Boyce Avenue do dia: Chasing Cars (acoustic cover from Snow Patrol).
CAPÍTULO ONZE
Fiz check-out dos dois quartos e fiquei sentada no lobby por SEIS horas. Era algo ridículo. Todas as roupas dele haviam sumido. Obviamente, ele não tinha a intenção de voltar quando fugiu enquanto eu estava dormindo. Por alguma razão, me recusei a ir embora. Sentada em um sofá de couro no hall grande e movimentado, eu olhava para as portas de entrada do hotel. Quem sabe ele mudasse de ideia? Talvez ele tivesse entrado em um ônibus e seguido por metade do caminho até a Califórnia e, em seguida, tivesse se arrependido por ter ido.
E se ele voltasse e eu não estivesse ali? Então me lembrei de que ele tinha meu número de telefone e não havia ligado. A realidade estava parecendo cada vez pior.
Um casal atravessou a porta da frente de braços dados. Ela estava usando um vestido branco justo com um véu longo e carregava um buquê redondo de rosas vermelhas. Ele vestia um terno com a gravata solta no pescoço e uma rosa presa à lapela. Observei enquanto ele a puxava para si em um beijo longo e apaixonado antes de ir para a recepção sorrindo.
Lágrimas rolaram pelo meu rosto. Não era a primeira vez hoje.
— Recém-casada? — Uma mulher mais velha, carregando um recipiente transbordando de moedas, sentou-se na minha frente. Seus cabelos brancos estavam penteados com tanto laquê que talvez pudessem resistir a um tufão. O olhar vazio em meu rosto era um indicativo de que a minha cabeça estava em outro lugar.
— O quê?
Seus olhos apontaram para as minhas mãos. Eu estava distraidamente girando o anel no dedo. Meu anel de casamento.
— Ah. Não. Não é uma aliança de casamento de verdade. Foi... uma brincadeira. — Com a minha cara.
Ela assentiu.
— Eu faria cinquenta anos de casada na semana que vem.
Presumi que o marido dela morrera.
— Sinto muito.
— Pelo quê?
— Você disse "faria". Seu marido faleceu?
— Imagina. Não tenho tanta sorte. O cretino era um mentiroso, infiel e viciado em jogos de azar.
— E o que você fez?
— Assumi meu papel de mulher, dei um pé na bunda dele e me divorciei há quase quarenta anos.
Sorri, pela primeira vez desde o banho dessa manhã.
— Aí está. Uma garota bonita como você deve estar sempre com um sorriso no rosto.
— Obrigada.
— O que o cretino fez? — O nome que ela usou para o homem que me magoou não passou despercebido.
Balancei a cabeça.
— Foi embora sem se despedir.
— Parece que ele é um covarde.
Eu havia sido humilhada e me sentia uma tola. Mas ela estava certa, e eu só estava piorando as coisas ao ficar ali sentada esperando por ele – eu sabia que ele não voltaria.
Odiava admitir, mas Edward era, sim, um covarde. Um babaca egoísta que não tinha hombridade nem para dizer adeus. Deixei escapar um suspiro frustrado e fiquei de pé.
— Obrigada.
— Pelo quê?
— Por me lembrar de que preciso assumir meu papel de mulher.
...
O proprietário do hotel para animais me cumprimentou com um sorriso.
— No geral, ele ficou muito bem. Só nos assustou pra caramba quando caiu duro no chão. Mas nos lembramos do que você disse sobre os desmaios. Demos um banho nele. Ele está limpo e renovado para a viagem de volta.
Esmerelda Snowflake correu para os meus braços antes de andar ao meu redor várias vezes. Ele parecia nervoso. Levando-o por uma coleira, caminhamos para o meu carro abarrotado no estacionamento. Esta era a última parada antes de deixar Las Vegas.
Eu estava andando como um zumbi. Nada disso parecia real. A qualquer momento, ainda meio que esperava ouvir a voz dele soando atrás de mim.
ISA-BELLA.
"Não achou que eu te deixaria mesmo, não é, princesa?"
Meu peito parecia esgotado, como se pudesse explodir a qualquer momento, mas o choque me impedia de soltar a tristeza e o desespero que estavam presos dentro de mim. Deixei Esmerelda na parte de trás e me sentei no banco do motorista, incapaz de reunir forças para ligar o carro. Olhando para trás, eu disse:
— É isso. Somos só nós dois agora. Está pronto?
O cabrito me assustou ao pular para o banco da frente. Observei enquanto ele cheirava várias vezes o banco do carona e soltava uns "béé" altos e frenéticos. Parecia que ele realmente estava tentando falar comigo.
Eu me perguntava se ele sabia que Edward não ia voltar. Os animais são estranhos assim.
— Ele se foi. Edward não está mais aqui — falei, esfregando suavemente a parte de trás de sua cabeça peluda e engolindo a dor das minhas palavras. Repeti em um sussurro: — Ele se foi.
O animal começou a dar voltas no banco até que finalmente parou e apoiou a cabeça ali. Nada poderia ter me preparado para o que aconteceu em seguida: Algo que soou como um gemido escapou de sua boca. Ele não podia estar chorando. À medida que os sons ficavam cada vez mais altos, cheguei à conclusão de que ele estava, sim, chorando. Esse animalzinho fofo queria Edward e compreendeu o que eu disse ou pressentiu aquilo.
Quando ele me olhou com olhos tristes, finalmente desabei. A emoção me atingiu quando inclinei a testa contra o volante e solucei. Em pouco mais de uma semana, encontrei minha maior felicidade e sofri meu maior desgosto. Era como se eu tivesse nascido de novo só para ser destruída pela mesma coisa que me dera um novo sentido para a vida.
Mesmo tendo dormido comigo havia menos de vinte e quatro horas, Edward parecia muito distante, como se tudo tivesse sido um sonho. O latejar entre as minhas pernas provocada pela nossa única noite juntos – nossa primeira e última – era a única evidência de que tinha sido real.
Enxuguei os olhos.
Papel de mulher. Papel de mulher. Papel de mulher.
Quando finalmente criei coragem de ir embora, parecia que eu tinha um novo copiloto. Esmerelda ficou encolhido no banco do carona.
Quando passamos pela placa que dizia Saindo de Las Vegas, desejei que o ditado fosse verdade, que tudo o que acontecesse em Las Vegas ficasse por lá. Mas eu sabia que não. O que aconteceu comigo em Vegas seria algo que me seguiria por muito tempo ainda.
CAPÍTULO DOZE: DOIS MESES DEPOIS
Dois meses mais tarde, e fazendo o melhor que podia para me instalar na casa alugada estilo bangalô, concluí que perder Edward se parecia muito com uma morte e que eu tinha passado pelos cinco estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.
Em Las Vegas, quando percebi que ele tinha ido embora, entrei em negação. Porém, durante o resto da viagem para a Califórnia, a raiva começou a crescer cada vez mais enquanto eu me concentrava menos na ideia de tê-lo perdido e mais no simples fato de que ele tinha me abandonado.
A fase da barganha surgiu pouco depois que cheguei a Temecula e durou cerca de uma semana: Se ao menos eu não tivesse me jogado em cima dele. Se tivesse dito o quanto gostava dele. Eu me culpei por ele ter partido.
A quarta fase não demorou muito para ofuscar todas as outras. A depressão foi a mais difícil. Me pegou de jeito por, pelo menos, um mês e meio. Eu não fazia nada além de ir para o trabalho, voltar para casa e me lamentar pelo fato de que nunca conheceria alguém me fizesse sentir como Edward fizera. Apesar da forma como as coisas terminaram, senti que, depois dele, eu não conseguiria ficar com outros homens. Eu acordava suando no meio da noite, excitada por causa dos sonhos vívidos e recorrentes em que transava intensamente com ele, enquanto ele me dizia o tempo todo como estava arrependido, que me amava e que havia cometido um erro.
Então eu chorava até dormir. Embora a depressão nunca tivesse desaparecido completamente, conforme os dias se passavam sem notícias dele o estágio final do luto foi aparecendo: a aceitação.
Apesar de ter sido muito difícil, finalmente aceitei que ele nunca voltaria para mim. Eu não tinha escolha senão tocar a minha vida. Isso significava considerar voltar a sair com outros homens, ainda que isso me matasse. Uma coisa era certa: jamais seria capaz de esquecê-lo se continuasse a me deitar na cama à noite revivendo como era tê-lo dentro de mim.
Eu ainda ansiava por ele. E era possível que esse sentimento nunca fosse embora.
Se houvesse uma sexta fase, deveria ser apropriadamente chamada de expurgar a merda. Cheguei à conclusão de que ficar dentro do meu carro era doloroso demais. Mais da metade do nosso relacionamento acontecera dentro do BMW. Toda vez que eu olhava para a direita, ouvia seu riso ou o via chupando um Pixy Stix. Às vezes, eu jurava que podia sentir seu cheiro.
O espírito de Edward sempre estaria bem vivo naquele carro.
Ao chegar à concessionária para trocá-lo em uma tarde ensolarada de sábado, eu estava muito sensível. Finalmente escolhi um Audi S3. Quando estava saindo para entrar no carro novo, a mulher que havia me ajudado com a troca me chamou:
— Senhora!
Virei-me e a vi segurando a miniatura do Barack Obama. Meu peito ficou apertado.
— Você esqueceu isso. Tirei do seu antigo carro. Tem um adesivo no painel, mas vamos removê-lo. Achei que você pudesse querer.
Quase a peguei. Quase. Lutando contra as lágrimas que estavam começando a arder em meus olhos, acenei para ela.
— Fique com ela.
Nos meses que se seguiram, deixar coisas novas entrarem na minha vida parecia um desafio maior do que me afastar das antigas.
Mike Newton era CEO de uma empresa de tecnologia e também meu cliente. Passamos inúmeras horas juntos, trabalhando em um pedido de patente para uma de suas recentes invenções.
Embora ele tivesse deixado claro que estava interessado em mim, fingi não notar as indiretas que me dava. Ele era muito fofo e ficava muito bonito usando óculos. Sair com ele também podia caracterizar um leve conflito de interesses, mesmo que a empresa não tivesse regras estabelecidas contra namorar clientes.
A verdade era que eu simplesmente não me sentia pronta.
Minha cabeça ainda estava muito distraída com as lembranças de Edward. Por mais que eu tivesse tentado me livrar de sua evidência física, o que permaneceu depois disso não podia ser destruído tão facilmente, não importava quanto eu tentasse. Embora ele tivesse me machucado, Edward ainda continuava na minha cabeça e no meu coração partido.
Passar mais tempo com Mike era, no mínimo, uma distração. Nós deveríamos nos encontrar no escritório, numa sexta-feira à noite, para uma reunião de trabalho. Ele ligou para avisar que estava um pouco atrasado e perguntou que tipo de comida eu queria que ele trouxesse.
Minha resposta foi:
— Algo bem gorduroso e que seja péssimo para mim. Hoje foi um dia daqueles.
— Pode deixar — ele respondeu.
Ele era tão legal.
O cheiro de fritura me atingiu antes que eu o notasse andando pelos cubículos até o meu escritório. Mike trazia dois pacotes engordurados.
— Como você não especificou nada, trouxe várias comidas gordurosas.
— Obrigada. Estou morrendo de fome.
Ele empurrou alguns papéis para o lado para abrir espaço.
— Por que não jantamos antes de começarmos a trabalhar?
— Tudo bem — falei, remexendo nos pacotes.
Ele havia trazido comida do Taco Bell, Pizza Hut e Popeyes.
Popeyes.
Eu simplesmente não conseguia escapar. Edward estava em toda parte. Reivindicando meus direitos sobre os pedaços de frango, estendi o braço para me servir quando Mike alcançou o pacote e pegou um.
— Ei, larga a minha comida — brinquei. Então me lembrei de ter dito algo parecido a Edward no dia em que nos conhecemos. Essas pequenas lembranças eram inesperadas e apareciam em ondas. Junto com elas, a dor sempre voltava com toda a força.
De repente, parei de comer.
Mike apoiou o sanduíche na mesa. Com a boca cheia, perguntou:
— Você está bem?
— Sim, estou bem.
— Ficou brava por eu ter pegado um pedaço de frango?
Eu dei um meio sorriso.
— Não, não. Não foi nada disso.
Ele se aproximou.
— O que foi?
Olhando para baixo, falei:
— Não foi nada.
— Isabella, é claro que aconteceu alguma coisa. Você estava comendo como uma máquina e de repente parou. O que foi?
O olhar no meu rosto provavelmente me entregou.
— Você pode se abrir comigo, você sabe — disse ele.
Eu queria desabafar. Eu não tinha contado a ninguém. Nem uma pessoa sequer sabia o que havia acontecido comigo.
— Quer mesmo saber?
— Sim.
Durante a hora seguinte, contei a Mike tudo o que acontecera entre mim e Edward. Ele ouviu atentamente sem julgar, e me senti bem por colocar tudo para fora. Balançando a cabeça lentamente, com os braços cruzados, a boca de Mike se curvou em um sorriso simpático.
— Bem, isso explica muita coisa.
— O quê?
— O fato de você sempre me ignorar quando insinuo que deveríamos sair.
— Você percebeu isso, né?
— Sim. Eu noto tudo em você. — Ele olhou para baixo, quase envergonhado por ter admitido seus sentimentos de maneira direta. Quando olhou para cima, disse: — Eu gosto muito de você.
— Também gosto de você. Não quero que pense que minha hesitação tem algo a ver com você.
Ele colocou a mão no meu braço.
— Olha... Agora que sei o motivo pelo qual você está fechada, acho que é ainda mais importante que a gente saia. Prometo que não vou criar expectativas. Só me deixe ser seu amigo. E se as coisas se transformarem em algo mais, tudo bem. Se não, no pior dos casos, passaremos bons momentos juntos.
Sorri.
— Você está sendo direto desta vez.
— Sim. Estou pedindo que você nos dê uma chance. Saia comigo.
— Dar uma chance, hein?
— Sim.
— Certo, Mike. Eu darei.
Esses dois capítulos eram tão minúsculos que não fazia sentido postar separados. Nos vemos na próxima segunda!
