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CAPÍTULO VINTE E SEIS


Mal dormi depois da bomba que Bella jogou na noite anterior. Eu sabia que estávamos começando a nos aproximar, embora ela ainda estivesse lutando contra. Duas semanas não era muito tempo para recuperar sua confiança. Mas que escolha eu tinha?

Treze dias. Peguei o celular e olhei para o relógio. Os malditos minutos pareciam correr mais rápido que nunca. Na prisão, esperar um dia passar parecia uma eternidade. No entanto, agora, parecia que os ponteiros do relógio giravam em alta velocidade.

Fui para o Starbucks, pedi um café e paguei um para Bella. Também pedi um bolinho de maçã e dei instruções a Angela para esquentá-lo antes de entregá-lo para a minha garota. Esperava que ela se lembrasse da nossa viagem de moto para comer torta de maçã.

Meu cérebro ainda estava exausto, e eu precisava afastar dele a sensação crescente de frustração, então fui para a academia. Era meio-dia quando finalmente fiz meus músculos queimarem o suficiente para pensar em algo além dos treze dias.

Sem saber o que fazer, fui para a casa de Isabella com mais uma dúzia de mudas de flores. Eu me ocuparia, mas, em apenas duas semanas, outra pessoa iria apreciar o jardim. No entanto, eu não podia ceder a esse pensamento agora. Estava voltando do quintal com um carrinho de mão cheio de folhas quando vi Jacob estacionar no meio-fio. Ele olhou para mim, e eu não tive mais vontade de me esconder.

Talvez ele não me reconhecesse sem camisa e suado. Continuei caminhando enquanto ele se aproximava.

— Sr. Cullen? — Ele cerrou os olhos, claramente confuso com a minha aparência.

— Sou eu. Em que posso ajudar?

— O que você está fazendo aqui?

Olhei para o carrinho de mão e de volta para Jacob com um rosto que dizia: "Você não consegue adivinhar, não?".

— Plantando flores. — Dei de ombros.

— Estou vendo. Mas por que você está plantando flores aqui?

— Acho que é porque Bella gosta de flores. — Algo que você, obviamente, não sabia ou não se importava.

Jacob cruzou os braços sobre o peito.

— Achei que você fosse voltar para a Austrália.

Minha mandíbula se apertou. Eu estava dividido entre repreender o idiota por não cuidar da casa de Bella ou dar um soco em seu rosto por tentar levar a mulher que eu amava embora. Nesse momento, o carro de Bella virou a esquina.

Não importava o quanto eu quisesse arruinar as coisas, eu não podia fazer isso com ela.

— Aaah. — Acenei, como se algo simplesmente tivesse me ocorrido. — Você deve achar que sou meu irmão, Edward.

— Como é?

— Edward. Ele é o irmão mais bonito, com certeza, mas somos gêmeos idênticos. Sou Jamie. — Estendi a mão. Ele pareceu não acreditar por um momento, mas daí o idiota caiu como um patinho. Minha mão estava quente, suada e suja. O esnobe, usando um terno, parecia querer encontrar um lugar para limpar a mão depois de ter me cumprimentado. Não está acostumado com mãos de homens, não é, Jake querido?

— Bem, isso explica. Seu irmão era cliente de Isabella. Eu o conheci no escritório.

— Sim. Eu a indiquei para ele. Não há mais ninguém com permissão para tocar no volume dos irmãos Cullen. Só Bella.

— Como?

— Volume. É o nome que a gente dá para papelada importante.

Ele acenou com a cabeça e olhou para o meio-fio enquanto Bella estacionava.

Idiota. Chupa aqui o meu volume.

Como eu, supostamente, não sabia quem ele era, poderia sacaneá-lo um pouco.

— O que está achando do lugar? Está ficando bom, não é? Isso estava uma verdadeira bagunça quando cheguei. Fiquei surpreso por saber que Bella não tem um homem em casa para ajudar a cuidar direito das coisas.

Jacob limpou a garganta.

— Ela tem. Só não é alguém que tem tempo ou goste de fazer esse tipo de trabalho.

— Que pena. Bella precisa de um homem que se ocupe de todas as suas necessidades.

Jacob semicerrou os olhos para mim enquanto Isabella saía correndo do carro. Ela estava pálida e parecia cansada.

— Você não me disse que o irmão do sr. Cullen era seu paisagista — ele disse a Bella.

— Irmão? — Bella olhou para mim, e eu sorri.

— Quando cheguei, achei que o Jamie aqui fosse Edward. — Então o idiota acrescentou: — Agora posso ver a diferença, é claro. Gêmeos sempre têm diferenças ao redor dos olhos.

— James? — A cara de pânico de Bella deu lugar a um sorrisinho.

Dirigi-me a Jacob.

— Bella me chama de James. Ela não gosta muito de apelidos, não é?

Ele ignorou meu comentário. Tive a sensação de que o idiota ignorava quem não usava terno. Em vez disso, ele disse a Bella:

— Eu estava prestes a dizer ao Jamie que seus serviços não serão mais necessários, já que iremos para Boston em breve.

Bella falou baixinho:

— Isso ainda não foi decidido.

— Eu te falei. É só uma formalidade. Já conversei com os sócios. Eles querem você. — Jacob colocou a mão nas costas de Isabella. Eu mal conseguia me impedir de tirá-la dali. — Prazer em conhecê-lo, sr. Cullen. — Ele não se incomodou em olhar para mim. — É melhor pegar aquele arquivo, linda, ou vamos nos atrasar para o depoimento.

Bella assentiu. Ela olhou por cima do ombro duas vezes antes de desaparecer dentro de casa. Alguns minutos depois, eles saíram juntos novamente. Jacob acenou para mim, e Bella olhou para baixo enquanto passavam. Eu tinha começado a cavar um buraco para colocar as flores quando eles entraram, mas tinha me esquecido de parar. Agora tinha uma cratera profunda que batia na minha cintura. Eu não podia olhar para o meio-fio quando eles entraram nos carros.

Eu quase não conseguia me conter.

Um dos carros se afastou. Quando não ouvi o segundo ser ligado, olhei para a rua. Jacob tinha ido embora, mas Bella ainda estava sentada dentro do carro. Sua cabeça estava inclinada contra o volante. Fui até lá e me sentei no banco do carona.

Nenhum de nós disse uma palavra por um instante.

— O que eu devo fazer? — ela finalmente sussurrou.

Soltei um longo suspiro.

— Faça o que seu coração está mandando, Isabella. Se não for ficar comigo... isso vai doer, não vou mentir. Mas quero que você seja feliz. É por isso que tenho certeza de que estou apaixonado por você. Se a escolha é você estar feliz ou eu... não há escolha. Você vem primeiro.

Ela assentiu.

— Acredito em você, sabe disso.

Peguei sua mão do volante e a levei à boca, beijando-a.

— Pois você deveria acreditar. Porque estou falando sério. Não há nada que eu não faça por você, princesa.

Ela sorriu. Foi um passo na direção certa. Ela acreditou em mim.

— É melhor eu ir. Temos um depoimento no centro em quinze minutos, e eu ando tão preocupada que nem percebi que o arquivo estava em casa.

Abri a porta do carro. Se tivéssemos mais tempo, eu teria preferido acabar a conversa ali mesmo. Mais treze dias. Tive que perguntar:

— Vem pra casa comigo esse fim de semana?

— Edward...

— Eu sei, mas não tenho mais o tempo a meu favor. Você tem uma decisão a tomar, e Jacob fica com você o tempo todo. Quero te levar para casa comigo. Mostrar como a nossa vida pode ser. Nada de viagens loucas pela estrada. Sem interrupções. Só você e eu. Se você vai fazer essa escolha, seja justa.

— Eu já te disse. Não posso ficar com você assim. Jacob é um bom homem. Não seria justo enganá-lo. Nosso beijo na outra noite foi ruim o suficiente.

— Ruim? Achei que tinha sido fenomenal.

— Não foi isso o que quis dizer e você sabe disso.

— Tudo bem. Não vou te tocar. Sexualmente, quero dizer. Não vou.

Ela olhou para mim como se não acreditasse na genuinidade das minhas intenções.

— Confie em mim. Você tem a minha palavra. Não vou tocar um dedo em você de uma forma sexual. — Parecia que ela estava considerando a possibilidade. Provavelmente deveria ter mantido minha boca fechada, mas não seria eu se fizesse isso. — E quando você vier para cima de mim, vou te afastar.

Ela ergueu as sobrancelhas.

— "Quando"?

— Isso mesmo. Quando.

— Está muito seguro de si, não é, seu abusado?

Ela não fazia ideia do que a ouvir me chamar de abusado fazia comigo.

— Estou. Parece que a única que não pode se controlar aqui é você.

— Posso me controlar completamente perto de você.

Eu me inclinei.

— Então venha comigo. Me dê um fim de semana antes de decidir. Por favor.

Ela parecia dividida.

— Preciso pensar a respeito.

Isso era melhor que um não.

— Tudo bem.

— É melhor eu ir agora.

Saí do carro e fiquei ao seu lado quando ela ligou o motor. Logo antes de se afastar, ela abriu a janela.

— Que boa escolha de nome, a propósito, James Cullen. — Então ela desapareceu.

Dois dias se passaram desde a última vez em que falara com Bella em seu jardim, e eu ainda não tinha tido notícias dela.

Onze dias. O tempo estava correndo e não havia merda nenhuma que eu pudesse fazer a respeito.

Exceto ficar bêbado.

Havia uma grande possibilidade de que eu tivesse bebido mais sentado naquele barzinho do outro lado da rua do hotel do que nos últimos cinco anos da minha vida.

— Tanya. Sirva-me mais um.

— Não acha que já bebeu demais, gato?

Meu cérebro ainda estava funcionando.

— Não. Nem cheguei perto disso. — Segurei o copo e balancei o gelo.

Ela o pegou, encheu com o que eu suspeitava ser água tônica, passou para o outro lado do balcão e se sentou ao meu lado. Era quase hora de fechar, e eu estava sentado naquele banquinho por quase seis horas. Éramos os únicos no bar.

Tanya esperou até que eu a olhasse diretamente nos olhos antes de falar.

— Ela é uma idiota. Você é um cara ótimo. Nem preciso conhecer esse Jacob para ter certeza de que ela está cometendo um grande erro. E não é só porque você é gato e tem um corpo que com certeza combina com esse rosto perfeito. É porque você está comprometido.

Zombei.

— Eu deveria estar comprometido, certo?

— Estou falando sério, Edward. Se um cara fizesse metade do esforço que você está fazendo, eu ficaria impressionada. Você está disposto a conquistá-la dia após dia, mesmo sabendo que ela pode muito bem pisar no seu coração.

— Obrigado.

— Por nada. Mas é a verdade. Além do mais... vi uma dúzia de mulheres dando em cima de você aqui, e você nunca, nem uma vez sequer, prestou atenção. Considerando o fato de que você não transa com ninguém há mais de dois anos, isso é um grande feito.

— Onze dias. Suponho que talvez eu tenha que descobrir como voltar ao mundo dos solteiros se as coisas não derem certo.

— Vamos combinar uma coisa: Se as coisas não derem certo, você me encontra aqui. Eu ficaria honrada em ajudá-lo com isso. Sem papo. Sem compromisso. Só vamos para o seu quarto e eu deixo você montar em mim para afastar as frustrações, cowboy.

— Você faria isso por mim? — meu cérebro grogue piscou aturdido.

— Por você? Pensei em fazer isso desde o dia em que você entrou por aquela porta. — Ela me deu um beijo rápido nos lábios e me mandou embora.


Tanya não perde a vez e a Bella... Bem, a Bella tá me enchendo o saco nessa indecisão kkkkk.

Eu ESQUECI que segunda era emenda de feriado de carnaval e, como não trabalhei, tava nessa de fim de semana estendido. Desculpem haha.