Voltei com mais um capítulo saindo do forno! rsrs Há só ontem publiquei uma outra adaptação: Inocência rebelde, é um romance maravilhoso e que vcs vão amar!

Boa Leitura!!!

Capítulo 6

Bella olhou o relógio antes de bater na porta do escritório de seu editor:

"Droga!"

Já passara dez minutos do horário que Aro Volturi dissera que ela fosse encontrá-lo. Aro era bem conhecido por duas coisas: sua barba que o fazia parecer o Papai Noel e sua reação paranoica quando o deixavam esperando. Ele era conhecido por sair andando quando as celebridades de Hollywood se atrasavam, e ela não era uma atriz famosa, nem diva: era uma jornalista júnior, cujo contrato temporário estava chegando ao fim.

Era uma posição bem enervante para qualquer um que tivesse suas inseguranças, e Bella as tinha.

Algumas semanas antes, receber a oferta desse emprego havia centralizado o foco de toda sua atenção, e a possibilidade de que ele próprio lhe oferecesse isso a deixara num estado febril de expectativa.

Agora, quando a segurança financeira era mais importante do que nunca, Bella bateu à porta sentindo-se estranhamente deslocada.

Era provável que isso nada tivesse a ver com seu contrato. Aro Volturi tinha coisas mais importantes em sua agenda do que contratos de membros juniores em sua equipe. Nas duas ocasiões em que eles haviam se encontrado pessoalmente, ele dissera seu nome errado, embora tivessem lhe advertido para não ver tal atitude como algo pessoal. Aparentemente, Aro não era bom com nomes e chamava a todos, desde a realeza até gente do governo, de "parceiro".

Mas se não era o contrato, o que mais poderia explicar essa súbita convocação, em seu dia de folga? Ela até poderia ter mais pistas, se sua disciplina mental não estivesse desintegrada. Ela não conseguia ligar uma ideia à outra sem que Edward surgisse em sua mente.

" Supere-o, Bella!" ela dizia a si mesma, seriamente. Se ele não queria ter nada a ver com o bebê, a perda era dele. Ela franziu o rosto, ergueu o queixo e disse: "Azar o dele!," no instante em que a porta do escritório foi aberta.

" Des... desculpe" murmurou, corando até a raiz do cabelo.

" Eu disse entre."

"Eu não ouvi, eu..."

"Deixe pra lá. Sente-se... Vou direto ao assunto."

E foi o que ele fez. Bella ouvia, com um nó de ansiedade no estômago que passou a ser um rombo, até a hora em que ele terminou.

" Então, você está me despedindo?" Aquilo foi um choque, mais que um choque. Ela era insegura, mas não era delirante, ela sabia que era boa.

O olhar direto do editor se desviou em direção a um vaso de planta em cima do armário.

" Precisamos liberá-la, lamento e tudo mais."

Bella ficou de pé, se esforçando para ter dignidade. Era difícil, com seus joelhos tremendo tanto.

"Não lamenta tanto quanto eu."

" É claro que lhe daremos excelentes referências."

" O que eu fiz de errado?"

" Isso não tem a ver com você... é sobre... Malditos!" disse ele, batendo o punho fechado sobre uma pilha de papéis que caíram no chão.

Bella ficou olhando a inexplicável reação, mas isso não a comoveu. Estava anestesiada.

" É sobre as mudanças organizacionais."

Bella aceitou a explicação vaga com uma sacudida dos ombros.

" Vou juntar minhas coisas, devo fazer isso?"

" Não há pressa... nada de pressa" disse Aro, meio sem jeito, ao dar um apertão no ombro dela.

Bella arrumou seus pertences sem encontrar ninguém conhecido. Já estava na metade do caminho de casa quando a raiva bateu e refletiu sobre o fato. Uma centena de coisas que ela deveria ter dito, orgulhosas e incisivas, surgiam em sua cabeça. Até a hora em que chegou à sua quitinete, a raiva se transformara em infelicidade e autopiedade, as lágrimas cegando-a, no momento em que ela enfiava a chave na fechadura e entrava.

Ela soltou os objetos que estava segurando no sofá.

Já estavam esperando no carro estacionado há mais de meia hora quando Felix, sentado no banco do motorista, falou:

" Há uma moça vindo, ela é mignon, tem cabelos ruivos e está chorando."

O último comentário confirmou...

" Ela está entrando no prédio." O italiano atarracado continuou falando em sua língua nativa.

"Vamos segui-la" disse Edward, tentando não pensar nas lágrimas. Essa era uma situação em que os fins decididamente justificavam os meios.

Felix respondeu com um grunhido afirmativo, mas não expressou surpresa diante do aviso. Ele já trabalhava para Edward há dez anos e sua função exigia flexibilidade. Ele esperou até que Edward saísse do banco de trás e colocasse a mão no ombro de seu empregado, para que fosse guiado, enquanto caminhavam em direção ao prédio em que e mulher entrara.

" É no quinto andar, apartamento 17b." Ela estaria chorando, no 17b?

O rosto de Edward se transformou numa máscara, enquanto se recusava a reconhecer sua culpa e a responsabilidade que tinha por suas lágrimas.

"O elevador está enguiçado, senhor" disse Felix, num tom de quem não parecia surpreso.

" O prédio não tem sua aprovação? Merece uma mão de pintura?" Edward especulou.

" Várias. Melhor, merece ser demolido."

Edward riu.

" Você é um esnobe." Depois ficou sério. Um prédio tão ruim a ponto de seu motorista achar inaceitável não era um local aceitável para que seu filho fosse criado.

O atarracado Felix, meio rechonchudo, estava ofegante quando chegaram ao quinto andar. Edward, não.

" Você precisa fazer mais exercícios, meu amigo."

Felix ouviu o comentário com um gemido, antes de fazer um relato sobre o local ao patrão. Ele sabia que a memória impressionante dispensaria repetições.

" Não quer que eu espere?"

" Não. Vou ligar quando precisar."

Bella ainda estava deitada no sofá, com seu casaco úmido, quando a campainha tocou. Somente quando o homem do andar de cima começou a bater no chão ficou óbvio que seu visitante não iria embora, e ela se esforçou para atender.

" Já vai, já vai" murmurou, passando as costas da mão no rosto úmido, dando uma olhada desinteressada no espelho. A olhada revelou o rosto vermelho e os olhos inchados, cercados de uma cabeleira desgrenhada, de cachos vermelhos úmidos.

Fungando e afastando os cabelos do rosto, ela abriu uma fresta da porta, mas antes que pudesse dizer ao visitante barulhento que fosse embora, ou mesmo olhar, a porta foi escancarada e ela deu um passo atrás, em seu corredor minúsculo, e Edward Cullen entrou, com seus ombros largos e seu mais de 1,90m.

Durante 30 segundos ela não conseguiu dizer nada.

Quando as mãos dele soltaram sua cintura, Edward não conseguia se livrar da sensação ilógica de que ali era o lugar delas. Afastando a ideia estranha, ele passou a mão pelos cabelos molhados. Estava chovendo.

" Diga algo ou eu vou achar que entrei no apartamento errado."

Era mentira. Ele poderia tê-la localizado dentro de uma sala com centenas de pessoas e achava que isso não tinha nada a ver com uma compensação sensorial que poderia ter desenvolvido. Seu sexto sentido não saíra do estado de hibernação mas, aparentemente, havia algo sobre ela que o fazia reagir, quase em nível celular.

Toda aquela masculinidade num espaço tão restrito fez com que o sistema nervoso de Bella e seu cérebro entrassem em estado de confusão. Ela soltou um suspiro, de olhos arregalados, e o olhou, com uma fraqueza se apoderando de seus membros, e outro suspiro trêmulo escapou de seus lábios. Ele estava incrível o suprassumo da beleza masculina, ali, perto o suficiente para pegar. Só que ela não o faria. Ela ainda tinha um resquício de bom senso, e a última experiência lhe ensinara que, quando qualquer forma de contato físico ocorresse com o italiano, as coisas ficavam perigosamente imprevisíveis.

Ela olhava avidamente para ele e pensava no que fazer em seguida a pergunta passaria a ser acadêmica se seu coração batesse mais rápido. Ele estava com uma jaqueta aberta que revelava um suéter de cashemere preto, como o jeans que moldava suas coxas longas e musculosas.

Ela tentou desviar o olhar, mas não conseguia parar de observar. Havia uma certa umidade em sua pele que a tornava brilhante, com gotinhas prateadas em seus cílios longos, emoldurando seus lindos olhos.

Ele não os escondia atrás de óculos escuros, pois Edward Cullen não era desse tipo. Era mais uma pessoa que encarava os obstáculos e seguia em frente.

Bella desconfiava que a maioria das coisas se deslocava ou até saía correndo quando o via vindo! Se ela tivesse mostrado, um pouco de sensatez, pensou, não estaria nessa confusão, embora imaginasse que ainda assim estaria sem trabalho, pois não havia correspondido às expectativas. Só que ela não estaria sem emprego e grávida!

Ela finalmente conseguiu falar:

" Você não entrou, você invadiu, sem ser convidado." Ela se esforçou para inserir uma certa frieza na voz, mas foi uma batalha perdida, pois era difícil ser fria olhando para aquela boca. " Como veio parar aqui?" Olhando a porta ser fechada. "E o que está fazendo aqui?"

Ouvindo o pânico na elevação de sua voz, ela parou e limpou a garganta.

" Na verdade, é uma hora ruim para mim..."

O tom rouco da voz dela teve um efeito semelhante em Edward, como um nervo exposto ao ar frio. Ele franziu as sobrancelhas.

" Você está chorando!"

Uma vergonha profunda se apossou dele. Ele contraiu o maxilar, fazendo com que os músculos angulares de seu queixo tremessem. Não era hora de sentimentalismo. Ele estava fazendo a coisa certa. Isso era necessário.

Bella fungou e colocou as duas mios sobre a boca, para abafar o choro que sentia chegando.

" Será que você pode simplesmente ir embora?" pediu ela.

"Não, eu não posso, mesmo que quisesse." Ele passou a mão sobre os olhos, de forma debochada. "Sou cego, lembra-se?"

"Eu me lembro." Continuava sendo difícil de acreditar, ainda mais agora, que ele havia conquistado os demônios do medo primitivo com os quais estava lutando na Escócia. Será que ele se ressentia pelo fato de que ela o vira quando não estava em absoluto controle?

"Caso você não tenha percebido, isso foi humor negro."

" Não, isso foi mau gosto."

"Sou famoso por isso."

Bella não conseguiu responder à tirada. Seus músculos faciais pareciam travados numa expressão trágica.

" Olhe..." Ela parou, pensando em como deveria chamá-lo. Ela não podia chamar o pai de seu filho de senhor! "Olhe, Edward..."

Uma emoção que não conseguiu interpretar surgiu no fundo dos olhos dele.

" Foi tão difícil assim?" perguntou ele.

Os olhos dela se arregalaram. Apesar de ele não poder analisar os sinais de sua linguagem corporal e as expressões faciais que todos menosprezavam, era assustadoramente perceptivo.

"O que foi tão difícil?"

" Dizer meu nome."

Ela estava emocionalmente arrasada demais para mentir.

" Sim, foi." E por que não? Qualquer coisa que tivesse ligação com ele era um trabalho duro!

" Edward, o fato é que eu tive um dia ruim. A última pessoa no mundo que quero ver é você!" Incapaz de conter as lágrimas, ela as sentiu escorrendo pelas faces mais uma vez, e as limpou com as costas da mão.

"Falar a respeito, às vezes, ajuda."

" Pelo amor de Deus, não venha bancar o bonzinho e compreensivo agora, a menos que queira que eu chore em cima de você, e isso não vai ser bonito" ela alertou.

Edward, que sabia muito bem que nem o mais generoso dos críticos classificaria suas ações recentes nem como gentis nem como compreensivas, esticou o braço e a tocou no rosto. Ela virou a cabeça para o lado, mas antes sentiu um arrepio que varreu seu corpo e foi identificado por ele, pelas pontas dos dedos.

"A vantagem de estar na companhia de um homem cego, cara, é que você pode relaxar quanto à aparência e não se preocupar nos dias em que o cabelo não está bom."

Ele podia não conseguir ver seu rosto, nem interpretar sua linguagem corporal, mas Bella reconheceu, com certo desânimo, que ela se sentia mais exposta quando ele estava perto.

" Eu nunca poderia relaxar em sua companhia." Ela mordeu o lábio trêmulo e acrescentou, antes que ele pudesse interpretar algo na resposta: "Tentei conversar com você... Edward, e tudo que consegui foi uma dor de cabeça. Olhe, eu sinto muito, sei que você só estava tentando fazer a coisa certa ao sugerir que nos casássemos... Você é italiano e tem essa coisa da família..."

Ela parou, quando seus ombros começaram a sacudir, com a força de conter as lágrimas travadas na garganta. Ela abaixou a cabeça e começou a chorar convulsivamente.

Seu choro abafado partiu o coração de Edward de uma forma que mulher alguma jamais conseguira fazer.

Ele deu um passo à frente e esbarrou num obstáculo que não percebera. Pisando por cima e xingando, ele esticou as mãos e sentiu o alto sedoso da cabeça dela. Ela a ergueu e ele deslizou as mãos, emoldurando o rosto, passando o polegar na face molhada.

Ela fungou e cobriu as mãos dele com as dela, mas, em vez de afastá-las, ficou ali, segurando-as, no mesmo lugar.

" Desculpe, isso não tem nada a ver com você. Eu preciso manter o foco."

Edward dizia isso a si mesmo cem vezes por dia que tinha de manter o foco e o controle. Quando ele falou, foi por experiência própria. Ele sabia que não falar sobre os sentimentos não os fazia desaparecer.

"Não, você precisa abrir mão." Ela estivera lá quando ele abrira mão e viu a força de sua raiva.

O restante da frase ficou sem ser dita, quando ela subitamente caminhou para dentro dos braços dele e deitou o rosto em seu peito, e falou numa voz abafada pelo suéter:

"Preciso que você cale a boca e me abrace."

Por um segundo, Edward não reagiu ao comando imperioso.

Um conflito interior o partiu por dentro, e isso não fazia sentido. Só havia conflito quando alguém não tinha certeza da coisa certa, e Edward tinha, pois não era um homem perturbado por dúvidas pessoais.

Ele tivera a chance de observar a situação com total objetividade. Essa possibilidade de ter uma visão clara, sem interferências emocionais, combinada à sorte e ao talento, o ajudara a se tornar um homem muito rico. Ele estava descobrindo que não era fácil manter a posse dessa objetividade com uma mulher tão macia e chorosa em seus braços. Seu aroma fazia com que os sentidos dele transbordassem, e enlaçou-a com os braços.

Sentimentos fortes e desconhecidos assomaram, enquanto ele afagava seus cabelos e sentia seu corpo trêmulo relaxando. Tirou o casaco pesado e úmido dos ombros dela e fez um movimento suave em sua coluna. Depois encostou o queixo em cima da cabeça de Bella e tentou manter a situação em perspectiva. Haveria outros empregos.

Mas essa não era a questão, e Edward sabia disso. Ele soubera disso quando ligou para o proprietário do Chronicle e pediu um favor, mas tinha racionalizado suas ações e isso era mais difícil agora, ao ver as consequências tão de perto. Perto demais!

As curvas dela se encaixaram aos ângulos dele, como feitos para complementarem um ao outro. Ele tentou não pensar por que estava fazendo aquilo, mas imagens dela, macia e morna embaixo dele, invadiam seus pensamentos.

Ele estivera furioso e em choque. Seu orgulho estava ferido quando ela o chamou de indeciso. Ainda sentia necessidade de que ela se retratasse, um desejo estranho para um homem que jamais dera a mínima para qualquer opinião a seu respeito.

O que ela pensava dele não era relevante, embora ele claramente fosse se sentir mais confortável casado com alguém que não o detestasse.

Eles precisavam casar.

Sua atitude imediata, quando ela deixou seu escritório, foi cancelar uma viagem para a Itália, na manhã seguinte. O próximo passo foi ligar para Aro Volturi e pedir um favor. O homem não ficara muito contente com o pedido de interferência, como frisou, sendo isso uma decisão puramente editorial, mas mesmo assim concordara.

Isabella não receberia a oferta de um contrato. Isso parecia razoável para Edward, presumindo que sem um emprego a tão independente Isabella veria a insegurança de sua situação. Ela ficaria num estado mental mais favorável para analisar sua proposta, ou ao menos não descartá-la, de imediato. Era uma ironia. Edward passara a vida inteira fugindo de mulheres que queriam agarrá-lo ou, ao menos, o seu dinheiro e agora ele estava sendo forçado a empregar traição e táticas sujas de modo a se oferecer como uma boa barganha de casamento.

Edward afastara qualquer censura quanto a empregar tais métodos. Ele faria qualquer coisa para assegurar que, ao contrário do que lhe acontecera, seu filho não fosse criado sem pai. Que seu filho jamais se sentisse não fazendo parte de algo. Os pais querem para os filhos aquilo de que foram privados, e ele não era exceção.

Enquanto dava vazão às emoções contidas, Bella não pensava em nada, exceto no abrigo dos braços de Edward. Ela deveria ter-se afastado no segundo em que se conscientizou do restante, como o calor e a rigidez de seu corpo, e seu cheiro masculino, mas não o fez. Ela permaneceu com os olhos fechados, querendo que o momento durasse.

Edward era a causa, não a solução, para todos os seus problemas, o que tornava ainda mais bizarro o fato de que ela se sentia segura nos braços dele.

Ela estava ficando maluca, disse a si mesma.

Com as mãos espalmadas sobre o peito dele, ela o afastou.

Houve um silêncio estranho.

" Desculpe. Você estava no lugar errado, na hora errada." Ele arqueou uma sobrancelha, e a aspereza em sua voz mascarou o que realmente sentia por dentro ao ouvir a voz dela.

"As coisas vão melhorar amanhã; não é o que dizem?"

"Nesse caso, não. Eu perdi meu emprego hoje." Por que ela estava contando isso a ele?

Sem esperar uma resposta, ela caminhou até a sala e sentou, de pernas cruzadas, numa cadeira. Quando olhou para cima, viu que ele a tinha seguido, tateando a parede.

Por um instante, ela ficou totalmente admirada pela adaptação dele. Ela podia imaginar o quanto seria aterrorizante entrar em algum lugar estranho e não ter a menor ideia de onde estava. No entanto, ele não hesitava. Sua presença dominante irradiava confiança, e a saleta ficou menor ainda.

Não havia dúvida de que Edward Cullen era um homem impressionante, mesmo sendo extremamente irritante.

" Há uma cadeira à sua esquerda."

Edward aceitou a informação assentindo e sentiu a cadeira antes de sentar.

" Por que perdeu seu emprego?"

"Parece que eu não estava indo tão bem quanto pensei. Você despreza os maus jornalistas menos do que os competentes?"

Ele franziu o rosto.

"Foi isso que disseram? Que você era..."

"Incompetente." Ela sacudiu os ombros e olhou para as mãos, sobre o colo. "Não diretamente" admitiu ela, com um sorriso torto. "Mas ficou razoavelmente óbvio. A pessoa tinha de aceitar os fatos quando não havia como rejeitá-los."

Edward ficou irritado pela aceitação fria na voz dela. Ele manipulara a situação, queria que ela se sentisse vulnerável, mas não desse jeito. Ela era uma lutadora; passou o tempo todo lutando, desde o instante em que ele a conheceu! De alguma forma, causou uma sensação estranha ouvi-la parecer tão resignada e derrotada.

"Então, você vai desistir."

Bella ergueu a cabeça, a raiva que ouvia na voz dele parecia ser voltada para ela.

" Eu não a julgava uma derrotada" acrescentou ele. O desprezo áspero a feriu.

" Não sou, sou uma realista." Ela o olhou e percebeu que ainda não tinha ideia do motivo dele estar ali.

Ela imaginava que fosse por algo com relação ao bebê, mas o quê? Os olhos dela se arregalaram, depois se estreitaram, quando surgiu uma suspeita. Com as mãos enlaçadas, ela sentiu o coração pesado e um gelo em seu peito. Se ele se atrevesse a sugerir que ela se livrasse do bebê...

"O que você vai fazer? Ficar com seus pais?"

"Meu pai morreu quando eu tinha 10 anos. Minha mãe morreu no ano passado."

"Lamento."

Houve uma certa cautela na expressão dela ao olhar o rosto dele; sua compaixão parecia verdadeira. Mas a boca a distraiu, como sempre. Ela sentiu uma pontada de culpa e desviou os olhos. Ficar observado daquela forma, quando ele não podia fazê-lo, era como uma invasão. Ela estava invadindo a privacidade dele, como uma espécie de voyeur.

Bella deu um pequeno gemido e acrescentou:

" Isso não foi totalmente inesperado, ela já vinha convivendo com a doença há anos. Tinha entrado em remissão antes, e superou, mas depois voltou e, dessa última vez..." A emoção contraiu sua garganta, conforme se esforçava para manter a voz. "... ela não conseguiu."

A pequena fungada fez algo se apertar no peito de Edward. Ele não podia vê-la, mas sabia que estava franzindo o rosto, aterrorizada que pensasse que estava querendo sua compaixão.

Como ele sabia disso?

"Seus pais são vivos?"

" Bem vivos."

" Imagino que você esteja preocupado com o que irão pensar sobre o bebê."

"Estão ocupados com a própria vida."

O pai dele descobrira o prazer da paternidade no ano anterior, ao fazer 60 anos. Sua nova esposa tinha 22 anos. A atenção de sua mãe era voltada a suas meia-irmãs adolescentes, e para o fato de se manter jovem para o marido ela nunca admitira cirurgia plástica, mas as rugas sempre sumiam.

"Você contará a eles?" Ao fazer esta pergunta, Bella ficou imaginando se ele pensava que não haveria necessidade, caso a convencesse a interromper a gravidez.

Edward sutilmente desviou do assunto de sua família.

"Então, quais são seus planos?"

"Procurar um novo emprego." Ela o olhou e pensou: "e ficar com meu bebê. Preciso pagar o aluguel. Nunca se sabe, minha experiência como faxineira pode ser útil. Eu posso procurá-lo, para ter uma referência."

Ela viu os lábios dele se curvarem num sorriso, e soube que ele diria algo que ela não ia gostar ou talvez gostasse demais? Seu problema era que suas reações com relação a Edward eram totalmente incompatíveis com o bom senso que todos diziam que ela possuía.

Ele baixou o tom de voz e comentou:

"Os talentos que pude verificar não vão lhe arranjar o tipo de emprego que está buscando, cara."

Bella sabia que ele estava tentando insultá-la, não seduzi-la, então, a onda de excitação em sua barriga foi mais que inexplicável.

"Se isso é tudo que consegue dizer, é melhor ir embora!" ela gritou. "A menos que tenha sugestões melhores." Ela assoou o nariz, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, enquanto o olhava, desconfiada.

"Na verdade, eu tenho." Bella ficou tensa.

"Estou ouvindo..."

"Você estava falando sério, ontem?"

Ela o olhou, cautelosa.

"Falando sério sobre o quê?"

"Que o fato de eu ser cego não tinha nada a ver com sua recusa de minha proposta."

" Sim, não tinha." Hoje ele provavelmente estaria aliviado por ela ter recusado.

"Prove."

O desafio a fez franzir as sobrancelhas.

"Como?"

"Diga sim, agora."