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CAPÍTULO TREZE
DOIS ANOS DEPOIS - EDWARD
Fechei as mãos enquanto me sentava na cama, movendo as pernas para cima e para baixo. Eu temia esse dia tanto quanto ansiava por ele. Quanto mais se aproximava, mais minha apreensão por ir embora dali aumentava. Olhando para as paredes cinzentas, mal podia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo: Chegara o grande dia.
Estalando os dedos, levantei-me e comecei a andar de um lado para o outro.
— Qual o problema, cara? — Emmett, meu companheiro de cela, perguntou. — Este é o dia tão esperado.
— Você vai saber como é quando seu dia chegar.
— É. Vou me sentir feliz pra caramba. Quer trocar de lugar? Eu daria minha bola direita para estar no seu lugar agora.
— Eu sei. Não é que eu seja ingrato. É que as coisas mudaram desde que entrei aqui. Este lugar... se tornou normal para mim. Sair daqui vai ser como entrar em um grande buraco negro. Pelo menos aqui eu sei o que esperar.
— Só se passaram dois anos, não quarenta.
— Muita coisa pode acontecer em dois anos, cara. Sei muito bem disso. — Quando as palavras saíram da minha boca, meu coração imediatamente se apertou. Há dois anos, eu tinha mãe e agora não tinha mais. Ela estava morta. Meu Deus, era tão doloroso pensar que ela não estava mais por perto. Isso era razão suficiente para eu querer continuar preso e me esconder da realidade.
Minha mãe teve um aneurisma enquanto dirigia há mais ou menos um ano. O fato de eu estar preso e não poder me despedir quando ela lutava pela vida no hospital era uma coisa pela qual eu jamais me perdoaria. Havia muitas coisas pelas quais eu não conseguia me perdoar.
A próxima pergunta de Emmett fez minha cabeça girar.
— Vai tentar encontrá-la?
— Quem?
Eu sabia de quem ele estava falando.
— Você sabe.
Passei as mãos pelo cabelo em sinal de frustração. Por que ele tinha que tocar no nome dela?
— Não — respondi com firmeza.
— Não?
Meu tom foi mais insistente.
— Não.
— Por que não?
— Porque se passaram dois malditos anos. Ela provavelmente já está casada, talvez até tenha um filho. Ah, e há um pequeno detalhe que é o fato de ela me odiar com todas as forças e desejar que eu esteja morto por tê-la magoado.
Jamais pretendi contar a Emmett sobre Isabella. Nunca pretendi contar a ninguém sobre ela, sobretudo os detalhes de como a deixei.
Certa noite, eu aparentemente estava falando enquanto dormia, no meio de um sonho, dizendo coisas como: Bella, me desculpe. Por favor, me desculpe. Eu havia acordado Emmett e ele me tirou do pesadelo. Os sonhos eram recorrentes e continuavam a acontecer, até que ele passou a chamá-los de "Bellas". "Você teve outro Bella ontem à noite", dizia ele.
— Você não tem como saber se ela te odeia.
— O que importa, Emm? Mesmo que ela não esteja casada, meu objetivo ao fugir naquela manhã era fazer com que ela me odiasse para que tocasse sua vida e não esperasse por mim durante os dois anos que fiquei preso neste inferno. Por que eu a magoaria intencionalmente se pretendesse voltar e tentar ficar com ela de novo?
— Você não tem curiosidade de saber como ela está?
Porra.
Claro que eu tinha.
Encolhendo os ombros, soltei uma respiração profunda e me sentei de volta na cama, olhando para a parede.
— Espero que ela esteja feliz e que tenha me esquecido.
Espero mesmo, mas tenho certeza de que não quero testemunhar isso.
— Bem, a decisão é sua. Só não quero que você se arrependa mais tarde. Pelo que posso ver, essa merda te traumatizou.
— Ah, você é psiquiatra agora, né, Emmett?
— Não tenho que ser um profissional para perceber isso. Olha, você é um bom sujeito. Ela ficaria orgulhosa se te visse como eu vejo. Você usou seu tempo aqui melhor que qualquer um que já conheci.
Eu realmente tentei. Estudei para tirar o diploma e até organizei um programa de futebol para os detentos da ala juvenil. Eu estava determinado a não deixar que esses anos fossem um desperdício total e faria algo de bom durante esse tempo. Se estar preso significava desistir de tudo, era bom que não fosse à toa. Não havia dúvidas de que eu sairia diferente – não uma pessoa mais feliz, mas alguém mais forte.
Emmett interrompeu meus pensamentos:
— Deixe-me só perguntar uma coisa. E se você descobrir que essa garota está por aí solteira? Você não acha que vale a pena se arriscar por uma segunda chance?
Antes que eu pudesse responder, a porta da cela se abriu, fazendo com que o rangido ecoasse pelos corredores.
Olhei para Emmett.
— Acho que é isso.
Ele me abraçou, dando tapinhas nas minhas costas.
— Quando começar a se sentir para baixo, pense nisto. Se não der certo, Edward, você ainda é um dos caras mais bonitões que eu conheço que saíram da prisão com o traseiro intacto.
Comecei a rir de forma quase histérica. Eu definitivamente sentiria falta dele.
— Você é um bom amigo. Sempre teve um talento especial para me mostrar o lado positivo das coisas.
— Fico feliz por ter podido ajudar.
— Vou manter contato, hein? — eu disse, saindo da cela.
Deixei escapar um profundo suspiro enquanto seguia o guarda pelos corredores, em meio aos gritos, palavrões e aplausos dos meus companheiros.
Ele me levou para uma sala onde assinei os papéis da minha soltura. Parecia surreal. Eu realmente esperava me sentir mais feliz ao sair. Em vez disso, o fato de estar prestes a me tornar um homem livre deixou-me entorpecido de um jeito surpreendente.
Esperei sozinho até que ele voltou carregando um grande saco com fecho hermético contendo meus pertences. Abri-lo era como abrir uma cápsula do tempo de uma vida abandonada. Lá dentro estavam minha calça jeans, o agasalho azul-marinho que eu estava usando quando me entreguei, minha carteira, telefone e relógio.
Meu iPhone estava sem bateria, então perguntei ao guarda se ele poderia me arrumar um carregador. Como era um modelo mais antigo, ninguém parecia ter o tipo certo. Aparentemente, a Apple tinha liberado duas novas versões desde que fui preso*. Eu deveria ter imaginado. O guarda finalmente conseguiu encontrar alguém no escritório com um carregador que se encaixava no meu aparelho.
— Pode carregar seu telefone aqui, se vestir e então está livre para ir embora.
Eu assenti.
— Obrigado, senhor.
Conectei o carregador na tomada e fui trocar de roupa.
Após vários minutos, uma luz iluminou a tela do telefone enquanto o aparelho ligava. Esperei mais um tempo até que a bateria estivesse carregada o suficiente para durar a viagem que faria para surpreender minha irmã. A princípio, eu ia sugerir que ela me buscasse, mas decidi não dizer nada.
Quando chegou a hora de sair, me senti como um peixe fora d'água. Meus passos ao cruzar a guarita foram intencionalmente lentos.
O brilho do sol do lado de fora dos portões foi um choque para mim. Lá estava eu, na frente do prédio enorme da prisão, usando as mesmas roupas de dois anos atrás e sem ter ideia do que fazer. Sentia como se fosse ontem que havia me entregado, mas, ao mesmo tempo, parecia fazer uma vida inteira.
Como alguém se familiariza com a própria vida? Senti vontade de me perguntar: "Onde foi que paramos?". Olhei ao meu redor. Deveria haver um guia sobre o que fazer quando se sai da prisão.
Quando se está preso, parece que a vida está pausada. Você sai esperando e querendo que tudo esteja exatamente igual, mas sabendo muito bem que não está. Tudo o que eu queria era voltar exatamente para onde minha vida tinha parado.
Minha vida havia parado nela.
O que eu não teria dado para estalar os dedos e vê-la dirigir até a prisão no BMW com aquele animal fedorento no banco traseiro? Só restava sonhar.
Meus pensamentos estavam se encaminhando para um território perigoso e fantasioso. Balancei a cabeça e peguei o telefone para procurar na internet o número de uma cooperativa de táxi, mas lembrei que não tinha plano de dados. Milagrosamente, a internet parecia funcionar. Meu telefone fazia parte de um plano familiar com a minha irmã, e ela devia ter continuado a pagar a conta. Decidi que caminharia até a estação de trem mais próxima em vez de pegar um táxi. Antes de começar a caminhada, cliquei sem querer na galeria de fotos.
Que. Puta. Erro.
Ela se abriu na última foto tirada. Era de Bella. Ali estava ela.
Ah, Deus.
Meu coração parecia ter voltado à vida depois de uma pausa de dois anos.
Princesa.
De repente, as emoções que eu estava tentando reprimir surgiram com força total, dominando completamente o entorpecimento de alguns minutos antes.
Quase me esqueci de como ela era linda. Bella nunca soube que tirei aquela foto. Ela dormia em paz no quarto de hotel bem antes da minha partida. Eu queria me lembrar para sempre daquele momento.
Nossa droga de noite de núpcias. Deveria ser falsa, mas parecia muito real. Nada tinha sido mais real em toda a minha vida.
Agora, eu me recriminava por pensar que tirar essa foto seria uma boa ideia. Eu deveria ter apagado todas as fotos de Isabella para que nunca tivesse que olhar para o que perdi – o coração que eu sabia muito bem que havia quebrado. Na época, eu realmente achei que me afastar daquele jeito seria melhor para ela. Eu sabia que tipo de pessoa Bella era: Ela teria me esperado por todo esse tempo. Isso não era justo.
Depois de tudo pelo que tinha passado, ela merecia um recomeço. Uma nova cidade, uma nova vida... Ela estava prestes a começar a viver a vida que queria. Eu não poderia estragar tudo, não poderia fazê-la passar mais dois anos sozinha e triste. Ela merecia algo melhor.
Transar com ela não fazia parte do plano. Várias vezes durante a viagem quase perdi o controle, mas aquela noite em Vegas foi a gota d'água. Tentei com todas as forças não ceder, mas não era forte o suficiente. Fiquei desnorteado quando ela entrou no meu quarto. Nunca tinha feito amor daquele jeito com alguém na vida e, até hoje, não me arrependia. Aquela noite significou tudo para mim.
Meu dedo se demorou sobre a foto. Eu não conseguia olhar as outras. Mas também sabia que, enquanto eu vivesse, jamais as apagaria.
Quando coloquei o telefone de volta no bolso, meus dedos tocaram em um pedaço de metal. Eu o peguei. Brilhando sob a luz do sol estava a aliança de ouro falsa. Eu ainda a estava usando quando me entreguei. Girando-a entre o polegar e o indicador, a raiva começou a se acumular dentro de mim. Fiquei ali parado, olhando para o anel e tentando descobrir por que havia ficado tão enfurecido de repente.
E era por estar começando a duvidar se tinha tomado a decisão certa.
A pergunta de Emmett – a que eu nunca respondi – se repetiu na minha cabeça. "Deixe-me perguntar uma coisa. E se você descobrir que essa garota está por aí solteira? Você não acha que vale a pena se arriscar por uma segunda chance?"
Colocando o anel no dedo, respondi a mim mesmo:
— Porra, sim, valeria a pena.
Peguei o telefone do bolso. Meu coração estava batendo acelerado quando digitei no Google: Isabella Swan Temecula Califórnia.
* É cada história que me faz lembrar essa época da assistência rs.
E então, na opinião de vocês: O Edward ainda merece perdão?
