Boyce Avenue do dia: Señorita (acoustic cover from Camila Cabello & Shawn Mendes).
CAPÍTULO CINCO
— Posso presumir que você já fez isso antes? — Estávamos no acampamento havia meia hora, mas Edward já tinha acendido uma fogueira e estava terminando de montar a primeira barraca.
— Todo verão, com a minha família. Meu pai levava minha irmã e eu para acampar todos os anos no Outback australiano. São as melhores lembranças da minha vida. E não era um acampamento de mentira como este.
— De mentira?
— O camping não era numerado, com banheiros e segurança. Acampávamos de verdade. E você? O que a fez não gostar de acampar?
— Nada. Só nunca fiz isso antes. — Edward terminou de armar a primeira barraca e deu um passo para trás, admirando seu trabalho. — Essa barraca é enorme.
— Não é a primeira vez que ouço isso. — Ele riu.
Balancei a cabeça.
— Por que você comprou barracas tão grandes?
— Droga! — Edward chiou um pouco alto de mais, enquanto dava um tapa barulhento em um mosquito que pousou em seu rosto. O barulho repentino assustou o pobre Esmerelda Snowflake, que congelou no lugar e começou a se inclinar e desmaiar. Rimos muito por causa disso.
Edward jogou mais madeira no fogo e se sentou.
— E a outra barraca? — perguntei, olhando para a fogueira. Eu esperava mesmo que ele não estivesse imaginando que eu tentaria montar aquilo sozinha.
— Que outra barraca?
— Você só comprou uma?
Ele tirou um Pixy Stix do bolso de trás da calça e jogou um pouco do pó açucarado na boca.
— A barraca tem dois quartos. Tem uma divisória. Você e seu filho podem dormir de um lado. Vou dormir no outro.
Eu não tinha direito de reclamar, levando em conta que ele tinha feito todo o trabalho e pagado por tudo. Então fiquei quieta, para variar. Comemos o equivalente a um mês do meu consumo de carboidratos e nos sentamos ao redor da fogueira. Edward cortou um graveto com um canivete e assou um marshmallow na ponta, antes de oferecê-lo para mim. Ele era bom mesmo nessas coisas.
— Vamos dividir uma barraca esta noite, adotamos um animal de estimação juntos, e eu nem sei em que você trabalha.
— Acho que podemos dizer que estou aposentado.
— Aposentado? Com o quê? Vinte e seis, vinte e sete anos?
— Vinte e oito — corrigiu ele.
— Ah. Claro, agora faz sentido. — Estava escuro, mesmo com a luz do fogo. Levantei meu marshmallow assado para analisá-lo. Ele estava bem tostado de um lado, mas do outro ainda estava branco. — Se aposentou do quê?
— Futebol.
— Você jogou profissionalmente?
— Na Austrália, sim. Bem, não por muito tempo.
— O que aconteceu?
— Tive uma lesão no ligamento cruzado anterior.
— Não havia como corrigir?
— Fiz algumas cirurgias, mas me lesionei de novo.
— Sinto muito. Por quanto tempo você conseguiu jogar?
— Um jogo.
— Um jogo? Quer dizer que você se machucou em seu primeiro jogo profissional?
— É. Primeiro e último jogo profissional, ambos no mesmo dia.
— Há quanto tempo foi isso?
— Cumpri meu contrato de três anos. Fiz algumas cirurgias... Mas nunca mais consegui voltar à forma que precisava ter. Me aposentei aos vinte e quatro anos.
— Uau. Que merda.
Ele sorriu.
— E o que você faz agora?
— Ainda recebo royalties, então não tenho que trabalhar em horário comercial ou algo assim. Mas passo os dias fazendo arte com sucata.
— Arte com sucata?
— Algumas pessoas chamam de arte reciclada.
— Fui a uma exposição como essa no Guggenheim. Eu amei. Adoraria ver seu trabalho algum dia.
Ele assentiu. Bem evasivo.
— Posso ser intrometida?
— Você quer dizer mais intrometida?
— Foi você quem sugeriu que eu deveria te conhecer melhor. Antes de me fazer atropelar o pobre Esmerelda Snowflake.
— Você nem bateu nessa coisa. E o nome dele não é Esmerelda Snowflake.
Meu marshmallow estava pegando fogo. Soprei-o, tirei-o do espeto e dei uma mordida. Estava quase todo derretido.
— Hummm.
Notei que Edward me observava com atenção.
— Quer um pedaço?
Ele meneou a cabeça lentamente.
— Por que não? Você é o viciado em açúcar.
— Sinto mais prazer em te ver comer do que comendo. — Ele engoliu em seco. Ver sua garganta trabalhando me esquentou, e não teve nada a ver com o fogo.
— Enfim... Como você ainda está vivendo de royalties se seu contrato era de apenas três anos?
Ele desviou o olhar.
— Pôsteres e coisas do tipo.
— Pôsteres? Seus?
— Já não conversamos bastante sobre mim? Jamie está calado hoje, não é?
— Sem chance. Você já desconversou uma vez, e eu te deixei se safar.
Acontece que eu não era a única que achava Edward Cullen incrivelmente gostoso. Mesmo depois de estar aposentado do futebol profissional, uma legião de mulheres na Austrália continuava comprando pôsteres e camisas com seu nome, e em quantidade suficiente para que ele vivesse disso. Tinha algo muito cativante no fato de ele estar um pouco envergonhado com a situação.
Depois de mais algumas horas ao redor da fogueira, decidimos ir dormir. Edward desenrolou meu saco de dormir e fechou a divisória da nossa barraca de dois quartos. Então me deu a lanterna para que eu pudesse me trocar primeiro. Minhas roupas cheiravam a fumaça, então tirei tudo. Havia algo excitante em ficar nua, com apenas um pedaço frágil de náilon nos separando. Eu poderia ter demorado um minuto a mais para vestir o sutiã e calcinha de novo. Quando terminei, desabotoei o canto da divisória da barraca e entreguei a lanterna a Edward.
Ele sorriu de um jeito malicioso e fechou a divisória. Meu lado ficou escuro, mas, quando entrei no saco de dormir, percebi que podia ver tudo do lado dele. Era uma sombra, mas uma sombra muito detalhada. Edward estava de frente para mim, parado, muito quieto.
Eu não tinha certeza, mas parecia que ele me olhava. Era impossível me ver pela divisória de náilon, mas senti seus olhos em mim. Ele estendeu a mão até a barra da camisa e a ergueu lentamente sobre a cabeça. A sombra do seu corpo era larga nos ombros, mas se estreitava na cintura. Mesmo que não pudesse ver com detalhes, imaginei o que sabia que estava lá. O cume de seu abdômen musculoso, as planícies duras daquele V esculpido. Minha boca de repente secou.
Edward ficou ali de pé por bastante tempo e então começou a tirar as calças. O som do jeans se abrindo lentamente fez os pelos em minha nuca se arrepiarem. Suas coxas eram grossas e musculosas. A cueca boxer envolvia suas pernas como uma segunda pele. Prendi a respiração quando seus polegares engancharam no elástico da cueca, e ele começou a tirá-la do corpo. Ele se inclinou para deslizá-la para baixo e depois se levantou.
Santa mãe de todos os cretinos abusados! Ele era enorme. A coisa estava balançando e batia quase no meio das coxas. Respirei fundo. Quando percebi que havia sido audível, coloquei a mão sobre a boca. Eu a mantive lá até que ele estivesse completamente vestido, com medo de que eu pudesse deixar escapar um gemido.
Quando finalmente terminou de se despir, eu o vi entrar no saco de dormir. Ele rolou para o lado e olhou na minha direção. Eu me perguntei se ele estava olhando para mim.
Então apagou a luz.
— Boa noite, Isabella.
ISA-BELLA.
Talvez eu pudesse estar imaginando coisas, mas sua voz soou tão rouca e necessitada quanto eu me sentia.
— Boa noite, Edward.
Respirei fundo e fechei os olhos, tentando recuperar meu juízo. Então pela primeira vez me dei conta... Ele tinha me visto dar o mesmo show e devolveu o favor?
...
Onde estou? Esse foi o primeiro pensamento que tive quando acordei. Depois de alguns segundos, a ficha caiu. A luz do sol tentou penetrar a barraca. Deslizei a mão para a lateral do saco de dormir antes de começar a tatear o chão de forma frenética.
Onde estava o cabrito? Pulei para fora do saco de dormir.
— Edward!
— Humm — ele gemeu, meio grogue, do outro lado da divisória.
— O cabrito! Ele sumiu. — Uma onda de pânico me atravessou. — Ele sumiu!
Abri a divisória sem pensar duas vezes.
— Relaxa. Ele está aqui comigo.
— Béé. — O cabrito soltou um balido como que para confirmar que eu tinha exagerado. Meu pulso desacelerou imediatamente enquanto apoiava a mão sobre o coração, que batia forte.
— Ah, graças a Deus.
Edward se sentou e passou as mãos pelo cabelo desarrumado. Piscando quando olhou para cima, ele parecia estar paralisado.
— Meu Deus do céu. Está tentando me matar?
Olhei para o meu corpo e cruzei os braços sobre o peito. Fiquei tão desesperada que não lembrei que havia dormido só de sutiã e calcinha.
— Merda. Desculpe. Fiquei em pânico. Não pensei direito e acabei não vestindo nada.
Totalmente envergonhada, voltei para o meu lado da barraca e falei pela divisória fechada, enquanto começava a me vestir:
— Como ele foi parar aí?
— Você apagou. Ele começou a resmungar, tentando abrir caminho para o meu lado. O sujeito não se acalmou até que eu o deixei entrar. Dormiu ao meu lado o resto da noite. Pior bafo que já senti na vida.
Não pude deixar de rir.
— Acha isso engraçado, princesa?
— Acho.
Depois de vestir a última peça de roupa, abri a divisória novamente. Edward estava de pé diante de mim, usando apenas a boxer apertada. Ele me encarou.
— Pedir um pouco de privacidade é demais? E se eu tivesse entrado no seu lado alguns segundos atrás?
Ele nunca tinha estado tão sexy, com o cabelo bagunçado e aquele olhar quase irritado. Meus olhos percorreram descaradamente seu peitoral, descendo pela linha fina de pelos que levava à cueca e parando na... ereção maciça.
Ah, Deus. Agora fazia sentido ele ter ficado envergonhado de repente. Limpando a garganta, falei:
— Você... você está...
— Duro.
— Sim.
— Chama-se ereção matinal. Não posso ser responsabilizado pela forma como acordo... especialmente sob essas condições.
— Dormindo ao lado de um cabrito? Ficou excitado? — Eu ri.
— Estava me referindo ao seu striptease improvisado agora há pouco. E você voltou aqui antes que eu tivesse a chance de acalmar essa merda. Tenho meus limites. — Edward vestiu a calça.
O olhar dele queimava no meu. Ele parecia ainda mais sexy com a ereção pressionando a calça jeans. Por mais que eu me sentisse constrangida por colocá-lo naquela situação, adorava a ideia de ser a responsável por seu excitamento. Na verdade, minha capacidade de lidar com a atração que sentia por ele estava diminuindo muito rápido. A cada segundo que passava, os músculos entre minhas pernas se apertavam mais, simplesmente pela forma como ele me olhava. Nesses momentos eu me sentia grata por ser mulher, porque, pelo menos, minha excitação podia ser escondida. Ainda assim, eu estava em apuros ali.
Limpando a garganta, perguntei:
— Quais os planos para hoje?
Ele vestiu uma camiseta.
— Precisamos comer.
— Então vamos tomar café da manhã? — perguntei, de forma estúpida.
— Sim, café. O que mais eu comeria a essa hora?
Hã.
Engasgando com as minhas palavras, respondi:
— Não. Café da manhã está ótimo. Estou com fome. E você?
— Faminto. — Seu olhar implicava que ele não estava necessariamente se referindo à comida.
Eu também estava faminta.
— Ok, então — falei, enquanto ia para o meu lado da barraca para me acalmar.
Demorou mais ou menos uma hora para desmontarmos a barraca e arrumar tudo dentro do carro.
Optamos por parar e comprar café da manhã para viagem em uma lanchonete fast-food que ficava perto da via de acesso à rodovia. Edward entrou para pedir burritos de huevos rancheros e café. Aproveitei a oportunidade para pegar meu telefone e digitar no Google: Edward Cullen Austrália.
E lá estava ele. Uma infinidade de imagens apareceu. Havia uma, em particular, em que ele estava sem camisa, apenas com uma camiseta branca pendurada ao redor do pescoço, e era possível ver um pedacinho de sua deliciosa bunda. A foto mostrava o sorriso sexy que era a sua marca registrada e fez com que eu me contorcesse no banco. Aquele sorriso arrogante.
Droga, como ele era bonito. Essa imagem parecia ser a mais conhecida. Também era a que estava sendo vendida como pôster por dezenove dólares e noventa e nove centavos mais o frete. Tinha até uma foto de uma garota ao lado do pôster colado na parede, fingindo morder a bunda de Edward. Suspeitei que houvesse mais pessoas por aí imitando das maneiras mais perversas esse tipo de pose.
Sabendo que ele voltaria a qualquer minuto, eu lia artigos antigos e fóruns tão rápido que meus olhos doíam. Era bem evidente que Edward era mais conhecido pela lesão no primeiro jogo e pela aparência do que qualquer outra coisa, mas não pude deixar de sentir orgulho por ver como ele havia transformado limões em limonada. Deslizando a tela, deparei-me com algumas fotos dele em vários eventos com a mesma modelo loira e atraente. Irina Piper. Uma pontada – bem, talvez uma pancada – de ciúme abriu um buraco no meu estômago.
Uma batida na janela me assustou. Lancei o telefone para o lado e ele caiu no banco do motorista. Bem, eu meio que o joguei lá.
— Abra para pegar seu café — eu o ouvi dizer pela janela.
Peguei o copo enquanto ele dava a volta e se sentava no banco do motorista.
— O que você estava olhando?
— Hum, nada. Só estava...
Merda.
Antes que eu pudesse me explicar, ele pegou o telefone e percorreu as fotos com o polegar. Em seguida, jogou-o no console central.
— Bem, agora você já viu tudo, não é?
— Sim... e é... incrível.
Ele soltou uma risada irritada.
— Incrível, é?
— Sim!
— Então me diga, Isabella, o que há de tão incrível em trabalhar praticamente a vida toda por um único momento e ver tudo ir por água abaixo na primeira tentativa? O que há de tão incrível em ser mais famoso pelo seu fracasso do que pelo sucesso? Sabe o que estava sendo bom nessa viagem com você até agora? O fato de que você não me via como aquele cara que todo mundo acha que conhece. Mas agora você vê.
Merda. Eu realmente o aborreci.
— Desculpe, mas eu não estava pensando nesse tipo de coisa.
— No que você estava pensando, então?
— Que foi maravilhoso você ter se reerguido diante da adversidade e transformado sua imagem sozinho. Também estava pensando em quanto você é impressionante, se quer mesmo saber. E queria saber quem era a tal da Irina. Estava curiosa sobre tudo, sim, mas não de uma forma ruim. Não pensei em nada negativo.
Edward soltou uma respiração longa e profunda e murmurou:
— Vamos embora.
Eu me senti horrível por tê-lo chateado e, embora a internet fosse pública, parecia que tinha invadido sua privacidade. Mais do que qualquer outra coisa, sentia como se o tivesse magoado, e isso me machucou, pois querendo admitir ou não, meu peito doía de uma forma indesejada. Eu podia sentir que estava me apaixonando por ele, e isso me assustava.
Um silêncio desconfortável permeou o ar durante um bom tempo. A única vez que ele tirou as mãos do volante foi para dar pedaços de bolinho frito de batata mergulhados no molho do pinto a Esmerelda Snowflake. Até o cabrito gostava do molho de Edward.
Em certo momento, ele finalmente olhou para mim.
— Sinto muito por ter sido grosseiro.
— Tudo bem. Desculpe-me por ter feito você se sentir desconfortável.
— Eu provavelmente teria feito a mesma coisa se fosse você. É só que... todas essas coisas on-line, é tudo besteira. Não é desse jeito que você vai me conhecer. Se quiser saber algo, é só me perguntar. As pessoas que postam essas merdas não me conhecem.
— Mas eu sinto como se conhecesse você de verdade.
— Provavelmente você me conhece melhor do que a maioria das pessoas. Tenho sido bem sincero desde o momento em que nos conhecemos. Mesmo que eu te importune, me sinto confortável perto de você, e isso é raro.
Meu peito apertou de novo.
— Sinto o mesmo e não sei direito por quê. Só sei que estou muito feliz por nossos caminhos terem se cruzado.
Ele deu um tapinha na miniatura do Obama.
— Pensa só... se você nunca tivesse pegado o sr. Obama aqui, quem sabe onde nós dois estaríamos agora? — Ele apontou para o banco traseiro. — Onde essa besta estaria agora?
— Provavelmente desmaiada no acostamento.
Edward olhou para o cabrito, com um sorriso torto.
— Em vez disso, ele está comendo nossa comida e dormindo com a gente. Não me agradeça. O mérito foi todo seu. — Ele me olhou de lado, de um jeito sexy, e me assustou quando colocou a mão no meu joelho, provocando uma súbita onda de desejo. — Você é um doce. Tem um bom coração. Esse idiota do James vai se arrepender um dia.
Quando ele tirou a mão do meu joelho, fiquei ansiando para que a colocasse de volta. O que ele disse também fez meu corpo todo tremer. Um sentimento indescritível me dominou. Eu não sabia como responder, então liguei o rádio. "Good Vibrations", do Beach Boys, estava tocando. Edward aumentou o volume.
— Olha só! Eles estão cantando sobre você e a sua varinha mágica, princesa.
Cobri a boca enquanto ria, e nós dois gargalhamos. Finalmente rompemos a tensão anterior, e isso me deu uma sensação de alívio.
Depois de pararmos para almoçar e seguirmos por mais algumas horas, Edward se virou para mim.
— Está com pressa para chegar a Temecula?
— Só começo no emprego novo daqui a uma semana, e a casa que estou alugando é mobiliada, então não, não estou com pressa. Por quê?
— Quer fazer um pequeno desvio antes que escureça?
— Claro. Por mim, tudo bem. O que você tem em mente?
— Um lugar duro como pedra e profundo, muito profundo. — Ele piscou, todo maroto.
Bem, isso despertou a minha curiosidade.
Bom, adoro esses dois, que mais posso dizer? rs
