Oiiieeee!!! Tarde boa?! Como vai o domingo de vcs? O meu está ótimo! Hoje vamos com mais um capítulo, com nosso Edward rude! É claro a Bella provocando...
Boa Leitura!!!
Capítulo 3
Quando estava acabado de passar as poucas roupas que havia, enquanto Carlisle lavava os pratos, Bella tirou a roupa da secadora e verificou que algumas das camisas de Edward faltavam botões, e outras tinham as costuras descosturadas.
Carlisle lhe entregou agulha, linhas e botões, e a jovem começou a costurar e pregar os botões enquanto via uma velha série na televisão.
Um pouco mais tarde apareceram Edward e Seth.
—Nossa, como neva ... — falou Seth esfregando-as mãos em frente ao fogo que Carlisle tinha acendido na chaminé.— Papai teve que ir me buscar no trenó porque o ônibus da escola não podia nem avançar pela estrada.
—OH, falando do trenó... —interveio Bella olhando para Edward,— preciso buscar algumas roupas na cabana. Não posso nem trocar de roupa.
—Bem, vá pôr o casaco. Te levarei antes de retornar ao trabalho — ofereceu Edward.
— Seth, você também pode vir —acrescentou ignorando a cara de estranheza do pequeno.
Bella ficou de pé e subiu para por seu casaco. Estava muito claro porque queria que Seth fosse com eles: sentia-se atraído por ela, mas, conforme parecia, estava decidido a lutar com todas suas forças contra isso. Por que a consideraria uma ameaça?
Quando voltou para baixo se encontrou com que Edward que estava examinando uma das camisas que tinha estado arrumando. Levantou o olhar para ela com uma expressão irritada.
—Não tinha por que fazer isto — disse com aspereza.
Bella encolheu os ombros timidamente.
—É que me sinto mal estando aqui sem ajudar... –murmurou.— Além disso, não sei ficar muito tempo ociosa, fico nervosa —acrescentou.
Uma expressão estranha cruzou pelo rosto do rancheiro. Ficou um momento estudando o remendo na manga, que tinha esmigalhado com o alambrado, deixou a camisa novamente sobre o sofá e dirigir-se à porta sem olhar a jovem.
Bella não levou muito tempo para recolher as coisas que necessitava. Fechou a mala, saiu do quarto e dirigiu-se para sala, mas recordou que deixou umas luvas sobre a cama e retornou para pegá-las. Quando voltou, agachou-se para levantar a mala do chão, mas Seth adiantou-se. —Eu a levarei — disse com um sorriso.
Bella a devolveu. Verdadeiramente era um menino estupendo. Que curioso que se parecesse tão pouco com seu pai... Seth lhe havia dito que sua mãe era ruiva, assim devia ter saído a ela, mas, mesmo assim, não havia nada em seus traços que recordasse Edward...
O rancheiro estava esperando-os lá fora, sentado em seu trenó com expressão inescrutável e fumando um cigarro. A jovem e o menino subiram no veículo e Edward agitou a rédea impaciente. O cavalo começou a marcha de volta para casa.
Nevava ligeiramente e a brisa soprava, fazendo com que os flocos se dispersassem em todas direções. Bella suspirou e levantou o rosto, sem se preocupar com o capuz que tinha caído, deixando descoberto seu ruivo cabelo. sentia-se mais viva que nunca. Havia algo naquelas paragens sem domar que a fazia sentir em paz consigo mesma... pela primeira vez desde aquela tragédia.
—Desfruta do passeio? —perguntou Edward de repente.
—Não pode nem imaginar —respondeu Bella — Este lugar é tão maravilhoso ...
Edward assentiu. Seus olhos verdes percorreram o rosto da jovem, detendo-se nas bochechas avermelhadas pelo frio, antes de voltar a fixar a vista no caminho. Bella notou que tinha estado olhando-a, mas aquilo, longe de alegrá-la, encheu-a de preocupação, porque Edward parecia novamente zangado.
E de fato estava. Na volta para casa ficou patente que se trancou em si mesmo e não tinha intenção de sair: apenas lhe disse duas palavras seguidas a Bella antes que ela e Seth subissem a seus quartos.
—Já se zangou — disse o menino a jovem_ acontece às vezes. Não dura muito, mas quando está assim é melhor não lhe falar.
—OH, dou minha palavra de que não o farei — prometeu Bella.
Entretanto, não serviu muito, já que durante o café da manhã, na manhã seguinte, Edward a observava com olhares furiosos. Estava começando a sentir verdadeiramente que sua presença ali era non grata.
Decidida a não se deixar influenciar por seu ânimo, Bella se entreteve ajudando Carlisle a cozinhar e costurando a bainha de uma cortina, e depois foi dar de comer aos bezerros, a tarefa que mais lhe agradava. Quando retornou para casa, Carlisle lhe pediu que fosse pondo a mesa para o jantar. Tinha terminado as tarefas e estava na cozinha arrumando a salada, quando viu pela janela Edward deter o trenó em frente da casa. Edward desceu dele e ao cabo de um momento escutou-o abrir e fechar a porta da casa.
Bella sentiu que os batimentos de seu coração se aceleravam. Edward tinha entrado na cozinha e ficou parado observando-a. Seus olhos foram do avental que tinha posto a travessa de salada que tinha na mão.
—Até parece uma dona de casa...! —exclamou sarcástico.
Aquele ataque a surpreendeu, embora, irritada desde o dia anterior, não deveria ter se surpreendido com sua atitude.
—Só estou ajudando Carlisle —respondeu ela.
—Sei.
Enquanto o rancheiro lavava as mãos na pia, Bella não pôde evitar ficar admirando o musculoso torso que marcava a camisa quadriculada. Edward a pegou olhando-o, e seus olhos esmeraldas relampejaram furiosos.
A jovem, fascinada pelas reações que provocava nele, esqueceu que não devia forçar sua sorte, e se aproximou dele em silêncio, envolvendo suas mãos molhadas no pano da cozinha.
Olhou-o nos olhos enquanto as secava. Edward serrou os olhos e deixou por um instante de respirar. Um turbilhão de sensações formou redemoinhos em seu interior: solidão, ira, ansiedade, luxúria... O perfume adocicado de Bella invadia suas narinas embriagando-o. Baixou o olhar ao perfeito e suave arco que formavam seus lábios, perguntando-se como seria inclinar-se para eles e beijá-los. Fazia tanto tempo que não beijava uma mulher, que não tinha uma mulher entre seus braços... E Bella era tão feminina que não era a toa que despertasse seus instintos mais básicos. Quase se sentia vibrar de necessidade quando a tinha tão perto.
Não, não podia se deixar levar por essas emoções, disse com firmeza. Se o fizesse estava exposto ao desastre. Não era mais que outra loba com pele de cordeiro. Certamente a aborrecia aquele isolamento, aquele confinamento nas montanhas, e queria divertir-se com ele um momento.
Se acreditava que ia atormentá-lo com seus encantos estava muito equivocada. Deu um bufo e lhe arrancou a toalha das mãos.
—OH... Sinto-o —balbuciou a jovem. Essa violência repentina a assustou, porque demonstrava que o rancheiro não controlava de todo suas emoções, e se separou dele. Essa agressividade inerente ao gênero masculino sempre a tinha feito manter-se a certa distância dos homens, porque a tinha sofrido em casa, até que escapou dela, deu a volta para não ter que olhá-lo, e ficou a mexer um molho que estava esquentando no fogo.
—Não se acomode muito — advertiu-lhe Edward,— a cozinha é o território de Carlisle, e ele não gosta de intrusos. Você está somente de passagem por aqui.
—Não preciso que me recorde isso —lhe respondeu zangada, girando a cabeça e olhando-o diretamente nos olhos.— Assim que a neve derreter partirei e te deixarei tranquilo para sempre.
—Esperemos que ocorra muito em breve —resmungou ele com veneno na voz.
Bella sentiu desejos de sacudi-lo. O que ela tinha feito? O que tinha feito para merecer aquela hostilidade? Era irônico que tivesse ido às montanhas para descansar depois de um período traumático, e que se encontrasse em meio de uma batalha que ela não tinha começado.
—Faz com que me sinta tão bem... —disse-lhe com sarcasmo,— como se fosse da família. Obrigada por sua generosa hospitalidade, Edward. Que mais poderia pedir? Não sei, um pouco de cianeto em meu copo?
Bella a olhou irado e saiu da cozinha a grandes passadas.
Depois do jantar, Bella se ofereceu para lavar os pratos, mas Carlisle insistiu que não era necessário. Edward, como a cada noite, enterrou-se em seu escritório com seus livros de contabilidade, assim Bella sentou-se com Seth para ver um filme de ficção cientifica, e depois começou a lhe dar uma nova lição de música com o teclado.
—Acredito que já sai à escala do dom maior — anunciou Seth tocando-a.
—Muito bem! —aplaudiu-o Bella.— Pois então passaremos a do sol maior.
A explicou, e enquanto Seth praticava, não pôde evitar que sua mente se voltasse para Edward.
—No que pensa? —perguntou o menino vendo-a muito séria.
—OH, em nada... bom, a verdade é que estava pensando que seu pai não me quer aqui —murmurou encolhendo os ombros. —Não é culpa sua — consolou Seth.— Meu pai odeia todas as mulheres, acreditava que já sabia.
—Sim, mas... porquê?
O menino meneou a cabeça.
—É devido a minha mãe. Fez-lhe algo terrível. Nunca fala dela. Tenho sorte de que me queira apesar de tudo.
«Que modo tão estranho de falar de seu pai!», pensou Bella olhando o rosto do pequeno.
Entretanto, preferiu não fazer nenhum comentário a respeito.
—Por que não toca uma canção? Um pouco de rock? —propôs Seth trocando de tema.
—De acordo —aceitou Bella com um sorriso,— mas terá que ser algo suave -acrescentou olhando com apreensão a porta fechada do escritório.
Seth seguiu seu olhar.
-Ah, não, vamos fazê-lo tremer! —disse com um sorriso travesso.
—Seth! — Sorriu a jovem surpreendida.
—Faz-lhe falta um pouco de ritmo. Teria que vê-lo quando vamos à igreja e alguma das mulheres solteiras se aproxima. Fica vermelho e muito envergonhado —disse entre risadas.—Temos que salvá-lo, Bella, ou morrerá sendo um solteirão —acrescentou com muita solenidade.
Bella meneou a cabeça e suspirou, mas depois sorriu.
—Muito bem, se prepare: este pode ser seu funeral, amiguinho... —subiu o volume quase ao máximo, e começou a tocar uma canção muito movimentada de um grupo do momento, ao mesmo tempo em que Seth e ela começaram a cantá-la.
Não passou nem um minuto quando, feito uma fúria, Edward saiu de seu escritório.
—Por todos os demônios...! —resmungou.
Bella, rápida como o raio, pôs o teclado na frente de Seth.
—Não! —gemeu o menino.— foi ela, juro! —exclamou ante o olhar furioso de seu pai. A jovem olhou Edward e fingiu estar muito ofendida.
—Poderia eu tocar a todo volume em sua casa, quando você havia me advertido que não o fizesse? —perguntou com ar de quem não tinha quebrado um prato em sua vida.
Edward entreabriu os olhos e voltou à cabeça para Seth.
—Pare com essa intriga e baixe a voz —disse ameaçador,— ou lhe darei a sova que merece. E não quero voltar a ouvir mais essa música demoníaca em minha casa! Além disso, tem os fones, não é verdade? Pois os use!
—Sim senhor —balbuciou o menino engolindo saliva. Ia matar Bella...
A jovem, que não se assustou absolutamente com aquele ataque de ira, fez um gesto de saudação militar.
—Às ordens.
Se tivesse podido, Bella a teria fulminado com os olhos. Virando-se, voltou para escritório mal-humorado e fechou a porta com uma pancada.
Bella irrompeu em risadas, enquanto Seth a golpeava na cabeça com uma almofada.
—É um diabo! —falhou. —Mentindo a meu pai e me acusando de algo que não tinha feito!
—Sinto muito, não pude evitar —se desculpou ela entre risadas.— Além disso, foi sua ideia.
—Matará os dois —assegurou Seth parando, com um sorriso malicioso.— Ficará a noite toda acordado pensando em como nos fazer pagar por isso e quando menos esperamos... Bang!
—Que tente — Sorriu Bella tratando de recuperar o fôlego.— Anda, venha, tente outra vez com a escala de sol maior.
Seth, baixou o volume ao mínimo, antes de tentar de novo o exercício.
Por volta das nove, Edward voltou a sair do escritório e apagou uma das luzes da sala.
—Para cama —ordenou.
Bella queria ver um filme que tinham anunciado para mais tarde, mas preferiu não dizer nada. —Boa noite, papai, Boa noite, Bella —disse Seth sorrindo para jovem enquanto subia as escadas.
—Fez os deveres? —perguntou Edward seguindo-o com o olhar.
—Quase —respondeu o menino parando em um degrau.
—Que diabos significa isso «quase»? —exigiu saber seu pai.
—Que os terminarei amanhã na primeira hora -respondeu o menino terminando de subir os degraus de dois em dois antes que pudesse brigar com ele.— Até manhã!
Ouviu-se quando fechava a porta de seu quarto, e Edward voltou-se para Bella com um olhar perigoso.
—Não quero que isto volte a acontecer — disse com aspereza.— Os deveres do Seth são em primeiro lugar. A música pode ser que seja uma coisa muito bonita, mas não vai dar de comer.
«E por que não?», queria ter perguntado ela, «me dá uma bonita soma de ganhos anuais».
—Fique tranquilo, me assegurarei de que tenha feito os deveres antes de lhe dar mais lições de música.
—Assim está melhor —balbuciou Edward. —. Muito bem, vamos para cama.
Bella, fingindo-se escandalizada, levou as mãos ao peito e aspirou ar pela boca, abrindo bem os olhos.
—Juntos? Senhor Cullen!, nunca tinha pensado isto de você! —exclamou.
Edward entreabriu os olhos sem esboçar sequer um sorriso.
—Nevará no inferno antes que eu me meta em uma cama com você — respondeu ele em um tom gélido.— Já te disse que eu não gosto de coisas de segunda mão.
—Pois você é que perde —replicou ela com descaramento, optando pelo humor para conter o impulso de lhe atirar algo na cabeça.— Em meu mundo experiência é algo de muito valor —murmurou passando as mãos pela cintura e os quadris e piscando com deboche. — E eu, sou «muito» perita... — «...no que se refere à música», acrescentou para si.
—Sim, isso salta à vista —disse Edward apertando a mandíbula,— e lhe agradeceria se não expusesse sua visão do mundo diante de meu filho, não quero que ninguém o corrompa.
Se de verdade quiser que se converta em um homem honrando, deveria deixa-lo formar suas próprias opiniões.
—Só tem doze anos.
—Sim, e você não está preparando-o para viver o mundo real —replicou ela.
—«Isto» é o mundo real para ele, não a cidade, onde mulheres como você vão de bar em bar, seduzindo aos homens.
—Ouça, ouça, espere um momento! —protestou ela imediatamente—, eu não vou de bar em bar seduzindo os homens... —esboçou um sorriso travesso.— Na realidade vou de parque em parque, tampada somente com uma gabardina, e abrindo-a cada vez que me encontro com um velhinho.
Edward não achou graça.
—Vamos, para cima —ordenou de novo girando para a escada.
—De acordo, de acordo... seu quarto ou o meu?
Edward virou-se para ela com um olhar furioso em seus olhos verdes. Viu que a jovem estava sorrindo provocadora. Só queria atormenta-lo , sabia. Então... por que se sentia excitado?
Odiava aquelas estúpidas reações automáticas de seu corpo.
—Está bem, está bem, não farei mais brincadeiras... -murmurou Bella, fazendo um gesto apaziguador com as mãos. Podia ver que ele estava chegando ao limite do controle sobre si mesmo, e não se sentia tão valente para pô-lo a prova além dessas barreiras—. boa noite.
E começou a subir as escadas. Edward ficou um instante embaixo, tratando de recuperar o domínio sobre si mesmo, e ao cabo de um momento subiu também.
Bella estava tirando seu pijama da cômoda quando escutou a porta do quarto de Edward batendo. Deixou escapar uma risada incrédula, surpreendida pela criancice, sentou-se na cama com um profundo suspiro. Acabava de saber como tinha que tratar a aquele homem. Enfim, tinha que tentar domar-lhe com filosofia. Em fim, era somente temporário...
Edward estava pensando exatamente o mesmo em seu quarto. Entretanto, quando apagou a luz e fechou os olhos, era incapaz de tira-la da cabeça, de deixar de recordar a sensação de cabelos ruivos lhe roçando o tórax. No meio da noite despertou, suado, e não conseguiu mais voltar a dormir. Aquela foi a pior noite de toda sua vida, e a mais longa também.
Na manhã seguinte, assim que Seth saiu para ir ao colégio, Edward levantou a vista para a Bella, sentada frente dele na mesa, olhando-a fixamente com o cenho franzido.
—Ontem me esqueci de te falar que não quero que volte a tocar nenhuma só de minhas camisas —disse— Se faltam botões, remendos ou passar, Carlisle se encarregará disso, para isso lhe pago.
Bella arqueou as sobrancelhas.
—Não tenho nenhuma doença contagiosa nem nada parecido —falou—, não vou passar nada somente por costura-las.
—Já disse para não toca-las —repetiu Edward com dureza.
—Muito bem, como queira... —suspirou ela encolhendo os ombros—, entreter-me-ei fazendo almofadões de encaixe para sua cama.
Edward soltou uma série de impropérios. Bella ficou observando-o boquiaberta. Nunca o tinha ouvido usar essa tipo de linguagem.
Se bem que ele também parecia sentir-se mal por havê-la usado, já que soltou o garfo, levantando-se da mesa saiu de casa como se o estivessem perseguindo.
Bella se sentiu culpada por havê-lo provocado. Nem sequer tinha terminado o café da manhã... A verdade era que nem sequer sabia por que o fazia. Talvez, pensou, talvez o fizesse para mantê-lo com raiva, ou para que não se desse conta do muito que a atraía.
—Carlisle, vou dar de comer aos bezerros —disse, indo para cozinha.
—Pois proteja-se, senhorita, está nevando outra vez.
A jovem vestiu o casaco, as luvas e o gorro de lã, e encaminhou-se para o estábulo pelo caminho que Edward tinha aberto na neve. Entretanto, quando chegou lá, encontrou-se com ele que estava preparando as mamadeiras.
—Não ligo que me siga para chamar minha atenção —disse a jovem com um sorriso malicioso—. Já me dei conta do quanto você é sexy e atraente.
Edward suspirou, e estava a ponto de dizer algo, quando ela se aproximou e lhe tampou a boca. —Não volte a utilizar essa linguagem comigo —lhe advertiu—. Não se preocupe, não te incomodarei. Ficarei aí, junto a esse poste, te admirando a distância. No momento me parece mais seguro que me atirar sobre você.
Edward parecia estar debatendo-se entre tirá-la dali ou beijá-la. Bella ficou muito quieta, e os olhos sarcásticos do rancheiro desceram para suas bochechas avermelhadas e os lábios entreabertos.
De repente, sem saber muito bem como, Bella se deu conta de que tinha as mãos sobre o tórax de Edward, e de que este a tinha rodeado com seus braços. A jovem mal podia respirar. O rancheiro tomou seu queixo e levantando-o, a obrigou a olhá-lo nos olhos. Havia ira neles e também ressentimento.
—O que é o que queres? —perguntou com frieza.
—Pois... me conformaria com um sorriso, umas palavras amáveis E... não sei, talvez umas risadas —murmurou ela.
Os olhos do Edward voltaram a baixar para seus lábios.
—Está segura disso? —perguntou—, nada mais?
Bella deixou escapar um suspiro tremulo por entre os dentes.
-T... tenho que... alimentar aos bezerros.
Edward entreabriu os olhos ainda mais, e tomou seus braços, apertando seus dedos de modo que ela podia senti-los através do casaco.
-Tome cuidado com o que me oferece —lhe disse em um tom gélido— faz muito tempo que não tenho uma mulher, e um homem pode sentir-se muito sozinho aqui em cima, nas montanhas. Se como diz não é o que eu acredito que seja, será melhor que deixe de me provocar, ou te meterás em problemas.
Bella o olhou nos olhos, compreendendo somente a metade do que ele queria lhe dizer.
Entretanto, pouco a pouco o significado de suas palavras foi impregnando nela, fazendo que suas bochechas ficasse vermelhas e a garganta secasse.
—Isso... soou como uma ameaça —balbuciou.
—É uma ameaça, Bella —respondeu Edward—. Não acredito que queira dar inicio a algo e logo em seguida escapar.
A jovem mordeu o lábio inferior, nervosa. Nunca até então tinha tido medo dele, mas nesse momento, ao ver aquele brilho de advertência nos olhos, temeu estar jogando com fogo.
Edward a soltou-a por fim, pegou as mamadeiras do chão e as estendeu.
—Não precisa se preocupar —murmurou ela, recuperando sua ironia—, não te atacarei pelas costas. Não estou acostumada a atacar os homens.
O rancheiro arqueou uma sobrancelha, mas não sorriu.
—É uma louca temerária —resmungou entre dentes.
-E você um dissimulado sem senso de humor —resmungou ela por sua vez.
Bella tinha jurado que, por um instante, os lábios de Edward se arquearam em um leve sorriso.
—Lhes dê de comer e volta para a casa. Não quero que se perca na neve.
—Estou segura disso —murmurou ela com um doce sorriso. Mas assim que o rancheiro deu a volta e saiu do estábulo lhe mostrou a língua.
Ajoelhou-se junto aos bezerros, ainda agitada por aquela confrontação com Edward. Era um verdadeiro enigma. De qualquer forma era óbvio que não ria muito.
O bezerro mais pequeno não estava respondendo tão bem como tinha parecido no princípio.
Acariciou-o com ternura e insistiu para que ele chupasse a mamadeira, mas ele o fez sem muito entusiasmo. Bella soltou um suspiro de desesperança. Não tinha um bom aspecto. Pelo restante do dia ficou preocupada com ele. Tanto, que quando Edward desligou o televisor às nove não protestou, e foi direito para cama.
