percorrido sem que o Uzumaki se desse conta, tão preso em sua cabeça, e logo mais o carro virou à direita, parando alguns metros depois.

Demorou alguns segundos para que Naruto percebesse que haviam parado e, ao reparar que não tinha nada além de muros cheios de plantas ao redor deles, os olhos azuis se voltaram para o motorista de forma questionadora através do retrovisor. O homem dessa vez apenas fez uma careta:

— Não posso avançar Senhor. O Prédio Hanzai é um local privado onde somente pessoas autorizadas com carros autorizados podem entrar. — o taxista explicou de forma entediada.

Naruto franziu o cenho para o comportamento, mas apenas assentiu mostrando compreender.

— Quanto lhe devo?

— 20 Kane.

Sem questionar o preço, mesmo sendo mais alto do que ele esperava, o loiro entregou seu Kādo; uma placa transparente, em formato retangular com vetor de circuitos de tecnologia abstrata onde continha suas informações pessoais e as informações de sua conta no Banco Central de Shinguru, o taxista aproximou a placa do leitor próximo ao pára-brisa, a pequena placa transparente sendo escaneada por uma luz esverdeada e seus dados e os dados da transição foram projetados no vidro dianteiro através de um sensor display. Naruto inseriu sua digital autorizando a transferência e o motorista lhe entregou a placa assim que os status "transição aceita" brilhou na projeção.

Assim que o motorista devolveu o seu Kādo, Naruto abriu a porta e saiu do carro sendo seguido pelo taxista que abriu o porta malas e retirou a pequena bagagem que o loiro colocou ali momentos antes. Sem dizer nada, o taxista rodeou o carro, abriu a porta dianteira e ligou o veículo, saindo no mesmo instante. Naruto ficou confuso pelo comportamento frio e quase raivoso, mas balançou a cabeça para esquecer esse ato insignificante e se concentrar em achar a entrada do prédio.

Andou por cinco minutos de forma reta e em andar vacilante antes de avistar os imensos portões vermelhos, se sentindo feliz por ter sido deixado praticamente em frente, diminuindo os passos fazendo com que assim as chances dele se perder e se atrasar mais ainda não existissem. Naruto olhou ao redor sem saber exatamente o que fazer agora que estava ali, procurando com avidez qualquer sinal ou algo do tipo sobre como pedir para que abrissem os portões; ele viu um pequeno quadrado sobressalente na parede ao lado esquerdo do portão que chamou a sua atenção e, franzindo o cenho, Naruto se aproximou notando que, na verdade, era uma pequena entrada em um formato hexagonal. Levou alguns segundos para que entendesse o que deveria fazer agora, mas, assim que a luz do esclarecimento acendeu em sua mente, o loiro se apressou a colocar as malas e sua pasta profissional no chão, verificando com ambas as mãos os bolsos do seu terno e, em seguida, os bolsos da sua calça social. Não estava ali.

Naruto sentiu todo o seu sangue gelar e um pouco de pânico voltar, tomando seu corpo, contudo se esforçou para respirar fundo, se concentrando em não se desesperar, e se abaixou para procurar o objeto na sua pasta. Para seu grande alívio, assim que a abriu, Naruto encontrou seu emblema que consistia em três formas geométricas – o hexágono sendo a figura exterior, um círculo dentro do hexágono e uma estrela de seis pontos dentro do círculo com um corvo no centro. Ele o tirou da sua pasta, inseriu na entrada e, assim que o emblema se encaixou, a entrada girou com o objeto e afundou, o local sendo fechado em seguida. Naruto ficou levemente receoso com o sumiço de algo tão importante, porém não houve tempo para que esse sentimento se intensificar já que suas informações pessoais, junto com a sua foto, foram projetadas exatamente onde a entrada estava anteriormente, mostrando assim que, na verdade, era só uma forma de verificação.

— Detetive Uzumaki Naruto. — o loiro escutou uma voz feminina dizer, a voz parecendo sair de onde suas informações eram projetadas — É necessário que o senhor aproxime sua órbita ocular para ser escaneada.

Naruto então se aproximou e olhou para a luz azulada que saia da projeção. Seu olho esquerdo foi escaneado e, após um clique, os portões vermelhos abriram-se permitindo a sua entrada.

— Bem-vindo ao Centro de Investigações Hanzai. — disse a voz feminina e, no mesmo instante em que os portões abriram, suas informações pessoais projetadas sob a pequena entrada desapareceram, permitindo que Naruto pegue o emblema de volta. As suas pernas poderiam ter cedido tamanho o alívio que o preencheu assim que teve seu precioso emblema em mãos novamente. Apertou-o com firmeza e o levou ao peito por alguns segundos antes de guardar de volta em sua pasta como uma segurança extra que não o perderia – como provavelmente aconteceria se o deixasse em algum dos seus bolsos. Ao se formar como detetive, todas as suas informações como Detetive do Governo foram gravadas no emblema oficial, então sem ele Naruto não passava de um cidadão comum.

Passou pela estrutura de ferro pintada de vermelho, o chão de terra e cascalho, e avançou em sua caminhada por um grande e florido jardim. Uzumaki andou por cinco minutos, observando com fascínio as flores coloridas e os campos verdes antes de parar na entrada do grandioso prédio de cor escura e vidros espelhados; o mesmo devia ter mais de cinquenta andares e quase 400 metros de altura.

As portas de vidro correram para o lado abrindo-se automaticamente à sua presença e Naruto entrou com passos mais lentos, observando o saguão e toda a estrutura, encantado com a forma como tudo parecia em harmonia, inclusive as pessoas que andavam por ali seguindo diferentes caminhos. Virou o rosto percebendo uma mesa de vidro no lado esquerdo do que parecia ser a recepção, seguiu para essa mesa onde uma bonita mulher estava sentada e se apresentou:

— Sou Uzumaki Naruto. Estou aqui para a reunião das nove com o Agente Uchiha Madara.

A recepcionista sorriu e acenou, porém nada disse e Naruto aguardou, olhando de um lado para o outro, ainda absorvendo os detalhes do local enquanto ela verificava no sistema a informação que ele lhe passou.

— Preciso da sua identidade Senhor.

O loiro ofereceu-lhe seu braço direito onde continha o chip com a série de números que lhe foi inserido assim que fizera treze anos; números esses que, inseridos no chip, serviam como identidade, todas as numerações foram registrados no Banco de Dados de Identificação do Governo de Shinguru, ou BDIGS como realmente era chamado.

A recepcionista pegou seu braço com delicadeza e gentilmente o aproximou da mesa, a tela que anteriormente estava em branco emitiu uma luz esverdeada e dançou pelo local próximo ao seu pulso; seu rosto, nome e nome dos seus pais foram projetadas pelo leitor do chip de identificação pessoal.

— Pode seguir para o quinquagésimo quinto andar. — a mulher disse com uma voz meiga e com um sorriso fechado. — O Senhor Madara o aguarda.

Naruto sorriu e abaixou levemente a cabeça, devolvendo toda a educação e carisma com o qual a mulher o tratou antes de se dirigir para o elevador. Ele aguardou impaciente, com um tique nervoso na perna, enquanto o elevador descia do trigésimo andar – o loiro possuía muitas qualidades, mas paciência infelizmente não era uma delas. Já estava se preparando para a inevitável irritação por ter que aguardar o elevador quando este se abriu em sua frente. Sorriu aliviado – era por isso que gostava da praticidade que a tecnologia trazia – e entrou apertando o número 55 em seguida. Naruto sentiu o elevador subir suavemente, a música de praxe tocando em um volume baixo, e pode finalmente relaxar, pois segundos depois a estrutura de metal parou no seu andar.

Naruto se apressou a atravessar o corredor assim que as portas do elevador se abriram, no quinquagésimo quinto andar, mais pela ansiedade do que qualquer coisa e reparou muito pouco na estrutura durante a sua corrida, não tendo cabeça para mais nada além de chegar na sala de reuniões, mas pelo pouco que conseguira notar, o loiro percebeu que a decoração era a mesma do saguão; piso branco e paredes em tons de bege.

No caminho, avistou um homem de terno preto com madeixas longas e negras de pé em uma pose imponente, os braços cruzados, parecendo impaciente pelo que Naruto pode ver do belo rosto contorcido e a breve olhada no relógio em seu pulso.

— Creio que o Senhor seja o Agente Uchiha Madara, certo? — o loiro perguntou de forma esbaforida, parando de súbito sua mini maratona e quase esbarrando no elegante homem. Ao receber um aceno positivo em resposta, Naruto se apresentou afobado enquanto fazia uma pequena mesura como cumprimento, um costume em Shinguru, sua mala e pasta caindo no chão durante o cumprimento por conta dos movimentos descoordenados. — Sou o Detetive Uzumaki Naruto e fui enviado por Senju Tobirama para investigar o caso 227 junto ao Detetive Uchiha.

Madara retribuiu o cumprimento educadamente. — Imaginei que fosse.

Naruto franziu o cenho não sabendo como interpretar o descaso com o qual o Agente lhe fitou após a fala.

— A vítima fora encontrada por um garoto órfão responsável pela limpeza das ruas. Ele relatou que já escurecia quando sentiu o cheiro podre. — Madara informou enquanto seguia em direção a porta no final do corredor, o loiro o seguindo prontamente. — O contato realizado por ele com a polícia local fora registrado às seis da noite no dia 15 de fevereiro. O lugar em questão trata-se do Hospital Marui, sua localidade é na Cidade Minaku, parte noroeste de Nangoku. A cidade em questão fica a duas horas do centro de Kyoki.

Naruto assentiu. Gostaria de perguntar o que fazia o Presidente acreditar que o assassinato foi realmente cometido por um maníaco, no entanto, manteve-se calado, sabendo bem que os detalhes seriam discutidos na reunião. Ambos pararam em frente a uma porta feita de madeira sintética e Madara colocou a ponta dos cinco dedos da mão direita no painel do lado direito da porta, assim que sua impressão digital foi lida, houve um clique e então a porta correu para o lado permitindo a entrada dos dois na sala.

A sala de reuniões estava bem iluminada, o que era surpreendente tendo em vista que, com o vidro espelhado, a tendência era o ambiente escurecer; as janelas de vidro iam do teto ao chão oferecendo aos seus ocupantes uma vista um tanto melancólica do jardim, haviam três pessoas dentro do recinto, todas sentadas e acomodadas aparentemente apenas o esperando. Naruto sentiu-se um pouco intimidado já que ele não conhecia ninguém e todos os presentes pareciam serem pessoas extremamente importantes enquanto ele não passava de um jovem que acabara de se tornar oficialmente um detetive. Madara dirigiu-se a cadeira na ponta da mesa e todos se levantaram de seus respectivos lugares para realizar a mesura costumeira. Naruto correspondeu educadamente, notando que ocuparia o lugar vazio ao lado direito do agente graças a disposição das cadeiras e de seus ocupantes.

— Esta reunião tem como propósito a apresentação do caso para o Detetive Uzumaki Naruto, – Madara disse e apontou para o loiro — designado como parceiro de Uchiha Sasuke pelo Presidente de Shinguru, Senju Tobirama, escolhido através do conselho do caso, ao qual eu participei. A discussão está disponível para a equipe no S.I.R.D.E.S. Em pauta hoje temos a investigação e a delegação de campo. — o agente Uchiha explicou, começando assim a reunião.

— Vamos então às apresentações. — Madara tocou o ombro de um senhor de cabelos grisalhos que ocupava a cadeira ao seu lado esquerdo, — O Agente Federal, Hatake Kakashi, está aqui representando o principal Complexo de Nangoku, a Tosaku, onde será a casa do nosso querido assassino. — o moreno soltou uma risada zombeteira, apontando para o moreno de pé ao lado do senhor Hatake, — O Detetive Uchiha Sasuke representa o governo e está responsável pela investigação em campo — Madara então indicou com um gesto lento o ruivo que se sentava à direita do loiro — O Delegado Uzumaki Nagato representa a delegacia de Minaku, onde a polícia de Kyoki não possui jurisdição. – o homem mais velho então ajeitou a sua gravata e disse: — Eu sou o Agente Especial Uchiha Madara, supervisor de Investigações.

Ao término da apresentação, todos tomaram seus assentos. Madara acenou para o detetive moreno e este levantou-se, caminhou para a outra ponta da mesa, lado contrário ao que o agente ocupava, e tocou na tela de material transparente; a ligando. A tela estava conectada através de receptores ao centro da mesa e um corpo em tamanho real foi projetado em uma realidade virtual aumentada para todos os presentes. A ilustração contava com um holograma em seis dimensões ligada a tela branca da mesa e ao espelho refletor. Sasuke retirou a terceira cadeira que estava vazia e pediu, com um gesto de sua mão direita, que Kakashi se afastasse. O homem grisalho, por sua vez, se sentou na ponta da mesa em frente a tela transparente.

Naruto precisou de todo o seu autocontrole para manter-se profissional mesmo que suas emoções estivessem a flor da pele; sua maior inspiração estava a menos de um metro dele, a carreira dos seus sonhos estava no caminho certo para o sucesso e estar em uma sala bem decorada, junto de pessoas tão importantes, no maior Centro de Investigações do país apenas aumentava a avalanche de sentimentos dentro do seu peito. Se lhe perguntassem como se sentia, Naruto responderia sem sombra de dúvidas que ele era uma pessoa realizada.

— Nossa vítima foi identificada como Hozuko Kakuzu, sexo masculino, idade: 58 anos. A esposa dele, Iayama Nora, o informou como desaparecido às duas da tarde do dia 13 de fevereiro. — Sasuke digitou no pequeno teclado inserido na mesa. — Foi constatado que Kakuzu morreu às uma da manhã do dia 12 de fevereiro. Nora afirma que o marido saiu com um grupo de antigos colegas de infância e que não retornou, como normalmente o faria.

Algumas fotos que haviam sido disponibilizadas com suas devidas autorizações, foram dispostas na tela localizada na parede atrás de Madara. Todos se viraram para ver, em um ângulo melhor, as informações contidas ao lado das fotos que não passavam de nome, idade e grau de parentesco com a vítima. Sasuke poderia controlar livremente os dados através do tablet ligada à mesa, por tanto, não havia necessidade de se deslocar até ela. O detetive Uchiha então destacou a primeira foto.

— Esta é Iayama Yumi, a filha mais nova de Kakuzu; ela é uma garota retraída, não gosta de contato físico e não costuma falar com ninguém além dos pais, tudo o que ela disse foi que não se lembra de notar o pai agir de forma incomum. — a imagem mudou, agora um garoto de aparentemente 14 anos estava na tala. — Este é Hozuko Hideki, filho bastardo, fruto de uma traição. A sua personalidade é agressiva e tudo o que ele disse foi 'o velho só teve o que merecia'.

Naruto sentiu seu estômago contrair. A declaração deixava claro o sentimento de aversão que o garoto tem para com o pai, este sentimento faria mal para o menino e ele provavelmente sentiria aquilo pelo resto de sua vida. Naruto sentiu imensa compaixão por aqueles olhos de um tom verde e aspecto triste na imagem ampliada.

— E esta é Iayama Nora. — uma senhora com semblante cansado e cabelos presos em um coque apareceu na tela. — Ela está casada a vinte anos com Kakuzu. Quando conversamos com ela, após a identificação do corpo, não houve traços de tristeza pelo desaparecimento ou choque com o estado do corpo no semblante dela e a única coisa que conseguimos tirar do seu depoimento foi 'um dia isso aconteceria'.

A reação da família era, no mínimo, suspeita. Uma mulher que perde o marido, com o qual estava casada há vinte anos, de uma forma tão brutal, não expressar ao menos tristeza…

Os olhos azuis recaíram no corpo projetado, a imagem parecia um corpo real e Naruto conseguia ver bem a situação em que o cadáver fora encontrado. Em sua mente, o loiro conseguiu montar perfeitamente o momento em que a esposa da vítima olhou para a vítima na hora de identificá-lo e imaginou com nitidez os olhos frios, o semblante calmo, a boca se movendo, sem tremular, dizendo que aquele era seu marido. Seus dentes brincaram com o lábio inferior; ação esta que ele sempre repetia quando estava concentrado em seu trabalho, a mente trabalhando com várias hipóteses ao mesmo tempo. Comparou então com uma possível reação da sua mãe que estava junta ao seu pai há trinta e cinco anos: Kushina provavelmente levaria a mão trêmula para a boca, na intenção de sufocar o grito de horror, dor e agonia ao ver o marido, seus olhos azuis escuros desviaram do corpo desfigurado do homem que a acompanhou por longos anos e que tanto amava, a dor da perda iria causar seu desmaio, provavelmente. Então, sim, havia algo de errado no comportamento das pessoas daquela família.

Apoiou o braço na mesa sem atrapalhar a projeção e segurou o rosto com a mão direita, pensando com mais afinco na comparação de uma reação de uma família que ama o pai e marido com uma família que se sente aliviada por ele ter morrido. Franziu o cenho com a incompatibilidade na sua mente e voltou seus olhos para o detetive Uchiha, mas desviou o olhar em seguida ao perceber que ele e todos na mesa estavam olhando para si; nem ao menos percebeu o silêncio na sala de tão profundo que estava em seu raciocínio.

— Há algo que gostaria de dizer, Detetive Uzumaki? — Kakashi perguntou e o loiro quase pulou da cadeira com o questionamento do homem de cabelos grisalhos.

Precisou de alguns segundos para acalmar seus nervos e, assim que se estabilizou, Naruto se permitiu encarar o agente Hatake por alguns segundos. Ele não gostava de ser transparente, porém poderia dizer com segurança que seus olhos azuis estavam brilhando ao ser introduzido sutilmente na reunião, mas sabia Kakashi perceberia de qualquer forma por conhecê-lo a tantos anos.

— Não que seja algo relevante... — começou, apreensivo. Naruto olhou para todos na sala; para Madara que o observava indiferente, Nagato que parecia curioso, Kakashi que não transmitia nada além de calma em seus olhos escuros e Sasuke, que por sua vez o olhava com desprezo. Naruto se encolheu levemente. — ... mas Kakuzu provavelmente era um marido e pai abusivo.

Em primeira instância, ninguém nem ao menos se moveu. Os dedos do loiro passaram a bater contra a mesa; o batuque irritando aos seus próprios ouvidos, contudo não conseguiu parar por estar ansioso demais sobre a reação das pessoas daquela sala e, depois de um tempo naquele silêncio constrangedor, Naruto estava ansioso ao ponto de considerar seriamente pedir licença e se retirar. Obviamente havia falado coisas inúteis e, aparentemente, absurdas. O relatório do Senhor Madara apontaria o quanto fora uma decisão errada do conselho em escolhê-lo e do Presidente de lhe chamar para o caso.

Entretanto, Madara se pronunciou antes que Naruto pudesse dizer qualquer coisa para sair da reunião.

— O que te levou a concluir isso?

Naruto se obrigou a recolher a mão, tentando esconder o quanto estava nervoso. Comprimiu os lábios, buscando em sua mente como explicar suas análises aos outros, na verdade, o loiro sempre soube que seus pensamentos não seguiam um ritmo normal: Era veloz e em cada momento observava e analisava pequenos detalhes descartáveis, juntando pontas soltas e concluindo várias coisas ao mesmo tempo.

Como então explicar que não sabia exatamente o que fez sua mente seguir aquela linha de raciocínio?

— O primeiro ponto seria a reação da família, — murmurou. Madara ajeitou a postura na cadeira, mostrando estar atento. — Por favor, sigam o pensamento comigo.

Mesmo sem estabilidade em suas pernas, Naruto se levantou e caminhou até estar ao lado de Sasuke Uchiha. Com delicadeza, pegou o tablet das mãos pálidas e agradeceu com um aceno, o aparelho estava acessível graças ao moreno, então Naruto não precisou fazer nada além de habilitar o touch screen da enorme tela.

Ofereceu o aparelho de volta para Sasuke, mas ele não o pegou então Naruto voltou seu olhar para o moreno, encontrando-o sentado na cadeira em que ele estava sentado anteriormente. Naruto impediu seu impulso de se encolher, como normalmente o faria, e colocou o tablete próximo ao teclado da mesa.

— A psicologia humana tem diversas facetas, mas neste momento iremos nos concentrar em somente uma: sofrimento. — Naruto retirou toda e qualquer informação da tela, deixando somente a foto da esposa da vítima. — Temos três pontos que devemos considerar acerca da esposa. — virou todo seu corpo para encarar a todos. Queria ter certeza que estavam seguindo sua linha de raciocínio. — Primeiro, a falta de reação quando precisou fazer uma possível identificação do marido desaparecido. Não é preciso um amor inabalável ou um relacionamento feliz para que uma pessoa sinta dor com a morte do seu cônjuge.

Naruto olhou de relance para o outro detetive no caso. Os olhos negros de Sasuke o observavam completamente inexpressivos e isso fez com que o loiro se sentisse mais nervoso do que já estava.

— De acordo com o relato do Detetive Uchiha, Nora não parecia estar em estado de choque, então tudo o que eu poderia concluir com a reação dela era que Kakuzu não significava nada em sua vida. A fala dela também me foi estranha: 'Um dia isso aconteceria' me pareceu uma declaração sobre atitudes erradas que trariam consequências pesadas, como um assassinato brutal.

— Então nosso assassino é um justiceiro?

A voz rouca em tom debochado o assustou, Naruto não estava preparado para responder um questionamento vindo de Uchiha Sasuke, no entanto, o tom que ele usou fez o sangue queimar em suas veias. Se o moreno soubesse como seu temperamento é explosivo – cortesia genética de sua mãe, uma legítima Uzumaki – não falaria daquela forma com ele, com uma calma e frieza tão aparentes.
Respirando fundo para recompor sua serenidade, Naruto sorriu com os lábios fechados. Seu melhor sorriso falso.

— Não me basearia em uma frase dita com rancor para definir os motivos que movem o assassino. — respondeu friamente. — Mas o que Nora disse nos leva a reação do filho mais velho e ilegítimo. — mudou rapidamente a foto na tela. — Hideki ter um comportamento agressivo só ressalta o comportamento do pai dentro de casa. Isso também pode delatar as atitudes erradas do pai quando o rapaz afirma que 'o velho teve o que merece'. E desculpe se estou sendo precipitado, mas um filho dizer que o pai merecia a morte horrível que teve só demonstra o quanto Kakuzu era uma pessoa de índole duvidosa.

— Isso é verdade. — Nagato aponta, — Muitas denúncias de abuso físico e verbal são contra homens que tinham um pai agressivo e violento.

Kakashi assentiu. — Os filhos absorvem muito dos pais. Se um pai é violento, agressivo e machista, o filho provavelmente vai desenvolver sequelas, sejam elas repudiando o pai ou espelhando as atitudes na própria família.

— Isso também ocorre com as filhas mulheres. — Madara acrescentou. — Ver a mãe se submeter a um relacionamento destrutivo causa, por muitas vezes, uma atitude compassiva e submissa em relacionamentos tóxico, ou a total aversão a eles. Yumi me parece bastante um espelho da mãe quando observei o comportamento dela.

— O que me leva a perguntar, Uzumaki, onde a filha mais nova de Kakuzu entrou na sua análise?

Naruto lançou um olhar impaciente ao detetive Uchiha. Céus, como um dia pode admirar aquele ser egocêntrico e arrogante? Aquela atitude de espontânea aversão era tão infantil que Naruto não poderia explicar o quanto.

— Yumi foi a peça que faltava para minha conclusão. — o loiro ressaltou, deixando claro que a menina não foi tratada como um detalhe insignificante como o Uchiha parecia maldosamente acreditar. — Como o senhor Madara mesmo disse, o comportamento dela não é normal para uma criança. Mesmo as garotas mais tímidas, costumam demonstrar sentimentos como tristeza e solidão quando o seu pai está sumido. — Naruto passou para a foto da menina. — A maneira como ela é retraída e a aversão ao contato físico que demonstrou me lembra de pessoas traumatizadas que reagem de forma negativa a estranhos. Ela também ressaltou que a agressividade do pai é recorrente ao dizer que ele não agiu de forma incomum. Fiquei receoso de perguntar a mim mesmo qual era o comportamento comum do pai dela.

Os três homens que estavam sentados olharam entre si e um acordo mútuo pareceu ser firmado. Madara se levantou, apertando a mão do loiro e apontando para o lugar vazio à sua direita. Naruto retornou ao seu assento, um largo sorriso nos lábios.

— Sua teoria foi bem embasada. Iremos investigar mais a fundo o grau de abuso que a família sofreu. — Madara voltou a se sentar, os olhos brilhavam em empolgação. — Detetive Uchiha, apresente então o que descobriram sobre a morte da vítima.

Sasuke levantou em silêncio.

Tocou no corpo projetado e passou a dizer todos os detalhes acerca da morte que havia descoberto com a sua equipe.

Em momento algum, seus olhos negros encontraram os azuis do Naruto.