Oiieee, voltei com mais um capítulo pra vcs! Comentem pra mim saber se vcs estão gostando!

Boa Leitura!!!

Capítulo 2

— Devo estar completamente louca — murmurou Bella.

Olhou com desagrado para seu reflexo. Mesmo com a ajuda dos cosméticos de Rosalie, ela ainda parecia... comum. E ninguém jamais iria acreditar que Edward Cullen convidara uma garota como ela para sair.

Mas ao menos sua roupa favorita um vestido justo de seda que descia até a altura dos joelhos, munido de mangas curtas, e uma faixa comprida que envolvia sua cintura estava adequada. Só podia torcer para que ele lhe desse confiança, algo que usualmente acontecia quando o vestia. Exceto que não havia nada usual nesta noite em particular.

Chegara a considerar seriamente a possibilidade de fugir, mas o Sr. Cullen a veria passar pela porta da sala de estar, e ela não queria se submeter ao risco de que ele tentasse ir atrás. Seria como ser seguida por uma pantera negra, pensou com um súbito arrepio.

Além disso, em termos práticos, se ela estava prestes a perder seu emprego, então precisava realmente do dinheiro que ele aparentemente estava preparado para lhe pagar, além do lugar onde ficar. Embora o pensamento de ficar endividada com ele a perturbasse severamente.

O incidente na França tinha sido um pesadelo, mas algum instinto que ela não imaginara possuir a alertava de que qualquer envolvimento com Edward Cullen tinha potencial para ser infinitamente pior.

E ela não podia confiar em sua falta de glamour para ser seu salva-vidas, conforme descobrira a um alto custo.

Suspirou baixinho. Um pouco de dinheiro na mão seria mais do que bem-vindo, lembrou a si mesma. Na verdade, seria essencial.

E embora não gostasse de festas, sabia o que fazer nelas pegar uma bebida na bandeja e se tornar invisível em algum canto até que chegasse a hora de se retirar.

Estava fechando a faixa com um laço quando ele bateu na porta.

— Ainda vai demorar muito?

O dossiê estava crescendo, pensou. Muitas namoradas. Extremamente manipulador. Pouquíssima paciência. Mais uma quantidade excessiva de... do quê? Carisma? Sensualidade? Não conseguia definir que qualidade era essa, mas a temia.

"Estou pronta" gritou, metendo os pés nas sandálias de salto alto e pegando a pequena bolsa de noite que combinava com eles e com o xale creme.

Esperou ouvir algum comentário ao emergir do quarto, mas ele apenas relanceou os olhos para ela e assentiu abruptamente. Não que ela quisesse sua aprovação. Nem em sonho. Mas ainda assim...

"Não sabia o que fazer com meu cabelo" disse, tocando os fios reluzentes que desciam, retos como chuva, até suas omoplatas. "Quero dizer, se deveria prendê-los ou não."

"Está ótimo." Caminhou até a porta. "Podemos ir?"

" De quem é essa festa?" inquiriu, quebrando o silêncio depois que haviam sentado no táxi que ele chamara com facilidade irritante.

— A festa está sendo oferecida pelo presidente da seguradora Torchbearer, uma grande cliente nossa.

"E sua agência faz um bom trabalho para eles?"

"Um trabalho excelente."

"Então você estará entre amigos" concluiu. "Por que obrigar uma estranha a acompanhá-lo?"

Ele torceu a boca.

"Chame de... uma forma diferente de seguro. Seguro muito pessoal. E eu talvez deva lhe fazer algumas perguntas antes de chegarmos lá. Para começar... quantos anos você tem?"

"Vinte."

"Parece mais jovem."

Então a maquiagem cuidadosamente aplicada surtira algum efeito, pensou.

"E qual é o seu trabalho?"

"Sou secretária. Pertenço a uma agência que opera aqui no Reino Unido e por toda a Europa. Tenho habilidade com computadores, falo francês e um pouco de italiano. Também faço reservas em restaurantes, arrumo desculpas para o patrão, envio flores, organizo viagens e coleto roupas na lavanderia."

"Então, o que aconteceu com o emprego? O restaurante não cumpriu a reserva? As flores não chegaram?"

Ela evitou olhar para ele ao dizer:

"Houve um desentendimento que não pôde ser resolvido." Depois de uma pausa, ele disse secamente:

"Entendo."

Não, pensou, você não entende. Mas ainda é cedo demais para eu conseguir falar sobre isso. E mesmo se não fosse, jamais contaria a você.

"Por que não me diz como devo me dirigir a você durante esta noite? Não posso tratá-lo por "Sr. Edward Cullen". Ela hesitou. "Devo chamá-lo de Cullen como Rosalie faz?"

"É assim que me chamam no trabalho. Em momentos mais íntimos, prefiro Edward. Por favor, chame-me assim."

Ela mordiscou o lábio, pensando que a última coisa que queria era fazer parte de seus momentos íntimos.

"Eu vou tentar me lembrar" prometeu, seca.

E quando tudo isso tiver acabado, pensou, tentarei esquecer.

A festa estava sendo realizada no Arandel Club, nas cercanias do Pall Mall. A entrada parecia a de uma grande igreja italiana, completa com estátuas clássicas, e Bella, envergonhada pelo barulho que seus saltos fizeram na ampla escadaria de mármore, chegou a pensar em ficar nas pontas dos pés.

No topo da escadaria, viraram à esquerda para um corredor largo e atapetado em azul escuro. Havia alcovas a intervalos ao longo do corredor, algumas com mesinhas douradas exibindo ou unia grande e ornamentada peça de cerâmica ou um arranjo floral, enquanto outras estavam ocupadas por pequenas poltronas com faixas douradas e brancas.

Edward Cullen indicou uma porta no lado direito.

"O lavatório feminino" disse lacônico. "Talvez queira verificar seu vestido."

"Obrigada. Acho que devo mesmo."

Ao entrar, Bella se viu engolfada por vozes aceleradas e perfumes caros. Ao ajustar seu xale, notou que as duas mulheres ao seu lado olharam para ele e em seguida para ela, antes de trocar sorrisos levemente escarninhos.

Bem, elas têm razão, disse a si mesma. Não pertenço a este lugar. Devo me concentrar no dinheiro que vou ganhar e suportar tudo que acontecer.

Ela ajustou os cabelos por um ou dois minutos e aplicou mais um toque de batom, esperando a multidão se dispersar.

Quando emergiu para o corredor, Edward estava a alguns metros, admirando o quadro predominantemente marrom que ocupava a parede entre duas alcovas. Obrigando-se a caminhar até ele, ela forçou um sorriso.

"Estou pronta."

"Não concordo."

Edward pegou-a pelos ombros, girando-a para dentro da alcova mais próxima, onde beijou-a de forma lenta e completa, sua boca deslumbrante se movendo contra a de Bella numa perícia que liquefez suas pernas, fazendo com que quase tivesse de se agarrar aos ombros dele para não cair.

"Mas que diabos!" exclamou furiosamente quando recuperou a voz. "O que foi isso?"

" Nada com que você precise se preocupar. Mas não costumo ser visto com mulheres que pareçam imaculadas. As pessoas poderiam estranhar. Se você se olhar no espelho, verá que minha maquiagem improvisada funcionou. Agora parece desgrenhada o bastante para fazer com que as pessoas imaginem coisas."

Então segurou a mão de Bella e a conduziu rapidamente até o fim do corredor, onde um par de portas permanecia aberto, e a conduziu para a sala seguinte antes que ela conseguisse pensar num comentário mordaz... ou qualquer comentário, a propósito. Porque desgrenhada não era a melhor palavra para descrever as emoções que fervilhavam dentro dela.

Vasta e bem iluminada, a Sala Presidencial estava repleta de pessoas, todas falando acima dos esforços de um quarteto de cordas em tocar Mozart. Praticamente assim que entraram, uma voz masculina clamou:

"Cullen, que bom vê-lo. Queria trocar uma palavrinha com você."

Por um momento os dois foram cercados por outros convidados e subitamente seu acompanhante sumira, carregado por uma onda de cumprimentos até um grupo de outros homens e oculto por trás de uma parede de ternos.

O que significava que ela agora tinha sua mão de volta e tudo que precisava fazer era tentar recuperar seu fôlego, juntamente com um pouco de compostura. E não levar um dedo até sua boca latejante para verificar se realmente estava tão inchada quanto parecia.

Estava mais do que em tempo de iniciar a Operação Camuflagem, decidiu, relaxando os punhos para pegar um copo de suco de laranja fresco e olhar ao redor em busca de um santuário.

Parecia haver uma multidão vagando na direção das longas mesas de bufê, onde chefes de cozinha usando chapéus altos e brancos aguardavam para destrinchar um enorme peru, juntamente a peças de carne bovina e presunto, o que fez o estômago de Bella roncar de desejo. Mas resistiu à tentação, dizendo a si mesma que quando chegasse em casa ainda poderia preparar o jantar de massa que planejara originalmente.

Assim, em vez de seguir para o bufê, caminhou até uma das janelas francesas, abertas para deixar entrar o cálido ar noturno, e saiu para uma varanda minúscula, delimitada por uma balaustrada de ferro.

Com um pouco de sorte, o Sr. Cullen poderia achar que ela havia se aproveitado de sua temporária falta de atenção para desaparecer completamente, disse a si mesma, deleitando-se com a frieza do suco de laranja descendo por sua garganta seca.

Mas escapar dele aqui fora não estava dando tão certo quanto ela esperara. Em vez disso, Bella descobriu-se recordando tudo que Rosalie dissera a respeito dele. Por exemplo, ela sabia que, mesmo sem a companhia, ele era milionário e possuía uma mansão de campo, bem como um luxuoso apartamento em Chelsea.

"Ele é casado?" perguntara certa vez, e Rosalie rira.

"Não, e nunca esteve nem perto. Cullen parece ter um sexto sentido que o avisa sempre que a dama começa a ouvir sinos de igreja, e então, num estalar de dedos, ele desaparece. Age com muita elegância, mas o resultado é sempre o mesmo. Além disso, passa muito tempo no exterior, o que o ajuda a evitar relacionamentos duradouros."

Antes de Bella ir trabalhar para a Ingram Organisation, Rosalie se oferecera para ver se havia alguma vaga para ela na agência. Contudo, Bella fizera que não com a cabeça.

"Não, isso não é para mim."

Portanto, eu talvez também tenha um sexto sentido, pensou enquanto terminava seu suco de laranja. Subitamente seu refúgio não parecia tão quente quanto antes. Uma brisa suave começara a soprar desde o pôr do sol, e com um leve tremor ela se virou para entrar novamente.

Apenas para descobrir a passagem fortemente bloqueada.

A mulher alta que a confrontava podia estar usando o ubíquo preto, mas seu vestido gritava design francês, linhas severas aliviadas pelo colar de diamantes em torno do pescoço branco. No fim da casa dos vinte, era magra como um junco, como a maioria das outras mulheres na sala, e seus cabelos louros tinham sido penteados para cima até a espécie de estilo descuidado que demandava horas para ser obtido.

Era bonita, com olhos verdes sob cílios impossivelmente longos e cobertos com delineador, mas não havia o menor calor nos olhos perscrutando Bella.

" Com licença" disse a mulher, voz igualmente fria "mas você se importa de me dizer quem é? Não sabia que estava na nossa lista de convidados."

"Ela está comigo, Tânia" disse Edward com tranquilidade ao surgir do nada, caminhando até o lado de Bella para deslizar um braço em torno de sua cintura, puxando-a para mais perto de si. "Ela se chama Isabella Swan. Querida, esta é nossa anfitriã, a Sra. Denali."

" Eu devia ter imaginado, claro." A Sra. Denali emitiu uma risada musical. "Os convites de Edward sempre dizem "e acompanhante". A vida social dele muda tão depressa que é mais seguro assim. Portanto, perdoe-me por não tê-la reconhecido." A anfitriã brindou Bella com um sorriso tão radiante quanto breve e então se virou novamente para Edward. "Diga, meu bem, onde encontrou essa criança encantadora? "

Edward deu com os ombros.

"Digamos que apenas conhecemos um ao outro."

Tânia Denali fez beicinho para ele.

"Mas que maldade sua deixá-la sozinha assim, com tantos predadores potenciais por perto."

" Não se preocupe com isso" disse Edward. "Nossa separação foi apenas temporária e eu tomei muito cuidado para não perdê-la de vista."

" Bem, se você deixá-la sozinha novamente arrumarei uma forma de puni-lo. Tenho certeza de que ela vai encontrar alguma forma deliciosa de punir você. Agora leve-a para comer algo, meu bem, e não esqueça de apresentá-la a todas as pessoas que estão morrendo de vontade de conhecê-la."

Por um momento a fina mão de Tânia, adornada por uma aliança de platina incrustada com diamantes tão espetaculares quanto os do colar, repousou na manga de Edward, e então ela se retirou.

"Criança encantadora" Bella repetiu com deboche. "Não é uma descrição que eu aplicaria a ela."

Edward contorceu a boca.

"Daqui a trinta anos, querida, você vai lembrar de suas palavras com um suspiro de nostalgia. E como a fome parece deixá-la com mau humor, venha comer."

Bella não saiu de onde estava.

"Prefiro comer em casa."

Ele levantou as sobrancelhas, zombeteiro.

" Chocolate e sanduíche?"

Bella ergueu o queixo, desafiadora.

"Qual é o problema com isso?"

"Por onde quer que eu comece? Além disso, como o seu trabalho aqui ainda não acabou, você precisa se fortalecer."

Conduzida até o bufê e obrigada a escolher, Bell se descobriu com um prato cheio de salmão escaldado, maionese de lagosta e camarão vol-au-vents, acompanhados por uma seleção de saladas exóticas.

E, a despeito de seus protestos, uma taça de champanhe.

" Uma das maiores invenções da humanidade" disse Edward enquanto a observava bebericar cautelosamente. " Um vinho que pode ser bebido a qualquer hora do dia... ou da noite."

" Terei de aceitar sua palavra sobre isso, Sr. Cullen e prosseguiu com seu jantar."

Depois que terminou de comer, Bella foi... encontrar pessoas. Seria difícil não fazer isso, refletiu, pois seu acompanhante parecia conhecer todo mundo na sala. E todos eles, aparentemente, também queriam conhecê-la.

Com o braço de Edward pousado em seus ombros, a língua de Bella deveria estar grudada no céu de sua boca, mas ela se flagrou respondendo às apresentações amistosas e conversando timidamente, em vez de se sentir desajeitada e envergonhada, como costumava acontecer nessas situações. Até conseguiu suportar os olhares especulativos que lhe eram dirigidos por algumas das outras garotas.

Meus dez minutos de fama como a mais recente namoradinha de Edward Cullen, pensou irônica. Se eles soubessem!

Uma das últimas pessoas que veio lhes falar foi o presidente da Torchbearer Insurance, Laurent Denali. Era um homem alto, ligeiramente acima do peso, bonito, com tez avermelhada.

"Ah... Cullen. Que bom vê-lo. Sim, muito bom." Havia em sua voz uma espécie de jovialidade desajeitada. "Acho que precisamos nos reunir para discutir as novas políticas da Torchbearer, mas minha agenda está lotada até o fim da semana que vem." Fez uma pausa. "Mas Tânia convidou algumas pessoas para passar o fim de semana conosco em Queens Barton, de modo que pensei que você talvez quisesse se juntar a nós. Assim, teríamos como tratar de algumas coisas em particular e também seria uma desculpa para escapar das intermináveis competições esportivas de minha esposa."

Desatou uma risada curta, olhando em seguida para Bella.

" E é claro que Tânia insiste que você leve a Srta... Swan. Ela adorou a jovem."

Bella estremeceu, mas então sentiu a pressão calorosa da mão de Edward na sua. Sorrindo, ele disse:

" Obrigado, Laurent. Nós dois vamos apreciar muito. Adoraria mostrar a casa a Bella. Os jardins devem estar fabulosos."

"Ora, isso é esplêndido!" Laurent Denali disse com animação. "Aguardarei ansioso por vê-los na próxima sexta-feira. Vocês dois."

Bella ficou parada em silêncio, observando o anfitrião se afastar. Quando ele estava fora do alcance de sua voz, ela disse rouca:

"Então, que desculpa devo inventar? Gripe ou intoxicação alimentar? Se eu culpar a maionese de lagosta, ele pode se sentir culpado em fazer alguma pergunta."

" Nenhuma desculpa será necessária" disse Edward com brusquidão. "Aceitei o convite em nome de nós dois, e vamos passar o próximo fim de semana juntos em Queens Barton. Que isso fique claro."

"De jeito nenhum." Bella, assustada, tentou recolher a mão e falhou. Edward se inclinou para a frente, sua boca sorrindo enquanto corria a ponta de um dedo pela curva de sua face, olhos parecendo lascas de gelo. Lábios roçando em sua orelha, ele sussurrou: " Isto não é assunto para discussão pública, querida. Portanto, guarde seu argumento até estarmos a sós." Fez uma pausa. "Agora, sorria para mim como se não tivesse mais nada na mente além da hora de ir para a cama."

Furiosa, Bella ajustou o vestido e desceu a escada com ele em silêncio. Na rua, entrou no banco de trás de um táxi, mantendo-se encolhida no canto oposto ao dele para tentar organizar os pensamentos.

"Então" disse ele finalmente. "Qual é o problema?"

Ela tocou a ponta da língua nos próprios lábios ressequidos.

" Eu... eu não quero me envolver nisso. Não de novo. Não depois desta noite."

A voz de Bella tremeu.

"Posso parecer mais nova do que sou, e fui chamada de criança pela Rainha de Diamantes, mas isso não faz de mim uma idiota. E esta noite você me usou como distração para enganar o marido dela, porque está envolvido com... ela. Com a Sra. Denali. Não existe desculpa para romper um casamento. Portanto, nunca mais, obrigada."

" A acusação já terminou de expor seu caso?" perguntou com um irritante tom de diversão na voz.

"Tudo é uma piada para você?" esbravejou Bella. "Um jogo com as vidas e os corações das pessoas. Não se importa que haja pessoas inocentes envolvidas nisso, pessoas que irão se machucar."

" Na verdade eu me importo, sim. E muito. Particularmente quando a pessoa inocente sou eu mesma."

Ela arfou.

"Está fingindo que não tem um caso com a Sra. Denali?"

"Não estou fingindo nada" disse com calma. "Sim, Tânia e eu fomos amantes por algum tempo, mas isso foi há 18 meses, quando ela ainda era solteira. Só que ela procurava por um marido rico e eu não estava interessado em casamento, como deixei bem claro desde o começo. Ela achou que poderia fazer com que eu mudasse de ideia; eu sabia que ela não conseguiria. Ela achou que se desse um ultimato e fosse embora eu iria atrás dela. Também estava errada nesse sentido."

Ele age com muita elegância, mas o resultado é sempre o mesmo. As palavras de Rosalie, pensou Bella. E claramente não haviam sido proferidas em vão.

"Mas ela foi o motivo para você ter me trazido esta noite" retorquiu. "Não pode negar isso."

"Nem vou tentar" disse com sua voz rouca e sensual. "Entenda, quando finalmente aceitou que eu falava sério, Tânia procurou por um substituto e encontrou Laurent, que estava saindo de um casamento conturbado e queria provar ao mundo que superara isso, exibindo uma esposa nova e deslumbrante. Obviamente não fui convidado para o casamento, mas depois de alguns meses ela enviou um convite para uma recepção que sabia que eu teria de comparecer."

Depois de uma breve pausa, prosseguiu:

" Foi extremamente franca comigo. Disse que só havia casado com Laurent porque eu não estava disponível, mas agora podia entender claramente porque sua primeira esposa o havia largado por alguém mais jovem e mais divertido na cama. E usando essas coisas como argumento, sugeriu que nosso relacionamento prévio deveria ser retomado rapidamente."

"Acrescentou que teríamos de ser muito discretos, porque Laurent, por causa de seus problemas passados, é ciumento e trata todos os seus envolvimentos anteriores com suspeita. Porém, quando disse um "não" bem claro ao seu convite, ela não acreditou em mim. Insistiu que sabia que eu ainda a queria."

Bella engoliu em seco.

" E ainda a quer?"

"Você a viu" disse lacônico. "E eu nunca disse que era feito de pedra. Por outro lado, sempre soube que ela era encrenca da grossa. E a oferta que ela fez simplesmente confirmou isso. Assim, eu me mantive irredutível, e ela ficou zangada. Disse que ninguém a recusava uma segunda vez e que ia fazer com que me arrependesse pela forma como a tratei. Que seria muito fácil fazer Laurent suspeitar que estou novamente atrás dela, tentando reacender nosso caso. E com isso eu naturalmente perderia a conta da Torchbearer Insurance."

Ele fez uma pausa.

"Porém, ela também sugeriu que sob as circunstâncias eu deveria repensar a situação inteira, e depressa. Recobrar o juízo e lembrar de como era bom quando estávamos juntos."

Ele acrescentou:

"Desde então tenho tomado o cuidado de ser acompanhado por uma mulher em todos os eventos para os quais ela também é convidada. E é por causa disso que você vai me acompanhar a Queens Barton no próximo fim de semana."

Ele pegou a carteira quando o táxi parou em seu destino.

"Vamos discutir os detalhes enquanto tomamos um café. Presumo que saiba operar a cafeteira."

" Você... vai subir comigo?" Bella não conseguiu esconder o desespero de sua voz. "Isso não será necessário."

"Acho que provavelmente será. A não ser que tenha se lembrado de colocar a chave de Rosalie na sua bolsa antes de sair. Não? Foi o que pensei."

Um erro, pensou enquanto o acompanhava sem resmungar e o aguardava destrancar a porta. Um erro como muitos outros que ela tentaria não voltar a cometer.

" Vou colocar um pouco de conhaque no meu café" disse a ela depois que haviam entrado. "Você quer?"

" Não, obrigada."

"E gosto do meu café filtrado, preto e puro" prosseguiu. "Como o mundo agora acredita que costumamos tomar café da manhã juntos, isso é algo que todos esperarão que você saiba."

" Então o mundo deve ser cego e estúpido" disse Bella. "Você acha que algum homem iria querer uma piranha magricela e feia como você?" Por um momento as lembranças dessas palavras arderam em sua mente.

Ela se forçou a acrescentar, calma:

"Quanto à sua ex-namorada, apostaria dinheiro que ela não seria enganada nem por um instante."

" Então teremos de ser muito mais convincentes da próxima vez."

"Não haverá uma próxima vez." Bella olhou de cara feia para ele. "Não pode haver. Sinto muito pela Sra. Denali considerá-lo irresistível, mas não voltarei a prestar esse serviço ridículo. Você não tinha o menor direito de aceitar em meu nome um convite para passar o fim de semana na casa dela sem me consultar primeiro. Nem sabe se eu tenho meus próprios planos para o próximo fim de semana."

" Perdoe-me" disse ele, os frios olhos verdes implacáveis. "Mas você me deu a impressão de que não tinha para onde ir e muito pouco dinheiro, de modo que nem me ocorreu que estivesse com a agenda cheia."

" E não estou" disse ela. "Mas isso não significa que eu esteja disposta a desperdiçar dois dias da minha vida fingindo que temos um relacionamento para manter sua ex-amante afastada."

" E presumo que também esteja disposta a abdicar das duas mil libras que vou lhe pagar para fazer isso?"

Quando recobrou a voz, Bella disse:

"Você deve estar louco."

" Não. Apenas completamente determinado."

"Mas sua namorada terá se recuperado da virose até o fim de semana protestou Bella. Por que não a leva?"

" Porque o convite foi claramente estendido a você." Fez uma pausa. "Agora sugiro que faça aquele café, e quando voltar conversaremos sobre os detalhes finais."

Acrescentou baixinho:

"Que, obviamente, serão os arranjos para dormir."

Ele sorriu para ela.