Capítulo 2
"Ótimo! Tudo o que eu precisava…outro bêbado imbecil"!- Ana-Lucia pensou consigo mesma. Não importava que a voz dele tivesse soado...bem...atrativa, quase sedutora. Ela não estava a fim daquela conversa. Ana se virou para dizer ao homem que a deixasse em paz, mas quando ela finalmente o viu concluiu que ele era o mais bonito representante da espécie masculina que ela já tinha visto em um bom tempo.
O homem era alto e musculoso. Ele tinha olhos incríveis que ela pôde apreciar mesmo na escuridão do bar. O cabelo dele era loiro e parecia macio como o de um bebê e longo como o de um adolescente. Ele tinha um ar rebelde e irresistível. Mas, o que mais chamou a atenção de Ana foram duas covinhas lindas que ele tinha no rosto. Quando ele sorriu, ela sentiu o coração derreter.
Ana-Lucia franziu a testa por um momento mas ela não pôde impedir o sorriso que lhe escapou dos lábios de volta para ele. Pareceu tão natural sorrir assim. Notou que não conseguiria ficar séria diante dele nem mesmo se tentasse.
- Por que pergunta?- Ana disse.
- Porque se você está procurando alguém, acabou de encontrar, amor!- o homem respondeu com seu sotaque sulista sexy.
Ok, aquela cantada era muito velha, mas ele era tão lindo que Ana decidiu que um homem como ele poderia dizer coisas bobas como aquela. O cara parecia ter saído de um desses livros de romance que podem ser comprados em farmácias e supermercados.
- Essa bebida é sua?- Ana perguntou apontando para o copo quase vazio, perto da garrafa que ainda estava cheia.
- Sim, senhora!- ele sorriu sedutor, mostrando suas covinhas novamente.
Ana puxou um dos banquinhos estofados de couro em frente ao balcão e sentou-se ao ao lado dele. Ela então tomou a liberdade de pegar sua bebida e tomar um longo gole. Ele riu e perguntou à ela:
- Gostou da minha bebida?
- Humm…eu acho que precisa de um pouquinho mais de limão!- Ana disse sorrindo e lambendo os dedos. Ele riu novamente e puxou seu banquinho para mais perto do dela.
- Ei Ken-ele chamou o bartender. – Traz uma bebida para a moça, alguma coisa com limão, ok?
- Tequila e tônica, por favor.- Ana disse e então acrescentou. - Com uma rodela de limão- o bartender assentiu e foi preparar o drinque.
- Então…- ela tomou outro gole da bebida dele. – Me diga...quem seria este homem que eu estava procurando?
- Sawyer!- disse ele com seu sorriso charmoso. Que nome perfeito para ele, Ana pensou. Embora o nome soasse mais como um pseudonimo do que seu nome de verdade.
- Eu sou Ana-Lucia.- ela disse estendendo a mão para apertar a dele, mas para sua surpresa ele n ão a cumprimentou dessa forma. Quando ela lhe estendeu a mão ele se inclinou para ela e depositou um beijo delicado em seu pulso.
Ana sorriu e brincou com ele: - Ok, você nao vai começar a me chamar de princessa agora vai?
- Só se você quiser, amor, embora eu ache que princesa não faria muito o seu estilo.
- Você está certo, Cowboy!- Ana disse rindo levemente. O bartender trouxe-lhe seu drinque. – Obrigada, Ken.- ela agradeceu antes de tomar um gole.
- Como veio parar aqui na Austrália, Ana-Lucia?- Sawyer perguntou enquanto a observava degustando seu drinque.
- Você está me perguntando além de procurar cowboys em bares?
- Sim, além disso.- respondeu ele entrando na brincadeira dela.
- Bom, eu vim pra cá pra tomar conta de um bêbado.- Ana respondeu honestamente. A voz dela saindo com uma nota de tristeza.
- Mas que droga de trabalho, garota! E onde está o seu bêbado agora?- Sawyer perguntou.
- Eu pensei que fosse encontrá -lo aqui.-Ana disse, frustrada.
- Sério? Ah, você acabou de partir o meu coração, chica- Sawyer disse com falso pesar.
- Ah, pobrezinho! Me diz como foi que eu parti seu coração?- Anao usou perguntar. Ela percebeu que estava relaxando pela primeira vez em semanas porque ela estava realmente se divertindo.
- Porque você não veio para este bar procurando por mim como eu esperava.
- Bem eu queria te dizer a verdade desde que me sentei aqui, mas não queria te magoar, Cowboy!- dessa vez era Ana quem tinha o sorriso sedutor nos lábios.
- Ah, não se preocupe com isso! Eu vou sobreviver. De qualquer forma parece que você me encontrou.- Sawyer sorriu exibindo suas covinhas seguindo o sorriso sedutor dela. Ana sentiu-se sem folêgo por um momento.
Ela tomou um longo gole de sua bebida e pensou nas alternativas que tinha enquanto permanecia na Austrália. Ela sabia que tinha um voo disponível para LA no dia seguinte, mas ela não queria retornar aos Estados Unidos sem Tom.
No entanto, se Tom nao estava mais no bar talvez ele tivesse retornado ao hotel. Ana pensou que talvez ela devesse fazer o mesmo, agradecer ao cowboy pelo drinque e ir embora. Mas de repente Ana sentiu que não queria voltar para o hotel e assistir Tom vomitar e ouvir ele dizer que tinham sido feitos um para o outro. Duas semanas daquilo tinha sido o bastante para ela.
- Por que ficou tao séria de repente?
- Eu estava pensando aonde o meu bêbado poderia estar.- Ana respondeu honestamente.
- Se você quiser eu te ajudo a procurar o seu marido.- Sawyer disse com sinceridade mas Ana-Lucia sabia que ele só estava fazendo aquela oferta porque tinha segundas intenções.
- Agradeço a oferta, mas eu não sou casada.
- Ótimo! Agora eu já posso parar de procurar uma aliança de casamento na sua mão. Estou fazendo isso desde que você entrou neste bar.- Sawyer confessou com seu sorriso sexy.
Ana riu e perbuntou a ele: - Como veio parar na Austrália, Sawyer?
- Eu vim pra cá procurando encrenca.- Sawyer disse. – E advinha só? Me meti numa baita encrenca!
- Não esquenta. Você não é o único que se meteu numa baita encrenca.- Ana confessou. – Acho que eu fiquei encrencada no momento em que eu decidi vir para Sidney.
Sawyer levantou seu copo e propôs um brinde: - À arte de se meter em encrencas e nunca ser pego!
Ana gostou da ideia e juntou-se a ele no brinde antes de tomar outro gole de sua tequila e tônica. A bebida dela já estava no fim.
- Ken, traz outra tequila e tônica para a moça.- Sawyer pediu ao bartender quando ele percebeu que o copo dela estava quase vazio.
- Não obrigada, nao pretendo ficar bêbada.- disse Ana. – Não vou seguir o exemplo do meu chefe.
- Ah, só mais um drinque não vai te deixar bêbada lábios quentes…talvez um pouco tonta e então eu finalmente poderei te beijar.
- Então você está dizendo que tem planos pra mim?- Ana perguntou com malícia na voz.
- Muitos planos.- disse Sawyer se aproximando mais dela e sussurrando aquelas palavras em seu ouvido. Eles estavam bem próximos agora. Durante a conversa os corpos deles gravitaram mais e mais perto um do outro. – Por favor, nao va embora, Lucy. Eu já volto!- Sawyer sorriu e se levantou do banquinho para ir em direção ao banheiro dos homens. O bartender trouxe outro drinque para Ana-Lucia.
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O banheiro estava vazio e Sawyer fechou a porta. Ele parou em frente ao espelho e mirou a si mesmo. Ele vinha bebendo desde cedo e o seu hálito provavelmente não era dos melhores. Por isso ele tirou uma menta que sempre carregava no bolso em caso de emergência como agora. Sawyer sabia que sempre existia uma chance de conhecer uma garota bonita e interessante em um bar.
Essa garota que ele acabara de conhecer era deslumbrante e deliciosa. Sawyer checou sua carteira e encontrou outra coisa que ele também carregava sempre em caso de emergência: duas camisinhas. Sawyer sorriu e pensou que as coisas em Sidney não estavam mais tao ruins afinal. O dia dele tinha começado horrível porque ele acordara na prisão. Ele tinha passado a noite lá depois de se meter em uma briga de bar com o Ministro da Agricultura Australiano. Tinha sido o ministro quem começara a briga, mas ninguém queria saber da versão dele da história. Na delegacia, o policial passou nele um sermão incluindo sua ficha criminal e no final carimbou em vermelho no passaporte de Sawyer a palavra "Deportado."
Agora ele nunca poderia retornar à Austrália depois que partisse, mas ele não dava a mínima para isso. Avúnica razão pela qual ele tinha viajado para Sidney era encontrar o homem que tinha assassinado seus pais. Mas no final, a pista que tinha recebido de um conhecido estava errada e Sawyer cometeu um terrível engano que custara muito caro o atormentaria para sempre.
No entanto, naquela noite o destino tinha lhe dado uma oportunidade de completar sua jornada na Austrália com a esperança de passar uma noite inesquecível com uma mulher linda. O mais interessante sobre ela era que ela parecia estar se sentindo tão perdida naquela noite quanto ele se sentia.
Enquanto Sawyer estava no banheiro, Ana-Lucia pensou muitas vezes sobre ir embora do bar. Se ela queria mesmo ir agora era sua chance. Mas, ao mesmo tempo ela já sabia com o que teria que lidar quando retornasse ao hotel.
De certa forma, conversar com o cowboy parecia mais interessante do que voltar pro hotel e passar o resto da noite sozinha esperando por Tom decidir quando eles retornariam à Los Angeles. Ana-Lucia decidiu então ficar. Ela pegou seu celular da bolsa e ligou para o número de Tom pela milionésima vez naquele dia. Mas desta vez ele atendeu: - Alô?- a voz dele soou cansada e triste do outro lado da linha.
- Tom, onde diabos voce está?- Ana quase gritou no telefone.
- Ei, Sara é você?- Tom indagou rindo levemente.
Ana-Lucia revirou os olhos e repetiu a pergunta: - Eu perguntei onde você está?
- Eu estou bem querida. Não se preocupe. Na verdade, nunca estive melhor.- Tom respondeu.
- Você está no hotel?- Ana perguntou, frustrada.
- Não, não estou na porcaria do hotel. Estou num lugar muito melhor.
- Você ainda está bebendo?- Ana suspirou sentindo-se derrotada.
- Não, não estou bebendo. Só estou…aqui.- ele respondeu, vago.
- Mas que droga, cara! Só me diz aonde você está!- Ana estava gritando agora.
- Você é muito nova para estar aborrecida o tempo todo, Sara.- disse Tom calmamente. – Não se preocupe comigo. Te vejo amanhã.
- Então você decidiu que vai voltar comigo? Você vai voltar e pedir perdão pro seu filho?- Ana perguntou esperançosamente.
- Eu vou quando for a hora certa.- ele respondeu desligando o telefone.
Quando Sawyer retornou do banheiro, ele imediatamente notou que alguma coisa estava errada com Ana. Os olhos dela pareciam muito tristes.
- Ei, você está bem, cupcake?- ele perguntou a ela.
- Cupcake?- Ana riu baixinho quando repetiu o apelido bobo. – Cara, você realmente gosta dessa coisa de apelido, né?
- Desculpe, mas é que você me lembra um cupcake porque você é pequena e deliciosa como um biscoitinho.- Sawyer disse com seu sorriso irresitível e Ana deu uma gostosa risada.
Sawyer olhou para o copo dela, estava quase vazio novamente. – O seu drinque já tá quase acabando de novo.- ele disse.
- Sim, mas como eu disse eu nao quero ficar bêbada hoje.- Ana insistiu.
- Tudo bem, eu respeito isso.- Sawyer falou antes de acrescentar: - E o que você quer fazer, Ana-Lucia?
- Eu quero ir para o lugar mais longe do mundo.- Ana respondeu.
- Bem, eu não sei se vou poder te levar lá mas eu posso tentar, baby.- Sawyer sorriu e então chamou o bartender: - Ken, a conta por favor!
Ana-Lucia olhou para a porta de saída do bar. O letreiro luminoso vermelho piscando em cima da porta. Essa era sua última chance de escapar. Deveria ela ir embora do Coquetel Bar e voltar para o seu quarto de hotel sozinha ou ficar com o cowboy charmoso que obviamente estava planejando sexo selvagem para aquela noite?
Sawyer tomou a mão pequena de Ana na sua e sorriu depois de pagar pelas bebidas deles. Naquele momento, Ana concluiu que ela definitivamente iria correr o risco e ficar com o cowboy charmoso.
Continua…
