Capítulo 4
Sawyer acordou com dor de cabeça quando o som inoportuno do relógio-despertador o acordou. Ele remexeu-se na cama tentando se situar no espaço-tempo. O despertador continuou zunindo.
- Filho da puta!- ele xingou virando-se na cama, sua mão tateou o criado-mudo tentando desligar o aparelho, mas sem sucesso. Ele ergueu seu corpo muito depressa na cama e com o esforço acabou batendo a cabeça no canto do criado-mudo. – Diabos!- gritou levando a mão até aonde a dor latejava, com a outra mão ele finalmente conseguiu desligou o aparelho.
Agora que a batida o tinha feito acordar, Sawyer sentou-se na cama e notou que estava nu. De repente, flashbacks da sua noite louca de prazer com a garota que tinha conhecido no Cocktail Bar veio à tona em sua mente.
- Ana... – ele murmurou.
Abraçou o travesseiro buscando o cheiro da essência dela e sorriu. Então não tinha sido um sonho. Ela estivera mesmo ali.
- Ana!- ele chamou novamente ao ver que a porta do banheiro estava não levantou-see foiaté o banheiro, mas ela não estava mesmo lá. Suspirou frustrado. Será que ela tinha ido comprar café da manhã para eles?
De repente, um pensamento ruim surgiu na mente de Sawyer. E se ela fosse uma golpista tanto quanto ele? E se ela estivesse acostumada a ir de bar em bar seduzindohomenssó para fugir no meio da noite levando-lhes os pertences?
- Mas que droga!- Sawyer esbravejou e foi procurar sua carteira. Estava no mesmo lugar, dentro do bolso da jaqueta que ele tinha usado na noite anterior. Abriu-a e encontrou tudo em ordem, dinheiro e cartões de crédito. Ela não tinha levado nada afinal.
Sawyer suspirou de alívio. Uma passagem de aviãoque estava cuidadosamente dobrada dentro da jaqueta lembrou-lhe que ele tinha que pegar um voo de volta para Los Angeles em algumas horas. Mas ele queria tanto saber por que ela tinha ido embora sem se despedir. Ele pedira a ela que estivesse lá pela manhã. Mas ela não prometera nada.
- Que mulher incrível!- ele exclamou consigo mesmo.
Decidiu procurar pelo quarto algum bilhete que ela pudesse ter deixado, um númerode telefone que fossemas não havia nada. Ele resolveu então tomar um banho e se preparar para ir ao aeroporto.
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Ana-Lucia acordou sentindo o braço musculoso de Sawyer ao redor de sua cintura. Deu um pequeno suspiro de prazer e espreguiçou-se confortavelmente na cama. O quarto estava completamente escuro. Ela não fazia ideia de que horas deveriam ser, mas tambémnão queria saber disso só queria ficar ali curtindo o momento enão pensar em nada. Ela fechou os olhos novamente tentando voltar a dormir, mas uma voz sussurrada a fez abrir os olhos outra vez.
- Sara?
Ana olhou para Sawyer dormindo ao seu lado e ouviu sua respiração tranquila demonstrando que ele estava em um sono profundo. Ela fechou os olhos novamente.
- Sara?
A mesma voz. Ela se mexeu inquieta na cama tentando entender da onde vinha aquele som.
- Sara!- a voz agora soou diretamente em seu ouvido e ela estremeceu, assustada. Levantou-se da cama de súbito. O braço de Sawyer caiu pesado na cama, mas ele não acordou. Ela procurou depressa por suas roupas e vestiu-se. Estava se sentindo confusa.
De repente um homem apareceu diante dela.
- Tom!- ela exclamou . – O que está fazendo aqui? Como você...?
- Sara, diga a ele por favor.- falou Tom com uma expressão triste no rosto. – Diga ao meu filho que eu o amo...diga a ele!
- Tom é você quem tem de dizer isso a ele!
- Diga ao meu filho que eu o amo!
Ana-Lucia abriu os olhos de repente. Sentiu que seu espírito tinha sido transportado de volta para seu corpo tão rápido que ela mal conseguiu respirar nos primeiros segundos de seu despertar repentino.
- Tom...- murmurou quando conseguiu retomar o fôlego. – Droga, Tom!
Ela se levantou da cama, procurou por suas roupas, entrou no banheiro e se recompôs. Chamou um táxi pelo celular, calçou os sapatos e arrumou os cabelos com os dedos. Antes de ir embora ela deu um último olhar para o homem bonito, divertido, charmoso e de certa forma romântico que ela conhecera no Cocktail Bar. Ana deixou um beijo no ar para ele e partiu.
O táxi a levou até o prédio aonde eles tinham estado anteriormente e Ana pegou seu carro dirigindo de volta para o hotel aonde estava hospedada com Tom. O sonho que tinha tido com ele a perturbara bastante e ela precisava ver se ele estava bem.
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Sawyer ainda fez uma última tentativa a caminho do aeroporto. Pediu ao taxista que parasseno prédio onde ele estivera na noite anterior com ela. Sabia que ela deixara seu carro estacionado lá . Mas quando foi olhar no estacionamento não o encontrou. Ele se lembrava bem da cor, do modelo e até mesmo da placa do carro dela. Sentindo-se patético ele voltou para o táxi e continuou seguindo seu caminho para o aeroporto.
Ficou um bom tempo perdido em pensamentos, se lembrando da garota com quem passara a noite. Tinha sido uma das melhores noites da vida dele e ela sequer deixara-lhe um bilhete de despedida. Sentiu-se triste, mas também zangado. Nunca antes uma mulher sumira de sua vida daquele jeito, geralmente era ele quem fazia isso. Talvez estivesse sendo punido, pensou.
- O que achou de Sidney?- o taxista indagou de repente.
- Cidade grande como qualquer outra.- Sawyer respondeu desinteressado.
- O senhor veio a trabalho ou a negócios?
- Negócios quenão deram muito certo devo dizer.
- Teve tempo para turistar um pouco?
- Eu não sou do tipo turista, sabe? Mas eu conheci uma garota ontem à noite. Linda e inteligente...
- Então a viagem valeu a pena.- comentou o taxista.
- Valeu muito a pena!- concordou Sawyer, pensativo.
- Vai vê-la de novo?- o taxista ousou perguntar.
- Acho que não.- respondeu Sawyer. – Provavelmente o que me fascinou nela foi todo o mistério que ela representou. De repente se eu a ver de novo à luz do diavou perceber que ela é comum,que não tem nada de especial.
- Ou talvez o senhor esteja com medo que ela perceba isso em você.- disse o taxista.
- Cara, tem certeza de que você é taxista? Tá parecendo um psicólogo pra mim.
O homem riu.
- Taxistas e bartenders são os melhores psicólogosque existem.
- Vou me lembrar disso.- disse Sawyer bem humorado. Ele pagou a corrida, pegou sua únicamala e seguiu emdireção ao portão da Oceanic Linhas Aéreas.
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- Como assim ele deixou o hotel?- indagou Ana-Lucia, muito surpresa quand o gerente do hotel onde ela estava hospedada com Tom contou a ela que ele havia fechado a conta e ido embora.
- Ele deixou o hotel esta madrugada, senhorita.- o gerente disse calmamente, ignorando a aflição dela. – E já que o Sr. Tom fechou a conta do hotel eu gostaria de saber se a senhorita deseja continuar hospedada aqui ou tem outros planos?
Ana-Lucia suspirou. Não, ela não tinha outros planos. Tudo o que ela queria era voltar para os Estados Unidos, mas conseguir um voo para ir embora naquele mesmo dia seria um desafio. Estava sentindo tanta raiva de Tom por ter desaparecido assim. Sentia mais raiva ainda por ter feito a estúpida decisão de acompanhar aquele homem até a Austrália. O que ela sabia sobre ele afinal?
- Senhorita?- o gerente a tirou de seus pensamentos. – A senhorita deseja extender sua estadia?
- Não.- Ana-Lucia respondeu. – Eu vou retornar ao meu quarto e arrumar minhas malas.
- Como desejar, senhorita.- disse o gerente. – Ah, o Sr. Tom deixou este envelope para a senhorita.- ele revelou estendendo um envelope branco para ela que tinha o nome Sara escrito de caneta preta na parte de trás.
Ana segurou o envelope e disse ao gerente, com frustração latente na voz:
- Não vai mesmo me dizer o nome verdadeiro dele?
O gerente balançou a cabeça negativamente.
- Medesculpe Srta. Sara, mas só posso lhe dizer que esta nãoé a primeira vez que o Sr. Tom nos pede para preservar a identidade dele.
- O meu nomeé Ana-Lucia.- ela respondeu malcriada antes de se dirigir ao elevador pensando em suas opções.
Ao chegar no quarto ela abriu o envelope e viu o cheque polpudo que Tom lhe deixara em pagamento pelo seus serviços como guarda-costas. Era ainda maior que o cheque que ele lhe oferecera anteriormente.
- Dane-se!- ela exclamou, finalmente tomando sua decisão. Ela pegou seu telefone celular e ligou para a Oceanic Airlines. – Alô? Quando é o próximo voo paraLos Angeles? Em seis horas? Sim, vocês ainda tem alguma vaga para esse voo? Ok, sim, lotado?Não, mas houve um cancelamento?...assento na parte de trás? Tudo bem, eu quero. Fazer o quê, né?...vou comprar no meu visa, me dá um segundo?- ela indagou procurando por seu cartãodecrédito na carteira.
Ana decidiu que compraria sua passagem, passaria no banco e depositaria o cheque de Tom em sua conta antes de seguir para o aeroporto.
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Sawyer leu mentalmente o documento que havia acabado de receber do setor de imigração logo após apresentar seu passaporte no guichê rumo ao setor de embarque.
"Não possui permissãopara entrarnovamente na Austrália devido à má conduta e quebra da lei número..."
- Que se dane!- ele exclamou baixinho consigo mesmo. Não levaria boas recordações da Austráliaanão ser pela noite maravilhosa com a morena que conhecera no bar. Ainda estava chateado por ela ter ido embora sem se despedir, mas sabia que a melhor cura para sua dor-de-cotovelo seria ir para um bar em Los Angeles, tomar umas e conhecer outras garotas. O mundo estava cheio de beldades e ele ainda se considerava charmoso o bastante para atrair as garotas certas. Quem sabe não encontraria uma nova esposa linda e entediada com um marido podre de rico ansiando por um romance que ela nunca teve? Com esse pensamento, Sawyer sentiu-se muito melhor.
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Algumas horas depois, Ana-Lucia chegou ao aeroporto e fez seu check-in na Oceanic Airlines. Franziu o cenho quando leu o número de sua poltrona: 42 F. "Bem em cima das rodas",ela pensou. Olhou em seu relógio de pulso e ainda faltavapelo menos uma hora para oembarque. Resolveu ligar para sua mãe. Teresa atendeu no terceiro toque.
- Alô?- a voz dela soou sonolenta.
- Eu te acordei?-Ana indagou.
- Não.- respondeu Teresa. – Eu estava apenas cochilando. Fui à sua casa ontem, mas você nãoestava lá. Eu queria te levar pra jantar...
- Mãe.- disse Ana-Lucia com um traço de tristeza em sua voz. – Eu estou no aeroporto em Sidney.
- Sidney, Austrália?- retorquiu Teresa, surpresa.
- Sim.
- Ana, você sumiu por uma semana, hija. Eu te liguei muitas vezes, pra sua casa, pro seu celular e você nunca atendeu. Há quanto tempo está em Sidney?
- Uma semana, mãe.- Ana respondeu. – Olha, me desculpe por não ter lhe dito sobre a minha viagem pra Sidney, mas agora não importa mais. Eu só quero voltar pra preciso de ajuda para lidar com aquela situação, o que eu fiz foi um erro...-a voz dela saiu chorosa. – Eu só quero ir pra casa, mama...
- Então venha pra casa, mi hija. Em que voovocê está?
- Voo 815 da Oceanic Airlines.
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O avião decolou no horário marcado, sem atrasos. Sawyer acendeu a luz de sua cabine. Folheou uma das revistas oferecidas aos clientes por alguns minutos. Jogou a revista de lado.
"Vai ser uma viagem longa".-pensou. Fechou os olhose imagens de si mesmo fazendo amor comAna-Lucia vieramà sua mente e o ajudaram a dormir.
Sawyer sentiu de repente um solavanco debaixo de sua poltrona, uma máscara de emergência caiu sobre o seu rosto. O som de um alarme apitava sem parar. Pessoas gritavam. Ele respirou fundo dentro da máscara, apertando-a contra si. Fechou os olhos novamente e esperou pelo pior.
Continua...
