CERTAMES TROCADOS

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PAÍS DOS RIOS, PROXIMIDADES DE TANIGAKURE, ÁREA DOS CHALÉS – DIA 6 – 07:04.

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A manhã começou com poucos pássaros cantando e um sol tímido escondido atrás das nuvens. Tudo estava tranquilo, contribuindo para que todos no chalé continuassem em suas camas, excerto o pequeno Gaara.

A criança já estava na sua quinta viagem do quarto para algum outro lugar da casa, levando várias de suas pelúcias novas nos braços. Os irmãos já haviam notado, mas fingiam dormir esperando ele acabar o que estava fazendo para irem ver o que era.

— Ele é fofinho até sendo levado, jaan... — a fala de Kankuro era praticamente um sussurro.

— E se ele estiver fazendo algo perigoso? — a voz de Temari também estava em tom baixo, mas era carregada de preocupação.

— Com pelúcias? Claro que não. — dessa vez Kankuro fala olhando para ela — Ele deve estar brincando com elas na sala, algo assim...

— Acha que o Shikamaru já acordou? — ela olhava na direção da porta, assim que percebe que o irmão se aproximava, ela fecha os olhos e finge dormir de novo.

— Não. — a voz sai bem mais baixa agora, praticamente um suspiro, enquanto ele também fingia dormir.

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PAÍS DOS RIOS, PROXIMIDADES DE TANIGAKURE, ÁREA DOS CHALÉS – DIA 6 – 07:05.

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O dia preguiçoso seguia com a impressão do tempo demorar para passar. No outro quarto do chalé se encontrava Shikamaru, que ainda estava deitado na cama e coberto por várias pelúcias. Se não fosse por um espirro repentino (falaram dele, afinal...), ele ainda estaria no mundo dos sonhos sem saber que estava sendo "enterrado vivo" embaixo de vários animaizinhos fofos.

"Saco... Isso com certeza é coisa daquela cabecinha de fósforo, mas como eu vou chamar a atenção dele sem a Temari ou o Kankuro se meterem? E nem tem como brigar! Ele não deixa de ser o Kazekage... Que problemático! Não dá para deixar ele fazer o que quiser como criança, mas não posso fazer algo que o deixe irritado depois...". Shikamaru solta um suspiro longo, pensando no que fazer agora.

Enquanto o moreno se sentava lentamente na cama, tomando cuidado para nenhuma pelúcia cair, o pequeno Gaara chega até a porta. Assim que nota que Shikamaru estava acordado, ele fica paradinho, olhando-o sem saber o que fazer e segurando vários animais de pelúcia.

— Bom dia, Gaara. — o mais velho olha para a criança, tentando não parecer irritado.

— Bom dia! — o pequeno fala animado, sorrindo.

— Está brincando de que? — a voz sai realmente curiosa, assim como olhar de Shikamaru sobre Gaara.

"Você veio aqui quantas vezes sem eu acordar? Vai ser problemático se você começar a fazer travessuras e ninguém notar... Mas que tipo de travessuras se faz cobrindo uma pessoa de ursinhos? Se você fosse como o Naruto, com certeza seria algo bem pior que isso!", Shikamaru chega a dar um sorriso de canto, imaginando. "Saco, se o Naruto estivesse aqui, transformaria você em um pestinha igual a ele! ".

— Nada ainda... — a voz sai calma, enquanto ele vai até a cama de Shikamaru e coloca os ursinhos que segurava. — Acordei você?

— Não, mas o que você está fazendo? — a voz arrastada continuava curiosa, enquanto o moreno fazia a criança olha-lo. — Não é nada perigoso, é?

— Não é nada, ainda... — a fala é seguida de uma risada adorável, com direito a bochechas coradas. — e nem perigoso.

— Eu só posso saber depois, é isso? — Shikamaru acaba sorrindo, era interessante não conseguir imaginar o pensamento simples daquela criança.

— Sim! — a voz de Gaara estava mais animada, enquanto ele sai apressado do quarto.

"Só me resta esperar...", até mesmo os pensamentos de Shikamaru eram preguiçosos. Ele agora estava se deitando de novo no meio daquelas várias pelúcias, "E se é para esperar, melhor deitado do que sentado".

Depois de mais algumas viagens levando as pelúcias, Gaara finalmente parecia ter terminado já que havia subido na cama, um tanto desajeitado devido à altura. Agora ele estava procurando um lugar para poder ficar no meio das pelúcias, achando um perfeito: em cima de Shikamaru.

— Ei, o que você está fazendo!? — o moreno olhava surpreso para Gaara, que agora estava deitado sobre si.

— Nada... — os olhos verdes agora encaravam Shikamaru. — Não pode?

— Preciso saber o que vai fazer para falar se pode ou não. — ele olhava um pouco mais sério agora.

— Nada, só queria ficar aqui com você... Pode? — ele continuava encarando-o do mesmo jeito, os olhos verdes chegavam a brilhar um pouco, estava ansioso pela resposta.

— Pode, mas por que? — aquilo realmente era confuso demais para Shikamaru compreender.

"Se fosse com Kankuro ou Temari seria fácil entender você deitar em cima deles, são seus irmãos, mas eu não sou nada além do seu cunhado, o que deu em você!? Não é como se não nos falássemos, mas não somos amigos! Pelo menos eu e o Gaara adulto não somos tão amigos assim! ". Ele tentava achar um motivo antes de receber a resposta.

— Porque você é como meu irmão mais velho também, não é? — após a fala, a criança sorri corando levemente. — Ma-Mas se quiser eu saio e fico no outro quarto... — agora a fala saiu triste, enquanto o pequeno Gaara olhava para baixo.

— Pode ficar, não tem problema nenhum. — o mais velho fala enquanto passa a mão afagando os cabelos vermelhos.

"Então me vê como um irmão... Isso é algo problemático porque eu não sei se você só pensa isso porque é pequeno e não entende que sou noivo da Temari ou se realmente somos próximos... Que saco! Como você fala algo assim e depois ainda acha que eu quero distancia de você!? Quem, em sã consciência, fala algo desse tipo para uma pessoa que não quer ficar perto? Você é complicadinho demais...". Shikamaru suspira, olhando novamente para o cunhado, que agora estava quase pegando no sono. "Mas é realmente fofo...", ele sorri.

— Então foi para isso que ele pegou as pelúcias. — Temari fala baixo, olhando da porta.

— Fomos trocados, jaan... — Kankuro também falou baixo, olhando os dois.

— Acho que sim... — Shikamaru fala com a voz arrastada e baixa, com um sorriso de canto. Não seria tão mal assim se aproximar de Gaara.

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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA ISOLADA DE REPOUSO – DIA 6 – 10:15.

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No vasto e árido deserto, os ventos estavam fortes ao ponto de criarem uma densa tempestade de areia. Como a regra manda, nenhum ninja se atreveu a sair de seus postos em Sunagakure antes da tempestade passar e os que estavam fora abrigaram-se rapidamente.

Aproveitando a oportunidade de não ser visto por ninguém, Baki se arriscou ao sair no meio da tempestade para ir até uma das poucas pessoas que poderiam ajudá-lo, o conselheiro aposentado, Ebizo. Ele era uma das poucas pessoas com experiência e afeição o suficiente para ajudar Gaara naquele momento, e também possuía uma vantagem a mais que Baki: por estar afastado, ele poderia investigar o pergaminho à vontade sem que desconfiassem dele.

Agora, Baki estava sentado de frente para o ancião, o pergaminho estava no meio dos dois. O olhar tenso de Baki alternava do pergaminho para o homem constantemente, enquanto este parecia calmo ao analisar o objeto.

— Para toda uma vida, é bem leve, não acha? — a voz era calma, enquanto o mais velho pegava cuidadosamente o pergaminho.

— Como assim uma vida? Está dizendo que o Gaara... Ele... — agora o olhar tenso de Baki estava perdido. Ele não cogitou, em momento algum, a hipótese de Gaara ter continuado a rejuvenescer e algo pior acontecer com ele.

— Ele não está preso aqui? — a fala saiu confusa, enquanto Ebizo encarava o outro — Faz muito tempo que não vejo um destes pergaminhos, desde os primeiros estudos sobre Kisho Tensei... — enquanto as palavras eram ditas, o pergaminho foi facilmente aberto por ele, coisa que Baki não conseguiu fazer.

— O Gaara só virou uma criança, ele não morreu e nem está neste pergaminho! — as palavras soaram mais como uma afirmativa para si mesmo do que uma resposta para o ancião.

— Entendo... — a voz era calma, assim como olhar de Ebizo sobre as pequenas linhas escritas no pergaminho, agora completamente desenrolado — Nunca vi algo assim antes. — a fala é seguida de um sorriso.

"Acho que o honorável avô Ebizo está ficando atordoado pela velhice...". Esta foi a única coisa que Baki conseguiu pensar em resposta para aquela situação. Não há mais escolhas para se fazer além de esperar os irmãos voltarem, talvez Gaara envelhecesse mais rápido até chegar na idade em que estava, "Kankuro pode assumir o título de Kazekage temporariamente...".

— Com licença. — a voz de Baki era um tanto fria, ele estava perdido em seus pensamentos sobre como prosseguir.

— Toda a existência dele não coube no pergaminho, será mais fácil fazer ele voltar ao normal. — a fala tranquila de Ebizo chegou aos ouvidos de Baki em tempo de ele não chegar até a porta.

— Pode mesmo ajudar? — o homem, que ainda continuava de frente para a porta, agora olhava para o idoso.

— Vão levar alguns dias, mas sim. — o ancião sorri, enrolando novamente o pergaminho.

— Dias? Quantos dias? — a fala de Baki estava mais tranquila agora, afinal, Gaara ficaria bem.

— Quantos eu precisar para desfazer cada etapa do selamento... — as palavras eram calmas — Porém, não vou precisar de ajuda de outras pessoas, seria um problema descobrirem que algo assim sobreviveu à morte da minha irmã, certo?

— Leve o tempo que precisar, desde que o Kazekage fique bem. — a voz estava mais tranquila. — E se todas as informações sobre o Kisho Tensei pertencessem somente a ela, isso não teria acontecido. — agora a fala estava séria e um tanto fria.

"Preciso investigar todos os relacionados ao desenvolvimento desta técnica proibida e todas as pessoas que tiveram acesso ao escritório do Gaara. Também preciso avisar aos irmãos que tudo vai se resolver e que precisam comparecer ao festival para não gerarem suspeitas...", os pensamentos de Baki planejavam seus próximos passos, enquanto ele enfrentava novamente a tempestade de areia.

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PAÍS DOS RIOS, PROXIMIDADES DE TANIGAKURE, ÁREA DOS CHALÉS – DIA 6 – 16:03.

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O dia seguia nublado, silencioso e preguiçoso. Em dias assim a melhor coisa para passar o tempo é dormir, e era exatamente isto que Shikamaru estava fazendo: ele dormia na varanda do chalé sem se importar com nada. Ao lado dele estava o pequeno Gaara, com algumas pelúcias perto e olhando para os irmãos mais velhos e os amigos se preparando para uma batalha.

"Demorou, mas hoje, SEM FALTA, minha honra será reconquistada, jaan!". Com estes pensamentos, Kankuro encarava a Mitsashi com um olhar frio. "Eu só não entendi bem porque a Temari também quis lutar...".

"Ele está me olhando sério, será que eu falei alguma coisa? Nah... tanto faz, finalmente vou ter outra chance de lutar contra a Temari!". Tenten pensava e sorria, olhando para a loira que estava ao lado de Kankuro.

"Eu vou mostrar quem é a mulher macho!". O olhar de Temari era quase sanguinário, a aura maligna dela estava impregnando todo o ar. "Você vai ficar com a cara tão inchada que não vai conseguir mais beijar o meu irmão!". Ela lentamente pegava o leque de suas costas, pensando em sua sequência de ataques.

"ESTÃO TODOS ANIMADOS PARA COMEÇAR O TREINO! EU SINTO MEU CORPO QUEIMAR COM AS CHAMAS DA JUVENTUDE!". Lee pensava ansioso, estava começando a se aquecer para a luta. "Eu só não sei por que ela está me olhando tanto, ela namora o Shikamaru e, como amigo dele, não posso aceitar este tipo de coisa!".

— Tenten, vamos trocar! — enquanto Rock Lee falava, ele puxava Tenten para ficar em frente à Temari e ele de frente para Kankuro.

— Tá... — Sem entender bem o motivo do companheiro, a morena concorda. — Tudo bem! — ela sorri, afinal de contas, ela queria uma luta contra Temari.

— Nem pensar! — Temari quem falou, irritada — Você quer fugir de mim ou beijar o Kankuro a terceira vez!? — ela entra na frente do irmão, olhando irritada para Lee.

— Terceira vez!? — Kankuro falou surpreso e irritado, enquanto tirava as marionetes dos pergaminhos.

— Não, eu só achei que seria melhor você e a Tenten lutarem entre si, vocês são duas garotas e... — ele é interrompido no meio de sua explicação idiota para evitar ficar perto da loira.

— Não foi você não me chamou de mulher macho!? — Temari falava irritada, já quase pulando em cima de Lee.

— Não tem problema, a Tenten consegue ser macho também... — ele sorri sem graça, tentando não começar uma luta contra Temari.

— LEE! — Tenten fala irritada, acertando ele com um de seus pergaminhos, ela agora estava com uma aura maligna equiparada com a de Temari.

— Mas Tenten... — ele olha para a amiga, passando a mão no cabelo tigelinha aonde o pergaminho havia acertado.

— Ele luta comigo, jaan! — a voz de Kankuro estava decidida, o objetivo dele agora era se vingar do segundo beijo.

— COMIGO! — a Mitsashi quem falou.

"Você estraga praticamente todos os dias das minhas férias com seus treinamentos idiotas e depois fala isso!? Você me paga, Lee!". Enquanto pensava isso, ela havia "roubado" o controle de duas das marionetes de Kankuro e agora estava perseguindo o companheiro de time.

— DEIXA EU EXPLICAR, TENTEN! — ele fala enquanto corria tentando fugir. Não iria machucar a amiga, mas também não queria se machucar.

— Brigas lá fora, certo!? Sejam ninjas comportados! — o senhor da recepção tentou brigar com eles, mas os dois já haviam saído e o deixado falando sozinho.

— VOLTA AQUI, LEE! — ela continuava indo atrás dele, sem se importar em ser chamada a atenção depois.

Enquanto os dois ninjas corriam lá fora, um gritando com o outro e lutando para ver quem seria o ganhador da "disputa pela razão", o senhor da recepção reclamava do portão principal. Eles também haviam deixado para trás os dois irmãos, que olhavam surpresos para o nada, sem entender como a luta poderia ter terminado daquele jeito.

— Minhas marionetes... Minha honra... — Kankuro falava desolado, ainda não sabia bem se queria ir atrás dos dois ou se era melhor esperar mais um pouco e lutar só com o "vencedor" daquela rodada.

— Er... Dessa última vez, quanto ao beijo... — Temari recebe o olhar do irmão — Foi minha culpa, não dele — a loira sorria um tanto sem graça por ter se deixado levar pela raiva na ocasião.

— O que!? — ele estava mais surpreso do que irritado.

— Depois eu tenho tempo de te explicar, vai ver o que é, eu fico com o Gaara. — ela fala e aponta para o céu, onde uma águia sobrevoava os dois — Vai! — ela disse séria, já indo para onde a criança e o noivo estavam.

"Parece que é o Tobimaru, não deve ser nada tão sério, jaan...". Os pensamentos de Kankuro agora não estavam mais focados na luta, mas sim naquela ave e que tipo de informação ela poderia estar trazendo consigo. "Que não seja nenhum problema, eu já estou cheio deles...".

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Certames é sinônimo de combate. Para quem chegou até aqui, vai entender o título do capítulo.

Espero que tenham gostado!

Sugestões, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.