Boa Leitura!!!

Capítulo 9

"Sim, sua visão retornou, sr. Cullen."

Edward lutara para conter sua impaciência com o médico.

" Não preciso que me diga isso. O que preciso saber é se vai durar." Ou ele acordaria no dia seguinte novamente num mundo de escuridão?

O médico não estava disposto a se comprometer.

" Nós não temos a menor ideia se isso é permanente até fazermos mais exames, sr. Cullen."

" Se é assim, doutor, há coisas além de seu rosto que eu prefiro ficar olhando."

A resposta fez surgir um sorriso no rosto do médico.

" Eu compreendo, mas tenho que recomendar que fique no hospital até realizarmos exames adicionais."

Edward respondeu, em termos igualmente fortes, que ia se casar naquela tarde e nada o impediria de comparecer à cerimônia.

Agora, com o casamento quase chegando ao fim, ele não se arrependera de sua decisão. Ele enxergara o rosto de Bella. Ninguém poderia lhe roubar isso.

A expectativa da pequena comemoração matrimonial se estendeu e Edward congelou, com uma estranha expressão no rosto. Bella pensou, infeliz, que era como se ele tivesse acabado de perceber a enormidade do que acabara de fazer e já estivesse se arrependendo.

Ela foi tomada pela certeza humilhante de que ele não ia aceitar o convite do tabelião para beijá-la, e estava abaixando a cabeça quando ele pegou seu queixo.

" Você não precisa" sussurrou ela, quando Edward ergueu sua cabeça. Ela subitamente não conseguia suportar a farsa. Ela queria, com todo coração, que aquilo fosse de verdade, mas sabia que jamais seria. " Não há ninguém aqui para fingirmos" acrescentou ela, com voz gélida. E não conseguia conter o tremor.

Embora ela pensasse ser impossível, os olhos dele pareciam fixos nos dela, enquanto ele suavemente beijava seus lábios.

" Eu não estou fingindo. Estamos casados, cara" disse ele, passando a ponta do polegar ao redor dos lábios dela. " Isso é pra valer, não é fingimento." O murmúrio foi dito para que somente ela ouvisse.

A luz nos olhos dele a deslumbrou, despertando um desejo que estava logo abaixo da superfície sempre que se encontrava perto dele.

" E eu a beijo porque quero e porque você quer, não para satisfazer uma plateia. Você quer que eu a beije, não quer, cara?"

Bella esquecera que eles tinham uma plateia e estava profundamente hipnotizada quando sussurrou:

" Sim."

Ele passou os lábios levemente sobre os dela e Bella fechou os olhos, com os dedos apertando o buquê.

O beijo foi de uma ternura incrível e fez brotar lágrimas nos olhos de Bella.

Edward olhou para o rosto dela e sentiu uma onda de emoções tão forte que por um instante mal conseguia respirar. Desde o instante em que ficara sabendo da gravidez, ele vinha dizendo a si mesmo que era um cara ótimo, disposto a fazer o supremo sacrifício de se casar com a mãe de seu filho.

Sacrifício nada! Ele vinha sendo egoísta. Sua vida não teria qualquer significado sem aquela ruiva deslumbrante!

Bella abriu os olhos e eles reluziam em seu tom chocolate, diretamente para ele. Ele se sentiu como se alguém tivesse enfiado a mão dentro de seu peito e apertado seu coração. Quando Edward contasse que arranjou para que fosse despedida, ela o odiaria.

O tabelião limpou a garganta e deu um sorriso.

" Desculpe, mas tenho outro casal marcado para 16h30..." Bella corou novamente.

" É claro... desculpe..." Ela colocou a mão no cotovelo de Edward e murmurou baixinho que havia dois degraus.

" Por mais que eu seja grato por sua sensibilidade quanto aos meus sentimentos, Isabella, acho que será bem mais fácil se eu apenas me apoiar em você."

Bella lançou um olhar incerto ao rosto dele, quando ele parou ao seu lado.

" Sim, imagino que sim." Mas para ela não era fácil parecer descontraída com aquele corpo rijo pressionado junto ao seu.

Mas não tinha problema, porque noivas não precisavam estar descontraídas. Ela não estava, mas Alice, a namorada de Jasper, não pareceu ver nada faltando. Estava com os olhos lacrimosos ao beijar Bella. E olhou para Edward com uma admiração nervosa.

" Onde vão passar a lua de mel?" perguntou a Bella, enquanto deixaram o prédio, seguindo em direção à limusine que os aguardava.

" Oh, não teremos lua de mel." O rosto de Alice murchou.

" Ora, mas que pena!" exclamou ela.

Os olhos de Bella passaram rapidamente ao homem alto ao seu lado... ela teria de se acostumar a chamá-lo de marido.

" Edward tem que participar de uma reunião de negócios amanhã cedo e..."

" Nós teremos uma lua de mel."

O queixo de Bella caiu, quando ela ergueu a cabeça para ele.

" O quê?"

" Uma lua de mel. Eu não falei?"

" Não compreendo" disse Bella, quando ficaram sozinhos no carro. " Ficou combinado que não teríamos lua de mel. Isso é para os apaixonados. Você disse que precisava ir..."

" Houve uma mudança de planos" Edward interrompeu, suavemente.

Os olhos de Bella se estreitaram.

" Um plano sobre o qual nem fui consultada!" respondeu ela, sem entender por que se sentia tão rabugenta, além do fato de ter sido pega de surpresa. " Imagino que estar casada com você será assim. Devo atender obedientemente ao que determinar, pois você pretende que eu seja uma esposa submissa."

" Qualquer pessoa acharia que você já está arrependida." Bella estava contente porque os olhos verdess não podiam ver as marcas de suas lágrimas.

" Isso é transferência?"

" Oh, meu Deus, isso é pior do que eu pensei, você teve aula de psicologia."

" Isso é uma lua de mel, não é? Você está me levando a uma maldita reunião de negócios para que possa ficar de olho em mim... você não confia em mim!" ela o acusou.

" Isso é um gesto romântico, cara. Estou sendo espontâneo." Seu sarcasmo parecia desnecessariamente cruel para Bella, que virará a cabeça, na tentativa de ocultar as novas lágrimas que brotavam.

Prosseguiram em silêncio, até que ela dominou suas emoções o suficiente para falar sem gritar ou chorar.

" Para onde estamos indo?"

" Achei que seria apropriado se voltássemos ao lugar onde nos conhecemos."

O queixo dela caiu.

" Para a Escócia, no castelo! Você está brincando."

" Achei que você ficaria satisfeita."

" Mas meu irmão..."

" Eu não o convidei" disse Edward.

Ela o encarou com olhos apertados.

" Muito engraçado, mas o que ele dirá quando souber que estamos casados?"

" Imagino que ele dirá que você poderia ter se saído melhor, o que provavelmente é verdade, mas acho que se você não se importar, nós devemos adiar quaisquer reuniões familiares. Não há necessidade de ninguém nos ver. Eu providenciei todos os suprimentos necessários e determinei não haja empregados. E claro que minha solicitação pode ser ignorada por alguma ajudante intrometida..."

Contra a sua vontade, Bella reagiu ao sorriso provocante.

" Assim é melhor" ele aprovou, recostando no banco.

" O que é melhor?"

" Eu prefiro quando você sorri para mim, em vez de fazer cara feia."

Ela franziu a sobrancelha.

" Como sabe que estou sorrindo?"

" Eu ouço em sua voz, cara."

Bella, que torcia para que isso fosse tudo que ouviria, recostou-se ao lado. A única coisa que tornava essa situação suportável era o fato de Edward não começar a desconfiar de seus sentimentos. Bella foi ficando cada vez mais pensativa ao pensar porque era tão importante para ela que Edward não soubesse. Com tão pouco restando, o orgulho tinha um valor extra.

" Vem!" disse Edward, puxando-a para perto dele. Aconchegando-se ao lado dele, Bella fechou os olhos e sentiu que a tensão em seus músculos diminuía.

" Está contente com a lua de mel?" perguntou Edward, afagando os cabelos dela.

" Estou surpresa."

Sua resposta cautelosa arrancou um sorriso irônico dele. Notando que haviam passado pelo caminho da casa de Edward, Bella se endireitou no banco.

" Por que estamos indo por aqui?"

" O heliponto da casa está em reforma. Vamos partir de..."

" Vamos para a Escócia de helicóptero?"

A expressão dele sugeriu que ficara impressionado que Bella achasse que seria de outro modo.

" Mas eu não posso ir assim! Nem fiz a mala e..."

Edward descartou seus protestos sacudindo os ombros, com uma explicação casual.

" Você está encantadora assim, e como a loja tinha suas medidas, foi simples providenciar que eles mandassem algumas roupas, esta manhã, além dos itens pessoais necessários. Se houver algo que eu esqueci, podemos mandar buscar."

" Você comprou um guarda-roupa inteiro?" Ele ergueu uma sobrancelha.

" Algum problema?" Bella franziu o rosto.

" Um marido tem direito de comprar algumas roupas para sua esposa."

Bella verbalizou suas dúvidas.

" Marido? Será que isso um dia vai deixar de soar estranho?"

" O desconhecido logo pode passar a ser comum, se você permitir."

O comentário arrancou uma risada de Bella. Ele inclinou a cabeça.

" Isso é engraçado?"

Bella esticou a mão para tocar o rosto dele, mas recuou, no último instante, mordendo o lábio.

" A ideia de haver algo comum em você não é engraçado, é hilário" disse ela.

O silêncio entre eles se estendeu, enquanto Edward parecia estudar seu rosto, algo que Bella sempre achava enervante.

" Eu acho, Isabella, que isso pode ter sido um elogio...?"

" Foi" admitiu, depois, querendo aliviar a tensão, e ainda acrescentou: "mas não deixe que lhe suba à cabeça."

Ela se mexeu no banco e recostou sobre o couro macio.

Edward não fez qualquer comentário no espaço que ela abriu entre eles, mas sugeriu que ela dormisse no voo para a Escócia.

Bella, que já não ficava mais tão assustada com sua percepção, ergueu a mão para conter um bocejo. Os efeitos das últimas 24 horas estavam surgindo, mas ela duvidava que seria capaz de dormir durante o voo.

Estava errada.

Ela fechou os olhos apenas para descansar, logo depois da decolagem, e só sentiu quando Edward a sacudiu, para despertá-la. " O tempo passa rápido quando se está roncando."

" Eu não ronquei!" ela protestou.

" Não" disse ele, "você só babou sobre o meu ombro."

Os olhos dele estavam tão ternos em seu rosto que, apesar do fato de não vê-la, Bella corou, confusa. Ele, como sempre, estava lindo, e Bella aproveitou a oportunidade para olhar. Enquanto tinha de ser cautelosa no que falava, ela não precisava disfarçar seus sentimentos quando o olhava. Um suspiro escapou de seus lábios, enquanto observava aquela boca sensual.

Felix, que viajara na frente, com o piloto, carregou as malas até o castelo, falou rapidamente com Edward e desapareceu na escuridão.

Instantes depois, Bella ouviu o helicóptero partir.

Ela se virou para olhar Edward, e quando os olhares se fixaram, ela teve de dizer a si mesma, pela milésima vez, que ele não podia vê-la, apenas tinha olhos muito expressivos. Incapaz de desviar o olhar, ela subitamente foi tomada pela timidez.

" Que ridículo."

Edward abaixou o olhar, tirou a gravata e perguntou:

" O que é ridículo?"

" Sentir-me como uma virgem na minha noite de núpcias é ridículo... porque não sou... obviamente." A mão dela foi à barriga.

Uma emoção forte surgiu nos olhos dele, mas Bella não conseguiu identificar.

" Você se arrepende?"

Ela sacudiu a cabeça, confusa pela aspereza da pergunta súbita.

" Arrepende-se de ter dormido comigo naquela noite?" Ela sacudiu a cabeça novamente, de um lado ao outro.

" Não" admitiu ela. " Não me arrependo."

Bella sentiu uma pontada de pânico, pois isso foi o mais perto que ela chegou de admitir a extensão de seus sentimentos por Edward.

Ela fechou os olhos e silenciosamente desejou que ele não pressionasse mais. Se o fizesse, ela não saberia o que dizer. Ultimamente, ficava tão surpresa quanto ele com as coisas que saíam de sua boca.

Como ele não respondeu, ela abriu os olhos, instantaneamente gelando ao ver que ele a observava. Nunca houvera vazio em seu olhar cego. Seus olhos eram um reflexo preciso de suas emoções.

Ela teve um lampejo de atrevimento e desafiou:

" Você se arrepende de alguma coisa?"

Se fosse um homem melhor, pensou ele, se arrependeria.

" Eu me arrependo..." começou ele, lentamente.

Bella fechou os punhos, nas laterais do corpo. Ergueu o queixo e forçou para engolir um bolo de desespero, preso na garganta.

Ela era masoquista? Por que perguntou?

E por que ele não se arrependeria? Uma única noite de sexo lhe custara muito. Dormir com ela lançara sua vida ao caos total. Isso o obrigara a abrir mão de sua liberdade e casar com uma mulher que ele mal conhecia.

" Tudo bem, eu entendo." Sem olhar para ele, ela pegou uma chaleira, encheu de água e colocou no fogo.

" Eu lamento, Isabella, que sua apresentação ao ato de fazer amor não tenha sido mais... cuidadosa."

Tanto o tom de auto-recriminação quanto o modo frio de dizer fizeram com que ela virasse a cabeça para trás, estarrecida.

" Eu não mudaria nada!" disse ela, vorazmente.

" E eu lamento que tenha contribuído para que você fosse despedida."

Os lábios dela tremeram ao tentar sorrir, embora isso não fosse sua ideia de piada e ele não estivesse sorrindo.

" Muito engraçado, mas você está superestimando sua influência, Edward."

" A perda do seu emprego não influenciou sua decisão quando eu propus casamento?"

Ela enrugou o nariz ao lembrar daquele dia assustador.

" Imagino que sim" admitiu ela, ainda sem entender onde ele queria chegar.

" Esse foi o objetivo e eu tenho, sim, muita influência. Só foi preciso um telefonema..." Edward sabia que estava se arriscando, mas era melhor que ela ouvisse dele do que de outra fonte, mais adiante.

Com os juramentos matrimoniais ainda frescos na mente, ele não queria começar a vida de casado com isso pesando na consciência.

" Você fez isso?" Ele assentiu.

" Por quê?"

O tom doloroso na voz dela o fez recuar.

" Meu pai não estava por perto quando eu cresci. Não quero isso para o meu filho. Eu teria movido montanhas pelo nosso casamento, Isabella. Não queria deixar nada ao acaso."

" E nem se importou com os sonhos em que pisou?" Uma risada quase histérica saiu dos lábios dela. "Ao menos eu sei que não escrevia tão mal."

" Bella..."

Ela levou a mão à cabeça, chocada.

" Agora não, Edward."

" Isabella!"

Ela ouviu seu nome, mas não parou, e saiu correndo da cozinha. Depois, desmoronou e começou a chorar, com as lágrimas correndo pelo rosto.

Seguiu andando por vários cômodos do castelo, antes de perceber os imensos potes de flores que havia em cada um deles, aroma mesclava com o que vinha das lareiras acesas por toda parte.

Ela pensou na cunhada, indo de quarto em quarto, para inspecionar os preparativos dos convidados importantes, e sacudiu a cabeça. Ela riu ao imaginar o estarrecimento deles ao descobrirem que ela era uma das hóspedes. Apesar de que isso não seria nada comparado à perplexidade que sentiriam ao descobrirem que estava casada!

Ela se debruçou sobre um dos vasos e inalou o perfume, depois respirou fundo, antes de endireitar os ombros. Suas emoções nunca estiveram tão perto da superfície.

Quando voltou à cozinha, Edward estava em pé, no mesmo lugar, e o ar ao seu redor vibrava de tensão.

Bella disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

" Quer uma xícara de chá?" Ele curvou os lábios, mas, para seu alívio, um pouco da tensão desapareceu.

Recostado no balcão, continuou de braços cruzados.

" Por que não?" Depois acrescentou, baixinho " Não estou orgulhoso pelo que fiz, sabe?"

" Será que tem leite?" Então, ela parou, mordeu o lábio e o olhou com ternura. " Foi algo vil de se fazer, mas sua reação é alguma coisa."

Edward parou de se perguntar se já não era o suficiente, ao observar Bella abrindo a geladeira.

Os olhos dela se arregalaram ao ver o interior. Não havia apenas leite e coisas básicas, mas todo tipo de iguarias de luxo que se pode imaginar, além de várias garrafas de champanhe. Ela tirou uma, olhou o rótulo e assoviou, antes de colocar de volta, pegando o leite.

" E uma pena que eu não possa beber álcool."

" Vou lhe fazer companhia com o suco de laranja."

Bella fechou a porta.

" Não precisa" disse ela, desejando não amá-lo tanto.

" Por que me contou?"

" Eu não queria começar nosso casamento com uma mentira, mas esqueci que a verdade, cara, nem sempre é melhor.Na realidade, a verdade poderia ser superestimada."

" É claro que a verdade é melhor!" ela exclamou.

" A verdade, Isabella, é que você se casou comigo porque estava desesperada e eu era o seu tíquete-refeição."

A descrição pragmática a fez corar.

" Você acha isso?" Como é que um homem tão inteligente não conseguia ver que ela o amava?

As sobrancelhas dele se franziram.

" Não estou em posição de criticar, Isabella."

Não, mas ele acabara de dizer que ela era uma variação de vigarista, querendo dar o golpe do baú. Ela conteve um suspiro. Talvez fosse melhor que ele não soubesse da verdade.

" Acha que me casei com você pelo dinheiro?"

E ele não estava certo?

Mas nada do que Bella sabia era simples como parecia.

Desde o instante em que ela vira a expressão nos olhos de Edward, quando descreveu o filho ainda por nascer, vinha sendo uma luta pensar em Edward como um déspota frio e calculista, com um chip no ombro, como ela originalmente o rotulara.

Ele era um homem muito mais complexo e fascinante, com paixões fortes, cujos piores pecados eram não amá-la e sua firme disposição de fazer qualquer coisa pelo filho ainda não nascido.

" Acho que você se uniu a um cego por querer o melhor para o seu filho. Você é a última mulher do mundo a quem eu acusaria de interesseira, Isabella."

" Você poderia ter me falado isso antes do casamento" frisou ela.

" Não tenho uma personalidade tão perfeita assim, Isabella."

" Seus pais estão juntos?"

Ele sacudiu a cabeça.

" Meu pai foi embora de casa quando eu tinha 10 anos. Minha mãe se casou novamente, alguns anos depois, quando eu estava com 16. Família é algo que eu nunca tive."

Bella podia identificar dor e solidão por trás dos fatos que ele estava revelando e embora não perdoasse o que ele havia feito, podia entender o que o levara a fazê-lo. Sua determinação em casar agora ficava ainda mais clara, mas o fato de que esse casamento sempre fora por causa do bebê a deixava triste e feliz ao mesmo tempo.

Num mundo perfeito, até mesmo para algumas mulheres de sorte, um marido disposto a fazer qualquer coisa pelo filho não seria algo mutuamente exclusivo.

Mas, no mundo dela, era. Então, tinha de se acostumar. Podia tê-lo, mas não ao seu coração. Ela fechou os olhos, sem querer pensar sobre o que sentiria se ele resolvesse dar o coração a outra mulher, algum dia.

Esse era seu pesadelo.

"Bem, agora você tem uma, então, não estrague tudo" ela aconselhou. " E lembre-se de que você está em período de experiência, portanto, quando sentir algum impulso maquiavélico, tome um banho."

" Eu não a mereço" disse ele, com uma humildade que ela jamais imaginou ver.

" Espere um instante" disse ela, colocando o leite de volta na geladeira.

" Nós vamos celebrar juntos, com champanhe, depois que o bebê nascer."

Ela se virou e ficou estarrecida ao vê-lo em pé, junto ao seu cotovelo, perto o suficiente para sentir seu cheiro másculo. Uma pontada de desejo sexual percorreu seu corpo, tirando o ar de seus pulmões.

" O que você fez foi muito importante, Isabella."

" Bem, eu também quero que nosso casamento dê certo. Eu tive as coisas que lhe faltaram, Edward. Tive uma ótima infância e gostaria que meu bebê também tivesse isso." Ela respirou fundo e afastou os cabelos do rosto.

" Posso fazer algo para comer, se você quiser. Filé, com salada...?" Sem esperar que ele respondesse, ela acrescentou, rapidamente: " Não sei quanto a você, mas eu estou faminta, então, vou trocar esta roupa." Ela sorriu e saiu.

Do lado de fora, ela se encostou na porta... e fechou os olhos. Até ali, vinha lidando com a situação como uma dançarina habilidosa, com dois pés esquerdos. Por um fio ela não tagarelou que a única razão por tê-lo perdoado foi por amá-lo!

Lá em cima, no quarto maior, ela encontrou as roupas que Edward prometera, caprichosamente arrumadas em pilhas, sobre a imensa cama de quatro mastros.

Ela precisava, disse a si mesma, de uma estratégia.

Mas, o quê?

Com um suspiro, tirou o vestido e, depois de dobrá-lo cuidadosamente e colocá-lo sobre a cama, caminhou até a janela e ficou olhando a vista da lagoa.

Ela não tinha a menor ideia de quanto tempo ficou ali, perdida em pensamentos. Só quando começou a tremer de frio percebeu a lua, brilhando sobre a superfície da água. Suspirando, começou a fechar as cortinas pesadas.

" Deixe assim."

Bella, que não o ouvira entrar, se assustou com o som da voz de Edward. Ela se virou e viu sua silhueta alta na porta, com uma toalha amarrada na cintura, e seus cabelos cobres pingando.

A respiração dela se acelerou ao sentir o olhar ávido sobre ela, a perfeita definição de seu peito largo, descendo até a barriga lisa. Ela passou a língua sobre os lábios secos, e seu coração disparou.

" Achei que estivesse lá embaixo." Ela se assustou ao perceber que demorou o suficiente para que ele tomasse banho.

Ele ergueu os ombros.

" Como está vendo, não estou."

" Você deveria ter me chamado." Ela ficou zangada porque, em sua cabeça, ela pôde imaginá-lo desmaiado, inconsciente, no pé da escada, toda desnivelada pelos degraus de pedra, e mortalmente íngreme. O castelo não tinha nada moderno como suítes, e o banheiro mais próximo ficava a um lance de escada de distância.

" Como foi que você...?"

" É sempre mais fácil me localizar quando já estive no lugar" ele a lembrou, habilmente. " Eu vim sozinho."

" Estou vendo." Ela estava vendo muito mais e se esforçando para não ver! A toalha era pequena demais e seu corpo era simplesmente perfeito.

A forma como ela o olhava despertava labaredas no corpo Edward. Ele estava vendo Isabella com seus sentimentos estampados no rosto. Vê-la olhando para ele como se isso fosse o bastante para enfraquecê-la de desejo era inebriante, e mais excitante do que qualquer outra coisa em sua vida.

Se ele dissesse que podia ver, ela se retrairia.

Não havia pressa em dizer, e amanhã poderia não ser necessário. O fato de saber que isso podia ser transitório, e que ele seria um tolo de não desfrutar enquanto pudesse, o deixava hesitante.

" No entanto, há algumas coisas que prefiro não fazer sozinho."

O tom sugestivo na voz dele aumentou o rubor do rosto de Bella.

" Mas tem a independência" murmurou ela, tendo dificuldade em falar, porque ele parecia tão másculo e inacreditavelmente sexy. Ela teria muito mais dificuldade se ele soubesse que ela estava ali, em pé, de corpete de renda, salto alto e nada mais além dos arrepios!

" E também tem a estupidez."

Ela esticou as mãos novamente para puxar as cortinas.

" Não."

" Não, o quê?"

"Não feche as cortinas. Deixe entrar o luar."

Ele interrompeu seu olhar interrogativo, apressando-se a dizer:

" Ninguém pode ver aqui dentro. E eu quero o luar sobre o seu corpo, quando fizer amor silenciosamente com você" Edward acrescentou.

Minha nossa, que final é esse em?? rsrs será que ele vai falar pra Bella que está enxergando?? Mas eu entendo o Edward, ele está com medo de ser apenas temporário e depois voltar a ficar cego, mas ele revelou para ela que causou a perda do emprego dela e eu achei isso muito fofo... Então comentemmm e até o próximo!!!