Disclaimer: Todos sabem que nenhum dos personagens me pertence, não é? Okay then...
Algumas músicas que inspiraram cenas desse capítulo:
Wild horses – the sundays
What you want – the jonh butler trio
What took you so long – Emma Bunton
Liar – 8mm
Stay away – honorary title
Umbrella – versão acústica da Taylor Swift
Call it what you want - Taylor Swift
Breathe me - sia
Aicha-Outlandish
I'm ready – Tracy Chapman
First try – Tracy Chapman
Trespassers William - Lie In The Sound
Under the cover of darkness – The strokes
Closer – kings of leon
Far far – Yael Naim
Secret garden – Bruce Springsten
Stranded – Jennifer Paige
Falling slowly – Once sondtrack
To Build a Home - The Cinematic Orchestra
22hrs – Teflon Sega
Cap 13 – Ele não é meu irmão
Jisuuuuis...Será que eu morri e isso aqui é o que a minha mente inventou como paraíso? – pensou Gina com a cabeça inclinada para trás no ombro de Draco enquanto ele somente a abraçava olhando os fogos do jeito que havia feito no baile a fantasias em que haviam se beijado pela primeira vez. – humrum, e aquele rala e rola nos quatro cantos do quarto aconteceu no céu? Hum, o dracão...
"Grande, né?" – comentou Draco bem perto do seu ouvido, ainda olhando pro céu e vendo os fogos finalmente diminuírem após 20 minutos de explosões.
"AHN?!"– virou Gina de rompante ao mesmo tempo em que praticamente gritava a pergunta, com os olhos arregalados de susto.. "Oqueoquê é grande?" Ele perguntou se o ... é grande? Será que eu falei aquilo tudo em voz alta?
"A apresentação... Quase meia hora de fogos." – respondeu o loiro, com a expressão confusa, sem entender a reação da namorada. - "O que você entendeu?"
"Nada!" – respondeu ela ainda com a voz gasguita, sem conseguir olhar diretamente para ele..
"Sei..." – murmurou ele sorrindo, então aproximou o rosto do dela...
"Caraca! Vocês ainda não pararam com isso?!" – riu Blaise ao entrar na varanda junto com o resto do grupo e ver o casal prestes a voltar a se agarrar.
"Amiga! Sua deusarum! Se agarrando aí ao invés de ir me procurar pra dar feliz ano novo!" – brincou Colin já se aproximando do casal, segurando a mão do Chris.
"Como se vocês dois não estivessem fazendo o mesmo!" – brincou Gina antes de se abraçar com os amigos, sem perceber o quanto Chris havia ficado vermelho.
"Mas nós viemos pra cá te ver! Você ia ficar aí nessa confusão até o ano que vem." – brincou o loirinho levando um tapa de leve de Gina e um de Chris, com o aviso explicito pra ele se comportar.
"Blaise.." – começou Draco olhando pros próprios pés, então virou a cabeça na direção em que Gina ria com Colin e Chris, sem saber como explicar pro amigo porque havia ficado em silêncio sobre seu namoro.
Blaise, então, levantou solenemente a mão que não estava segurando sua taça. - "Eu entendo, cara! De boa, eu entendo que as pessoas se sintam ameaçadas pela minha sensualidade nata." – brincou ele sobre o modo como Draco agarrou Gina quando eles estavam conversando pouco antes da virada do ano.
Draco riu um pouco olhando para o amigo e Blaise levantou a taça em um brinde, tomando logo após um gole do champanhe enquanto o loiro continuou. – "Eu queria te falar, mas..."
"Toda vez que eu ficasse bêbado você ia ficar com o cu na mão de eu falar com o Ron que você finalmente pegou a irmã dele"
Draco então relaxou. – "é...tipo isso.."
"Tsct, tsc.." – respondeu o outro com a intenção de começar mais uma vez o discurso de que ele sofre por ser subestimado pelos próprios amigos, mas foi interrompido.
"Já deu com essa meladeira de vocês, né?" – disse Harry brincando como se estivesse irritado. – "Porque alguém aqui resolveu impedir que qualquer um beije até a gente brindar."
"Mentira! Eu só disse que a gente vai brindar agora.. aí você ia ser interrompido e... e ia ser ruim!" - disse Gina ficando cada vez mais vermelha até que, como sempre, Colin veio ao seu resgate.
"Então gente, todo mundo com suas taças na mão!" - disse ele, ficando ligeiramente surpreso quando foi obedecido. - "Hum.. a gente vai brindar a que mesmo?"
"à mim!" - diz Blaise, levantando a taça e esperando que todos fizessem o mesmo.
Todos o olharam entre o estarrecimento e a vontade de rir da cara de pau do amigo, então Harry levantou a peça sorrindo na direção de Blaise. – "Que tal à todos nós?"
"Eu acho 'à mim' melhor..." – brincou Blaise.
"À nós, então!" - disse Coli. – "À novas amizades."
"À novas amizades" – repetiram todos já começando a abraçar quem estivesse mais perto.
Depois de abraçar Draco e Harry, Blaise virou pro Colin para achar o novo amigo engajado em um abraço que não parecia que acabaria tão cedo com Chris, então virou novamente e achou todos os casais em atividade parecida envolvendo beijos. Ele pegou então a garrafa de champanhe e a levantou. - "Alas.. agora somos só eu e você, companheira." - falou sarcasticamente então voltou a encher a sua taça mas, antes que dela bebesse, foi interrompido pela voz que o tinha encantado no hotel.
"O bom de champanhe na virada do ano é que deixa o papai sonolento." - disse Bruna sorrindo então mordeu a boca tentando parar de sorrir só por estar perto de Blaise.
Ele sorriu genuinamente feliz, então pegou a outra garrafa de champanhe que restava fechada no balde e adotou sua pose de sempre. - "Quer ir procurar um cantinho escuro propício pra fornicação clandestina?" (N/a: gente, pra quem não lembra, foi isso que o pai da Bruna falou ao proibi-la de sair de novo com o Blaise.)
fefyssssssssssssssssssssssssssssss
O resto do baile se passou rapidamente, com cada um dos casais do grupo aproveitando as primeiras horas do novo ano á seu modo, até que horas depois o grupo de amigos poderia ser visto assistindo a primeira manhã do ano nascer em uma das sacadas do hotel, estranhamente sóbrios considerando o tanto de champanhe que haviam ingerido. O início perfeito para um ano que todos ali sabiam que seria difícil para alguns do grupo...
"Harry, a verdade pode doer, mas eu tenho que te avisar. Eu tô com a Bruna." - Disse Blaise arrancando um riso cansado de todo mundo ao empurrar a cabeça de Harry que havia acabado de cair no seu ombro porque o outro havia pegado no sono.
"Vai se fuder, cara!" - riu Harry, instantaneamente acordado e então começou a se levantar. - "Galera, já deu pra mim. Eu tava sonhando com a Pa-Amber e acordei no colo do Blaise." - falou rapidamente querendo disfarçar o deslize que demonstrava que ainda pensava naquela que havia pisoteado no seu coração e o feito virar um cafajeste e pupilo de Blaise
"Eu também já vou." - disse Blaise também se levantando então hesitou um momento. - "Se bem que agora eu tô com medo de dormir no quarto com você, cara." - disse na direção de Harry, que somente o respondeu mostrando o dedo. - "Sai pra lá com isso! Vou dormir com vocês, Draco."
"Nem pensar, cara." - respondeu Draco lembrando da última vez que o amigo dormira no seu quarto.
"Medo dela descobrir que eu sou melhor, hã?" - respondeu Blaise enquanto todos já se levantavam calados, muito cansados pra falar, quando Draco lhe respondeu com o mesmo gesto que Harry havia feito. - "Ô! Vocês tem que parar de ficar me mostrando isso!" - então se virou pros últimos que tinham outro quarto no grupo e começou a falar. - "Vou dormir no quarto de voc..." - parou ao ver a risada nos olhos de todo mundo então pegou o cobertor no chão e saiu andando fingindo indignação, indo na direção do próprio quarto.
fefysssssssssssssssssssssssssss
Depois da festa, o ano novo parecia debochar da alegria do grupo de amigos ao correr como um maratonista e fazer com que os outros dias passassem tão rapidamente. Cada casal facilmente se perdeu em sua paixão e descobertas individuais e, antes que qualquer um deles percebesse, sua última manhã de liberdade se iniciava.
"hummmmm" – se espreguiçou Gina, ainda de bruços na cama, então sorriu ao sentir uma mão passeando por suas costas. Ao abrir os olhos, a ruiva se deparou com o olhar pensativo de Draco.
"Bom dia." – ele murmura com um pequeno sorriso.
"Se começou assim, imagina o resto." – ela responde suspirando então, ao ver o arquear de sobrancelhas dele, ela revira os olhos. – "Eu sei, ultra piegas.. Mas piegas na minha opinião é super underrated, então continua coçando as minhas costas enquanto eu penso em outra coisa bem melosa pra dizer. – ela fala empurrando a cabeça no travesseiro pra esconder o fato de que está sem graça.
"Mas eu estava mexendo em você na esperança de você se virar e eu poder pegar de novo no seu peito."
"Draco!" – ela tira a cabeça do travesseiro com os olhos arregalados e, contra a sua vontade, sorrindo abertamente. – "Você precisa ser assim tão... tão.. honesto, aliás, descarado?!"
"O que? Agora que você deixou uma vez, eu tenho acesso ilimitado." – responde ele rindo, ao mesmo tempo em que tenta de brincadeira fazê-la virar. – "São as regras: campo trilhado é campo conquistado."
"Sai, seu... seu tarado!" – responde ela, achando graça da cara emburrada do namorado quando ela abraça o travesseiro e se levanta. – "Obrigação primeiro. A única coisa que você vai pegar agora são as roupas para colocar na mala! Depois eu vou pensar no seu caso." – ela continua em tom de brincadeira então parou ao perceber a expressão alegre do namorado se tornar taciturna.
"Eu tinha esquecido que a gente ia embora hoje..." – disse Draco, parecendo falar consigo.
"É, por um momento eu também esqueci." – Respondeu ela com um sorriso incerto.
E assim, em um clima estranho de sorrisos meio sem graça e beijos angustiados, os dois arrumaram as malas e se despediram do seu refúgio do mundo.
A todo segundo Gina tentava não acreditar nas dúvidas que começaram a apertar seu coração. Porque ela já vira essa expressão de despedida no rosto do namorado.
É exatamente a mesma que ele usou antes de encontrar os pais na noite em que eles se beijaram pela primeira vez.
fefysssssssssssssssssssssssssssss
Mais tarde, com as malas já dentro dos carros, todos esperavam Draco acertar sua conta, que havia ficado por último já que ele e Gina haviam sido os últimos a liberar o quarto.
E enquanto Harry trocava contatos com Amber sabendo que, apesar de ter gostado dela, não manteria um relacionamento à distância quando que não tinha dado certo namorando nem uma menina na mesma escola, Blaise surpreendeu a todos aparecendo com o cabelo penteado de lado e pedindo ao pai de Amber a autorização oficial para eles namorarem.
"Caramba, você acredita naquilo?" - comentou Gina com Colin, apontando pra Blaise.
"Eu não sei o que me deixou mais surpreso: O Blaise prestando ou o Harry deixando de prestar." - respondeu ele, então ficou com uma expressão triste pela situação do amigo. - "Você viu que ele tava sonhando com a Paty ontem?"
"Vi... deve ser por isso que ... "Draco!" - 'reclamou' Gina com um sorriso maior do que cabia no seu rosto ao ser abraçada por trás e então virou de frente pro namorado fazendo beicinho. - "A gente tem que ir hoje mesmo?"
"Não, eu acabei de contratar mais 10 dias."
"Sério?!"
"Não." - respondeu com um sorriso brincalhão que foi diminuindo rapidamente diante da expressão assassina de Gina.
"Você tem sorte dela não estar de TPM" - comentou Colin antes de sair em direção do carro, onde Blaise, Harry e Chris já o aguardavam.
fefyssssssssssssssssssssssssss
Será que se eu beijar o Draco agora tem perigo de bater o carro? - pensava Gina olhando pro namorado enquanto ele dirigia. - Porque essa música é a cara de beijo. Aquele beijo devagaaar que ele dá.. ai,... - continuou a ruiva sentindo as famosas borboletas no estômago.
"Quer que desligue o ar?" - perguntou Draco se referindo ao ar condicionado.
"Hã?"
"Você tá arrepiada. Não tá com frio?"
"Eu? Não, não tô não." - respondeu Gina com um sorriso sentindo seu rosto esquentar, então relaxou quando ele pegou na sua mão, irresponsavelmente enquanto dirigia em uma estrada. Segundos se passaram e Gina já estava de novo perdida em pensamentos quando a sua trilha sonora diminuiu drasticamente. - "Não, eu adoro essa música!"
"Eu acho que a gente tem que conversar." – disse ele em tom relutante e com isso acendeu todos os sinais de alerta vermelho para a neurose de Gina.
"O-oquê?" - perguntou Gina sentindo todo seu corpo ficar dormente de nervosismo. Por isso que ele estava com aquela cara.. Ele vai fazer de novo. Ele só quer ficar comigo longe de todo mundo. E ele vai acabar o namoro. - pensou a ruiva em milésimos de segundos e sua visão se transformou na imagem de Draco beijando aquela outra garota no shopping. "Sobre como vão ser as coisas agora. Eu achei que a gente podia aproveitar agora para conversar."
"Tá bom, o que você achar melhor." - respondeu Gina com a voz trêmula, deixando todos os seus medos ficarem transparentes no seu rosto mas, como Draco estava dirigindo, não teve como perceber que a namorada estava à beira de um ataque de nervos.
"Eu não sei se a gente deve ficar junto na frente do papai agora, o que você acha?" - perguntou Draco, olhando pra ela rapidamente, prestando atenção na estrada ao mesmo tempo, mas sua pergunta encontrou o silêncio como resposta. - "Gina?" - chamou mais uma vez, a olhando de novo, quando percebeu uma lágrima escorrendo no rosto da namorada. - "Gina? O que foi?" - perguntou de novo, começando a ficar nervoso, então parou o carro no acostamento, se virou na direção dela e a puxou para abraçá-la.
"voc-ê khburhi não qu-er htudh, que a ge-gente htifgquedjuntoooo!?' - pergunta Gina tentando sufocar o choro e soluços ao mesmo tempo em que tentava falar.
Draco então afastou um pouco o rosto dela de seu ombro então perguntou, agoniado sem saber o que ele tinha feito pra causar aquela reação. - "quê?"
'eu pensei mhjklaawopqlg que a gente qemblhlaf ia pqoitlemg'
"Linda, eu não tô entendendo nada do que você tá falando! O que foi que eu fiz? Você não quer conversar se a gente vai contar pro papai agora?" - perguntou o loiro cada vez mais perdido sobre o que fazer. - A gente só vai falar quando você estiver pronta, tá bom!? Quando você quiser, eu prometo!"
"você ufhriuhjfiurf me enganohfiurhdiuuu e eu v-ou ieuhrih e. - Continuou chorando e falando como louca até que a última frase do namorado foi absorvida pelo seu raciocínio. - "Hã? Falar.. pro papai?"
"É.. você. não quer falar pra ele?" - perguntou o loiro deixando a própria insegurança transparecer.
"Eu quero! Eu pensei que você ia terminar comigo! Você não vai terminar comigo?"
"Gina, eu te..." - começou a falar, mas parou, respirou fundo olhando pro lado, então voltou a olhar pra ela, lhe segurando o rosto. - "Eu quero você... Eu quero ficar com você... e pensei que você sabia disso."
"Eu sei, mas... você começou em um tom tão sério...e aí eu lembrei daquele dia e.. eu pensei que você tinha se arrependido de novo." - respondeu a ruiva, completamente sem graça por ter tido uma reação tão louca e por ter chateado o namorado falando de algo que ela sabia que o magoava.
Ele ficou alguns segundos somente a olhando, então a beijou intensa e lentamente, como se quisesse acalmá-la, então voltou a se afastar com um olhar de arrependimento por tê-la magoado tanto naquele dia a tanto tempo atrás. - "Eu não sei o que mais eu posso fazer pra te deixar mais segura sobre o que eu sinto por você."
"Fica comigo..."
"Nada pode me convencer a não ficar." - respondeu ainda a olhando com a mesma intensidade então, ao perceber que Gina já estava ficando sem graça pela reação que teve, ele tentou deixar o clima mais leve. - "A não ser que você me dê esses sustos toda vez que eu quiser conversar."
"Besta.." - respondeu ela, sorrindo, então deitou no ombro dele se fazendo confortável como se eles não estivessem num acostamento de auto-estrada, quando o celular de Draco tocou.
"Alô? ... Não, não teve problema não, pode ir indo devagar que eu já alcanço vocês. Tá... Falou."
Sabendo que a ligação tinha sido dos amigos, pelo jeito preocupados por eles terem parado o carro, Gina simplesmente continuou a conversa. - "Mas então.. quando você acha que a gente deve falar pro papai?"
"Então..." - começou ele, passando a mão no cabelo dela. - "Eu acho que a gente devia esperar até pelo menos o meu aniversário. Não porque eu estou incerto nem nada assim." - esclareceu, com medo dela começar a chorar de novo. - "Mas porque a gente não sabe qual vai ser a reação dele... e se ele não aceitar não vai ter que se preocupar em arranjar um novo tutor pra mim... vai dar menos trabalho pra ele." - explicou com a voz um pouco triste, por saber que poderia chegar a esse extremo.
"É, eu acho que você tá certo..." - concordou Gina, com medo do quanto o namorado sofreria se o pai deles realmente quisesse parar de ser guardião dele legalmente, então se levantou do colo dele lhe roubando um beijo infantilmente. - "Vamos então? A gente pode conversar sobre o resto com você dirigindo. Eu já acabei o drama queen process." - disse ela sorrindo e ganhando um sorriso de volta.
"Vamos"
fefysssssssssssssssssssssssss
O resto da viagem transcorreu em uma alegria tênue, já que ambos estavam divididos pela felicidade que sentiam por tudo que estava acontecendo entre eles e a aflição por não saberem o que esperar do futuro.
Antes do que gostariam, todavia, já estavam adentrando o pátio da casa em que moravam.
Draco puxou o freio de mão após estacionar o carro então virou para a namorada a encontrando com um sorriso no rosto. - "Que foi?" - perguntou também já sorrindo.
Ela balançou a cabeça, meio que rindo das lembranças então começou a explicar. - "Lembra aquele dia que a gente tava brigando no carro por causa do rádio e quando eu fui sair eu caí?"
"O dia que você tava com a calcinha de cereja?"
"Draco você quer voltar a ver a minha calcinha num futuro próximo?" - perguntou Gina com uma sobrancelha levantada.
"Tá, ta, eu lembro sim daquele dia."
"Então..." - continuou a ruiva. - "Naquele dia eu caí saindo do carro porque achei sexy você dirigindo.. E puxando o freio de mão assim... Com essa firmeza..." - continuou, sentindo seu rosto esquentar ao perceber o olhar do namorado escurecer de desejo e também que ele começara a se aproximar devagar, quando o barulho da porta de casa se abrindo os forçou a lembrar onde estavam.
"Graças a Deus vocês chegaram!" - disse Ron andando em direção ao porta malas. - "Abre aqui, Draco!" – bateu o ruivo no carro e, após Draco apertar o botão do porta-malas dentro do carro, prontamente começou a tirar tudo dali, como se quisesse se assegurar de que não teria mais que ficar sozinho com Percy.
Drago e Gina se olharam, então fitaram a porta de casa. Realidade...
Fefyssssssssssssssssssssssssss
Sem saber quando teriam que enfrentar seus problemas, Draco e Gina aproveitaram juntos os seus últimos dias de férias, roubando minutos de intimidade e carinho sempre que podiam. O fato de que para todos eles pareciam ser os mais unidos dos irmãos era ignorado por ambos... E continuaria a ser ignorado até que algo os obrigasse a confessar que essas pessoas, inclusive seu pai, estavam erradas. O tempo, todavia, passava sem trégua e ambos pareciam sentir que algo estava para acontecer.
E assim os dias de calmaria se passaram sendo transformados em vários momentos a serem lembrados com um sorriso nos momentos de tristeza...
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"Ok.. O retrovisor ta bem, os espelhos do lado também estão ok, o banco ta no lugar, eu alcanço os pedais, to de cinto de segurança.. Você ta de cinto de segur..." - Gina murmurava seriamente pra si mesma até que foi interrompida pela voz do namorado.
"Você já checou isso tudo quatro vezes, Gina, não dá pra dar partida logo não? Do jeito que eu te ensinei?" - disse Draco com uma voz tão paciente que qualquer um que o conhecesse veria que ele estava respirando fundo pra não se irritar.
"Péra..." - respondeu a ruiva levantando a mão pra dar mais ênfase ao pedido, alheia ao estado de quase perda de paciência do seu instrutor daquele dia. - "Retrovisor ok.. Espel..."
"Linda.." - disse Draco, com sua impaciência ligeiramente mais aparente.
"Eu to com medo, Draco!" - confessou a ruiva, fazendo o beicinho que logo exterminou a irritação de Draco. - "Eu sou desastrada em tudo que eu faço! Eu consegui dar perda total no meu carro da Barbie que não tem nem motor!"
"Gina, você tinha uns 6 anos. Eu destruía todos os meus carrinhos também nessa idade."
"Mas eu tava fazendo a Barbie ir pra missa naquele dia!"
Draco a essa altura já estava começando a rir da namorada. - "Você não acha que era pra eu estar preocupado não? Já que a gente ta no meu carro? Vai, dá partida. É só fazer do jeito que eu te ensinei."
"Acho melhor eu ir na auto-escola mesmo..." - começou Gina, hesitando em se colocar a mercê da sua falta de coordenação motora nessas horas.
"São só cinco quarteirões até a mansão..." - murmurou Draco com um sorriso safado, colocando a mão na perna de Gina e subindo um pouco. - "Quase não tem trânsito pra lá essa hora..."
*barulho do carro dando partida*
"Viu como é fácil?" - perguntou Draco, orgulhoso do progresso que haviam feito.
"Humrum." - respondeu Gina mordendo a boca em concentração, parecendo ter muita pressa de sair logo dali. - "Péra que eu to me concentrando." - completou, antes de começar a fazer o carro andar.
Ao notar a rapidez com que chegavam ao portão, Draco começou a se perguntar se a estratégia que havia usado pra convencer a namorada havia sido prudente. - "Gina, vai mais devagar.. Isso... Devagar, Gin...
"Qual é o freio? Esqueci qual é o freio!" – respondeu ela, tirando os pés de todos os pedais com os olhos arregalados, então Draco de pronto puxou o freio de mão, impedindo que o carro colidisse com o lado do portão.
Gina desligou o carro e olhou aflita o namorado, que parecia dividido entre rir e absorver que ela realmente quase havia batido o carro antes mesmo de sair da casa deles. - "Minha Barbie também não chegou na missa naquele dia..."
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Mesmo já sendo a segunda noite em que dormiriam separados, Draco e Gina ainda sentiam dificuldade em se acostumar novamente a dormir sem o outro perto. O loiro, sendo o mais cara de pau dos dois, respirou fundo, se sentou na cama e decidiu dar boa noite à namorada pela terceira vez naquele dia.
Menos de um minuto depois Draco já abria a porta do quarto de Gina silenciosamente, parando um momento para se congratular por ter comprado WD 40 e passado naquela bendita porta, acabando com o ruído estridente que fazia ao ser aberta, então entrou no quarto, encontrando-o vazio. - "Gina?"
"Aqui." - veio a voz do banheiro, logo depois acompanhada da cabeça de Gina pra fora da porta. - "Soh uhn instantchinho." - disse ela, com a boca cheia de pasta de dente e os cabelos presos num coque como os de lutadores de sumô, então voltou a desaparecer no banheiro.
"Tá." - respondeu ele ao mesmo tempo em que já se fazia confortável na cama da ruiva, quando após alguns instantes se lembrou de uma coisa que queria pedir já a algum tempo. - "Gina?"
"Hum?"
"Me dá aquela calcinha de cereja de presente?"
"Seu pwevetido." - disse ela rindo do banheiro ao mesmo tempo em que acabava de passar o fio dental.
"É sério, eu vou pegar, ta?" - perguntou ele, já se levantando e, ao não ouvir nenhuma objeção, caminhou para o armário.
Ao abrir a primeira gaveta, contudo, foi atacado por Gina com o rosto ensaboado e o olho esquerdo comprimido em um esforço para impedir o sabão de entrar.
"Não, não, não, não!" - murmurava ela com urgência ao mesmo tempo que tentava puxá-lo pra longe dali pela cintura, mostrando que sabia que nem no desespero eles podiam deixar de ser discretos. - "na minha gaveta não, depois eu pego e te dou. Vem, Draco, depois eu te dou a calcinha"
Sem entender a nova doideira de Gina, Draco começou a rir, já se deixando ser puxado quando algo lhe chamou a atenção dentro da gaveta. - "Gina, aquilo ali é uma cueca?" - riu.
"Ai..." - suspirou Gina, vendo que era inútil tentar evitar que ele soubesse a verdade. Ela então largou o namorado e voltou para o banheiro para acabar de lavar o rosto. Ao voltar para o quarto Draco estava sentado na cama com a cueca na mão e um olhar risonho.
"Essa cueca é minha." – Ele afirmou com uma interrogação explícita em seu olhar.
"É.. eu.. Eu roubei quando eu fiquei presa no seu guarda roupa." - balbuciou sem querer responder de verdade a pergunta.
"Hã? Presa no meu..? - O_o
"É que eu fui pegar a carta de amor que eu escrevi bêbada... Aí a porta fechou e eu fiquei presa.. Aí eu vi a cueca e.. aí eu pensei.. que o seu.. e aí.. Aí eu.. Ah, Draco, é minha cueca da estimação e pronto." - disse Gina, sentindo o rosto ferver de vergonha. – "Me dá.." - terminou pedindo a cueca com a mão estendida e sem olhar pro namorado.
Draco, sabendo que nunca iria entender as mulheres, e muito menos a que ele resolvera se apaixonar, riu e então levantou o rosto da namorada gentilmente a fazendo olhar pra ele. - "Diante disso nada mais justo do que eu ganhar mesmo aquela calcinha, né?"
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"Draco, eu achei uma música perfeita!" - disse Gina, ao mesmo tempo em que entrava no quarto do namorado, segurando o laptop e uma sacola de plástico na mão e então fechou a porta, a trancando.
"Que?" - perguntou Draco, se levantando da cama, onde estava lendo um livro apenas com uma calça de pijama e indo ao encontro da namorada.
"Uma música perfeita pra ser trilha sonora de beijo." - respondeu ela e, antes que Draco a abraçasse como ele tentava fazer, ela pegou no seu braço e o puxou pra cama. - "Se essa música fosse um beijo ela ia ser o seu beijo, entende? Porque ela é lenta e aimmmmmm! Entende?"
"... ahn... Acho que sim." - respondeu o loiro, satisfeito com o elogio, meio que rindo e meio que já se perguntando o que Gina estava inventando desta vez.
"Então tá! A gente faz assim ó..." - começou ela se fazendo confortável em cima da cama e abrindo o laptop, onde já tinha uma página do youtube aberta. - "A gente começa a conversar como sempre, mas aí quando você sentir que está chegando ao refrão, você nota que tem um pouco de sorvete no canto da minha boca."
"Hum... sorvete?" - perguntou Draco, resolvendo dar corda pra maluquice de Gina.
"É, eu trouxe, ó!" - mostrou a sacola que carregava e então tirou um potinho de sorvete e uma colher dali.
Draco começou a sorrir, balançando a cabeça sem acreditar no que via, então se forçou a prestar atenção. - "Tá, e depois?"
"Então.." - recomeçou ela empolgadíssima, sem dar nota à expressão divertida de Draco. - "Aí você se aproxima lentamente e limpa o sorvete com o dedo. E aí fica olhando intensamente pra mim. Tem que ser tipo "estou-entendendo-sua-alma-e-te-quero-como-nunca intenso, sabe? E aí que começa o refrão e aí você me beija! Aí eu vou ter tido um beijo de filme com trilha sonora!"
Incapaz de conter o sorriso novamente, completamente apaixonado por sua namorada maluquinha, Draco apenas acenou positivamente com a cabeça quando a ruivinha perguntou se podia começar a música, sem prestar atenção em nada além do sorriso animado dela.
Antes mesmo da primeira estrofe da música terminar, Draco não se conteve e estragou os planos de Gina a beijando.
"Draco..." - protestou Gina fracamente, mas respondendo ao beijo, quando Draco se afastou um pouco, pegou a colher que estava na mão dela cheia de sorvete derretendo, a passou no lábio inferior e o mordeu de leve. - "Drrra..." - e foi beijada novamente.
Uma hora depois, uma ruiva com sorriso abestalhado no rosto e cabelo melado de sorvete voltava para o quarto com uma nova música preferida na cabeça.
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"... hum...e aí, viu alguma coisa de interessante?" – perguntou Gina se referindo ao cardápio de comida chinesa que Draco segurava, após colocar o da delivery de pizza que ela estava olhando em cima da mesa.
Ele baixou o cardápio, então sorriu daquele jeito sacana e brincalhão ao mesmo tempo que a deixava de pernas bambas. - "Vi.. uma ruivinha que é uma delícia."
"haha, besta, eu to falando de coisa pra comer..."
"Eu também."
"DRACO!"
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"Como vai ser no colégio amanhã, Draco? Vai ser tão ruim ficar longe de você.." – murmurou Gina passando de leve as unhas na barriga dele, enquanto aproveitavam para ficar deitados juntos no quarto de Gina naquele domingo com a casa vazia.
Ele respirou fundo então, após alguns segundos pensativo, a apertou contra si praticamente a colocando em cima dele. – Não sei... É foda, porque parece que é mais óbvio agora que nós ficamos esse tempo todo juntos. Antes eu poderia almoçar com você, te abraçar sem problemas. Agora parece que eu tenho a porra de um cartaz colado na testa: safado que gosta da irmã de criação.
Estranhando a frustração com que Draco havia entoado suas palavras Gina recuou um pouco. – "É isso que você acha? Que o que existe entre a gente é algum tipo de perversão. "
"Claro que não, linda, mas é isso que vão falar se desconfiarem. Eu não gosto nem de pensar o que vão falar de você se descobrirem... Foi por isso que quando a gente se beijou a primeira vez eu tentei fugir do que estava sentindo..." – ele parou um pouco então Gina levantou a cabeça e a apoiou na mão em cima do peito de Draco para conseguir ficar olhando pra ele.
"Ninguém tem nada a ver com a gente, Draco, então deixa falarem o que quiserem. Eu só me preocupo com o papai."
"Eu me preocupo com você... você sabe como o círculo social que a gente é obrigado a viver fala e você sabe que gostam de murmurar por aí que a sua mãe só era amiga da minha por interesse..."
"Eu lembro de ver o papai consolando a mamãe algumas vezes por isso... Mas já passou, Draco, ninguém mais fala isso."
"Você não sabe, Gina... mas eu percebo as coisas quando vou na Malfoy Enterprizes. O Arthur é tão gente boa que não liga pro que dizem, mas muita gente lá faz piadas pelas costas dele, principalmente agora que eu estou mais velho... Imagina o que vão falar quando a filha dele resolver ficar comigo agora que eu vou completar 18 e ter acesso à minha herança? Não precisa ser gênio pra saber que não vão te chamar de princesa."
".. mas... mas o que a gente pode fazer? Eu não me importo que falem de mim..." – falou tentando fazer ele olhar para ela. – "Hein.. eu não me importo com nada disso."
"Mas eu me importo, e o P-Arthur vai se importar também."
'É..." – murmurou Gina voltando a deitar no ombro do namorado. – "E se a gente aguentasse até você ir pra faculdade? Eu com certeza vou conseguir entrar também e lá ninguém conhece a gente.
Percebendo que havia deixado sua ruivinha preocupada Draco resolveu parar de pensar em coisas tristes pra aproveitar melhor este outro momento roubado. – "Depois a gente decide isso... agora vem cá que eu quero me aproveitar da minha namorada enquanto eu posso." – falou em seu tom brincalhão que aparecia somente quando estava falando com ela.
"ai, nãaaao, você quer aproveitar de mim como?" – perguntou Gina toda manhosa, enquanto ele a virava para ficar em cima dela.
Ao beijá-la, todavia, o telefone de Gina tocou a música que ambos agora detestavam ouvir: o toque de Moly avisando que ela e Arthur estavam chegando em casa. Eles então se olharam dividindo um suspiro frustrado e beijaram lentamente até ouvirem o barulho dos pais entrando em casa, querendo memorizar cada detalhezinho do outro. Apenas ao ouvirem passos nas escadas eles se separaram.
E assim estavam de volta ao teatro de mau gosto da vida em que eram tratados como irmãos.
Fefysssssssssssssssssssssssssssss
Primeiro dia de aula
"Você não vem, Draco?" – perguntou Ron já com a mochila nas costas e saindo do carro.
Querendo enrolar para ao menos poder pegar na mão da namorada, Draco hesitou em responder por não querer mentir mais ainda para o 'irmão', mas foi salvo da mentira quando Ron avistou a ex namorada do loiro andando na direção da entrada do colégio.
"Tá querendo fugir da Pansy, né? Se prepara porque ela até andou ligando lá pra casa um dia desses." – disse batendo de leve nas costas de Draco então deu um beijo no rosto de Gina antes de sair ao encontro de Mione. – "Falou, caçula."
Sem responder Ron, já que ele pulou do carro antes que ela pudesse fazê-lo, Gina olhou para o namorado com um sorriso hesitante. – "A Pansy te ligou tanto esses dias.. talvez você devesse ter atendido. Eu não sei porque mas estou com medo dela estar aprontando alguma coisa."
"Gin, não tem como ela saber nada, o que ela pode estar aprontando?" – perguntou Draco ao acariciar o braço de Gina aproveitando que ninguém poderia ver o carinho do lado de fora do carro.
"Ai, eu não sei, Draco, mas eu estou com a impressão que algo ruim vai acontecer. É estranho ela ficar te ligando insistentemente assim."
"Deve ser porque nós estamos voltando de férias." – ele tentou acalmar a namorada. – "Você sabe como ela se preocupa com essas coisas de popularidade e agora que ela não está mais no Fawkes ela deve querer reatar o namoro comigo."
"Se você tá dizendo.." – murmurou Gina, incapaz de se livrar desse pressentimento ruim que a perseguia a alguns dias. – "Acho que eu estou tão feliz que fico com medo de algo acontecer e estragar tudo".
"Não vai acontecer nada e se você continuar com esse beicinho eu vou acabar jogando tudo pro alto e te enchendo de beijos na frente de todo mundo." – brincou ele deixando sua mão escorregar para a cintura de Gina, ficando satisfeito com a risada brincalhona da namorada e o leve rubor no rosto dela.
"Ta, então vamos logo porque agora quem está tentada a jogar tudo pro alto sou eu." – disse antes de pegar a mochila e, com um último olhar pro namorado, saiu do carro pra ir ao encontro de Colin, que estava caminhando da direção do carro deles como fazia todas as manhãs.
Sem olhar pra trás, para não levantar suspeitas, Gina sorriu para o amigo, que a abraçou e prontamente começou a confidenciar seus avanços no relacionamento com Chris até chegarem na sala em que teriam a primeira aula do dia.
Ao sentar na cadeira e começar a se preparar para o início da aula Gina finalmente voltou a respirar normalmente.
É... Talvez essa angústia que sentia fosse realmente sem sentido.
Fefyssssssssssssssssssssss
"Miga...?"
Gina ouve a voz de Colin ao seu lado então coloca os cadernos que tinha na mão no armário e olha para o amigo. Apreensão no seu olhar foi o suficiente para gelar seu estômago.
Colin engoliu em seco, então olhou ao seu redor parecendo aliviado que o corredor estava praticamente vazio. – "Eu já estava te esperando na porta da cafeteria e aconteceu uma coisa que eu preciso te contar..."
A ruiva fechou o armário, já sentindo lágrimas de medo se formarem. - "Descobriram, não foi?"
"Como é que...? – começou a perguntar, mas percebeu que não faria diferença nenhuma saber como Gina sabia que todos tinham descoberto então passou a contar o que havia acontecido. – "A Pansy... eu não sei como ela conseguiu isso.. mas...Miga, ela tá distribuindo fotos de você e o Draco se beijando pra todo mundo que entra no refeitório."
Ela baixou a cabeça com a mão na boca em um gesto involuntário, lembrando do que Draco havia falado. Realmente agora ela não estava tendo a menor dificuldade em imaginar diversos cenários em que eles seriam crucificados pela malícia daqueles que viviam à sua volta. Antes que pudesse se recompor, Gina teve todos os seus medos confirmados pelo primeiro comentário maldoso que ouviria naquele dia.
"E aí, Gina quer dizer que o Draco tava te mostrando "Who is your daddy todo esse tempo? Ou devo dizer BROTHER" – disparou Tyler Moore, filho de um dos sócios de uma das empresas Malfoy.
"Cala a boca, Moore." – dispara Colin enquanto Gina apenas se encolhe, sem reação, frente aos olhares de quem estava se amontoando em volta deles. – "Senão eu vou dizer pra todo mundo que você queria saber se eu acho o seu pau pequeno."
"Seu filho da puta, isso é mentira!" – gritou o outro olhando freneticamente quem estava ali por perto.
"Mentira ou não, eis a questão". – Comentou Colin como se fosse pra si mesmo, mas de modo que todos ouvissem, deixando claro que era melhor ninguém falar nada, porque se havia uma coisa poderosa para acabar com a reputação de qualquer um naquele colégio era a fofoca. A atitude de Colin, todavia, não inibiu os olhares maldosos da pequena multidão que começou a se juntar ali ao perceber que Gina, a mais nova fofoca quente, estava ali. – "Vem, miga, vamos sair daqui."
Se deixando levar pelo amigo, Gina apenas ficou de cabeça baixa, mas pôde ouvir alguns comentários que confirmavam que a suspeita de Draco, de que a chamariam de interesseira, já se tornara uma realidade.
Antes que saíssem da muvuca, todavia, uma voz excitada gritou no corredor.
"Briga no refeitório!"
Apenas isto foi o necessário para que todos ali corressem para ver o que havia sido anunciado e Gina, temendo que a tal briga tivesse algo a ver com a bomba que Pansy havia trazido à tona, pegou na mão de Colin e atropelou qualquer um que estivesse na sua frente até que chegou na cafeteria e viu o desastre que aquele dia havia se tornado.
Draco estava sendo arrancado com dificuldade por Harry e Blaise pra longe de Tom Riddle, que, apesar de estar com o nariz e a boca sangrando, cuspiu sangue no chão então começou a rir semi deitado no chão, se apoiando no braço direito. – "Tomara que a sua maninha goste de sadomasoquismo." – comentou provocando risos e algumas exclamações de surpresas porque poucos acreditavam que ele teria coragem de irritar mais Draco depois da surra que havia levado.
"CALA A BOCA, SEU FILHO DA PUTA! – Draco gritou avançando novamente no antagonista do momento e sendo impedido pelos amigos, que o seguravam com dificuldade e gritavam que não valia a pena se queimar por conta daquele bosta. Draco, todavia, estava surdo para o que os amigos falavam – "EU VOU ACABAR COM A SUA RAÇA! ME SOLTA, EU VOU MATAR ESSE CARA", quando a voz chorosa de Gina chamou sua atenção.
"DRACO, NÃO!" – Gina gritou, com medo de que a briga continuasse e Draco pudesse se encrencar ainda mais se machucasse o outro de verdade.
Quando os olhares deles se encontraram a raiva de Draco deslizou de seu rosto em um segundo para dar lugar a desespero de não saber o que fazer pra proteger a mulher que amava de toda essa sujeira que estavam falando dela. As lágrimas de Gina, todas de preocupação com o que estava acontecendo com ele, foram confundidas com tristeza, então, no momento em que Blaise e Harry perceberam que o perigo de Draco matar Ruddle havia passado, eles o soltaram e Draco foi ao encontro de Gina, que correu em sua direção e o abraçou sofregamente, sem que um ruído sequer pudesse ser ouvido no recinto.
Aliás, Tom Riddle chegou a abrir a boca pra falar alguma coisa, mas apenas o olhar de Harry e Blaize foi mais que o suficiente para que ele percebesse que era melhor ficar calado.
"Gina..." murmurou ele de olhos fechados, sentindo finalmente o corpo frágil da namorada contra o seu, sabendo que faria qualquer coisa pra ficar com ela.
Após alguns segundos em que ambos tiravam força um do outro para enfrentar o colégio que os escarnecia com olhares de preconceito e inveja, Draco se separou um pouco da namorada pra poder olhá-la, então limpou suas lágrimas sem dar atenção às dezenas de pessoas que os observavam descaradamente. A beijou levemente na testa e voltou a olhar pra ela, querendo ter certeza de que nada mais havia acontecido com ela. – "Você tá bem? Falaram alguma coisa pra você? Me diz quem foi porque eu..."
"Eu to bem..." – ela o interrompeu, mas ficou imóvel deixando que ele verificasse com os próprios olhos que nada de ruim havia acontecido com ela. – "Mas fiquei preocupada com você, eu não quero que você se meta em confusão por minha causa e..." - murmurou com os olhos marejados de lágrimas, também sem dar atenção a todos que observavam avidamente o momento de carinho proibido entre aqueles que todos sempre consideraram irmãos, até que uma nova voz a interrompeu deixando todo o escândalo ainda mais interessante para todos os fofoqueiros de plantão.
"QUE PORRA É ESSA?" – A voz de Ron Weasley ecoou pelo recinto em que uma agulha caindo no chão poderia ser ouvida, tamanha a atenção mórbida que todos tinham frente ao casal de irmãos de criação. Tanto Draco como Gina olharam apreensivos na direção da porta e a ruiva sentiu como se o coração tivesse parado de bater.
"Ron.. calma, não tem nada demais..." – tentou argumentar Hermione, pegando no braço do namorado ao mesmo tempo em que olhava freneticamente entre Ron e a multidão, procurando alguma pessoa que pudesse ajudá-la naquele instante.
"Como assim não tem nada demais!? Você viu isso aqui? Quem foi que fez essa brincadeira doente?" – argumentou olhando com estarrecimento a foto em suas mãos e pra namorada. – "O Draco já viu isso?" – ao falar o nome do loiro Ron pareceu fazer com que todos que estavam na cantina lembrassem que podiam se mexer porque no momento em que terminou a pergunta foi brindado com o movimento conjunto da multidão que se abriu como uma cortina de teatro para lhe dar visão do espetáculo: Draco descabelado, com a camisa amarrotada e claramente saído de uma briga abrigando uma Gina chorosa e parecendo aterrorizada em seus braços.
Acostumado com o quão cuidadoso Draco sempre fora com a caçula da família, Ron julgou que o irmão já deveria ter até punido o responsável pela brincadeira de mau gosto então se afastou de Hermione sem dar atenção aos seus chamados e começou a andar na direção do casal já começando a rir. – "Draco, você viu isso aqui? Quem foi o doente que resolveu zoar com uma merda dessas?" – começou a falar, quando finalmente percebeu o silêncio a sua volta e a expressão séria de Draco o que o fez parar observando todos à sua volta. Seu olhar aos poucos se tornou de incredulidade então ele voltou lentamente a olhar o papel em sua mão.
"Ron, calma..." – ouviu a voz de Hermione ao seu lado e isto pareceu o tirar do estupor em que se encontrava.
"Isso aqui... isso aqui é verdade?" – praticamente rosnou na direção em que Draco estava e o loiro, percebendo a expressão do irmão, afastou Gina de si com o braço.
"Draco, não..." – choramingou Gina, querendo ficar perto do namorado, mas Harry a puxou enquanto Blaize já se aproximava de Ron.
"Calma, velho..." – tentou Blaize, todavia ver a comoção de Gina foi toda a confirmação que o ruivo precisou pra avançar na direção do irmão de criação de maneira tão rápida que Blaize não foi capaz de contê-lo antes que ele conseguisse dar um murro na cara de Draco.
"SEU FILHO DA PUTA!" – gritou o ruivo ao mesmo tempo em que seu punho acertou o rosto de Draco que, sem querer antagonizar o irmão, e sentindo até mesmo certa resignação com o que estava acontecendo, nada fez pra se defender.
Antes que fizesse um estrago maior, entretanto, Ron foi arrancado de cima de Draco tal como o loiro havia sido poucos minutos antes de cima de Tom Riddle.
"DESDE QUANDO ISSO ESTÁ ACONTECENDO? DEBAIXO DO NARIZ DO MEU PAI! VOCÊ SE APROVEITOU DA MINHÃ IRMÃ?! QUE TIPO DE DOENTE VOCÊ É? ME LARGA! " – Ron tentava furiosamente se livrar daqueles que o impediam de chegar em Draco, enquanto sua voz podia ser ouvida acima de todas as outras, como de Hermione que tentava em vão acalmar o namorado e de Gina que implorava para o irmão não machucar Draco.
'PÁRA, RON, NÃO MACHUCA ELE, POR FAVOR, PÁRA. DRACO! D-DRACOO!
Quando ela finalmente conseguiu abraçar o loiro, a raiva de seu irmão pareceu se revigorar. - "SAI DE PERTO DELE, GINA! ELE NÃO PRESTA PRA VOCÊ!"
"CALA A BOCA, PORQUE VOCÊ TÁ FAZENDO ISSO?!" – gritou Gina na direção do irmão ao mesmo tempo tentava limpar o sangue que escorria do nariz de Draco, sem dar atenção ao loiro dizendo que estava bem.
A cena já se tornara tão dramática que até mesmo os antagonistas do casal já começavam querer controlar o que estava acontecendo de modo a impedir que algo pior acontecesse e muitos ajudavam a segurar o ruivo.
"Mas o que é que está acontecendo aqui?" – a voz estressada do diretor do colégio pôde ser ouvida até que este abrisse o caminho até o núcleo do tumulto. – "Alguém pode me explicar o que é que tá acontecendo aqui?"
"O Malfoy resolveu comer a irmã e agora o Weasley tá tentando salvar a reputação da Maria bilionário ali." – disse o até então esquecido Tom Riddle, adorando estar novamente no centro das atenções.
Suas palavras, contudo, pareceram tirar Draco do seu estado do resignação, pois em menos de um segundo ele já estava tendo que ser contido mais uma vez para que não acabasse com Tom Riddle. – "REPETE ISSO SE TIVER CORAGEM, SEU FILHO DA PUTA, REPETE!
Ron, da mesma maneira, renovou seus esforçar em se soltar, mas desta vez sua fúria também estava voltada para Tom Riddle, que pela segunda vez na vida pareceu perceber que era a hora de ficar quieto. – "EU MATO ESSE CARA!"
"SILÊNCIO!" – disse alto e imponentemente o diretor antes de olhar na direção em que Ron estava sendo contido. – "Ninguém vai matar ninguém, senhor Weasley, agora se você quiser continuar nessa escola vai me acompanhar." – falou antes de olhar para a multidão de alunos – "Acabou o espetáculo! – disse com voz de autoridade. – E quem estiver aqui nos próximos trinta segundos vai ser suspenso por uma semana." – ameaçou, sabendo que muitos dos alunos dependiam de notas boas para manter suas escalas de bolsa no colégio e não se arriscaria a ter esse tipo de suspensão em sua ficha.
Em poucos instantes a cantina foi evacuada, restando apenas o pequeno grupo que fazia parte direta com a confusão e aqueles que impediram que a surra de Tom Riddle fosse ainda pior do que ele havia levado.
"Vocês todos vão me acompanhar até a minha sala agora." – determinou o diretor ao observar que apenas o grupo que interessava estava à sua frente então ficou parado apontando para a saída, os esperando começar a se mover. – "Agora!" – voltou a falar sem deixar qualquer espaço para argumentação, o que finalmente tirou o grupo da inércia.
Tanto Draco quanto Ron demonstraram que poderiam ser soltos e que não fariam nada na frente do diretor e, como Tom Riddle teve juízo o suficiente para não falar mais nada, aqueles que os seguravam aos poucos os deixaram livres e começaram a andar para a diretoria.
Todos já estavam no corredor quando Hermione finalmente teve coragem de pegar no braço do namorado, mas antes que pudesse argumentar qualquer coisa foi interrompida. – "Ron..."
"Você sabia?" – perguntou, já conhecendo a namorada o suficiente para notar que ela não havia ficado surpresa com a foto.
Hermione apenas olhou para baixo, sem conseguir encarar o namorado.
A olhando com decepção, Ron apenas negou com a cabeça o que queria falar, sabendo que coisas ditas com a cabeça quente nunca poderiam ser apagadas, então, sem olhar para a irmã ou Draco, começou a andar pelo caminho que o diretor já havia feito, mas não antes de pegar abruptamente uma das cópias de Draco e Gina se beijando que estava abandonada no chão.
Hermione correu atrás dele, chorando, mas foi impedida por Harry de alcançá-lo. –" Deixa ele, ele precisa esfriar a cabeça." – disse, pensando que o amigo estava indo, assim como o restante do grupo, para a diretoria.
Foi surpreendido todavia, assim como o diretor, quando Ron passou do corredor que levaria à diretoria e continuou caminhando resoluto na direção da saída.
"Senhor Weasley, se você sair é suspensão!"
"Fique a vontade."
Fefysssssssssssssssssssssssss
"Eu estou com medo..." – balbuciou Gina contra o pescoço do namorado enquanto ele a segurava no colo, como se ela fosse uma criança, no banco de trás do carro estacionado em frente à igreja há alguns quarteirões de onde moravam. – "Se o Ron reagiu desse jeito imagina...? Eu nunca pensei que a reação deles pudesse ser tão.. tão..." – nem mesmo conseguiu acabar o pensamento antes que as lágrimas voltassem a verter de seus olhos já inchados de tanto chorar.
"Shhh, calma, linda.. Ele não sabe que a gente ficou junto só agora.. Pelas coisas que ele tava falando... Eu acho que ele pode ter medo de eu estar só me aproveitando de você e saindo com as outras garotas. A gente conversa de tudo e ele sabe que eu nunca levei ninguém à sério. Lembra do 'eu nunca'?" – Draco tentou mais uma vez em vão acalmar a ruiva em seus braços, dando graças a Deus pelo diretor ter sido inesperadamente compreensivo com o drama familiar que tinha acontecido naquele dia e os liberado mais cedo para que pudessem se acalmar antes de enfrentar o pai.
"Mas você viu o jeito dele? Meu Deus do céu, parecia que você tinha me estuprado! Aq.. aquela raiva toda!" - continuou falando tremendo de nervosismo ao imaginar a reação do pai, que a essas horas já tinha visto a foto que Ron tinha levado consigo. – "E agora, Draco, o que a gente faz..?"
"Não sei..." – murmurou a abraçando ainda mais, sem saber o que pensar. – "Eu não sei... Eu acho que tudo vai ficar bem quando todos virem que eu não estou de brincadeira com você. O Ron sempre estourou por qualquer coisa e ele deve estar pensando o pior já que eu não contei pra ele o que estava acontecendo.. sei lá."
"Você acha que o papai vai entender então?" – perguntou Gina esperançosa, finalmente se levantando um pouco para olhar para o namorado.
Sem responder, mas demonstrando em sua expressão de que tinha esperança desesperada que isto acontecesse, Draco apenas enxugou as lágrimas de Gina então a beijou na testa carinhosamente, querendo prolongar ao máximo aquele momento. – "Eu quero acreditar que sim... mas de um modo ou do outro, já está na hora da gente ir... é melhor não deixar eles esperando."
"Não! Vamos... vamos ficar aqui.! A gente pode..." - começou com lágrimas escorrendo pelo rosto e olhando em volta como se isso pudesse lhe mostrar alguma solução. – "vamos.., eu não sei, mas eu não quero voltar. O papai.. o Ron te bateu de raiva..."
Draco a abraçou novamente para obrigá-la a parar com aqueles pensamentos, então se afastou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos, segurando seu rosto com as mãos. – "Por pior que possa ser a reação de todo mundo lá em casa no final vai dar tudo certo. Ouviu?" – perguntou a olhando intensamente, querendo convencê-la do que estava dizendo. – "Sabe como eu sei disso? Por que eu te amo, e nada vai separar a gente, tá bom? A gente vai fazer da certo. Você confia em mim?"
Ela acenou afirmativamente, se esforçando para se apegar às palavras dele, então o abraçou com toda a força que tinha, encontrando alguma felicidade no fato de que ele havia dito as três palavras que ela tanto queria ouvir pela primeira vez. – "Eu também te amo."
Mais algum tempo foi necessário para que Gina finalmente aceitasse ir para casa mas Draco, incapaz de forçá-la a fazer algo que não queria, esperou o tempo necessário para que ela se acalmasse, apesar de ter consciência que deixar a família esperando poderia ser pior.
Ao estacionarem o carro e se depararem com os pais os esperando do lado de fora da casa, tanto Draco como Gina tiveram certeza de que a felicidade tão frágil que tinham construído nos últimos tempos iria encontrar sua ruína naquele instante, pois o olhar aflito e choroso de Molly e a expressão de traição, decepção e raiva de Arthur na direção de Draco foram tudo que eles precisaram para ter certeza de que a reação mais branda que eles esperavam se tornara nada mais do que esperança perdida.
Petrificada de preocupação, Gina, assim como Draco, saiu rapidamente do carro para não provocar mais a tensão dos pais e tentou se concentrar para continuar respirando ao mesmo tempo em que rezava para todos os santos para o pai não falar algo que pudesse destruir Draco. Os segundos até passar do carro e se aproximar novamente de Draco pareceram uma eternidade até que a ruiva desviou o olhar da direção do pai para ver como o namorado estava reagindo.
O que viu a fez se apaixonar novamente pelo loiro.
Draco, apesar de estar sofrendo com a acusação do olhar de Arthur, engoliu em seco então pegou na sua mão, entrelaçando seus dedos nos dela e, antes de caminhar na direção em que Molly e Arthur os esperavam, lhe deu um sorriso tenso. – "Calma, vai ficar tudo bem."
Vê-los andando de mãos dadas, claramente oferecendo e recebendo apoio mutuamente, fez os sentimentos transparentes no rosto de Arthur parecerem triplicar a ponto de que, antes de que chegassem mais perto, ouviram Molly pedindo que ele tivesse calma.
Gina já nem sabia como estava caminhando já que não sentia as pernas de tanto medo sobre o que poderia acontecer. Somente quando se aproximaram e a ruiva percebeu que a mãe tinha os olhos vermelhos de choro é que pôde acreditar o quanto a situação seria difícil, então começou a tremer ao pensar na possibilidade de o pai tentar bater em Draco ou qualquer coisa parecida como Ron havia feito.
Antes que eles chegassem até eles, todavia, Arthur lhes deu as costas e entrou na casa, deixando claro que deveria ser seguido.
"Mãe...?" – começou Gina, já sentindo novas lágrimas escorrendo pelo seu rosto e apertando a mão de Draco querendo inconscientemente impedir que ele entrasse.
"Calma, filha, seu pai só quer conversar." – falou Molly então deu um sorriso trêmulo na direção de Draco e fez sinal para eles entrarem. – "Vamos entrar, tudo vai se resolver. Vamos."
Ligeiramente mais seguros, Draco e Gina caminharam até a sala que Molly os encaminhou, mas antes que pudessem falar qualquer coisa em sua defesa, Arthur se adiantou.
"Virgínia, vai pro seu quarto." – ordenou com a voz resoluta, sem deixar qualquer margem para argumentação, todavia seu tom foi ignorado pela filha.
"Não, eu vou ficar aqui."
"Virgínia, sobe pro seu quarto agora!" – ordenou o pai mais uma vez, transparecendo ainda mais irritação, então Draco pediu que ela o obedecesse.
"Mas Draco..."
"Por favor, linda, respeita a vontade do seu pai." – Draco pediu, entendendo que o pai deveria querer saber como tudo tinha acontecido da boca dele. – "Eu vou ficar bem... acho que é melhor assim." – completou, apertando sua mão em encorajamento.
"M-mas..." – ela tentou novamente, com os olhos amedrontados indo na direção do pai e voltando para o namorado incessantemente.
Conhecendo a filha e tendo visto o estado em que Ron chegara em casa, Arthur pôde entender o por quê de Gina estar tão atormentada. – "Pode subir, Gina, eu gostaria de saber que a minha filha me considera minimamente mais controlado do que um adolescente de 17 anos." – disse deixando claro que nunca chegaria à violência como Ron havia feito, por mais aborrecido que estivesse.
Ela o olhou então se afastou hesitantemente. – "Tá..." – finalmente murmurou, antes de obedecer o pai.
Quando ouviu os passos de Gina subindo as escadas Draco voltou a olhar na direção daquele que considerava seu pai mas, pela primeira vez, não teve coragem de olhar em seus olhos.
"É melhor você subir pra ficar com a Gina." – disse Arthur para Molly, que entendeu que o marido havia decidido ser melhor conversar com Draco sozinho então saiu rapidamente da sala, sem esquecer de antes enviar um olhar de calma para o filho.
"Isso aconteceu durante essa viagem do fim do ano?" – perguntou Arthur no momento em que a esposa saiu, querendo ir direto ao ponto.
"Antes." – respondeu o loiro presumindo, pelo jeito que o pai comprimira os lábios, que ele devia estar lembrando a conversa que tinham tido antes da viagem.
"Antes..." – repetiu o ruivo como se quisesse se fazer acreditar que aquilo estava acontecendo. – "Quando..?"
"Eu.. eu não sei."
"Quando isso começou a acontecer, Draco?" – perguntou outra vez de modo mais enérgico, o que finalmente fez Draco perder a compostura e falar tudo que estava em sua mente.
"Eu não sei quando começou! Eu juro que sempre vi a Gina como a minha irmãzinha caçula e desajeitada e nunca tinha pensado nada que não fosse completamente inocente com ela, mas.. mas aí eu não sei como que isso aconteceu e quando eu percebi já estava sem controle e tudo que eu conseguia pensar era nela. Eu juro que eu tentei..."
"Não tentou o suficiente, pelo visto." – comentou irritado. - "E vocês já estavam juntos quando eu te pedi para cuidar dela naquela maldita viagem! Eu pedi pra você cuidar da minha filha de dezesseis anos e você aceitou ficar no quarto com ela, sendo que vocês estavam...já estavam..." – Arthur ficou fazendo gestos com os braços, sem conseguir pronunciar o que lhe vinha à mente
"O que eu podia falar, pai?"
"A verdade! Mas diante da possibilidade de eu estragar a viagem você ficou quieto."
"Não foi desse jeito, eu.. eu não queria te contar porque eu não sabia se você ainda me aceitaria aqui sabendo a verdade."
"Aí você resolveu mentir olhando nos meus olhos e levar a minha filha pra dormir com você? Eu te criei como um filho e você mente, omite, olhando nos meus olhos!"
"Você acabou de provar como a gente mente sem perceber de vez em quando." – murmurou Draco, cabisbaixo e com os olhos vermelhos com o esforço de não chorar.
"O que?"
"Se você realmente me considerasse um filho não estaria pensando que eu sou capaz de fazer isso tudo de caso pensado. E ainda mais dessa maneira suja que você e o Ron acham que nós estamos juntos." – disse o loiro com a voz rouca e Arthur, conhecendo o filho, pode perceber o sofrimento de Draco, já que ele estava claramente perdendo a luta de se impedir de chorar ao falar cada palavra.
"Eu sou um homem de meia idade que chegou em casa para almoçar e fui surpreendido por um dos meus filhos chegando completamente transtornado dizendo que meu outro filho estava 'comendo' a minha filha caçula e que todos na escola já a estavam chamando de puta, golpista e não sei mais o que. Como é que você quer que eu reaja numa situação dessas, Draco?"
"Não sei, mas se eu fosse seu filho de verdade como você gosta de dizer, você não pensaria o pior logo de cara."
"Se eu estivesse pensando o pior, você pode ter certeza que essa conversa não estaria acontecendo. Você é meu filho e, como tal, é melhor baixar o tom para falar comigo. Eu quero entender o que está acontecendo aqui. Por que vocês não vieram falar comigo e com a sua mãe quando isso começou?"
"Eu não tive coragem de assumir nem para mim mesmo no início, pai! Como é que eu ia chegar em você e dizer que eu tinha me apaixonado pela Gina? Eu.. eu estava me achando um doente pervertido! No início eu achei que podia ficar perto dela e esperar esse sentimento passar, mas foi ficando mais forte e.. quando eu tentei parar tudo...
"Você tentou parar o que? O que você estavam fazendo?" – Arthur o interrompeu, incapaz de controlar a imaginação sobre tudo que eles poderiam estar fazendo.
"Nada! Nada, eu juro! Parecia.. parecia que nós dois sabíamos que algo estava diferente, mas nem a gente conversava sobre o que estava acontecendo. Às vezes eu até achava que ela estava só agindo normalmente, como sempre foi comigo, e eu que estava vendo demais. Mas mesmo sem saber se eu estava viajando, eu não queria me afastar, até que um dia rolou um beijo e eu comecei a pensar no que falariam dela e... aí eu tentei me afastar." – Draco explicou, resolvendo não entrar em detalhes para que o pai não lembrasse do acidente de Gina.
"Hum... as brigas..."
"É, as brigas..."
"Então as brigas começaram depois do primeiro beijo de vocês..." – murmurou para si mesmo, se deixando respirar mais aliviado por saber que a impressão de Ron sobre o que estava acontecendo entre Draco e Gina com certeza estava errada. – "E quando vocês fizeram as pazes? Por que não vieram falar comigo?
"A gente se entendeu no natal. Poucos dias depois tinha a viagem... mas eu juro que não foi de caso pensado que nós não falamos nada. Pra falar a verdade eu... eu só queria ficar perto dela. Mas eu também não queria perder a minha família de novo, então desculpa se eu não fui sincero naquele momento. E.. e nós íamos contar tudo depois do meu aniversário, eu juro! Eu nunca quis enganar ninguém eu só pensei... eu... eu só queria poder ficar junto da Gina... e ficar aqui em casa com vocês como sempre. E o Ron me odeia agora.. eu só queria ficar junto da Gina, eu..." – disse Draco agora sem conseguir impedir que as lágrimas escorressem de seus olhos, as limpando agressivamente com a mão.
"Seu aniversário? Não me dig..." – Arthur levou a mão à testa e fechou os olhos por um segundo antes de voltar a olhar para o filho.- "Vocês queriam esperar até que você não precisasse mais que eu fosse seu tutor... É isso?"
Draco apenas acenou que sim com a cabeça, ao mesmo tempo em que enxugou o rosto novamente. – "Eu não queria te dar trabalho, caso você... sei lá, quisesse que eu fosse embora ou.. sei lá..."
"Meu Deus, Draco... Meu deus do céu..." – Arthur respirou fundo, então levantou do sofá, passando a mão pelo cabelo. – "É claro que eu não vou te expulsar, meu filho."
Draco levantou então a cabeça rapidamente, olhando, pela primeira vez durante a conversa, nos olhos de Arthur. " não?" – perguntou, com esperança e começando a se deixar acreditar que talvez tudo fosse ficar bem.
"Não. Mas eu e você vamos..." – Arthur olhou para os lados como se pudesse achar uma solução. – "vamos para um hotel ou algo assim por um tempo e a Moly vai ficar aqui com os seus irmãos. E isso entre você e a Gina vai ter que parar."
"Parar...?"
"Pelo menos enquanto eu tento entender o que estou pensando disso tudo."
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Após a primeira noite num apart hotel, em que Draco passou a madrugada conversando com o pai e respondendo a todas as suas perguntas com sinceridade inegável, Arthur voltou para casa e ficou decidido que Draco ficaria com os gêmeos.
Depois disso uma semana se passou sem que Gina fosse ao colégio e, a pedido de Arthur, o casal se falava apenas pela webcam, no celular e por mensagens.
Embora aceitassem as condições do pai, cuja reação estava sendo bem melhor do que imaginavam já que não os impedia de se falar, esse banimento logo se tornou uma tortura.
Mas nada que falassem convencia o patriarca da família de que poderiam enfrentar juntos como família o julgamento de toda a cidade, eufórica em finalmente poder manchar o nome da até então respeitada família Weasley e até mesmo dos Malfoy.
E separados ficavam...
Draco passava os dias calado. Assistia às aulas, ia aos treinos e no início da noite estudava com Arthur acerca de tudo que herdaria, assim como participava de um processo de seleção de candidatos para o posto de co-tutor enquanto estivesse na faculdade.
Arthur, claro, permaneceria tutor de seus bens, pois só tinha seu melhor interesse em mente, mas para acalmar os demais acionistas das empresas e cadeiras de diretores, ele julgava melhor ter uma diretoria conjunta com um CEO imparcial. Pelo menos até que tudo se acertasse e Draco pudesse aos poucos ir assumindo o posto para o qual nascera, de dirigente do império financeiro que eram as empresas Malfoy.
Antes de dormir Draco falava com Gina até um dos dois pegar no sono, contudo, sem alcançar alívio no vazio que sentia eis que não podia sequer abraça-la.
Por que estavam sendo punidos se ele estava fazendo tudo que Arthur havia pedido?
Gina, de tanto repetir que Draco não era seu irmão e que não havia nada de errado em amá-lo a ouvidos surdos, já começava a duvidar da própria sanidade. As redes sociais se tornaram um pesadelo e dormir um refúgio... um modo de aguentar as horas do dia até que pudesse falar com Draco no telefone à noite. Era mesmo indigna? Pecadora? Sem vergonha?
Arthur, por sua vez, passou todos esses dias vendo sua caçula definhar em tristeza e seu filho se fechar em uma expressão resignada ao fazer tudo o que ele pedia. Os poucos momentos em que seus olhos encontravam os de Draco ele podia testemunhar a expectativa sem esperança do filho. Não sabia nem que era possível se esperar algo sem ter esperança, só sabia que estava falhando miseravelmente com os dois. E com Lúcius, seu grande amigo a quem devia tanto e que, por intermédio da amizade de suas esposas, acabou vendo como um irmão que nunca teve.
Arthur se viu sem saídas.
Só conseguia pensar que precisava fazer algo para mudar aquela situação e apenas uma solução lhe vinha à mente: Precisava tirar sua caçula da cidade, já que não havia condições de ela voltar para o colégio e, após algumas publicações a respeito do 'romance incestuoso e tórrido entre a caçula Weasley e o herdeiro Malfoy', sequer frequentar outro colégio na mesma cidade. E ficaria ao lado do filho dando o apoio que precisasse para acabar os estudos e enfrentar essa tempestade.
Resoluto de que não havia outra saída para o problema que enfrentava, Arthur respirou fundo olhando para a porta do quarto da filha, com uma carta de transferência para um colégio de grande prestígio em Kopparberg, cidade em que a madrinha de Gina morava, à 240 quilometros dali, e girou a maçaneta.
Esperava que sua florzinha algum dia o perdoasse e, Deus o perdoe, se o amor entre Draco e Gina fosse de fato verdadeiro, um tempo separados não o destruiria.
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Gina observou o pai sair do quarto sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto e uma dor intensa na garganta, como se apenas chorar não fosse o suficiente. Ao escutar o 'click' da porta fechando como uma sentença final, ela pegou o celular até então abandonado no travesseiro.
Sequer sentia o colchão da cama embaixo de si... Estava dormente.
Ao escutar os primeiros sinais de chamada ela deitou no travesseiro e levou a mão à cabeça. O que eles fariam agora? Será que Draco já sabia da decisão de Arthur? Será que ele concordava? Será que...?
"Oi, linda." – Draco atendeu com a voz baixa e Gina, apesar da tristeza, sentiu o coração bater mais forte.
"Draco..."
"Eu sei... não precisa falar... O papai conversou com você sobre a casa da tia Andromeda, né..." - ele começou com o mesmo tom baixo e ao final foi parecendo perder um pouco a força. – Ele veio conversar comigo há umas duas horas... Pediu para eu deixa-lo conversar com você primeiro..." – ela ouviu ele engolir em seco. - "Eu... eu não sei o que fazer, linda... eu... eu estou fazendo tudo o que o papai pede para tentar acabar com essa situação. Eu já comecei a acompanhá-lo todas as tardes para as empresas... e eu vim pra casa dos gêmeos... eu estou respeitando o que ele pediu e a gente não está se vendo... eu não sei... eu não sei o que fazer..."
"... eu só queria poder te ver... eu queria poder só te abraçar cinco minutos... Eu não quero morar em outra cidade..." – ela choramingou.
"Eu também não quero que você vá... Eu falei pra ele o quanto eu te amo e que é sério mas... ele pediu... ele falou que se eu o respeito eu vou aceitar que essa decisão é o melhor..." – ele respondeu com a voz meio rouca e quebrada. Alguns segundos se passaram antes que ele voltasse a falar. – "Eu vou aí te buscar, linda. Não tá adiantando a gente seguir o que o papai está pedindo. Eu acho que ele não acredita no que a gente sente, então foda-se."
"Mas... e se piorar tudo, Draco? E... e se o papai... não sei... e se a família toda ficar contra a gente?"
"Vai ficar pior do que está? Como?"
"Eu não quero ser o motivo de você brigar com todo mundo... Eu sei que você está chateado porque o Ron, o Percy e o Charlie não estão falando com você..."
Ela pode ouvir a respiração de Draco no outro lado da linha. – "mas o Fred e o George me falaram pra não desistir... Os outros... depois eles vão ver que o que a gente sente é sério... Aí eles vão ter que aceitar... e..."
Ouvir a hesitação de Draco e ver que, mesmo sem ter certeza sobre as consequências de suas ações, ele estava disposto a arriscar a família que ele tanto amava para ficar com ela fez com que Gina tomasse sua decisão. – "Eu não posso deixar você fazer isso..."
"E eu não vou te deixar ir embora... não sem mim... Eu vou falar com o papai agora."
"Draco, depois desse semestre você vai se formar e ir pra faculdade, longe daqui também, aí a gente já teria que se adaptar. O papai falou que acredita no que a gente sente..." – ela apontou. – "e que não está tentando nos separar. Eu... eu não sei por que ele acha melhor deixar a gente separado agora, mas.. a gente pode namorar a distância. Ele mesmo falou isso."
".. a gente mal começou e já vai se separar... Eu quero ficar junto de você".
Saber que demonstrar seu sofrimento somente aumentaria o dele fez com que a ruiva engolice o choro. – "Eu também... Mas vai dar tudo certo no final"
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Na véspera da ida de Gina, ela, Arthur, Moly e Draco jantaram com os gêmeos na casa deles. A falta dos irmãos mais velhos não era sentida pois moravam fora e apenas em feriados estavam presentes, mas a ausência de Ron parecia não deixar que ninguém relaxasse.
Era um lembrete constante de que não importa o quanto se esforçassem para fazer tudo parecer mais leve, a família estava se despedaçando e dois de seus integrantes não conseguiam disfarçar a tristeza sequer quando davam alguma risada de algo que Fred ou George dizia.
Embora Arthur não tenha obstado que se abraçassem ao se ver ou a sentar lado a lado, cada toque, por mais inocente que fosse, entre Draco e Gina, atraia uma respiração mais rápida ou um rufar de garganta do pai ao mesmo tempo em que ele pegava seu lenço no bolso da calça e secava a própria testa.
Era claro que ele estava tentando, mas mais claro ainda era o quanto este tentar estava sendo difícil. E assim, por amor ao pai, Draco e Gina se contentaram em poder se olhar enquanto comiam e sorrir dando força um para o outro.
Ao acabarem a sobremesa que Moly havia trazido, todos estavam de pé ajudando a retirar a mesa, tentando imitar a normalidade com que sempre fizeram essa tarefa em conjunto, mas um silencio constrangedor se iniciou. Chegara a hora de ir embora? Poderiam se despedir? Conversar a sós cinco minutos? Três? Se abraçar?
George acabou com a dúvida.
"Então pai, mãe, vocês devem estar cansados..."
"Pode deixar que a gente leva a Gina pra casa depois." – Fred continuou.
O sorriso e olhar de expectativa instantâneo de Gina foi impossível de segurar.
"Er..." – Arthur balbuciou, olhando para Moly, que sorriu o encorajando, e logo depois para um Draco cabisbaixo, claramente derrotado e sem esperança de que ele concordasse.
Percebendo uma abertura, Fred insistiu. – "Nós vamos ficar com eles, pai, pode confiar".
"O senhor não diz que eles podem namorar? E que está fazendo isso só pra proteger a Gina do que estão falando? – continuou George, pegando os pratos que estavam nas mãos do pai e voltando a colocá-los na mesa, de modo a ter sua atenção.
"Sim, claro... er... mas é que..." - começou Arthur. - "A Gina tem só 16 anos e... e... "
"A gente vai ficar no quarto há três metros daqui, eles não vão transar não, pai." – disse Fred na lata, com sua sinceridade habitual, fazendo Moly cuspir toda a água que estava bebendo perto da pia naquele exato instante.
"Fred!" – gritou ela, largando o copo no balcão e se aproximando do marido, que estava estupefato, como se quisesse ter certeza de que ele não cairia duro no chão.
"Mas era essa a preocupação, não era? Então! Draco, se você prometer não fazer os xananigans com a Gina o papai deixa ela ficar aqui pra vocês se despedirem, né, pai? – continuou o ruivo, deixando até mesmo seu irmão gêmeo chocado.
"Eu prometo, pai, eu prometo, eu prometo! A gente não vai fazer nada, por favor" – disse Gina, pulando na oportunidade.
Dignidade pra que? Ela queria ficar um pouco com o namorado.
Draco, por sua vez, muito vermelho, parecia ter esquecido como falar. Sempre tão decidido e seguro, conseguia apenas olhar do pai para o irmão em ciclos. Abriu e fechou a boca, ficando cada vez mais vermelho e, enfim, conseguiu balbuciar. – " Er... é esse o problema, pai?"
Moly colocou a mão na cabeça e murmurou "Meu Deus do céu..." antes de não se conter a cair no riso. Aquele riso nervoso, impossível de segurar.
"O que é isso, Moly?" – falou Arthur, se aproximando da esposa e aproveitando para se desviar do assunto.
Mas ela ria sem parar.
"Descul...Desculpa, meus filhos. Não... consigo... parar!" – Ria-se a matriarca da família, tentando se abanar.
Draco então pareceu retomar seus sentidos e falou em voz baixa, mas cristalina. – "Pai, se for esse o problema, o senhor sabe como eu respeito a Gina. Mas eu não acho certo que a nossa vida sexual fique sendo julgada ou decidida por ninguém, ainda mais por vocês. Vocês não acham que nós já estamos sendo expostos o suficiente pela cidade inteira conjecturando sobre o nosso relacionamento?"
"Meu filho, eu sei que você respeita a sua ir..." – Arthur começou a falar e arregalou os olhos ao perceber o que quase falara. – "Deus do céu, eu não sei lidar com isso. Vamos ser práticos. Draco, Gina, eu confio em vocês, sei que vocês têm direito às suas escolhas, mas também imagino que saibam o quanto isso tudo está sendo difícil para mim. Então vamos encontrar uma saída mediana. Quero a Gina em casa daqui no máximo duas horas." – disse olhando para os gêmeos então voltou a olhar para Draco. – "Eu confio em você, meu filho. Mas lembre que a sua namor... a pessoa que você am... ai, eu Deus. Lembra que a Gina tem apenas 16 anos." – falou finalmente, então pegou a mão de Moly, que havia parado de rir, e foi resoluto em direção ao hall de entrada da casa, onde tinha deixado seus pertences.
George foi o primeiro a sair do estado de choque ao ouvir a porta da casa batendo após os pais saírem. Prontamente ele deu um tapa na cabeça de Fred. – "Você quase matou o velho."
"Mas acabei por um instante a tristeza da caçula." – respondeu ele indicando a ruiva.
Ela olhava tímida para Draco, que respondia o olhar com uma ternura agridoce. Claramente já haviam esquecido do que acabara de ocorrer e até que existia mais alguém no mundo além deles dois.
Fred puxou o irmão para o corredor e falou em voz alta. – "Vamos estar de volta daqui uma hora e meia. Juízo."
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
O abraço terno, cheio de amor, embalado em uma respiração de alívio por finalmente se sentirem completos se transmutou em um beijo sôfrego que nenhum dos dois sabia quem tinha iniciado.
Havia dez dias que sequer haviam se visto ao vivo.
Draco sentia que precisava daquilo mais do que o próprio ar, e Gina se deixava segurar, sabendo que com ele nunca estaria sem chão. O cheiro, o toque da mão de Draco segurando suas costas, sua respiração rápida e intensa, como se bebesse dela, tudo era perfeito... tudo exatamente como lembrava. Como fariam para ficar separados?
Milhões de pensamentos passavam pela cabeça de ambos, mas a distância que tiveram que suportar nos últimos dias pareceu tirar-lhes a capacidade de falar, então diziam o que sentiam com o toque e o olhar enquanto as lágrimas de Gina davam gosto ao enlaçar de seus lábios.
Quando não haviam chegado nem perto de matar a saudade que sentiam um do outro, o tempo acabou.
"Gente... é melhor não exagerar com o papai..." – disse Fred com a voz baixa e incerta, sem o tom divertido habitual,.
Gina olhou pra cima e viu o olhar pesaroso de George, como se pedisse desculpas por concordar com o irmão.
Draco engoliu em seco. – "Eu posso leva-la?" – perguntou sem tirar os olhos da ruiva.
Fred olhou para, George, que estava logo atrás de si e ambos pareciam não saber como agir. Draco era seu irmão, mas sempre foi um adolescente decidido e impulsivo. Vai que resolviam fugir pra uma floresta e viver de peixe?
"Eu não trairia a confiança de vocês..." – afirmou Draco, percebendo o desconforto dos irmãos. – "Nós estamos sofrendo porque ficamos esse tempo todo separados e vamos ficar mais tempo ainda, mas sabemos que vamos estar a 3 horas de viagem de carro, podemos falar pela webcam... A gente não faria uma loucura, ainda mais traindo vocês dois".
"Claro, Draco... Você tem razão.." – George respondeu
Fred concordou. – "É, vai lá, cara... Leva a sua namorada pra casa." – continuou com um sorriso que, apesar de triste pelos irmãos, tentava passar força para os dois. Era o primeiro a chamá-los assim com naturalidade. – "Vai ficar tudo bem. Deixa o tempo passar e as coisas vão se ajeitar."
Gina então soltou Draco e abraçou os dois irmãos juntos. – "Obrigada."
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Apertando o rosto contra o pescoço do namorado dentro do carro, já parado na frente de casa, Gina se perguntava como sua estória com Draco havia se transformado em uma grande despedida. Tudo parecia tão injusto.
Pela primeira vez, sentiu o vazio que sentia longe dele mesmo estando ao seu lado.
A insegurança a enlouquecia... Draco, popular e lindo... adolescente com hormônios a flor da pele... um monte de garotas pulando em cima dele... E se ele não aguentasse o namoro à distância até que pudessem ficar juntos?
Quando ainda não havia decidido se devia falar o que sentia, uma batida na janela do carro os fez se distanciar um pouco para ver quem os chamava.
Ron estava do lado de fora, mordendo o canto da boca e meio cabisbaixo. Gina apostaria um milhão de dólares que ele estava com as mãos enfiadas nos bolsos como fazia sempre que não sabia como agir, embora não pudesse vê-las de dentro do carro.
Draco apenas apertou o botão para baixar a janela.
"Er... o papai tá pedindo pra Gina entrar. Disse que amanhã eles vão sair cedo e tal..." – o ruivo murmurou.
Draco sinalizou que havia entendido com a cabeça. – "Tá... ela já tá indo." – respondeu rapidamente, sentindo certo conforto. Era a primeira vez que Ron lhe dirigia a palavra desde quando descobrira seu envolvimento com Gina.
Ron acenou afirmativamente com a cabeça, então voltou para casa, os deixando a sós.
Ou assim pensou o casal.
Após se despedirem na porta de casa, Draco voltava para o carro tentando controlar a dor que sentia na garganta por mais uma vez prender o choro mas, antes de abrir a porta do carro, um assobio chamou sua atenção.
Era Ron.
Draco foi até ele sem saber o que esperar, já que Ron não parecia muito satisfeito com a situação.
Após Draco ficar parado na frente dele por alguns segundos, esperando alguma reação, Ron respirou fundo, parecendo ter decidido algum dilema interno. - "Espera no final da rua." – disse finalmente. – "Eu... eu vou dar um jeito de trazer a Gina pra vocês poderem se despedir direito."
"Ahn?" – foi a única resposta que Draco conseguiu balbuciar.
"Eu ouvi a mamãe e o papai conversando... você só tiveram uma hora pra ficar juntos, na sala da casa do Fred e do George... E isso não é justo, eu não conseguiria me despedir da Mione sabendo que dois irmãos estão com um cronômetro há dois metros dali... Estou presumindo que vocês não puderam se despedir em paz, porque os gêmeos são loucos, mas sei que eles não iriam contra o papai deixando vocês sozinhos depois de terem assumido a responsabilidade de cuidar da Gina."
"E você vai?"
"Eu não prometi nada pro papai." – respondeu o ruivo, com um ligeiro sorriso de lado.
"Mas quando ele descobrir..."
"É só ele não descobrir" – Ron arqueou as sobrancelhas como em um aviso. "Não quero saber pra onde vocês vão, mas cinco e meia eu vou estar estacionado no final da rua para levá-la e pra ajudar ela a subir a escada na varanda dela.
Embora feliz em ver o irmão satisfeito por ter finalmente tirado a carteira e lembrando da escada que haviam usado para o traficar bêbado pra dentro de casa de modo a não estender seu castigo de ficar sem carteira, Draco não conseguiu não perguntar – "Por que você está fazendo isso pela gente?"
Ron respondeu com um aceno negativo e olhou para o lado. Não queria falar nada. E nem era necessário, pois com essa atitude Draco sabia que Ron o perdoara e finalmente aceitava como verdadeiros seus sentimentos por Gina. – "Só não faz merda."
"C... Claro.."
"Ta..." – Ron respirou e olhou pra casa antes de olhar para o relógio no punho esquerdo. "São dez pras onze... Vamos precisar de pelo menos meia hora pra enrolar o papai e a mamãe antes de gente conseguir sair... " – calculou consigo mesmo então olhou para Draco. "A gente se encontra no final da rua onze e meia, beleza? E depois encontro vocês lá de novo às cinco e meia... Vou dizer que vou encontrar a Mione."
Draco, ainda incrédulo, apenas confirmou afoito com a cabeça.
Ron virou para a casa e começou a andar.
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Gina murmurou 'obrigada' contra o ombro de Ron e apertou o abraço como meio de demonstrar o quanto estava agradecida pelo que ele estava fazendo, então saiu do carro sorridente e lhe acenou tchau antes de fechar a porta.
Tinha vontade de gritar de alegria ao correr alguns metros até onde Draco a esperava com a porta do carro aberta.
Draco também sorria abertamente, mal esperando para que ela chegasse em seus braços e toda a melancolia que sentiam até aquele momento tinha dado lugar à euforia.
Pareciam duas crianças brincando de pique esconde.
Ao se encontrarem em um baque pela rapidez com que Gina correra até ele, Draco inspirou o perfume da namorada enquanto a apertava contra si, então afastou ligeiramente seu rosto para poder vê-la. Ele passou a mão na face de Gina a admirando e espelhando seu sorriso. Mal acreditavam que teriam mais algumas horas juntos.
Ele tocou seus lábios com vontade e respirando forte, então murmurou contra a boca macia da namorada – "Vamos"
Gina riu um pouco em animação então entrou no carro.
Antes mesmo de Draco fechar a porta e ir para o outro lado entrar no carro ela já sabia que estavam indo para a mansão Malfoy, que permanecia esplendida, como um museu da vida de Draco quando seus pais eram vivos.
Inicialmente Moly não conseguira se desfazer das coisas de Narcisa então ela e Arthur decidiram manter tudo como estava até que Draco pudesse decidir o que fazer, já que o lugar pertencia a várias gerações de Malfoys e até mesmo o mobiliário era parte da história da família.
E como essa decisão estava sendo maravilhosa para eles nesse tempo de namoro às escondidas.
Ao entrarem no quarto de Draco de mãos dadas, Gina ainda contava risonha que Ron havia gravado várias versões suas falando "Eu quero ficar sozinha, pai, por favor." "Me deixa sozinha, eu não quero conversar" e que ele voltaria a pé para casa, pois para todos os efeitos tinha saído para ver Hermione, e subiria pela escada para o quarto dela para o caso de o pai bater lá a procurando mesmo depois que disse que ia dormir.
Feliz por ver Draco rindo novamente, Gina não queria acabar com esse momento alegre, mas o pesar que sentia sem querer estava voltando aos poucos. Assim, ao perceber o riso do loiro se findando ao olhar para trás e vê-la ainda parada perto da porta, ela olhou para baixo então voltou a olhar nos olhos dele. - "A gente vai tirar isso de letra, né?"
"Claro que vamos" - Draco respondeu, se aproximando e pegando na mão dela para puxá-la para perto. - "Muitos casais já tiveram que passar um tempo separados... Vai ser até romântico escrever cartas de amor pra você." – brincou, querendo tirar o peso da conversa.
"Até parece que você vai escrever cartas."
"Ok... email é mais provável. Mas vou escrever uma ou duas cartas pra você guardar em alguma caixinha com coisas da gente, que eu sei que você guarda. E vou te ver pela webcam aonde você estiver..."- disse ele com um tom divertido, a puxando para a cama, aonde costumavam deitar abraçados quando escapavam para ficar juntos. – "e também vou te ver nos finais de semana. E te ligar toda hora e mandar mensagens... Acho que vamos nos ver mais do que hoje em dia!" – concluiu a jogando na cama, com seu sorriso alargando com o grito risonho de Gina.
A ruiva aterrissou no colchão incapaz de não responder o sorriso do namorado, mas também não conseguiu conter a própria insegurança. – "Tá... você vai aguentar então, né?"
Draco respirou fundo. – "Claro, linda... a alternativa é ficar sem você e isso eu não consigo mais."
Ela pulou no pescoço dele e o puxou para cima de si. – "Ai, eu adoro quando você fala essas coisas."
"Alguém me falou que ser piegas estava na moda... eu acreditei." – ele respondeu inicialmente sorrindo de canto de boca então sua expressão foi ficando mais séria e intensa. Seu olhar viajou pelo rosto de Gina, como se quisesse memorizá-la naquele momento, com as faces rosadas e sorrindo timidamente para ele. Ele então apoiou o corpo com o braço direito e acariciou o rosto da namorada com a outra mão. – "Lembra daquele filme que você me fez ver, do casal que se conhece em um trem e passa um dia junto?"
"Humrum, o que tem ele?"
"Tem uma parte que fala do casamento de uma religião, ou tribo... acho que era Quaker o nome, porque me lembrei da marca de aveia quando vi..."
"Pensei que você tinha dormido vendo esse filme." – Gina brincou.
"Em uma parte eu dormi mesmo... Mas nessa eu estava assistindo..."
"Tá, mas por que você está lembrando disso agora?"
"Porque o cara conta pra garota que foi em um casamento Quaker. Que o casal fica se olhando em frente à congregação e depois de um tempo estão casados." – ele respondeu baixo, e a olhou de maneira diferente, como em um convite.
Gina abriu a boca, mas não eram necessárias palavras.
Eles ficaram apenas se olhando por algum tempo até que Draco murmurou. – "Eu nunca vou te deixar."
Em resposta Gina levantou o rosto do travesseiro, sem afastar os olhos do dele. Sua visão já ficando turva com as lágrimas que mais uma vez teimavam em aparecer. A primeira gota escorreu pela pele alva como prova da angústia que sentia no momento em que seus lábios tocaram os de Draco, tentativamente, como se ambos tivessem medo de quebrar o encanto.
(Gente essa letra tem tudo a ver com esse momento então vou colocar aqui. O nome é Just for tonight - Ville feat Manna)
Too late, won't stop
Tonight I want to go deeper
Tomorrow takes it all away
Time's running out
The night is only a shell
Soon morning comes and breaks the spell
To the yesterday, to a dream
Sentindo o desespero de saber que a distância entre eles voltaria a reinar e que esse momento seria raro até que conseguissem o consentimento verdadeiro de Arthur faz Draco tentar afastar o rosto para olhá-la novamente, para dizer o quanto a amava, mas Gina o impediu.
Não...- murmurou ela com a voz rouca pelo choro oprimido e voltou a beija-lo, puxando o corpo dele para mais perto de si do modo como tantas vezes havia feito em seus momentos roubados, mas Draco pareceu entender que agora tudo havia mudado.
Just for tonight, we'll keep on dancing
And the city won't tell a soul
Just for tonight, the lights are shining
And our secret stays untold
Ternura e tristeza conflitavam com a intensidade do desejo que sentiam.
Gina sentia o rosto arder e seu corpo mais quente aonde encostava no de Draco enquanto sua mente se perdia em desvario, lembrando dos momentos que tiveram juntos.
Um garotinho loiro de quase 9 anos de idade, que em sua imaginação estava vestido como Peter Pan, se aproxima de sua amiguinha ruiva, que naquele dia estava com um lindo vestido amarelo, e pega na sua mão pequenina. – "Wendy, eu prometo que quando chegar a hora eu vou crescer, porque nunca este bravo Peter Pan vai abandonar a linda e jovem Wendy. – E com um beijo na bochecha ele se despede e voa de volta para a Terra do Nunca, sabendo que na noite do próximo dia virá buscá-la novamente.
"Gina! Já tá tarde, nós vamos nos atrasar pro almoço! – gritou Molly a uma pequena distância enquanto pegava sua bolsa e depois se despedia de Narcisa.
Gina sorri para Draco que já está em cima da casinha então acena com a mão. – "tchau Draco" – e corre na direção da mãe.
"Tchau Gina"
These streets are mine
Tonight I'll keep on walking
Won't stop as long as the city sleeps
Don't look back once
Or you might turn around
Tonight I'll give myself to you
And our secret stays untold
"Ah é? Nem quer me bajular! Você precisa ficar à toa então" – falou rindo enquanto a jogava na cama e fazia cócegas.
"Pára, Draco! PÁRA!" – gritava em meio a risadas. – "Pára! Draco! Escovar os dentes de vez em quando está em ordem, sabia!" – falou fazendo careta e tentando tirar ele de cima dela então riu da cara indignada do loiro diante desse comentário.
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
Just for tonight, we'll keep on dancing
And the city won't tell a soul
Draco com seus nove anos chorava silenciosamente na chuva olhando de longe o caixão de seus pais sendo enterrados. Todos queriam que ele ficasse debaixo do toldo, mas ele fugiu...Será que ninguém entendia que ele não era forte o bastante pra ver aquilo acontecendo tão de perto? Agora ele estava sozinho.. perdido.. sem ninguém.. e enquanto sentia sua roupa começar a molhar de verdade ele percebeu que a chuva em cima de si havia parado. Olhou para o lado vendo sua Wendy com um guarda chuva olhando pra frente porque sabia que ele não queria ser visto chorando, então ao sentir ela entrelaçar os dedos nos dele soube de uma coisa: ele não estava mais sozinho.
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
Just for tonight, the lights are shining
And our secret stays untold
"Gina foi você que abriu o...?" – falou Draco entrando na cozinha descontraidamente se deparando com a ruiva enrolada apenas em uma toalha com os cabelos molhados e pingos de água no rosto e nos ombros. Lembrado-se instantaneamente de Gina dançando colada ao seu corpo, Draco abandonou qualquer resolução que havia feito no sentido de não conquistar a irmã de criação
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
Just for tonight, we'll keep on dancing
And the city won't tell a soul
Just for tonight, the lights are shining
And our secret stays untold
"Verdadeiro ou falso?"
"Verdadeiro..."
"Você já quis algo que acha que nunca vai poder ter?"
"Já..."
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
"CESTAAAAA!" – gritou Gina no colo dele.
"Ei! Assim não vale!" – falou rindo sem a menor vontade de colocá-la de volta no chão percebendo neste instante o quanto seu rosto estava perto da face afogueada de Gina.
"Hum, alguém tem que aprender a perder." – murmurou brincalhona encostando a testa na dele também sem sentir a menor vontade de sair dali.
Ele a abraçou mais apertado. – "E alguém tem que aprender a seguir regras."
"Nah... regras foram feitas pra serem quebradas.."
"Ah é?" – Draco murmurou no mesmo clima de brincadeira, mas ambos entendiam as entrelinhas.
"Humrum.. algumas regras são sem sentido..."
Eles trocaram um sorriso de companheiros no crime então Draco começou a rodá-la a fazendo rir como criança e ao ver aqueles cabelos ruivos flutuarem no ar soube que este era um dos momentos perfeitos de sua vida.
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
(They won't catch us now)
They can't see us now
"Eu.. posso..?" – murmurou Draco sem saber se sobreviveria àquela noite se Gina respondesse não e a ruiva sem forças pra falar apenas o olhou nos olhos rezando pra que ele entendesse o que ela implorava.
Finalmente fazendo o que ambos desejavam Draco pressionou sua boca contra a dela entendendo instantaneamente o que os poetas tentavam descrever sobre beijar a mulher amada ao sentir seu coração quase parar de bater.
Ambos ficaram estáticos pelo que parecia uma eternidade por saber que naquele ato todos os limites haviam sido ultrapassados, mas não se afastaram, ansiando mais.
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
(They can't see us now)
They can't see us now
"Você...Você não é meu irmão" – disse com uma voz baixinha e incerta, como se estivesse implorando pra não ser magoada de novo, sem conseguir voltar a olhar pra ele ou explicar o que realmente precisava saber.
Adivinhando seus medos, ele deslizou a mão pelo pulso dela, deixando seus dedos se entrelaçarem então encostou o rosto no dela com os olhos fechados e resumiu tudo que ela precisava escutar. – "Eu sei."
"tchau Draco"
"Tchau Gina"
(They won't catch us now)
They can't see us now
Gina parou abruptamente o beijo, respirando forte, o olhando com as pupilas dilatadas e o rosto muito vermelho.
Draco ficou mesmerizado, esquecendo até de fechar a boca enquanto bebia da imagem da namorada quando ela levantou com o apoio dos braços, recuperando a distância que ele havia dado entre eles e retirou a blusa que vestia, ficando apenas de sutiã.
Quando ela alcançou o primeiro botão da camiseta que ele usava e o desabotoou Draco pegou nas mãos dela. - Gina..?
"Shhh.. fica perto de mim."
Ele se aproxima pra beijá-la de novo então segundos antes dos lábios se tocarem ele murmura sua maior verdade. – "eu te amo".
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Às 4:50 da manhã Gina olhava a noite pela janela, sentindo a respiração leve de Draco contra sua nuca. Draco a abraçava por trás como uma criança segurava seu ursinho para dormir e a ruiva nunca se sentira tão segura.
Sabia que ele estava dormindo quando ele parara de responder enquanto conversavam então um sorriso se mesclou com uma lágrima que escapara ao lembrar das manhãs em que tinha que acordá-lo. O loiro era o dorminhoco da família e rezava a lenda que apenas Gina ou o alarme de incêndio conseguia tirá-lo do mundo dos sonhos quando estava dormindo pesado.
Como suas vidas haviam mudado desde aquelas manhãs cheias de sentimento não correspondido e reprimido...
A ruiva se virou aos poucos, fazendo Draco ficar de barriga para cima e alguns fios de cabelo caindo em seu rosto, e suspirou. Nem acreditava que ele a amava como ela o amava.
Mas depois daquela noite ela tinha certeza de que ficariam juntos.
Depois de ficar olhando mais alguns minutos o namorado e retirar o cabelo que atrapalhava seu sono, Gina se levantou lentamente e começou a se vestir.
Não queria mais ver sofrimento nos olhos do namorado. Não queria mais chorar... nem mais uma despedida.
Lembrando-se do que o loiro falara, sobre escrever cartas de amor, decidiu estrear o romantismo. Tinha uma caneta na bolsa e uns lencinhos.
Lindo,
Me desculpe sair sem te acordar. Eu estava com medo de não conseguir ir embora se visse seus olhos novamente. E nenhuma despedida seria mais perfeita do que adormecer alguns instantes nos seus braços.
"Toda despedida é dor... tão doce todavia, que eu te diria boa noite até que amanhecesse o dia..."
Te amo.
Até o final de semana que vem.
Gina
Ps: Já escrevi minha primeira carta de amor e até citei Shakespeare. Quero ver a sua. =P
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
Gina respirou fundo olhando pela janela e deixou o ar sair uma vez pela boca. Voltou então ao espelho e verificou novamente se sua franja estava caindo "sem querer" do jeito que Draco havia comentado que achava bonito. Devia ser apenas impressão o cheiro de queimado, né? De qualquer maneira, seria mais prudente não insistir tanto em perfeição com aquela chapinha... tinha impressão de que Draco não acharia bonito se a franja literalmente caísse... de queimada...
Respirou fundo novamente e buscou o celular no bolso da calça jeans que usava. Nada de mensagem de Draco avisando que chegou.
Afff, talvez não devesse começar a se arrumar com três horas de antecedência no próximo sábado. Sua franja agradeceria se fosse correr perigo de vida a cada 7 dias até o final do semestre...
A ruiva olhou novamente o celular, desta feita para descobrir as horas.
9:39.
Draco havia mandado mensagem avisando que estava saindo às seis e vinte da manhã, então deveria estar chegando... Mas tinha que demorar tanto?
Ok, racionalmente ela sabia que só havia passado uma semana... Mas sentia como se os seis dias desde que se despedira de Draco tivessem sido uns três anos. Entre descobrir os mecanismos sociais da nova escola sem ter Colin ao seu lado – você sabe, quem não irritar, como conseguir pegar salgado de salsicha na cantina, como se vestir pra não atrair a má atenção de alguns doidos(as) que pareciam querer imitar os personagens de filmes americanos, qual professor é infeliz e desconta as frustrações da própria vida nos alunos, esse tipo de coisa – e conseguir convencer sua tia a deixá-la tomar banho na posição inverno, mesmo estando quente, seus dias pareciam ter 72 horas.
Qual é o problema de querer ver o box e espelhos turvos de vapor e escrever Draco e corações enquanto chora por horas escutando 22hrs do Teflon Sega, Breathe me da Sia e First Try da Tracy Chapman no repeat?
Gina achava que seu status de adolescente sofrendo de saudade lhe dava certas prerrogativas, mas sua tia pró ambiente aparentemente não. Tudo bem, Gina supunha que talvez ela tivesse razão em relação à água...
Mas isso não mudava o fato de que ela estava ENLOUQUECENDO DE SAUDADE de Draco. Sabia que deveria estudar, ainda mais porque sequer havia recuperado a matéria que perdera durante os dias que faltara à escola antes de se mudar para a nova escola, mas não queria... Preferia ouvir musica triste e pensar em Draco, ou ouvir música feliz e lembrar de momentos lindos com Draco ou musica lenta e sexy e pensar em Draco.
Também sentia muita falta de Colin, embora falasse com ele por mensagem ou ligando quase a todo instante... e saudade dos pais e até de Ron.
"aposto que o papai não pensou nisso quando resolveu me exilar..." – resmungou, comprimindo os lábios ao virar na cama para puxar seu notebook para si.
Draco devia estar chegando a qualquer instante e ela já estava toda arrumada o esperando então nada melhor do que tentar alguma série no Netflix para eles fazerem maratona quando estivesse finalmente juntos.
Antes que tivesse chance de abrir o aplicativo do netflix, todavia, sua tia bateu na porta do quarto.
"Oi, tia, ta aberta, pode entrar." – Gina falou, sentando na cama na direção da porta.
"Oi, princesa, o porteiro acabou de avisar que o Draco entrou no condomínio." – disse Andromeda, já entrando no quarto com sua expressão habitual de pressa com um envelope na mão.
Gina pulou da cama com um sorriso - "Sério?"
"Sim, querida, mas seu pai me pediu expressamente para que você lesse essa carta antes de encontrar seu namorado" – disse, entregando o envelope e já virando de costas para sair. – "Vou ver se consigo encontrar o Draco lá embaixo antes de sair para a minha consulta. Beijo, beijo."
Sem entender nada, mas sentindo grande alívio em ouvir a naturalidade com que sua tia chamara Draco, Gina abriu a carta e logo reconheceu a caligrafia de seu pai. Só o papai pra mandar carta hoje em dia... pensou antes de começar a ler.
Filha dileta,
Envio-te esta carta não porque ainda hoje prefiro a escrita às correspondências eletrônicas às quais já me acostumei, mas para que tenhas chance de guardá-la como um símbolo da minha confiança e amor por ti.
Sei que os últimos dias devem ter sido pesados, embora não tenhas falado comigo. Entendo a sua mágoa, mas também tenho esperança que entendas, talvez não hoje mas algum dia, que sempre tive a melhor das intenções e respeito com os seus sentimentos.
Como previsto, a cidade inteira vem fazendo especulações e fofocas infundadas. Você diz que não liga, minha filha, mas eu não posso imaginar minha filhinha passando por isso aqui, no cume da confusão, e por isso decidi, como você sabe, te deixar com a sua tia durante este semestre.
O que você não sabe é que hoje, depois de ver como você e o Draco me respeitaram, passando por cima até mesmo dos próprios sentimentos e vontades para aquiescer às ponderações e decisões que tomei em relação a vocês, eu sou um pai orgulhoso. Orgulhoso da minha filha e do meu filho.
Não sei como vamos fazer isso dar certo, mas como eu disse para ti quando ainda estavas morando conosco, o papai estará sempre aqui para apoia-los e, se o amor que vocês dizem que sentem um pelo outro for verdadeiro, não permitirei que nada os separe.
Bom... no final de semana que vem eu e sua mãe também iremos visitá-la e poderemos conversar mais. Sei que deves estar ansiosa para encontrar seu namorado.
E como eu havia prometido, Draco poderá visitá-la sempre que os compromissos decorrentes da posição dele permitirem. Pelo jeito que ele resolveu dormir somente 5 horas por dia para dar conta de tudo, creio que será todos os finais de semana mesmo.
Um beijo do teu pai que tanto te ama,
Arthur Weasley
Limpando as lágrimas olhando para cima para não borrar o rímel ao mesmo tempo em que não conseguia parar de sorrir, Gina dobrou a carta e a colocou no bolso para mostrar para Draco. Seu pai sempre escrevia cartas em um tom todo formal, mas ao mesmo tempo amoroso.
Estava morrendo de saudade dele, agora podia admitir, e todo o rancor que sentira até aquele momento pareceu se dissipar ao entender que o pai só queria protegê-la.
Incapaz de ter qualquer outra reação, Gina se viu pegando o celular ao mesmo tempo em que saía do quarto. Draco já devia estar a esperando, mas ela precisava falar com Arthur.
Ele atendeu quando Gina já se aproximava do elevador.
"Oi, filhota..." – atendeu com o habitual carinho.
"Paaaaaaaai" – Gina respondeu já chorando e abanando o próprio rosto embora a missão de ficar com o rímel perfeito já estivesse perdida.
Parecendo entender tudo o que a filha queria dizer, mas não conseguia, Arthur voltou a falar após alguns segundos ouvindo os soluços de choro. – "Eu sei, minha filha, eu sei. Tudo vai ficar bem. O papai te ama, nunca se esqueça disso."
Ainda sem conseguir organizar o que sentia para falar Gina só conseguiu murmurar os dois sentimentos mais fortes. – "Brigada, pai... eu também te amo."
Mais um minuto se passou apenas com Gina chorando silenciosamente e apertando o celular como gostaria de abraçar o pai, até que ele murmurou. – "Vai lá ser feliz, minha filha. Sua mãe acabou de me avisar que o Draco mandou mensagem dizendo que chegou bem e que já está te esperando."
"Tá..." – murmurou ela sorrindo e respirando fundo. – "Diz pra mamãe que depois eu ligo pra ela, tá? Amo vocês."
"Nós também te amamos. Um beijo."
"Beijo" – respondeu ao mesmo tempo em que chamou o elevador então terminou a ligação e mudou a tela para a câmera reversa do celular. Estava toda borrada, mas paciência. Não queria perder nem um segundo a mais.
Fefyssssssssssssssssssssssssssssssss
A porta do elevador abriu e, ok...
Tirando o diabo, Gina não conseguia imaginar pessoa pior para estar descendo justamente naquele momento, mas não tinha como ela escapar.
Ela entrou no elevador e deu um sorriso amarelo – "Bom dia."
"Olá, Virgínia, finalmente nos encontramos." – respondeu Rita Skeeter ao mesmo tempo em que girava o dedo na tela do celular incessantemente até colocá-lo perto do rosto de Gina então agitou a cabeça como para tirar uma franja imaginária e estufar o peito. – "Como você sabe, Virgínia, meu jornalismo é sem meias palavras. Em Hogmead somente conseguimos a metade da verdade, fornecida pela lindíssima senhorita Parkinson, mas eu sou uma jornalista imparcial. Vim colher a sua versão dos fatos - "disse tudo sem respirar então aproximou um pouco mais o celular da ruiva. - "pode falar aqui pertinho para o gravador pegar tudo."
"Sem comentários." – Gina respondeu com a boca comprimida e olhou para o visor do elevador. Nono andar ainda... Jesus, por que sua tia tinha que morar no décimo quinto?
Rita voltou o celular para o próprio rosto e murmurou. – "Com ar de desdém, a herdeira Weasley se mostra indiferente à opinião da sociedade sobre suas preferências díspares da boa moral"
Gina respirou fundo.
Quarto andar..
Terceiro...
Segundo...
Primeiro..
Térreo..
Gina mal consegue esperar a porta do elevador abrir para sair como se o ar ali fosse tóxico, mas todo seu aborrecimento se esvaneceu ao ver Draco. (trilha sonora: Call it what you want – Taylor Swift)
Pensar que parecia estar diante de uma cena de filme seria clichê, mas Gina não estava cima de clichês. Na verdade os adorava. Ela ficou estática, sem conseguir fazer nada além de sorrir.
Jesus, até Rita Skeeter parou alguns segundos para se recompor e lembrar que tinha quase quarenta anos e um trabalho a fazer além de ficar babando em um adolescente.
Draco estava encostado no capô do carro, de calça jeans clara, camisa preta e óculos escuros enquanto mexia no celular... nada demais, só parecia ter saído dos sonhos danadinhos de todas as garotas da idade de Gina.
Ao avistá-la ele sorriu, se desencostando do carro, e deu um passo em sua direção ao mesmo tempo em que guardava o celular no bolso então parou e deu um passo para trás pegando algo que havia esquecido em cima do capô do carro. Uma rosa vermelha.
A boca de Gina abriu em surpresa e qualquer memória de que Rita Skeeter estava atrás dela foi levada pelo fervilhão de borboletas que atacou seu estômago levando até mesmo a força que tinha em suas pernas.
Ou assim ela pensou, pois sem nem mesmo se dar conta ela já saiu correndo para pular no namorado e suas pernas funcionaram muito bem, obrigada.
Draco suportou a namorada nos braços e se beijaram ao mesmo tempo em que sorriam e se abraçavam. Trilha sonora explodiu da cabeça de Gina e ela não conseguiria imaginar ficar mais feliz do que estava até que uma voz bem longe os tirou de sua reveria.
Rita Skeeter estava com o celular perto deles e passando um lencinho na testa. – "Er... fazendo a cobertura em primeira mão do casal que chocou a comunidade de Hogmead, eu Rita Skeeter segui o caminho do pecado até aqui, apenas 300 quilômetros de Hogsmead, onde o romance proibido aconteceu. Draco Malfoy e Virgínia Weasley, vocês têm algo a declarar?
Draco abriu a boca para falar, mas Gina o calou com mais um beijo então jogou toda cautela para o ar, pois já não tinha mais o que esconder. Tinha Draco, tinha o apoio de seu pai, de sua família e dos verdadeiros amigos então sua estoria poderia ser o título de um tabloide sensacionalista e Gina não poderia se importar menos.
Ela virou para Rita Skeeter e sorriu.– "Fala aí para os seus leitores, Rita: Ele não é meu irmão".
FIM
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, gente! To quase quarentona mas sigo com alma ridiculamente adolescente. Consegui acabar esse projeto. Me desculpem pela década em que desapareci. Não li nem mensagens inbox ou outras fanfictions por vergonha. Não me dei o direito de nem entrar no site enquanto deixava vocês esperado por um final.
Eu sempre tentava acabar, eu juro, mas só conseguia escrever coisa muito ruim. Me desculpem mesmo se ainda havia alguém esperando pelo final.
Ah! E obrigada por todos os comentários nos capítulos anteriores. Li todos novamente nos últimos meses para me forçar/ incentivar a escrever. Espero que gostem...
E sem querer levar um murro virtual ou algo parecido, eu recomendo reler a estória antes de ler esse capítulo. Eu mesma que a escrevi e tive que reler tudo porque havia esquecido um monte de coisas!
Beijão a todas e me desculpem também por qualquer erro de português ou continuidade. Não mandei para ninguém revisar porque queria publicar logo (por incrível que pareça eu estava com pressa, kkk)
Se não estiverem muito bravas, podem escrever review para eu saber o que acharam do último e final capítulo? *fefys foge das cadeiras voando na sua direção*
