Oiiieeee! Voltei com mais um capítulo, comentem se tiverem gostando da história ou se tiver algum erro!!!Há dêem uma "olhadinha" nas minhas outras adaptações!
Boa leitura!!!
Capítulo 3
"Virgem?" Quando Edward falou, a lembrança do grito rouco de Bella ecoou em sua cabeça, mas essa lembrança despertou sentimentos que ele não queria, e ele a afastou.
Agora, a insinuação arrancou um contido gemido de desânimo de sua garganta.
Ele arqueou sua sobrancelha escura
"Achou que eu não notaria?"
" Torci." Bella mordeu o lábio quando a sua admissão escapou.
"Para que você pudesse fingir que nunca aconteceu? Tem a intenção de ser uma virgem profissional?" disse ele. "Da próxima vez que quiser me oferecer conselhos psicológicos; lembre-se de que é a mulher equilibrada que preferiu sexo anônimo com um estranho do que com seu próprio noivo."
" Eu não prefiro sexo anônimo!" Ela estava furiosa com a insinuação.
" Então, você sabia quem eu era."
Um som de exasperação escapou dos lábios dela.
Eu já lhe disse que não tinha a menor ideia de quem você era."
" No dicionário, a definição de sexo anônimo é relação carnal com alguém que você não conhece."
"Você não lê os mesmos dicionários que eu. Olhe, eu realmente não sei por que você está fazendo disso algo tão grande... Honestamente, ao ouvi-lo falar, qualquer um pensaria que eu o arrastei. Apenas aconteceu, e eu não vou me matar por isso." Aquilo soou muito maduro. "E só para constar, eu teria ficado muito feliz em fazer sexo, foi Jacob quem..." Ela parou, com uma expressão mortificada de horror, ao perceber o que dissera.
Seu noivo não quis dormir com você?" Edward pensou no corpo macio embaixo dele, pensou nela o puxando para baixo.
Em sua mente, não havia dúvida de que qualquer homem que pudesse ter tido aquilo e rejeitasse seria um tolo. Um fracassado de carteirinha.
"Ele se apaixonou por outra pessoa e minha vida pessoal não é da sua conta" ela acrescentou, desejando ter percebido isso, antes de ter revelado todos aqueles detalhes constrangedores.
"Diga-me o que mais eu devo pensar? Você surgiu do nada, fingindo ser uma faxineira... Tentou entrar na minha cabeça..."
Acredite, sua cabeça é o último lugar onde eu quero estar."
"Você diz que não queria estar em minha cama, mas foi lá que terminou. Onde pretendia chegar?"
A insinuação totalmente injustificada fez Bella dar um grito de protesto.
" Eu não fiz isso! Não planejei nada. Foi... foi um acidente. Foi sexo por simpatia" disse ela.
As palavras mal tinham saído de sua boca e ela sentiu vergonha e culpa. Fora algo tolo de dizer, sem mencionar que era mentira, mas havia horas, disse a si mesma, que uma mentira funcionava... e ela estava desesperada.
Foi frustrante, mas sua observação nem o abalou. Ele até riu, antes de dizer:
"Claro que foi, minha cara."
Ela o viu curvando os lábios, depois engoliu ao fechar os olhos e lembrar da sensação dos carinhos fogosos e carnais daquela boca sobre ela. Um tremor percorreu seu corpo e ela pensou que seria muito melhor nem pensar no assunto.
"Um segundo atrás eu seria capaz de dormir com você para ter uma história, mas, subitamente, eu dormi por você ser profundamente irresistível. Talvez eu só estivesse curiosa."
Ele recebeu a revelação arqueando a sobrancelha.
"Nunca dormi com um cego."
"Você nunca dormiu com homem algum."
"Então, espero que isso o faça se sentir especial!" ela comentou. "Sabe, não sei por que está tão zangado comigo. A menos que seja por eu ter visto por baixo dessa sua fachada de macho durão. Não se preocupe, sei que o acontecido não foi pessoal.
"Não foi pessoal?"
"Você precisava de alguém, e eu estava lá."
Edward afastou as lembranças que se agitavam em seu peito, quando ele a abraçou, sem fôlego, depois de fazerem amor. Saber que ele fora o primeiro amante dela o surpreendera, mas também o deixara mais excitado do que ele pensara que fosse possível.
"É verdade que há coisas, caríssima, que prefiro não fazer sozinho..."
A crueldade deliberada fez Bella corar.
"É um ponto fraco meu, e já que estamos falando de carências, acho que você precisava de mim tanto quanto eu precisava de você. Vai colocar isso em sua história? Essa é uma visita de cortesia para me informar sobre o seu artigo? Estou interessado... que linha vai seguir...?"
"Vá para o inferno!" Bella disse, engasgada.
"Que era onde eu estava quando você me arrastou de volta, compartilhando seu corpinho delicioso comigo. Esse é um ângulo interessante para você: a forma como eu salvei um bilionário generosamente compartilhando meu corpinho gostoso. Mas eu tenho de lhe dizer que foi apenas sexo, você não foi minha salvação." Isso era algo que ele dissera a si mesmo, mais de uma vez.
"Pode acreditar, nem eu pretendia ser!"
" Então, o que você é?"
As palavras escapuliram antes que ela pudesse impedi-las.
"Uma grávida. Estou grávida de 12 semanas."
Enquanto estava arrumando a gravata de seda, Edward congelou. Por alguns segundos, ele não pareceu fazer nada, incluindo respirar.
"Grávida?"
Foi um choque e tanto.
O batimento cardíaco de Edward e o mundo ao redor pareceram desacelerar.
"Tem certeza?"
A pergunta despertou uma onda de raiva nela.
"Acha que eu diria algo assim se não tivesse certeza absoluta? Acha que vim até aqui por uma possibilidade?" Ela parou diante da súbita vontade de chorar, contendo as lágrimas.
"Claro que tenho certeza!" acrescentou ela.
"Você está chorando!" Edward comentou.
"Não, não estou" ela negou, sacudindo a cabeça, enquanto passava a mão no nariz já rosado. Com os cílios molhados, ela ficou olhando, enquanto ele passou as mãos nos cabelos e as encostou sobre os olhos fechados. "Não sei quanto a você, mas não vejo necessidade de ficarmos revisando por que e como..."
Ele inclinou a cabeça.
"Acho que nós dois sabemos como."
A interrupção dele trouxe outro rubor ao rosto claro de Bella. Ela mordeu o lábio, ergueu o queixo e continuou, como se ele não tivesse falado:
"O por que ainda permanece um mistério para mim, mas" acrescentou ela "adotando um tom mais vivo essas coisas acontecem... "Ela parou e mordeu o lábio novamente. Será que ela não podia falar nada que não fosse um clichê?"
Um músculo se contraiu no rosto dele.
"Para mim, não."
"Bem, por acaso, nem pra mim."
"Você acha que eu não sei disso?" Ele não havia somente engravidado uma mulher, ele engravidara uma virgem! Em algumas sociedades, isso seria um pecado capital.
"Olhe, não se preocupe. Não estou esperando nada de você. Só achei que gostaria de saber... portanto, agora que sabe, vou indo..." Ela ajustou a alça da bolsa no ombro e deu meia-volta.
"Vai indo...?" ele perguntou, engasgado.
"Sim."
Ele sacudiu a cabeça.
"Isso é surreal..."
Bella sabia do que ele estava falando.
"É difícil assimilar tudo de uma só vez, eu sei, mas vou deixar meu número, caso queira entrar em contato comigo." Provavelmente, ele o jogaria no lixo assim que ela saísse, mas ao menos ela fizera o correto, revelando a ele.
"Quem é você?"
"Você sabe quem eu sou, Bella Swan."
Ele sacudiu a cabeça, impaciente.
"Quero dizer, quem... por que você estava limpando aquele lugar, naquela noite? Um castelo frio, no fim do mundo." Edward só notara o frio depois que ela foi embora. A mulher com quem falei, no dia seguinte...
"Jessica, minha cunhada. Eu pedi a ela que não..." Ela pôde ouvir a campainha estridente de um telefone tocando, em algum lugar distante, e, para Bella, pareceu estranho que coisas normais estivessem acontecendo em outras partes do prédio enquanto vivenciava o momento mais estranho de sua vida. Ela jamais poderia voltar a reclamar da rotina.
"Revelasse quem você era?" Edward terminou a frase para ela.
" Mesmo que eu não pedisse que fosse discreta, ela não passaria informações sobre empregado algum para um estranho"
"Discreta? A mulher inventou uma história maluca de epidemia."
"Isso não é mentira, é a verdade. Olhe, se você precisa mesmo saber, eu não tenho o hábito de dormir com estranhos e fui embora porque fiquei envergonhada." Bella lembrou da vergonha que sentiu ao acordar com o rosto de um homem pousado sobre os seus seios.
Suas pálpebras pesadas fecharam e seus cílios encostaram às maçãs do rosto, e algo deu um nó em sua barriga. Ela foi capaz de recordar a exata sensação do calor da respiração dele e a aspereza sensual de seu queixo em sua pele supersensível.
Mesmo com todo o horror e toda a aversão pela situação, ela foi incapaz de resistir à tentação de mergulhar os dedos nos cabelos fartos e afagar as mechas para trás, afastando-as da sobrancelha dele, antes de levantar.
"Então, você é parente das pessoas que administram o Armuirn?" perguntou Edward.
Bella assentiu, depois lembrou que ele não podia vê-la.
"Sim, Jessica e meu irmão administram a propriedade. Ele estava passando mal naquela noite, resfriado. Portanto, havia uma epidemia de gripe. Eu fui ajudá-los com a limpeza."
"O homem de quem você falou, naquela noite, quando estávamos juntos... Myke não é? Ele é seu irmão?" Edward se lembrava de ter sentido uma hostilidade irracional com relação ao homem a quem ela casualmente se referiu.
Bella, que não se lembrava de ter mencionado nada a ele, confirmou.
Sim. Ele e Jessica não poderiam pagar para morar no castelo. Eles têm meninos gêmeos, mas você realmente não quer saber sobre isso, quer?"
Se o homem não queria saber do próprio filho, não ia se interessar pelos rebentos de estranhos.
A voz dele, profunda e impaciente, a interrompeu:
"Olhe, talvez seja melhor você sentar novamente."
"Estou bem assim."
"Então, talvez eu sente."
Ela ficou olhando, enquanto ele se sentou numa poltrona e colocou o queixo sobre as mãos em torre. O silêncio se alongou. Finalmente, ele falou:
"Isso não é uma piada, você está realmente grávida?" Bella se pegou assentindo novamente, e mordeu o lábio.
"Sim." Ela esperou, tensa.
Ele parecia pálido mas, levando-se em conta a notícia bombástica que ela acabara de dar, até que ele parecia reagir bem, se você ignorasse o músculo que latejava em sua face.
Você planejou isso?"
Bella se retraiu.
"Desculpe?"
O tom gélido em sua voz habitualmente expressiva deu a ele uma boa ideia do que ela estava sentindo. A frustração por não poder ver o rosto dela chegou a doer no peito. Houvera muitos momentos amargos desde que ele ficara cego, mas nunca se sentira tão infeliz como nesse instante.
"Você acha que eu planejei isso?"
"É uma possibilidade." Mesmo dizendo isso, ele reconheceu sua própria falta de convicção.
" Somente se você tiver uma mente distorcida, mas, não se preocupe, eu não quero nada de você. Apenas me pareceu... educado deixá-lo saber."
"Educado?"
"Se eu soubesse que é um maluco estranho com mania de conspiração, nem teria me dado o trabalho. Obviamente, acha que todas as mulheres por aí estão querendo ser engravidadas por você..." "Bem, deixe-me lhe dizer: para mim, você não parece uma boa aposta" disse ela, com desprezo. "A menos que seja alguém que goste de cinismo. Só para ficar registrado: se eu pudesse escolher um pai para o meu bebê, realmente não seria você! Você nem entraria na lista dos finalistas. Então, vá em frente, pode pensar que isso foi parte de um plano conspiratório e sinta-se feliz, porque, se fosse, acabou sendo um tiro no pé."
Ele ouviu a porta se abrir e percebeu que ela o estava deixando falando sozinho novamente. A raiva se apoderou dele, seguida de algo que ele se recusava a reconhecer como pânico.
"Case comigo."
A afirmação direta não dava para ser chamada de pedido , naquele tom tenso, efetivamente arruinou sua saída triunfal e quase fez Bella tropeçar com os saltos altos.
Ela lentamente virou a cabeça:
"Você vai rir, mas..."
Ele não riu, sequer sorriu, enquanto ela olhava, incapaz de desviar o olhar do rosto dele. Nem um músculo se movia em suas feições, e seus lindos olhos, de alguma forma, permaneciam fixos no rosto dela.
Bella virou a cabeça e disse a si mesma que o sentimento era de pena. Do tipo que ela sentiria por qualquer um que tivesse passado por uma tragédia como aquela.
"Por um momento achei que você tivesse dito..."
"Não faça joguinhos. Você me ouviu, Isabella."
Sua diretora era a única pessoa que a chamava de Isabella, mas isso não fazia com que suas terminações nervosas formigassem.
Ela engoliu, com a voz se elevando a um grasnido inacreditável, quando perguntou, com uma nota de histeria:
"Está propondo que nos casemos?"
" Não era isso que queria que eu dissesse?" O próprio Edward, que parecia tão surpreso quanto ela diante da proposta, agora podia ver que essa era a solução óbvia, a única solução.
"Não foi por isso que você veio aqui?"
Os olhos de Bella estavam totalmente arregalados. Ele parecia falar de forma tão casual.
"Eu jamais esperei que você sugerisse isso... nem queria" acrescentou ela, lembrando e afastando as fantasias tolas que ficara alimentando, no meio da noite anterior, quando ficara sem dormir. Fantasias eram inofensivas. As coisas só ficam perigosas quando se começa a tentar realizá-las.
"Esse não é um assunto com o qual eu brincaria." Apesar do tom ofensivo dele, Bella não teve tanta certeza. A personalidade daquele homem e seus motivos o tornavam um enigma para ela. Irônico, levando-se em conta que ela o conhecia melhor do que qualquer homem. Com as mãos fechadas nas laterais do corpo, ela se esforçava para não pensar no quão intimamente o conhecia.
"Mas você não acha que isso é uma reação um pouco exagerada?" Ele não podia vê-la, então, não sabia se ela tentara esconder um sorriso. Como se as coisas já não estivessem bastante complicadas, ele tinha que lançar uma ideia louca como essa... e fazê-la pensar no quanto seria diferente se o que haviam compartilhado não tivesse sido apenas sexo.
"Para uma situação tão trivial quanto ter o meu filho, você quer dizer?"
"Nosso filho." Seu súbito comportamento possessivo deixou Bella inquieta e ela decididamente não queria incentivar isso.
Ele dispensou a correção sacudindo os ombros.
" Eu tenho uma ideia moda antiga quanto à vida em família."
"Tenho certeza de que sua namorada também deve ter algumas. Olhe, não estou tratando a questão com trivialidade, só estou tentando facilitar sua vida. Não estou fazendo exigências insensatas."
"Deveria estar" disse ele. Bella ainda estava se esforçando para dar sentido à condenação quando ele franziu as sobrancelhas, irritado. "Namorada...?"
Será que ele vai me tirar da cabeça com a mesma facilidade quando eu sair da sala?, pensou Bella.
"Tânia estava indo embora quando eu cheguei."
"Você não tem que se preocupar com Tânia."
Talvez ela tenha algo a dizer quanto a você se casar com outra. Provavelmente, falará bem alto. Para gente como uma atriz, a publicidade era um meio de vida. Para Bella, a ideia de sua vida pessoal virar matéria em colunas de fofoca era um terror.
A irritação era visível no rosto de Edward. Ele moveu a mão direita, em arco.
"O que isso tem a ver com ela?"
"Ou comigo, imagino" disse ela, profundamente assustada diante de sua demonstração de desprezo pela ex-amante... talvez nem fosse ex... O homem era claramente cruel em sua vida pessoal, assim como a reputação que tinha na vida profissional.
"Não seja ridícula!"
A afirmação arrancou um riso de incredulidade dela.
"Eu, ridícula?" ecoou ela pousando a palma da mão sobre o peito. "Não sou eu quem está dizendo que devemos nos casar. Pelo amor de Deus, você não sabia meu nome até alguns minutos atrás!" Ela ergueu a mão à sobrancelha e sacudiu a cabeça. Toda essa situação estava além do surreal, e o mais assustador era que, por uma fração de segundo, ela quase começara a pensar a respeito.
"Mas eu soube muitas coisas sobre você, Isabella."
A conotação sexual na observação dele causou uma onda de calor em sua pele.
"Você não conhece nada de mim" disparou ela, com a raiva dividida entre ele e ela mesma. Por que deixava que ele lhe fizesse isso?
Ignorando a afirmação dela, perguntou:
" Você receia que um cego não seria um bom pai?"
A ideia frustrante da quantidade de coisas que ele não poderia fazer com seu filho veio à sua cabeça para atormentá-lo. Ele pensou que jamais veria o rosto do filho, e isso foi como uma faca em seu coração.
"O fato de você ser cego não tem nada a ver com isso" disse Bella. "Dizem que as mulheres são instintivamente atraídas aos machos autoritários para serem pais de seus filhos."
Até ali, Bella fora capaz de dizer que ela era uma exceção à regra. "E como você é um dos homens mais autoritários do planeta..."
Um homem que precisa de um guia para atravessar uma rua não pode proteger seu filho do perigo. Era o dever de um pai guardar seu rebento dos perigos do mundo, e a ideia da reversão desse papel despertou em Edward uma impotência furiosa.
Bella estudou sua expressão de autocrítica e sentiu seu coração se apertar ao reconhecer o medo e as dúvidas se revolvendo por baixo da fachada confiante que ele apresentava ao mundo.
"Ser cego não faz de você um pai ruim, nem exemplo ruim."
Ao contrário, segundo o modo dela de pensar, mas sim dormir com atrizes louras de pernas compridas.
"Isso nada tem a ver com essa situação, exceto" admitiu ela, "atendo-se à honestidade pelo fato de que, se você enxergasse, nada disso teria acontecido."
" Você quer dizer que eu não estaria na Escócia, naquela noite."
" Quero dizer que você poderia ter me visto" disse ela. Irritada pela forma como ele franziu o rosto de forma vaga, ela disse, com todas as letras: "Eu não sou seu tipo."
Ela viu algo nos olhos dele, e deveria ter deixado que ele mantivesse a imagem claramente irreal quanto a ela, porém, por mais tentador que fosse, ela não podia.
"Acho que você deve me deixar julgar isso. Já vi seu rosto com meus dedos." Com os olhos meio fechados, ele movimentou os dedos no ar.
Bella achou profundamente perturbador o sorriso que curvou os lábios dele.
" Você poderia fazer o mesmo com seu filho."
As mãos dele desabaram e algo que ela não soube identificar passou pelo rosto dele. A voz profunda continha um tom que ela não soube interpretar.
"Pois é, eu poderia."
"Eu tenho sardas."
O comentário súbito arrancou um sorriso dele.
"É sério" disse ela.
"E claro que isso muda tudo" ele sorriu. Então, sua expressão ficou séria, antes que ele emitisse um sopro de frustração entre dentes, dizendo, zangado: "Esse seu noivo, que a traiu e rejeitou, provocou uma opinião tão ruim sobre você mesma?"
A insinuação deixou Bella surpresa.
"Não! Eu não fui apaixonada por Jacob." E ela estava compartilhando com ele a percepção que levara meses para reconhecer, mas por quê?
"Bem, é verdade. Você não é o meu tipo."
Bella ficou contente por ele não poder vê-la recuar.
"Mas não por eu imaginar algum modelo físico que minhas parceiras sexuais devam ter. Você não é meu tipo porque é exigente demais."
A acusação roubou sua capacidade de falar.
"Eu? Exigente demais?"
" Sim, você. Além disso, eu não tenho relacionamentos com mulheres que precisam que eu lhes diga o quanto são bonitas."
"Eu não..."
Ele a interrompeu, antes que ela pudesse completar sua resposta indignada.
"Não tenho relacionamentos com mulheres que não perdem uma oportunidade para apontar minhas falhas."
"No entanto, ainda quer se casar comigo, só que você não quer, de verdade." Bella parou, e ele não disse nada. Ela pensaria menos nele, se tivesse dito. Ela pensou menos em si mesma, pois queria que ele dissesse. Relutando contra o desejo irracional de ouvi-lo mentir, Bella ergueu o queixo. "Olhe, eu tenho certeza de que você seria... será... um ótimo pai, cego ou não, mas será um marido horrível, e eu não quero me casar com um homem que não me ame."
O sorriso cínico dele se aprofundou, enquanto a ouvia falar.
"Então, o amor conquista tudo?"
"Talvez não, mas, apesar de minha aparente falta de auto-estima, eu não vou querer algo parcial."
Edward, sob o impacto do choque de ser julgado como indeciso, ouviu a porta se abrindo.
Em sua cabeça, as lembranças que ele vinha guardando vieram à tona com uma precisão impiedosa, para provocá-lo. Ele lembrou de passar os dedos na barriga dela e de sentir o músculo por baixo da pele se retraindo. Traçou a curva dos quadris com as mãos, colocou os mamilos deliciosos na boca, e a ouviu implorando que não parasse. Beijou seu pescoço, onde os batimentos do coração dela passavam por seus dedos.
Era irônico: ela era a única mulher com quem ele dormira mas nunca vira, e ele trazia uma lembrança mais viva de seu corpo do que qualquer outra que conhecera antes.
Foram alguns segundos para que as sensações causadas pelas imagens passassem por sua mente, mas foi tempo suficiente para que isso fizesse seu corpo arder com a força do desejo fora de controle.
Com os dentes cerrados, Edward levantou da poltrona com um rugido dentro do peito que reverberava em seus ouvidos, enquanto caminhava até a porta. Ele a escancarou, quando, de repente, se conteve. Que diabos estava fazendo?
Sua respiração desacelerou. A maldita bruxinha estava correndo dele novamente, e ele a estava seguindo provavelmente por conta de seu temperamento. Ele concluiu que se ela estava correndo e ele a seguisse, isso não seria a melhor coisa a fazer. Não se um homem quisesse manter ao menos a ilusão de que estava no controle.
Com o rosto estampando um profundo descontentamento, ele deu a volta e caminhou até sua poltrona.
