Capítulo 4: Acordo


N/T: Do original, Compromise.

Gostaria de primeiramente agradecer a todas as reviews de incentivo e elogio. Não é fácil traduzir uma escrita tão densa quanto a da leafygirl mas eu me esforço.

Eu andei conversando com ela e bom, além de ter recebido permissão para continuar o que eu estou fazendo, ela me disse que está de acordo caso eu queira traduzir suas outras fanfics. (Leafygirl, you're amazing!)

Agora, respondendo algumas reviews que me mandaram em guest user.

1. Não vai ter lemon mais para frente (Se querem saber, no original tinha uma cena até, mas a autora apagou há alguns anos atrás).

2. A Sakura primeiro sente atração física, depois se apaixona. Então não é como se ela esquecesse que ama o Sasuke.

Esse capítulo mostra o início da parte romântica de Loophole então divirta-se.


Mais uma manhã via os raios dourados do sol penetrarem a janela do banheiro que fora, graças a Deus, concedido somente a ela. A tontura causada pelos dias em que repetidamente ganhara e perdera a consciência finalmente havia desaparecido e ela conseguia dormir direito.

Acordar no prédio melancólico de pedra não era exatamente o paraíso, mas por enquanto dava para o gasto. Chakra percorria por seus dedos e seu corpo, inteiramente reabastecido. Logo chegaria a hora de cumprir com o que ela fora ali fazer. Itachi gostaria de algum progresso e ela estava certa de que poderia dar isso a ele. Ela já havia repassado em sua cabeça todas as maneiras de se iniciar o procedimento médico, mas a água do banho esfriando dificultava o relaxamento e a concentração.

Ela suspirou ao pensar em suas ações. Kakashi e Naruto devem estar enlouquecendo nesse momento, ela pensou, sentindo-se culpada. Se apenas ela tivesse uma maneira de informá-los de que estava bem. Provavelmente eles estariam imaginando todo tipo de coisa monstruosa acontecendo com ela. Como eles sequer a perdoariam quando viessem a saber da verdade; de que tudo não passara de um de seus planos?

Deixando isso de lado, ela tentou focar os pensamentos no caminho que tinha tomado; ela já chegara muito longe para parar. Se ao menos o lugar não fosse tão quieto e ela tivesse alguma coisa que a distraísse...

Ultimamente, Kisame não era visto em lugar nenhum e raramente Itachi dava o ar da graça. Ter visto ele dois dias antes e sua quase briga na cozinha tinham feito seu medo sumir, teoricamente. Ela se sentia mais em casa e, por uma falta de termo melhor, mais confiante de que ela não morreria nem tão cedo. E certamente saber disso ajudava qualquer um.

Saindo da água morna, ela se vestiu e foi para o corredor, percorrendo a distância de um de seus quartos ao outro. A longa capa da Akatsuki deslizava pelo chão ao seu encalço, as bordas ficando desgastadas e puídas por causa da sua mania de andar em círculos ao pensar. Antes que ela pudesse continuar em direção ao seu dormitório, ela percebeu uma presença no final do corredor. Sem precisar se virar para encará-lo, Sakura já sabia exatamente de quem se tratava.

— Ainda está viva, Kunoichi? Vamos ter que mudar isso. — O cara-de-peixe resmungou.

Não se dê o trabalho de responder, não se dê o trabalho de responder, não...

— Você não tem roupa para lavar, não? — Sakura murmurou.

— Como?

— Esquece. — Ela balançou a mão, deixando para lá.

— Itachi me mandou dizer que ele estará aqui hoje e espera que você esteja pronta para trabalhar, médica. É melhor não o decepcionar. Se estiver só tirando uma com a cara dele, ele vai te matar. — O aviso de Kisame foi acompanhado por um sorriso arrepiante.

— Estou pronta. Vou esperar no meu quarto. — Sakura disse ao começar a pensar no fato de que os dois passariam um certo tempo juntos... bem próximos... à noite. Ela já tinha esquecido o altíssimo ninja parado no final do corredor enquanto pensava no outro. Talvez não fosse uma coisa inteligente a se fazer, mas ela não conseguia controlar; quando sua inner assumia, ela agia que nem uma cega.

Kisame observou seus olhos vagarem pelo teto pensativamente.

— Ei, kunoichi, você não deveria me ignorar desse jeito. — Kisame riu.

— Hm? Por que não? — Sakura disse, lhe dando um pouco de sua atenção. Quando ele não respondeu, ela se virou em sua direção. Mas ele não estava mais lá. Estranho, ela pensou. Se voltando para a porta, ela notou que ele havia se movido para lá, bloqueando sua entrada. Sua movimentação rápida e despercebida a fez soltar uma exclamação de surpresa. Lentamente, seus olhos se ergueram para fitar os pretos dele; eles brilhavam com uma espécie de divertimento obscuro.

Antes que Sakura pudesse reagir, sua enorme mão agarrou a frente de sua blusa, a erguendo do chão. — Eu te devo uma. — Ele zombou, antes de tomar impulso e lhe dar um soco na cara. O som alto e claro do seu osso malar se quebrando preencheu o corredor de pedra.

Com uma risada estrondosa, Kisame jogou Sakura no chão duro, onde ela bateu com tudo. Seus passos ficaram mais inaudíveis a medida que ele foi se afastando da machucada e quase inconsciente médica.

Maldito, maldito, maldito...

Eu fiquei complacente. Me sentindo confortável demais. Baixei minha guarda. Mas que droga, Sakura, dá um jeito nisso.

Se levantando, Sakura teve de se apoiar na parede enquanto entrava no banheiro para avaliar o dano que sofrera. O inchaço fora imediato, e usando um pouco de chakra, ela verificou o que estava acontecendo por baixo do local roxo e avermelhado. Felizmente, se tratava apenas de uma fratura; mas a tontura estava invadindo-a novamente.

Claro, ela podia se curar, mas se ela não tivesse chakra o suficiente para Itachi hoje, a punição poderia ser muito pior.

Indo novamente para o seu quarto, ela se deitou na cama. O bracelete em seu pulso esquentou enquanto ela passava pelo portal, mas por enquanto não havia sinal de chakra emanando dele.

Só vou descansar um pouco, ela disse a si mesma, para me sentir melhor depois. Sem fechar a porta que a separava do corredor, Sakura adormeceu, ou mais exatamente, perdeu a consciência no colchão de penas.


Acordando algum tempo depois, Sakura percebeu que já estava de noite quando seus olhos se abriram e deram de cara com a mais completa escuridão. Amaldiçoando seu senso raso de urgência, ela se ergueu e tateou a mesa de cabeceira em busca da caixa de fósforos. Acendendo um, ela fez a vela ao seu lado começar a queimar; seria iluminação o suficiente para que ela acendesse os lampiões.

Até mesmo a ínfima luz de uma única vela acesa fazia sua cabeça latejar, e a dor arrebatadora deu suas caras novamente.

Com leves toques em sua bochecha, ela notou que o inchaço havia piorado e que precisava botar gelo no local. A tontura ainda estava presente, assim como a enxaqueca branda, mas não havia tempo para pensar nisso.

Se voltando para as lamparinas da porta no intuito de acendê-las, ela parou assim que viu uma figura no canto. Itachi estava sentado na cadeira ao lado da porta, suas pernas esticadas e suas mãos levemente entrelaçadas na barriga. Ele parecia extremamente confortável, e por incrível que pareça, totalmente diferente sem a capa da Akatsuki.

A camiseta e calça escura vestiam largamente sua figura rígida, e pela primeira vez, ela o reconheceu pela idade que tinha. As linhas em seu rosto davam a impressão dele ser mais velho, mas sem sua bandana, ele aparentava cem por cento ser o jovem que era. Ela estimava que ele tinha dezenove ou vinte anos.

Infelizmente, ele não parecia estar feliz.

Sakura cerrou os punhos inconscientemente, se preparando para qualquer coisa que ele fosse dizer ou fazer para puni-la. Tentando de forma desesperada se manter firme e forte sob seus pés, ela percebeu que de fato seria inútil ao sentir a vertigem se aproximando. Ela podia ver, em seu rosto, que ele não estava nem um pouco satisfeito. Por quanto tempo ele esperara ela acordar?

Finalmente, ele se levantou e se aproximou dela tão rapidamente que ficou difícil para ela de acompanhar seus movimentos. Sakura tremeu enquanto uma das mãos dele se aproximava dela e a outra a circundava pelas costas.

Mas ao invés de bater nela ou agarrar sua blusa como Kisame havia feito, ele fez uma coisa que ela não estava esperando. Levemente, ele tocou em seu queixo e sua garganta, guiando de forma gentil o seu rosto até o melhor ângulo que o faria ver seu machucado à luz branda.

— Peço desculpas por entrar em seu quarto sem permissão. — Ele disse em sua voz suave e baixa. Saíra quase um suspiro, quase reconfortante, e de forma alguma a voz de alguém que queria machucá-la. Ela se remexeu um pouco com a euforia, mas Itachi a segurou firme em suas mãos fortes.

— Hã... Não... não tem problema. — Sakura disse, sentindo-se levemente surpresa.

— Por que não deu um jeito nisso? — Ele deu prosseguimento, virando a cabeça dela para os lados para ter um melhor acesso. Ele se aproximou do seu rosto para vê-la melhor sob a luz das velas, ou quem sabe para facilitar o foco de seus olhos. Sua mão parecia excepcionalmente quente em suas costas, e a pulseira de chakra emanava um brilho azulado ao redor de seu pulso.

— Já que nós íamos começar a trabalhar em seus olhos hoje, eu não queria ficar sem chakra. — Ela olhou em seus sharingan avermelhados, que por sua vez pareciam enxergar seu interior.

Ele apenas assentiu em resposta.

— O jantar já está servido. Venha comer. Podemos começar depois disso. — Ele completou. Ela esperou que ele se retirasse, mas ele permaneceu parado a sua frente, seus dedos tocando sua garganta bem de leve, fazendo arrepios correrem por sua pele. Sakura continuou sustentando seu olhar, mas ao sentir seus dedos se aproximando da sua bochecha, ela os desviou.

Parecia um tanto quanto íntimo demais estar parada ali, a luz de velas, com as mãos dele em suas costas. Ela não tinha esperado e nem desejado pelos toques suaves, mas o contato era tão gentil. Em toda a sua vida, nenhum homem a tocara de forma tão tenra. Um pouco de medo começou a se amontoar em seu estômago; ou pelo menos era o que ela esperava.

Respirando fundo, ela abaixou a cabeça e viu os dedos dele se desvencilhando de seu rosto. Ela tinha quase certeza de que ele provavelmente não estava olhando para a situação da mesma forma que ela, mas parecia tudo muito igual ao que ela imaginara com Sasuke. Os toques suaves, a luz de velas e sua voz gentil faziam o sonho parecer realidade. Mas quem estava ali era Itachi, e soava errado demais estar nesse tipo de clima com ele.

Além do mais, sua inner lhe lembrou, ele não está pensando a mesma coisa que você. Ele pode cortar sua garganta com esses mesmos dedos amanhã.

Mas ele se parece tanto com o Sasuke...

— Eu devo comer aqui? — Ela tentou mudar o foco, percebendo agora que ele parecia estar muito perto dela.

— Não. Nós vamos comer na sala em que nos encontramos para discutir nosso acordo. Quero saber como você planeja começar a pesquisa. — Itachi cessou o contato entre eles e se virou para sair, esperando inteiramente que ela o seguisse; o que ela fez.

Movendo-se devagar e um pouco cambaleante pelo corredor e para dentro da grande sala com a mesa de madeira no centro, Sakura se sentou em uma das cabeceiras. O alívio que ela sentiu pelo fato de ter conseguido percorrer o trajeto sem cair a fazia querer esfregar o fato na cara do Kisame. Mas ela pensou melhor e... bom... pelo menos dessa vez ela fez isso.

Kisame estava sentado a duas cadeiras da outra ponta, onde Itachi escolhia se sentava. Tinha uma quantidade razoável de comida ali, e Sakura podia ver que havia sido tudo encomendado de algum lugar. Com cuidado e demonstrando respeito, ela fez um movimento para apanhar a comida.

Três coisas lhe ocorreram naquele momento. A primeira foi a que eles estavam perto de um povoado, já que a comida ainda estava quente. A segunda foi que ela não fazia ideia de como a comida chegava ali. E por último, ela percebeu que nenhum dos dois ninjas cozinhavam. Em nenhum momento ela vira um dos dois fazerem o mínimo de esforço para preparar qualquer coisa.

É a vida. Pelo menos tem um vilarejo por perto, ela pensou.

Tendo de aguentar o novo machucado e a dor de cabeça latejante, todo movimento que ela fazia provocava dores e cansaço. A ideia de que ela poderia ter sofrido uma lesão mais grave do que presumira inicialmente já havia passado por sua cabeça, mas por enquanto nada fazia sentido.

Quando eles começaram a comer, o silêncio predominou entre o grupo. Ninguém falou nada. Itachi observava Sakura atentamente enquanto ela tentava levar a primeira colher de sopa quente até a boca. Duas colheradas depois e ele já podia ver seus olhos ameaçando se fecharem.

Tendo o trabalho de ver se eles haviam notado alguma coisa, ela percebeu que ambos observavam seus esforços para comer e, tristemente, se manter consciente. Uma silhueta embaçada apareceu ao redor dos dois enquanto eles sumiam e a reapareciam do que parecia ser sombras.

Não havia mais o que fazer; a cabeça de Sakura despencou levemente, sua colher caindo no chão. — Itachi... Me desculpe. — Ela conseguiu sussurrar antes de encostar a bochecha intacta na mesa. Os últimos pingos de consciência começaram a evaporar de sua mente enquanto ela ouvia o barulho de uma cadeira sendo arrastada. Infelizmente, ela estava sentindo dor demais e muito cansaço para ficar medo.

Itachi observou a cabeça da médica permanecer imóvel na mesa. Ele se levantou e andou até ficar parado atrás de Kisame; seu corpo esguio movimentando-se graciosamente sob a roupa larga. Devagar, ele se curvou ao lado do ouvido de Kisame e sussurrou suavemente. — Não ouse encostar mais um dedo nela.

Kisame permaneceu rígido e tentou ao máximo não provocar o imprevisível Uchiha. Ao invés disso, ele grunhiu em compreensão. Em algum lugar de sua cabeça, o cara-de-peixe decidiu que sua vingança podia esperar até que Itachi não precisasse mais dela. Colocar sua própria vida em risco não era uma coisa que ele gostaria de fazer tendo um parceiro como o assassino do clã Uchiha.

Sakura conseguiu ouvir a breve interação antes de ser tomada pela escuridão.


Calor...

A mente da médica entrou em estado de alerta, ou algo próximo disso, e ela tentou não abrir os olhos. Havia algo quente em seu rosto e nenhum sinal da dor. Ela estava em uma cama; pelo menos disso ela tinha certeza. Mas seu corpo parecia tão descansado e confortável que ela não queria se mexer, com medo de que fosse apenas um sonho e ela na verdade estava estirada na mesa ou pior, a mercê de Kisame.

— Você acordou. — A voz calma de Uchiha Itachi sussurrou.

Sakura finalmente abriu os olhos e o viu com um deles, o outro sendo coberto por sua mão. Ela reconheceu seu próprio quarto instantaneamente. — O que está fazendo? — Ela perguntou, timidamente, imitando seu tom de voz suave.

— Dando um jeito no seu rosto. — Ele respondeu, calmamente.

— Mas... Por que? — Ela lhe direcionou um olhar confuso.

— Você não quer que façam isso?

— Quero. Eu só não esperava que... você... fizesse... uh. — Ela não sabia exatamente como pôr em palavras.

— Você não tem uma boa opinião sobre mim. — Ele disse, sem demonstrar um pingo de emoção.

Sakura apenas olhou para ele. Mas é claro que ela não tinha uma boa opinião dele; ele matou sua própria família. Torturou seu irmão mais novo até que ele procurasse Orochimaru em busca de poder. Por que ele esperava que sua opinião fosse ser diferente? Talvez ele realmente fosse um sociopata que tinha a impressão de não ter feito nada de errado? Um "duh" estava bem na ponta da sua língua naquele momento.

Ele tirou a mão do seu rosto e ela automaticamente tocou o local para analisar o estrago. Não estava de todo curado, mas a dor sumira. — Obrigada. — Ela lhe disse, sendo sincera.

— Você não quis usar seu próprio chakra, então eu usei o meu. Se estiver disposta, gostaria de começar a trabalhar nos meus olhos. É para isso que você está aqui e eu já estou cansado de esperar. Kisame não vai mais te incomodar. — Itachi fez menção de se sentar, e Sakura percebeu que ele havia arrastado a cadeira para perto da cama. Ele se reclinou preguiçosamente do mesmo jeito que estivera quando ela o encontrou em seu quarto mais cedo.

Mais uma vez, a falta da bandana e da capa fazia com que ele parecesse muito jovem. Ele era atraente, não havia dúvidas quanto a isso. Seu cabelo preto aparentava ser macio à luz branda das lamparinas e seus olhos eram irresistíveis. Então era esse o poder de atração do sharingan? Eles chamavam a atenção com sua beleza para que ela fosse hipnotizada até a morte. Ele devia ser um dos homens mais atraentes que ela já vira. Para de pensar desse jeito, ela se repreendeu.

Erguendo uma mão na altura dos olhos, ela tentou se recompor. Ver Uchiha Itachi, infame assassino, como um objeto sexual não era uma coisa inteligente a se fazer em hipótese alguma. Talvez fossem os hormônios da adolescência ou sua semelhança com o garoto que ela amava, mas ainda assim não era boa coisa a se fazer.

— Está sentindo dor? — Itachi ainda não havia se sentado e sua voz soava mais curiosa do que preocupada.

— Não, não. Acho que consigo começar a trabalhar nos seus olhos. Só vou pegar um copo d'água.

Itachi colocou os pés em cima da cama para ficar ainda mais reclinado enquanto ela se levantava. Ela notou que teria de fazer contato com suas pernas se quisesse se distanciar e tentou com todas as forças não tornar obvio o quão desconfortável essa noção a deixava. Se ela não estava confortável de encostar suas pernas nas dele, poderia acabar significando mais do que deveria.

Após tomar rapidamente sua água gelada, ela voltou para dar de cara com ele ainda jogado na cadeira como se estivesse pronto para tirar um cochilo. Ela se sentou na cama, na ponta da cabeceira, e olhou para ele; seus olhos se encontraram.

— Hã, Itachi-san? Por que não se deita na cama e fica mais à vontade? Quero começar vendo como seu sharingan funciona.

Itachi a olhou por um instante. Sakura tinha certeza de que seria difícil deixar alguém dar uma olhada mais a fundo em como sua arma secreta funcionava, e parecia que ele protestaria. Mas tinha de ser feito, e enquanto sua expressão mudava para algo semelhante a indiferença, ela soltou a respiração que nem tinha percebido prender.

Ele se levantou e se moveu até a cama conforme ela também o fazia para dar espaço para ele. Ele se deitou e ela ficou com a cadeira.

— Quero ver como seu olho funciona. Quando você ativar e desativar o sharingan, vou monitorar o que acontece no globo ocular e o dano que causa. Se eu conseguir achar o problema, talvez eu possa revertê-lo.

Itachi pôs uma mão atrás da cabeça, ficando numa posição relaxada e despreocupada enquanto Sakura se aproximava. Ela se sentou no canto da cama ao seu lado e se inclinou sobre ele levemente.

Nem um pouco comprometedor, ela disse, internamente.

— Itachi-san, pode voltar os olhos ao normal? — Por mais que ela tentasse lutar contra isso, notou que sua voz saia baixa e esquisita. Se ele não havia sentido seu nervosismo pela proximidade antes, agora ele certamente tinha lido os sinais.

Sem responder verbalmente, Itachi a observou enquanto seus olhos se coloriam de preto. O sharingan desapareceu de uma maneira incomum, e Sakura de repente se viu fascinada. Seus olhos eram os mesmos de Sasuke. A intensa coloração deles lembrava a de uma pérola negra banhada em tinta azul escuro. Azul meia-noite, quem sabe. Eles eram lindos, talvez até mais do que quando estavam vermelhos.

— Podemos começar, Sakura-san? — Itachi pareceu achar sua reação engraçada, e sorriu de um jeito estranho.

— Ah, sim, claro. — Ela respondeu, se endireitando e prestando atenção rapidamente em seus pés cruzados, tentando manter a calma.

Respirando fundo, ela se aproximou mais um pouco. Direcionando cada uma de suas mãos para um lado da cabeça dele, ela hesitou antes de colocar os dedos sutilmente em sua têmpora. Ao fazer contato, sentiu sua pele quente. A vontade de ver se seu cabelo era tão macio quanto parecia vagamente passou por sua cabeça.

— Pode voltar para o sharingan quando sentir meu chakra dentro de você. — Ela ordenou.

Reunindo sua energia, ela deixou o chakra azul fluir até a ponta de seus dedos enquanto ela fechava os olhos. A imagem do interior do sistema dele se projetou dentro de sua mente, e ela ficou fascinada com o quanto tudo mudava. Era como se seus olhos se transformassem em coisas completamente diferentes; eles se tornavam receptáculos de chakra.

— Pode mudar de volta, por favor? — Ela pediu.

Como pedido, Itachi transformou seus olhos em pretos novamente. Sakura se sentou e começou a escrever anotações. Ela tornou a se inclinar, e Itachi pôde ver uma espécie de excitação em seu olhar. Realmente, somente uma médica poderia ver em algo tão simples, alto tão intrigante; ele riu internamente.

A atividade continuou por mais algum tempo, e Sakura ficou mais do que animada de poder ver o sharingan indo e vindo. Em algum lugar de sua mente, ela pensou que, talvez, se tivesse a chance, poderia ajudar Kakashi-sensei a fazer seu olho voltar ao normal também.

Após tomar mais algumas anotações, ela se virou para Itachi e mordeu o lábio. Seu olhar calmo permaneceu nela, apenas esperando o que ela ainda estava decidindo por falar. Como alguém pode parecer tão sem emoções? Ela se perguntava.

— Itachi-san, seu outro sharingan. Preciso ver como ele funciona. Tenho o palpite de que é por causa dele que você tem problemas de visão, então quero dar uma olhada no impacto que ele tem em seus olhos. — Ela capturou o lábio inferior na intenção de mordê-lo, esperando que ele concordasse.

Ele a observou por alguns instantes, sua mão ainda prostrada atrás de sua cabeça de forma preguiçosa. Ele parecia estar esperando alguma coisa, e Sakura não conseguiu imaginar o que. Suas sobrancelhas se ergueram em perplexidade.

— Hã... Por favor? — Ela acrescentou, suavemente.

Itachi pareceu mudar então; seu rosto se tornou um pouco mais vívido, um pequeno sorriso se formando no canto de sua boca. Devagar, ele se sentou de forma a deixar seus rostos próximos. Tentando ao máximo não parecer intimidada, Sakura se manteve firme, deixando que ele chegasse perto. Mas enquanto ele se aproximava, ela notou que já estava perto demais.

Ali estavam eles, sentados numa cama, num quarto iluminado por velas, e seu rosto há meros centímetros do dela. Ela impediu de subir por suas costas um arrepio de medo, adrenalina, ou algo que ela não conseguia admitir inteiramente a si mesma.

Ele sentou à sua frente por algum tempo, e enquanto ela observava, seus olhos mudaram para um sharingan completamente diferente. Ainda eram vermelhos na parte externa, mas seu interior lembrava mais um cata-vento do que as vírgulas pretas de praxe.

Ela sabia que seus olhos estavam se esbugalhando, sabia que eles se pareciam com duas bolas no momento, mas cacete, quantas vezes você via esses olhos sem morrer pouco tempo depois?

— Sakura. — Itachi disse, em voz baixa. — Podemos continuar?

— Ah, hã, claro. Desculpa, Itachi-san. É que... esse sharingan é... — Ela não conseguia concluir seu raciocínio, e seu olhar desviou de seus olhos para sua boca que sustentava um pequeno sorriso presunçoso.

— Esse é o mangekyou sharingan. Só pode ser adquirido de uma forma especial. — Ele incitou.

— Forma especial? — Ela sussurrou ao olhar de volta para ele, surpresa. — Especial como?

Itachi a observou por um momento. Ela o olhava de forma tão inocente. Olhos grandes e de um verde-jade; algo que ele não via há muito tempo. Sendo um Uchiha, esse inocente fascínio infantil não estava presente nele nem mesmo quando criança. Orientado habilmente desde a tenra idade a ser bem-sucedido, ele percebeu que provavelmente não havia tido um único momento em sua vida em que ele se sentira da mesma forma que ela naquele momento. Por alguma razão que ele não conseguia pôr as mãos, ele não queria dizê-la como se conseguia o mangekyou sharingan. Ao invés disso, ele queria apreciar o que considerava uma fraqueza nela; sua infantil ingenuidade e inocente fascinação.

Ela era como um cordeiro, e ele... ele começou a se sentir como um lobo. E não era um sentimento de todo desagradável.


N/T: Para aqueles que ainda não fuçaram o meu perfil, vai o recado. Além de Loophole, eu também traduzo Constellations, uma SasuSaku pós-699 muito lindinha e curtinha. Além disso, já traduzi duas one, uma ItaSaku com várias referências a essa fanfic que vocês estão lendo e uma SasuSaku alternativa.

Faço tudo isso porque gosto e porque acho que vocês vão gostar, então não deixem de conferir.