Cap. 7 – Em treinamento
-Então agora você ficou de ensiná-la a lutar? –Naruto perguntou enquanto ele e Sasuke observavam Shikamaru exercitar os soldados.
-É o que parece.
-Se Tsunade descobrir, vai dar problema...
-É por isso que ela não vai descobrir. –Sasuke respondeu olhando seriamente para Naruto. O loiro entendeu que aquilo tanto era uma ameaça quanto um pedido mudo pra ser acobertado. É claro que Naruto ajudaria seu melhor amigo no que quer que fosse e além do mais, ensinar a garota a se defender não era algo ruim. Seria bom mesmo se Sakura aprendesse a lutar.
-Acha que ela consegue?
Sasuke deu de ombros.
-Vou descobrir amanhã.
A noite chegou e o capitão se recolheu à sua tenda, guardando seus equipamentos, retirando a parte de cima de seu kimono e se preparando para responder a correspondência enviada por Kakashi com as notícias da guerra. Enquanto lia atentamente as informações, sentiu duas mãos macias e quentes lhe massagearem os ombros e a base do pescoço. Não era necessário se virar para saber que era Ino a dona das mãos em sua pele nua. Sasuke estava acostumado com a presença da loira e não fez menção alguma de enxotá-la de lá. Deixou que o massageasse enquanto ele respondia a seu superior.
-Como estão as coisas?
Sasuke estranhou a pergunta, normalmente Ino nunca se interessava por nada que não estivesse diretamente ligado à ela.
-Feias.
-Hum. –Ela murmurou, descendo as mãos peito peitoral de Sasuke enquanto ainda o massageava. Sussurrou em seu ouvido. –Por que não vai deitar? Você parece cansado.
Sasuke sabia bem onde ela queria chegar e normalmente ele sempre cedia e acabava indo com ela pra cama, mas naquele momento, sem saber o motivo, o militar se sentiu incomodado com a presença de Ino mais do que nunca antes. Definitivamente, ele não era mais o mesmo já fazia algum tempo.
-Eu vou descansar, Ino, mas sozinho. Obrigado.
Ino entendeu que era hora de ir embora, mas achou o capitão extremamente estranho. Havia algo errado com ele. Sasuke nunca tinha sido só amores com ninguém na vida, mas ultimamente ele estava cada vez mais distante. Ou seria só impressão dela?
Havia um galpão de feno e mantimentos próximo ao estábulo. A construção simples de madeira era bem grande e alta e possuía um segundo andar, podendo ser acessado por uma escada simples de madeira dentro do andar térreo. Sasuke já se encontrava no segundo andar, com Naruto ao seu lado, esperando por Sakura. O capitão não fazia ideia de como Sakura iria reagir às aulas, não sabia se ela teria resistência, força... O que será que ele tinha na cabeça quando topou aquela ideia?
Antes que Sasuke pudesse desistir completamente daquilo, porém, Sakura chegou, subindo a precária escada de madeira devagar.
-Boa tarde. –ela cumprimentou.
Naruto sorriu e a cumprimentou de volta.
-Está atrasada. –disse Sasuke logo em seguida. Expressão extremamente séria e maxilar retesado.
-Ei, Sasuke, vai com calma. Sakura não é um dos seus recrutas. –disse Naruto.
-Isso não faz diferença. – foi a resposta do capitão.
-Tudo bem, Naruto. – disse Sakura olhando firme para Sasuke. Ela não iria deixá-lo intimidá-la. –Me desculpe, senhor. Tive problemas pra me livrar de Tsunade.
Sasuke sabia que isso seria mesmo um problema, já que a loira chefe do Templo era extremamente controladora, ainda mais com Sakura. Mas o capitão não desperdiçou mais nenhuma palavra com o ocorrido e com um aceno de cabeça, indicou para que a garota chegasse mais perto e assumisse uma posição quase ao centro do local. Sakura estava extremamente nervosa. Não sabia o que esperar daquela nova interação com o capitão, mas era certo que a presença de Naruto a deixava mais tranquila. O capitão pigarreou e iniciou:
-O primeiro passo de todo combate é conhecer seu oponente. Somente após isso é que você poderá estabelecer um plano de ataque que irá funcionar.
Sakura anuia com a cabeça, mostrando estar prestando atenção e entendendo o que Sasuke dizia.
-O mais importante de tudo é: nunca subestime seu oponente. Você nunca sabe com quem está lidando. Provavelmente vão fazer isso com você, já que você é pequena, baixa e... mulher. Pode parecer ruim, mas isso te dará a vantagem. O elemento surpresa faz muita diferença, portanto é sempre melhor parecer não ser uma ameaça, pois isso desestabiliza o inimigo quando ele descobre que você não é o que ele pensou. E o força a ter que rever o plano de ataque.
No canto Sakura podia ver Naruto concordar com a cabeça a tudo que Sasuke dizia.
-O que foi que eu disse? –Sasuke perguntou de repente.
Pega de surpresa, Sakura gaguejou um pouco.
-Ah...é... Primeiro tenho que conhecer o oponente. Nunca subestimá-lo e contar com o elemento surpresa.
Um pequeno sorriso, praticamente invisível, veio à boca do capitão.
-Muito bom. –ele concluiu secamente a respeito de sua aluna. Em seguida, se aproximou, fitando-a nos olhos e com expressão bem séria. Sakura teve que segurar a tremedeira. Sasuke sabia intimidar quando queria.
-Eu sou seu oponente. Como vê sou mais alto que você. Meu corpo também é maior que o seu.
Sakura observou Sasuke parado ameaçadoramente à sua frente. Ele tinha razão, perto dele ela parecia uma boneca de porcelana, pequena e frágil.
-Portanto sou mais forte em força bruta. Porém você sendo pequena e leve é naturalmente mais rápida e flexível, portanto trabalharemos mais sua velocidade e agilidade. E suas pernas.
-Como? –Sakura não conseguiu segurar a pergunta. O que ele queria dizer com as pernas dela?
Sasuke ignorou a reação da vestal.
-Seus braços são curtos, portanto seu alcance com socos nunca será muito grande. Ao lutar contra alguém mais alto que você deve se dar preferência para as pernas, ou seja, utilizar chutes, porque eles alcançarão mais longe.
Ah sim, fazia sentido, agora que Sasuke tinha falado...
-Vou te ensinar primeiro ofensivas. –Agora ele finalmente se movera e passou a circular Sakura devagar. –Assim você entenderá primeiro a mecânica de luta. Após isso veremos o que você deve fazer se for atacada primeiro. –e de repente, Sasuke passou seu braço ao redor do pescoço de Sakura e a prendeu contra o próprio corpo. A garota levou um susto enorme e obviamente nem conseguiu reagir no primeiro momento. Pôs as mãos no braço de Sasuke contra seu pescoço e tentou se livrar por instinto, mas o capitão era mais forte e o aperto já começava a machucar. Mesmo sem conseguir raciocinar direito devido à dor do aperto do braço de Sasuke, Sakura sabia que tinha que reagir de alguma forma e seguindo seu instinto mais uma vez, a garota deu a pisada mais forte que conseguiu no pé no militar.
Não chegou a doer muito e nem pegou Sasuke completamente despreparado, mas o capitão não esperava que a vestal conseguisse reagir, ainda mais com um bom movimento como aquele. Sendo assim, ele a soltou. Sakura se curvou para a frente e tossiu algumas vezes.
-Pensei que eu atacaria primeiro... –ela murmurou um tanto irritada. Qual a necessidade daquilo?
Sasuke e Naruto se entreolharam, pensando a mesma coisa.
-Você será ótima em combate, Sakura-chan. –disse Naruto sorrindo.
A garota abriu um sorriso que se alargou ao ver que o capitão também sorria de canto enquanto olhava pra ela.
-Como você está fazendo pra esconder esses roxos? –foi a pergunta de Hinata.
A morena estava no quarto de Sakura algumas semanas depois da vestal ter iniciado seu treinamento com Sasuke, que no momento observava suas costas no espelho com alguns hematomas aqui e lá.
-Malabarismo. –foi a respota de Sakura. –Tsunade até agora não desconfiou de nada, mas estou preocupada com a Yuna...
-O que ela está fazendo? –Hinata já conhecia o desafeto mutuo das duas vestais.
-Anteontem ela quase pegou eu e o capitão no celeiro. Acho que ela me seguiu. A sorte é que é praticamente impossível surpreender Sasuke e ele percebeu a tempo de conseguirmos nos esconder. Eu tenho certeza que ela tá tentando me colocar em alguma encrenca... –Sakura suspirou. Yuna sempre conseguia fazer um inferno na vida da vestal quando queria.
-Ela tem inveja de você. Te critica até quando você não faz nada...
Sakura bufou e se sentou em sua cama, logo gemendo de dor em um ponto em suas coxas.
-Você está bem mal... –murmurou Hinata. –Tem certeza que esse treinamento está sendo bom pra você?
Sakura ofereceu um sorriso sincero à sua melhor amiga.
-Está sim, não se preocupe. Naruto disse que é normal eu ficar roxa e dolorida no começo, depois vai melhorar. Ainda mais porque Sasuke não pega muito leve comigo. Não sei se fico brava ou se agradeço por isso; pelo menos ele não me rebaixa só porque eu sou mulher...
-Ele parece ser bem duro... E grosso... E assustador...
Sakura achou engraçada a reação de Hinata. Nada daquilo estava muito longe da verdade.
-Ele é tudo isso sim. Mas sabe de uma coisa? Eu o estou conhecendo melhor e... Ele não é tão ruim assim.
Hinata ergueu uma sobrancelha em descrença. Sakura riu.
-É sério! Sasuke é bem durão, mas eu acho que é só a superfície dele. Ele... já passou por muita coisa na vida, não teve outra opção a não ser se tornar forte e não confiar mais em ninguém. Às vezes eu olho pra ele e tudo que eu vejo é um homem profundamente machucado com feridas que nunca cicatrizaram. Quando me lembro disso, eu não consigo mais ficar irritada com ele e minha raiva passa na hora. Talvez ele só precise de um pouco de paz, quem sabe também mais alegria e carinho...
A vestal parou de falar e percebeu que sua amiga a fitava de um jeito curioso.
-O que foi? –Sakura perguntou.
-Nada... –Hinata respondeu. –Só o jeito como você falou dele. Se eu não te conhecesse bem, diria que você está apaixonada por esse capitão...
-Ah, não fala besteira! –Sakura soltou uma risada debochada e se levantou. –Até parece que eu iria me apaixonar por alguém nessa vida. Já fiz meu voto de castidade, lembra? Além do mais, posso ter essa simpatia por Sasuke, mas ele ainda é rude demais pra eu sequer pensar em tê-lo como amigo. Minha relação com ele é apenas uma troca.
-Como assim?
-Uma troca. Ele me ensina a lutar e eu uso o meu dom pra ajudá-lo sempre que posso. Ele é muito preocupado com o futuro e outras coisas mais...
Por algum motivo, Sakura sentiu um arrepio. O que será que aguardava Sasuke no futuro, que dava essa sensação tão ruim?
Alguns dias depois, ambos capitão e vestal estavam novamente no celeiro. Naruto não estava presente, pois ficara responsável por exercitar a tropa daquela vez. Sasuke e Sakura estavam se encontrando em torno de três vezes por semana, sempre no mesmo horário. Após quase um mês em treinamento, a garota já estava melhorando bastante. Seus reflexos estavam ficando mais ágeis e os sentidos mais aguçados.
Sasuke estava ficando satisfeito com o ritmo do desenvolvimento da vestal – bem melhor do que ele esperava; Sakura estava acima da média de muito recruta com os quais ele já tinha lidado no exército. E a melhor parte, era o fato de ela ser uma mulher. Sasuke nunca tinha pensado muito sobre mulheres numa perspectiva militar. Para o capitão, todas as mulheres ou eram mães e irmãs (e agiam como tal) ou eram entretenimento, como Ino era pra ele. Porém, Sakura não se encaixava em nenhuma das duas categorias. Sasuke não conseguia imaginar sua mãe ou Ino como militares, mas ele havia chegado à conclusão que a pequena vestal à sua frente conseguiria sobreviver no exército. E sendo extremamente sincero, isso era fascinante.
Aliás, Sakura era fascinante. A garota tinha raciocínio rápido e era muito inteligente. Há poucas semanas, Naruto a tinha ensinado a jogar Majhong [1] e agora ela já estava começando a ganhar algumas partidas contra os soldados que a estavam convidando sempre pra jogar com eles nos fins de tarde. Essa interação era um tanto estranha. Era como se Sakura já fizesse parte do pelotão; como se fosse a mascote da equipe. E se Sasuke já queria se livrar dela antes, agora tinha ficado impossível. Talvez fosse melhor parar de lutar contra e deixar as coisas irem conforme a correnteza; não era como se ele fosse ficar por lá a vida toda, na verdade, Sasuke esperava que em poucos meses pudesse voltar ao fronte ou ao quartel general, caso a guerra tivesse acabado – o que seria uma excelente perspectiva. Enquanto isso, era melhor parar de ficar se preocupando com tudo, afinal continuar neurótico não iria lhe fazer bem.
Sakura também observava o capitão, mais quieto do que nunca. Ela sabia que ele estava pensando e tratou de não incomodar. A vestal estava fazendo os exercícios de aquecimento para começar o treinamento do dia. Mas era difícil se concentrar quando Sasuke estava tão lindo, sério daquele jeito. Não que a garota se permitisse pensar que ele era bonito, mas seu subconsciente registrava tudo que sua mente se recusava a aceitar. Ainda absorta em seus próprios pensamentos, Sakura levou um susto ao ser bruscamente puxada por Sasuke e praticamente atirada pra dentro de um armário baixo de mantimentos, que apesar de baixo era comprido o suficiente pra que os dois coubessem lá dentro. Esconderijo precário, mas o celeiro não tinha outro lugar mesmo pra se esconderem. Sasuke entrou logo atrás dela, praticamente a esmagando contra o fundo do móvel, portanto Sakura fez o que podia pra se ajustar e se deitou. Sasuke não quis raciocinar sobre isso, pois as duas pessoas que ele sentira se aproximar já estavam dentro do celeiro, então ele se deitou por cima da vestal e com uma das mãos fechou a porta de correr do móvel e a segurou pra evitar que fosse aberta.
Aquela não era a primeira vez que os dois iam parar dentro daquele armário. Sasuke sussurrou pra Sakura que era Yuna novamente quem estava lá e dessa vez estava acompanhada. O militar sabia que o segundo chackra era familiar, mas ele não sabia de quem era. Foi impossível não ficar extremamente irritado já que essa Yuna parecia determinada a causar problemas. Sasuke só rezava pro que quer que fosse pra que ela não resolvesse tentar abrir o armário; tá certo que achar que havia duas pessoas dentro de um móvel como aquele era uma ideia ridícula, mas vai saber...
Enquanto isso, Sakura não sabia se estava mais nervosa pela possibilidade de ser pega, ou pela situação que se encontrava com Sasuke. Por mais que ele estivesse se esforçando pra não deixar seu peso inteiro sobre ela, ainda assim a garota podia sentir o corpo inteiro do militar, entre suas pernas e sobre seu tronco. Era perto demais. Logo, o ambiente parecia ainda mais quente e abafado e uma sensação até então desconhecida começou a fervilhar em um ponto entre as pernas da garota.
Sasuke percebera que Sakura estava ofegando e ficando vermelha. Ele mesmo já sabia bem porque e por isso evitava ao máximo se mexer por um milímetro que fosse, já que qualquer movimento dele, pioraria as coisas. E não só pra ela. Sasuke já nem se esforçava mais pra não pensar em como aquela mulher embaixo dele era linda; ele havia decidido que apenas admitir isso não faria mal a ninguém, mas naquela situação ele estava tentando prestar atenção no que acontecia fora do móvel, porque se pensasse um pouco mais que fosse em Sakura, ele sabia que seu corpo iria reagir e na pouca distância que eles estavam, a garota iria perceber algo diferente bem entre suas pernas – e isso não seria nada legal.
Falando sobre o que acontecia do lado de fora, nada se podia ser visto, mas os dois podiam ouvir as vozes. Yuna havia subido no segundo andar e andava de um lado pra outro.
-Eu não acredito que ela me enganou de novo... –dizia a vestal com raiva na voz.
-Yuna... Talvez ela tenha passado direto pelo celeiro e a gente não viu. Vamos olhar em volta. –pela voz, Sakura sabia que era Rikku. Oras, quem mais poderia ser...
-Não! Eu tenho certeza que ela entrou aqui. E você viu, nós passamos pelo acampamento e nada do capitão por lá. Ah, essa história está muito estranha!
-Você acha que eles estão fazendo alguma coisa juntos? Yuna... Isso não é meio ridículo? Aquele capitão é tão estranho, ele nem sequer olha pra ninguém. E a Sakura está sempre tão atarefada... Duvido que ela tivesse tempo pra qualquer coisa escondida...
-Não me venha defender essa vagabunda! –Yuna continuou a andar por todo o segundo andar, mas ficava ainda mais frustrada ao perceber que lá só havia alguns sacos de grãos, enxadas e rastelos, um armário de mantimentos e uma pilha de feno em um canto. Isso a estava deixando ainda mais irritada. –Atarefada... É claro! Com as regalias que ela tem, tem que trabalhar mesmo! E o capitão de fato ignora todo mundo, mas eu juro, Rikku, eu juro que pra ela, ele olha.
-Isso não é coisa da sua cabeça? –disse Rikku. –Eu nunca vi nada demais...
-É por que sempre que o capitão está por perto você fica olhando o físico maravilhoso dele e não percebe mais nada, sua tonta.
Nem é preciso dizer que antes o clima dentro do armário estava quente, mas agora estava era constrangedor, com as duas vestais fofocando sobre os dois escondidos. Sakura queria muito poder sumir dali e não ouvir mais nada e Sasuke... bem, não estava muito feliz também.
-Ah, mas ele é tão bonito... –Rikku murmurou.
-Isso é mesmo. –Yuna concordou. –Que homem é aquele... Só de pensar nele, dá até calor...
Sasuke não resistiu ao impulso de revirar os olhos com os comentários sobre ele. Sakura percebeu o desconforto do capitão e soltou uma risadinha. Logo, Sasuke já a olhava semi bravo e com a mão livre deu um tapinha de leve na cabeça da rosada pra fazê-la parar de rir às custas dele. Sakura parou, mas continuou com um largo sorriso no rosto.
-É por isso mesmo, -continuava Yuna. –que eu tenho certeza que Sakura tá aprontando alguma coisa, porque ela só tem a cara de idiota, mas é esperta. Você com certeza percebeu que a cada dez palavras que ela fala, onze é "capitão".
Ah, não. Olha o constrangimento de novo. Sakura estava agradecendo a Kami o fato de Sasuke não a olhar em momento algum.
-Yuna, você não tá insinuando que a Sakura... Poderia... Querer seduzir o capitão, não é?
Opa... Por mais que não admitisse, essa era uma pergunta que Sasuke queria saber a resposta.
-Não sei, Rikku. Não sei mesmo. Mas é fato que esse bando de homens aqui virou a cabeça de todo mundo.
-E se... O capitão que estiver querendo seduzir a Sakura?
Sasuke sentiu Sakura se remexer desconfortavelmente. "Sakura, por favor, não se mexe..." O capitão pensou fechando os olhos e respirando fundo. Porém, a garota se mexeu mais uma vez e Sasuke foi obrigado a baixar a cabeça e sussurrar no ouvido dela.
-Sakura, por favor, fique quieta...
A vestal sentiu um arrepio dos bons percorrer seu corpo todo. Ela nem sequer registrou a frase inteira, apenas o tom de voz dele e sua respiração em seu pescoço enquanto ele sussurrava o nome dela. O clima novamente quente foi quebrado pela risada escandalosa de Yuna.
-AHAHAHAHAHAHAHHA! Mas que piada foi essa, Rikku? –E de repente, Sasuke e Sakura sentiram o móvel ranger. Uma das duas havia se encostado no armário, pra piorar tudo. –Até parece que aquele capitão do exército iria se interessar pela Sakura que nem bonita não é.
-Isso é verdade. Aquele cabelo rosa é muito esquisito. E ela é tão magrinha e pequena... Aquelas mulheres que vieram junto com eles são bem mais bonitas.
-E parece que aquela loirona, a tal da Ino, que é a do capitão. Você viu que corpo maravilhoso tem aquela mulher? Comparada com ela, a Sakura é uma mosquinha. Mas eu não a culpo não, por querer a companhia do capitão. Sakura sabe que ninguém no Templo gosta dela; se não fosse por Tsunade, ela estaria em um orfanato qualquer a essa hora; um orfanato pra mosquinhas!
E logo as duas vestais se acabaram de dar risada. Sakura virou o rosto para o fundo do armário enquanto lutava contra as lágrimas. Ela sabia que Yuna e algumas outras vestais não gostavam muito dela, mas nunca tinha ouvido o que elas conversavam sobre ela. Sasuke sentiu os ombros de Sakura tremerem num claro sinal que ela estava tentando não chorar. Foi impossível não se sentir mal pela garota; Sasuke já tinha imaginado Sakura de algumas formas (a maioria não vinha ao caso no momento...), mas a garota chorando nunca havia passado pela sua cabeça. O capitão usou um polegar pra secar uma das lágrimas que escorria pela bochecha esquerda da vestal. Sakura olhou para o militar surpresa pelo gesto, mas ele logo desviou o olhar.
-Não, o capitão com certeza não está interessado nela. –dizia Yuna, agora que finalmente havia conseguido parar de rir. –Ainda mais com aquela loira com ele. Aliás, um homem que pode ter qualquer mulher que ele quiser, nunca nem olharia pra Sakura. Eu acho que é outra coisa, Rikku. Eu tenho certeza que ela está aprontando alguma e eu vou descobrir o que é. E quando eu descobrir, o paraíso da Sakura já era. Tsunade vai ficar tão decepcionada ao descobrir que sua filhinha tem mentido pra ela...
E finalmente as duas vestais resolveram ir embora, já que estava claro que não havia mais ninguém no local no momento. Sasuke esperou que o chackra das duas se afastasse bastante, antes de arriscar sair do armário e ajudar Sakura a sair também. O militar ficou sem saber o que fazer ao vê-la. Sakura não parecia nem a sombra daquela garota enérgica, esperta, falante e curiosa que conseguia tirá-lo do sério. No lugar daquela Sakura estava uma garota derrotada e triste, lutando pra esconder as lágrimas dele. Ele não podia ficar sem fazer nada, podia?
Sem dizer nada, Sakura já estava caminhando na direção da escada de madeira que levava ao solo. Sasuke a seguiu.
-Sakura. –ele chamou. Ela não respondeu. –Sakura. –ele chamou de novo, mas foi novamente ignorado. O capitão então deu uma corridinha e segurou a garota pelo braço.
-O que é? –ela rosnou se virando pra ele com várias lágrimas no rosto. Será que ele não se tocava que ela queria ficar sozinha? Que ela estava bem mal naquele momento? O que ele queria? Continuar o treinamento? Dar mais ordens pra ela como se ela fosse um cachorrinho?
Sasuke se surpreendeu ao ver tanta emoção misturada nos olhos verdes da garota. Por um momento, hesitou. O que raios ele estava tentando fazer? Sakura se acalmou um pouco, vendo que Sasuke estava tentando ser um pouco agradável e no fim das contas ele não tinha culpa de nada.
-Desculpa. –ela murmurou.
-Não é verdade. –ele disse por fim.
Sakura ergueu os olhos sem entender muito bem.
-O que elas disseram sobre você... É opinião de gente pequena. Você está acima disso.
Sakura balançou a cabeça.
-É verdade sim. Não gostam de mim e... Eu sei que não sou bonita, ainda mais com esse cabelo... Aberração... –a garota suspirou pesadamente. –Só pra deixar claro, eu não... não estou... tentando te seduzir...
-Eu sei. –Sasuke respondeu firmemente. –Não se preocupe, eu sei... E se é pra deixar as coisas claras, eu também não estou... tentando seduzir você.
-Ah, eu sei. –Sakura respondeu na mesma hora. –É claro que não está. Isso elas também têm razão. Um homem como você, que pode ter qualquer mulher que quiser... É claro que não olharia pra mim, mesmo que eu não fosse vestal...
-Isso é ingenuidade.
Sakura ficou confusa com a frase.
-Como assim?
-Besteira de mulher acreditar que, por me acharem bonito eu posso ter qualquer mulher que eu quiser. Não é assim que as coisas funcionam.
-Ah não, capitão. Modéstia comigo não... Você é um bom homem. É um excelente militar, extremamente responsável e tenho certeza que nada se pode falar do seu caráter. Um homem assim, creio que seja o desejo de qualquer boa mulher. Então, você pode sim ter todas as mulheres que quiser.
Sasuke deu uma olhada de esguelha pra Sakura.
-Nem todas...
Isso era verdade. Sasuke, lá no fundinho de sua mente, estava pensando que ainda que esse clima entre ele e Sakura viesse a se confirmar, ela não estaria ao alcance dele. Sakura era uma vestal, uma santa e com certeza não se envolveria com ele. Sakura o olhou de volta e Sasuke pensou se por acaso ela teria entendido o que ele quis dizer. Seria melhor se ela permanecesse sem entender.
-Enfim, essa conversa foi completamente idiota. Não perca tempo com isso.
-Por que está fazendo isso? Você não precisa se preocupar comigo ou fingir que se importa.
-Porque você precisa aprender que não só batemos e apanhamos com o corpo; palavras podem machucar muito mais. Yuna derrubou você e te venceu completamente com apenas uma porção de mentiras. Seu psicológico e sentimental também precisam ser treinados. Soldado nenhum pode ir a uma batalha cansado ou deprimido. Só você sabe quem você é de verdade, e você não precisa provar nada pra ninguém. Eu não crio soldados despreparados.
-Eu não sou um soldado seu...
-Teoricamente é sim, porque eu tenho treinado você com a mesma seriedade e você tem ido muito bem. Eu sou seu capitão agora e isso é uma ordem: não deixe ela te derrubar.
Com isso Sasuke passou por Sakura em direção à escada, e logo que pôs o pé no primeiro degrau, ele disse sem olhar pra ela:
-E você é linda.
Fim do cap.7
[1] Majhong é um jogo tradicional oriental no qual os jogadores precisam eliminar peças iguais até não haver mais peças no tabuleiro.
