Oiiieeee sou nova no FanFiction Net, como adaptadora mas como leitora tenho vários anos lendo fanfics e adaptações. E como como adoro ler e escrever tudo sobre a saga crepúsculo resolvi compartilhar com vcs está adaptação. O livro e a história é da Kim Lawrence(amo de paixão seus romances) e os personagens da minha querida Stephanie Meyer. Então espero que gostem dessa adaptação assim como eu gostei de lê-la!

Capítulo 1

Bella respirou fundo e sussurrou para si mesma:

"Não vai desistir agora", quando se aproximou de uma jovem sentada atrás de uma imensa mesa de vidro. Com seus cabelos louros e a silhueta cheia de curvas, essa mulher tinha o tipo de corpo que sempre atrai a atenção dos homens.

As ruivas miúdas, com sardas, por outro lado, não eram tão assediadas, ao menos de acordo com a experiência de Bella, embora parecesse que por algum tempo. Jacob pensasse de outra forma, até o dia em que flagrou o noivo na cama com uma linda loura.

Quando os pensamentos de Bella esbarravam nessa lembrança, normalmente sentia uma onda de náusea que revirava seu estômago sensível. Mas dessa vez não aconteceu. Dessa vez seu estômago já estava paralisado pelo terror.

Seus cílios tocaram seu rosto, quando ela apertou os olhos e respirou fundo outra vez, querendo que seu coração disparado desacelerasse, mas parecia que ele iria explodir. Ela fez um esforço para sorrir, como uma pessoa conduzida até a porta.

Bella já levara várias horas até conseguir parecer que poderia ser comum ela circulando pela matriz de um império multinacional e pedir para ser recebida pelo homem que comandava a empresa, como se fosse algo que fizesse todos os dias da semana. Mas, ao ver seu reflexo no espelho, ela soube que seus esforços tinham sido em vão.

Isso não ia dar certo.

Ignorando o pessimismo, ou a voz da realidade, Bella voltou a exibir um sorriso e limpou a garganta. O som atraiu a atenção da recepcionista, mas somente por um breve instante, porque naquele exato momento as portas de vidro se abriram para Bella, revelando outra loura, alta e voluptuosa, com um mini vestido vermelho.

A garota atrás da escrivaninha ficou encarando-a, assim como Bella. Também os homens com câmeras, que surgiram do nada, feito mágica.

A loura arrebatadora pareceu totalmente inabalável com a onda de perguntas e flashes dos paparazzi direcionados para ela, e simplesmente exibiu seus dentes perfeitos, num sorriso radiante, provando ainda saber das coisas, depois da transição de modelo a atriz de Hollywood. Seguida por dois seguranças musculosos, ela parou uma ou duas vezes para a imprensa ávida, fazendo pose, com um sorriso enigmático:

"Sem comentários" respondeu, às perguntas sobre ela e Edward terem reatado.

Quando as portas se fecharam, deixando para trás apenas o aroma intenso do perfume da atriz, Bella ficou pensando na mesma coisa mas que hora ruim! A última notícia que qualquer homem ia querer saber era a que ela trouxera, mas Bella acreditava que seria duas vezes pior sendo o homem que acabara de se reconciliar com o amor da vida dele.

Bella suspirou e tentou afastar a imagem da atriz de sua cabeça. Não estava ali para competir com a atenção e afeição do italiano. Ela nem sequer estava interessada na vida amorosa de Edward Cullen, e não desejava fazer parte dela, e queria deixar isso bem claro.

Seu único motivo para estar ali era simples: contar a ele e ir embora. Aí a bola ficaria em campo e ele decidiria se a pegaria ou se tornaria sua vida bem mais simples.

Tudo que ela precisava fazer era dizer.

Era agora ou nunca!

Ela se retraiu quando seus sapatos apertaram seus pés. Foram comprados numa liquidação e eram um número menor, embora a confiança que eles proporcionavam superasse o desconforto.

"Eu sou..." Ela parou ao tentar se apresentar para a mulher atrás da mesa, de boca aberta, sua postura confiante a fez ficar ansiosa e pessimista. O que ela pretendia dizer?

Eu sou Bella, mas isso não significa nada seu chefe não sabe o meu nome, ele nem sabe a cor dos meus olhos, e ignora o fato de que tenho sardas e meus cabelos são ruivos. Mas eu achei que, devido às circunstâncias, seria educado informá-lo pessoalmente, em vez de ser de outro modo, mais impessoal, que estou grávida dele.

Enquanto ela estava ali, na recepção do escritório de Edward, Bella achou diferenças entre um bilionário italiano e a garota que fazia malabarismo para lidar com as finanças, todos os meses. Ela, provavelmente, ganhara menos ao longo de sua vida inteira do que a soma que Edward ganhava em um minuto! Ainda assim, as coisas estavam melhorando profissionalmente ela trabalhou durante quatro anos no jornal da cidade escocesa onde havia nascido, fazendo chá, antes de subir de posto e passar a cobrir casamentos e festas nas igrejas. Agora, finalmente, seu trabalho duro tinha pago os dividendos e ela conseguira um emprego, embora ainda fosse uma função júnior, num periódico nacional, em Londres.

Sim, as coisas estavam bem melhores que na época em que uma antiga jornalista resolvera lhe dar cobertura.

"Você tem talento, Bella" dissera, deixando-a radiante de orgulho.

"Mas" alertou ela "você precisa investir cem por cento se quiser que as pessoas acreditem que você é séria; e se por um lado ter escrúpulos é algo bom, você precisa ser mais... flexível. Ah, nem preciso dizer que a essa altura de sua carreira a última coisa que você quer é ter um relacionamento que demande muito."

A essa altura, ela riu e Bella a acompanhou.

"Ou uma família... suicídio profissional!"

Ou um bebê!

Agora Bella não sorria, ao pensar nesse desvio assustador em sua vida. Ela ficara com medo e ainda estava , mas nunca lhe ocorrera ter esse bebê.

Por trás do medo e do pânico, havia uma sensação de algo absolutamente correto... Esse não era um sentimento que ela esperava ser compartilhado pelo pai de seu bebê. Mas só porque ele não ia querer ter nada com a criança não significava que não tinha o direito de saber.

Bella já estava preparada para a raiva inevitável e suspeitava que seria desse modo, e dissera a si mesma que isso era normal para qualquer um, em tais circunstâncias. O anormal era a sensação interior de serenidade que ela nem sabia possuir, embora também imaginasse que poderia ser uma reação retardada do choque.

Um suspiro trêmulo escapou de seus pulmões quando Bella sacudiu a cabeça. Ela só tivera uma quinzena para se acostumar a isso e ainda não havia assimilado inteiramente na verdade, toda a situação tinha um aspecto surreal.

Suas mãos foram até a barriga ainda reta, embaixo da jaqueta, e seus lábios se curvaram num sorriso. Sem dúvida, a ideia pareceria mais concreta quando sua cintura começasse a alargar.

Ela se dirigiu à moça atrás da mesa, mais uma vez.

"Eu sou... Isabella Swan e..."

A garota parecia ligeiramente entediada, agora que a atriz, e sua comitiva ruidosa, havia partido, e afastou do ouvido o fone, dizendo:

"Primeira à esquerda."

Bella piscou. Essa não era a versão que ela imaginara em sua mente.

Os sapatos realmente devem ter funcionado!

Na verdade, agora os sapatos pareciam pregados no chão e ela não conseguia se mexer. Estava muito surpresa por nem precisar dizer sua identidade nem ser questionada quanto ao motivo de sua visita.

"Primeira à esquerda?" ela ecoou, imaginando por que ainda permanecia ali, em pé. A mulher queria que ela passasse por aquela porta; nem devia saber que Bella não tinha hora marcada, então, sob circunstância alguma, ela deveria dar essa informação.

O que ela estava escondendo? Aqueles escrúpulos inconvenientes, aquela compulsão de dizer a verdade, em momentos quando uma mentirinha ou o silêncio funcionavam bem melhor, ou simplesmente o medo covarde?

Isso está fácil demais persistia a voz da suspeita dentro da cabeça de Bella.

Fácil é bom Bella respondia. Se esse fosse o caso de um engano, estava funcionando a seu favor, e ela seria uma tola se não seguisse a maré. Ela ergueu o queixo mais uma vez e demonstrou o sorriso confiante em seu rosto claro, entrando pela porta sem bater.

Foi um pouco frustrante. A sala não era grande. Só havia uma pequena escrivaninha num canto e algumas poltronas ao longo de uma parede. Uma porta ao ladeira escrivaninha se abriu e um homem magro entrou, soltou a pasta com papéis que estava segurando, quando olhou para ela.

"Você é uma mulher."

Em outras circunstâncias, ela teria reagido a essa acusação, pois foi decididamente uma acusação, com um tom de ironia. Mas humor e ironia estavam fora de questão naquele momento.

Em vez disso, ela assentiu e disse:

"Olá, sou Bella Swan e gostaria de..."

"Bella!" Ele deu um tapa na própria testa e suspirou. "Isso explica tudo, é claro. E logo quando eu pensei que esse dia não tinha como ficar pior."

Bella, sentindo-se cada vez mais confusa, assentiu novamente.

"Estou aqui para ver o sr. Cullen...?"

Quando ela falou, sua barreira mental sumiu e uma imagem sinistra surgiu em sua retina. As linhas turvas se concretizaram em feições, até que ela via o rosto esculpido e ímpar de Edward Cullen.

Agora parecia incrível que ela não tivera qualquer noção prévia do perigo, da primeira vez que olhara o rosto do homem alto.

O impacto de sua beleza fora como um golpe que lhe tirou o fôlego e deixou seus pulmões ardendo pelo calor que sentiu.

Ela ficara ligeiramente constrangida com as emoções profundas que a invadiam, mas se sentira estranhamente desligada do que estava acontecendo com ela. Sua capacidade de se distanciar emocionalmente e analisar o que estava fazendo a abandonou totalmente. É claro que ela não reconheceu isso, até ser tarde demais o estrago já estava feito!

Quando ela estivera com ele, não conseguira controlar seu coração disparado e a fraqueza que a deixara de pernas bambas, além do calor que se espalhou por sua pele.

Não era apenas a simetria de suas feições poderosas e bronzeadas, ou a curva de seus lábios, não era um traço específico, mas a combinação que o tornava tão lindo.

Mesmo agora, 12 semanas depois, ao lembrar do rosto dele, a garganta de Bella doía, mas ela já conseguia analisar sua reação com mais objetividade.

Não poderia negar que ele era um homem de bela aparência, que possuía uma sexualidade arrogante, mas o que acontecera foi resultado de um conjunto de circunstâncias.

Ele acabaria se revelando bem comum, ela pensou. Ela provavelmente apenas o construíra em sua própria mente, e o transformara em algo extraordinário para se defender de seu próprio comportamento, porque nada, a não ser um deus irresistível do sexo, fora responsável por sua queda em desgraça.

Ela procurava justificativas, quando a pura verdade era que nem havia como se desculpar: fora negligente e imbecil. Tivera um momento de fraqueza na verdade, uma noite inteira de fraqueza, mas não queria pensar nisso , e agora teria de viver com esse fato.

Ela provavelmente o veria e descobriria que ele não tinha nada da imagem que fantasiara: um herói querendo o carinho que somente ela poderia dar.

Rapidamente, desviou-se do assunto original de seus pensamentos e voltou ao presente. Concentrando sua atenção no homem de cabelos claros à sua frente, notou que ele estava remexendo em alguns papéis agora.

"Isso pode ser um problema... Parece que seu currículo também sumiu, meu Deus!" exclamou ele, zangado. "Aquela mulher era mesmo incompetente!"

Ele colocou os papéis de lado e deu uma olhada em Bella, se desculpando. "Perdão, não é culpa sua."

Na verdade era.

Uma nova onda de desgosto e vergonha a assolou.

Quem mais poderia ser culpado? Ela beijara Edward primeiro, beijara um absoluto estranho.

A lembrança dele estava marcada em sua consciência a forma como seu rosto estava iluminado pelo relâmpago súbito que clareou o ambiente e o jeito como seu peito se apertou ao ver a profunda frustração estampada nas feições dele.

Incapaz de verbalizar palavras de consolo, incapaz de forçar qualquer som além de um suspiro preso em sua garganta, ela esticou os braços e segurou o rosto dele com as mãos.

As ações foram espontâneas e ela percebeu, quase imediatamente, que havia sido um erro. Ele se retraíra ao toque de seus lábios, mantendo-se sem reação.

Beijar um homem lindo que não queria ser beijado seria algo que inúmeras mulheres de sua idade poderia fazer rindo, mas Bella não possuía essa habilidade.

Ela não queria rir, e sim morrer de vergonha. Ela começou a erguer a cabeça; ia se desculpar e tirar as mãos se os dedos dele não tivessem coberto os dela, junto ao rosto dele.

O coração de Bella disparou novamente ao lembrar seus dedos entrelaçados, os músculos do maxilar retraídos, as narinas se abrindo, quando ele disse algo em sua própria língua.

Ela sentira, antes mesmo de ouvir, quando o gemido surgiu no fundo da garganta dele e se perdeu dentro dos lábios dela.

Ela começara aquilo!

Não havia absolutamente qualquer desculpa em dizer que ele parecia precisar ser beijado.

É claro, se ele não tivesse retribuído o beijo e a tempestade não tivesse interrompido a energia elétrica... não teria havido problema algum, nem vergonha, nem bebê!

Ela mordeu o lábio com força e sufocou as imagens que surgiam em sua cabeça... Acontecera e, dadas as circunstâncias, não fazia qualquer sentido fingir que não ocorrera.

Com a tensão estampada nos traços finos de seu rosto claro, ela levou a mão à barriga, inconscientemente. Ele não ia querer saber, e por ela, tudo bem. Ela podia sair porta afora, sabendo que fizera a coisa certa.

" O sr. Cullen está aqui?" perguntou ela. Metade dela queria que a resposta fosse negativa.

O homem suspirou, deu uma olhada expressiva para a porta atrás dele, antes de assentir e se apresentar.

"Sou Jasper Withouk. Pode me chamar de Jasper" acrescentou ele, com um sorriso espontâneo.

Depois de uma hesitação, Bella apertou a mão estendida e seu olhar se desviou para a porta. Se ela se movesse rapidamente, poderia passar por ali antes que o gentil homem a impedisse.

"Você está tremendo" disse ele, subitamente, com um ar de preocupação no rosto quando Bella recuou a mão.

Ela enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta e disse a si mesma para relaxar. O que seria o pior que eles poderiam fazer? Ser tirada à força pela segurança seria uma nova experiência. Embora sua mais nova e recente experiência não tivesse terminado bem, por mais agradável que parecesse na hora.

"Em vim de longe para ver o sr. Cullen." Na verdade, havia sido uma viagem de metrô, mas ela não viu mal em exagerar um pouquinho, devido às circunstâncias. "E não vou embora até falar com ele. Estou falando sério."

Bella gostaria de se sentir, de fato, tão decidida quanto parecia.

Houve uma pausa antes que Jasper dissesse:

"Eu acredito."

Eu gostaria também de acreditar, pensou ela.

"Farei o que puder, mas..." Ele sacudiu os ombros, dizendo a ela que se preparasse para se decepcionar. "Gostaria de sentar?"

Bella, que gostaria muito de estar em outro lugar qualquer outro lugar , caminhou até uma das poltronas junto à parede e sentou.

Depois de dar um tapinha na divisória, Jasper Withouk entrou.

De onde estava sentada, Bella podia ouvir o som das vozes, ao menos uma delas, e aquela era a única que ela ouvia. E isso trouxe tudo de volta, ou teria trazido, se ela não tivesse afastado da mente, o que não era fácil, quando o dono da voz grave e profunda estava em pé, do outro lado da parede.

Talvez ela estivesse errada por ter optado pelo toque pessoal, pois uma carta, um e-mail na verdade, qualquer coisa que não a deixasse em contato físico com esse homem teria sido melhor.

Ela não tinha nada a provar a ninguém, nem a si mesma.

Bella não estava consciente de ter levantado e atravessado a sala, mas só podia tê-lo feito, pois de repente se viu em pé, junto à porta.

A sala do outro lado era imensa, mas Bella estava alheia à forração de madeira de carvalho e à parede de vidro que exibia uma vista do rio. Ela só deu uma olhada nos móveis antigos antes de observar diretamente a silhueta alta e esguia, de ombros largos, de pé, de costas para ela.

Ele virou ligeiramente a cabeça, revelando a testa alta, o nariz reto e o formato quadrado de seu maxilar.

O homem com quem ela passara a noite estava com os cabelos até os ombros e o rosto coberto pela barba por fazer. Tão elementar quanto a tempestade que caía no dia em que fizeram amor.

Esse homem tinha um queixo suave e seus cabelos estavam cortados rentes à cabeça. Seu jeans amassado e casual havia sido substituído por um belo terno cinza. Ele parecia um exemplo típico de elegância e sofisticação masculina.

De repente, isso não parecia mais uma formalidade educada parecia um grande erro. Bella foi tomada por um súbito ímpeto de dar meia-volta e sair correndo, e ela teria obedecido ao seu instinto se suas pernas tivessem demonstrado alguma inclinação para seguir as instruções.

"Devo fechar a porta? Ela está lá fora e..."

"Não, deixe aberta. Tânia não compreende o conceito de que menos é mais quando se trata de perfume."

Ao ver o nariz de Edward se enrugar, Bella ficou imaginando se seria por repugnância ao aroma exótico ou se tinha mais a ver com a dona daquele cheiro.

Será que apenas trazia lembranças da época com Tânia, ou o deixava cheio de desejo?

Nenhuma das possibilidades alegraram Bella. Desde que lera um artigo no jornal sobre o relacionamento de Edward com Tânia, Bella ficara pensando se era o rosto da bela atriz que ele estava vendo enquanto faziam amor. Até onde Bella sabia, todos aqueles sussurros italianos podiam ter sido dirigidos a qualquer pessoa que realmente fosse bella mia, como sua bela loura ex-noiva, exceto que agora a questão era o ex.

"Olhe, eu lamento quanto a Tânia, mas ela..."

"Não há necessidade de me explicar sobre Tânia, Jasper. Ela tem a mente fechada quando resolve algo. Imagino que a presença dela aqui tenha vazado."

O homem magro respondeu, com um sorriso decepcionado:

"Receio que sim."

"Ela nunca foi de desperdiçar a oportunidade de uma boa foto."

"Quanto a essa moça, Edward, ela viajou até aqui, você não poderia simplesmente vê-la? Não precisa, de fato, dar o emprego"

Bella finalmente entendeu o motivo por todas as portas terem sido abertas, eles achavam que ela era candidata a um emprego!

Essa percepção poderia tê-la feito rir, não fosse o fato de que a única coisa que Bella via naquele momento era o homem que respondeu ao comentário de Jasper.

Para sua sorte, ela viu que Edward era, mesmo, um deus do sexo!

"Eu fui bem específico quanto ao fato de não querer uma mulher como assistente pessoal."

"Bem, a agência não poderia dizer isso, pois seria acusada de discriminação sexual."

"Então, por isso uma mulher foi incluída nessa lista? Para demonstrar igualdade?"

Ela ficou olhando, enquanto Edward Cullen contornou a escrivaninha, com o rosto visivelmente irritado; depois, sem tirar os olhos do outro homem, pegou uma pedra verde entremeada de dourado e passou a esfregá-la entre as palmas das mãos.

Bella, de olhos colados nos dedos longos e morenos, passou a língua sobre os lábios secos, enquanto sua barriga parecia estar cheia de borboletas, ao pensar naqueles dedos sobre sua pele e o toque habilidoso deixando rastros de fogo.

"Essa é a mesma pedra que você trouxe do pico, quando fizemos a trilha do Himalaia?"

"Sim."

Ao deixar a pedra parada na palma de uma das mãos, as feições de Edward ficaram inexpressivas.

Bella não tinha qualquer dificuldade em imaginá-lo agarrado a um penhasco. Ele parecia um homem que forçava seus próprios limites.

"Aquela foi uma experiência e tanto, não" disse Jasper, entusiasmado, com um sorriso. "Mesmo sem eu ter chegado até o topo" acrescentou ele, melancólico. "Mas da próxima vez eu não vou me acovardar. Vou ficar com os meninos crescidos. E verei a paisagem com os meus próprios olhos."

O som da pedra sendo colocada sobre a escrivaninha fez com que o homem de cabelos claros dirigisse o olhar para o rosto do italiano.

"Mas eu não vou."

No instante em que as palavras saíram de sua boca, Edward se arrependeu. Ele não gostava de autopiedade dos outros e muito menos dele próprio.

O rubor surgiu no rosto de Jasper.

"Lamento muito. Não posso abrir a boca sem..."

"Sem dizer algo para me lembrar que sou cego? O fato de você esquecer disso é o motivo por eu o manter por perto. Isso, e o fato de que sua aparência de menino aquietam a oposição, quanto a um senso falso de segurança. Você, provavelmente, é a única pessoa que não anda sobre ovos ao meu redor."

"Houvera outra."

Edward fechou os olhos, mas isso não o fez parar de ouvir a voz dela em sua cabeça. Às vezes, pensava que havia sido uma fantasia erótica de sua imaginação, mas ele não teria sido capaz de formular lembranças tão vivas. Ele ouvia a voz dela dizendo coisas que ninguém mais se atrevera a dizer, mas cada palavra e cada acusação tinham sido verdadeiras.

E um sorriso passou por seu rosto ao se lembrar.

Ela passara a ser o foco inocente e provocante da raiva interna que o consumia.

Suas terminações nervosas haviam sido expostas e despidas, talvez apenas pelo estímulo da voz dela. Seu tom rouco certamente tinha a habilidade de se entranhar sob a pele de um homem.

Ela falava coisas que ninguém mais dizia, e que precisavam ser ditas. E derrubara suas defesas com algumas observações, fazendo com que ele sentisse o que vinha tentando não sentir dor!

Ela havia tateado um vazio que ele vinha carregando.

O sexo fora outra coisa um erro, mas do tipo que o fazia querer errar de novo, pensou ele, com um sorriso no canto dos lábios.

"As pessoas sempre caminham em ovos ao seu redor" respondeu Tim, tirando Edward de seus pensamentos "porque você os intimida muito. Ao menos isso não havia mudado desde o acidente."

"Você está insinuando que não sou um homem justo? Que sou amedrontador?" Edward perguntou, parecendo mais interessado que ofendido.

"Estou querendo dizer que você é um homem que se impõe altos padrões e espera que os outros se igualem, mas nem todos têm o seu foco."

Fora preciso mais que foco para que Edward superasse seus demônios pessoais após sofrer a perda da visão, fora preciso ter uma vontade de aço.

"E quanto a essa garota..."

Os dedos de Edward tamborilavam sobre a escrivaninha.

"Você sabe minha opinião quanto a essa insensata atitude política, portanto, por que desperdiçar o tempo dessa mulher, assim como o meu?"

"Ela foi incluída por engano, o nome dela é Bella..." A explicação de Jasper ficou no ar, quando ele acrescentou: "Você não poderia apenas vê-la?" No instante em que as palavras saíram de sua boca, ele sentiu o rubor surgir em seu rosto, antes de dizer, sem jeito: "Quero dizer..."

Edward ergueu uma sobrancelha.

"Eu sei o que você quer dizer, Jasper" disse ele, com um tom divertido na voz. "E eu gostaria que você parasse de se esforçar tanto para poupar os meus sentimentos. Mas, não, eu não vou... vê-la. Não posso ser acusado de discriminação sexual contra uma mulher no local de trabalho. Não é fato que nós empregamos mais mulheres nas posições superiores do que qualquer outra empresa?"

"Sim..."

"Não tenho problema algum com mulheres no local de trabalho, é apenas o fato de que não quero uma mulher em meu escritório." Ele achava intolerável a ideia de ter olhos piedosos seguindo-o pelo escritório.

"Essa pode ser diferente."

"Você quer dizer que ela pode não ser afetuosa e compassiva, porém pode ser incapaz de executar tarefas como cuidar da minha agenda para me proteger. Não fazia diferença o quanto eu era rude..."

"E você era."

"Isso não fez diferença."

"Ainda assim, ela se apaixonou por você! Eu é que deveria ter esse problema" murmurou Jasper.

Um espasmo de desagrado contorceu as feições de Edward, e ele fungou.

"Por favor, não confunda esse sentimentalismo com amor."