CAPÍTULO TRÊS

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Decidimos parar em um restaurante na rua do hotel para tomarmos café da manhã. Pedi a bebida primeiro.

— Quero um latte desnatado com três jatos de baunilha, pouca espuma e muito quente.

Edward semicerrou os olhos para mim e se virou para a garçonete.

— Você anotou tudo? Ela vai querer duas porções de café quente com creme extra.

Bertha, como seu crachá indicava, não parecia se divertir nem um pouco.

— Só temos café descafeinado ou normal — disse ela, de forma monótona, segurando uma garrafa.

— Vou tomar um café preto, então.

— Traga dois — disse Edward.

Ela serviu o café em nossas xícaras.

— Volto já para anotar os pedidos.

Edward estava rindo de mim enquanto sacudia um pacote de açúcar. Cruzei os braços.

— O que é tão engraçado?

— Você.

— O que tem eu?

— Você realmente achou que poderia pedir sua bebida refinada em um lugar como este?

— Quem não tem latte? Até o McDonald's tem!

— Vamos comprar um latte e um McLanche Feliz com um brinquedinho dentro para o jantar. Isso te deixaria feliz?

Balançando a cabeça, examinei o cardápio. Não havia nada que eu pudesse comer.

— Tudo é muito gorduroso.

— Hum. Bacon. Um pouco de gordura de vez em quando não vai te matar.

— Já consumi minha cota mensal de gordura... os pedaços de frango de ontem.

— Cota mensal?

— Sim. Uma porcaria por mês. — Suspirei. — Não tem nada saudável aqui. Não sei o que escolher.

— Não se preocupe. Vou pedir por você.

— O quê? Não.

Edward ergueu o dedo.

— Bertha, meu bem? Estamos prontos.

Deus, ele tinha a habilidade de fazer até aquela garçonete antipática corar.

— O que vai ser?

Ele apontou para o cardápio.

— Quero esse que vocês chamam de ataque cardíaco no prato. Ela vai querer torrada de pão de centeio simples com pouca manteiga.

— Já trago.

— Só vou comer uma torrada seca?

— Não. Você estará comendo até o meu prato daqui a pouco. Só não percebeu ainda. A torrada é só minha forma de te mostrar que você não quer as coisas que diz querer. E muitas das que você considera ruins são aquelas que, no fundo, você mais quer.

— Ah, sério...

— Você não me engana. Quanto mais você tenta ser boa, mais anseia por ser má. Você não só vai comer a minha comida gordurosa, mas vai provar o meu molho do pinto e vai amar.

— Como é? Seu o quê?

Edward inclinou a cabeça para trás e gargalhou antes de abrir o bolso da jaqueta. Ele colocou uma garrafinha de plástico na mesa. Tinha um galo na frente.

— Também conhecido como Sriracha, um molho tailandês à base de pimenta. Nunca viajo sem ele.

Bertha trouxe um prato oval com ovos mexidos, batata frita caseira, linguiça calabresa, bacon, presunto canadense e carne moída com batata. Ela o colocou na frente de Edward antes de me entregar o pequeno prato de torrada.

Ele não perdeu tempo e começou a derramar o molho vermelho sobre a comida. Então começou a comer, observando-me enquanto eu olhava para ele. Encarando-o, dei uma grande mordida na torrada, determinada a me impedir de querer outra coisa. Era evidente que eu estava faminta.

Para me impedir de olhar para o prato de Edward, mirei os olhos mais acima, concentrando-me em seu boné de beisebol. Ele o havia comprado na loja de presentes do hotel e o estava usando virado para trás. Ficou bem nele, com os cabelos saindo pelas laterais. Um raio de sol atravessou a janela da nossa mesa, acentuando aquele tom verde número setenta de novo.

Droga.

A voz dele me tirou dos meus pensamentos.

— Você sabe que quer, Isabella.

Hã? Será que ele me pegou analisando-o ou estava falando sobre a comida?

Ele cortou um pedaço de linguiça ao meio e me ofereceu seu garfo enquanto exibia um sorriso sexy.

— Vamos. Só um pedaço.

O cheiro era apimentado... e delicioso. Incapaz de resistir, abri a boca e deixei que ele me alimentasse.

— Hummm — falei, enquanto mastigava lentamente a linguiça suculenta, fechando os olhos e saboreando cada mordida. Quando abri os olhos, o olhar de Edward estava fixo em meus lábios.

— Quer mais? — ele sussurrou, com a voz rouca.

Minha boca se encheu de água.

— Sim.

Desta vez, ele pegou um pedaço de bacon e me ofereceu. Odiava admitir, mas ele tinha razão sobre o molho de pimenta. Ficava muito bom em tudo.

— Mais?

Umedeci os lábios.

— Sim.

Edward deu comida na minha boca mais três vezes. Quando soltei um gemido, ele deixou o garfo cair e fez um barulho alto e estridente.

— Jesus Cristo. A comida está boa, mas não tanto assim.

Minha boca estava tão cheia que era até nojento.

— O que você quer dizer?

— Quando foi a última vez que você pegou alguém?

— Peguei? O quê?

— Transou, princesa. Quando foi a última vez que você transou de maneira satisfatória?

— O que isso tem a ver?

— Você não teria esse tipo de reação à comida a menos que estivesse na seca. — Ele balançou as sobrancelhas, com um sorriso pra lá de sacana. — O príncipe Jamie não fez isso com você, não é?

— Isso não é da sua conta.

— Seu rosto está ficando mais vermelho que o molho de pimenta. — Edward se inclinou e sussurrou: — Isabella... quando foi a última vez que você transou e teve um orgasmo?

— Não importa.

Seu tom e seu sotaque se tornaram mais insistentes.

— Há... quanto tempo... foi?

— Faculdade — eu praticamente tossi. Que merda eu admiti? — Não posso acreditar que eu te disse isso. Agora estou envergonhada.

Ele soltou uma respiração profunda.

— Não fique... mas não vou mentir: Estou realmente chocado! Uma mulher como você deveria estar com um homem que sabe o que está fazendo.

— Por que se importa? Você continua dizendo "uma mulher como eu". Nem acho que você gosta muito de mim.

Edward se recostou no assento e olhou pela janela antes de encontrar meus olhos, novamente aquele raio de sol acentuando o tom de verde mais lindo que você verá na vida.

— Apesar de você ser um pé no saco... eu gosto de você, Isabella. Você é engraçada. Não engraçada tipo hahaha... mas engraçada. Você é consciente. É perspicaz e esperta. E muito bonita... — Ele olhou para baixo, quase que para se impedir de ir mais longe. — Mas, afinal, o que aconteceu?

— Como assim?

— Por que você está fugindo do babaca do James? — Quando hesitei, ele chamou Bertha. — Pode nos servir mais café, por favor, linda?

Não sabia o que havia acontecido comigo. Talvez tenha sido o molho de pimenta. Uma parte de mim queria colocar tudo para fora. Depois que Bertha serviu duas canecas de café fresco, comecei a me abrir com ele.

— James era sócio do escritório de advocacia no qual eu trabalhava em Chicago. Eu era uma associada. Lei de patentes e marcas registradas. Estávamos juntos havia pouco mais de um ano. Fomos morar juntos. Há mais ou menos dois meses, descobri que ele estava me traindo com uma das suas estagiárias. Então, sim...

— Então você se mudou?

— Sim. Também larguei meu emprego. James passou todos os dias das últimas semanas tentando me convencer de que estou cometendo um erro, que estou jogando fora a minha carreira, pois ele teria me tornado sócia antes que eu pudesse fazer isso por conta própria. Deixei tudo para trás e peguei a primeira vaga que consegui, que aconteceu de ser em uma pequena startup em Temecula. Estou assustada. Não conheço ninguém no Oeste e não sei se estou tomando a decisão certa. Nem tenho certeza se quero ser advogada. Estou me sentindo muito perdida. — Admitir a última parte me fez começar a despedaçar um pouco.

Os olhos de Edward mantiveram um intenso grau de seriedade. Algo que eu não ainda tinha visto nele.

— Quais são as suas paixões, princesa?

Pensando um pouco, só uma coisa me veio à mente. Soltei uma risada nervosa.

— Nada de mais, só... animais. Amo qualquer coisa relacionada a eles. Queria ser veterinária, mas meu pai era advogado e me pressionou para seguir seus passos.

— Você provavelmente sente que se relaciona melhor com os animais do que com os humanos, não é?

— Às vezes eu realmente me sinto assim.

Ele coçou o queixo e sorriu.

— Você vai encontrar o seu caminho. Vai, sim. A merda que aconteceu em Chicago ainda está muito recente para que você possa pensar direito. Quando chegar à Califórnia, a mudança de ambiente vai te fazer bem. Você pode tomar seu tempo, fazer uma autoanálise e decidir o que realmente quer e, em seguida, traçar um plano para chegar lá. Você está no controle do seu destino, a não ser pelas próximas vinte e quatro horas. Eu estou no controle por enquanto. — Ele piscou e lançou um sorriso torto. — Você está presa a mim, gostando ou não.

— Acho que estou. — Sorri. Esse cara estava me fazendo gostar cada vez mais dele, e isso estava me deixando muito desconfortável. Eu não sabia nada a respeito dele.

— Sua vez. Quem é você, Edward Cullen? Há quanto tempo está nos Estados Unidos?

— Eu nasci aqui, na verdade. Sou americano. Me mudei para a Austrália quando tinha cinco anos. Meu pai foi recrutado para jogar futebol na Austrália e algum tempo depois se tornou treinador. Cresci nesse mundo.

— Isso é muito legal.

— Foi, por um tempo... até não ser mais. — Ele engoliu em seco e sua expressão se tornou triste.

— O que quer dizer?

— É uma longa história.

Meu telefone tocou, interrompendo a conversa. Era James. Merda. Merda. Merda.

Virei o aparelho para mostrar a Edward o nome no identificador de chamadas. Ele o pegou da minha mão e atendeu.

— Jamie! E aí, safadão?

A voz de James estava abafada.

— Coloque Isabella na linha.

— Isabella e eu estávamos falando de você! Saímos para tomar café. Ela pegou uma daquelas salsichas pequenas e disse: "Está vendo isto aqui? É do tamanho do Jamie".

Ele parecia irado pelo telefone.

— Seu babaca! Diga a Isabella que se ela está com um lixo como você...

Edward desligou o telefone.

— Pronta para ir?

— Isso foi incrível. — Bati em sua mão aberta quando ele a ergueu. — Sim, estou.

— Tchau, Bertha! — Edward piscou para nossa garçonete.

— Tchau, gostosão.

Revirando os olhos, balancei a cabeça e ri enquanto seguia seu bumbum sexy pela porta.

...

A tarde estava clara e bonita. Eu disse a Edward que queria dirigir. Mas, honestamente, eu precisava ficar um tempo sem olhar para seus olhos e a barba por fazer. Minha atração indesejada estava começando a me deixar bem desconfortável. Ter o controle do rádio também era uma vantagem de estar no banco do motorista.

— Michael Bolton? Sério, princesa? Vai me fazer ficar sentado aqui ouvindo isso?

— O quê? Ele é bom! A voz dele é... calorosa... robusta!

Edward começou a cantar alto a letra de "When a Man Loves a Woman". Foi horrível. O dueto improvisado entre Edward e Michael foi o suficiente para me fazer trocar de música.

Logo em seguida, paramos para abastecer e Edward entrou no minimercado para comprar alguns lanches assim que terminou de encher o tanque do carro. Ao voltar com um grande saco de papel, olhei para ele e congelei, prestes a ligar a ignição.

Ele tinha pó embaixo do nariz.

Merda! Ele era viciado em cocaína? Tinha ido ao banheiro para cheirar?

— Vai ligar o carro ainda hoje? — repreendeu ele.

Minha respiração se tornou pesada enquanto eu me preparava para uma grande decepção.

— Fale a verdade.

— Sim?

— Você estava usando drogas no banheiro?

Seus olhos escureceram.

— Que merda é essa? — Ele estava zangado. — Por que você me perguntou isso?

— Tem pó no seu nariz!

Ele fechou os olhos e, de repente, irrompeu em uma gargalhada que durou pelo menos um minuto. Ele nunca tinha rido tanto desde que o conheci. Edward continuou tentando falar, mas não parava de rir e apertar o peito. Ele se olhou no espelho retrovisor e limpou o pó de cima do lábio. Praticamente empurrando o dedo na minha boca, ele disse:

— Prove.

Eu o afastei.

— Não!

— Prove!

Hesitante, passei a ponta da língua em seu dedo. Tinha gosto de Ki-Suco de uva ou algo assim.

— É doce.

Ele abriu o saco de papel, tirou um pacote de Pixy Stix com açúcar em pó dentro e o jogou para mim.

— Sua cocaína, madame.

Fiquei aliviada, mas também me senti estúpida.

— Pixy Stix? Você gosta disso?

— Para falar a verdade, eu amo.

— Isso é açúcar puro. Não como isso desde que eu era criança.

— Eles não tinham DipnLik, então tive que comprar esse. — Ele olhou para baixo. — Não posso acreditar que achou que eu estava cheirando cocaína. Não sou perfeito, mas nunca usei drogas na vida. — Edward parecia bem ofendido por causa da minha suposição. Eu ainda não tinha ligado o carro.

— Sinto muito por ter tirado conclusões precipitadas. É que... eu realmente não te conheço.

— Então me conheça — disse ele, suavemente.

Ficamos em silêncio por um tempo antes de eu perguntar:

— Por que você está indo para a Califórnia?

— Moro lá.

Eu sabia exatamente o que queria perguntar, mas não sabia por que importava tanto. Meu coração começou a bater forte.

— Com quem você estava falando ao telefone hoje de manhã?

Ele pareceu assustado com a minha pergunta.

— Quê?

— Ouvi sua conversa do meu quarto. Você estava contando seus planos do dia a alguém. Você mentiu e disse que estava em Los Angeles.

Ele levou um tempo para responder.

— É complicado, Isabella. — Então, ele pareceu se fechar e se virou para a janela.

— Bem, esta foi uma ótima conversa. Estou feliz por ter perguntado — falei de forma amarga quando liguei o carro e saí em direção à rodovia.

Ficamos em silêncio por bastante tempo. Edward parecia tenso e continuava devorando os saquinhos de Pixy Stix, um a um. Depois de cerca de meia hora, decidi quebrar o gelo.

— Como você mantém um corpo desses comendo desse jeito?

— É a sua forma de dizer que gosta do meu corpo? Que gosta do que vê?

— Eu não disse exatamente isso.

— Não, mas insinuou.

— Idiota.

— Muito sexo, Isabella. É assim.

— Sério? Só isso?

— Não. Só queria ver seu rosto se cobrir daquele tom rosado bonito que ele ganha quando você está envergonhada. — Ele riu. — Em resposta à sua pergunta, trabalho muito e não como assim todos os dias. Mas quando pego a estrada todas as regras dietéticas vão para o espaço. Precisamos nos permitir comer o que queremos para nos manter sãos.

— Bem, pelo que estou vendo, você é bem maluco, então não está funcionando.

Ele sorriu para mim, e eu retribuí. Não havia mais resquício da conversa tensa de mais cedo.

— Me dê um dos pacotes de pretzels, por favor.

Ele pegou um dos sacos de papel e o entregou para mim, então olhou para o banco traseiro cheio.

— O que tem em todas essas malas aqui atrás, afinal?

— Não toque nas minhas coisas.

— Aposto que há alguns tesouros aqui que me contariam tudo que preciso saber sobre você.

Ele começou a pegar coisas da mala aleatoriamente.

— Ah, um livro! Happy bitch: the girlfriend's straight-up guide to losing the baggage and finding the fun, fabulous you inside.

(*Vadia feliz: o melhor guia da namorada para perder a bagagem e encontrar a diversão, seu eu interior fabuloso.)

— Coloque isso de volta e não toque naquela mala de novo!

— Tudo bem. Mas o que exatamente você está escondendo ali de tão ruim?

Merda.

Edward continuou a remexer.

— Mas o que é isto?

Ah, não!

Ele pegou o vibrador realístico.

— Princesa... isso é um pau de silicone dentro de uma caixa de joias? Não me admira que você não se importe com o fato de Jamie não te proporcionar prazer. Você estava se virando sozinha e dentro de sua própria...

— Me dá isso aqui!

Ele o tirou da caixa.

— Ah... esta coisa é patética. Poderíamos fazer muito melhor do que isso.

— Edward... sério, não estou brincando. Entregue-o... agora!

— Não tem nada do que se envergonhar. Todos nós nos divertimos.

Os eventos que se seguiram pareceram acontecer em sucessão rápida. Ele continuou balançando o vibrador enquanto eu tentava pegá-lo. Um motorista de caminhão que percebeu aquilo buzinou para nós. O carro estava se desviando. Então, eu o vi. Estava parado no meio da estrada com olhos assustados, congelado como um cervo olhando para os faróis. De repente, virei o volante para a direita, dirigindo direto para um aterro, sem saber se eu o havia matado.


Aprendam meninas: nunca disputem um vibrador ao volante. Vocês podem atropelar o que quer que a Bellinha tenha atropelado. Nos vemos na segunda, beijos!