Parte 3: Abrindo O Coração


A vida nunca fora tão boa para Youta, Ai-Chan e Mai.

Youta finalmente conseguiu terminar de ilustrar seu livro e mostrá-lo aos editores, que ficaram muito satisfeitos e fizeram um contrato para a publicação em troca de bons pagamentos pelos direitos.

Ai-Chan voltou para a escola e era oficialmente reconhecida como namorada(e não noiva, ainda) de Youta. Mai passou a frequentar a escola também e se destacar em popularidade, mas não tinha interesse em namorar os garotos, só em ter amigos. Os três pegavam para se divertir à beça com seus amigos, incluindo Moemi, que começou a morar sozinha e trabalhar, e Nobuko, determinada a manter o clube de desenho.

"Estou contente que você e Ai-Chan finalmente estejam juntos, Youta." "Ah. Valeu mesmo, Nobuko."

"Mas fica avisado: você desistiu de 2 lindas garotas por ela. Faça-a feliz ou vai se ver comigo. Entendido?" "E faço minhas as palavras dela, Youta. Portanto, juízo, hein?" O garoto fez cara de preocupado em ver que Nobuko e Moemi falavam à sério.

"Elas são sempre tão bravinhas, Ai-Chan?" Perguntou Mai.

"Só quando querem. No fundo as duas são um doce, mas aconselho a não arriscar." Ai-Chan falou bem baixo pra Nobuko e Moemi não escutarem.


Youta também se reconciliou com Takashi e quando o grupo dele e de Koji esteve na cidade, foram assistir uma de suas apresentações.

"Nossa, Takashi. Vejo que melhorou bastante. Sei que terão um disco em breve. Comprarei o primeiro que sair."

"Realmente esperamos, Ai-Chan. Estou feliz de que tenha se acertado. Youta precisa muito do seu amor e amizade."

"E eu do dele, Takashi." A loira derramou uma lágrima pela lembrança que tinha do dia em que virou humana. "Sou o que sou graças a ele. Nunca sairei de perto dele."

"Takashi. Hora de nos apresentarmos." "Tá certo, Koji. Vejo vocês no fim do show." E Ai-Chan, Mai e Youta foram para seus lugares assistirem a apresentação que durou a noite toda.


Alguns meses depois.

"Nossa, Youta. É de verdade?" Mai indagou quando arrumava a mesa para jantar.

"Com certeza, Mai. Meu livro fez tanto sucesso que querem transformá-lo num anime."

"Que maravilha, Youta." Ai-Chan pulou em suas costas. "Sempre soube que tinha futuro nessa de livros."

"Tudo isso se deve a vocês, meninas. Ai-Chan, por me ajudar nas ilustrações e Mai, pelas ideias para dar um gancho em possíveis sequências."

"Ideias não me faltam, diferente de uma certa garota meio afobada." A morena deu um olhar provocante para Ai-Chan.

"Quer ideias? Poderia começar jogando macarrão na sua cabeça." "Tenta que vai ver só."

"Meninas, meninas. Não vamos começar um barraco, especialmente porque não quero desperdiçar outro prato da Ai-Chan." Youta se colocou entre as duas, que sorriram inocentemente e abraçaram o jovem.

"Brincadeirinha. Claro que vamos nos comportar, especialmente num momento tão importante." Citou Ai-Chan, o observando com todo amor.

"Ah, Ai-Chan. Desde que entrou na minha vida, só tive felicidade, e quero que isso fique pra sempre. Então," Youta se ajoelhou perante ela. "você aceita casar comigo?"

"SIM. EU ACEITO." Ai-Chan pulou sobre ele, derrubando-o de costas e beijando-o como nunca tinha feito e chorando com toda emoção que seu coração tinha.

"Hã. Eu...estou contente que tenham se decidido. Se demorassem um pouco mais, eu ia fazer o pedido." Os dois olharam surpresos para Mai.

"Mai? Está dizendo que..." "Que estou apaixonada, Youta? Sim, mas não como você imagina." "Não entendo. Como que...?"

"Venho pensando nisso há tempos e decidi que não posso esconder mais. Por essa razão, quero dizer que..." Ela ficou um tanto vermelha durante a pausa. "eu...eu te amo...Ai-Chan."

"QUE?" O casal sentiu como que um raio os acertasse pela declaração ouvida.

"Sim, é verdade. Não sei se deu pelo compartilhamento de sua essência com a minha ou se foram meus recém-descobertos sentimentos, mas..." Ela abraçou a garota loira, quase levantando-a. "estou apaixonada por você desde que virei humana. Quis a todo custo manter segredo, me conformar e esperar encontrar outra pessoa, mas é por você que tenho esse forte sentimento, Ai-Chan. Eu te amo."

"Bom, isso explica por que nunca tentou avançar para mim ou querer me pegar na cama, apesar de tantas oportunidades. Achei que fosse por respeito à Ai-Chan."

Ai-Chan ficou em silêncio por um tempo. Ela manteve a cabeça baixa, como que pensasse em algo.

"Por favor, Ai-Chan." Mai lhe tomou a mão. "Sinto muito pelo que falei. Youta te pede em casamento e eu aqui, dizendo uma bobagem dessas. Talvez fosse melhor eu ir embora."

"Não, por favor. Não vá. Não acho que seja besteira o que disse porque...bem, porque..." Ela fitou Youta com um pouco de tristeza.

"Youta. Não posso mais ficar me segurando. Já é hora de contar." "Contar o que, Ai-Chan? Algo errado?"

"Youta. Eu te amo e quero me casar com você, mas também amo Mai. Na real...estou apaixonada pelos dois. Me perdoe." A jovem caiu de joelhos e escondeu o rosto para não cair lágrimas. O rapaz se abaixou e a amparou, não demonstrando raiva, frustração ou algo parecido.

"Não chore, Ai-Chan. Está tudo bem. Fico feliz que tenha resolvido ser honesta com seus sentimentos, seja por mim ou por ela. Sua honestidade é uma da coisas que mais amo em você. E falo do mesmo jeito à seu respeito, Mai." Ele virou a cabeça pra encarar a morena. "Se tinha alguma dúvida de que você se tornou uma humana completa, ela se dissipou agora. Eu aceito que ame ela. A felicidade de ambas é tudo para mim."

"Oh, Youta. Eu..." Mai se ajoelhou e abraçou o casal, recebendo deles também um forte achego.

"Mai. Você me ama mesmo?" "Sim, Ai-Chan. Tanto que me casaria com você agora, mas sei que ama Youta e não seria justo separá-los."

"Meninas. Acho eu que tenho uma ideia de como resolver essa situação."

As duas o fitaram em silêncio pela resposta.

"Podemos fazer o seguinte: eu caso com Ai-Chan aqui em Tokyo, vamos pra algum lugar para a lua-de-mel onde somos desconhecidos, tipo Okayama ou Kyoto, e vocês duas se casam lá. Voltando pra cá, não contamos que estão casadas e ainda ficamos juntos como sempre. O que acham?"

"Eu gostei. Youta, você é um gênio. O que pensa, Ai-Chan?"

"Desde que meu casamento seja o primeiro, eu topo."

"Então está bem. Ai-Chan, posso dar um beijo em você?" E com um balançar de cabeça, a loira se aproximou da morena e uniu seus lábios com os dela, lançando um gostoso e suave beijo. Youta pareceu meio encabulado.

"Tenho que confessar que é a primeira vez que vejo 2 mulheres se beijando. E acho...que estou dando sinal."

As duas sabiam o que ele estava dizendo ao olharem para baixo.

"Difícil pensar que tenha conseguido achar a Videolocadora Paraíso, tendo uma mente como essa." Mai comentou com um olhar de malícia, mas logo se voltou para a loira. "Agradeço por corresponder ao meu coração."

"Não por isso. Para mostrar que aceito de boa, vou deixar você deitar com Youta hoje na hora de dormir." "De verdade? Jura?"

"Sim, pois alguém tem que lamber o pé dele. Hi, hi, hi."

"Não garanto nada. Se deitar com ele, pretendo ir com ele aonde eu iria quando era video girl."

"Só passando por cima de mim." Ai-Chan pegou uma almofada do sofá em sinal de luta. Mai fez igual. "Com muito gosto. Em guarda."

"Garotas. Trégua. Tempo." Mas num segundo, as duas caíram com as almofadas uma sobre a outra, acertando-se com toda força. Era pena que saia voando sem parar.

"Bem, se não pode vencê-las, junte-se a elas." Dando de ombros e pegando mais uma almofada, o garoto juntou-se a animada briga, golpeando com vontade e muito senso de humor diante das duas garotas piradas, seguindo noite adentro de lutas e diversão.

Continua...