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CAPÍTULO VINTE E DOIS
Fiquei acordado durante quase toda a noite, tentando montar algum grande esquema para fazer Isabella confiar em mim de novo. Depois de dois longos anos, eu não podia mais esperar para entrar na sua vida novamente – e em outros lugares – e sentia como se fosse explodir. Mas, no fim das contas, eu sabia que não havia muita coisa que pudesse fazer. Precisava acontecer da maneira como nós acontecemos antes. Sendo nós mesmos, um pouco de cada vez.
Mas isso não significava que eu não tentaria usar todas as vantagens que eu pudesse conseguir. Só significava que eu teria que usá-las aos poucos e devagar.
Durante o banho, fiquei pensando nas coisas que faziam brilhar os olhos de Bella. Estávamos em uma lanchonete e eu dava a ela minha comida quando presenciei isso pela primeira vez. Os ovos gordurosos e a linguiça estavam repletos de molho de pimenta, e tudo em que eu podia pensar era que nunca mais conseguiria desfrutar de uma refeição sozinho depois de vê-la comendo das minhas mãos. Eu também tinha certeza de que ela gostava do meu sotaque.
Com essas duas coisinhas em mente, meu banho durou um pouco mais do que previra, mas eu estava pronto para o café da manhã. E eu estava com fome de Bella.
Parei em uma delicatéssen local e comprei alguns itens para o meu café da manhã australiano. Antes de ir a Temecula, roubara da minha irmã algumas das minhas guloseimas favoritas. Cheguei mais cedo ao Starbucks, carregando uma grande bolsa de mercado, pois queria organizar o café da manhã com Angela antes de Bella chegar.
— Você está atrasado hoje. — Angela pegou um copo e começou a escrever nele para entregá-lo ao barista que estava atrás dela.
— Pode fazer dois? Vou me encontrar com alguém para o café da manhã. — Meu sorriso arrogante foi o suficiente para que ela soubesse de quem eu estava falando.
Angela arregalou os olhos. Ela realmente parecia animada por mim.
— Você quer dizer que vai tomar café com ela em vez de só deixar pago?
— Sim.
Ela bateu palmas.
— Eu sabia! Jacob é um cara legal e tudo o mais, mas não é a mesma coisa. Você trouxe à tona um lado da Bella que nunca tínhamos visto.
Eu esperava que aquele lado fosse a verdadeira Bella, e que ainda estivesse escondido para mim. Perguntei-me se o bom e velho Jake sabia que minha garota era boa de briga e um pouco safadinha. Esperava que não.
— Ouça, Angela. Importa-se que eu tenha trazido algumas coisas para comer com Bella?
— Claro que não. De forma alguma. Faça o que for necessário.
— Obrigado.
Escolhi a melhor mesa do lugar: no canto, com duas cadeiras de couro marrom. Aproximei as cadeiras antes de colocar nosso café na mesa. Bella apareceu às nove em ponto.
Fiquei de pé quando ela se aproximou. Houve um momento incômodo no início. Eu queria me inclinar e beijá-la, mesmo que fosse só na bochecha, mas sua linguagem corporal era rígida – quase nervosa.
— Bom dia. — Assenti.
Ela forçou um sorriso tímido.
— Oi.
Gesticulei para a mesa atrás de mim.
— Nosso café está servido.
Ela se sentou.
— O que é tudo isso?
— Café da manhã australiano.
— Café da manhã australiano? Aqui no Starbucks?
— Eu meio que o trouxe. Angela disse que não tinha problema.
Bella virou-se para trás. Angela e mais dois funcionários nos observavam descaradamente, com sorrisos enormes nos rostos. Ela revirou os olhos quando olhou para mim.
— O que trouxe de bom?
Sorri. Ela franziu o cenho.
— Precisamos definir algumas regras básicas — ela disse.
— Então você já está me preparando para falhar.
— Do que você está falando?
— Você sabe que, se criar regras, não vou me controlar. Vou precisar quebrá-las.
— Regra número um: Não quebrar as regras.
— Isso é um pouco extremo, não é? Se eu quebrar a regra número quatro, então estarei quebrando duas regras. Você está dificultando as coisas.
— Eu poderia ir embora.
— Por que você faria isso? Gosto mais de você quando está sendo difícil.
— Você faria isso, não eu.
— Por que não arrumamos algo para você comer? Acho que está mais irritada do que o normal porque ainda não comeu.
— Ok.
Ela olhou para a comida na mesa e umedeceu os lábios.
Merda. Isso ia ser mais difícil do que eu pensava. Peguei uma torrada e mostrei a ela.
— Isso é Vegemite. Os australianos adoram. — Minha irmã e eu podíamos ter saído da Austrália, mas havia certas coisas das quais não conseguíamos nos separar.
— Parece meio... nojento.
— Se você comer sozinho, pode até ser, mas com manteiga fica incrível.
Ofereci a torrada a ela. Bella tentou tirá-la da minha mão, mas puxei-a para longe do seu alcance.
— Tradição australiana. Um alimenta o outro com o Vegemite. É uma espécie de oferta de paz entre novos amigos. — Tudo bem, essa parte eu inventei, mas tinha deixado passar o beijo quando ela chegou, então precisava de alguma coisa.
Ela balançou a cabeça, mas pareceu se divertir. Bella abriu a boca e fechou os olhos.
Jesus Cristo. Essa mulher ia ser a minha morte. Dois anos. Agora eu tinha que ficar olhando para a pessoa com quem sonhara durante todo esse tempo com a boca aberta e os olhos fechados esperando por mim. E eu achei que a prisão era um teste de resistência.
Ao contrário da maioria dos americanos, Bella gostou do Vegemite. Por alguma estranha razão, eu sabia que ela ia gostar. Juntos, devoramos tudo o que eu trouxera enquanto evitávamos uma conversa séria e ficávamos de papo furado. Eu sabia que, para começar a reconquistar a sua confiança, ela precisava ver o quanto Alice significava para mim. Eu também queria me abrir para ela – transparência incentivava a confiança. Dr. Phil era um dos programas permitidos na prisão.
— Quando Alice e eu éramos crianças, eu adorava pregar peças nela. Eu a embrulhava com filme de PVC enquanto ela dormia. Também colocava filme de PVC no vaso sanitário para que ela fizesse xixi no chão. Escondia-me debaixo da cama, até que ela entrasse e apagasse a luz. Aí eu saía e a assustava.
— E eu sentia falta de ter um irmão.
— Bom... Ela fez o mesmo comigo uma vez. — Ofereci o último pedaço da torrada, e ela não hesitou em aceitar. Por que eu adorava o fato de ela pedir saladas com Jacob, mas me deixar enchê-la de carboidrato e calorias?
— O que ela fez?
— Ela devia ter uns oito ou nove anos, então eu provavelmente tinha uns dez ou onze. Só pensava em futebol e garotas. Havia uma menina de quem eu estava a fim, que parecia estar interessada em mim também. A Izzy. Um dia, ela estava assistindo ao meu treino, e eu estava me exibindo... fazendo embaixadinhas e tudo o mais. Izzy ficou impressionada. Ela estava na minha. Até que me virei.
— O que Alice fez?
— Ela encheu a parte de trás do meu uniforme branco com Vegemite. Você o comeu com torrada, mas não é bonito de se ver.
Ela riu.
— Fico feliz que você só tenha me contado isso depois que terminamos de comer.
— Izzy perdeu o interesse, e eu virei o Edward das calças borradas.
Nós dois gargalhamos.
— E pensar que anos mais tarde o traseiro das calças sujas se tornaria famoso.
— Esse cartaz tem meu rosto também, sabia? Só um pedaço da minha bunda está à mostra.
— Confie em mim. É a bunda que faz o pôster ser vendido.
— Você está dizendo que gosta mais do meu traseiro do que do meu rosto?
Ela balançou a cabeça e não respondeu, mas suas bochechas coraram um pouco.
— Então, como você se vingou de Alice?
— Não me vinguei. — Dei de ombros. — Na verdade, fiquei orgulhoso dela.
Conversamos por mais duas horas. Sobre nada. Sobre tudo. Eu poderia ter ficado ali sentado por dias. Quando o telefone de Bella vibrou sobre a mesa, nós dois vimos o nome que piscava no visor: Jacob.
— Preciso ir. Não acredito que estamos sentados aqui há duas horas e meia. Nem avisei no escritório que ia chegar atrasada. — Ela se levantou, e eu a imitei. — Quais são seus planos para hoje?
— Levar vira-latas para passear, cuidar do jardim da minha advogada. O de sempre.
Ela remexeu o bolso e pegou um chaveiro. Então tirou uma chave da argola e a ofereceu para mim.
— Aqui. No caso de você precisar usar o banheiro ou qualquer coisa do tipo enquanto estiver trabalhando.
Aquilo significava muito mais do que só um lugar para me aliviar. Peguei a chave de sua mão e uni meus dedos aos dela.
— Obrigado.
Dei um passo mais perto. Porra, ela estava cheirosa.
— Private Collection Tuberose Gardenia — murmurei.
O próprio Pavlov salivaria ao saber como eu estava condicionado àquele cheiro. Ele me arremeteu à primeira noite nos nossos quartos de hotel. O cheiro permeava o banheiro e a lingerie de renda preta que ela deixara na pia.
Merda. Aliviar-me não ajudou a saciar a sede que eu sentia quando estava ao seu lado. Minha calça estava ficando apertada.
— Você lembrou o nome do meu perfume.
Não pude evitar dessa vez. Passei o braço ao redor do seu pescoço e a puxei com firmeza para um abraço.
— Eu me lembro de tudo sobre você — sussurrei em seu ouvido.
Ela estava ruborizada quando nos separamos, mas seu rosto ficou vermelho quando olhou para baixo e percebeu a protuberância em minha calça jeans.
— Faz mais de dois anos — expliquei.
— Você não...?
— Estive dentro de uma mulher em dois anos. — Então pensei melhor e reformulei: — Não toquei em outras mulheres desde que te conheci. E não planejo tocar.
Observei sua garganta engolir antes que ela falasse.
— Obrigada pelo café da manhã.
— Quando vou te ver de novo, princesa?
— Tenho um compromisso fora da cidade amanhã de manhã. Provavelmente vou pegar a estrada cedo e volto à tarde. Posso te mandar uma mensagem depois de amanhã talvez.
Odiei sua resposta, mas aceitei.
— Tenha uma boa viagem.
Levei alguns cães para passear, fui à academia e decidi não ir à casa de Bella. Depois do tempo que passamos juntos de manhã, eu não queria estragar tudo quando ela voltasse para casa e me encontrasse ali. E não havia dúvidas de que, uma vez que entrasse em sua casa, eu faria uma investigação completa. Portanto, em vez disso, tomei banho e fui passar um tempo com a minha bartender favorita. O lugar estava sempre vazio àquela hora.
— Você está muito gata hoje, Tanya. — Ela usava uma camisa vermelha com bolinhas brancas, amarrada logo abaixo dos seios fartos, revelando uma faixa de pele lisa. Seu cabelo, estilo pinup, estava preso no alto com um lenço vermelho.
Ela me serviu uma bebida.
— Você está de bom humor hoje. Finalmente criou coragem e foi atrás daquela mulher?
— Estou trabalhando nisso.
— Faz duas semanas que você está trabalhando nisso.
— É uma maratona, não uma corrida de velocidade. — Dei um grande gole na minha bebida.
— Quem é você, o Dalai Lama?
— Estou começando a me sentir como um monge budista. Eles também não dormem com ninguém, não é?
— Deixe-me perguntar uma coisa. Por que você não vai a um bar e pega uma mulher que esteja a fim e termina logo com isso? Faz muito tempo. Vá transar. Sexo suado, corpos batendo, sem significado, sexo puro e simples. Talvez faça você se sentir melhor.
Honestamente, eu tinha notado algumas mulheres ultimamente. Eu teria que estar morto para não notar. No entanto, meu corpo não sentia desejo por mais ninguém.
— Eu me sentiria como se a estivesse traindo.
— Mesmo que ela esteja transando com alguém?
Isso doeu pra caramba.
— Valeu, Tanya.
— Desculpe. — Ela sorriu. — Mas me avise se você mudar de ideia.
Olhei para o anel no meu dedo. Os votos de casamento podiam ter sido ditos quando eu estava bêbado na frente de um Elvis, mas tinham sido sinceros. Comecei a me perguntar se Bella se lembrava dos nossos votos, agora que eu estava de volta em sua vida.
Ok, falha minha, segunda-feira cheia. Mas ainda estou aqui!
Nathalia Teixeira: As postagens são feitas às segundas e quintas, amore. Pronto! O capítulo está fresquinho na sua mesa! ahahhaha s2
E cadê a fofa da CarlieRCullen? Sumiu, é?
Meninas pontuais: vocês fazem do meu hobby um novo nível de satisfação, OBRIGADA!
