Disclaimer: Esse cretino abusado que vamos conhecer nos próximos capítulos não me pertence, porque se pertencesse... HOHOHO!


CAPÍTULO UM

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Me perguntei se a vibração entre as minhas pernas seria gostosa.

O sol bateu na parte cromada de uma Harley Davidson estacionada um pouco mais à frente, fazendo-a brilhar sob o calor sufocante do meio-dia. Esperei até que terminasse de tocar Maroon 5 no rádio, estranhamente hipnotizada pelo brinquedo de duas rodas enquanto procurava o celular na bolsa. A moto era simples – preta e prata, brilhante, com alforjes de couro desgastado decorados com um crânio gravado embaixo das iniciais E.C.

Quão prazeroso seria pilotá-la? O vento soprando nos meus cabelos compridos, meus braços envolvendo um homem com um apelido perigoso, o motor ronronando entre as minhas coxas cobertas pelo jeans. Horse? Drifter? Guns? Espere. Não. Pres. Meu motoqueiro imaginário definitivamente se chamaria Pres. E seria parecido com o Charlie Hunnam. Olhei para o meu iPhone e vi meia dúzia de novas mensagens de Michael. Sorri por dentro. Com certeza, ninguém que se chamasse Michael pilotaria uma Harley.

Jogando o telefone de volta na bolsa, desliguei o motor do BMW abarrotado e olhei para o banco de trás. As caixas empilhadas até o teto começavam a fazer com que o carro, de tamanho normal, parecesse claustrofóbico.

Um ônibus cheio de turistas estacionou na entrada. Ótimo. Era melhor entrar para pegar o almoço agora, caso contrário eu nunca sairia dali. Após dez horas de viagem de Chicago a Temecula, na Califórnia, eu estava em algum lugar no meio de Nebraska, e ainda tinha cerca de vinte e poucas horas de estrada pela frente.

Depois de uma espera de quinze minutos por uma Pepsi e um frango frito Popeyes que planejava comer no carro, parei na lojinha de suvenires. Eu estava muito cansada e sem vontade nenhuma de dirigir mais cinco horas antes de encontrar um lugar para dormir. Bocejando, decidi parar e dar uma olhada por alguns minutos. Conferindo algumas bugigangas, acabei pegando uma miniatura do Barack Obama e a sacudi sem pensar, observando seu sorriso louco enquanto a cabeça balançava para cima e para baixo.

— Compre. Você sabe que quer — uma voz profunda e rouca disse atrás de mim. Com o susto, meu corpo reagiu instintivamente, e a miniatura escorregou dos meus dedos e caiu no chão. A cabeça se separou do pescoço de mola e rolou para longe.

A mulher do caixa gritou:

— Sinto muito, senhora. Vai ter que pagar por isso. São vinte dólares.

— Droga! — resmunguei, dirigindo-me para onde a cabeça havia rolado. Quando me abaixei para pegá-la, ouvi novamente a voz atrás de mim.

— E pensar que algumas pessoas dizem que ele tem a cabeça no lugar. — O sotaque parecia ser australiano.

— Você acha isso engraçado, babaca? — perguntei, antes de me virar e olhar pela primeira vez para o dono daquela voz.

Congelei.

Ah. Merda.

— Não precisa bancar a cretina por causa disso. — Sua boca se curvou em um sorriso malicioso quando me entregou o corpo do Obama. — E, só para deixar claro, achei engraçado, sim.

Engoli em seco e acho que perdi a habilidade de falar quando vi o Adônis diante de mim. Queria arrancar aquele sorriso arrogante que estampava seu rosto – lindo, esculpido, desalinhado, emoldurado por mechas grossas de cabelo castanho acobreado. Merda. Esse homem era gostoso demais, não o tipo que eu esperava encontrar ali. Estávamos no meio do nada nos Estados Unidos, não no interior da Austrália, pelo amor de Deus.

Limpei a garganta.

— Bom, eu não achei engraçado.

— Então você precisa relaxar e se animar. — Ele estendeu a mão. — Dá aqui, princesa. Eu pago essa droga. — Antes que eu pudesse responder, ele pegou os dois pedaços quebrados, e eu amaldiçoei o arrepio que atingiu minha espinha pelo breve contato de sua mão roçando a minha. Claro, além de tudo, seu cheiro tinha que ser incrível.

Eu o segui até o caixa enquanto procurava dinheiro na minha bolsa bagunçada, mas ele foi bem mais rápido e pagou. Ele me entregou a sacola com a miniatura quebrada.

— O troco está aí dentro. Compre um pouco de senso de humor para você.

HU-MORRR. Ah, esse sotaque!

Meu queixo caiu quando ele se afastou e saiu da loja. Que bunda!

Do tipo excelente. Uma bunda redonda, grande e suculenta, abraçada com firmeza pela calça jeans. Caramba, eu realmente precisava transar, porque não parecia importar o fato de que esse homem tivesse me insultado na cara dura; minha calcinha estava praticamente molhada.

Depois de ficar olhando uma prateleira de camisetas do Nebraska Cornhuskers por vários minutos, me chutei mentalmente. Minha reação ao incidente provou que o cansaço estava me vencendo. Normalmente eu não era tão temperamental. Era hora de me livrar daquele encontro bizarro e sair dali. Meu estômago estava roncando, e eu estava ansiosa para atacar o frango frito assim que pegasse a estrada. Peguei um pedaço da caixa que estava dentro da bolsa e saí da loja. Parei de mastigar. Ali estava ele, duas vagas depois do meu carro – sentado na moto sobre a qual eu tinha fantasiado.

Aproximei-me lentamente, esperando que ele não me notasse. Não tive essa sorte. Em vez disso, quando me viu, ele abriu um sorriso exagerado e acenou.

Enquanto eu procurava freneticamente as chaves do carro, revirei os olhos e murmurei:

— Você de novo.

Ele riu.

— Acabou comprando senso de humor?

— Não. Usei o troco para comprar boas maneiras para você.

Rindo, ele balançou a cabeça para mim. Passando a mão pelos cabelos, colocou o capacete preto e ligou a Harley. O estrondo estremeceu meu interior.

Entrando no carro e batendo a porta, não pude deixar de dar uma última olhada, observando-o, sabendo que nunca mais iria voltar a vê-lo. Ele deu uma piscadinha por dentro do capacete, e o meu coração patético vibrou.

Observei pelo retrovisor enquanto ele começava a se afastar. Esperava que ele saísse voando como um morcego, mas, depois de se deslocar lentamente, ele parou. Continuou tentando ligar a moto para conseguir colocá-la em movimento, mas nada aconteceu. Depois de finalmente desligar o motor, ele tirou o capacete e passou a mão pelo cabelo, frustrado, antes de sair para dar uma olhada na moto.

Eu deveria ter ido embora, mas não podia tirar os olhos dele enquanto ele lutava para que a moto funcionasse. Cara, que merda, hein?

Mergulhei um dos pedaços de frango no molho de mostarda e mel e o levei à boca, ainda assistindo àquilo como se fosse um evento esportivo. Então, ele pegou o telefone e fez uma ligação enquanto andava de um lado para o outro.

Ao desligar, ele olhou para mim e me encarou. Pega em flagrante, soltei uma risada nervosa. Não queria rir da situação, mas simplesmente saiu. Ele ergueu a sobrancelha e isso me fez rir ainda mais. Então caminhou lentamente em minha direção, segurando o capacete. Bateu na minha janela e eu a abri.

— Acha isso engraçado, princesa?

— Na verdade, não... talvez. — Bufei.

— Bem, fico feliz por você finalmente ter conseguido encontrar seu senso de humor.

HU-MORRRR.

Caramba, o sotaque dele era sexy.

Ele inclinou a cabeça para olhar para o banco de trás e viu todas as caixas.

— Você não tem casa? Mora no carro?

— Não. Estou de mudança para o outro lado do país.

— Para onde está indo?

— Temecula.

— Califórnia. — Ele assentiu. — Eu também.

Olhei para a Harley.

— Bem, parece que você não vai a lugar nenhum por enquanto. Acho que é a lei do retorno agindo por você ter me chamado de cretina.

— É, parece ser o caso.

— Que isso seja lei do retorno?

— Não, que você é uma cretina.

— Muito engraçado.

— Sabe o que é ainda melhor que a lei do retorno? — perguntou, inclinando-se na janela enquanto seu perfume me intoxicava.

— O quê?

Ele balançou as sobrancelhas.

— Karma.

— Do que você está falando?

— Venha aqui dar uma olhada na traseira da sua Beemer.

BEE-MERRR.

Saí do carro e dei a volta. Meu pneu direito traseiro estava completamente murcho.

O quê? Isso não podia estar acontecendo. Com a mão na testa, olhei para a sua expressão presunçosa.

— Está de brincadeira? Você sabia que o meu pneu estava furado esse tempo todo?

— Sim, reparei na hora em que peguei você comendo frango e rindo de mim. Foi bem difícil manter o rosto sério naquele momento.

Eu não sabia como trocar um pneu, nem que fosse para salvar minha vida. Não podia acreditar no que estava prestes a pedir a ele.

— Você sabe trocar pneu?

— Claro que sei. Que tipo de homem eu seria se não soubesse trocar um pneu?

— Pode me ajudar? Sei que não tem motivos para querer... depois do nosso pequeno desentendimento, mas estou desesperada mesmo. Não quero ficar aqui sozinha à noite.

— Deixa eu te fazer uma pergunta.

— Ok...

Ele esfregou o queixo.

— Quão desesperada você está para trocar o pneu?

Eu me afastei.

— O que exatamente você está insinuando?

— Pode parar com a mente poluída, coração. Não estou fazendo uma proposta sexual, se é isso que está pensando. Você não faz o meu tipo.

— E qual é o seu tipo?

— Gosto de mulheres que não têm a personalidade de uma maçaneta.

— Obrigada.

— Não tem de quê.

— Então quais são as suas condições?

— Bom, como você sabe, e demonstrou claramente com seu ataque de riso, minha Harley está com defeito. Precisa de uma peça que eu não tenho. Acabei de ligar para o guincho. Mas estou em cima da hora e, assim como você, preciso chegar à Califórnia.

— Você não está sugerindo...

— Sim. Estou, sim. Se eu trocar o pneu, você me dá uma carona.

— Uma carona?

— Sim, uma carona.

— O que você acabou de dizer?

— Você ouviu.

Balancei a cabeça para me livrar das imagens que haviam brotado nela. Será que minha mente cansada imaginou que ele tinha acabado de dizer aquilo ou ele estava brincando comigo?

— Não posso dirigir centenas de quilômetros com um completo estranho — falei.

— É muito mais seguro do que dirigir sozinha.

— Não se você for um serial killer!

— Olha quem está falando. Foi você que decapitou um presidente americano.

Não consegui segurar o riso. Essa situação era totalmente insana.

— Caramba, princesa, você está rindo de si mesma?

— Acho que você está me fazendo delirar.

Ele estendeu a mão.

— E aí, combinado?

Cruzei os braços em vez de segurar sua mão.

— Que escolha eu tenho?

— Ah, aquele cara ali poderia trocar o seu pneu. — Ele gesticulou para um homem grande e assustador que parecia estar nos observando. O cara parecia o Herman, do seriado Os monstros.

Deixando escapar uma respiração profunda, concordei.

— Sim. Combinado! Só me tire daqui.

— Foi o que pensei. Por favor, diga que tem um estepe.

— Sim, mas tenho que tirar algumas caixas para que você possa pegá-lo.

Ele começou a se irritar quando viu o estado do meu porta-malas.

— Porra, o que é toda essa porcaria?

Olhei em seus olhos e respondi honestamente:

— Minha vida inteira.

Empilhei o conteúdo no chão. Ele pegou o estepe e, quando começou a trocar o pneu, sua camiseta branca subiu, expondo o abdômen levemente bronzeado e rígido como pedra e uma trilha fina de pelos que desaparecia na cueca. Uma tensão indesejada se formou entre as minhas pernas. Eu precisava de distração, então fui até a moto dele e me sentei, segurando o guidão e imaginando como seria andar contra o vento. Mas tudo o que podia imaginar era ele na minha frente, e isso não estava ajudando.

Ele saiu de debaixo do carro.

— Tenha cuidado, garota. Isso não é um brinquedo.

Desci e passei os dedos pelas letras gravadas nos alforjes.

— Afinal, o que é esse E.C.?

— São as minhas iniciais.

— Deixe-me adivinhar... Estúpido Cretino?

— Olha... eu teria dito o meu nome, mas, como você é tão esperta, acho que vou te deixar adivinhar.

— Como quiser.

Ele se deitou no chão.

— Só vou encaixar essa porca e estaremos prontos para ir.

— Porca?

— As porcas... da roda.

— Ah.

Levantando, ele ergueu a camiseta e a usou para limpar a testa.

— Tudo pronto.

Droga.

— Que rápido. Tem certeza de que está no lugar?

— Como você vai descobrir logo, querida, eu tenho alguns parafusos soltos, mas nenhum deles está na roda. — Ele piscou e, pela primeira vez, notei suas covinhas. — Acho que deveríamos parar amanhã e comprar um pneu novo. O estepe não deve ser usado por muito tempo.

Amanhã. Uau. Aquilo estava acontecendo mesmo.

— Vamos — falei. — Vou dirigir. Preciso estar no controle dessa situação.

— Como quiser — ele respondeu.

Eu podia sentir a tensão no pescoço enquanto saía do lugar. Isso seria muito interessante, para dizer o mínimo. Ele não perdeu tempo em remexer nos meus pedaços de frango. Dei um tapa na sua mão.

— Ei, larga a minha comida.

— Mel e mostarda? Prefiro barbecue. — Ele lambeu o polegar, e eu me xinguei por ter ficado um pouco excitada.

Esta seria uma longa viagem.

Ele sorriu e levantou a sacola de plástico da loja de suvenir.

— Você por acaso abriu isso?

— Não. O que tem de mais? É só uma miniatura quebrada.

Entregando o boneco para mim, ele perguntou:

— É?

Com uma mão no volante, peguei a miniatura que estava... inteira.

— O quê... como você fez isso?

— Você pareceu ter gostado dele, então paguei pelo quebrado e comprei um novo. Você estava muito ocupada olhando dentro da bolsa para notar.

Não pude deixar de sorrir e balançar a cabeça.

— Agora, sim. Um sorriso de verdade. — Ele estendeu a mão. — Aqui... passa pra mim. — Quando o entreguei, ele tirou uma fita adesiva da parte de baixo e o grudou no painel.

A cabeça do Obama balançava para cima e para baixo a cada movimento do carro. Caí na gargalhada, mas também não pude evitar o sentimento caloroso que esse gesto doce provocou. Talvez ele não fosse um cretino de verdade.

Ficamos quietos por um tempo até que ele inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Em algum lugar ao longo da I-76, depois que o sol se pôs em um brilho alaranjado que iluminava o horizonte ao longe, ele se virou para mim.

Sua voz estava grogue.

— Meu nome é Edward.

Depois de alguns segundos de silêncio, falei:

— Isabella.

— Isabella — ele repetiu com um sussurro ofegante, aparentando apreciar meu nome, antes de fechar os olhos novamente e virar a cabeça para o outro lado.

ISA-BELLA.

Ah, esse sotaque. Ah, Edward.


kjessica: Ei, oi! Desculpa, não entendi. Uma história nova no sentido de ser original minha invés de uma adaptação, ou uma história nova que não fosse de época, como a maioria que tenho postado? Beijinhos, até! :)

Nos vemos na próxima segunda? Até!