Boyce Avenue do dia: Shallow (acoustic cover from Lady Gaga & Bradley Cooper).
CAPÍTULO DEZ
Já estávamos sóbrios quando voltamos para o hotel, embora ainda me sentisse desequilibrada. Eu estava embriagada, mas não só de álcool. Ainda estávamos usando as alianças de bijuteria barata que eram lembranças do nosso casamento de mentira e, quando chegamos à porta do meu quarto, Edward me pegou no colo.
— Tenho que carregar minha esposa para dentro.
Coloquei meus braços ao redor do pescoço dele e me inclinei contra seu peito quando ele destrancou a porta com uma só mão.
— De onde será que vem essa tradição? É para o homem poder demonstrar o quanto é forte?
— Acho que isso começou porque as esposas ficavam nervosas por perder a virgindade.
Bufei.
— Bem, pelo menos não precisamos nos preocupar com isso.
Os olhos de Edward me encararam. Ele nem tentou esconder o ciúme. Isso me deu uma ideia.
— Você quer se casar algum dia? — perguntei.
— Algum dia? Achei que tínhamos acabado de fazer isso. — Ele me colocou no chão dentro do meu quarto.
— Estou dizendo de verdade. Eu me pergunto quem vai me carregar quando eu me casar de verdade.
Os olhos de Edward estavam sérios.
— Não quero pensar nisso.
Continuei provocando.
— Talvez a empresa nova esteja cheia de solteiros interessantes.
— Iguais ao James?
Dei de ombros e me sentei para tirar o sapato de salto alto.
— Decidi que não vou mais permitir que ele me deixe pra baixo. Faz dois meses que estou me lamentando. Quando me instalar na Califórnia, vou voltar à ativa. — Olhei para cima e sorri.
Edward ainda estava perto da porta.
— E aí? Nenhum comentário sacana sobre eu tomar cuidado para não ser atropelada? Você está deixando a desejar.
A mandíbula dele tensionou.
— Talvez você devesse usar aquela sua varinha mágica de novo, em vez de apressar as coisas.
Levantei-me e caminhei até ele, virando de costas e puxando o cabelo para o lado.
— Pode abrir o zíper? — O quarto ficou em silêncio por um bom tempo antes que eu sentisse as mãos de Edward me tocarem. Uma delas segurou meu quadril com firmeza, quase como se ele tivesse que segurar com força para mantê-lo no lugar. A outra alcançou o zíper. O som do zíper sendo aberto lentamente foi bastante erótico.
Sério, o que havia de errado comigo?
Nenhum de nós se moveu. O ar ao nosso redor ficou tenso.
— Edward? — sussurrei. Nem reconheci minha voz. Estava muito baixa e rouca.
Seus dedos afundaram ainda mais no meu quadril. Quase doeu, mas ao mesmo tempo me excitou. Esperei que ele dissesse alguma coisa. Qualquer coisa. Fiquei esperando. Nenhum de nós se moveu.
— Edward? — Tentei me virar para encará-lo, mas suas mãos me mantiveram no lugar.
— Não. Preciso ir, Isabella. — Ele fez uma pausa e respirou profundamente. — O cara que conseguir te carregar de verdade vai ser um cretino de sorte.
Não me virei até ouvir a porta do meu quarto se fechar. Não queria que ele me visse chorar.
Ele voltou da rua duas horas depois. A porta de comunicação entre os nossos quartos estava aberta o suficiente para que eu pudesse ouvi-lo se mexer. Minha cabeça estava girando, e a ideia de nunca mais vê-lo depois que a viagem terminasse me doía o estômago. Passei mais de um ano com James, e o dia em que me mudei não doeu tanto quanto isso.
Deitar na cama sabendo que Edward estava tão perto fisicamente, mas que não podia tocá-lo, me deixava louca.
Continuei repetindo suas palavras várias vezes na minha cabeça, dissecando cada conversa que era capaz de recordar. Ele me disse que eu era bonita. Tinha contado as coisas que fantasiava fazer comigo em detalhes vívidos. Disse que o homem com quem eu me casasse teria sorte. Suas palavras demonstravam que ele me queria. Seus olhos também. Seu corpo, sua respiração, a maneira como ele olhava para o meu corpo, como se estivesse se agarrando ao último resquício de controle.
Eu tinha certeza de que ele me queria – algo que finalmente eu havia aceitado. Ele simplesmente... não podia.
Essas foram as palavras dele. Como se fosse errado se permitir. Eu sabia que ele estava tentando me proteger de tudo o que o prendia. Mas eu não queria que ele me protegesse. Queria transar até me esquecer de quem eu era. E era hora de assumir o controle da situação. Sou uma mulher, droga. Ouça o meu rugido.
Com a adrenalina correndo nas veias, fui para o banheiro, lavei o rosto e deixei meu rabo de cavalo frouxo. Tirei a camisola e olhei meu reflexo no espelho. A lingerie que eu estava usando era bonita – um sutiã rosa-claro de renda e uma calcinha boy short da mesma cor. Mas eu estava cansada de fugir. Tirei a calcinha e o sutiã e olhei para o meu reflexo no espelho.
Minhas bochechas estavam coradas e meu corpo tonificado e, pela primeira vez em muito tempo, gostei do que vi. Não havia tempo a perder. Eu tinha que fazer isso agora, antes que me acovardasse. A cada subida e descida do meu peito, a coragem começava a desaparecer. Olhei para mim uma última vez, respirei fundo e fui para a porta que nos separava.
Aí vai a leoa.
Edward estava saindo do banheiro quando entrei. Ele não usava nada além de uma toalha branca enrolada na cintura.
Estava escuro, mas as luzes que entravam pelas janelas iluminavam o quarto o suficiente para que eu pudesse vê-lo. Gotas de água cintilavam em seu peito. Ele era literalmente de tirar o fôlego, porque meu coração estava batendo violentamente e parecia que todo o oxigênio tinha sido sugado dos meus pulmões quando ele me viu.
Ficamos nos olhando por um instante. A tensão em sua mandíbula enquanto tentava encarar meus olhos era uma prova de quanto ele tentara resistir, mas a batalha que estava travando foi perdida quando seus olhos baixaram. Assisti a cada segundo enquanto ele me observava. Primeiro, meus seios – mamilos eriçados, retesados e à espera – o cumprimentaram. Edward arquejava. Senti a carícia do seu toque em minha pele enquanto seus olhos continuavam descendo.
Ele se prolongou para apreciar minha cintura estreita, as curvas do meu quadril e minha barriga lisa. Nossas respirações estavam entrecortadas e rápidas quando seus olhos desceram ainda mais, observando o V no alto das minhas coxas. Eu estava molhada e nem tínhamos nos tocado ainda. Quase perdi a cabeça quando ele umedeceu os lábios.
— Isabella — ele gemeu em advertência. Parecia que estava sentindo dor física. — Eu...
Ele estava prestes a me rejeitar de novo, e eu não permitiria isso de jeito nenhum. Eu o queria desesperadamente – mesmo sabendo que só receberia uma parte. Pressionei o dedo em seus lábios e o silenciei. Seu rosto transpareceu o choque quando arranquei a toalha ao redor de sua cintura. Eu a segurei na frente do seu rosto e delicadamente a deixei cair no chão.
Edward estava gloriosamente duro, e eu o desejava mais do que jamais desejei qualquer coisa na vida.
— Precisamos consumar nosso casamento.
Ele fechou os olhos e, por alguns segundos agonizantes, esperei. Quando reabriu, estavam diferentes. Suas pupilas estavam dilatadas, selvagens e loucas, cheias de desejo e necessidade. Era como me olhar no espelho.
— Sente-se na mesa. — Ele ergueu o queixo sinalizando as janelas, que iam do chão ao teto. Uma mesa comprida estava posicionada para que fosse possível se sentar e olhar a vista.
Sua voz tinha um tom severo e exigente que eu nunca havia escutado. Isso deixou meus joelhos fracos enquanto eu atravessava o quarto e me sentava onde ele instruíra.
— Eu fantasio sobre você todas as noites quando vou para a cama e acordo com uma imagem sua na cabeça e de pau duro todas as manhãs.
Eu sabia que ele estava atraído por mim, mas sua admissão refletiu o nível de pensamentos obsessivos que eu tinha a seu respeito. Isso me encheu de coragem de novo.
— Mostre. Mostre como você nos vê quando fantasia. Quero transformar seus sonhos em realidade.
Seus olhos brilharam, e os lábios se curvaram em um sorriso malicioso.
— Meus sonhos não têm arco-íris e pombas brancas. Neles, estou puxando o seu cabelo enquanto te fodo em cima da mesa. Quer transformar meu sonho em realidade, princesa? — Ele me rodeou e ficou de frente para onde eu estava sentada.
Engoli em seco e assenti.
As covinhas apareceram. Não era necessário pegar pesado comigo, pois eu já estava perdida.
— Abra as pernas.
A forma como ele me olhava tornou mais fácil me despir das inibições.
— Você tem os seios mais perfeitos que já vi na vida. Mas essa boceta... é ainda melhor do que eu imaginava.
Tremi.
— Você tem uma boca muito suja.
Ele baixou a boca em direção aos meus seios e olhou para mim. O verde número setenta queimava.
— Você vai gostar ainda mais da minha boca suja depois desta noite.
Fechei os olhos enquanto ele abocanhava meu mamilo direito. Ele girou a língua enquanto lambia e chupava e depois o pegou entre os dentes e puxou com força antes de alternar para o esquerdo.
Um gemido suave saiu dos meus lábios, e forcei meus olhos a se manterem abertos para vê-lo. Edward estava me devorando com sua boca pecaminosa. A realidade era mesmo melhor que a fantasia que se repetira na minha cabeça. Depois de passar um tempo venerando meus seios, sua língua traçou o caminho até meu umbigo. Então ele ficou de joelhos.
Suas mãos empurraram minhas coxas.
— Abre mais.
Puta merda, como eu queria sua boca lá embaixo. Agarrei a beirada da mesa com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos.
Ele deu uma boa olhada. Eu estava sentada na frente dele tão nua e exposta que senti um ímpeto incontrolável de fechar as pernas e me cobrir. Mas então ele umedeceu os lábios de novo. Edward estava realmente salivando antes de me provar. Foi a coisa mais erótica que já vi na vida.
Ele se inclinou para perto e assoprou de baixo para cima sobre meu sexo. O ar frio se juntou à minha umidade, e cada nervo do meu corpo entrou em choque. Minha respiração estava completamente errática só com a antecipação. Eu não podia me imaginar capaz de respirar quando sua boca estivesse em mim.
Ele ergueu a cabeça, e nossos olhares se encontraram.
— Olha pra mim, Isabella. Quero que você me observe enquanto devoro até sua última gota.
Eu não conseguia responder. Qualquer coisa que saísse da minha boca seria completamente incoerente. E ele não esperou por uma resposta. Edward puxou minha bunda para perto da beirada da mesa e enterrou o rosto entre as minhas pernas. Invadindo-me, ele chupou e lambeu, provocando e levando meu corpo à beira do orgasmo e então se afastando, diminuindo a sucção e o ritmo. Ele não estava me deixando gozar. Cada vez que minha respiração começava a ficar regular, ele começava tudo de novo. Era impiedoso e enlouquecedor, e eu estava começando a me desesperar.
Quando eu estava perto do orgasmo novamente e ele começou a diminuir o ritmo pela terceira vez, agarrei seu cabelo. Minhas mãos seguraram suas mechas grossas e úmidas, e eu o puxei, incitando-o a continuar.
— Edward, eu... preciso...
— Ainda não.
Parte de mim queria matá-lo, mas essa parte foi silenciada pela outra que precisava desesperadamente encontrar o clímax.
— Por favor. Eu preciso...
— Ainda n...
Ele não teve chance de terminar a frase. Agarrei seu cabelo com força e impeli seu rosto contra mim. Eu o ouvi dar uma risadinha maliciosa. Então ele voltou a lamber e morder com intensidade, empurrando a língua para dentro e para fora de mim até me levar de volta ao meu limite. Quando eu estava perto do clímax, ele sugou meu clitóris e provocou ondas de prazer. Sussurrei seu nome enquanto o orgasmo tomava conta de mim. Ele não parou até que meu corpo estivesse fraco e fosse difícil ficar na vertical.
Edward me levantou da mesa e me levou para a cama, deitando-me gentilmente sobre ela. Apenas um minuto antes eu tinha gozado, mas vê-lo nu havia me recarregado. Ouvi o som do pacote de preservativo sendo aberto e observei enquanto Edward o colocava. Sua mão deslizou pela ereção grossa, e meu corpo acordou novamente. Ele era bonito da cabeça aos pés e em cada centímetro firme no caminho.
Quando ele terminou, estendi a mão e entrelacei os dedos nos dele. Ele subiu na cama e levantou nossas mãos entrelaçadas acima da minha cabeça, imobilizando facilmente meus braços. Pairando sobre mim, alinhou perfeitamente à minha entrada. Ele procurou meu rosto, quase o estudando antes que nossos olhos se encontrassem.
Então me beijou com doçura enquanto gentilmente me penetrava. Ele entrou e saiu devagar algumas vezes antes de se cravar por inteiro. Ele gemeu e se manteve parado por um breve momento enquanto seu rosto me dizia que estar enterrado dentro de mim era muito bom. Ele não queria mover nenhum músculo.
Envolvi minhas pernas ao redor das suas costas, e a nova posição lhe permitiu ir ainda mais fundo.
— Porra. — Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás. Eu adorava vê-lo lutando para se conter.
Encontramos nosso ritmo juntos com facilidade e nos movíamos com paixão. Nossos corpos estavam molhados de suor. Deslizávamos para cima e para baixo e seu quadril girava, até que começamos a tremer. Gemi quando senti que ele começava a se desfazer. Seu ritmo acelerou, e ele entrava em mim cada vez mais fundo até que gozamos juntos enquanto nos olhávamos nos olhos.
Horas haviam se passado, e eu estava exausta de muitos outros orgasmos quando finalmente adormeci. Cheia de novas promessas e esperanças, a última coisa que me lembro de pensar enquanto caía no sono era que eu mal podia esperar para acordar na manhã seguinte para estar com Edward de novo.
...
O sol brilhava através das janelas, aquecendo meu corpo nu.
Eu não tinha ideia de que horas eram, mas sabia que já estava no começo da tarde. Espreguicei-me. Meus músculos doíam, embora fosse o tipo de dor de que eu gostava. Tive namorados e uma vida sexual saudável. Até a noite anterior, eu diria que meus flertes tinham sido um tanto quanto satisfatórios. Mas o que acontecera entre mim e Edward colocou meu passado em uma categoria vergonhosa.
Sorrindo, virei-me na cama, ansiosa para me reconectar fisicamente. Encontrando o lugar de Edward vazio, tentei ouvir onde ele estava. O quarto estava silencioso, mas, um minuto depois, uma batida na porta respondeu à minha pergunta. Enrolei o lençol no corpo e fui atender. Uma camareira estava empurrando um carrinho quando eu abri a porta esperando encontrar Edward.
— Hummm. — Apertei mais o lençol contra o corpo. — Pode voltar daqui a pouco? Faremos o check-out mais tarde.
A mulher olhou para o relógio e para mim.
— Quinze minutos?
Eu não estava com vontade de correr para me arrumar, mas assenti assim mesmo. Depois que fechei a porta, olhei ao redor dos dois quartos, embora soubesse que estava sozinha.
Havia uma sensação irritante na boca do meu estômago – eu não queria que a viagem acabasse. Edward não me dera nenhuma razão para acreditar que as coisas entre nós continuariam quando chegássemos à Califórnia. Na verdade, desde o início ele tinha sido bastante claro sobre a viagem ser o fim da linha. Mas a noite anterior não teria mudado tudo?
Queria acreditar que sim, apesar do que estava sentindo.
No chuveiro, fechei os olhos e pude ver Edward pairando sobre mim nas primeiras horas da manhã. Era a nossa terceira rodada e foi muito diferente das anteriores. A corrida frenética e desesperada para estarmos juntos havia acalmado e, lentamente, demonstramos nossas emoções em cada movimento. Eu tinha feito sexo antes, mas, até aquele momento, nunca tinha feito amor.
A água morna do chuveiro caía sobre a minha pele enquanto eu repassava aqueles últimos momentos sem parar.
— Você é uma mulher incrível — disse Edward. — Obrigado por tudo. Espero que todos os seus sonhos se realizem. Você merece, Bella.
Naquele momento, pensei que era um sentimento bonito. Mas, de repente, uma intensa vontade de vomitar atingiu meu estômago e meus olhos se abriram.
Ele estava dizendo adeus.
Puta merda. E, agora? Quando saberemos o motivo de ele ter partido assim? O que ele esconde? Como Bella irá reagir? Será que tem perdão? Isso, e muito mais, quinta, no Globo Rep... Ops. hahahaha.
