Antes de mais nada: Eu sei, eu sei que estou muito sumida. Sinto muito por esse transtorno a vocês leitores! Eu estou saindo do meu atual emprego agora, pq eu não tenho mais vida nele. Não sei o que farei a seguir, mas espero ter tempo de, se não terminar, pelo menos atualizar mais todas as minhas histórias.
PS. Fogo e Sangue não é uma história nova. Ela é um recontagem da antiga "O Amor que Nasce Entre as Cinzas".
Tenham paciência comigo que nós chegaremos lá!
Fogo e Sangue
Capítulo 4 – Um Plano Perigoso
Não demorou muito para que os outros soldados do pelotão de Sasuke chegassem até o Templo e começassem a montar suas barracas e organizarem seus pertences e equipamentos. Novos cavalos, um mais lindo que o outro, também foram trazidos e as sacerdotisas ficaram encarregadas de ajudar os soldados a tratá-los no estábulo do local. Um grupo de vestais foi designado para auxiliar os homens também no reconhecimento da área, instalações entre outras coisas. Tsunade realizou uma reunião conjunta entre todos do Templo e do exército para fixar as regras.
Nenhum homem era permitido dentro do prédio do Templo sendo o capitão Uchiha a única exceção. Todas as vestais atenderiam a um toque de recolher ao pôr-do-sol, não lhes sendo permitida a circulação pelos arredores do Templo após isso. Os soldados também ficariam responsáveis por auxiliar nas tarefas diárias como a limpeza, jardinagem, cultivo de lavoura, trato dos cavalos, consertos e reparos e o que mais se fizesse necessário – digamos que Tsunade não estava afim de ter aquele bando de homens no local sem fazer nada. Os encarregados das tarefas obedeceriam uma escala semanal feita pelo capitão. Nenhum soldado poderia interromper as atividades do Templo sob hipótese alguma. Deveriam também se atentar para não profanar o solo ou as instalações – e aqui apareceu uma lista enorme de coisas que poderiam profanar os ditos locais. Por último e com certeza não menos importante: Era expressamente proibido o envolvimento físico/sentimental entre os soldados e as moças do Templo. Neste ponto, ambos Sasuke e Tsunade dirigiram uma olhada feia para os soldados no local – era esperado que eles tivessem disciplina o suficiente pra isso.
Estando todos dispensados, Sasuke voltou à sua tenda encontrando seu melhor amigo no caminho: Naruto Uzumaki. Os dois haviam se conhecido nos dias de recrutas na base do exército e se tornado muito próximos desde então, embora a personalidade extremamente expansiva do loiro irritasse o capitão constantemente.
-Cara! O que deu em você pra aceitar uma missão dessas? Eu até queria umas férias, mas a coisa está feia no fronte...
-Hum. –Não era sempre que Sasuke se prestava a responder as perguntas de Naruto que já acostumado com isso, continuou falando.
-Tem cada garota bonita aqui... Uma pena esses negócios de voto e tal...
Sasuke ergueu a cabeça pra olhar ao redor e viu várias vestais e sacerdotisas andando de um lado pra outro em seus vestidos brancos realizando diversas tarefas. De fato, algumas eram mesmo bonitas, mas que importância tinha? Ino e as outras mulheres haviam vindo junto – pra horror de Tsunade que só aceitou quando pensou que seria melhor os homens terem alguma "distração".
-Aquela ali então... Deve ser a mais bonita do Templo.
O capitão moveu a cabeça para olhar na direção que Naruto olhava e contemplou Sakura saindo da porta da cozinha com um jarro de barro no ombro direito. Por mais que odiasse admitir, o loiro tinha razão; por mais bonitas que as outras fossem, nenhuma sequer chegava perto de Sakura com seus traços únicos.
-Você tem razão. –Sasuke finalmente respondeu. –Mas aquela é tratada como filha da superiora Tsunade; cabeças vão rolar se alguém sonhar em se aproximar dela.
Sasuke não havia falado como uma ameaça ou aviso, mas Naruto sabia bem o que isso significava. Segundo a legislação da época, tudo o que era separado para o sagrado não poderia ser maculado. Um soldado fazer isso traria desonra ao Exército. Era considerado um crime grave.
-Ah... Relaxe, Sasuke. Você sabe que nenhum de nós vai fazer nenhuma besteira.
Sasuke não respondeu, mas ao observar Sakura voltando do poço com o jarro cheio d'água lhe veio a sensação de que alguma coisa ia sair errado.
Sakura entrou na cozinha com o jarro cheio de água e o depositou ao lado da sacerdotisa cozinheira que a agradeceu por ter buscado mais água para ela. Em seguida a garota foi procurar a sacerdotisa responsável pela atribuição de tarefas para saber o que mais ela precisava fazer. Porém antes que ela encontrasse a tal sacerdotisa, uma outra vestal veio até ela dizendo que Tsunade a estava chamando. Sakura franziu as sobrancelhas, mas atendeu e foi até a sala da superiora.
-Entre querida.
A garota entrou e após uma reverência graciosa sentou-se à frente da mesa de Tsunade.
-Eu vou precisar de você pra algo muito importante. Você deve saber que aquele homem, Kakashi, é meu amigo já há muitos anos e sei que ele estava pensando no melhor pra nós ao trazer o capitão Uchiha pra cá pra nos vigiar. Mas eu não confio nesse rapaz. Eu o acho jovem demais e possivelmente imaturo demais pra esse serviço. Soldados como ele que só conheceram a guerra ficam confusos em tempos de paz. Portanto, eu quero que você o vigie de perto.
Nesse momento, os olhos de Sakura se arregalaram.
-Quero que você se aproxime dele e ganhe sua confiança, então me relate tudo o que ele tem feito e tudo o mais que você vir acontecer nesse acampamento. Não me esconda nada! Entendeu?
A garota engoliu em seco.
-Sim senhora.
Tsunade sorriu.
-Ótimo! Pode começar agora mesmo. Vou dispensar você de suas obrigações hoje pra conseguir começar a conversar com ele.
-Certo. –Sakura já estava se levantando para se retirar, quando Tsunade a chamou.
-Sakura. Eu não tenho um bom pressentimento com esse rapaz. Ele é perigoso. Haja o que houver, me prometa que é você que vai dominá-lo e não ele a você.
A vestal hesitou por um momento, nunca tinha estado nesse tipo de situação antes e achava que se Tsunade havia chegado ao ponto de mandá-la se aproximar de alguém que ela considera perigoso, era porque algo muito ruim estava por vir. Ela engoliu em seco mais uma vez e assentiu, só então sendo liberada pela superiora.
Estava ficando cada vez mais quente e já não havia mais nenhum resquício do inverno em parte alguma. Os soldados se esforçavam para cumprir todas as tarefas e organizar o acampamento o mais rápido possível para que as tralhas saíssem do caminho. O grupo de Sasuke consistia em 15 soldados; o segundo em comando era um excelente militar chamado Shikamaru Nara – considerado um gênio da arte da guerra, embora um tanto preguiçoso. Naruto Uzumaki não tinha nenhum cargo em específico, embora fosse também um soldado muito acima da média e frequentemente requisitado para missões de risco – ele e Sasuke estavam sempre juntos.
Mal o loiro acabara de sair da tenda do capitão, o Uchiha sentiu uma pessoa entrar. De todas as que esperava, aquela nunca nem entraria na lista. Os cabelos róseos na altura dos ombros, a boca naturalmente rosada abrindo um branco sorriso e os olhos verdes preencheram sua visão, enquanto ele se dava conta que Sakura havia acabado de entrar em sua tenda. Sendo educada ela ficou parada na entrada por um momento.
-Com licença. –Ela disse suavemente. –Olá...
Alguma coisa no subconsciente de Sasuke o deixou inquieto. O que raios essa garota estava fazendo ali? O garoto reagiu como de costume: foi extremamente seco.
-Tsunade sabe que está aqui?
Sakura deu de ombros enquanto observava o interior da tenda despreocupadamente.
-Deve saber. Ela sempre sabe de tudo...
-Então o que faz aqui?
Ela sorriu.
-Fui encarregada de te ajudar.
Sasuke franziu as sobrancelhas.
-Sim, te ajudar. Preciso te mostrar todos os cantos do Templo, há algumas passagens secretas que praticamente ninguém conhece, entre outras coisas que possam ser úteis a você. Incluindo te mostrar a vila que existe aqui próxima. Você poderá encontrar algumas provisões à venda por lá.
Sakura falava de uma forma desinteressada, como se fosse mesmo questão de dever; ela pareceu mais distraída com as coisas dele do que a conversa em si. Isso deixou Sasuke mais relaxado. Se a garota havia sido designada para acompanhá-lo, então sua cabeça não corria perigo de rolar. Já que era assim, de fato a ajuda da garota seria interessante para que ele pudesse estar preparado caso o pior acontecesse. O capitão terminou de polir uma pequena adaga e a colocou dentro do kimono.
-Certo. Ordens de Tsunade,acredito.
-Isso mesmo, capitão.
Alguma coisa no modo como a garota pronunciou capitão fez o sangue de Sasuke correr mais rápido e isso o alertou de novo.
"Se essa garota não fosse uma vestal, ela com certeza seria muito perigosa."
-Por onde começamos, então?
Sakura havia sido rápida ao inventar a história que contara à Sasuke sobre ajudá-lo, mas seria fácil convencê-lo disso e a todos de que havia sido selecionada por Tsunade para guiar o capitão no que fosse necessário. A melhor parte é que não estava tão longe da verdade assim e a superiora com certeza não desmentiria caso ouvisse o que se passava.
A garota apresentou todas as sacerdotisas responsáveis por alguma área da cozinha até a parte religiosa. Mostrou todos os acessos ao Templo para os viajantes, que nada mais eram do que trilhas e duas estradas que passavam por perto. Também mostrou a cachoeira onde gostava de nadar e onde ficava a plantação de ervas especiais – diferente do jardim e da estufa, essas plantas eram usadas nos rituais, portanto não deveriam ser consumidas e ficavam em uma área mais afastada.
Até que ambos visitassem todos os locais o sol já estava prestes a se pôr e Sasuke achou melhor que eles voltassem antes do toque de recolher. Porém, o militar foi surpreendido quando Sakura sorriu e disse que não era obrigada a obedecer, já que estava em "missão" de ajudar o capitão e ele poderia precisar dela a qualquer momento.
Por algum motivo, Sasuke pensou que aquilo cheirava a problema.
Ou talvez fosse apenas a sua paranóia militar o impedindo de relaxar. Era esse seu principal objetivo naquela missão: um pouco de paz. A guerra já o havia desgastado muito; já tinha deixado nele muitas marcas. Era hora de parar um pouco e se reorganizar para poder definir o que seria feito dali pra frente em sua vida.
E por algum motivo novamente, Sasuke estava achando que paz não era o que encontraria ali.
Sakura estava muito nervosa por estar perto do capitão. Primeiro por ele ser homem e a garota não ter qualquer experiência com ninguém do sexo masculino. Segundo porque ele parecia mesmo assustador. Estava sempre sério, com cara de quem não gostou de absolutamente do que viu na vida inteira e pronto pra atacar o que quer que fosse a qualquer momento. Talvez isso pudesse fazê-la se sentir segura; afinal ele estava ali para protegê-la, mas... Poderia ele protegê-la de si mesmo?
A garota nunca havia tido uma vida social ou estudado as relações humanas, mas ela conhecia o suficiente para temer o mundo lá fora e temer os homens. Ela já tinha ouvido relatos horrendos sobre a violência que algumas mulheres sofriam nas mãos dos homens e ela sempre temera um dia ser pega por um deles. Agora ela estava cercada de soldados – não apenas figuras masculinas, mas soldados extremamente fortes e impossíveis de se combater. Só o que lhe restava, era tentar jogar a seu favor. De repente lhe bateu que o plano de Tsunade poderia ter mais um lado. Será que se ela se aproximasse de Sasuke, ele cuidaria dela de uma forma mais próxima? Será que Tsunade teria pensado nisso também, tudo para protegê-la do que pudesse vir sobre o Templo? Ela poderia confiar sua vida à Sasuke?
Se despediram quando já era noite. O dia passado juntos fora um tanto estranho já que apenas conversaram sobre o que estava sendo mostrado; não houve diálogo de fato. Sasuke observou e absorveu toda informação que podia, tentando lembrar ao máximo tudo que pudesse vir a ser útil. Mas no fim das contas, tudo o que conseguiu se lembrar quando tentou dormir aquela noite, foi como o cabelo rosa combinava com o verde dos olhos.
Fim do cap. 4
Notas da autora: Capítulo INTEIRAMENTE diferente!
