E aqui está o capítulo do dia! Nesse vamos saber o que aconteceu na noite que eles se conheceram. Espero que gostei até amanhã!

Boa Leitura!!!

Capítulo 4

Começou a chover assim que o táxi encostou no meio-fio. Só levou um segundo para que Bella chegasse ao veículo que a esperava, mas até fechar a porta a tromba d'água encharcara seus cabelos, apesar do saco que ela segurava sobre a cabeça, para se proteger.

Ela olhou pela janela e seus pensamentos foram irresistivelmente conduzidos ao fim de semana de folga que passara na Escócia estava chovendo assim no último dia.

Bella não vira qualquer sinal sinistro nas nuvens de tempestade, e não fazia a menor ideia de que sua vida estava prestes a mudar enquanto o Land Rover entrava pelo caminho de pedras do Castelo Armuirn.

Ela estava simplesmente fazendo um favor à cunhada e tudo que tinha em mente era tomar um banho quente. Não imaginara que a limpeza de oito cabanas seria algo tão cansativo. E não tinha a intenção de deixar que se confirmasse a opinião debochada do irmão: dizendo que a cidade a transformara numa molenga.

Ela protegera os olhos e inclinara a cabeça, observando a pequena torre do castelo. A construção de pedras cinzentas podia ser vista a quilômetros de distância. Havia sido o lar de infância de sua cunhada mas, atualmente, Myke e Jessica moravam num dos sítios e alugavam a casa principal, junto com as cabanas, para os turistas.

Bella levara um cesto com vários produtos de limpeza, pensando que empunhar um espanador de penas e trocar roupa de cama não havia sido exatamente a forma como ela pretendera passar o feriado. Mas não poderia sair passeando pelas colinas quando uma virose de gripe contaminara a cunhada que já estava carente de empregados e vinha tentando exercer dez funções ao mesmo tempo, além de cuidar dos gêmeos de 2 anos.

Embora Bella tivesse afirmado que estava disposta a fazer qualquer coisa, ficou aliviada quando soube que não envolveria cuidar dos gêmeos. Ela adorava os sobrinhos, mas a responsabilidade de entreter aquele par irrequieto era algo para o qual não se sentia preparada.

Em vez disso, Jessica, cheia de culpa e gratidão, perguntara se ela poderia limpar, preparar e trocar a roupa de cama das cabanas, para a chegada dos hóspedes do feriado, e, se tivesse tempo, fazer uma lista de mercado para o castelo e trocar as roupas de cama de lá também.

Quando Bella perguntou se deveria dar uma espanada pelo interior, Jessica disse que, decididamente, não. Aparentemente, o homem que alugara o castelo para o verão não queria serviço de empregados.

"Na verdade, ele não queria nada, exceto total privacidade."

Bella ficara curiosa.

"Como ele é?"

Nem me pergunte. Eu nunca o vi, nem Myke. A reserva foi feita pela internet."

"Alguém deve ter visto" protestou Bella. "Isso era numa comunidade de pessoas próximas, onde todo mundo sabia da vida de todo mundo."

"Ah, Eric deu uma olhada. Ele estava levando um pessoal para escalar quando o helicóptero pousou."

"E aí?" perguntou Bella.

"Nosso homem misterioso saiu. Eric disse que ele é alto."

"Isso não ajuda muito."

Jessica assentiu, concordando.

" Desde então, ninguém o viu de perto. Ele fica dentro do castelo. Não sai para a vila. Deixa-nos uma lista de compras de mercado quando vamos trocar as toalhas, mas também não o vimos."

"Talvez ele seja um fugitivo se escondendo das autoridades, ou um astro de cinema, no meio de um escândalo sexual, tentando fugir dos tabloides."

"É mais provável que seja um executivo estressado que está aqui para pescar. Mas, seja quem for, dê-lhe bastante espaço," Bella. "O homem alugou o castelo por seis meses e pagou adiantado, portanto, se quiser ficar invisível, deixe-o."

"E o homem invisível tem nome?"

"Eu não me lembro... era estrangeiro. Espanhol, ou italiano, eu acho..."

Quando Bella chegou ao castelo já passava das 18h, e seu interesse pelo homem mediterrâneo já tinha murchado. Ela estava exausta. Trocara os lençóis das 20 camas e passara o aspirador em quilômetros de carpete, sem mencionar a limpeza das janelas, e a mordida de uma vespa. Tudo que ela queria era voltar para o sítio e colocar os pés para cima.

Não havia qualquer sinal de um hóspede antissocial, e nenhuma resposta quando ela colocou a cabeça para dentro da porta e chamou, antes de entrar na cozinha.

Dentro da cozinha estava escuro, as cortinas, fechadas. Ela colocou a caixa de compras no chão e depois de tatear rapidamente, encontrou o interruptor.

Oh, meu Deus! O olhar horrorizado de Bella percorreu o local. Estava uma zona de guerra, um desastre total, com pratos e copos sujos por todo lado, além de caixas e latas abertas. Não havia nem uma única superfície limpa na cozinha. Ao dar uma rápida olhada na geladeira, onde Jessica pedira que ela guardasse os perecíveis, ela viu que a maioria das embalagens estava vencida, ou com algum fungo crescendo.

Bella pensou no banho quente e suspirou, enquanto arregaçava as mangas. Ela não era nenhuma maníaca por limpeza, até gostava de uma baguncinha, mas isso era outra coisa.

Se o homem não queria uma empregada, bem, que pena, pensou ela. Somente pela higiene, ela não podia deixar as coisas daquele jeito.

Meia hora depois, o lugar ainda não faria sorrir um agente da vigilância sanitária, mas melhorara muito. Ela cruzou os braços e olhou, satisfeita, enquanto colocava uma garrafa vazia dentro de um saco, para o lixo reciclável, e disse, em voz alta:

"Bem, eu só espero que ele goste."

"Quem diabos é você e o que está fazendo aqui?"

Um suspiro ofegante de surpresa escapou dos lábios dela, quando as mãos pousaram em seus ombros e a viraram de frente.

Vendo-se diante do botão do meio do peito de uma camisa azul, ela ergueu o rosto para ver quem era a pessoa, cujos dedos apertavam seus ombros, e, obviamente, não estava nada contente. Ela se viu encarando o homem mais bonito que já vira na vida.

A sensação de olhar toda aquela perfeição fez sua cabeça girar. Ela sabia que estava agindo feito uma idiota, mas não conseguia impedir, era como se sua vida dependesse daquilo.

Ele era alto, vários centímetros mais que l,90m, musculoso, mas não de uma forma exagerada. Esguio e rijo. Tinha uma tonalidade de pele mediterrânea, seus cabelos eram de uma cor acobreada, encaracolados no pescoço, caindo sobre a testa. Os ossos de seu rosto eram fortes e marcados, as maçãs, saltadas, um belo nariz e um queixo másculo e firme.

Na verdade, a única coisa que não era profundamente máscula nele eram os cílios, pela extravagância do comprimento. E os lábios eram tão sensuais que a barriga dela se contraiu.

Em vez de tentar desviar o olhar, Bella encarou diretamente os olhos dele. Ela lutou contra a própria respiração trêmula. Os olhos, tão verdes, eram quase esmeraldas. Mas olhar dentro deles a fez se sentir como se estivesse caindo num precipício.

Ela rapidamente se lembrou da bagunça a cozinha.

"Você deveria ficar grato" disse ela, desviando seus olhos castanhos do rosto dele. Com a respiração rápida e ofegante, para inalar oxigênio suficiente para o cérebro, ela arriscou inclinar a cabeça outra vez e dar uma segunda olhada para aquele rosto.

Ele não aceitou a ressalva quanto à gratidão e só demonstrava raiva em suas belas feições. Ela quase podia sentir suas vibrações.

Suspeita e hostilidade vinham direção dela, é o ar entre eles estava quase visivelmente carregado.

"Importa-se em me soltar?" Bella pediu, erguendo o queixo, e pensou que não deveria deixá-lo ver que a estava assustando. Talvez fosse essa a intenção dele.

Ele franziu o rosto e um segundo depois as mãos afrouxaram em seus ombros, embora não a tivessem liberado totalmente.

Um suspiro de alívio prematuro saiu da garganta dela ao olhar para os lábios dele, e ela sentiu algo na barriga.

"Quem é você?" perguntou ele. Bella engoliu; sabia quem ela não era.

Ela não era uma mulher de olhos arregalados por ter visto um lindo homem.

Certamente, não a mulher que era atraída pelo perigo, e se algum homem representasse perigo, ela não estaria olhando para ele. Mas olhava para aquele, e sentia uma porção de coisas que ficaria mais feliz em não sentir. Nunca em sua vida um homem provocara tal reação nela.

Ele a amedrontava e repelia, mas, ao mesmo tempo, era empolgante e sedutor, e isso circulava por suas veias. Bella se sentiu inebriada. Ela jamais sentira tal coisa, em seus 24 anos de vida.

"Fale ou eu..."

A ameaça na voz grave quebrou o encantamento que a mantinha imóvel. Ela percebeu o isolamento do castelo e a vulnerabilidade da situação... O que ele faria...?

"Solte-me!" O medo fez a voz dela tremer e ela começou a lutar freneticamente para se soltar das mãos dele.

"Dio mio!" ele disse, entredentes, quando uma das mãos dela soltou e o atingiu no queixo. "Quer ficar quieta, mulher?"

Bella ficou parada, mas só porque sua energia se esgotara, deixando-a tremendo, com os joelhos fracos.

"Você é italiano" afirmou ela. A voz com ligeiro sotaque era forte e profunda.

"Você está invadindo."

"Não, sou apenas a faxineira, só vim trocar os lençóis."

"Faxineira...?" Ele não pareceu convencido, mas ela ficou aliviada ao ver que, embora ele ainda a olhasse com suspeita sua hostilidade desaparecera.

Ele se esticou, endireitando a postura intimidante, e Bella soltou o ar, quando as mãos dele soltaram seus ombros. Ela deu um passo para trás e encostou na mesa rústica, no meio da sala, e passou as mãos nos cabelos. As mãos ainda tremiam, e a voz, também, quando ela respondeu, sarcasticamente:

"Não, eu sou uma ladra internacional de joias, e meu disfarce é lavar louça suja..."

Ela estava contente porque agora vários palmos os separavam. Com toda aquela proximidade, o homem era realmente sufocante. Ela já não imaginava estar correndo perigo físico, mas sua segurança mental era outra questão. Todas as vezes que ela o olhava, sua mente parecia se derreter, e as coisas que aconteciam com o restante de seu corpo não exigiam um exame mais minucioso.

Ela estava profundamente envergonhada de sua reação inicial a esse italiano mal-humorado, com essa boca sexy e essas incríveis maçãs do rosto. Ela desviou os olhos do rosto dele, consciente de que estava quase se babando. Pelo amor de Deus, mulher, mostre um pouco de orgulho, ela repreendeu a si mesma, zangada.

"É claro que sou a faxineira." Ela apontou, dos cabelos desgrenhados, aos pés. "O que pareço ser?"

Ele podia dizer que ela estava um horror, e não estaria errado, pensou ela, refletindo como havia sido tola em pensar no que ele achava de sua aparência. Principalmente porque não ganharia um segundo olhar dele, em nenhuma outra circunstância, mesmo que estivesse usando o mais encantador dos trajes.

Mas ele não aceitou seu convite para olhá-la. Em vez disso, o olhar sem piscar estava fixo em seu rosto, observando.

"Você não tem cheiro de faxineira."

"Qual é o cheiro das faxineiras?" Uma sobrancelha escura se arqueou.

"Você, presumivelmente. Mas eu nunca segurei uma tão perto quanto uma amante."

O comentário a fez corar profundamente.

"Então, você nunca viveu" disse ela, tentando não pensar naquele homem e a palavra amante, citados na mesma frase.

" Ideia tentadora" disse ele, sem parecer tentado. O que era rude.

"Isso não foi um convite." Como se ela fosse fazer um convite a um homem que parecia um anjo das sombras.

Ela ergueu uma sobrancelha e pareceu que sabia beijar muito bem.

"Então, isso não é parte do serviço...?"

" Eu não cobro por beijos, só para limpar, e só beijo as pessoas que eu gosto."

A atenção dele se voltou para a janela, quando ele pareceu perder o interesse pela conversa. Sem olhar para ela, passou a mão pelos cabelos cobres. Bella estava habituada aos homens não reagirem de forma sensual a ela, mas a maioria não agia como se ela fosse invisível.

O silêncio se alongou. Quando o homem falou, ela deu um pulo.

"Você cria expectativas num homem, depois as retira. Então, sra. faxineira, pode pegar seu esfregão e voltar para casa. A administração foi avisada, antes de minha chegada, que eu não solicitei serviço de limpeza."

Bella ficou tentada a dizer que era apenas uma ajudante contratada, mas Jessica já tinha muito com que lidar, sem reclamações de hóspedes ricos. Em vez disso, respondeu:

"Disseram-me isso, mas vocês todos estavam errados." Ele demonstrou perplexidade.

"Eu estava errado?"

Um sorriso surgiu nos lábios dela, depois sumiu, quando sua barriga se apertou.

"Estava" disse ela, com os olhos colados nos lábios dele. "Você, decididamente, precisa de mim."

Mesmo antes que ele arqueasse a sobrancelha expressiva, ela já estava vermelha como um pimentão.

"Você me parece bem confiante de sua habilidade para satisfazer as minhas necessidades..."

"Não é necessário ser cruel e sarcástico" disse ela. "E, na verdade, eu prefiro não pensar em suas necessidades."

Mas é claro que ela preferia.

"O que quero dizer é que, decididamente, precisa de serviço de limpeza, a menos que esteja planejando comer com os dedos ou pegar uma intoxicação alimentar. Achei que ficaria grato." Ela deu uma olhada ao redor da cozinha. O local está melhor que antes.

"E eu deveria lhe agradecer? Eu sabia onde estava tudo."

"Devo jogar algumas garrafas por aí para que você se sinta em casa?"

"Eu poderia colocar a mão em qualquer coisa quando precisasse." Ele fez um gesto circular com a mão e lançou uma fileira de copos lavados no chão. O ruído inesperado fez Bella gritar.

Então, ela ficou de boca aberta, ao perceber que o gesto foi totalmente deliberado. Bella o encarava, incrédula.

"Imagino que esteja esperando que eu vá pegar os cacos. Pode ficar esperando."

De dentes cerrados, ele a encarava, com cara de quem não estava gostando.

"Não estou pedindo sua ajuda. Sou mais que capaz de..." Para enfatizar sua capacidade, ele colocou a mão sobre o balcão.

"Oh, sim, realmente parece..." A voz de Bella sumiu quando ele ergueu uma das mãos. O estômago dela se revirou, quando viu o sangue pingando do corte na palma da mão dele.

"Oh, meu Deus!" ela gritou, horrorizada. "Mas que homem imbecil, o que você fez?"

Ele contraiu o maxilar.

"Nada."

"Seu idiota, o que achou que estava fazendo? Você bateu direto no vidro... qualquer um acharia que é cego."

"Eu sou."

"Muito engraçado" ela começou a dizer, inclinando a cabeça e vendo que ele estava olhando a parede acima dela. A angústia no rosto dela foi substituída pelo terror quando percebeu. Não era uma piada de mau gosto, ele estava falando a verdade. "Você não pode ver... é cego!" A vergonha e o choque a invadiram, como uma ducha gelada. Os lábios dela começaram a tremer e algo se apertou em seu peito, quando ela levou a mão até o rosto e sentiu as lágrimas descendo. "Eu lamento muito, eu não sabia." Ainda sem conseguir acreditar que aqueles olhos lindos não podiam vê-la, ela passou a mão na frente do rosto dele. Ele não piscou, mas, com uma velocidade incrível, pegou o pulso dela com a mão que não estava machucada.

"Pare com isso. Eu já tive piedade suficiente, a vida inteira!" disse ele. "Não preciso de sua compaixão, nem de pena!"

Bella olhou para o sangue pingando no chão e cerrou os dentes.

"Já entendi."

Os lábios dele se curvaram com desprezo.

"Entendeu o quê?"

"Entendo que esteja zangado porque eu o vi vulnerável. Não se preocupe, eu não me sinto mais especial. Você está obviamente zangado com o mundo. O fato é que você é cego..."

Ela parou, ao ver a expressão de choque nos olhos dele.

"Você acha que preciso de uma sra. esfregão para me lembrar disso?"

Bella cerrou os dentes e continuou, como se a interrupção amarga não tivesse acontecido.

"Então, você pode continuar ignorando, se desejar, mas a louça suja não vai embora. Portanto, se eu puder dar uma sugestão, por que não deixa de agir como um covarde e segue em frente? Claro que não é justo, mas, para nosso horror, a vida não é justa."

Ela viu a incredulidade no rosto dele e sentiu um ímpeto de atrevimento.

"Isso não é da sua conta..."

"Não, não é."

Novamente, ela agiu como se ele não tivesse falado.

"O que provavelmente é uma boa coisa, porque eu realmente não ligo para o que você me diz. Ao contrário dos amigos e familiares por aí, as pessoas que o amam e que sem dúvida devem estar mortas de preocupação com você, a essa hora..."

Tinha de haver uma esposa, ou uma amante. Um homem com a aparência dele, que projetava uma força sexual daquela intensidade, não podia viver a vida de um monge.

Ela desviou o olhar da mancha escarlate na manga dele e se esforçou para manter o papel de estranha imparcial, inclinando a cabeça para olhá-lo, pensando como deveria ser linda a mulher de sua vida.

O homem imbecil provavelmente pensava estar sendo nobre, vindo para o castelo sozinho. Seu problema era ser teimoso demais para admitir que precisava de ajuda.

"Enquanto isso" continuou ela, abanando o dedo, embora ele ficasse alheio "você fica curtindo sua fossa, lambendo a ferida, como um animal machucado."

Ele seria um lobo, pensou ela, estudando seu lindo rosto e sentindo algo remexer na barriga. "Meu Deus, como você é egoísta!" ela concluiu, com desgosto.

Havia uma expressão de total incredulidade no rosto dele ao inclinar a cabeça para o lado, e um nervo na face se retraiu, enquanto aqueles olhos verdes a encaravam.

Para Bella, parecia impossível que ele não a estivesse vendo.

"Egoísta!"

Houve uma calma na repetição que chegou a emitir uma onda de arrepio pela espinha dela, fazendo-a pensar em sua mais recente analogia. Animais feridos, de qualquer tipo, eram perigosos, principalmente os lobos.

Mesmo com o temperamento sem parecer prestes a explodir, havia algo nervoso e imprevisível naquele estranho.

Se ela tivesse alguma sensatez, estaria seguindo em direção à porta, não continuaria ali, provocando.

E por que ela passara a fazer daquilo algo de sua conta? O remexer de excitação em sua barriga e a cabeça tonta vinham da adrenalina que circulava em sua corrente sanguínea, e isso podia ser uma dica... Bella franziu o rosto, sem gostar das conclusões a que sua rápida análise chegara, nem das sensações que aquele homem despertava nela.

A palavra gostar e esse homem não combinavam, decididamente.

Bella empinou o queixo, embora o gesto desafiador fosse desperdiçado com ele.

"Para mim, não quer dizer nada o fato de ter vindo para cá. Mas não é preciso ser um gênio para ver que não foi para escalar, nem pescar, e você não parece alguém que está em busca de paz espiritual."

Se estava, seguira pelo caminho errado, pensou ela, observando o maxilar e o nervo que latejava no canto da face.

"Você fala com paixão para alguém tão desinteressada. Sabe, de acordo minha experiência, as pessoas que sentem necessidade de analisar a vida dos outros não costumam ter vida própria."

"Dizem mesmo que o ataque é a melhor defesa. E, na verdade, eu tenho uma vida plenamente satisfatória, obrigada... nem todo mundo precisa de um homem para se realizar."

Ela parou, com a irritação estampada no rosto, percebendo que falara demais.

"A minha vida não é a questão." Ela pontuou a frase com um tom frio.

"No entanto, fascinante."

A fala arrastada e sarcástica a fez apertar os lábios. Ela lutou contra a antipatia, para afastá-la da voz, ao responder, secamente:

"Se você continuar sangrando dessa maneira, também não terá vida própria."

Ela franziu o rosto, achando bem difícil ser objetiva, enquanto via a piscina vermelha no chão aumentando.

"Myke tem uma caixa de primeiros socorros no Land Rover. Vou pegar."

"Não preciso de anjo da guarda." ela o olhou fixamente, com um olhar nada angelical e jurou:

"Tem a minha palavra, você não evoca o anjo em mim."

Quem é Myke?"

Com a mão na maçaneta, Bella, surpresa pela pergunta, se virou para olhar por cima do ombro.

"E o homem de quem você alugou este lugar." As sobrancelhas escuras se ergueram.

"Você trata seu chefe pelo primeiro nome?"

"Ah, nós somos muito igualitários por aqui." Sua expressão demonstrou que ele não permitiria tais intimidades com seus subordinados. Apesar de sua aparência desarrumada, agia como um homem acostumado a dar ordens e fazer todos saírem pulando.

"E você se daria bem com Myke, pois ele também acha que eu não tenho vida." Ela estreitou os olhos achocolatados, pensando na bem-intencionada referência feita por seu irmão.

Ela realmente já havia superado Jacob. Nem sequer estava zangada com ele. Estava zangada consigo mesma pois, no fundo, sempre soubera que aquele homem bonito nunca estivera apaixonado por ela. Não fora respeito que o impedira de levá-la para a cama, antes de se casarem, mas uma falta total de interesse pela sexualidade.

E quando viu o tipo de mulher por quem Jacob se interessava sexualmente, ela pôde entender o motivo. Leah, decididamente, uma beldade nórdica que ele conhecera e com quem se casara em duas semanas. Ela tinha quase l,90m e um corpo que qualquer homem cobiçaria.

Ainda olhando por cima do ombro, Bella observou o italiano pegando um pano de prato para pressionar sobre o ferimento.

"Para mim, não faz diferença se você quer se esconder como um eremita barbudo." Bella ficou muito contente com sua tirada corriqueira, mas as coisas estavam ficando inflamadas e pessoais demais. É claro que se ele pudesse ver seu rosto corado isso teria mudado tudo.

Mas ele não podia.

Mais uma vez algo doeu dentro dela, ao sentir uma onda de empatia pela dor de sua perda. Ela já percebera que a compaixão não apenas o deixava aborrecido, por isso manteve o tom mais direto possível.

"Mas eu vou limpar e cuidar desse ferimento, quer você goste ou não."

"Barbudo...?"

Ela quase quis sorrir quando ele ergueu a mão até o rosto e ficou surpreso ao deslizar os dedos sobre a barba por fazer, no maxilar forte. Era realmente irônico, pois havia uma porção de homens por aí que cultivavam uma barba para conseguir o visual que ele tinha, sem fazer força.

" Pode me chamar de egoísta, mas seria muito ruim para o negócio se fosse voltar para casa morto, e esse lugar é o único empregador por aqui."

"Então, você deseja cuidar do meu ferimento porque isso afetaria a economia local, não porque é um anjo da guarda."

O deboche dele a fez ficar vermelha.

"Se a rispidez é seu mecanismo de defesa para manter as pessoas a distância, preciso lhe dizer que funciona."

Uma expressão de total perplexidade substituiu o deboche. Depois, ele a desarmou totalmente. O sorriso que revelou seus dentes brancos e lindas rugas ao redor dos olhos eliminou o cinismo ao redor da boca.

Ela sentiu o ar preso na garganta, vendo a transformação. Raios, ele é lindo de morrer!

Então, ele completou a transformação, ao jogar a cabeça para trás e rir. O som foi profundo e atraente.

"Você tem uma língua e tanto." Não houve engano na admiração na voz dele. Bella achou aquilo mais perturbador que a hostilidade. As sobrancelhas se juntaram em consternação, quando ela saiu, sem notar, até chegar ao lado de fora, que estava prendendo a respiração.