Capítulo 6

Ela sentiu o corpo pesado dele tombar contra o seu de repente. Como não estava preparada para isso os dois foram ao chão.

- Sawyer... – Ana-Lucia chamou sentindo todo o peso dele sobre si. Sawyer tinha desmaiado e o fato de estar completamente inconsciente deixava óbvio que naquele momento ele não tinha nenhum controle sobre seu peso. – Ai, meu Deus!- ela exclamou tentando sair debaixo dele, sentia-se esmagada.

Com dificuldade ela se arrastou para o lado saindo debaixo dele, mas tendo o cuidado de não deixar que o corpo dele batesse com muita força no chão. Quando ela finalmente conseguiu se desvencilhar dele, Ana-Lucia checou-lhe os sinais vitais. Sentiu-lhe o pulso, mas estava fraco.

- Ai, não Sawyer! Você é o único ser humano que eu encontro nesta maldita ilha e agora você quer me deixar? Não, de jeito nenhum!

Ela correu de volta para seu pequeno abrigo improvisado, pegou o pouco de água potável que tinha e voltou para perto dele. Molhou os dedos com a água e passou pelos lábios dele, em seguida tentou fazer com que ele bebesse um pouco. Apesar de estar desmaiado, ela conseguiu com que Sawyer engolisse um pouco da água.

- Bom menino.- ela disse com um sorriso.

Voltou para o seu abrigo de novo e improvisou uma espécie de transporte com um cobertor e algumas cordas que encontrara entre os destroços do avião e usou para trazê-lo consigo de volta para seu pequeno lar temporário.

Usou de toda sua exímia força e experiência dos seus tempos de voluntariado no serviço de apoio e resgate da polícia de Los Angeles para transportá-lo em segurança; a parte inferior do corpo dele, ela colocou no cobertor evitando assim que a pele dele entrasse em contato com a areia durante sua remoção, a parte superior ela descansou nas próprias costas, usando uma parte da corda para prender os braços dele com os dela.

Quando ela finalmente viu-se em frente ao seu abrigo, pousou-o no chão com cuidado e soltou a corda que os prendia pelos braços. Deu um longo suspiro de alívio quando viu-se livre do peso dele. Ana-Lucia então pegou outro cobertor e improvisou uma cama para ele usando também almofadas do assento do avião.

- Toma, bebe mais um pouco-. Ela disse forçando os lábios dele a se abrirem e derramando mais água para dentro da garganta dele usando um pedaço de tecido encharcado, cortado de uma camisa.

Sawyer tossiu um pouco, mas engoliu o líquido vital.

- Isso, muito bem!- Ana elogiou tocando os cabelos úmidos de suor dele. – Eu acho bom você acordar logo, cowboy porque eu vou precisar da sua ajuda pra tirar a gente daqui.

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Sawyer piscou os olhos incomodado, estava muito claro e ele sentia o sol diretamente em suas pupilas. Piscou várias vezes até finalmente colocar a mão no rosto. Virou de lado e percebeu que daquele ângulo o sol não incomodava mais da mesma forma. Olhou ao redor e percebeu que parecia estar debaixo de uma lona plástica de cor azul. Sentiu os lábios arderem e instintivamente os tocou, estavam rachados.

A garganta deu uma pontada fina, ele tossiu e tentou se levantar. Sua cabeça encostou na lona. Olhou à sua frente e viu metros e metros de areia branca e fofa. Sentou-se com cuidado e olhou para o outro lado. Ouviu o som do mar e avistou as ondas batendo nas pedras. Foi quando o acidente de avião veio em sua mente e ele percebeu que não estava sonhando, aquela praia era muito real. Seu avião caíra em uma ilha e ele parecia ter sido o único sobrevivente até encontrar...

- Ana...- ele murmurou com a voz um pouco rasgada, ainda sentindo espasmos de dor na garganta. Teria sido possível que ele e Ana-Lucia, a garota que conhecera no Coquetel Bar e com quem passara a noite mais empolgante de sua vida estivessem no mesmo avião e ambos tinham sobrevivido ao mesmo acidente ou estaria ele alucinando por que queria tanto vê-la?

Resolveu se levantar e avaliar melhor sua situação. A forma como a lona o cobria mostrava que alguém tentara construir um abrigo contra o sol; além disso havia objetos interessantes espalhados pelo local como garrafas de água mineral cheias e um tubo de protetor solar.

Sawyer ficou de joelhos e com dificuldade se levantou mas sentiu a cabeça rodar até que uma visão o fez focar no horizonte diante de si. Uma mulher baixinha e morena de longos cabelos negros saía do mar usando apenas o que parecia ser uma lingerie de cor preta. Ao vê-lo, ela abriu um largo sorriso.

Ele se esqueceu de respirar. Então a garota do bar estava mesmo ali. Eles tinham se encontrado antes e ele desmaiara, lembrou-se.

- Sawyer!- ela gritou correndo ao encontro dele.

- Hey!- ele disse tentando se manter de pé.

- Ei, não desmaia de novo não- ela pediu segurando-o pelo braço. – Senta...

Sawyer aceitou a sugestão dela e sentou-se na areia.

- Eu não acredito que está aqui...- ele murmurou.

Ana-Lucia ofereceu-lhe água que ele bebeu em pequenos goles.

- Pensei que fosse dizer "não acredito que sobrevivemos à um desastre de avião."

- Estou pensando mais na coincidência de nós dois estarmos no mesmo voo e de termos sobrevivido.- Sawyer acrescentou. – Você estava viajando com o seu marido?

- Marido?- retrucou Ana erguendo uma sobrancelha.

- O seu "chefe".- ele disse. – O homem que estava procurando quando foi ao bar. Pode me dizer, eu não vou te julgar.

Ela balançou a cabeça em negativo.

- Ele era mesmo o meu chefe.- respondeu ela. – E não, ele não estava viajando comigo.

- Eu procurei por você.- Sawyer disse. – No dia seguinte, eu voltei lá no estacionamento pra ver se você estava lá pegando o seu carro.

- Sawyer...- ela disse observando que o rosto dele estava ficando pálido.

- Eu tinha pedido pra você ficar...

Ana tocou a testa dele.

- Você está ardendo em febre...- falou ela.

- Eu queria te encontrar... – ele continuou dizendo, os olhos um pouco vidrados.

- Sawyer, toma mais um pouco de água!- ela pediu, mas ele desmaiou de novo. Ela só teve tempo de segurar a cabeça dele.

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Sawyer acordou horas depois quando já era noite. Estava tendo um pesadelo. Viu as paredes do avião se quebrando e a força do ar invadindo a cabine. Ele queria gritar, mas a máscara de emergência estava em sua boca e ele não conseguia.

Gritou em sua mente.

"Ahhhhhhh! Ahhhhhhh!"

- Ei, Sawyer!- ele ouviu a voz de Ana-Lucia ao longe. – Você está bem, acorde!

Ele abriu os olhos e se deparou com ela encarando-o. Tinha uma das mãos em sua testa.

- Sawyer!

Ele piscou várias vezes tentando se situar mais uma vez.

- Acho que você teve uma espécie de concussão. Você me parece tão confuso. Do que você se lembra do acidente?

- Eu estava preso em uma árvore.- ele respondeu. – A árvore era muito alta e eu tive que descer...- ele parou de falar por alguns segundos e então indagou a ela: - E você?

- Eu estava trancada na cabine entre dois corpos.- ela respondeu. – Eu tinha que sair de lá antes que...

Sawyer segurou a mão dela.

- Você encontrou algum sobrevivente?

- Eu encontrei uma mulher agonizando.- Ana contou. – Ela morreu na minha frente.

Sem perceber ela começou a chorar se recordando de tudo o que acontecera do momento em que acordara na cabine até depois da morte da mulher quando percebera que estava completamente sozinha. Mas agora, Sawyer estava ali e ela sentiu-se emocional.

- Estão todos mortos...- ela disse com um soluço.

Sawyer aproximou-se dela e a abraçou, dizendo: - Mas nós dois estamos vivos e vamos sair daqui juntos.

Ana-Lucia se aconchegou no abraço dele. Sawyer chorou também. Ele ainda se sentia muito confuso, talvez ela tivesse razão sobre ele ter tido uma concussão, mas sabia que a situação deles era muito complicada. No entanto, de uma forma muito louca e inexplicável naquele momento ele se sentiu feliz porque tinha encontrado a sua garota do Coquetel Bar quando pensara que nunca mais a veria novamente.

Continua...