*Sem recomendação musical do dia, porque o tempo urge e preciso postar às quintas. HAHAHA
CAPÍTULO VINTE E UM
Pulei o café rotineiro na manhã de segunda e fui direto para a casa de Bella. Aquele seria um dia longo – eu daria os últimos retoques no curral do Pixy e me certificaria de que estaria tudo em ordem caso as coisas não saíssem conforme o planejado.
Parei para comprar dois burritos que eram os favoritos do cabrito – sem milho – e levei seu almoço para a janela. Observando-o comer tudo em poucas mordidas, acariciei-lhe a cabeça.
— Ouça, tenho que lhe dizer algo importante.
Ele estava muito ocupado lambendo a embalagem do burrito para prestar atenção em mim.
— Preciso que você saiba que, se eu for embora, não é por sua causa. Tudo bem?
— Béé.
— Tudo o que mais quero é te ver todos os dias e que nós três estejamos juntos. Só não sei mais se isso vai ser possível. Se não for, tenho que ir embora de novo porque isso vai me deixar muito triste e não vou conseguir ficar.
Ele olhou para mim com os olhos caídos. Mesmo que fosse cego, às vezes eu jurava que ele podia me ver.
— Prometo que, se isso acontecer, nunca vou te esquecer. Beleza, carinha?
Pixy descansou o queixo na minha mão, e eu fiz algo que nunca tinha feito. Estendendo a mão, beijei sua testa. Não era o tipo de beijo que eu esperava dar em Temecula, mas era a segunda melhor opção. Ele era o mascote oficial do tempo que eu tinha passado com Isabella, sempre no centro das boas lembranças que compartilhamos. Eu nunca o esqueceria. Tirei uma selfie de nós dois. Agora eu poderia riscar "beijar um cabrito" da minha lista de coisas a fazer na vida.
Pelo resto da tarde, saí em busca de flores-de-baunilha. Eu não queria roubá-las do arbusto que plantara, então precisava encontrar uma floricultura que as vendesse. Finalmente consegui comprar um buquê e o levei para o meu hotel.
Tomei banho, vesti um jeans escuro, uma camisa preta justa e passei um pouco de perfume. Estar bonito e cheiroso seria importante. Decidi não ligar para Bella antes. Eu não queria que ela tentasse me convencer a não ir. Então, aparecer na sua porta aquela noite seria uma aposta.
A noite estava clara. As luzes de dentro da casa iluminavam a rua.
Ela estava em casa.
Eu estava em casa.
Com o coração acelerado, estacionei a caminhonete na esquina e fiquei sentado lá por pelo menos vinte minutos, ensaiando o que iria dizer. Alguém saiu da casa na frente da qual eu estava estacionado.
A mulher balançava o traseiro e os seios pulavam para fora do decote quando se aproximou da caminhonete, vestindo uma camisola leve e chinelos. Quando vi o gesso na mão, lembrei que era a vizinha de Bella, Lauren. Agora, ela tinha um gesso na perna também. Essa garota era encrenca na certa.
— Oi, lindo. Vi sua caminhonete estacionada.
— Desculpe, não sabia que você morava aqui. Eu não devia ter estacionado em frente à sua casa.
— Você está de brincadeira? Fiquei toda animada e pensei que talvez você tivesse decidido que queria cuidar de mim também.
— Não, não estou no bairro a trabalho.
— Você gostaria de entrar e transar comigo, então?
— Uau, bem... hum... Apesar de ser uma oferta tentadora, tendo em vista o quanto você é... bonita... e tudo o mais, não estou disponível para isso, mas obrigado.
— Por que você não vem beber alguma coisa? Prometo que não vou morder.
— Não. Na verdade, estou indo para a casa da Bella.
Ela apoiou a mão engessada no quadril.
— Você sabe que a Bella tem namorado, né?
— Sei, sim.
— Bem, se mudar de ideia, sabe onde me encontrar. — Ela ergueu a cabeça para ver um carro que se aproximava. — Na verdade, parece que ele acabou de virar a esquina. Isso vai ser interessante.
— Quem?
— Aquele BMW que acabou de passar é do namorado da Bella.
Meu estômago retraiu. Merda.
Depois que Lauren finalmente me deixou em paz e voltou para casa, continuei sentado por mais um tempo, sem saber o que fazer. Pegando as flores, eu finalmente saí da caminhonete, planejando apenas deixá-las em sua porta.
Quando me aproximei, o que vi pela janela quase fez meu coração parar. Bella estava sentada no sofá e apoiava a cabeça no ombro de Jacob. Ela parecia contente. Em paz. Parecia que eles estavam assistindo a um filme.
Por mais que doesse ver aquilo, eu não conseguia desviar o olhar. Aquilo era tudo com que eu tinha sonhado. Não havia nada no mundo que eu quisesse mais do que voltar para casa todas as noites, para ela, e fazer exatamente isso – só estar com ela. A cada segundo, minhas dúvidas só cresciam. De repente, pela primeira vez desde que cheguei a Temecula – mesmo seguindo Bella a todo momento –, me senti como um estranho. Aquilo realmente mexeu comigo.
Enquanto a prisão tinha me feito parar no tempo, ele havia realmente passado. Isabella seguiu em frente.
Ela seguiu em frente.
Edward, seu grande idiota.
Foi por isso que você fez o que fez, lembra? Era o que você supostamente queria para ela.
Pelo menos vinte minutos se passaram depois dessa percepção, e eu ainda estava de pé no mesmo lugar, no gramado perfeito que eu mesmo tinha arrumado. Eu sabia por que estava me sentindo mal.
Eu estava de luto por ela.
Afastar-me de Isabella pela primeira vez a deixou arrasada, mas me afastando agora seria eu quem ficaria arrasado. Desta vez, eu não parecia saber como ir embora. Eu não poderia partir sem dizer adeus. Por enquanto, deixaria as flores na porta. Talvez mandasse uma mensagem ou ligasse no dia seguinte para dizer a ela que pretendia voltar para casa, em Hermosa Beach.
Aproximando-me da porta, ajoelhei-me para colocar as flores sobre o capacho. Um barulho me assustou. Pixy devia ter sentido meu cheiro ou algo assim. Ele apareceu na janela da sala de jantar, que ficava do lado oposto da porta da frente.
Ele começou a fazer "bééé" sem parar.
— Shh! — adverti.
Assim que comecei a me afastar, a luz de fora se acendeu, e a porta da frente foi aberta. Eu me virei.
Bella estava ali.
— Edward...
Levantando a mão lentamente, falei:
— Oi.
— O que você está fazendo aqui? — Ela olhou para baixo, viu as flores e se inclinou para pegá-las. — Estava deixando isso na minha porta?
— Sim. Eu não estava planejando entrar.
Jacob apareceu, colocando a mão possessivamente em torno da cintura fina de Bella. Meus olhos pousaram ali e subiram para encontrar a expressão assustada de Bella.
— Sr. Cullen — disse Jacob. — Em que nós podemos ajudá-lo?
Nós?
Vá se foder, otário.
— Só passei para deixar uma pequena demonstração de apreço pela assistência da Srta. Swan.
— Isso é gentil, mas você deveria ter ido ao escritório em vez de vir aqui.
Babaca.
— Na verdade, vou embora amanhã de manhã. Então esta foi a minha única oportunidade.
Isabella estava olhando para as flores. Ela imediatamente levantou a cabeça, e seus olhos encararam os meus.
— Está deixando a cidade?
— Sim. Meus negócios aqui chegaram ao fim. — Continuei olhando direto em seus olhos, então ela entendeu como era sério. — Eu não poderia ir embora sem me despedir.
Ela ficou ali, sem falar nada. Pixy estava de pé junto às pernas de Bella. Sabendo o que ele estava procurando, abaixei-me, fechando os olhos para deixá-lo lamber meu rosto pela última vez. Quando me levantei, Jacob, que parecia confuso a respeito do meu vínculo com o cabrito, olhou para o animal e para mim.
Puxando Bella para mais perto, falou:
— Bem, te desejamos tudo de bom.
— Obrigado. — Comecei a me afastar, antes de me virar uma última vez. Minha voz estava tensa. — Cuide bem dela.
Não me importei com o quanto esse último comentário tinha sido inadequado. Eu precisava falar.
Engolindo minha dor, atravessei o gramado sem olhar para trás. Eu não podia. Depois que virei a esquina, entrei na caminhonete e acelerei.
Fui direto para o hotel. Eu queria dar uma passada no bar para me despedir de Tanya, mas fiquei com medo de encher a cara. Algum dia, em breve, eu escreveria uma carta ou algo assim para que ela soubesse o quanto sua amizade significava para mim.
Isabella não me telefonou nem mandou mensagens. Isso só confirmou o fato de que partir era a melhor coisa que eu podia fazer.
Virando-me de um lado para o outro na cama, não consegui pegar no sono. Incapaz de livrar meu corpo da dor excruciante de saber que eu nunca a tocaria novamente, admiti minha derrota para a insônia. Sentei-me na beirada da cama, puxando o cabelo, frustrado enquanto olhava para a mala cheia e checava o telefone pela centésima vez.
Olhando para a minha mão, tirei a aliança de ouro falsa e a joguei na lata de lixo, com raiva. Uma parte minha não esperava que ela ligasse, mas outra, ainda maior, estava arrasada por ela não ter ligado. O que mais me incomodava era que ainda não conseguia imaginar meu futuro sem ela.
Uma batida na porta me assustou.
Como o hotel ficava em uma área ruim, certifiquei-me de olhar pelo olho mágico antes de abrir. Vi a versão distorcida de uma Bella perturbada. Meu coração confuso acelerou, apesar de ter perdido a esperança mais cedo.
Abri a porta, mas não disse nada. Ela passou por mim e se sentou na cama. Fiquei de pé em frente a ela. O silêncio enquanto nos olhávamos era ensurdecedor. Então, ela começou a falar.
— Esperei por seis horas no lobby do hotel naquele dia...
Quando uma lágrima escorreu por seu rosto, peguei um lenço de papel e o entreguei antes de me sentar ao seu lado.
Meu corpo ficou tenso na expectativa do que ela diria em seguida.
— Eu tinha tanta certeza de que você voltaria! Eu continuava repassando na minha cabeça o que você tinha falado no Arizona, quando fiquei com medo na noite em que você demorou para chegar quando foi comprar o jantar. Você disse que nunca faria aquilo comigo. Então me agarrei a isso por um tempo. Me senti como uma idiota, porque, mesmo que todas as suas coisas tivessem sumido, eu ainda acreditava que você voltaria. Sei que foram apenas oito dias juntos, mas me senti mais próxima de você do que de qualquer outra pessoa... Eu via um futuro ao seu lado.
Meu peito ficou apertado.
— Me diz o que aconteceu quando você chegou a Temecula. Preciso saber de tudo, mesmo que doa ouvir.
— Fiquei deprimida por um bom tempo. Me joguei no emprego novo. Alguns meses depois, conheci um cara, Mike. Ele se tornou um bom amigo. Ele era muito doce e bom para mim. Uns seis meses depois, começamos a namorar. Mike sabia tudo o que havia acontecido entre nós dois. — Ela riu um pouco, olhando para mim pela primeira vez. — Ele te odiava.
Sorri, mesmo que isso me machucasse por dentro. Ela continuou:
— Eu me fechei e não o deixei entrar. Continuava tão obcecada por você que, ainda que tivesse ido embora, você me machucava. Você ainda era tudo que eu queria, tudo pelo que eu ansiava. Aonde quer que eu fosse, tudo me lembrava de você. Mike sabia disso. Ele queria mais de mim do que eu poderia dar a ele. Ele queria meu coração e, mesmo que você o tivesse partido, ele ainda pertencia a você.
— E como você conheceu Jacob?
— Depois que Mike e eu terminamos, decidi que eu realmente precisava de ajuda. Entre a minha carreira, os meus namoros e até mesmo as minhas relações familiares... eu me sentia... presa. Comecei a fazer terapia. Isso me ajudou a fazer algumas mudanças e a parar de me culpar por sua partida. A terapia me ajudou a trabalhar a minha confiança e o sentimento de abandono. Ainda estou trabalhando nisso. Ela também me fez ver que eu tinha que aceitar que você não ia voltar. Quando Jacob apareceu, há sete meses, eu estava pronta para deixar alguém entrar na minha vida de novo. Ele foi contratado como sócio da empresa. Foi assim que nos conhecemos.
— Por mais que eu deteste admitir, ele parece ser um cara legal.
— Nunca contei a ele sobre você. Sim, ele é uma pessoa maravilhosa. Nós temos muitos interesses em comum. Ele me encoraja a seguir minha paixão. Foi por causa dele que comecei a me envolver no abrigo de animais.
— Isso é ótimo.
— Ele não foi a primeira pessoa a me inspirar dessa maneira. Isso foi algo que você fez por mim, Edward. Em pouco tempo, você me ensinou muito sobre como levar a vida. Mesmo que tenha me magoado, nunca me arrependi de ter te conhecido. Se eu voltasse no tempo, não mudaria nada. Isso é uma coisa que sempre me pareceu muito errada. Devo a você muito de quem sou agora.
— Você o ama?
Sem hesitar, ela respondeu:
— Sim. — Sua resposta parecia um tiro no meu peito.
Engolindo em seco, falei:
— Ok...
— Ando muito confusa. Apesar de me importar muito com Jacob, não vou mentir. Sua volta virou o meu mundo de cabeça para baixo. Eu nunca poderia ter adivinhado o verdadeiro motivo pelo qual você se foi. Tudo o que eu acreditava ser verdade... não é. Supus que você tinha me abandonado por outras razões.
— Pensei que estava te fazendo um favor.
— Por que você não queria que eu te esperasse? — Soando aflita, ela acrescentou: — Eu teria esperado por todos aqueles dias!
Acariciei seu cabelo. Não pude evitar.
— Nunca duvidei disso, mas achei que você ficaria ressentida comigo. Eu não sabia no que a prisão me transformaria e não queria que você ficasse esperando por um homem que talvez não valesse a pena. Na verdade, me tornei mais forte, mas eu não tinha como prever isso naquela época. E, mais do que tudo, você não merecia ter que colocar sua vida em espera quando estava tentando recomeçar.
— Embora agora eu entenda as coisas com mais clareza, a maneira como você foi embora foi muito traumatizante. Mesmo que as coisas fossem diferentes com Jacob, não sei se poderia acreditar inteiramente que você não iria embora de novo.
Ouvir aquilo me deixou desconfortável. Parei de fazer rodeios.
— Só me responda uma coisa: Voltei tarde demais?
Meu coração batia forte. Ela hesitou, e algo em seus olhos me deu um pouco de esperança. Senti como se fosse a minha última oportunidade e eu não era orgulhoso demais para implorar.
Ela ainda estava sentada na cama quando me ajoelhei, descansando a cabeça em seu colo.
— Só me diga o que fazer, Bella — repeti. — Só preciso saber o que tenho que fazer para você me dar outra chance.
Eu não era tocado por uma mulher havia mais de dois anos, então, quando ela passou os dedos pelo meu cabelo, a sensação foi inigualável. Minha respiração falhou, a dela estava irregular. Cada som que escapava dela ia direto para o meu pau. Estar tão perto assim me deixou desesperado por prová-la. Eu não estava muito longe de tirar proveito de sua atração sexual por mim.
Se tivesse que jogar sujo, eu o faria. Ainda em seu colo, falei lentamente:
— Deixe-me compensar as coisas com você. Juro que vai esquecer toda a dor. Você nem vai se lembrar do próprio nome.
— Não — murmurou ela.
Aproximei a boca da pele logo abaixo do seu umbigo e falei:
— Ele lhe dá prazer? Ele te dá o que você precisa de verdade?
Suas pernas tremiam.
— Edward, pare com isso.
A reação do seu corpo era o suficiente para mim. Eu estava de volta ao jogo.
— Princesa, olhe. A minha mala está arrumada. Estou pronto para ir embora. Tenho alguma razão para ficar? Você precisa me dizer.
Uma expressão de tormento passou por seu lindo rosto.
— Não posso prometer nada.
— Não pedi uma promessa. Pedi uma chance. Gostaria de ser seu amigo de novo... Como quando nos conhecemos.
Ela se levantou e começou a andar.
— Ainda estou com Jacob. Não vou traí-lo.
— Não pedi para você fazer isso, agora. — Caminhei lentamente até ela, tentando não parecer um leão à espreita, apesar dos meus sentimentos predatórios. — Então me deixe perguntar de novo. Você quer que eu fique?
Ela olhou nos meus olhos e sussurrou:
— Sim...
— Então vou ficar.
Ela se afastou.
— Tenho que ir. Disse a ele que ia comprar sorvete e abastecer o carro.
— É melhor você fazer isso, então. Tenha cuidado. Está tarde. Quando vou te ver de novo?
— Jacob tem uma reunião bem cedo. Encontre-me amanhã às nove no Starbucks.
— Nós? Juntos? No Starbucks?
— Sim, só não peça a mesma coisa que eu. É estranho.
Sorri.
Quando a porta se fechou, meu sorriso, antes sutil, tornou-se enorme e radiante. Caminhei até a lata de lixo, peguei o anel e o coloquei de volta no dedo.
Devagar e sempre se vence a corrida.
23:59 ainda é quinta-feira, certo? CERTO?
