Boyce Avenue do dia: Can't Help Falling in Love (acoustic cover from Elvis Presley).

CAPÍTULO NOVE


Como eu ainda era a responsável por escolher as nossas atividades do dia, decidi que queria jantar em um bom restaurante.

Fomos parar no Foundation Room, que tinha uma vista incrível do alto de sessenta e três andares. Era temático, como uma antiga casa de campo, e acolhedor. Depois de devorarmos o bolinho de siri de aperitivo, Edward escolheu bife e eu pedi garoupa.

Tentar não pensar em como me senti quando ele lambeu o açúcar do meu corpo não adiantou. Cada vez que olhava para seus lábios, ainda podia senti-los em mim.

Pedimos duas garrafas de vinho, que parecia fluir sem parar, assim como a conversa. Falamos por pelo menos duas horas. Edward me contou como foi crescer na Austrália e falou mais sobre os anos em que treinou duro para ter uma carreira no futebol que nunca aconteceu. Compartilhamos histórias sobre a luta dos nossos pais contra o câncer. Contei muitos detalhes sobre o fim do namoro com James.

Eu estava me sentindo ainda mais próxima de Edward. No fim da noite, era como se eu soubesse tudo sobre ele, exceto sua vida atual. Esse parecia ser o grande buraco negro. E, para me deixar ainda mais angustiada, ele recebeu um telefonema durante o jantar que fez com que se levantasse da mesa. Eu sabia que, quem quer que fosse, tinha algo a ver com o motivo de ele estar se controlando comigo.

Quando voltou para a mesa, meu coração estava acelerado ao perguntar:

— Quem era?

Ele me lançou um olhar demorado, e seu tom era sério.

— Ninguém importante, Isabella.

Em vez de reclamar, bebi mais vinho. A cada gole, uma falsa sensação de felicidade superava minhas inseguranças. Fiquei extremamente feliz.

Quando saímos do restaurante, ele teve que colocar o braço ao redor da minha cintura para me manter equilibrada. Eu não diria que estava totalmente bêbada, mas estava, definitivamente, alegre. Assim como Edward. Estávamos rindo sem motivo. Em determinado momento, passamos em frente a uma capela. Havia uma placa que dizia: Casamentos de Mentira Aqui.

Edward me parou no meio da calçada. O cheiro de álcool em seu hálito me atingiu quando ele falou perto do meu rosto.

— Case-se comigo, princesa.

— Como é?

— Temos um cabrito ilegítimo, um filho falso juntos. — Ele riu. — É justo que tenhamos uma cerimônia de casamento de mentira para fazer de você uma mulher honesta.

— Você é louco!

— Porra, podemos mandar uma foto para o James. Não seria incrível? — Seu sorriso travesso fez com que tremores de desejo despertassem em mim. — Vamos, vai ser divertido.

Ele me levou pela mão até a pequena capela branca. Um homem grande vestido como Elvis estava sozinho na entrada.

— É uma boa noite para um casamento — ele nos cumprimentou de um jeito monótono.

— Precisa de reserva? — perguntou Edward.

— Estamos tranquilos esta noite. Pode ser agora mesmo, se quiserem.

Edward olhou para mim, e seus olhos embriagados estavam cristalinos.

— O que acha?

Dei de ombros.

— Não vai ter certidão de casamento. Não é de verdade. Então não tem problema, certo?

Preenchemos um formulário com alguns dados pessoais. Por meros cento e noventa e nove dólares, encomendamos a opção de casamento completo, que incluía a cerimônia, cinco fotos digitais, alianças de recordação, um buquê de flores artificiais e um vestido emprestado à minha escolha. Antes que eu percebesse, estava sendo conduzida por uma mulher de cabelo vermelho, crespo e volumoso chamada Victoria. Ela me levou a uma sala nos fundos, onde havia uma arara com diversos vestidos brancos, de diferentes formas e tamanhos.

Victoria me fez experimentar alguns modelos, e acabei escolhendo um tomara que caia de renda estilo sereia, que era um pouco longo demais. Ele era bem decotado nos seios, mas era o único de que eu havia gostado. Ela me ajudou a arrumar o cabelo em um coque baixo, com mechas emoldurando meu rosto. Eu não tinha ideia do que esperar quando voltei lá para fora.

A música começou a tocar.

— Está começando? — perguntei.

— Seu namorado deve ter escolhido uma música. Então, sim.

— Nós deveríamos escolher a música?

— Temos um acervo musical e geralmente deixamos o noivo escolher enquanto a noiva está se vestindo. É a melhor forma de aproveitar o tempo.

Reconheci que era "Marry Me", do Train. Mesmo que a coisa toda fosse uma encenação, não pude evitar o frio na barriga enquanto a música tocava. Por mais que eu soubesse que era falso, estava tão nervosa quanto estaria se aquilo fosse um casamento de verdade.

Isto é ridículo! Por que estou tão nervosa?

Victoria me entregou o pequeno buquê de lírios artificiais.

— Pronta?

Uma respiração profunda escapou.

— Claro. — De repente, comecei a me sentir sóbria. Aquele não era o momento para isso.

Quando apareci no início do pequeno corredor, Edward estava esperando com uma mão cruzada em cima da outra. Ele ainda estava usando a mesma camisa preta de botões que vestia no jantar, mas havia uma pequena flor presa em sua lapela. Ele parecia tão bonito e... nervoso também. Era uma experiência muito estranha.

Enquanto a música tocava, caminhei lentamente em sua direção. Meu coração estava batendo forte sob a renda apertada que abraçava meus seios. No meio do corredor, tropecei no vestido e quase caí. Edward engasgou e começou a rir. Não pude deixar de rir também. Isso definitivamente aliviou o clima pelo resto do trajeto.

Victoria apontou para o meu buquê enquanto se posicionava na diagonal atrás de mim. Aparentemente, ela também era minha dama de honra. Elvis começou a falar:

— Irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos hoje para testemunhar a união de Edward Anthony Cullen e Isabella Marie Swan em sagrado matrimônio... Que é uma instituição honrosa e não deve ser decidida de forma impensada ou rápida, mas com reverência e sobriedade.

— Não exatamente sóbrio — confessou Edward.

— Se alguém se opõe a este matrimônio, fale agora ou cale-se para sempre.

Olhamos para os assentos vazios. Era possível ouvir um alfinete cair.

— Quem oferece esta mulher em casamento a este homem?

Victoria falou atrás de mim:

— Eu.

— Usarão os votos padrão ou têm o seu?

Respondemos ao mesmo tempo:

— Padrão — falei, enquanto Edward soltou:

— Tenho o meu.

— Você tem o seu? — sussurrei.

— Sim. — Ele sorriu.

— Vamos começar com a noiva, então. — Elvis recitou o voto padrão, e eu o repeti, palavra por palavra.

Então chegou a hora de Edward falar.

Ele fez uma pausa, fechou os olhos por um instante e olhou nos meus enquanto segurava minhas mãos.

— Isabella, desde o instante em que nos conhecemos, quando você abriu sua boca esperta e me chamou de idiota, soube que era uma pessoa surpreendente. Primeiro, achei que você era reservada. Mais tarde, percebi que era só um mecanismo de proteção. Você havia sido magoada e não queria deixar ninguém se aproximar. Às vezes, aqueles que usam os maiores escudos são os que protegem os maiores corações. Meu avô costumava dizer que, se eu quisesse saber o tamanho do coração de uma pessoa, era só observar como ela trata os animais ou aqueles que não podem oferecer nada em troca. Por alguma razão, você decidiu confiar em um cara qualquer para que ele descobrisse que você tem o maior coração que existe. Você é tão bonita por dentro quanto por fora. Você transformou o que começou como uma viagem horrível na aventura de uma vida. Você não pode sequer imaginar quanto esse tempo ao seu lado significou para mim. Se você não tirar nenhum proveito disso, lembre-se de que merece ser feliz.

Lágrimas brotavam em meus olhos.

Ai. Meu. Deus.

Ele me pegara tão desprevenida que me atordoou. Era bonito, mas também soou muito como uma enigmática despedida. Não havia nenhum traço cômico em sua expressão. Ele foi muito sincero em tudo.

Não ouvi mais nada que o Elvis disse até:

— Pelo poder investido a mim pelo estado de Nevada, pode beijar a noiva.

Eu não estava mais olhando para Edward. Só balancei a cabeça várias vezes para que Elvis soubesse que deveria pular essa parte, que Edward e eu não faríamos isso.

— Não vamos nos beijar.

A próxima coisa que percebi foram as mãos grandes e quentes de Edward segurando meu rosto quando ele se inclinou e rosnou pertinho da minha boca:

— Você é que pensa que não vamos.

Mais que depressa, seus lábios devoraram os meus. Minhas pernas estavam bambas. Meu coração batia fora de controle enquanto ele pressionava o corpo contra o meu. Ele abria minha boca com a língua enquanto ia em busca da minha. Incapaz de me saciar do sabor doce de sua respiração, eu a abri ainda mais, deixando-o entrar. Ele gemeu quando ergui as mãos para segurar seu cabelo sedoso e só parou de me beijar para morder de leve meu lábio inferior antes de soltá- lo. Então o beijo ficou mais faminto. Eu não tinha ideia de quanto tempo havia durado porque a noção de tempo não existia mais para mim.

Elvis tossiu.

— Ótimo. Isso foi bom. Temos outro casal esperando para juntar os trapos.

Edward se afastou. Completamente atordoada, olhei para ele. O cabelo dele estava todo desarrumado por causa das minhas carícias. Seu olhar era penetrante e ele parecia tão confuso quanto eu.

O que diabos acabou de acontecer?

O clima mudou quando saímos da capela e encontramos dois casais à espera no lobby. O primeiro parecia prestes a pular o casamento e partir para a lua de mel – bem ali. O noivo vestia um terno com a bandeira norte-americana, com uma calça vermelha, um paletó azul repleto de estrelas, camisa branca e uma gravata listrada vermelha e branca. Quando parou de sugar o rosto da falsa noiva, ele a pegou no colo e então vi que ela usava um traje que combinava com o do futuro marido – um biquíni da bandeira americana.

— Você fala russo? — o noivo perguntou a Elvis, que nos seguira até a entrada com Victoria a tiracolo.

Elvis balançou a cabeça.

— Serviços bilíngues são extras. Vai ser preciso contratar um.

— Quanto vai me custar?

— Cento e cinquenta dólares. Temos que pagar o tradutor.

O noivo patriótico colocou a mão no bolso e tirou um pequeno maço de notas. Ele franziu a testa, e a falsa noiva começou a gritar algo em um idioma que eu só podia presumir ser russo. Ela bateu com o pé e balançou os braços enquanto falava.

Edward riu e se inclinou na minha direção.

— E eu que pensei que você era uma cretina.

— Ei. — Bati em seu abdômen.

Ele sorriu, e eu me senti dividida entre estar triste pela tensão sexual ter diminuído e aliviada por parecermos ter voltado ao normal. Edward me estendeu a mão.

— Sra. Cullen?

Merda. Gostei de como isso soou. Muito. Coloquei minha mão na dele, e Victoria correu.

— Gostariam de fazer as fotos do casamento aqui dentro ou lá fora? Temos um lindo gazebo e uma lagoa lá trás. Tem até um cisne na lagoa. Ele está com uma asa machucada, mas fica lindo ao fundo das fotografias.

— Vamos fazer aqui dentro — Edward respondeu rapidamente.

— Mas o cisne parece legal.

— Não temos espaço para outro animal de estimação. Não vou te deixar perto daquela coisa.

Revirei os olhos.

— Podemos simplesmente ignorar as fotos.

— Sem chance, princesa. James precisa de uma dessas belezuras. — Um sorriso malicioso apareceu no canto dos seus lábios enquanto os olhos focavam meus seios, que ficavam bastante expostos naquele vestido justo. — Além do mais... você... nesse vestido... é a melhor imagem para se bater uma no banheiro.

— Pervertido.

Posamos para quatro fotos. Era uma lembrança terrível das fotos do baile de formatura. Na última, Victoria fez uma sugestão.

— Que tal algo romântico agora?

Olhei para ele e o desafiei, rindo.

— E aí, fala mansa, que tal algo romântico?

Victoria trocou o fundo. Já não estávamos de pé na frente do velho e famoso letreiro de neon de Las Vegas. Havíamos sido transportados para uma suíte de lua de mel. O fundo era uma foto de uma cama grande repleta de pétalas de rosa e havia velas acesas. Era tão ridículo e extravagante que não pude deixar de rir.

— Vamos. É nossa noite de lua de mel falsa. Aí está a nossa cama. Você não tem algo romântico a dizer?

Edward olhou para trás, observou a cena e se virou para mim.

— Não sou exatamente o tipo romântico.

— Que surpresa.

Ele levantou as sobrancelhas e olhou para mim por um segundo antes de se inclinar para sussurrar em meu ouvido:

— O que acha disso? Se essa fosse a nossa cama, e eu tivesse a sorte de te ter como minha esposa... — Ele fez uma pausa e respirou fundo, exalando o calor no meu pescoço. — Se eu tivesse a sorte de ter você, tomaria cada centímetro desse corpo. Pela primeira vez na vida, você desistiria desse controle ao qual se agarra tão firme. Eu exigiria e você me daria de bom grado. — Ele praticamente rosnou o resto. — Nessa cama... Eu transaria com você de um jeito bem romântico.

Ele se afastou para olhar para mim. Nossos narizes estavam se tocando, mas nenhum de nós se inclinou para formalizar a conexão. Não era necessário.

Victoria interrompeu:

— Lindo. Acho que captei o momento. Parece que no fundo você é um romântico, sr. Cullen.

Edward sorriu. Continuei no lugar, incapaz de me mover.

— Para minha sorte, parece que a minha noiva gosta do meu estilo de romantismo.


Será que as coisas vão se complicar?