Boa tarde pra vcs!!! Mais um capítulo pra vcs apreciarem! Eu gosto especialmente desse capítulo, apesar de querer matar o Edward em certos momentos, mas depois vai haver uma "trégua" entre os dois... Alerta de spoilers! Comentem!!!

Boa Leitura!!!

Capítulo 4

Bella esteve calada durante todo café da manhã na manhã seguinte. Estava preocupada com o bezerro, e não se atrevia a levantar a vista de seu prato e de sua xícara, já que o rancheiro estava observando-a com o mesmo ar perspicaz e irritado de sempre, como se o incomodasse sua presença. A verdade era que ela sozinha o tinha procurado, perturbando-o como o tinha perturbado durante os últimos dias... O problema era que se sentia atraída por ele, e quanto mais o conhecia, mais gostava. Era tão diferente dos homens superficiais e materialistas de seu próprio mundo! Certo que era muito cabeçudo e brusco, mas era inegável que tinha também grandes qualidade que se refletiam em seu dia a dia. Vivia de acordo com um rígido código de ética, e coisas como a honra significavam muito para ele. Além disso, no fundo era um homem sensível e carinhoso. Não, Bella não se arrependia daqueles sentimentos que estavam surgindo em seu interior por ele, e, de fato, queria mais, mas se preocupava por ter começado com pé esquerdo.

Ao levantar-se da cama aquela manhã tinha decidido que ia tentar aproximar-se dele, e estava segura de que poderia conseguir, desde que aceitasse como ele era na realidade.

Apesar de que Edward grunhiu e se zangou quando a viu fazendo tarefas domésticas, ela não se intimidou. Estava convencida de que ele ficava de mau humor porque se sentia atraído por ela, e não queria admiti-lo. A verdade era que não se comportava como um homem experiente, apesar de já ter sido casado, e a olhava com uma intensidade inusitada. Se pudesse com certeza ele tiraria fora seus sentimentos...

Um pouco mais tarde foi dar de comer aos bezerros, e a preocupou ainda mais ver que o mais pequeno respondeu ainda pior que no dia anterior a suas tentativas de alimentá-lo.

Quando Seth chegou em casa, disse-lhe que até que não tivesse terminado os deveres, não teria lições de música. O menino lançou um breve olhar a seu pai com a extremidade do olho, sabendo que era coisa dele, mas dirigiu um sorriso resignado a jovem e subiu a seu quarto.

Carlisle tinha saído para buscar mais lenha, e Bella ficou na sala com Edward vendo um telejornal. Como sempre, pensou o rancheiro, todas as notícias eram más: acidente, assassinatos, terrorismo, greves... Apagou o cigarro irritado.

—Não sente falta da cidade? —perguntou- de repente para Bella, que estava sentada no sofá em frente à poltrona que ele ocupava.

—Bom —respondeu ela com um sorriso, levantando-se—, sinto falta do burburinho e dos meus amigos, mas aqui é muito agradável — aproximou lentamente da poltrona de Edward, notando como este a olhava, como se fosse saltar sobre ele.

— Espero que não se incomode... em que eu fique aqui, quero dizer.

O rancheiro a olhou por um momento nos olhos antes de afastar a vista.

—Suponho que poderia dizer que me estou acostumando — disse com tensão—, mas não se acomode muito.

—Sinto que se incomoda por eu estar aqui, verdade? —perguntou Bella.

—Não, o que passa é que eu não gosto das mulheres —resmungou ele com um bufo irritado. —Isso eu já sei —disse ela sentando-se no braço da poltrona de Edward—, mas não porquê.

O corpo de Edward ficou rígido ante a proximidade de Bella. Cheirava tão bem... mexeu-se incômodo na poltrona.

—Não é problema seu —falou—. Faz o favor de voltar para sofá.

Agora sabia que o deixava nervoso!, pensou Bella com satisfação. Sorriu docemente ao mesmo tempo que se inclinava para ele.

— Tem certeza que é isso o que quer? —perguntou-lhe em um sussurro.

E, de repente, sem mesmo dar conta do que estava fazendo, mandou a prudência para o espaço e deslizou sobre seu colo, apertando avidamente seus lábios contra os dele.

Edward ficou muito tenso por um momento, inclusive deu um pulo, e a agarrou pelos antebraços da poltrona com tal força, que quase a quebrou, mas no momento seguinte, durante um comprido e doce minuto, respondeu ao beijo e gemeu profundamente, como se todos seus sonhos tivessem virado realidade de repente.

Entretanto, assim que se deu conta do que estava fazendo, rompeu como o feitiço, ficando de pé furioso, fazendo com que a jovem caísse no chão.

—Maldita seja —resmungou com veneno na voz. Tinha os punhos apertados junto ao corpo, e todo seu corpo parecia vibrar de ira —, sua pequena vagabunda!

Bella estava tremendo, assustada pela violência que se refletia em seu rosto tenso e nos verdes olhos flamejantes.

—Eu não sou...

—Não pode viver sem sexo durante uns poucos dias, é por isso que está tão desesperada para tentar me seduzir? —falou, olhando-a com desprezo— Já havia te dito que comigo não funcionará. Não quero o que qualquer homem pode ter. Não quero nada de você, e menos esse corpo que já passou de mão em mão.

Bella ficou de pé, as pernas tremendo. Não podia articular uma palavra. Seu pai ficava exatamente igual quando bebia: o rosto avermelhado, os músculos tensos, totalmente fora de controle... e terminava lhe batendo. Deu uns passos para atrás, para se afastar de Edward, e quando ele fez um gesto de ir ao seu encontro, deu meia volta e rapidamente saiu correndo do salão. Edward tinha ficado de pé, ali plantado, totalmente confuso por sua reação. por que tinha se assustado? Apenas havia dito a verdade. Talvez não gostasse de ter que ouvi-la, mas era a verdade.

Voltou a sentar-se.

—Onde Bella vai? — perguntou Seth descendo de repente a escada.

—O que? —perguntou Edward arqueando uma sobrancelha.

—Onde Bella vai com tanta pressa? —repetiu o menino—. A vi pela janela, afastando-se no em meio da neve. Disse-lhe das armadilhas do Volturi? ...porque vai exatamente naquela direção, e se... papai!, onde vai?

Edward tinha ficado de pé e se dirigia já para porta. Foi colocar com toda pressa a jaqueta e o chapéu, o rosto lívido, e uma mescla de ira e temor nos olhos.

—Acredito que estava chorando —murmurou Seth seguindo-o ao vestíbulo.

—Fique aqui —lhe ordenou seu pai saindo da casa.

Seguiu o caminho que o corpo de Bella tinha aberto na neve ao passar. Não conseguia vê-la com toda essa neve. Deus!, como podia ter feito uma loucura dessa? As armadilhas do Volturi estavam enterradas profundamente na neve, e não haveria como vela-las até que estivesse em cima delas E... Não queria nem pensar. Era todo culpa dele, por havê-la ferido como tinha feito.

Uns metros mais adiante, já no bosque, Bella amaldiçoava Edward em silêncio enquanto avançava contra a tempestade de neve, as lágrimas lhe rodando pelas bochechas. Oxalá o devorassem os lobos, pensou, ou que seu cavalo empinasse e o atirasse ao chão. Tinha sido apenas um beijo! por que tinha que reagir assim? Além disso, durante uns instantes tinha respondido...

Maldito Edward Cullen! Ela somente tinha tentando mostrar-se amistosa com ele, mas a havia interpretando mal. Estava certa de que a odiava, tinha-o visto em seus olhos, quando a tinha chamado «pequena vagabunda».

Deteve-se um momento para recuperar o fôlego e seguiu em diante. A cabana não devia estar muito longe. Ficaria lá, se bem que iria morrer de frio. Mas era preferível a ter que passar um segundo a mais sob o mesmo teto que aquele homem abominável.

—Bella!_ A jovem parou. Parecido que tinha ouvido chamar seu nome, mas era impossível, devia ter sido o vento... Continuou avançando. Distinguiu uma cabana ao longe, mas não era a do senhor Denali.

—Bella!

Era um grito, e parecia a voz de Edward. Virou a cabeça para olhar por cima do ombro e o viu.

—Me deixe em paz!, Vai embora ! —gritou—, volte para sua casa!

E continuou em diante, empurrando a neve com todas suas forças. Entretanto, Edward tinha vantagem sobre ela, já que avançava pelo caminho que ela ia abrindo, e logo lhe alcançou, agarrando-a pela cintura. Bella esperneou, mas Edward era mais forte e ela não teve outro remedeio senão render-se.

— Te odeio! —resmungou, com os dentes batendo de frio—. Te odeio!

—Odiaria-me mais ainda se não tivesse lhe detido —lhe assegurou Edward esforçando-se para recuperar o fôlego, _é a cabana do Volturi. E tem armadilhas para ursos por todo o lugar. Se tivesse dado mais uns passos estaria agora presa em alguma delas. Nem sequer as veria com esta neve toda.

—E por acaso teria importado? —perguntou ela—. Sei que não me quer perto de você, e não vou ficar mais tempo em sua casa. Prefiro me arriscar na neve e ficar na cabana.

— Nem pensar —disse ele fazendo-a girar e sacudindo-a.

— Vai voltar comigo, nem que eu tenha que leva-la arrastada !

A jovem estremeceu. Aqueles ataques violentos de Edward a assustavam, porque recordavam seu pai. O lábio inferior tremia, e tratou novamente de escapar.

—Deixe ir... —gemeu.

Edward franziu o cenho ao ver que Bella estava branca como um lençol. Por fim se deu conta do que acontecia e a soltou. A jovem deu um vacilante passo atrás para afastar-se dele, e ficou olhando-o com os olhos muito abertos, como um cervo assustado.

—Seu pai te batia? —perguntou Edward com voz fraca.

Bella estremeceu.

—Só quando bebia —murmurou—. Claro que isso era quase todos os dias —acrescentou com amargura.

Edward inspirou devagar e abaixou a cabeça envergonhado.

—Sinto — disse—, sinto de verdade, Bella. Sou um homem um pouco brusco —se desculpou—, mas nunca te bateria, se era isso o que estava pensando. Apenas um covarde levantaria a mão para uma mulher — disse com firmeza.

Bella se abraçou com os braços, e ficou ali em silêncio, olhando o chão e tremendo de frio.

—Anda, vamos para casa ou se congelará —murmurou ele.

Aquele repentino ar indefeso o tinha desarmado por completo. Sentia ao mesmo tempo culpa e desejos de protegê-la. Queria abraçá-la e embalá-la contra si, lhe dizer que tudo estava bem, mas quando fez um gesto de dar um passo para ela, viu que Bella retrocedia. Até esse momento nunca tinha imaginado o quanto poderia lhe doer seu desprezo, confirmando com isso o que sentia por ela.

Ficou quieto e levantou as mãos em atitude tranquilizadora.

— Não vou tocar lhe —prometeu.

— Vamos, querida, você vai na frente se quiser.

Bella sentiu que os olhos se enchiam de lágrimas. «Querida...» Era a primeira vez que utilizava uma palavra agradável para com ela, e aquilo a comoveu profundamente. Entretanto, pensou, não devia enganar-se. Se a estava tratando com tanto tato era apenas porque se sentia culpado. Deixou escapar um suspiro, e passou do seu lado, retornando o caminho.

Edward a seguiu, dando graças a Deus em silêncio por ela não ter se afastado demais e não ter tropeçado nas armadilhas do velho Volturi. Entretanto, havia algo que o tinha deixado muito preocupado: a tinha assustado, tinha feito com que sentisse medo.

Quando chegaram em casa, Carlisle e Seth olharam primeiro o rosto de Bella e logo o de Edward, e souberam imediatamente que era melhor não fazer perguntas.

Durante o jantar, a jovem esteve sentada na cadeira como uma estátua. Nem sequer falou quando Seth tentou fazê-la entrar na conversa, e depois se acomodou no sofá da sala toda encolhida em frente a televisão

Edward não podia imaginar as terríveis lembranças que tinha feito aflorar em sua memória, como havia tornado a sentir o medo que a tinha atormentado durante toda sua infância. Seu pai era um homem alto e corpulento, e sempre ficava violento quando bebia. Depois, quando voltava a ficar sóbrio dizia sempre que estava arrependido, e chorava ao ver os vergões e feridas que tinha feito nela, mas ao cabo de alguns dias voltava a ocorrer o mesmo. Não podia suportá-lo mais, e por isso quando teve idade suficiente fugiu.

Aquela noite, Seth, prudentemente, não lhe pediu que seguissem com as lições de música, e meia hora antes da que acostumavam deitar-se disse que estava cansado e subiu para seu quarto.

Carlisle o seguiu em seguida.

Edward estava sentado em sua poltrona, absorto, fumando um cigarro, mas levantou o rosto quando viu que ela se levantava e se dirigia às escadas.

—Espere — disse—, não vá ainda. Temos que conversar.

— Não temos nada do que falar —murmurou ela.

— Sinto muito pelo que fiz esta tarde. Foi algo estúpido e impulsivo, mas lhe dou minha palavra de que não voltará a ocorrer. Talvez dentro de pouco deixe de nevar, e a neve derreta.

Se pode me aguentar enquanto isso... depois não voltará a ver-me novamente.

Edward deixou escapar um suspiro exasperado.

—É isso o que pensa que quero? —perguntou estudando seu rosto.

— Por acaso posso acreditar outra coisa, pela forma como me tratou desde que cheguei?

-Tenho razões que você não conhece para desconfiar das mulheres, Bella—disse Edward.

Cada vez que a olhava revivia o beijo, e isso o torturava.

— O que quero saber, é por que pensou que ia te bater?.

Bella baixou a vista.

—Pois... porque é grande e forte, como meu pai —murmurou—. E por que quando perdia as estribeiras me batia.

—Mas eu não sou ele —falou Edward.

—Além disso, não saiu por aí batendo nas pessoas, nem sequer quando perco as estribeiras, como você diz. Bom, uma vez dei dava um murro em um tipo no bar, mas ele merecia. E jamais levantei a mão contra a mãe do Seth, embora sendo sincero, juro que muitas vezes me senti tentado a fazê-lo... nem sequer quando me disse que estava grávida do Seth.

—E por que teria que bate-la? —perguntou ela.

—É seu filho..._ Edward deixou escapar uma risada amarga.

—Não, não o é.

Bella ficou olhando-o boquiaberta.

—Seth... não é seu filho? —repetiu pausadamente.

Ele meneou a cabeça.

—Sua mãe tinha uma aventura com um homem casado e os descobriram —explicou.

— Eu tinha vinte e dois anos e estava ainda muito verde. Não sabia nada da vida, e é obvio não tinha nem ideia daquilo. Ela me seduziu para que eu lhe pedisse que se casasse comigo e não ser mãe solteira. Era muito bonita, e logo estava comendo em sua mão. Casamo-nos e, justo depois da cerimônia, disse-me o que tinha feito, lembrando-me de quão ingênuo tinha sido, e de quão torpe era; disse-me inclusive que lhe repugnava, que cada vez que tinha me beijado tinha tido que conter as náuseas, e que não suportava a ideia de fazer o amor comigo. Falou-me do pai de Seth, e de quanto o amava. Eu estava furioso, mas como ela apontou, se eu contasse às pessoas a verdade, acabaria como o bobo de toda região. Naquela época eu tinha um orgulho de mil demônios, pior ainda que agora, e não podia suportar a ideia de que todo mundo risse de mim. Assim não tive remedeio a ser seguir com o casamento... até que Seth nasceu, porque, tendo nascido o bebê, fugiu com seu amante. Para desgraça deles, tiveram um acidente na autoestrada e morreram os dois.

—E Seth sabe que não é seu pai? —perguntou Bella olhando para a escada e baixando a voz.

—É obvio que sabe —respondeu Edward.— Eu jamais lhe mentiria, mas cuidei dele desde que era um bebê, assim para mim é como se fosse verdadeiramente meu filho. Amo-o com toda minha alma.

A jovem escrutinou seu rosto, lendo em seus olhos o que devia ter sofrido.

—Você a amava?

—Não era mais que um amor juvenil — falou ele—. Sempre fui muito tímido e torpe com as garotas, e quando ela apareceu e começou a me dar um pouco de atenção... Não sei, acho que me sentia tão solitário que me agarrei a ela como a uma tábua de salvação -acrescentou encolhendo os ombros—. Mas aprendi a lição, e não voltarei a deixar que outra mulher jogue comigo.

Então Bella compreendeu:

—Isso é o que pensou esta tarde quando te beijei, que estava jogando contigo... —murmurou— Sinto, não imaginei que...

—Por que o fez, Bella?, por que me beijou?

A jovem ruborizou ligeiramente ao recordá-lo. Por Deus! não era tão atirada.

—Acreditarias se dissesse porque o desejava? — perguntou com um leve sorriso—. É um homem muito atraente, e há algo em você que me faz tremer os joelhos cada vez que me olha. Mas não tem que preocupar-se, não voltarei a te beijar. Boa noite, Edward. E tampouco tem que preocupar-se por que eu vá espalhar o que me contou. Não sou uma fofoqueira, e detesto fofocas.

Virando-se para as escadas começou a subir. Os olhos verdes de Edward a seguiram fascinados.

Tinha um porte tão elegante, tão cheio de graça e de orgulho... Nesse momento lamentou tê-la tratado com tanta brutalidade. Tinha estado tão obcecado com a ideia de que ia lhe preparar alguma armadilha, para aproveitar-se dele, que tinha sido incapaz de pensar sequer que pudesse acha-lo atraente.

Equivocou-se totalmente e a tinha ferido. Oxalá pudesse voltar atrás, pensou. Bella era tão diferente das outras mulheres que tinha conhecido... Inclusive parecia ignorar quão formosa era. Seria verdade que se sentia atraída por ele?

No andar de acima, Bella estava estirada na cama, chorando. Tinha sido um dia horrível, e odiava Edward pelo modo como a tinha tratado. Entretanto, de repente recordou o que lhe tinha contado: não tinha feito amor com sua esposa. E pelo que havia dito, era muito provável que tampouco tivesse saído com muitas garotas antes de se casar. Bella franziu o cenho, recordando como ele ficava tenso cada vez que ela se aproximava. Seria possível que não tivesse nenhuma experiência?

Na manhã seguinte, Bella estava ajudando Carlisle na cozinha quando Edward desceu as escadas. Tinha tido um sonho erótico e selvagem, e despertou suando e amaldiçoando, um sonho em que ela aparecia, com o cabelo solto caindo pelas costas nua enquanto faziam amor. Tinha sido tão real que, quando entrou na cozinha e a olhou, pôde imaginar com toda certeza os rosados seios debaixo do suéter branco de ponto que vestia. Edward quase gemeu quando seus olhos observaram encantados, por um instante, o subir e descer do peito da jovem.

Bella o olhou, ruborizando-se, antes de baixar a vista e voltar a concentrar-se nas bolachas que estava colocando sobre uma bandeja no forno.

—Quem diria. —murmurou Edward com um ligeiro sarcasmo—. Também sabe fazer bolachas...

— Carlisle me ensinou —o corrigiu Bella, lançando um olhar furtivo antes de colocar a bandeja no forno.

Edward franziu o cenho, perguntando o porquê desse repentino acanhamento, até que se deu conta do que era: normalmente estava acostumado a usar a camisa abotoada até o pescoço, mas, naquela manhã, suando como tinha suado durante a noite, a tinha deixado aberta até o peito.

Franziu os lábios e ficou olhando a jovem pensativo. Seria possível que a perturbasse tanto como ela o perturbava? Estava decidido a averiguá-lo antes de que ela se fosse do rancho, nem que seja para salvar seu prejudicado ego.

Carlisle subiu para arrumar a cama, deixando-os sozinhos.

—Como estava o pequeno bezerro ontem? —perguntou Edward.

—Não muito bem —respondeu ela com um suspiro—. Talvez esteja melhor esta manhã.

—Irei dar uma olhada depois de tomar o café da manhã — disse Edward, aproximando-se da janela e admirando a paisagem cheia da neve.

— Estou certo, de que não irá tentar retornar à cabana outra vez, certo? Como lhe disse, poderia ser apanhada em uma das armadilhas do Volturi.

Parecia preocupado, pensou Bella estudando seu rosto em silêncio. Aquilo era uma mudança agradável pra variar... a menos que houvesse dito apenas porque se preocupava que se ferisse e tivesse que tê-la ali alguns dias a mais.

—Será que irá parar de nevar? —suspirou exasperada.

—Vi nevascas piores.

—Que consolo! —exclamou ela sarcástica. Edward vestiu a jaqueta e o chapéu de caubói.

—Estamos de mau humor esta manhã, não?

A jovem o olhou incômoda e se apoiou na mesa.

—Não estou de mau humor. As «pequenas vagabundas» nunca ficam de mau humor.

Edward arqueou uma sobrancelha.

-Sei que não deveria ter te chamado disso —disse percorrendo seu corpo com o olhar—, mas você tampouco deveria me beijar desse modo. Não estou acostumado às mulheres agressivas.

Mulheres agressivas? Bella deixou escapar uma gargalhada irônica. _Fique tranquilo, senhor puritano, não voltarei a atacá-lo.

Edward seu uma risada branda, com certo sarcasmo.

—Nossa, que desilusão...

Bella não podia acreditar que estivesse se comportando de um modo tão arrogante depois de como a tinha tratado.

—Foi muito grosseiro e brusco comigo —lhe falou.

—Suponho que sim —murmurou ele. A intensidade de seu olhar fez com que Bella sentisse um comichão por toda a espinho dorsal—, mas é que acreditei que estava jogando comigo. Deve ter pensado: «vou me divertir um pouco as custas deste trouxa».

-Eu jamais brincaria assim com os sentimentos de um homem —lhe assegurou Bella, _e jamais falaria que você é um trouxa. Acredito que é um homem muito másculo, trabalhador, e de muita responsabilidade.

Edward esboçou um leve sorriso.

—Bom, nesse caso, talvez devêssemos dar uma trégua.

—Você seria capaz de me tratar com amabilidade vinte e quatro horas? —perguntou ela amargamente.

— Não sou um homem mau, apenas não sei nada das mulheres —respondeu Edward.

— Não tinha percebido? —perguntou ao perceber seu assombro.

—Não —respondeu ela olhando-o aos olhos.

—Um dia destes teremos um longo bate-papo a respeito disso —disse Edward baixando o chapéu até os olhos.

— Vou ver os bezerros.

Bella o observou sair pela porta, com o coração pulsando a toda velocidade. Cada dia que passava se sentia mais nervosa e tímida em sua presença.