VATICINAR DO TRANSCORRIDO
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, QUARTO PRINCIPAL – DIA SEGUINTE – 02:21.
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As ruas, antes tão decoradas e agitadas, estavam desinteressantes, frias e silenciosas como sempre foram à noite, o que fazia parecer que toda aquela festa em homenagem ao nascimento de Gaara havia sido somente um sonho que ele teve enquanto dormia ainda em seu escritório.
Mas não foi!
Gaara dormia em seu quarto, confortavelmente deitado na cama entre os travesseiros, sorrindo e ainda feliz pela festa. Aqueles bons pensamentos só poderiam resultar em bons sonhos, ou melhor, um ótimo sonho:
Ele estava novamente em Tanigakure, com o sol brilhoso no céu azulzinho, a grama verde e as águas cristalinas do riacho correndo sem pressa, tudo parecia o paraíso de férias novamente. Não era só Tani que estava com sua paisagem restaurada como nos primeiros dias em que Gaara estava lá, ele também estava como antes, ou seja, pequeno.
A criança ruiva corria feliz, até que encontra um local perfeito entre as árvores altas e em frente a uma das quedas d'água.
— Achei! — ele falava animado, segurando seu ursinho preferido nos braços e olhando tudo em volta.
— Não pode ficar correndo por aí, irmãozinho. — Temari um tanto emburrada que falava, indo até ele.
— Pode sim! — era a voz de Kankuro, que corria com os braços abertos, em volta de Gaara.
— É perigoso, idiota! — agora Temari também corria, atrás do irmão do meio, tentando pará-lo.
— Mas é divertido! — Gaara corria novamente, rindo, indo atrás dos irmãos.
Havia um detalhe diferente dessa vez: os irmãos também estavam pequenos! Como se já não fosse um sonho nostálgico o suficiente só pelos irmãos estarem lá, brincando com ele, a pessoa que se aproximava conseguiu deixar Gaara ainda mais contente.
— Crianças, tomem cuidado! — uma mulher loira e com belíssimos olhos azuis se aproximava.
— Mamãe... — o mais novo para de correr, olhando-a por alguns segundos como se não acreditasse, em seguida deixa o urso de lado e corre até ela, a abraçando. — Mamãe!
— O que foi querido? — ela sorri, o pegando no colo.
— Parem de correr vocês dois, é perigoso. — a voz séria de Rasa fez com que Kankuro e Temari parassem de correr.
— Por que não vão brincar com as outras crianças? — a fala descontraída era de Yashamaru, que indo até eles com uma cesta de piquenique.
— Eu vou brincar com a Tenten! — Kankuro fala animado enquanto corria na frente.
— Não! Eu e a Tenten vamos brincar juntas, você brinca com o Lee! — Temari ia atrás dele.
— Essas crianças... — Rasa comenta, abraçando a esposa e olhando para Gaara — Não vai ir brincar com eles, Gaara? — ele sorri.
— E-Eu... — os olhos verdes brilhavam enquanto ele sorria.
— O seu amigo está com eles. — Karura sorri, colocando o filho no chão para ele ir.
— Não demorem muito à voltar, por favor. — Yashamaru pede, acenando.
— Sim! — o pequeno Gaara sorri da forma mais adorável possível, correndo pelo mesmo caminho que os irmãos fizeram.
Ele acaba chegando em um lugar que mais parecia uma pracinha no meio das árvores, com vários brinquedos e com cinco crianças se divertindo neles. Kankuro e Lee estavam apostando para ver quem subia no escorregador pelo lado errado mais rápido, Temari e Tenten estavam nos balanços, a morena estava de pé, rindo, enquanto a irmã mais velha balançava negativamente a cabeça olhando para os dois garotos. Por último, na gangorra, estava um loiro que não poderia faltar em um sonho bom como este:
— Gaara, vem brincar! — Naruto chamava o amigo, acenando.
— Sim! — o ruivo vai correndo, feliz.
Passar um dia brincando com os irmãos e com os amigos, ter a presença dos pais e do tio... Apesar de ser um sonho simples, ele jamais iria se realizar. Talvez por entender isso, o pequeno Gaara fez questão de aproveitar cada segundo daquele sonho.
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, SALA DE JANTAR – DIA SEGUINTE – 02:24.
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Diferente da tranquilidade no quarto de Gaara, as discussões ainda se mantinham naquela sala. Kankuro estava de pé no sofá, acusando o cunhado e a irmã de serem "pervertidos", o casal em questão estavam discutindo entre si, Tenten e Lee apenas olhavam, afastados e sentados no chão, comentando algo.
— Você precisa dormir, problemática... — Shikamaru resmungava, começando a perder a paciência.
— E quem disse que eu quero dormir hoje à noite!? — Temari solta risadas, apertando a bochecha do noivo.
— Eu! — a voz do moreno sai irritada enquanto ele a levava para o quarto. — Saco...
— Então vai sozinho! — a loira se segura no arco da porta.
— Isso ai, irmãzinha! — Kankuro comemora, se jogando deitado no sofá. — Mostra que você é uma moça de família, jaan!
— Precisamos ir, amanhã de manhã voltamos para Konoha. — Rock Lee comentava baixo com Tenten.
— Eu já estou acabando, mas não é certo deixar os dois pro Shikamaru cuidar... — a Mitsashi para o que estava fazendo para olhar a cena.
— Faz o Kankuro dormir então. — o ninja com cabelo tigelinha sorri.
— Eu!? — ela olha-o surpresa, depois abaixa o tom de voz — Por que eu!? — agora era quase um sussurro.
— Porque ele disse que só iria dormir se fosse com você. — o amigo relembra das palavras de Kankuro.
— Você é idiota demais ou inocente demais, Lee... — ela suspira, se levantando — Vamos levar ele pro quarto e depois ir!
— Certo! — a fala sai animada, enquanto ele também se levanta.
Kankuro estava tentando se levantar, mas toda aquela bebida fazia com que qualquer movimento fosse um verdadeiro desafio. Nem mesmo se apoiar no sofá evitou com que ele se desequilibrasse e quase caísse no chão, por sorte, Lee e Tenten o seguraram antes disso.
— Onde fica o seu quarto? — a voz de Tenten tentava ser calma.
— Com você qualquer lugar vira o paraíso em Terra, jaan... — não eram só tonturas que a bebida em excesso causava em Kankuro, ela também aflorava todo o lado romântico que o mestre das marionetes tinha.
— Que palavras lindas! — algumas lagrimas escorriam pelo rosto de Lee.
— Vai ser uma longa noite... — a Mitsashi suspira, olhando para o nada.
— O quarto dele é o da esquerda, divirtam-se! — a loira diz no meio das risadas, enquanto Shikamaru finalmente a fazia soltar o arco da porta.
Depois de uma longa e tortuosa caminhada até o quarto de Kankuro, os dois ninjas de Konoha praticamente o jogam na cama. Já tinha sido difícil fazer com que ele não fosse até o quarto de Temari e parasse de gritar com Shikamaru, qualquer coisa além de deixar ele ali e sair parecia ser trabalhosamente inútil.
— Agora vamos... — a Mitsashi é interrompida.
— Acabar de ajudar ele! — aquele sorriso brilhante de Lee fazia essas palavras parecerem fáceis de se cumprirem.
— Você só pode ser louco! — a voz de Tenten era irritada.
— Olha para ele... — Lee aponta para Kankuro, jogado na cama enquanto já parecia dormir. — Ele é nosso amigo, Tenten...
— Eu sei... — a morena suspira, não adiantava contestar. Ela fica olhando para o rapaz por um longo tempo, pensando no que fazer — Tira o capuz dele enquanto eu tiro a maquiagem. — a fala saiu séria, enquanto ela pegava um lenço do pergaminho que usava no pulso.
— Tá! — o "grilo gigante" tira o capuz e fica segurando o rosto dele para a amiga começar a limpar.
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, QUARTO DE TEMARI – DIA SEGUINTE – 02:31.
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Shikamaru também estava tendo trabalho com sua noiva, Temari. Quando bêbada, ela ficava teimosa em um nível insuportavelmente problemático.
— Temari, eu preciso dormir! — a voz já era irritada.
A paciência de Shikamaru tinha se esgotado enquanto ele a fez se soltar da porta do quarto dela. Ele havia a colocado deitada na cama, mas um pequeno descuido com um beijo de despedida foi o suficiente para ela o agarrar pelo pescoço e não querer soltar mais.
— Você não me ama mais? — a loira olhava-o séria, ainda o abraçando pelo pescoço.
— Sabe que sim... — ele suspira, já sabia aonde isso iria parar.
— Me prova então! — ela começa a rir, era obvio a intensão das palavras com tantos sentidos naquela frase.
"Que essa mulher só beba assim quando estiver sozinha...". As preocupações de Shikamaru não era só o fato de ter que ir para Konoha pela manhã e a noiva não o deixar em paz, ele pensava também na cerimônia de casamento, onde provavelmente a noiva iria beber e fazer este tipo de cena na frente de várias pessoas.
— Provo! — ele sorri de canto.
Aquela palavra foi o suficiente para a loira solta-lo do abraço e ficar olhando-o. "Vou provar que sou um cara legal, mas não do jeito que você quer...", cuidadosamente ele a ajuda a tirar a blusa cinza, que mais parecia um peitoral de armadura.
— S-Shikamaru... — agora ela estava completamente corada, olhando-o.
— Sim, problemática? — ele continuava sorrindo, fingindo não ter notado, agora tirando as sandálias.
— É que... Eu... — ela se abraça, completamente corada.
Para a sorte de Shikamaru, ele havia observado a noiva o bastante para saber que apesar de todas as investidas que ela sempre dava, ainda não estava pronta para um momento como aqueles e terminava por ficar tímida.
— Saco... — ele olha para Temari — Não queria que eu provasse a você? — ele sorri de canto, se sentando na beirada da cama.
— Não precisa mais! — a loira se abraça a um dos travesseiros e vira-se de costas para ele.
"Se eu tivesse feito isso desde o começo...", ele suspira enquanto se levanta da cama. Agora era só esperar Temari pegar no sono para que ele pudesse ir, finalmente, ter sua merecida noite de sono, ou melhor, poucas horas de sono.
— Boa noite... — ele diz calmo, dando um beijo na bochecha dela e colocando uma coberta sobre ela.
— N-Noite! — foi tudo o que Temari conseguiu responder, estava completamente vermelha pela timidez.
Poucos minutos depois, a loira já dormia tranquilamente, de uma forma tão calma que chegava a despertar o interesse do noivo em saber com o que ela poderia estar sonhando. Não era nada extravagante, apenas uma ocasião em especifico que ela queria que tivesse acontecido de outra maneira:
Anos atrás, os três irmãos brincavam de fazer esculturas de areia, na verdade, Temari e Kankuro admiravam as coisas incríveis que o caçula conseguia fazer sem o menor esforço. Em algum momento, provavelmente depois de um pedido de escultura idiota por parte de Kankuro, o pai resolveu encerrar toda a diversão e mandar os mais velhos para casa. Temari estava parada ainda, de pé, olhando para o mais novo.
— Temari. — a voz de Rasa a chamou mais uma vez, ela sabia que a terceira chamada era o limite de paciência que o pai tinha.
— Sim! — ela chega a dar alguns passos, mas para e olha mais uma vez para Gaara.
Aquele olhar triste e desanimado que a criança ruiva sempre tinha parecia piorar quando os irmãos se afastavam dele... Naquela época, com certeza, Temari não sabia que obedecer ao pai era mais errado do que continuar ali. Se ela pudesse mudar um pedacinho de tudo, com certeza isto o que teria acontecido:
— Até depois! — ela sorri, indo até o caçula e o abraçando.
— A-Até! — aquilo foi o suficiente para ela receber um sorriso adorável do irmão, mesmo que agora ela estivesse voltando para casa e o deixando ali.
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, QUARTO DE KANKURO – DIA SEGUINTE – 02:36.
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Diferente de Temari, Kankuro parecia mais estar lutando contra Tenten e Lee do que dormindo. O sono pesado o impedia de ser acordado até mesmo pelos próprios movimentos enquanto jogava, mais uma vez, o sobrancelhudo para longe, não só em verdade como também no sono que estava tendo:
Kankuro estava no terraço do Gabinete do Kazekage. Ele já havia derrotado Shikamaru, havia acabado de jogar Lee para um "abraço" da sua marionete Corvo. Agora estava comemorando suas duas vitórias consecutivas quando Tenten vai até ele, sorrindo.
— Você é tão forte! — a voz estava meiga... — E ainda por cima ganhou dos dois juntos! Você é incrível!
— Obrigado! — ele também sorria.
— Merece até um prémio! — a morena se abraça ao pescoço dele, aproximando os rostos. — Pode escolher, o que quiser...
— Eu escolho... — Kankuro encarava os olhos castanhos, enquanto a abraçava — A VITÓRIA! — em um movimento rápido, ele joga a Mitsashi dentro de sua Formiga Negra — Eu não vou cair nesses truques, jaan! — ele falava animado.
— Mas que idiota... — Temari suspira, colocando uma das mãos na frente do rosto. — Você não queria ficar com ela!?
— A única coisa que eu quero é a doce vitória! — ele cantarola, indo até a irmã — Falando nisso, ainda falta você, jaan... — ele sorri de canto.
— Eu conheço as suas técnicas e as suas marionetes, nem tenta. — ela diz séria.
— Eu posso ganhar de muitos jeitos diferentes, não é, Gaara? — ele olha para o irmão, afinal, nada mais normal que o Kazekage aparecer ali naquele momento (ironia?).
— E como pretende ganhar de mim!? — Temari diz irritada.
— Ei, irmãozinho... — ele se aproxima de Gaara — Quem é seu irmão preferido?
— Kankuro... — o ruivo aponta para o irmão.
— VITÓRIA! — Kankuro solta algumas risadas, comemorando de novo.
— Isso é idiota demais, até para você... — ela suspira — E como pretende vencer o Gaara?
— Eu tenho coisas importantes para fazer, não vou perder tempo com lutas desnecessárias. — até mesmo em um sonho, Gaara era responsável.
— Ganhar dele vai ser o mais fácil. — ele vai até o irmão, parando lado a lado. — Eu sou mais alto.
— P-Perdi... — a surpresa de Gaara poderia ser explicada por tudo aquilo não passar de uma cena na imaginação de Kankuro.
— Com licença, eu tenho muitas pessoas ainda para vencer, jaan! — o mais velho diz animado, indo procurar mais alguém para desafiar.
Deixando os irmãos para trás e saindo por Sunagakure atrás de rivais, assim seguiu aquele sonho cheio de satisfação e vitórias por parte de Kankuro, ele não iria perder para ninguém naquele dia, ou melhor, naquele sonho!
Não eram só os irmãos que olhavam incrédulos para Kankuro, Tenten e Lee olhavam para ele incrédulos na vida real. Os companheiros de time estavam agora jogados na cama, em direções diferentes, enquanto Kankuro parecia comemorar algo, deitado em cima deles.
— Ele é pesado... — Lee resmunga.
— A culpa disso é toda sua, Lee! — a Mitsashi fala irritada.
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, QUARTO DE TEMARI – DIA SEGUINTE – 02:40.
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O motivo de Shikamaru não ir ver como estavam as coisas no quarto de Kankuro era bem simples: ele havia pego no sono também. Ficar ali, admirando sua belíssima noiva, o fez dormir sentado no chão e apoiado na cama. Apesar da posição ruim, nada estava sendo tão ruim como seu sonho:
O pequeno Gaara não estava escondido em Tanigakure, ele estava escondido em Konoha, ou melhor, os irmãos o levaram para lá achando que seria um bom esconderijo. Só em saber que o amigo estava por lá, Naruto arrumou um jeito de descobrir tudo e agora estava levando Gaara nos ombros enquanto saia.
— Ei! Vai ser problemático se a Temari souber que você está saindo com ele! — ele tentava impedir o Uzumaki antes que ele saísse clã Nara.
— Relaxa, eu só vou levar ele para brincar! — era impossível levar aquelas palavras a sério.
— Saco... — Shikamaru se preparava para usar suas sombras para prender o loiro, quando o mesmo faz vários clones. — Naruto, eu estou avisando para não levar ele!
— Por que não? Eu só vou brincar com o Gaara, Dattebayo! — todos falam ao mesmo tempo.
— Eu quero ir! — Gaara falava animado, rindo.
— Até mais! — Um deles fugia, levando a criança consigo enquanto os outros ficaram para atrasar o moreno.
Por melhores que fossem as intenções do loiro, Shikamaru conseguia pensar em todas as coisas idiotas que ele faria, desde ficar jogando o ruivo de um clone para o outro sem se preocupar em ele cair, até fazer alguma travessura, como pintar os rostos dos Kages. Com certeza, sobraria para o Nada passar o dia inteiro atrás das "duas crianças" agora...
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, QUARTO DE KANKURO – DIA SEGUINTE – 02:52.
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Enquanto isso, no quarto ao lado, Rock Lee estava começando a se desesperar. Vencida pelo cansaço, a Mitsashi havia acabo de dormir, deixando o "grilo gigante" para se virar sozinho enquanto ela tinha um sonho um tanto engraçado:
Ela não sabia o motivo, mas mais uma vez Gaara havia se tornado uma criança. Como ela era usuária de Fuinjutsu, Kankuro e Temari deixaram o pequeno aos cuidados dela enquanto resolviam as últimas questões do tão aguardado casamento. Tenten não poderia pesquisar como reverter aquilo e cuidar de Gaara ao mesmo tempo, então, estava fazendo entrevista com algumas candidatas ao cargo de "babá".
— Eu sou melhor indicada para cuidar de crianças do que essa testuda! — Ino falava irritada, enquanto segurava Gaara no colo — e ele gosta mais de mim, não é? — ela entrega uma das mexas do cabelo para ele brincar, na verdade, fica passando as pontinhas dos fios no rosto dele.
— Tenten... — Gaara choraminga, olhando para a morena.
— Eu me dou melhor com crianças do que essa porca! — Sakura toma a criança de Ino, o abraçando.
— T-Tenten... – ele tentava se soltar, estava apertado.
— Eu acho que não é certo fazerem isso... — a voz suave de Hinata tentava fazer com que as duas parassem de competir — Eu cuido dele, ele é amigo do Naruto-kun. — ela pega cuidadosamente Gaara no colo, o ninando.
As mãos pequenas de Gaara vão rapidamente até a franja de cabelos escuros, levantando para ver se tinha algo "escondido" embaixo. Mexer perto dos olhos de Hinata acabou fazendo com que o Byakugan se ativasse.
— ... Tenten! — agora ele estava com medo, devido as veias sobressaltadas no rosto de Hinata.
— A ideia era vocês cuidarem dele para eu ter tempo... — Tenten suspira, pegando Gaara no colo e o deixando mexer no cabelo dela para se acalmar — Pelo visto nenhuma de vocês leva jeito com crianças como eu. — ela sorri.
— Desculpa... — Hinata suspira.
— Não é justo... — Sakura suspira.
— Ele é tão fofo... — Ino também suspira.
— Quem é fofo? — Tsunade pergunta, aparecendo atrás das duas — Espero que tenham um bom motivo para não estarem nos seus postos no hospital... — ela falava fria, começando a deixar a aura maligna aparecer.
— Elas só iam me ajudar a cuidar do Gaara... — Tenten sorri, mostrando o pequeno.
— Como se você precisasse de alguma ajuda. — a aura maligna de Tsunade vai completamente embora — Você consegue sozinha, Tenten! — ela sorri, também mexendo nos cabelos castanhos.
Em resposta ao voto de confiança, a Mitsashi dá um sorriso encantador. Ter sua "força" reconhecida por uma ninja lendária como Tsunade, na qual ela sempre se inspirou, com certeza faria com que ela achasse um jeito de trazer o Kazekage de volta.
— Eu consigo... — ela repete baixo, feliz, não só no sonho.
Mesmo não tendo ideia de que sonho a companheira de time estaria tendo, Lee sabia que deveria ser algo bom, como um treinamento novo ou uma luta ganha contra um rival. Pensar sobre aquilo só o deixava com mais vontade de se mexer, mas se fizesse isso iria acordar o amigo.
Vendo que sua unica escolha seria esperar, Rock Lee se concentra para pegar no sono logo, pelo menos assim, estaria disposto pela manhã e voltaria para Konohagakure! Talvez ele conseguisse fazer o percurso em dois dias, ou apenas um!
Os pensamentos em vencer, correr e chegar rápido, acabam fazendo com que Lee tivesse um sonho totalmente incomum:
O pequeno Gaara estava usando as tão desejadas orelhinhas de guaxinim; havia também um pequeno Naruto, usando orelhas de raposa; um pequeno Kankuro, com orelhinhas de gato; um Kiba pequeno, usando orelhas de cão; e, Rock Lee também estava pequeno, usando orelhinhas de esquilo. Os cinco estavam na linha de partida de uma corrida pelo deserto, ele não entendia bem o motivo de estar ali, mas queria ganhar!
— Todos prontos? — era a voz de Neji, ele estava pequeno como todos e usava um bico de pássaro assim como as asas.
— Sim! — todos falam ao mesmo tempo.
— Preparar... Apontar... JÁ! — ele balança uma das asas, como sinal de partida.
A corrida foi acirrada, todos estavam praticamente lado a lado, até que Kiba pula em cima de Kankuro e os dois começam a brigar no meio do caminho, provavelmente porque cães e gatos não costumam se dar bem, ou talvez um acerto de contas antigo...
Continuavam correndo Gaara, Naruto e Lee.
Apesar de sempre ser o mais rápido, dessa vez o ninja com cabelos tigelinha estava empatado com os outros dois, talvez por ser apenas um sonho. Continuou assim até quase a linha de chegada, perto dela estava o Ichiraku Ramen e, como sempre, Naruto foi correndo até lá para comer alguma coisa, se esquecendo de todo o resto.
Sobravam agora somente Lee e Gaara.
Os dois se entreolharam, estavam parados lado a lado agora, quem desse um pequeno passo seria o ganhador daquela corrida de animais, mas os dois continuavam ali, parados. Gaara parecia um tanto confuso sobre o que fazer agora.
— Pode ir... — Lee sorri, olhando para a criança ruiva.
— Mesmo? — os olhos verdes estavam brilhando.
— Mesmo! — ele diz fazendo um sinal positivo com o indicador.
— Obrigado! — o pequeno responde, atravessando a linha de chegada.
Apesar da vontade imensa de ganhar, a bondade de Lee era bem maior e, pelo visto, seria recompensada: uma pequena Sakura estava indo até ele, com orelhinhas de coelho e um belo sorriso.
— Você é tão fofo! — ela dá um beijinho na bochecha de Lee, o deixando completamente corado.
— Muito bem, Lee! — Tenten sorria para ele, ela estava pequena também e com orelhinhas de urso.
— Parabéns. — Foi tudo o que Neji disse.
— Isso ai, Lee! — Gai falava animado, por algum motivo estranho, ele estava vestido como um pavão vermelho.
O sonho incomum continuou por várias outras modalidades na competição de "animais".
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, ÁREA SABAKU, QUARTO PRINCIPAL – DIA SEGUINTE – 06:02.
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Os primeiros raios de sol foram o suficiente para despertar Gaara. A noite de sono tranquila e alegre foi o suficiente para fazer com que ele recuperasse todas as energias e ainda acordasse de bom humor. Bom humor este que até fez com que ele mesmo fosse acordar os irmãos.
Primeiro, ele acordaria a irmã mais velha. Ele precisava falar com ela sobre o acordo que tinha feito com Baki no dia anterior, Shikamaru iria voltar para Konohagakure em algumas horas e Temari precisaria de ajuda para o casamento...
Ao abrir a porta, ele se depara com a irmã dormindo, enrolada em uma coberta e parecendo ter um sono tranquilo, enquanto o cunhado dormia sentado no chão. Aquela cena fez com que Gaara esboçasse um pequeno sorriso, com certeza ele poderia confiar em Shikamaru para cuidar de Temari.
Deixando os dois dormirem um pouco mais, o ruivo decide acordar Kankuro. Ele precisava começar logo as investigações e não poderia deixar ninguém do conselho desconfiar, principalmente depois da falha do ataque durante o festival.
Ao abrir a porta ele precisa respirar fundo, um tanto chocado com a cena. Gaara teve que entrar no quarto e olhar melhor para entender que Tenten e Lee estavam deitados na cama, cada um com os pés virados para um lado e, em cima dos dois, Kankuro estava jogado e parecia bem feliz, talvez por realmente ter passado a noite com Tenten...
Vendo os efeitos da bebida, não só para quem toma, ele preferia não experimentar aquele liquido de gosto amargo nem tão cedo. "Entorpece os julgamentos, dificulta a fala, é um fardo para o corpo... E causa estes pequenos momentos que eu nunca vou esquecer...", ele sorri, "Eu posso colocar valor no tempo que eu gasto, mas nunca nos momentos... Principalmente os divertidos!", dessa vez ele acena positivamente, como se tivesse acertado algo, enquanto saia do quarto.
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PAÍS DO VENTO, SUNAGAKURE, CÂMARA DE REUNIÕES DO CONSELHO – DIA SEGUINTE – 07:42.
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Baki estava sentado em sua cadeira, olhando para o nada e pensando a que nível havia chego na noite anterior. Beber ao ponto de dois conselheiros, Ryusa e Sajo, terem que o ajudar a chegar em casa, com uma toalha de mesa amarrada no rosto no lugar do turbante... O pior de tudo, em si, não foi o que aconteceu com Baki, e sim o que ele havia sonhado:
Era uma noite fria e silenciosa, o Kazekage havia o chamado com urgência e Baki se lembrava perfeitamente o motivo: o Shukaku iria ser liberado. Mesmo sabendo o que ia acontecer, ao invés de se adiantar e começar a evacuar as pessoas da vila, o homem apenas foi responder ao chamado, encontrando Rasa um tanto aflito, o esperando.
— Kazekage, eu... — antes de continuar a fala, ele olha melhor ao redor, não haviam pessoas em pânico ou coisa do tipo.
— Está atrasado! — o superior praticamente o puxou para dentro — Eu já deveria ter saído há horas!
— Mas... — não havia como continuar, que desculpa iria dar se, pelo visto, não sabia nem o motivo de estar ali.
— Cuide bem deles, Yashamaru deve chegar amanhã de manhã! — o Kazekage fala um tanto irritado, enquanto saia.
— Deles o que?
Pergunta errada a ser feita! O certo seria "Deles quem".
Só agora Baki notava as três crianças naquela sala, parecia até mesmo que elas haviam aparecido ali só depois de Rasa sair: Kankuro corria de Temari, que parecia estar bem irritada, enquanto Gaara chorava com um ursinho rasgado nas mãos.
— Crianças? Os três... De uma vez só... — o mais velho suspira. — E tão pequenos...
Aquele sonho de memórias falsas não serviu apenas como "castigo" para Baki, como também para fazê-lo acordar mais esgotado do que nunca. Apesar de tudo, ele teve que se levantar e ir para o Gabinete, como se a noite anterior nunca tivesse existido.
"Espero que os conselheiros cheguem depois de Gaara, assim não vão ter tempo de comentar sobre algo...", ele suspira.
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Vaticinar é adivinhar o que pode acontecer futuramente. Para quem chegou até aqui, vai entender o título do capítulo.
Espero que tenham gostado, apesar das maluquices!
Sugestões, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.
