INTEMPÉRIE FINDADA
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA ISOLADA DE REPOUSO – DIA 7 –23:12.
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O céu escuro e estrelado, montes de areia e brisas frias, tudo acompanhado do mais profundo silencio, era este o cenário de Sunagakure naquela noite, onde um homem andava solitário sob o luar. No começo, a caminhada pelo deserto era relaxante e tranquila, mas conforme a trilha de passos aumentava na areia, tudo ficava apreensivamente quieto.
"Menos de cinco dias para o festival, menos de quatro para a inauguração da pousada, o Daimyo do Vento estará presente nestas duas ocasiões...", os pensamentos faziam com que Baki sentisse um peso ainda maior nas costas, infelizmente, ele não poderia usurpar o Kazekage para algo além de revisar relatórios e coisas do tipo.
A caminhada de passos apressados vira uma corrida quando se torna visível a porta do local onde Ebizo vivia. Baki ultimamente odiava o silencio, não ouvir as vozes tão familiares dos irmãos da areia estava deixando-o mais preocupado a cada dia, ele só queria que tudo acabasse logo.
— É uma hora inapropriada para visitas, sabia? — o idoso comenta calmamente, quando nota a porta de seu refúgio ser aberta.
— Eu vou mandar notícias para Kankuro e Temari mais tarde. — a fala curta e séria foi o que Baki julgou necessário como justificativa para estar lá.
— Não tem nenhuma notícia aqui, mas quando houverem novidades, eles saberão na mesma hora... — é possível notar um sorriso parcial surgir nos lábios de Ebizo, mesmo que ele não olhasse diretamente para Baki.
— O que quer dizer com isso? — o homem sério se senta em frente ao mais velho, notando que este observava o pergaminho.
— Este pergaminho consegue selar a vida das pessoas, teoricamente ele era o que minha irmã procurava, mas ele apenas guardava a vida, não poderia transportar ela para outra pessoa, então foi abandonado. — as palavras eram calmas, como se o antigo conselheiro estivesse dando uma aula para uma criança.
— Não entendo aonde quer chegar. — o olhar de Baki conseguia ser tão cortante quantos suas laminas de vento. — É só desfazer isso, não é?
— Vejamos... — o idoso retomou a explicação — Ele foi selado de uma vez só porque o pergaminho foi preparado para isso. Para desfazer cada um dos estágios eu preciso ser cauteloso, não queremos que algo dê errado, não é? Primeiro irei libertar o "corpo", depois a "mente" e por último a "alma".
— Mesmo assim eu não entendo! O certo seria ele primeiro recobrar as memorias e as habilidades, por último o corpo ou todos ao mesmo tempo! — a voz de baki, apesar de soar irritada, estava repleta de preocupações.
— ... — era possível notar um sorriso compadecido na pele enrugada — A "mente" será a parte mais demorada, enquanto que o "corpo" será a mais rápida. Não posso fazer as habilidades dele voltarem ao normal sem que antes a "mente" volte para que ele saiba usa-las, assim como o corpo pequeno não iria suportar que todas as barreiras que contém o chacra dele sejam retiradas de súbito. — novamente Ebizo explicava de forma calma, como se Baki fosse uma criança com duvidas — As habilidades estão ligadas à "alma", que é a essência dele, ela não pode ser devolvida sem que a "mente" e o "corpo" já estejam em seu normal. — o idoso tira o olhar do pergaminho e o encaminha para o homem a sua frente.
— Mas se fosse tudo ao mesmo tempo como quando... — antes de poder continuar, Baki é interrompido.
— Baki... — a voz tranquila do antigo conselheiro recomeça — o "corpo" é o físico, a "mente" são as memórias... A "alma" é a junção dos dois, o que dá o poder, praticamente. A menos que eu consiga retirar os selos do "corpo" e da "mente" ao mesmo tempo, eu não poderia tirar o da "alma". — o idoso respira um pouco mais fundo, com certo pesar... Baki não era um bom aluno. — Eu sou um só.
— E quanto tempo vai demorar para ele voltar ao normal? — a voz agora soava impaciente.
— Não posso afirmar, ainda falta bastante para que a primeira parte seja terminada, eu diria que em seis dias eu termine com tudo. — o olhar vazio de Ebizo agora se dirigia para o pergaminho novamente, onde sumia um pequeno rabisco de cada vez, lentamente.
— Precisa ser antes disso! — a fala era autoritária, somente para esconder o nervosismo.
— Então acho que terei que pedir ajuda para fazer tudo ao mesmo tempo... — o mais velho solta um suspiro, tentando esconder o ar de riso que segurava.
— Tente se apressar. — a voz era fria, enquanto o homem se dirigia para a porta.
— A pressa é inimiga da perfeição e a paciência é a mãe das coisas bem-feitas. Avise aos irmãos que amanhã o físico dele voltara ao normal, para que não se assustem. Agora vá, está tarde...
Acatando ao conselho, Baki se retira. Novamente os pensamentos de preocupação invadiram sua mente, fazendo com que cada passo demorasse ainda mais. Parecia que o peso em suas costas pelas responsabilidades e a culpa pelo que aconteceu o tornavam lento.
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PAÍS DOS RIOS, PROXIMIDADES DE TANIGAKURE, ÁREA DOS CHALÉS – DIA 8 – 05:21.
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A tempestade se mantinha presente, sendo acompanhada por raios e ventos tão fortes que derrubavam árvores. Nem mesmo o chalé era um abrigo totalmente salvo agora, visto que por algumas janelas escorria a água da chuva.
Os irmãos mais velhos, incluindo Shikamaru, haviam montado turnos para passarem a noite: enquanto um dormia por certo tempo, outro tentava lidar com a água e o terceiro ficava com Gaara, que apesar de sempre dormir tranquilamente, naquela noite, a pequena criança estava inquieta e chegava a estar febril, alarmando ainda mais os mais velhos.
— Temari, sua vez de ficar com ele, jaan. — a voz um tanto desanimada de Kankuro foi o suficiente para despertar Temari.
— Ele melhorou? — a loira rapidamente se levantava, já havia ficado com o caçula nas primeiras horas da noite e depois foi descansar no outro quarto, deixando o noivo e o irmão do meio assumirem tudo.
— A febre abaixou, mas ele está inquieto demais... — a fala desinteressada é seguida de um bocejo — Se ele continuar assim não sei o que vai acontecer, jaan. — a voz era preocupada e cansada.
— Ele vai melhorar. — Temari sorri, tentando acalmar o irmão enquanto saia do quarto. — Tira essa roupa molhada e dorme um pouco... — ela fecha a porta.
"Kankuro mais parece ter saído de uma batalha, nunca imaginei ele sendo tão responsável e preocupado assim...". Passando pelo corredor, ela pode notar que a chuva não parecia tão forte como a algumas horas atrás. "Deve acabar logo... Agora é a vez do Shikamaru secar a água e eu...".
O olhar de Temari agora era de irritação, ao abrir a porta do quarto, ela encontra o irmão dormindo e parecendo incomodado, enquanto o noivo estava em sono profundo, nem ao menos virado para Gaara. "É por isso que o Kankuro está acabado! Ficar de lá para cá toda hora porque esse imprestável dorme igual uma pedra e não cuida do Gaara direito!", a aura maligna de Temari começa a infestar o ar.
— Acorda... — a voz fria e irritada só não era um grito de ordem porque a loira não queria acordar o caçula.
— Já é minha vez? — Shikamaru tenta parecer desperto, mas sem sucesso.
— Era a sua vez a bastante tempo, por que não está cuidando do Gaara? — ela "ajuda" o noivo a se levantar, na verdade, praticamente o joga da cama.
— Ei! — ele lança um olhar irritado para a noiva e depois se levanta — Olha só para ele... — a voz arrastada é seguida de um bocejo — não tem o que fazer, ele só está dormindo. Toda criança fica gripada...
— Ele não é como as outras. — a fala séria fez com que Shikamaru olhasse a criança com um pouco mais de atenção — ele nunca ficou gripado, resfriado, qualquer coisa do tipo... E se um dia chegou a ficar, o Shukaku que estava dentro dele o fez se curar rapidamente. — Temari olha para o noivo — mas agora é diferente, não tem nada protegendo ele e qualquer coisa desse tipo pode... Pode... — a voz dura e séria agora oscilava para preocupação e desespero.
— Temari, é só um pouco de febre, ele não vai morrer e nem nada assim. — a fala calma tentava passar tranquilidade, enquanto o moreno abraçava a noiva. — Quem fez isso não esperaria até agora para fazer mais, além disso, ele vai voltar ao normal em breve, talvez esteja voltando e a febre seja um dos efeitos colaterais...
— Acha mesmo? — tentar manter a pose imponente era perca de tempo, então ela só se abraça a Shikamaru e tenta se acalmar.
— Eu não mentiria para você. — a fala era calma — E... Eu queria saber uma coisa...
— O que? — apesar de manter a conversa, o olhar dela era direcionado para o irmão.
— Você e o Kankuro são protetores demais com ele, não seria melhor apenas deixar ele ser uma criança? Eu sei que ele é pequeno e parece ser bem frágil, mas não seria melhor ele... — antes de completar a frase, a noiva o interrompe.
— Não. — agora o olhar sério era diretamente para Shikamaru — Gaara não pode se machucar de jeito algum, ele não entendeu ainda que a defesa de areia não funciona, se ele se machucar...
— Ele só vai se machucar. — a voz se mantinha calma.
— Não, ele não vai só se machucar, ele vai achar que a areia que parou de proteger ele, daí pode ter um colapso se lembrando do Yashamaru, coisas ruins podem acontecer! — quando nota a altura que estava usando, Temari rapidamente se silencia, olhando novamente para o irmão.
A criança continuava dormindo profundamente, mas por vezes se mexia e parecia tentar falar algo, foi assim antes também e pelo visto durou a noite toda. Quando finalmente ele deixou o cansaço vencer o choro e pegou no sono, horas atrás, já estava um tanto febril e só foi piorando nas horas seguintes, mas agora parecia estar melhorando, para o alivio de Temari.
— O que, afinal de contas, o Yashamaru fez? Eu não entendo, ele não cuidava do Gaara? — neste momento o olhar espantado de Temari foi direcionado para ele. — Eu achei que era só o seu pai quem... — Shikamaru é interrompido, novamente.
— Ele cuidou, mas isso só tornou tudo pior... — a loira solta um suspiro pesado — Um teste para ver se Gaara era uma arma utilizável foi fazer com que Yashamaru tentasse mata-lo e falasse mentiras, para ver como ele reagiria — ela falava um tanto fria, com o olhar vazio — Foi da pior forma de todas e ele saiu do controle, desde então... Ano após ano... — a voz começava a ser falhada — era uma t-tentativa nova de se livrar do meu irmão... E... Eu e o Kankuro só o víamos como algo ameaçador... Não entendíamos ele...
"Talvez se não tivéssemos nos afastado, se cuidássemos dele como nosso irmãozinho desde o começo...". Os pensamentos amargos de Temari eram tomados por uma culpa que ela havia posto em si mesma e em Kankuro por muitos anos.
— Eu já entendi... — dessa vez é Shikamaru quem interrompe, abraçando um pouco mais a noiva enquanto mexia nos fios loiros – Não foi culpa de vocês dois, o Gaara só seguiu um caminho errado, mas depois se endireitou.
— Sha... ru... — a voz baixa era a de Gaara, o pequeno mesmo dormindo estava tentando balbuciar alguma coisa, enquanto se revirava na cama mais uma vez.
— Irmãozinho? — a fala de Temari era baixa, enquanto ela se separava do abraço e ia até a criança, se abaixando ao lado da cama — Sente alguma coisa? — a voz estava em tom baixo e transbordando de preocupação.
— Mam... — dessa vez foi praticamente um sussurro, enquanto os olhos do pequeno se abriam o mínimo possível, notando alguém perto dele e se fechando novamente.
— Gaara? — como se fosse possível, agora Temari estava ainda mais preocupada, passando a mão suavemente pelo rosto do irmão — Shikamaru, ele está fervendo em febre... — ela olha para o noivo, como se ele pudesse resolver aquilo.
— Eu já volto. — antes mesmo de terminar a fala, o moreno já havia saído do quarto em passos apressados.
"O que ele vai fazer? O que EU deveria fazer!?", agora o olhar da loira era vidrado no irmão, enquanto as mãos tentavam o endireitar na cama da forma mais delicada possível. "Isso é uma gripe ou algo pior? ... Droga! Por que não é a Sakura que está aqui ao lado!?". Ela balança negativamente a cabeça, como se os movimentos fizessem os pensamentos ruins se afastarem. "Não é hora de ficar nervosa, Temari!".
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PAÍS DOS RIOS, PROXIMIDADES DE TANIGAKURE, ÁREA DOS CHALÉS – DIA 8 – 08:36.
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A chuva havia se tornado um chuvisco calmo, a casa estava arrumada novamente, com tudo em seu devido lugar. No sofá da sala se encontravam os noivos, um abraçado ao outro. Na suíte ainda estava Gaara, em um sono um pouco mais tranquilo depois de tomar um medicamento que o cunhado arranjara, no outro quarto estava Kankuro, descansando ainda.
— Eu vou ir ver ele... — as palavras de Temari eram ditas enquanto a mesma já se levantava.
— Você foi não tem nem meia hora, deixa ele dormir. — em um movimento rápido, Shikamaru a abraçava e trazia-a para perto novamente, como se a prendesse perto de si. — Para de se preocupar à toa... — a voz era arrastada e preocupada com ela.
— Não é à toa! — a fala irritada de Temari era acompanhada de um olhar sério para o noivo — Você viu aquelas marcas aparecendo nele, podem ter se espalhado e... — ela é interrompida.
— E se elas se espalharam mesmo, o que vai fazer? — o moreno sorri de canto — Deve ser apenas ele voltando ao normal, ficar indo lá toda hora não vai fazer ele se sentir melhor. Deixa o Gaara descansar...
— Eu estou ficando neurótica, não é? — vencida, a loira apenas suspira e se rende aos abraços de Shikamaru.
— Ele vai ficar bem. — dessa vez a voz era tranquila, enquanto ele beijava cuidadosamente a noiva na testa. — Logo ele acorda, vem falar com você... Daí vai correndo até a cama do Kankuro pular em cima dele para acordar... — o ar de graça era uma tentativa desesperada de acalmar Temari.
— Ele não iria pular em cima dele, o Gaara não faz travessuras assim. — ela diz em defesa do pequeno irmão.
— Eu acordei coberto de pelúcias, vai falar que ele não é levado? — o moreno acaba soltando uma risada descontraída.
— Ele é fofo! — a loira também acaba rindo um pouco, mais relaxada agora. — Obrigada. — ela sorri, um sorriso grande e alegre.
— Não precisa me agrade... — antes de completar, os dois ouvem um som de algo caindo no quarto.
— Gaara! — os dois falam ao mesmo tempo, indo preocupados ver o que era.
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PAÍS DOS RIOS, PROXIMIDADES DE TANIGAKURE, ÁREA DOS CHALÉS – DIA 8 – 08:37.
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Kankuro estava deitado na cama, rolando de um lado para o outro tentando pegar no sono. A preocupação com o irmão havia o acordado várias vezes e agora ele parecia ter perdido o sono por completo. Poderia ter levantado e ido ver o irmão, mas queria dar credibilidade para Temari e a deixar cuidar dele em paz, ao modo dela.
A tempestade havia virado um chuvisco ameno, alguns pássaros se arriscavam a cantar, como se quisessem trazer o sol com isso. Kankuro nota uma ave um tanto maior do que as outras, voando pelo céu e enfrentando os pingos de água: Tobimaru. Sem pensar duas vezes, ele levanta e vai se encontrar com ele, tinha esperança de serem apenas notícias boas.
Os passos tentavam ser apressados, mesmo que a moleza por passar horas secando o chão e indo do quarto para a sala estivesse presente. Ao avistar a águia fazendo o pouso em uma das árvores o rapaz só conseguia se perguntar porque tinha que ser logo a mais alta, com um caminho tão obstruído pelas árvores caídas devido à chuva. Ele não parou até subir galho em galho e estender o braço para que Tobimaru viesse com ele.
— É um saco que você seja treinado para só vir assim, jaan. — a voz era quase uma repreensão contra a águia, que não entendia absolutamente nada. — Poderia ter ido no meu braço quando me viu, sabia que eu não estava em uma luta, preguiçoso.
Preguiçoso era ele, no momento. O caminho de volta ao chalé parecia ter triplicado de distância na opinião de Kankuro, mesmo sendo impossível. Os passos agora eram lentos e sem sinal de pressa, um por um, enquanto ele levava a águia mensageira em seu braço esquerdo.
Antes de chegar em frente a sua "casa", ele para próximo ao chalé vizinho, olhando para uma morena sorridente acenando e um ninja com cabelos tigelinha parar o exercício que estava fazendo.
— Gaara está melhor? — a voz de Tenten parecia ser alegre.
— Melhor de que? Do susto de ontem acho que sim, jaan... — ele não havia entendido bem a pergunta.
— Shikamaru me pediu algum remédio para febre hoje mais cedo, não eram para o seu irmão? — agora a fala da Mitsashi era um tanto confusa.
— Talvez seja para o Kankuro, olha como ele está abatido. — Lee tenta comentar discretamente, mas dava para ouvir como se ele falasse ao seu normal.
— O Gaara está com febre ainda!? — a surpresa na voz de Kankuro conseguiu espantar até Tobimaru, que agora voava um pouco acima dele. — A Temari me deve explicações! Ela deveria ter me avisado! — as palavras ditas com raiva eram acompanhadas de mãos nervosas gesticulando alguma ameaça.
— E-Ei... — a voz de Rock Lee saiu baixa dessa vez, enquanto ele olhava um tanto assustado para o lado. — Ei, olha aquilo... — ele apontava para o chalé ao lado.
— Kankuro, olha! — Tenten também aponta.
— O que!? — ele finalmente para de praguejar e olha para o local indicado. — ... O qu... — antes que pudesse completar a fala, algo que ele julgava impossível aconteceu e tomou toda a sua mente:
O caçula corria na direção dele, estava sorrindo e parecia animado pela chuva ter ido embora... Seria completamente normal, se não fosse o seu irmão já "crescido" a fazer isso, ele não era mais pequeno Gaara! Era o Gaara de sempre, que sempre agia como o irmão mais velho, mais adulto, mais responsável.
— Ga-Gaara? — o mais velho ainda não entendia o irmão agir assim, sorrindo abertamente e correndo, nem em sonhos já imaginou o Kazekage fazer algo do tipo, ainda mais em público.
— Eu cresci! — o ruivo falava animado, pulando em cima do irmão e se abraçando a ele.
— Eu... Eu notei mas... Mas... — a única coisa que Kankuro pôde fazer é segurar o caçula, completamente confuso sobre o que estava acontecendo — Irmãozinho, do que se lembra?
— Da chuva, de ter ido dormir... — ele parecia pensativo, sem sinal de querer sair de cima do irmão — E acordei assim! — ele sorri, os olhos verdes brilhavam ainda como se fosse uma criança.
— Que bom... Isso é muito bom, jaan! — apesar de tentar falar de forma animada, a voz falha de Kankuro só denunciava o quanto ele estava preocupado em o irmão permanecer assim.
Olhando a cena, estáticos e abobados, estavam Rock Lee e Tenten, ambos não conseguiam compreender bem o que estava acontecendo. Antes de conseguirem fazer qualquer pergunta, Temari e Shikamaru quem chamam a atenção dessa vez, os dois estavam indo apressados até eles:
— Não era para ter saído correndo assim, me deixou preocupada! — apesar da fala irritada, Temari parecia estar tão preocupada ou mais que Kankuro.
— Ele só queria mostrar para o Kankuro como está maior hoje, não é, Gaara? Não é nada com que deva se preocupar assim... A febre até melhorou... — a fala arrastada de Shikamaru era uma tentativa desesperada de fazer com que os outros ninjas de Konoha permanecessem em silencio.
— Chegou uma... Uma mensagem de Suna. — foram as poucas palavras que o irmão mais velho conseguiu pronunciar, afagando os fios vermelhos e abraçando ainda mais o caçula.
Ao ver Tobimaru indo na direção do chalé, os outros três começaram a andar na mesma direção, parecia até mesmo que a águia estava com pressa para que lessem a mensagem. Temari era abraçada por Shikamaru, ela parecia estar nervosa o suficiente para não se incomodar em virem os dois assim. Atrás deles, Kankuro seguia com o irmão ainda no colo, apesar de não ser mais tão pequeno, ele parecia não entender que não era mais uma criança. Os outros dois, que observavam a tudo em silencio, continuam estáticos até os irmãos entrarem em casa e fecharem a porta.
— Você viu isso, Tenten? O Gaara... — a voz de Lee transmitia toda a surpresa que ele estampava no rosto.
— Vi, mas é melhor esperar eles contarem o que houve... — apesar de curiosa, a morena sabia que aquilo tudo era um "segredo" e que se sabiam de algo, era apenas por acaso, então não seria certo fazerem perguntas.
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Intempérie é tanto o mau tempo (chuva) como momentos infelizes. Para quem chegou até aqui, vai entender o título do capítulo.
Espero que tenham gostado!
Sugestões, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.
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RESPOSTA AO COMENTÁRIO:
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Kathy Costa: "Muito bom! Estou amando o pequeno Gaara. Mas fiquei curiosa, o que tinha nos pergaminhos de desculpas da Tenten?"
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R.: Acredita que eu não lembro o que tinha no pergaminho? kkkkks
Provavelmente um pedido de desculpas acusando o Rock Lee com culpado de tudo XD
Beijokas!
