Anteriormente em Beijinho no escuro com o titio:
- Eu conto... Mas... Não existe a parte feliz...
Uma lagrima surgiu nos olhos de Naruto e foi seca pelas mãos de Sasuke.
~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. Quarto Capítulo. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~. ~.
Como conversar com qualquer pessoa?
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Era sábado. Finalmente. O dia da semana mais amável existente. Mas isso não fazia com que as pessoas se esquecessem dos acontecimentos nos outros dias da semana. E Sasuke estava desgostoso com uma recente conversa no dia anterior.
Pois não é como se Sasuke gostasse do que tinha ouvido da boca do loiro. Saber que o passado do menor tinha sido triste era umas das piores noticias, mas bem que quando ele se deu conta... Podia ser pior ele podia ter sido estuprado... Abusado. Mas isso não fazia o passado do mesmo menos assustador.
Durante certo tempo, Sasuke permanência em seu quarto, pensando em como por em palavras tudo o que aconteceu com o loirinho. Era mais difícil do que parecia, pois tudo que ocorreu não foi com si próprio, e sim com um pequenino e inocente vivente.
O fato das pessoas serem o que são se deve a experiência de vida de cada uma, apesar disso ser óbvio, as pessoas não são previsíveis. Pois o que realmente as influencia são os caminhos escolhidos por ela. E o que mais assustava a Sasuke, era a forma melancólica como Naruto encarou seus problemas...
Mesmo Sasuke não tendo a melhor explicação, ele se arriscaria a fazer com que seu irmão entendesse o lado obscuro da história...
- O que está havendo? Não pretende sair mais desse quarto? – Itachi surgiu com uma expressão séria, apoiou-se na parede para fitar seu irmão.
- Precisamos conversar. – Sasuke levantou-se da cama.
- Sobre?
- Sobre Naruto.
Eles entreolharam-se e o silêncio reinou por breves segundos, até que Itachi bufou.
- Acho que eu precisarei de um café bem forte e amargo.
O maior partiu em direção da cozinha, esperando ser seguido pelo mais novo.
Itachi colocou a água no fogo e sentou-se em uma cadeira de frente á Sasuke.
- E então...? – ele estava mais descontraído do que desejava transparecer.
Sasuke suspirou cansado e voltou seu olhar para o irmão.
- Absolutamente tudo tem uma explicação na vida daquela criança.
O maior se arrumou na cadeira, ele estava interessado.
- Conte.
- Eu perguntei ontem para ele o motivo dele ser tão distinto das crianças da idade dele. Ele... – suspirou de novo. – Ele tinha uma família sim, Itachi.
- Como assim? – se assustou um pouco, mas conteve a postura. – Eu pensei que ele vivia sozinho...
- Não exatamente. – fez uma breve pausa. - Naruto teve pai e mãe até o seu nascimento. Ele me disse que seus pais eram jornalistas que denunciavam organizações criminosas em suas matérias, por isso arranjaram uma encrenca com um homicida maléfico e foram, conseqüentemente, assassinados. Mas não se têm notícia do criminoso, muito menos provas.
Sasuke não demonstrava a dor que sentia ao lembrar-se das palavras simples e chorosas saídas da boca fina e levemente rosada de certo loiro.
- Bem... E... E o que aconteceu depois? Por que ele não foi adotado? Por que ele foi jogado na rua, sendo que o caso dele é muito suspeito, deve ter sido alvo da mídia. Não? – Itachi estava atormentado por não saber de nada.
- É. É sim. Foi à mídia. E ele foi adotado. Só que por um casal de crápulas aparentemente... Ele praticamente cresceu dentro de um sótão mofado, sem educação, sem estudo, sem amigos...
Sasuke mergulhou a cabeça nas mãos, algo que ele raramente fazia. Sintomas de seu nervosismo.
- Droga Sasuke! Pare de ficar pausando e conte tudo de uma vez.
O menor suspirou.
- Os antigos tutores, o deixavam naquele térreo preso sem fazer nada, muitas vezes sem alimento, muitas vezes... Ele passava dias sem comer. Até que aos cinco anos, um garoto de... Sei lá... Nove ou dez anos entrou naquele sótão e descobriu a existência dele. Aquele garoto, Iruka... Se me lembro bem, era o filho dos tutores do Naruto, que também era maltratado, só que... A forma que eles eram educados é incomparável.
De repente o barulho do bule estufou na cozinha, a água já estava no ponto e Itachi se levantou da mesa para fazer o café.
- Pode falar. – mandou prosseguir, enquanto preparava o café.
- Aquele garoto começou a se apegar ao Naruto, ele o visitava toda noite escondido dos pais, eles eram muito amigos... Aquele menino ensinou tudo que Naruto sabe, ensinou ele a ser o que é, e até mesmo o ensinou a ler... Uzumaki Naruto aprendeu o pouco que sabe com a presença de apenas uma pessoa em sua vida.
Itachi pegou duas xícaras e as colocou uma enfrente a Sasuke, e a outra enfrente a si e derramou o liquido fervente nas porcelanas.
- Foi assim até o aniversario de 14 anos de Naruto. Ele foi surpreendido por seus antigos tutores que o expulsaram de casa aos murros, só que Naruto não sabia exatamente como era o mundo... Não conhecia as pessoas e as suas insanidades. Ele com medo e insegurança. Confiou no primeiro 'estranho' que lhe apareceu e foi seqüestrado... Aí foi quando ele apareceu na TV e você o adotou.
- Corrigindo: "Aí foi quando ele apareceu na TV e você pediu para que eu o adotasse.".
Sasuke bufou nervosamente.
- Mas e agora o que faremos?
- Depois eu conversarei com Naruto sobre isso, e entraremos em contato com o representante do conselho tutelar!– Itachi bebeu um gole de café.
Sasuke sentiu o humor de seu irmão mudar repentinamente. O mais velho sem duvida gostara do 'tal cara do conselho tutelar' que por uma incrível coincidência hoje seria o dia de visita dele e isso era realmente engraçado para o Uchiha mais novo, pois seu irmão de certa forma era idêntico a ele. Ambos não sabem demonstrar corretamente os sentimentos. Algo bem comum nessa família 'fria'.
- O que aconteceu depois da visita daquele cara aqui? – perguntou Sasuke com um olhar malicioso.
- Eu já lhe falei! Ele disse que se eu fizesse isso novamente nunca mais viria Naruto. – Itachi respondeu desconfortável.
Sasuke permitiu um sorriso desabrochar nos cantos de seus lábios.
- Não foi essa a minha pergunta. – tomou pela primeira vez um gole de seu café que começava a esfriar.
- O que quis dizer com a pergunta então? – perguntou uma sobrancelha erguida.
- Eu quero saber o que aconteceu com você.
Itachi não respondeu, pois não havia entendido a pergunta ou realmente preferiria não ter entendido.
Sasuke olhou profundamente para a expressão vazia de Itachi procurando uma resposta.
- Eu não sei se você não quer me dizer... Ou se você, sinceramente, não entendeu a finalidade da pergunta.
- Não estou apaixonado. – não havia nenhum indicio de mentira. – Se é isso que você quer saber.
- Talvez esse não seja o problema, não é mesmo?
Sasuke sentia-se incrivelmente bem por estar se sobressaindo em cima de seu irmão, não era sempre que o Uchiha mais velho dava algumas brechas.
- Sim. – respondeu cansado. – Acho que o desejo mais do que devia. Mas agora que você sabe, vai parar com essa mini-impertinência?
- Não. – sorriu pelos cantos dos lábios novamente. – Só quero lembrar-lhe de uma coisa...
- Lembra-me então. – disse com sarcasmo, encostou-se na cadeira e cruzou os braços.
Sasuke tomou essa postura como se o outro negasse bravamente tudo antes mesmo de dizer.
- Não se aproxime dele mais. Se for para agir da mesma forma que agiu da primeira vez, pode ter certeza que não vai acontecer coisas boas, porque não vai sobrar apenas para você. Vai sobrar para Naruto, que não tem nada haver com esse seu apetite descontroladamente impulsivo. – respondeu sério.
Itachi revirou os olhos inquieto.
- Não é como se ele não fosse irresistível, apenas não sei o que me deu.
- Tem certeza que não está apaixonado?
- Sim
- É só desejo da carne?
- Sim.
- Por isso você tem de se manter longe dele. – Sasuke levantou-se da cadeira em desanimo. – Você certamente não quer nada sério. E se ele quiser... Vai ser pior ainda.
Sasuke retirou as duas xícaras já vazias da mesa e as pôs nas pia e saiu da cozinha em direção de seu quarto, estava na hora de seu programa da tarde preferido: Um passeio pelo parque. Algo que ele faria junto de Naruto pela primeira vez.
Enquanto isso, um Itachi abandonado na cozinha mergulhava em pensamentos. Andava de um lado para outro agitado, olhava para o céu se perguntado sobre o que sentia, como se os pássaros pudessem lhe responder com apenas o som de suas assas se debatendo.
Refletia sobre a primeira vez que se viu desejar uma pessoa de uma forma impulsiva, mas era difícil compreender essa cobiça. Quando ele estava no quarto de Naruto naquele dia, ele não pode parar para pensar nas conseqüências de seus atos.
--- Flashback. ---
- Eu já notei que esse quarto é muito grande e confortável para aquela criança. – comentou Deidara enquanto olhava pela janela o movimento na rua.
As pessoas estavam distantes e conversavam ativamente entre si animadas. Era um belo dia.
- É sim. – respondeu fechando a porta do quarto atrás de si.
- Mas eu acho que tudo isso de certa forma pareça com um... Um hospício, você não acha?
O loiro se virou para fitar o moreno, que o olhava com uma expressão de desdém.
- Como?
- Tudo dentro desse casa é branco. Branco até demais. É um grande contraste com vocês: Uchihas. - voltou o olhara para a janela. -... Mas de algum modo... Parece fazer muito sentido.
Deidara disse mais para si do que para o outro, mas se surpreendeu pela ultima frase ter saído mais confortante do que deveria.
- Não nos incomodamos com as suas criticas. – respondeu mais arrogante do que desejou transparecer.
- Pois precisaria. Chega ser um pouco ameaçador. Acredito que a cor branca deixe vocês mais assustadores do que cores escuras. Pois o excesso de cada cor pode ser um problema na vida de uma pessoa...
O loiro parecia não se incomodar com a insolência do moreno.
- Explique-se.
- Exemplo: Se uma casa tiver o excesso da cor vermelha, seus habitantes terão certas influências sobre ela, como ter uma grande necessidade de sexo.
- E se a casa for como a nossa... Como você mesmo diz: branca e com manicômios... Qual seria a influência que caberia a nós?
- Bom o excesso dessa cor resulta na convivência com outras pessoas. Indica que são descontrolados e solitários.
- Talvez você esteja certo. – sorriu marotamente. Quando o Uchiha notou que o loiro não responderia continuou. - Talvez nós sejamos assim, não? Descontrolados...
Um silêncio atormentador se instalou. Deidara sentiu os olhos do moreno se aproximar de uma forma precipitada e se virou preocupado para a direção do outro.
- Por que está me olhando desse jeito?
- Sabe... Eu também não sei...
Itachi colocou uma mão na nuca do outro e o puxou para um beijo forte e arrebatador. Não dando tempo de o loiro reagir.
Seus lábios eram quentes, diferente dos dele, dando um leve choque em si mesmo ao notar que o outro retribuía de uma forma mais tímida, nem por isso menos intensa.
Itachi enlaçou sua outra mão na cintura do rapaz e o apertou contra si, fazendo um gemido abafado sair dos lábios rosados do outro.
O mais velho teve a genialidade de passar a mão sorrateiramente pelo abdômen do outro e escorrendo-a até a superfície de cima da calça... E de repente tudo se acabou.
Deidara havia conseguido evitar que algo mais acontecesse ali. Mas sua respiração era árdua. Seus pulmões suplicavam por ar urgentemente.
- IDIOTA! – o loiro gritou. – Você vai me pagar por isso. Eu não queria isso... – sua respiração ainda era violenta.
-... Você retribuiu.
- Eu posso muito bem acabar com esse seu orgulho. – se aproximou nervoso. – como se atreve a beijar uma autoridade? Eu posso muito bem me vingar por isso... Eu posso lhe tirar aquela criança... VOCÊ PENSOU NISSO?
Deidara saiu dali com passos rápidos e pesados, parecendo uma criança mimada que acabou de ter uma briga com os pais, ele estava enfurecido e não se esqueceria tão rapidamente do que aconteceu naquele quarto.
--- Fim do Flashback---
- Eu vou ficar louco dentro dessa casa.
Itachi saiu nervoso da cozinha, saindo praticamente correndo para longe de seu lar enquanto batia ferozmente a porta a sua frente.
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- Espere! Eu estou quase pronto!
- Vou começar a contar até dez. – suspirou. – Um... Dois...
Sasuke estava de frente para a porta do quarto de Naruto; ele esperava o loiro impacientemente do lado de fora.
- Seis... Sete...
Ambos haviam combinado de saírem juntos para um passeio de bicicleta no parque principal de Konoha. Naruto estava tão animado que não conseguia se decidir com que roupa aproveitaria esse lindo dia que ele estava prestes a encarar com um sorriso estridente.
- CALMA! – gritou Naruto entrando em pânico ao ouvir alguém correndo.
Ao ouvir uma porta batendo forte, saiu do quarto na hora. Naruto se virou para a direção do barulho, mas não viu ninguém, só uma porta fechada.
- Espere... – sussurrou baixinho.
De repente uma mão tampa os olhos do loiro, que se assusta com o ato.
- Tio... – Uzumaki se virou para ver quem estava atrás de si. E sorriu de leve ao ver a expressão satisfeita do outro. -... Não tem graça, pensei que já tinha ido, você me assustou com aquele barulho.
- É eu percebi; Mas não fui eu, foi seu papai. – Sasuke pronunciou a ultima palavra em tom de gozação; Que passou completamente desprevenido pelo menor.
Naruto apresentou um sorriso encantador ao outro e abaixou a cabeça.
- Desculpe a demora! Eu... Eu só queria ficar bonito, é que... Eu nunca fui a um parque... – mordeu o lábio inferior e fitou as mãos.
- Naruto... – o moreno disse, ele estava no fim do corredor abrindo a porta enfrente a si. – Vai ficar ai falando sozinho?
O loiro olhou surpreso por não perceber que o outro havia se afastado.
- Quer ficar? – Sasuke sorriu maroto e ameaçou a fechar a porta. Quando viu o outro correr em sua direção sorrindo, achou justo retribuir um á altura.
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O dia estava esplendido. O ar estava úmido com a recente chuva do dia anterior, e o arco-íris parecia se negar de deixar de iluminar coloridamente aquele parque. O sol estava ao centro, brilhava fortemente, igualando-se ao sorriso de um garoto que descansava no banco da sorveteria de tanto correr pelos pequenos bosques daquele lugar.
É claro que o passeio não podia estar melhor, havia crianças por todos os lados, brincando animadamente com seus pais, amigos, irmãos... E até animais. Porem, um loiro não. Ele admirava entusiasmado ás pessoas interagindo umas com as outras, enquanto lambia levemente cada gota que cismava em cair de seu sorvete de flocos.
- Parece delicioso. – comentou Sasuke inconsciente, enquanto olhava maliciosamente para Naruto que lambia as bordas da casquinha lentamente.
O loiro permitiu sorrir um pouco e se se aproximou do maior, sentando-se ao lado do moreno.
Sasuke mordeu o lábio inferior ao ver Naruto se aproximar quase que naturalmente de si.
- Esta sim. Só que não para de derreter... Estou cansado de ficar chupando...
O Uchiha permitiu abrir um pouco a boca. "Por que você não vem me...". Sasuke balançou a cabeça levemente antes de proferir a pergunta. Em um ato de tentar se controlar, depositou seus cotovelos sobre os joelhos e suspirou profundamente tentando se acalmar.
- Bom. – levantou-se abruptamente. – Vamos. Não quer tentar andar de bicicleta de novo?
- Sim. Quero. – Naruto levantou-se do banco branco e pegou sua raposinha e a colocou no cestinho dianteiro da bicicleta e jogou o papel (a única coisa que sobrou do sorvete) no lixo.
Já tinha se passado mais de três horas que o Naruto e Sasuke andavam lado a lado pelo parque inteiro. Sasuke teve a paciência de ensinar o loiro a andar de bicicleta e ter confiança em si para andar sozinho; Era muito divertido para ele ver o pequeno dar tudo de si para alcançar seu objetivo.
Ao contrario do moreno, Naruto fazia isso para presenciar um sorriso de reconhecimento. Gostava de provar um pouco da sensação de ser uma companhia agradável, pois é tudo o que Sasuke é para ele.
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Itachi não podia fugir por muito tempo, daqui alguns minutos ele receberia a desconfortável visita do representante do conselho tutelar: Deidara.
Se aquele cara citasse para ele as conseqüências de seus atos novamente ele iria fica impulsivo novamente, só que dessa vez ele não beijaria ele, ele seria bem mais malvado.
- Vejo que estou sozinho dentro dessa casa.
Itachi punia Deidara mentalmente por fazê-lo permanecer em casa em um dia lindo como aquele, mas o que ele faria? Andaria pelo parque junto de Naruto e Sasuke, correndo o risco de ser confundido como um casal gay assumido que acabara de adotar um adolescente com um ar infantil e 'delicado'. Não mesmo. Ele estava mal-humorado demais para fazer algo como isso.
Talvez ficar em seu quarto jogado na cama lendo um bom livro de Leil Lowndes, faria bem para si mesmo. Tinha em seu quarto os três livros recentes da autora. Pegou todos e começou a ler os títulos vendo qual era o mais interessante.
Primeiro: 'Como conversar com qualquer pessoa. '
Segundo: 'Como fazer qualquer pessoa se apaixonar por você. '
Terceiro: 'Como fazer todo mundo gostar de você. '
Itachi tentava se lembrar o porquê de comprar livros com títulos tão preocupantemente sociais. Por que um Uchiha se preocuparia com o que as outras pessoas pensam? Por que se preocuparia em fazer as pessoas gostarem dele? Desde quanto se sentiu tão criticamente baixo com sua... Alto confiança.
Ele sabia que não tinha motivo algum para odiar aquele livro, ou se sentir baixo apenas pela sua curiosidade, afinal aquilo não mataria o seu orgulho. Não? Afinal, ele já chegou a ler 'livros' muito insano, não faria mal aprender cada vez mais em termos sociais.
Escolheu a opção de numero um: 'Como conversar com qualquer pessoa. '
- Como? – perguntou como se a capa do livro pudesse responder aos seus delírios.
Dig Dong.
Ouviu-se a campainha agudamente irritante.
Itachi andou até a porta e abriu com a mais cara de tédio.
- Bom tarde! – disse o loiro entrando na casa.
- Vai demorar? – perguntou fechando a porta.
- Bem, me diz você. – respondeu divertido.
- É assim que os representantes do conselho agem em período de trabalho? – perguntou sarcástico.
-... Não...
Deidara se virou sério para o moreno que estava sem camisa.
Itachi percebeu os olhar de o loiro explorar seu corpo. Sorriu satisfeito para a boca entreaberta do outro.
- Quer tocar? – perguntou se aproximando.
- Não. – respondeu firme. Ele não iria se render aos encantos daquele ser escrupuloso e insensível... Não hoje... – Afinal... – ergueu uma sobrancelha e lhe dirigiu um olhar severo. – Estou aqui como representante do conselho de ética tutelar para garantir que vossa senhoria zela pela vida do adolescente que sustenta. E garantir ao governo se você corresponde a sua responsabilidade como tutor, e se possível, tirar as duvidas sobre o desenvolvimento familiar que você, o tutor, terá o auxilio através de mim. – se aproximou ameaçadoramente.
- Isso é o seu lema? Ou o 'governo' faz você vocês dizerem tais idiotices para as pessoas? – perguntou se curvando para encará-lo mais friamente. – Não me parece um emprego muito útil.
Deidara engoliu o ar, estava surpreendido como aquela cara podia ser potencialmente desagradável. Não pode evitar que seus olhos mostrassem-se tristes. Era sem duvida um desconsideração enorme.
Itachi apenas quis provocá-lo um pouco, mas só reconheceu o estrago que vez ao ver os olhos do outro, que estavam tão próximos, brilharem decepcionados.
- Uzumaki Naruto está? – perguntou quebrando o silencio intimidante.
- Não. – respondeu sem tirar os olhos do outro.
- Tem alguma duvida que eu possa tirar?
- Sim. – Itachi lembrou-se da conversa com o irmão sobre Naruto. – Mas tem que ser com a presença de Sasuke e Naruto.
Deidara se virou e abriu a porta.
- Sendo assim. – desviou o olhar para o chão. - Tenha um ótimo final de semana.
Itachi observou o outro fechar a porta e andou até mesma pousando as duas mãos e a cabeça na porta; tentando se lembrar o porquê de ter sido tão idiota.
- Droga. – bateu bravamente o punho na porta.
Ele realmente precisava ler aquele livro, passava da hora de saber conversar com as pessoas...
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Do lado de fora da casa, Deidara correu até seu carro, um Gol 1.8 prata, abriu e fechou a violentamente.
Não era fácil ter um emprego como aquele, mas ele tinha que ter, aos 21 anos era difícil encontrar um emprego realmente bom, sendo que ele estudava na matine.
Ele queria estudar arte, saber tudo sobre ela. E como a faculdade é paga ele tinha que trabalhar para estudar. Mas isso não quer dizer que seu emprego era inútil, ele trabalhava todos os dias da semana e nunca se queixou. Era um emprego bom, não deveria ser desprezado.
Suspirou fundo tentando se acalmar. Contou até 10, mas não funcionou e chorou. Deixou as lágrimas correrem e as limpou quando aqueceu suas bochechas.
Mas mesmo assim, por que a opinião de um rico infeliz e desafortunado importava tanto?
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Iria começar a escurecer e Sasuke via o cansaço de Naruto surgir.
- Vamos assistir o sol se por, e logo em seguida vamos para casa, tudo bem? – perguntou.
- Está bem.
Sasuke encostou sua bicicleta na arvore e sentou-se na sombra de uma arvore. Naruto fez o mesmo, sentando-se ao lado do maior.
A luz brilhava sobre ambos com calmaria e gentileza, era como se a beleza se esvaziava. O cheiro e ar úmido trazido pelo rio adiante, dava um sonolência.
- Espero não ter ficado chateado por ter feito Itachi lhe tirar daqueles cursos para profissionais.
O maior voltou-se para o loiro que tinha um sorriso simples nos lábios.
- Não, não. Eu gostei muito. – seu sorriso cresceu. – Se eu continuasse com aqueles cursos eu acho que não estaria aqui com você. Estaria em casa fazendo um turbilhão de deveres.
- Mas e agora o que você faz de útil com esse seu tempo vago? – perguntou sorrateiro, fitando o horizonte.
- Bem... – Naruto abaixou o olhara para a grama e começou a passar a mão em uma margarida florescida. – Eu desenho. Desenho tudo o que vejo, ou o que sinto.
Sasuke desviou o olhar novamente para o outro.
- Eu acho que desenho muito bem. – Sorriu. – Você gostaria de ver meus desenhos?
- Então...
Naruto fez um bico gracioso e abriu bem os olhos como se não quisesse deixar passar nenhuma informação.
- SIIIIIIM? – perguntou cantarolando a palavra.
- Sim.
O sorriso do loiro era previsível no ponto de vista de Sasuke, ele sempre sabia quando ele ia mostrar-lhe aquele sorriso.
Entreolharam-se até que Naruto fitasse á grama corado, mas com o mesmo sorriso estampado em seus lábios.
- Olá. – diz uma voz fina.
Ambos se assustaram, ao ver Sakura em frente, ao lado de duas mulheres exuberantes como tal. Todas vestiam roupas decotadas e vulgares.
- O que quer? – perguntou grosso o moreno.
- Nunca te vi por aqui. – estreitou o olhar ao se virar para o loiro. – Não me diga que é por causa desse moleque.
O mais velho suspirou cansado procurando não enlouquecer e ceder o controle com aquela voz desconcertada.
- Quer mesmo que eu responda? – encostou-se o Uchiha no tronco da arvore.
Haruno Sakura suspirou nervosamente.
- Não aceito ser desrespeitada por você, teme. Você me pertence. E não sou eu que pertenço a você.
- Você se meteu comigo porque você quis. Infelizmente, estamos juntos por que você quer. – seu tom era ameaçador.
- E isso dificilmente ira mudar, ira ser meu cachorrinho até que morra. – Sakura curvou-se olhando amarguradamente para o outro. – Meu. Você é meu. Não vou permitir que você fique de onda com outros caras, só para satisfazer suas curiosidades safadas. Tratasse de se livrar desse lixo. – apontou para Naruto.
- Só tem um lixo aqui, e eu estou olhando para ele. – respondeu com um olhar demoníaco que fez Sakura estremecer.
Naruto observava tudo assustado. Ver Sasuke agindo de uma forma bruta, igualmente a outra, não era nada agradável.
- Sasuke... – Naruto apertou fracamente a camiseta do maior que estava sentado ao seu lado. O moreno ainda estava visivelmente irritado, olhou Naruto de cima com seu raro olhar com ira, que fez o menor temer por um segundo, mas logo se lembrou de quem olhara. -... Não, não fale assim... Não olhe assim...
Não é prazeroso ver o rosto de quem se gosta repleto de dor e incompreensão. Sasuke descobriu isso ao olhar para o pequeno.
Seu olhar agressivo morreu, mas...
- Não se mete retardado, essa é uma conversa entre adultos, animais ficam de fora. – respondeu a rosada ao notar a atenção no moreno voltar a si.
O maior levantou-se num vulto e empurrou a outra que caiu no chão ao tropeçar em uma pedra.
- Se você não aprender a respeitar as pessoas que me rodeiam, eu mesmo irei acabar com o nosso contrato. - respondeu ele andando em direção de sua bicicleta. – Vamos embora Naruto.
Naruto levantou-se rapidamente, pegou sua bicicleta e subiu sob a mesma. Antes de seguir Sasuke que estava a sua frente, olhou para trás. Aquela mulher o olhava com os lábios contraídos em tom de desprezo e nojo. Ela sibilou palavras que o loiro pode interpretar: "Você me paga por isso!". Sorriu ela, um sorriso crescente e cheio de maldade.
- Vamos Naruto. – disse Sasuke chamando a atenção do loiro em um tom imperativo.
- H-hai. – respondeu ele colocando o pé no pedal e pedalando até o maior que o esperava a certa distancia.
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Já era noite. O Uchiha mais velho e Naruto estavam reunidos na sala esperando Sasuke terminar de fazer um... Ramen? Sim. O moreno havia perguntado se alguém ali presente tinha alguma preferência sobre o que ele deveria preparar. Levou um previsível vácuo de Itachi e uma resposta animada do loirinho.
Naruto notou que Sasuke não parecia estar incomodado com o que ouvira mais cedo, sobre a tal a arrogância daquela mulher. Aquela mulher. Ela o ameaçou antes de ir. Ela iria fazer algo que desestabilizasse a paz entre o Uchiha e ele; isso o deixava triste e preocupado, mas Sasuke transparecia uma confiança, ele sabia que o relacionamento de ambos não iria se abalar por causa dela.
O loiro permitiu disfarçar o sorriso tímido e corado, se acanhou no sofá abraçou suas pernas. Olhava sem realmente entender o que se passava na novela. Até que um suspiro pesado e nervoso chama sua atenção.
Itachi estava com o braço esticado na parte mais alta do sofá, e na outra mão estava o controle remoto. Ele também olhava para a televisão sem ao menos prestar atenção.
Naruto se perguntava o que se passava com ele. Devia ter acontecido algo.
- Está pronto. – disse Sasuke do outro cômodo.
Itachi se levantou preguiçosamente, Naruto foi correndo para a cozinha e sentou-se em uma das cadeiras de quatro lugares.
Sasuke pôs o prato em frente ao loiro que mordeu os lábios inferiores de desejo, ao ver o estado fervente da comida. O cheiro não pediu licença para invadir a cozinha inteira, era um cheiro convidativo e quente, uma sensação casual de se sentir relaxado na própria casa, que só o miojo pode oferecer.
- Eu vou comer no quarto. – comentou Itachi pela primeira vez desde que eles haviam chegado.
Sasuke o observou, seu irmão estava estressado, e obviamente ele não queria passar esse estresse adiante. Muito educado da parte dele.
- Certo. Por que vai dormir tão cedo?
- Não vou dormir, vou ler. Quero terminar de ler um livro ainda hoje.
- Hm. – Sasuke lembrou-se de quando foi à livraria com seu irmão. E sorriu malicioso. Ele pensou em dizer coisas fúteis, entretanto, não era necessário deixa-lo mais estressado. Bom, ele podia fazer um comentáriozinho nada maldoso. – Eu li aqueles livros que você comprou semana passada, posso assegurar que ajuda muito. – sorriu marotamente inconsciente.
- Ah, é? – perguntou cruzando os braços em um tom de repulsa e sarcasmo.
- É sim. – permitiu seu sorriso maroto crescer um pouco, no entanto com cautela. – É bom. Ajudou-me muito. – Sasuke lançou um olhar nada discreto ao Naruto que esperava a comida esfriar um pouco.
Itachi pensou em perguntar, algo como: "Te ajudou com ele?". Mas ele não disse, ao invés disso ficou com um olhar pensativo. Não faria perguntas como essas para o irmão, ainda mais quando ele tinha aquele sorriso esperto e convencido no rosto, que dizia: "No entanto, sou mais feliz que você, por isso irei esnobar com o meu olhar fodão."
Bom...
Apesar de tudo, Sasuke era um Uchiha, assim como ele.
O mais novo notou o silencio do outro e voltou-se para o fogão, e pôs comida para o irmão, já que Itachi nunca chegara perto de uma panela. Entregou o prato sem ao menos ouvir um 'obrigado', ao invés disso ouviu paços se tornando mais distantes.
Terminou de por a comida para si e sentou-se. De frente a Naruto que esperava o outro para comer.
- Itadakimasu. – disse o moreno com um sorriso gentil para o loiro que corou um pouco mais devolveu o sorriso em grande estilo.
Foi uma janta agradável. Foi uma boa leitura. Até que a noite finalmente expirou.
E que Domingo seja bem-vindo.
Continua...
N/a: Jesus, vocês não sabem o que me acontece quando eu escrevo essa Fic. Gente, eu tenho colapsos mentais quando faço Naruto sendo tão inocente. Às vezes eu grito feito louca em casa (pura verdade). Um exemplinho:
***Dramatização de uma escritora Yaoi'ista. *** |O| |O|
Sasuke admirava Naruto chupando animadamente seu sorvetinho.
- Parece delicioso. – comentou Sasuke inconsciente, enquanto olhava maliciosamente para Naruto que lambia as bordas da casquinha lentamente.
[A escritora se arrepiou toda ao imaginar a cara de tesão de Sasuke.*-------*]
- Esta sim. Só que não para de derreter... Estou cansado de ficar chupando...
[A escritora imaginou cenas nada ingênuas e morreu com a perda de sangue. ** hemorragia nasal Mata. T.T]
*** Fim da dramatização. ***
Comento:
Essas situações me deixam louca. Às vezes eu grito pra mim mesma: "DROGA SASUKE! SE JOGA NELE! TIRA A ROUPA DELE! ENFIA NELE!" eu particularmente não sou tão masoquista quanto sasuke. (Eu não ia agüentar ver Naruto chupando animadamente seu sorvetinho pomposo).
....
Mas eu também acho importante lembrar que nesse capitulo teve mais ItaDei. Eu adorei a 'introduzida' do Flashback para esclarecer alguns fatos importantes.
\o/\o/\o/\o/\o/
Ah... E eu gosto muito de fazer essa relação linda de IRMÃOS.
Bom, até mais. 'Vejo' vocês em breve néah?
;D
Espero que tenham gostado, e se caso não... Pode deixar dicas? Eu só sobrevivo através de criticas ou elogios. *---*
No próximo capitulo de Beijinho no escuro com o titio:
Eles estavam muito próximos. Próximos de mais. Os corpos de tocavam e uma sensação de compatibilidade surgiu.
Naruto não podia sentar no colo do moreno daquele jeito, algo poderia acontecer...
- Titio. - disse corado. - Ensina-me a viver do jeito certo.
Era demais ter aquele pequeno corpo sentado encima se si, era tortuosamente aliviante. Sasuke enlaçou seu braço direito na cintura de Naruto, e com uma mão levantou o rosto do loirinho para que o outro o fitasse nos olhos.
- Eu irei. - sorriu ao ver os olhos do outro brilhar. - Entretanto, ensinarei a beijar-me primeiro.
