~EPÍLOGO~
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Um ano depois, Las Vegas
Isabella
Edward e eu paramos em frente à porta da pequena capela branca, o lugar em que celebramos o nosso casamento falso mais de três anos antes. Minha pele se arrepiou porque senti como se tudo tivesse acontecido ontem. Estar ali era nostálgico e, ao mesmo tempo, me deixou um pouco triste pelos anos que perdemos.
Com os cabelos vermelhos encaracolados e vestindo uma blusa colorida, Victoria parecia a mesma de três anos antes. Ela semicerrou os olhos e olhou diretamente para Edward.
— Você não esteve aqui antes?
Ele sorriu. Voltar tinha sido ideia dele.
— Você é muito perspicaz. Mas desta vez temos um horário agendado. Está em nome de Cullen. Às seis horas — disse Edward, levantando o pedaço de papel. — E uma licença de casamento. Vamos nos casar de verdade.
Ela estalou o dedo.
— É mesmo! Você é o cara australiano... Como eu poderia me esquecer daqueles votos? Eu devia ter imaginado que vocês dois eram pra valer. Um dos poucos casais em que pensei depois. Por que demoraram tanto para voltar?
— É, tivemos alguns contratempos durante o resto da viagem. Mas estamos aqui firmes e fortes, não é verdade, princesa?
Ouvi-lo dizer aquilo era agridoce. Sempre que eu pensava nos dois anos em que ficamos separados, ficava incrivelmente triste. Ele olhou para mim com ar apaixonado. Deus, como eu tive a sorte de encontrar um homem que me amava tanto?
— Podemos começar? — perguntou Victoria.
— Sim. — Sorri, ainda olhando para os olhos verdes de Edward.
Alice e seu namorado, Jasper, eram as testemunhas. Como fomos dirigindo, levamos o Pixy junto. Ele era o padrinho.
Já usando um vestido da minha escolha, vim preparada desta vez. Edward estava incrivelmente sexy em uma camisa de linho branco com as mangas enroladas e uma calça que abraçava a sua bunda deslumbrante – aquela que ainda ajudava a nos sustentar até hoje. Eu tinha desistido da carreira de advogada para trabalhar em algo muito mais gratificante. Cuidava do abrigo de animais em Hermosa Beach.
O salário era uma porcaria, mas todo dia eu não via a hora de me levantar e ficar com os animais e nunca temia ir para o trabalho. Edward ainda ganhava um bom dinheiro com os royalties de sua carreira de modelo de futebol, mas também abriu seu próprio negócio de paisagismo com uma grande equipe de funcionários. Ele ainda fazia sua arte com sucata em paralelo.
Quando seguia pelo corredor, a canção que Edward escolhera me pegou desprevenida: "The Long and Winding Road", dos Beatles. Não era convencional para a ocasião, mas o significado era completamente perfeito para nós. Era de imaginar que, depois de todo esse tempo, eu não estaria nervosa, mas minhas mãos tremiam. Não foi diferente da primeira cerimônia.
Elvis falou:
— Se alguém se opõe a este matrimônio, fale agora ou cale-se para sempre.
Como se estivesse seguindo a sugestão, Pixy soltou um longo "béééé".
Edward se virou e brincou:
— Você tinha que criar problemas agora, não é, carinha?
— Quem oferece a mão desta mulher em casamento a este homem?
Alice falou atrás de mim:
— Eu. — Nós duas nos tornamos irmãs. Eu estava grata pela minha nova família.
Me emocionei quando Edward segurou minhas mãos e disse:
— Queria que a mamãe tivesse te conhecido.
Elvis interrompeu nosso momento particular:
— Vocês vão usar os votos padrão ou cada um tem o seu?
Respondemos na mesma hora:
— Padrão — disse Edward, enquanto eu falei:
— Tenho o meu.
Ele pareceu atordoado quando se inclinou e sussurrou:
— Princesa, você escreveu seus votos? Só queria me casar de verdade com você o mais rápido possível. Eu tinha pensado em abrir mão deles dessa vez.
Balançando a cabeça, eu disse:
— É a minha vez. Tenho algo a dizer.
Quando Edward terminou de repetir os votos que Elvis dissera, limpei a garganta. Como eu poderia colocar em palavras o que ele significava para mim? Respirando fundo, organizei meus pensamentos antes de falar.
— Edward, quando nos conhecemos, eu não soube pelo quê havia sido atingida. A única coisa que eu sabia era que, pela primeira vez, estava vivendo o momento. Você me mostrou o que é realmente importante na vida em pouco mais de uma semana. Me ensinou a aproveitá-la e a não me levar tão a sério. Você me deixou tão apaixonada que, mesmo quando eu ainda acreditava que você me machucaria de novo, não pude mais me afastar. Só podia fingir que não me importava mais. Naquela época, pensei que te amava. Mas eu mal sabia que nossa verdadeira história de amor sequer tinha começado. Eu te amei mais ainda quando você voltou e lutou por mim com todas as suas armas. Dia após dia, você deixou de lado seu orgulho e nunca desistiu de mim, mesmo quando eu fiz você acreditar que nós não ficaríamos juntos. Você reconquistou minha confiança... Disse que queria que a sua mãe tivesse me conhecido. Bem, eu também queria que ela estivesse aqui, assim eu poderia agradecer a ela pelo modo como te criou. E pensar que, se tivesse feito outro caminho, eu poderia nunca ter te conhecido no posto de gasolina em Nebraska. Um único minuto pode mudar uma vida inteira. No entanto, ainda sinto que, de alguma forma, nós teríamos nos encontrado. Porque agora eu sei que você é minha alma gêmea. A estrada que nos trouxe até aqui nem sempre foi fácil, mas nos fez mais fortes e mais prontos do que nunca para irmos para onde a vida nos levar. Mal posso esperar pela próxima aventura. Eu te amo, Edward.
Acho que nunca tinha visto Edward chorar, mas seus olhos estavam começando a brilhar quando murmurou:
— Eu te amo, princesa.
Elvis nos orientou a trocar as alianças. Edward sempre se recusou a tirar a antiga, mesmo que tivesse deixado seu dedo verde. Deslizei uma nova aliança platinada no lugar. Edward me surpreendera com um anel de diamante de corte princesa alguns meses antes. Ele colocou uma aliança de diamante junto do anel de noivado.
— Pelo poder investido a mim pelo estado de Nevada, pode beijar a noiva.
Edward me ergueu em seus braços e me beijou como se não houvesse amanhã. Seus lábios quentes contra os meus e a certeza de que ele era oficialmente meu marido me faziam pensar que eu estava no céu. Pixy estava ficando impaciente e começou a soltar "béééés" enquanto Alice e Jasper aplaudiam.
Edward me colocou no chão, e Victoria falou atrás de nós:
— Esse beijo! Agora sei exatamente por que me lembro de vocês dois.
Victoria tirou fotos de nós dois sozinhos e depois com Alice e Pixy.
Reservamos um quarto no mesmo hotel em que nos hospedamos três anos antes e planejamos ficar em Las Vegas para uma curta lua de mel. Allie e Jasper levariam Pixy para casa. Nos despedimos, já que eles estavam voltando para Hermosa Beach.
Quando saímos da capela para o calor e o pôr do sol de Las Vegas, havia uma surpresa especial à espera de Edward.
Ele começou a rir quando viu o BMW preto do mesmo modelo que o da nossa primeira viagem.
— Você alugou um Beemer?
BEE-MA. Meu amor por seu sotaque nunca diminuía.
— Sei que íamos voltar para casa de avião, mas achei que seria legal.
Alice tinha decorado o carro com letras brilhantes na parte de trás: Recém-casados... de novo. Mas eu estava mais animada para mostrar a ele algo que estava lá dentro.
— É perfeito. Devo dirigir, sra. Cullen?
— Sim. Acho que gostaria de apenas olhar para o meu lindo marido sem distrações.
Quando entramos no carro, um grande sorriso se espalhou pelo rosto de Edward assim que ele pôs os olhos no console.
— Sr. Obama! Você o guardou por todos esses anos?
— Tenho que te contar uma história. Quando cheguei a Temecula e troquei o BMW, deixei a miniatura dentro do carro. Uma funcionária da concessionária correu atrás de mim e me perguntou se eu não iria levá-la comigo. Eu disse que ela podia ficar com ela. Eu estava tentando me livrar de todos os sinais físicos de você, porque te perder me machucou muito. Você ainda estava no meu coração, e eu não estava conseguindo superar, então fiz o que pude para remover todas as lembranças.
Ele suspirou enquanto me olhava com culpa.
— Algumas semanas depois, estava estacionada em um posto de gasolina. Em um carro ao meu lado, um garoto com cerca de doze anos estava esperando que seu pai saísse do mercado. Então notei a miniatura. Eu simplesmente não podia acreditar. Sabia que era a nossa. Perguntei onde ele a havia comprado. Ele disse que seu pai dera a ele, e o pai trabalhava na concessionária. Eu não sabia o que aquilo significava, mas, de alguma forma, senti como se fosse um sinal de que eu não deveria desistir de você. Perguntei quanto ele queria pelo boneco. Ele me cobrou dez dólares, mas eu pagaria qualquer valor. Naquele dia, fiquei arrasada. Mesmo que ainda me forçasse a seguir em frente, quando você reapareceu pensei imediatamente na miniatura e soube que o universo tinha tentado me dizer para te esperar, para não desistir. — Lágrimas começaram a cair dos meus olhos quando pensei na sorte que tive quando Edward voltou para mim.
— Essa história é incrível, princesa. — Edward passou os dedos pelas lágrimas que caíam dos meus olhos e disse: — Obrigado por me dar essa segunda chance.
Ele se inclinou e beijou minha barriga de cinco meses, que se estendia através da renda do vestido com cintura império. O bebê que estávamos esperando receberia o nome do pai.
Minha segunda chance.
Edward manteve a cabeça apoiada em meu ventre. Passei os dedos pelos cabelos dele e disse:
— É justo. Eu lhe dei sua segunda chance e agora você está me dando a minha.
Fico por aqui com mais uma adaptação, que eu espero muito que vocês tenham gostado. Vou ficar uns 10 ou 12 dias de boinha, pensando na próxima adaptação ou se vem algo original (por que não?) a seguir. Perto do fim de março estarei de volta e espero que vocês todas também! :)
Muito obrigada por todas as reviews, elas são incrivelmente gratificantes para mim. Até!
Marcella Bonifácio.
