Oiiieeee!!! Mais um capítulo saindo do forno! E este está bemm tenso...

Boa Leitura!!!

Capítulo 8

Os dias seguintes passaram voando. A neve tinha começado a derreter, e o céu tinha ficado limpo graças ao tão esperado chinook. E chegou a noite do concerto. Bella vestiu um sensual vestido de couro cor nata com um jogo de botas, e deixou solto o cabelo, que lhe caía em suaves ondas sobre os ombros, esparramando-se por suas costas. Não tinha sido capaz de dizer a verdade a Edward, assim, reunia coragem suficiente para subir ao palco com o grupo, ficaria sabendo aquela noite. Talvez não fosse a melhor maneira, mas... seria menos difícil que tentar explicar-lhe Inspirou profundamente e desceu as escadas.

Minutos depois estava sentada com Seth e Edward em uma das mesas do auditório onde ia acontecer o concerto. Seth parecia tenso, e Edward não parecia o mesmo desde que a tinha visto descer as escadas vestida daquele jeito. Não tinha feito nenhum comentário, mas a jovem o notava ausente.

Bella se perguntou com temor se depois daquela noite as coisas mudaram para sempre, se voltaria a ficar com ele no divã de seu escritório, intoxicada por seus doces beijos enquanto o fogo crepitava na chaminé. «OH, Edward...», pensou, «quero-te tanto...»

Seth parecia incômodo em seu traje azul, e começou a estirar o pescoço e a olhar ao redor, procurando com o olhar o resto dos componentes de Twilight.

—Que procuras, filho? —perguntou Edward.

Seth se mexeu incomodado em seu assento.

—Um... estava olhando para ver se via por aqui alguém conhecido —improvisou.

—Alguém conhecido... —repetiu seu pai estalando a língua.— Gente da alta... Não deixe que lhe impressionem, não são mais que lentejoulas. Não pertencem a nosso mundo, Seth.

Isso era o que ele pensava, pensou Bella, sentindo como se sue estômago estivesse cheio de chumbo.

—Tem as mãos geladas —murmurou Edward olhando-a preocupado.— Se encontra bem, querida?

Aquela palavra fez que uma tímida onda de calor a invadisse, e esboçou um leve sorriso. Não tinha que perder a esperança.

—Estou bem —lhe assegurou apertando a mão.— Edward, eu... Mas não pôde terminar a frase, porque o espetáculo já tinha começado. Abriu o concerto uma cantora da comunidade, com uma velha balada country, muito aplaudida pelos pressente. O apresentador voltou para o palco enquanto a mulher se retirava. Bella esperava que apresentasse a próxima atração, e ela jamais poderia imaginar que lhe esperava.

—Damas e cavalheiros, imagino que todos conhecem o gênio e o talento dos componentes de um grupo que não necessita apresentação: Twilight — houve uma enorme ovação no auditório com entusiasmados assobios dos mais jovens do público. O apresentador, com seu imperturbável sorriso, teve que esperar que se acalmassem para continuar.— Ganharam inúmeros prêmios, e o ano passado obtiveram um Grammy pelo Changes in the Wind. Entretanto, sua fama não é a razão pela que queremos honrá-los esta noite —Bella se sentiu como se de repente lhe tivessem aberto um buraco no estômago. Para sua surpresa, uma moça se aproximou do palco para entregar ao apresentador uma placa. — Como certamente alguns recordarão, faz mais de um mês, uma adolescente morreu em um concerto do grupo, e a cantora, deixando de lado sua própria segurança desceu do palco para tentar salvá-la. Por esse trágico incidente, o grupo suspendeu a excursão que estava fazendo e se retiram dos palcos por algum tempo. Orgulha-nos lhes anunciar que esta noite estarão de volta conosco, e em sua melhor forma. Esta placa é um reconhecimento de todas as pessoas que organizaram e que participam deste evento à valentia e generosidade desta jovem cantora —olhou em direção ao público—. Bells Swan, quer subir aqui e se unir ao seu grupo?

Bella tinha ficado paralisada. Não tinha esperado nada semelhante, mas ao que parece os meninos deviam sabê-lo, porque tinham entrado no palco e estavam sorridentes junto ao apresentador.

A jovem olhou Seth, que a estava observando com adoração, e depois se voltou para Edward.

Este estava olhando ao redor, esperando ver levantar-se a cantora que o apresentador estava falando. Porque o nome com o que Bella se apresentou no dia que se conheceram, não tinha sido precisamente o artístico.

A jovem disse um «até agora» em voz muito fraca, e o escutou balbuciar um quê?» sentido saudades enquanto ficava de pé e se dirigia para o palco. sentiu-se incapaz de olhar para atrás, mas quase podia sentir o olhar furioso do rancheiro em suas costas, e logo seus pensamentos se viram afogados pelos aplausos ensurdecedores do público.

—Obrigada —murmurou enquanto tomava a placa das mãos do apresentador.

Tomou o microfone que o homem lhe tendia e se colocou entre o Jared e Paul para falar.

O rosto de Edward parecia debater-se entre a ira e o mais absoluto assombro. —Muito obrigado a todos. Para mim estas últimas semanas foram muito duras, mas agora estou bem. Quero mandar daqui todo meu apoio aos pais de Bree aquela garota —murmurou com a voz quebrada pela emoção. O público aplaudiu de novo, e a moça retornou para levar o microfone e a placa para que pudessem ocupar seus lugares no palco.

Antes de ficar em frente ao microfone, Bella sussurrou algo ao Sam e este comunicou aos outros, que assentiram com a cabeça.

—Queria dedicar esta canção —disse a jovem_ a um homem e a um menino muito especiais, com todo meu amor.

O bateria marcou o ritmo de uma de suas baladas mais conhecidos, Lave Singer. Era uma canção que chegava ao coração, sobre tudo quando era interpretada pela voz única e inigualável

de Bella. A jovem pôs toda sua alma em cada palavra, lhes imprimindo sentimento, mas Edward não parecia estar escutando-a, porque ao término de um momento se levantou e fez com que Seth se levantasse também, arrastando-o para fora do auditório.

Bella não soube como pôde terminar a canção. Depois de deixar as últimas notas flutuar no ar, todos os pressente ficaram de pé, aclamando-os com uma fechada ovação. A pedido do público tiveram que fazer um bis e, e como temeu Bella, quando saíram do edifício, não havia rastro da caminhonete de Edward. Por que tinha tentado se enganar, pensando que ao menos esperaria para lhe pedir explicações? pensou a jovem com amargura. Edward tinha expresso claramente o que sentia quando se levantou e partiu sem olhar atrás.

—Temo que terei que buscar algum lugar onde me alojar antes de voltar para a cidade —disse aos meninos esboçando um sorriso triste.

—Não a esperou, né? —perguntou Sam.— Sinto, neném. Temos uma suíte enorme no hotel. Pode ficar conosco se quiser. Amanhã irei ao rancho e recolherei suas coisas.

—Obrigado, Sam —murmurou ela. Inspirou profundamente e apertou a placa contra seu peito.— Onde será a próxima atuação?

—Essa é minha garota —disse o homem rodeando-a com o braço.

—São Francisco será nossa próxima parada — explicou Jared.

—Já temos o hotel reservado, e amanhã tomaremos um ônibus —interveio Paul.

A jovem esboçou um sorriso virando-se para Sam, que contraiu o rosto.

—Sim, bom, já sabe que tenho pânico de aviões.

—Medroso — falou Bella.— Pois sou eu que não tenho intenção de passar o dia todo em um ônibus. Tomarei o primeiro voo e me reunirei com vocês no hotel.

—Como queira —disse ele encolhendo os ombros— Vamos todos tomar algo para celebrar nossa volta aos palcos?

Bella não dormiu bem essa noite, e pela manhã viu o Sam partir para o rancho de Edward.

Voltou mais de uma hora depois.

—Pôde recolher minhas coisas? —perguntou Bella quando ele entrou na suíte.

—Sim, a mala que deixou na cabana do Denali, e a que tinha levado ao rancho. Deixei-as na recepção, subirão com elas agora —respondeu o grandalhão.— O menino te manda uma nota —disse estendendo-lhe.

—E Edward? —perguntou a jovem insegura.

—Não estava lá. Vi apenas o menino e o velho —respondeu Sam. Ao ver a expressão triste no rosto de Bella, disse: _não dê mais voltas. Certamente não teria se saído bem. Você nasceu para estar sob os focos, neném, para brilhar.

—Você acha? —replicou ela desanimada.

De algum modo, embora parecesse uma loucura, todos esses dias tinha tido a impressão de que poderia se encaixar facilmente no mundo do rancheiro. Deixou-se cair no sofá e desdobrou a nota de Seth:

" Bella, esteve genial. Sinto não ter podido ficar e escutar até o final. Papai não abriu a boca durante todo o caminho para casa, e ontem à noite se trancou em seu escritório e não saiu até esta manhã. Disse que ia caçar, mas não levava o rifle.

Espero que esteja bem, me escreva quando puder.

Beijos, Seth."

A jovem teve que morder o lábio inferior para não chorar. «Querido Seth...». Pelo menos ele ainda se importava com ela. Entretanto, tinha caído em desgraça aos olhos de Edward, e estava segura de que era algo definitivo. Nunca a perdoaria por havê-lo enganado. Não sabia o que fazer. Era incapaz de recordar um só momento em toda sua vida em que se houvesse se sentido tão desgraçada. O grupo passou o resto do dia tratando dos detalhes da atuação em São Francisco com o Jacob, seu agente, e reservaram o bilhete de avião para Bella na primeira hora do dia seguinte.

A jovem se retirou cedo para a suíte para tentar ligar para o rancho antes que os meninos subissem.

Tinha que tentar uma última vez, disse a si mesma. Talvez se Edward a deixasse explicar-se... discou o número. O telefone deu um toque, outro, outro... a jovem conteve o fôlego.

—Cullen —respondeu uma voz profunda e cansada.

O coração de Bella saltou dentro de seu peito.

-Edward! —exclamou—, Edward, por favor, me deixe explicar...

—Não necessito de nenhuma explicação. Bella. Mentiu-me, fez-me acreditar que era uma garota tímida que tocava acompanhamentos com seu teclado. Riu que mim.

—Isso não é verdade, Edward, eu...

-Tudo foi uma grande mentira, nada mais que uma suja mentira! Bem, pois retorne ao seu público, senhorita Swan e siga gravando discos ou álbuns ou como diabos queira que os chamem. Nunca te quis, exceto em minha cama, assim não é uma grande perda para mim —mentiu. Mas Bella não podia ver a agonia em seus olhos nem seu rosto contraído.

Edward seguia amando-a, e embora no princípio tenha se zangado porque não lhe disse a verdade, com as horas o aborrecimento tinha passado, ficando em seu lugar a convicção de que uma artista de êxito internacional, uma mulher com tanto talento, não podia ser feliz a seu lado.

Não tinha nada a lhe oferecer, nada que pudesse substituir a fama e o mundo a seus pés. Nunca até esse momento havia se sentido tão inferior, tão comum. Vê-la sobre aquele palco tinha sido como um horrível pesadelo, um pesadelo que tinha posto Bella fora de seu alcance para sempre.

—Edward... —murmurou a jovem espantada—, Edward, não pode estar falando sério...

—Estou falando muito sério —disse ele sentindo um nó insuportável na garganta. Fechou os olhos.— Não volte a ligar, não venha aqui, não nos escreva. É uma má influência para Seth — e desligou o telefone sem dizer outra palavra, banhado em suor, tampou o rosto com as mãos, horrorizado pelo que acabava de fazer. Bella tinha ficado paralisada olhando o telefone. Devagar, muito devagar, colocou-o de volta em seu lugar, ao mesmo tempo que as lágrimas escapavam de seus olhos.

Como uma autônoma, vestiu a camisola, meteu-se na cama e apagou a luz da mesinha. Na escuridão, as cruéis palavras de Edward martelavam em seu cérebro. A jovem girou e afundou o rosto no travesseiro. Não sabia como poderia seguir vivendo com o desprezo de Edward, do único homem que tinha amado. Odiava-a, acreditava que tinha estado jogando com ele, divertindo-se a suas custas. As lágrimas queimavam seus olhos. Como um famoso vaso que alguém tivesse atirado ao chão, com a mesma brutalidade tinha acabado seu sonho e, ao igual ao vaso tinha ficado em pedacinhos, do mesmo modo seria impossível reconstruir esse sonho.

Talvez Sam tivesse razão, talvez fosse melhor assim... Nem ela mesma podia acreditar. «Dá igual o que se cria», pensou. Teria que aprender a pensar assim. Tinha trabalhado muito para chegar onde tinha chegado, tinha tido que superar a si mesma, e não podia atirar tudo pela janela. Além disso, devia a seus fãs, que a tinham apoiado desde o começo.

Apesar de sua firme decisão de não se deixar levar pela tristeza, quando se levantou na manhã seguinte, para Bella pareceu que era o fim do mundo. Os meninos desceram com suabagagem, sem fazer nenhum comentário a respeito de seus olhos inchados, o rosto pálido e sem maquiagem, o cabelo preso de um modo descuidado. Tinha um aspecto terrível, sabia, mas não se importava.

Os meninos se despediram dela desejando boa viagem e se apressaram para não perder o ônibus. Em poucos minutos chegou o táxi que tinha pedido para o recepcionista, e um dos porteiros a ajudou com as malas.

Quando chegou ao aeroporto encaminhou as malas, e entrou sonâmbula no avião, seguindo outros passageiros. Uma aeromoça a conduziu a seu assento, onde se deixou cair cansada, e colocou o cinto de segurança.

Ouviu desanimada a demonstração e indicações da outra aeromoça sobre casos de emergência e choque, e ao final o piloto anunciou que em seguida voariam. Bella se despediu em silêncio de Edward, de Seth, e de Carlisle, sabendo que não voltaria a vê-los. Contraiu o rosto ante aquele pensamento. «por que, Edward?», gemeu, «por que não quis me escutar?»

O aparelho deslizou pela pista, e levantou voo. Para Bella pareceu que tinha sido uma decolagem lenta e torpe, mas sacudiu a cabeça: estava começando a parecer Sam...

Tratou de entreter-se olhando pela janela, mas a vista das montanhas nevadas fazia com que voltasse a pensar em Edward. E... de repente uns gemidos do banco de trás a sobressaltaram.

Voltou-se e viu que se tratava de um homem de uns sessenta anos, bastante obeso, com uma mão no peito, e suando abundantemente

— Meu deus!, acredito que está tendo um ataque do coração —disse alarmado o executivo sentado a seu lado.— O que podemos fazer?

—Me deixe tentar, sei como fazer uma massagem cardíaca —disse desabotoando o cinto e levantando-se.— Você vá chamar uma das aeromoças.

O executivo desabotoou também o cinto de segurança e se levantou, mas mal deu uns passos pelo corredor, quando o piloto gritou muito agitado pelos alto-falantes que adotassem a posição de choque. Bella ficou paralisada, não podia mover-se, e antes de que pudesse reagir, pôde sentir como a força da gravidade aumentava à medida que o avião caía. Perdeu o equilíbrio e, antes de cair ao chão inconsciente, seu último pensamento foi que não voltaria a ver Edward.

Seth estava vendo a televisão sem muito interesse, desejando que seu pai tivesse escutado quando Bella tratou de explicar-se, Suspirou com pesar e meteu na boca outra batata frita.

De repente, o filme que estava vendo no canal local foi interrompida por um boletim de notícias de última hora. Seth franziu o cenho, mas ao escutar o que o repórter estava dizendo, se levantou correndo e foi procurar seu pai.

Edward estava em seu escritório sem conseguir concentrar-se no que estava fazendo quando seu filho entrou com toda pressa, com as sardas mais marcadas que nunca sobre o rosto lívido.

-Papai, vem rápido! — disse— Rápido!

O primeiro pensamento de Edward foi que tinha ocorrido algo a Carlisle, mas quando Seth se deteve em frente a televisão, olhou-a sentido saudades, e depois fixou a vista na tela, onde estavam mostrando imagens de um repórter no aeroporto.

—... o avião caiu faz uns dez minutos segundo informação de que dispomos —estava explicando um homem que certamente era o gerente do aeroporto.— enviamos helicópteros em busca do aparelho, mas o vento é muito forte, e a área em que caiu o avião é inacessível por rodovia.

—De que avião...? —balbuciou Edward.

—Repetimos a notícia para os telespectadores que acabaram de nos sintonizar —disse o repórter apartando o microfone do gerente—: Um voo charter caiu em algum lugar das Grandes Montanhas Tetón. Uma testemunha ocular entrevistada por nossa rede de tv disse que viu sair chamas da cabine do aparelho, para depois cair sobre as montanhas, perdendo o de vista. Entre os passageiros do avião se encontravam dois importantes executivos de São Francisco, Bob Doyle e Harry Brown, e a cantora do grupo de rock Twilight, Bells Swan.

Edward se deixou cair na poltrona tremendo de tal forma que cambaleou ligeiramente, estava tão pálido quanto Seth. Tinha deixado de escutar o repórter. Em sua mente escutava apenas as coisas horríveis que havia dito a Bella: que não a amava, que não queria voltar a vê-la. E agora... estava morta. Edward nunca havia se sentido tão mal em toda sua vida. Era como se tivessem lhe cortado um braço ou uma perna, como se lhe faltasse o ar nos pulmões.

Só então compreendeu o quanto a amava... quando já era muito tarde para retratar-se de suas palavras, quando já era muito tarde para ir até ela e leva-la para casa. Pensou em sua frágil figura, estendida sobre a fria neve, e um grunhido de dor escapou de sua garganta enquanto esfregava o rosto angustiado: a tinha afastado de seu lado porque a amava, porque não queria fazê-la desgraçada, mas ela jamais saberia. Sua última lembrança dele devia ter sido de ódio e dor. Tinha morrido pensando que ele não se importava com ela.

—Não posso acreditar —balbuciava Seth, meneando devagar a cabeça, não posso acreditar... na sexta-feira estava no palco, cantando de novo... —sua voz se quebrou, e começou a chorar amargamente, se deixando cair no sofá.

Seth não podia suportar vê-lo assim. levantou-se, passando diante de Carlisle, que o olhou sem compreender a palidez de seu rosto, nem onde ia com tanta pressa, e saiu da casa, caindo no chão de joelhos com os punhos apertados contra os restos da neve derretida, o rosto contraído de dor.

—Bellaaaaa!

O eco reverberou seu grito esmigalhado. Tremendo e agitado, logo que voltou a ver o que estava ao seu redor viu que Carlisle tinha saído atrás dele e estava a seu lado. Tinha posto uma mão em seu ombro.

—Seth me contou —murmurou isso.

Edward ficou de pé cambaleando.

Carlisle colocou as mãos nos bolsos e olhava com tristeza o estábulo, onde Bella tantas vezes tinha estado, alimentando os bezerros.

—Dizem que devido ao vento e devido o lugar ser inacessível, provavelmente não poderão resgatar os corpos.

O rancheiro não queria sequer pensar na ideia de deixá-la para sempre na cúpula da montanha, enterrada na neve, entre os restos calcinados de um avião. Apertou os dentes.

—Eu a tirarei dali —resmungou, Carlisle, _tira meu equipamento de esqui e minhas botas da garagem, e meu traje de isolamento térmico do armário do vestíbulo. Vou chamar Charlie.

—O chefe da Patrulha de Esqui do Larry's Lodge?

—Sim. Pode me conseguir um helicóptero para subir até a montanha.

Voltaram a entrar em casa e Carlisle se apressou a procurar o que Edward lhe tinha pedido enquanto este agarrava o telefone.

—Edward Cullen! —exclamou Charlie quando sua secretária lhe passou a chamada, _justo o homem que necessitava! Caiu um avião em...

—Sei, interrompeu-o Edward. — Conheço a cantora que viajava nele. Escuta, poderia me conseguir um mapa topográfico da zona e um helicóptero? Também necessitarei de um kit de primeiros socorros, alguns rojões de luz...

—Claro, _respondeu Charlie, _terá tudo o que necessita... mas temo que o kit de primeiros socorros não sirva para nada. Sinto muito. Não parece provável que haja sobreviventes...

—OK! mas, de qualquer forma eu levarei —Falou Edward, tratando de controlar a náusea. _Estarei aí em meia hora.

—Bem, estou te esperando.

Enquanto Edward verificava o equipamento de esqui, Seth se aproximou com os olhos avermelhados e com a cara mais triste que havia visto.

—Suponho que não me deixará que te acompanhe... —murmurou.

—Não é lugar para você —respondeu seu pai.— Deus sabe o que encontrarei quando chegar ao lugar do acidente.

Seth mordeu o lábio inferior.

—Ela morreu, de verdade papai? —perguntou em um fio de voz.

Edward conteve as lágrimas com muita dificuldade.

—Fique aqui com Carlisle. Chamarei assim que saiba algo.

—Tenha muito cuidado, papai —murmurou o menino o abraçando —Te amo.

—Eu também te amo, filho —disse o rancheiro emocionado, atraindo-o com força para si.—Não se preocupe comigo. Sei o que estou fazendo, estarei bem—Boa sorte — desejou Carlisle lhe estendendo a mão.

—Precisarei —resmungou Edward. Fez um gesto de despedida e saiu de casa.

Quando parou a caminhonete em frente ao quartel da Patrulha de Esqui, já estavam ali Charlie com vários membros da patrulha, o piloto do helicóptero, e o xerife do condado e seu ajudante, tratando de manter a ordem dos meios de comunicação que se deslocaram até ali.

—Esta é a zona em que acreditam que caiu o avião —explicou Charlie a Edward, assinalando uma zona no mapa que tinha estendido sobre uma mesa dobradiça, o pico Ironside. O helicóptero tentou chegar ao vale que há ao pé da montanha, mas o vento o impediu. O arborizado é muito denso nessa área, e a tempestade de neve limita muito a visibilidade. Vou mandar os meninos procurar nestes pontos —disse indicando vários lugares nos arredores do Ironside no mapa, —mas esse pico é muito perigoso... vários loucos se mataram tentando descer por ele. Se alguém pode chegar ali, é você.

—Muito bem, vamos fazer —assentiu Edward decidido.

—De acordo. Se encontrar o avião acenda um rojão de luz. Coloquei um telefone móvel na mochila, junto com as outras coisas que me pediu. Tem mais cobertura que nossos walkie-talkies —olhou ao redor. — Todo mundo sabe o que tem que fazer? —os homens assentiram com a cabeça. — Bem, vamos lá