Boyce Avenue do dia: Heathens (acoustic cover from Twenty One Pilots).
CAPÍTULO QUATRO
— Ele está respirando? — Prendi a respiração ao parar atrás de Edward até que vi seu pequeno estômago subir e descer. Ele tinha pelos longos e desgrenhados e era manchado como uma vaca, mas seus olhos, muito arregalados, pareciam mais os de um sapo. O pobre cabrito era só um bebê. E eu o havia atropelado enquanto lutava pela porcaria de um vibrador.
A princípio, eu realmente não achei que o atingira. Mas então assisti, horrorizada, quando ele caiu durinho com as quatro patas rígidas voltadas para o alto, como se fosse algo saído de um filme ruim. Agora nós dois estávamos de pé sobre ele, esperando que algo acontecesse. Nenhum de nós sabia ao certo o que fazer.
Sem aviso, o cabrito se virou e, de repente, ficou de pé.
Assustados, nós dois pulamos para trás. Os braços de Edward se estenderam, como que para me proteger de uma besta assassina. O cabrito deu alguns passos cautelosos e passou a caminhar diretamente para o BMW, como se a massa de duas toneladas de aço não estivesse lá.
— Meu Deus. Devo ter machucado a cabeça dele. Olha como o coitadinho está confuso.
Estendi a mão para tocar o animal ferido, mas Edward agarrou meu braço, forçando-me a parar.
— O que você está fazendo?
— Vou buscá-lo. Olhe para ele. Está machucado. Eu o atropelei. — Contornei Edward e me apoiei em um joelho, estendendo a mão suavemente para o cabrito fofo. — E é tudo culpa sua.
— Culpa minha?
— Sim, culpa sua. Se você não tivesse me distraído, eu estaria prestando mais atenção à estrada, e isso não teria acontecido. — O cabrito roçou a cabeça na minha mão. — Meu Deus. Olha como ele é fofo. — Acariciei-o e ele se aconchegou ainda mais.
— Não é culpa minha. Se você não fosse tão púdica quanto à sua sexualidade, teria ficado calma quando encontrei a sua varinha mágica.
Parei de acariciar a cabeça do cabrito.
— Eu não sou púdica.
Edward cruzou os braços sobre o peito.
— Admita que você se dá prazer. Quero ouvir você dizer isso.
— Não vou admitir nada.
— Púdica.
— Pervertido.
— Pervertido é alguém que tem comportamento sexual errado ou inaceitável. Esse é o seu problema. Você acha que se dar prazer é errado. Acho perfeitamente aceitável. Na verdade, gosto muito da ideia de você usar aquela pequena varinha mágica.
Eu tinha certeza de que os meus olhos pareciam os do pobre cabrito – muito arregalados. Então um caminhão buzinou para nós. Um daqueles reboques duplos que sempre me deixavam nervosa quando dirigia perto de mim. Uma rajada de vento atrás dele me fez lembrar de como estávamos perto da estrada.
— Vamos. É perigoso aqui — disse Edward.
— O que vamos fazer com Esmerelda?
— Quem?
— Ele. — Acariciei a parte de trás da orelha do cabrito, e ele fez um ruído baixinho que soou como se estivesse dizendo "mãããe".
— Deixe que ele vá embora. — Edward acenou com o braço na direção da área arborizada atrás de si. — Vai voltar de onde veio. Ele está bem.
— Ele não está bem.
— Parece bem para mim.
— Acho que ele tem uma lesão na cabeça.
Edward balançou a cabeça.
— Ele está bem. Olhe. — Edward bateu palmas e fez sons de beijo como se estivesse chamando um cachorro. — Venha, amigo. Por aqui.
Esmerelda não fez nenhum esforço para se mover, bastante satisfeito com sua cabeça pressionada contra o meu peito e o corpo entre minhas pernas.
— Você precisa soltá-lo.
— Não o estou segurando.
— Fisicamente não. Mas ele está com a cabeça enterrada em seus seios e o corpo entre as suas coxas. Nenhum macho vai se afastar disso voluntariamente.
— Viu? Eu te disse. Pervertido.
Outro caminhão passou voando. Desta vez, o motorista enfiou a mão na buzina, e eu, que estava de cócoras, caí de bunda no chão. O cabrito... bem, deu um passo e caiu de novo, com as quatro patas para cima. Não podia acreditar que eu tinha machucado um cabrito tão adorável.
— Veja. Ele está machucado. Não podemos deixá-lo aqui.
— O que você quer fazer? Quer colocá-lo no banco de trás do carro e levá-lo a um veterinário para um check-up completo?
...
Duas horas depois, enfim saíamos da rodovia e chegávamos a Sterling, no Colorado, para levar o nosso passageiro ao Sterling Animal Hospital. Edward demorou quase meia hora para reorganizar a parte de trás do carro e abrir espaço para o bicho. Ele não parecia feliz com isso.
— Snowflake?
— Não.
— É do livro infantil...
— Heidi. Sim, eu sei.
— Sabe?
— O quê? Você está supondo que sou ignorante só porque não sou um babaca como o seu James?
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Ah, é? Então o que fez você presumir que eu não conheceria uma história da literatura clássica?
— Não sei. Você simplesmente não parece o tipo de pessoa que conhece.
— Bem, talvez você devesse parar de julgar as pessoas. Nem todo mundo se encaixa em pequenos compartimentos organizados.
Ficamos em silêncio por um tempo. A única coisa que interrompia de vez em quando era a voz da mulher do GPS para nos dar orientações.
— Carré.
— O quê?
— Para o cabrito. Um nome.
— Não vamos chamá-lo de Carré. Isso é cruel. — Estávamos discutindo sobre nomes havia mais ou menos uma hora. Eu preferia nomes da mitologia grega ou da literatura clássica, ao passo que Edward queria dar a ele o nome de pratos em que o pobre filhote poderia ser transformado.
Chegamos ao hospital veterinário e paramos em uma vaga bem em frente à porta. Fiz Edward carregar o bichinho, ainda que estivéssemos a menos de um metro da entrada. Segurando Esmerelda Snowflake, ele ficava... gostoso.
Eu estava demente? Realmente achei que ele ficava ainda mais sexy carregando o cabrito.
Dentro do hospital, as mulheres confirmaram que eu não era a única. Seus olhos se banquetearam na proeminência do bíceps de Edward enquanto ele levava nosso passageiro ferido para a recepção. Era uma delícia olhar para ele. Comecei a sorrir... Até que ele falou:
— Minha amiga bateu o BMW neste carinha enquanto tentava pegar seu vibrador. — Ele sorriu para mim e piscou para a recepcionista.
Ela corou. E eu queria socá-lo.
— Queria que ele fosse examinado. Não acho que o atingimos, mas ele parece... meio tonto.
Edward riu e murmurou baixinho:
— Ele não é o único.
Quinze minutos depois, finalmente fomos atendidos por um veterinário. Ele examinou o cabrito como se aquilo fosse normal. Com uma mão, segurava o bichinho na mesa de exame clínico e com a outra pressionava sua barriga, examinava os olhos e balançava-lhe as quatro patas. Para mim, parecia um exame físico completo.
— Tudo parece muito bem. Ele tem os sintomas habituais de distrofia miotônica e provavelmente sofre de deficiência de tiamina. Mas essas condições não são ocasionadas por um acidente de carro. Na verdade, não vejo nenhum sinal de que esse rapazinho foi atingido. Provavelmente foi apenas o desmaio.
— Desmaio?
O veterinário riu.
— Isto é comumente conhecido como miotonia. É um problema genético. Popular nesta região. Até alguns fazendeiros apresentam isso. Eles desmaiam quando ficam nervosos. Todos os músculos do corpo congelam, e eles basicamente caem. Dura cerca de dez segundos. Não causa dor, mas é estranho quando acontece pela primeira vez.
— Mas... ele também está confuso. Quando se levantou, caminhou direto para o meu carro. E continuou batendo nas coisas durante o trajeto até aqui.
— Bem, provavelmente isso aconteceu por ele ser cego também.
— Cego?
— Deficiência de tiamina, acho. Infelizmente, isso está se tornando um problema bem comum. Alimentação imprópria, sobretudo muito grão e pouca gordura. Agricultores gananciosos tentando engordar o animal depressa. Um dos efeitos colaterais da deficiência é a cegueira.
— Deixe-me ver se entendi direito — disse Edward com um tom cético. — Não atropelamos o cabrito, mas ele desmaia quando fica assustado e é cego?
— Isso mesmo.
Edward irrompeu em gargalhadas. Era a segunda vez que o via cair no riso nas últimas vinte e quatro horas. Seu peito arqueou, e um som profundo e gutural ecoou pela sala. Não pude evitar. Aquilo me pegou. Quando vi, também estava rindo histericamente. Rimos tanto que lágrimas escorriam por nossos rostos.
— O que devemos fazer com ele? — Edward riu enquanto falava com o médico.
— O que vocês quiserem.
— Para onde o levaremos?
— Como assim?
— Existe um abrigo para animais para onde possamos levá-lo?
— Para cabritos? Não que eu saiba. Embora existam muitos agricultores por aqui. Talvez vocês consigam que um deles o leve junto com seu rebanho.
— O mesmo tipo de fazendeiro que tentou engordá-lo para ganhar dinheiro rápido e cegou o pobrezinho? — perguntei.
— Bem, há bons e maus agricultores por aí. Como em qualquer outra ocupação.
— E como podemos diferenciar o bom do mau?
O veterinário deu de ombros.
— Não podem.
Estávamos no carro havia quase dez horas. Edward dirigia enquanto nosso novo passageiro dormia profundamente no banco de trás, roncando bem alto. Eu nem sabia que cabritos roncavam.
— Acho melhor fazermos uma parada logo. Pode demorar um pouco para encontrarmos um hotel que permita animais de estimação.
Edward arqueou as sobrancelhas.
— Animais de estimação? Acha que vamos encontrar um hotel no meio do nada que aceite cabritos?
— Que escolha temos?
— Ele vai ficar no carro esta noite, Isabella.
— Ah, mas não vai mesmo. — Cruzei os braços sobre o peito. — Ele não pode ficar trancado em um carro a noite toda.
— Por que não?
— Porque... — Eu estava com raiva por ele querer deixar o cabrito dentro do carro sem nem sequer hesitar. — E se ele ficar assustado?
— Aí ele vai desmaiar. — Edward riu.
— Isso não é engraçado.
— Claro que é. Vamos, Isabella. Relaxe. Foi seu estresse que nos levou a essa confusão.
Eu não tinha ideia de onde aquilo tinha saído. A confissão escapou dos meus lábios:
— Eu me dou prazer. Tá bom? Está feliz em ouvir isso?
Edward sorriu.
— Sinceramente, sim. — Ele deu de ombros. — Também me dou prazer, Isabella. Na verdade, da próxima vez que eu bater uma, vou pensar em você.
Ele disse isso mesmo? Fiquei chocada, mas também meio excitada. Abri a boca para responder, mas a fechei. Então, abri de novo.
Edward olhou para mim e depois para a estrada.
— Pois é, Isabella, querida. Quem diria... Você gosta da ideia de que vou me dar prazer pensando no seu lindo rosto.
— Não gosto, não.
— Gosta, sim.
— Não gosto, não.
É claro que eu gosto.
Surpreendentemente, Edward deixou o assunto morrer. Ele pegou uma estrada lateral até o estacionamento do que parecia ser uma versão mais agradável do Walmart. Era um grande armazém de uma loja, e só a frente tinha uma fachada de pedra. Cabela's The World's Foremost Outfitters.
— Por que vamos parar?
— Suprimentos. — Ele estacionou o carro. — Volto daqui a uns dez minutos. Você pode ficar aqui com o Billy the Kid para que ninguém o roube.
Eu estava do lado de fora do carro esticando-me quando Edward voltou com as mãos cheias de sacolas. Curvei a cintura, terminando um alongamento, e me inclinei para a direita para falar com ele.
— O que é tudo isso?
Edward não respondeu por um tempo. Pulei um pouco, flexionando-me enquanto me inclinava, e depois olhei para seu rosto para descobrir o motivo de ele estar calado. Edward olhava para a minha camiseta. Não era culpa dele. Eu estava basicamente me exibindo bem diante dos seus olhos. Minha camiseta estava escancarada na frente, dando a ele uma boa visão dos meus seios. Parei de pular. Por fim, seus olhos se ergueram e encontraram os meus. Nos encaramos.
Eu conhecia aquele olhar. Já tinha visto algo parecido antes. No espelho, depois de eu ter dado uma olhada em sua bunda. Ele balançou a cabeça e piscou algumas vezes.
— Equipamentos.
— Que tipo de equipamentos?
— Barraca, lanterna, lenha, sacos de dormir. — Ele encolheu os ombros. — Itens básicos de camping.
— Para quê?
— Acampar.
— Você vai acampar?
Ele balançou a cabeça e enfiou as sacolas no primeiro canto vazio do carro que encontrou. O porta-malas e o banco traseiro estavam transbordando quando comecei essa viagem. E, agora, eu tinha um passageiro extra, um cabrito... e, aparentemente, equipamentos de camping.
— Nós vamos acampar.
— Hummm... eu não acampo.
Edward apontou para o banco de trás.
— E dai ele vai dormir no carro. — Ele fechou o porta-malas e suas mãos foram para a cintura. — O que vai ser, Isabella?
Acampar ou ele dorme no carro sozinho?
Aparentemente eu ia acampar. Sempre há uma primeira vez para tudo.
Ai cara, eu rio tanto toda vez que leio quando eles descobrem os problemas de Esmerelda kkkkk.
Ah, lá em cima vou colocar em cada capítulo o cover do dia da minha banda de cover favorita: Boyce Avenue. É só uma sugestão, óbvio, mas fiquem à vontade para escutar porque vale a pena, de verdade :)
