Notas da Coelha: Bem, para quem me conhece alguns anos, sabem que eu travei nessa fic, e não havia meios de a continuar. No início, há longos nove anos atrás (Data original da primeira postagem é de 25/11/2010) eu não imaginava que ela iria ficar em hiatus por tantos anos! E mesmo com minha irmã, a presenteada, perguntando quando eu a continuaria, mais eu não sabia lhe informar quando OdA passaria do primeiro capítulo.

Novamente, depois de um problema particular, jurei que não colocaria mais nenhum capítulo desta fic no ar! Mas como não colocar, se tinha coisas adiantadas? Bem, como sou teimosa, cá está, um novo capítulo.

Capítulo este sem estar betado! Por isso, se algum erro tiver passado, este será corrigido tão logo o texto seja novamente revisado.

Então... enjoy!

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Detestava ficar esperando em salas de aeroportos. O barulho e a falação do amontoado de pessoas logo cedo tinham o dom de irritá-lo, ainda mais após uma noite em que mal conseguira pregar os olhos. Munido de um livro, um romance policial, o patinador tentava em vão desligar de tudo a seu redor. Na realidade, não conseguia entender como Saga, que estava sentado ao seu lado, conseguia prestar atenção ao jornal que lia com tranquilidade.

Bufou. O livro caiu fechado sobre seu colo. Voltou seus olhos para o letreiro luminoso. O voo para a Suécia ainda não constava entre os muitos outros ali enfileirados. Baixou os olhos e começou a brincar com uma mecha de seu próprio cabelo. Estava conseguindo desligar-se. Na verdade, estava começando a perder-se em pensamentos quando algo lhe chamou a atenção. Uma voz esganiçada e infantil às suas costas exigia algo de sua mãe.

- Mas momen... você precisa assinar!

Reconheceu o sotaque carregado, era sueco! Voltou-se para observar melhor. Um leve sorriso iluminou seu rosto de traços perfeitos.

- Meu bem, não há necessidade que eu assine isso. – paciente, a jovem mulher tentava explicar ao pequenino o porquê de não precisar de sua assinatura na revista infantil. – Isso é para colorir, meu bem. Você tem esses lápis lindos que servem para fazer isso!

- Mas momen, assina pu'favor!

Balançando a cabeça, o sueco acomodou-se melhor na cadeira e voltou a abrir o livro. Leu e releu mais de quatro vezes o mesmo parágrafo. Mesmo com o pequeno às suas costas quieto, a voz infantil não saía de sua cabeça. Fechou os olhos um pouco, e sorriu abertamente ao recordar-se de algo parecido.

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- Momen... – o garoto chamou a senhora tão logo viu-se sozinho com ela. O pai havia saído a pouco para o trabalho. – Eu gostaria de contar e pedir uma coisa. – estava nervoso e um tanto inseguro. Sustentou o olhar da mãe e mordiscou o lábio inferior.

- O que foi, meu bem? – perguntou ao sentar-se ao lado do filho à mesa. – Está com algum problema? – tocou-lhe gentilmente, com a ponta dos dedos, o rosto começando a ganhar traços juvenis.

- Não, não estou! – Afrodite apressou-se em responder.

- Então o que te aflige? – ela sabia que algo estava incomodando-o, mas ainda não havia conseguido distinguir o que poderia ser. Viu quando ele pegou um papel minuciosamente dobrado e lhe estendeu.

- Por favor, eu preciso que a senhora assine isso. – pediu ao lhe entregar o papel, segurando a respiração logo em seguida.

A senhora Larson pegou a folha e sem tirar os olhos do filho, desdobrou o que parecia ser uma notificação ou mesmo algo do gênero. Voltou sua atenção para o que fazia e leu atentamente as linhas que descortinaram ante si.

- Afrodite, mas e o hóquei? Seu pai não irá gostar. – arregalou os olhos ao ver a ficha de inscrição e a de permissão dos pais.

- Mãe, eu adoro a patinação artística! - seus olhos brilharam ao afirmar com convicção aquilo. - Sei que levo jeito! - e mirando-a com os olhos pedintes prosseguiu. - Por favor, assine a permissão para que eu possa continuar nos treinos. – seus olhos tão azuis como os de sua progenitora começavam a encher de lágrimas. – Sei que o pappa pode não gostar, mas eu não tenho futuro se continuar treinando algo apenas por ele, apenas por que era um sonho dele!

- Mas e o material? Uniformes? – a senhora Larson sabia muito bem que a patinação artística é um esporte caro, tão caro quanto o Hockey.

- Enzo e eu conseguimos comprar um par de patins seminovos e eu tenho treinado com calças de agasalho e camisetas. – Os olhos brilhando incontidamente. – Por favor... Vá ver um treino se a senhora acha que não levo jeito. – pediu ao se aproximar e segurar-lhe a mão a levando para cima de seu coraçãozinho que batia descompassado. – Depois a senhora pode decidir se assina ou não, sim?

- Não sei, Afrodite... Você meteu até mesmo Enzo no meio! – a senhora Larson conteve a respiração. Podia sacrificar um talento nato? Mordiscou o lábio inferior, o mesmo tique do filho. – Afrodite...

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- Ei, Afrodite! – a voz máscula tão próxima a si, tirou-o de seus devaneios. Olhos arregalados fincaram-se nos do grego ao lado. – É nosso voo! Vamos ou amargará uma espera maior. - deu-lhe uma piscadela ao se levantar e começar a caminhar, mas sem deixar de divisar seu protegido.

- Claro, vamos indo! - concordou um tanto atordoado. - Espero que a viagem seja calma e sem 'turbulências'. – deu ênfase a última palavra. O sueco sabia que Saga o entenderia. Ele almeja por silêncio, queria ficar em seu mundinho, e quem sabe sonhar um pouco, mesmo que para isso tivesse de se desligar de tudo e todos, como sempre costumava fazer.

- Isso não posso garantir, meu caro, mas logo estaremos com seus pais. – Saga sorriu-lhe.

Em silêncio, percorreram toda a extensão do corredor de acesso ao avião. A aeromoça recebeu-os e indicou a direção da primeira classe. Acomodaram-se em seus acentos, e em pouco tempo estavam no ar. O silêncio só era quebrado pelo barulho das turbinas a jato. O céu claro... as nuvens lembrando algodão doce. Uma doce lembrança, um tempo em que era feliz, muito feliz!

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- Vamos, Afrodite! – olhos ávidos observavam o jovem e promissor patinador. - Você sabe que consegue! A apresentação é daqui a dois dias! – sua técnica chamou-lhe a atenção. Esta sabia reconhecer um diamante bruto, uma pedra preciosa a ser lapidada quando via uma, e o jovem loiro tinha um grande potencial. Observou-o melhor e sorriu ao vê-lo executar o elemento que até então estava errando, um salto duplo.

Depois de muitas tentativas falhas, finalmente este saíra com perfeição. Talvez finalmente ele houvesse conseguido relaxar, e esse geralmente era sempre o problema do jovem, pensar demais quando deveria manter a mente aberta e se focar apenas em divertir-se com seu programa, mas... Desde o início do treino, o loiro parecia estar muito nervoso, preocupado. Assim que Afrodite terminou a coreografia, ela fez-lhe um sinal e esperou até que este se aproximasse.

- Eu consegui sair sem cometer nenhum deslize? – perguntou o garoto ao aproximar-se da técnica.

- Foi perfeito! – Sophie sorriu-lhe e escutou o jovem gritar de felicidade. Sem querer desanimá-lo, baixou os olhos para a prancheta que segurava em uma das mãos. – É... Afrodite, você ainda não trouxe a autorização de sua mãe para que continue nos treinos e possa participar da apresentação. - mirou um ponto qualquer da pista, antes de finalmente o encarar e lhe sustentar o olhar. - Se não trouxer, sabe que não poderei deixá-lo continuar, e... – a jovem parou de falar ao prestar maior atenção em seu patinador. Ele tinha os olhinhos arregalados em uma direção fixa, a qual não era a da instrutora. Voltando-se a tempo de ver a senhora loira de olhos azuis tão vívidos quanto os de seu patinador descendo as escadas, pode compreender o que estava acontecendo.

- Afrodite, você esqueceu a autorização sobre a mesa, meu anjo. – falou a mulher calmamente. Aquilo não era verdade, mas a técnica não precisava saber. A senhora Larson vira todo o treino e convencera-se de que o filho merecia aquela chance.

- Pode entregar para mim, senhora Larson. – sorriu-lhe a técnica, que pegou o papel e prendeu-o em sua prancheta. – Quero aproveitar para saber quantos convites vocês vão precisar? – olhou para Afrodite e depois para sua mãe. Percebeu o entusiasmo e a felicidade do jovem desaparecerem de seu rosto em um piscar de olhos.

- O que foi? O quê...? – Sophie perguntou ao sentir-se perplexa. – Seu pai…

- Não, eu não contei a ele. – Afrodite respondeu pesaroso. – Só minha mãe conhece nosso segredo. – suspirou. Voltando seus olhos para a mãe e depois para todos os lados, avistou o amigo sentado na arquibancada. Sem muito pensar, acenou-lhe e, ao voltar os olhos para a técnica, disse rapidamente. – Que tal três? – perguntou à mãe. – Papa, a senhora e Enzo. – não poderia deixar o amigo de fora. Não depois de tão grande ajuda.

- Isso! Não podemos nos esquecer dele! – concordou com um sorriso. Viu a jovem técnica marcar a quantidade na lista e pegou os convites assim que esta destacou-os de um talão também preso à prancheta. – Posso levá-lo agora?

- Claro! Só não se esqueça que a prova de sua roupa é amanhã antes do treino, Afrodite! Chegue meia hora antes. – pediu com um leve sorriso a lhe iluminar a face.

- Está bem. – respondeu o patinador. Ao colocar a proteção nas lâminas, fez um sinal para o amigo, que se dirigiu até eles.

Ao se achegar, Enzo encarou o sueco com as sobrancelhas arqueadas. Tinha medo de lhe fazer a pergunta derradeira, e a resposta ser a pior possível, mas ao reparar no riso fácil e encantador do único amigo de verdade que havia conquistado naquele local, soube a resposta, sem necessitar se preocupar em formular a pergunta. Sorrindo, balançou a cabeça, e apenas desalinhou a franja longa do outro.

Já calçando seus tênis surrados, e tendo o amigo ao lado, seguiram juntamente com a senhora Larson. Ainda tinham de estudar, e haviam decidido fazer isso juntos.

- Que tal um algodão doce, meninos? – perguntou ao avistar a máquina na lanchonete do ginásio.

- Oba! – festejou. – Mas um só, não posso engordar. – Afrodite falou com convicção.

- Mas querido, você é magro feito um palito. – riu a senhora Larson. - Você também tem de manter a forma, Enzo? - perguntou ao outro jovem, que este sim era um tanto mais encorpado devido aos treinos de hóquei.

- Não, não, senhora Larson! - respondeu o moreno ao voltar os olhos para o amigo que com um leve beicinho, parecia aborrecido.

- Mãe! Sophie, minha técnica falou que temos de ter disciplina. – Afrodite respondeu sem titubear. Pegando o algodão, seguiu até o carro, deliciando-se com a iguaria. - E Enzo não engorda de ruindade! - gracejou ao deitar a língua para o amigo e este lhe retribuir o gesto, para logo em seguida caírem na gargalhada.

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- Será que vamos pegar neve? – Saga perguntou pela terceira vez mas o homem ao seu lado parecia não ter ouvido nada. Arqueando a sobrancelha, tocou o braço do patinador e sorriu de lado ao vê-lo mirá-lo indignado.

- O que foi? – Afrodite perguntou.

- Eu te perguntei sobre a neve. - o loiro sorriu debochado ao perceber que o patinador estivera em seu mundo dos sonhos mais uma vez. - Se vamos pegar neve em sua terra natal? – sustentou-lhe o olhar.

- Não sei... – fez um muxoxo - talvez! – respondeu ao agitar uma das mãos. – Às vezes acho que você pensa que sou o garoto do tempo! - estalou a língua ao mesmo tempo em que revirava os olhos. - Vou tentar dormir um pouco! – preferiu desconversar, antes que sua malcriadeza lhe rendesse mais um sermão que não caberia naquele momento.

Arqueando as sobrancelhas, Saga até pensou em responder a provocação malcriada de seu pupilo, mas de nada iria adiantar. Afrodite sempre fora um tanto voluntarioso, e mesmo sendo um sonhador nato, quando fincava os pés no chão e se decidia por algo, alguma coisa, ou mesmo como estava agora, era melhor não aceitar entrar na provocação, pois ambos acabariam em um embate verbal, que poderia muito bem ser evitado.

Suspirando, o grego preferiu acomodar-se melhor, relaxar, e deixar o patinador em seu mundinho. O conhecia muito bem para saber que: o melhor era esperar o momento oportuno.

Para Afrodite, tudo estava perfeitamente ótimo enquanto lembrava-se de sua infância. Bem, na realidade, não gostaria de ter de ficar conversando com o técnico. Não queria trocar trivialidades, ou ficar de conversinha fiada. Estava cansado, e na realidade, preferia viajar sozinho! Não entendia por que tanto Saga fazia questão em lhe acompanhar sempre. Estava de folga, teria tempo para voltar para a base e treinar, mas a mãe gostaria que o mesmo fosse consigo para Suécia. Como negar algo a ela?

- Está bem! Vou te deixar em paz! - Saga deu de ombros. - Já vi que hoje você não está com vontade de conversar. – comentou ao acaso. O grego sabia que o melhor era respeitar o jeito do sueco. Então, voltou sua atenção para a revista esportiva. Nela, havia uma matéria sobre os concorrentes diretos de Afrodite na patinação! Os russos eram uns verdadeiros furacões, e dois deles eram vistos como os favoritos. Precisava analisar tudo, descobrir, quem sabe, algo que eles não soubessem a respeito dos outros patinadores, mas estes eram perfeitos em todos os quesitos. Contendo a vontade de xingar, voltou seus olhos para a foto de meia página do loiro em questão e para a do outro de cabelos castanhos. Teria de preparar muito bem seu protegido se quisesse que o mesmo tivesse chances contra a máquina russa.

Não era novidade para ninguém, que os russos eram fortes concorrentes no que se dizia a patinação artística, fosse masculina, feminina e em duplas, mas para Saga, bastava ter perseverança, ter foco e manter-se firme nos treinos. Assim como Yagudin e Plushenko, Larson era bom em saltos, ainda muito novo e um diamante a ser lapidado, mas que poderia muito bem, treinado e preparado, alcançar aos dois rivais e quem sabe os passar! E o grego tinha tudo arquitetado, apenas precisava ser sutil ao tentar tirar o sueco de sua casa antes do tempo, e voltarem para a Suíça e aos treinamentos. Sabia que não seria fácil, mas tinha certeza que conseguiria quebrar a resistência de Afrodite. Precisaria pensar com calma, não poderia se arriscar a perder sua joia rara, não como da última vez em que ele se rebelara e sumira por dias, negligenciando treinos e seus telefonemas.

"Um caso sério, meu dileto e perfeito aprendiz!" - pensou o grego, antes de fechar os olhos e deixar um pouco suas preocupações em segundo plano. De nada adiantava se preocupar tanto, o melhor seria dar um pouco de tempo para que tudo se resolvesse da melhor forma possível. Pressionar seu patinador, teria efeito inverso.

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Se Afrodite soubesse que ao fechar os olhos e fingir que estava dormindo pudesse ter evitado o começo de comentários e o seu técnico tentando puxar conversa, teria feito aquilo desde que a aeronave havia estabilizado após decolar.

Fora tão reconfortante! Claro, não que não gostasse de Saga, pois tinha uma grande admiração pelo exímio patinador que este fora, mas por vezes não conseguia compactuar com o gênio e jeito que ele decidia as coisas, muitas vezes sem consultá-lo, como se sua vida fosse um joguete em suas mãos.

O sueco, já não era mais um garotinho ingênuo. Já conseguia administrar sua vida e ganhos, e até mesmo ajudar um pouco aos pais, mas o grego insistia por vezes em tomar as rédeas de sua vida para si, como se quisesse viver a vida que o loiro mais novo levava. Isso definitivamente o deixava muito atordoado, e até mesmo atormentado. Ele já havia sacrificado muitas coisas em sua vida, uma delas era a convivência com sua família, e a outra fora deixar seu bem mais precioso partir. Talvez, se tivesse batido o pé, exigido mais, quem sabe tivesse descoberto novas maneiras, ou até mesmo ter deixado e aceitado ir treinar na Itália com Gianluca. Tudo poderia ser diferente, talvez ele nem estivesse onde está agora, também havia o fato de não ser justo com ninguém, e principalmente com Enzo, que na época estava preso a universidade em Estocolmo. De nada valeria ser egoísta, não com o italiano, mesmo que tudo tivesse conspirado contra eles.

Balançando a cabeça, seguiu pelo caminho até próximo das esteiras, precisava 'pescar' suas malas para poder enfim ir para casa. Estava contando com o treinador indo direto para um dos hotéis, e o deixando por algumas horas, sem o ter por perto, mas o mesmo havia feito como das outras vezes, se convidado para ir até a casa dos Larsons, e se Afrodite soubesse, muitas coisas teriam sido feitas e tomado atitudes completamente diferentes, mas como tudo era controverso, tinha de agradecer por Saga ter entrado em sua vida, e decidir por treiná-lo.

Ao finalmente conseguir pegar suas duas malas, postou-se ao lado do grego alto, não se esquecendo de desejar ardentemente que o mesmo anunciasse sua ida para o hotel primeiro. E Afrodite quase ululou de felicidade quando Saga pediu para que seu pupilo fosse na frente, e que logo mais estaria chegando a casa aconchegante da família sueca.

E com alívio o pobre patinador suspirou por não ter colocado para fora todo seu contentamento, pois alegria de pobre dura pouco, e vai que o técnico mudasse de ideia! Bem, mas o que valia um pouco, era que estaria por quem sabe alguns poucos minutos sozinhos com os seus pais, e ele gostaria de ter a coragem que muitas vezes por respeito, lhe morria na garganta, apenas para poder dizer que gostaria de um pouco de espaço!

"Coragem…" - pensou ao finalmente se separar de Saga por uns segundos, e seguir para a área de embarque e uso exclusivo de táxis. Ao voltar-se para trás, percebeu que de fato não estivera tão sozinho assim. Despedindo-se rapidamente do outro, que se aproximava lentamente, entrou no único carro disponível no momento, e pediu para que o motorista seguisse para seu endereço. Sabia que Saga poderia reclamar por não terem dividido o táxi, mas esse pormenor viria mais tarde, no exato momento, o patinador preferia não pensar em nada que dissesse respeito a seu treinador.

Dando de ombros, suspirou aliviado, e inconscientemente, levou a mão direita a altura de sua garganta, onde repousava abaixo das camadas protetoras de roupa, o relicário preso a fina corrente. Seu último presente… o último, antes do corajoso aspirante a jornalista, deixar sua vida e os laços se quebrarem.

Afrodite, após o amadurecimento, podia dizer que aquela fora a única, ou talvez, a pior escolha que já havia tomado. Fora egoísta, dera muitas cabeçadas, mas nunca se imaginara ouvindo a Saga e lhe dando tanto crédito para o que este tentava lhe fazer. Ele poderia ser um bom patinador, ser o que hoje era, mas tendo todos que realmente o amavam ao seu lado. Mas Enzo… o corajoso italiano, não se encontrava mais consigo, e o sueco almejava ter tido a coragem do, então namorado, e fugir daquele circo, o qual sua vida se tornara.

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- É isso que você deseja para sua vida? - a pergunta fora repetida pela segunda vez. A voz incrédula cortando o silêncio entre eles.

Fazia muito frio a beira do lago congelado. Os amantes haviam acabado de patinar juntos, e o sueco terminava de calçar seus tênis. Este havia guardado as palavras que relutara em proferir, por toda a longa semana que se descortinara tão conturbada.

O silêncio calando fundo para ambos os jovens.

- Você sabe que eu sempre quis isso para mim! - a resposta custando a ser dada. A ser formulada, mas todos os conselhos dados pelo técnico, haviam sido seguidos à risca.

- Sim, mia flor, eu sempre soube quais eram seus planos - começou Enzo ao se aproximar do mais baixo -, mas eu imaginei que tudo já estivesse certo, e iríamos para a Itália… - e ao ver o loiro agitar-se em uma negativa muda e velada, parou o que dizia. O coração aos pulos no peito. O choque, o dissabor ao sentir que algo havia mudado, e que ele estava sendo o último a saber.

- Eu conversei muito com meus pais, com o técnico Chrysanthos…

Um riso debochado não pode ser contido por parte do italiano.

- Sabia que tinha dedo desse…

- Enzo, pare! - pediu o loiro ao se aproximar e tentar tocar-lhe o tórax, mas parou o movimento ao ver o moreno dar um passo para trás. - Deixe-me terminar…

- No há necessidade! Eu já compreendi tudo! - o ciúme o corroendo por dentro, a raiva e a frustração tomando conta de todo seu ser. - Va bene! - e ao mirar ao longe quem se aproximava de carro, seu sangue terminou de ferver. - Vá para a Suíça se assim ele quer! - rilhou os dentes, e antes que Afrodite pudesse protestar, viu o moreno seguir a passos decididos para cima do recém chegado, e o socar. - Desmanche esse sorriso cínico, seu pulha! - rosnou ao desviar da investida do loiro mais alto. - Era ele que você queria? - perguntou e continuou antes que ele se recuperasse de novo safanão. - Conseguiu, mas lembre-se, que se o fizer sofrer, ou deslizar um mínimo que for, o bronco filho de gângster sem futuro estará por perto, e no medirei esforços para te socar mais uma vez! - ameaçou, para logo em seguida subir em sua moto e sumir pelo longo caminho até sua casa.

Afrodite havia congelado no local, ele não conseguia acreditar que Enzo havia escutado toda a conversa do técnico com sua família. Fora um covarde sem tamanho, deveria tê-lo defendido, percebera naquele dia, que talvez nunca mais veria o italiano, e sentiu-se a pior das criaturas, mas ainda envolvido nas promessas de um futuro melhor, deixou-se levar pelo grego.

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Balançando a cabeça para ver-se livre daquelas velhas lembranças, Afrodite finalmente saiu do carro. Já haviam chegado a seu destino, e suspirando apoiado em suas malas, deixou que o táxi se afastasse para somente depois, seguir pelo calçamento até a porta de entrada.

Um tanto receoso, volveu os olhos pelas casas próximas, e deixou-se divagar ao colocar o olhar na antiga casa em que a família Ferruccio morava. Ele soubera pela mãe, que logo após a briga de ambos, a família toda voltou para a Itália, e ele nem fazia ideia de onde.

"Coragem, Afrodite! Seu carcamano seguiu com a vida dele, e está na hora de você continuar a sua!" - pensou ao endireitar as costas e finalmente tocar a maçaneta. - Olá! Estou de volta! - anunciou assim que passou pela soleira da porta.

O calor do único lugar que poderia chamar de lar o recebeu, o acolhendo e deixando as agruras que ele mesmo causara em sua vida, porta a fora!

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- Porque isso agora, meu bem? - perguntou a senhora loira, ao se acomodar a frente do filho sentado de pernas cruzadas sobre a cama. Estavam ajeitando as coisas após o jantar, e o convidado já havia ido embora. - Achei que você amasse Saga! - ela não poderia estar mais equivocada.

- Nunca disse isso, mama! - respondeu ao deixar os dedos tocarem o relicário em um tique nervoso. - Tivemos um affair, mas eu nunca o amei, e creio que cometi um grande erro ao me envolver com Saga. - murmurou o final ao volver os olhos para a única foto que não havia sido guardada. Seus olhos se encheram de lágrimas ao tocar o vidro frio que protegia a imagem congelada, onde Enzo e ele estavam se beijando. - Eu fui precipitado, não? - perguntou curioso, mas ao voltar suas íris na direção em que a matriarca se encontrava percebera que está não parecia disposta a lhe responder. - Apenas me responda! - pediu quando mirou a senhora sábia a sua frente.

- Você buscou por seu ideal…

- Mas eu poderia ter ido com Gianluca, mama…

- E talvez você não fosse o que é hoje! - tentou apaziguar a situação em que seu filho se encontrava. Detestava vê-lo sofrer, e sabia que se ele estava a procurando para conversar, algo muito ruim havia acontecido.

- Como podemos saber? Ele também é um ótimo treinador! - retrucou sem mirá-la nos olhos.

- Mas não tem um medalhista Olímpico! - lembrou-o com um leve sorriso. - Às vezes, meu bem, nem tudo é como a gente quer!

- Sim, eu sei disso, e até mesmo por isso após a próxima etapa, vou me desligar de meu treinador!

O choque estampou o rosto sereno da mulher a sua frente.

- Você sabe que é inadmissível algo assim, não sabe? - perguntou mais para ter certeza, pois conhecia as regras. Quebra de contrato era algo muito sério. - Como encontrará alguém para te treinar o resto da temporada? Todos os técnicos - parou de falar ao perceber o brilho decidido no olhar do filho. - Afrodite…

- Vou dar um tempo, eu mereço isso. - comunicou decidido.

- Mas estamos às vésperas dos Jogos Olímpicos! Você quer tanto voltar…

- Mama, sim, eu queria, mas algo em mim mudou! Algo se quebrou, e eu não me sinto mais bem ao lado deste treinador! - Afrodite abriu finalmente seu coração. - Para Saga, eu posso dar o meu melhor, para ele, minha lesão não foi nada que eu possa me preocupar, mas eu estou preocupado. Ainda não me sinto cem por cento confiante, e a forma que ele vem me forçando não está ajudando. Percebi que o que falam dele pode sim ter fundamentos!

- Que ele não vê apenas resultados? – perguntou ao recordar dos arquivos lidos em revistas esportivas. - Mas isso é normal, qualquer técnico quer isso para os seus pupilos, e…

- Não, mãe isso não é normal, a partir do momento que você passa o limite de cada um e não se importa com o bem estar de seus comandados, foge a tudo que se deve zelar para o bem da pessoa. - mirou-a de soslaio. - Faz muito tempo que venho pensando a esse respeito. No início, Saga foi muito bom para mim, mas agora não é mais! E eu, um iludido, estava negligenciando vocês, e acabei perdendo quem eu mais queria ao meu lado. - fez uma pausa apenas para pensar mais um pouco. - Hoje, sou eu a estar no lugar de Rex Ustinov, quando o técnico achou uma pedra preciosa nova para lapidar, ele o trocou! Não quero ter o mesmo fim!

- Mas você não terá, Afrodite!

- Como não? Ora mama, eu já estou ficando velho…

- Ainda tem tempo para continuar!

- Se a senhora diz… - murmurou com certo desgosto. - Posso até continuar, mama, mas já sacrifiquei muito de minha vida por esse esporte! - tornou a olhar para o porta retratos.

- Se é assim… vá atrás dele! - instigou o filho.

- E vou achá-lo onde? Dizer o que? - mirou-a descrente. - Oi, lembra de mim? Se estiver disponível, gostaria de o ter novamente? - fez uma careta.

- Não necessariamente assim, mas você sempre pode começar do princípio… e antes tentar do que viver com a incerteza de um talvez! - ao ver o filho torcendo a camiseta em um gesto puro de nervoso, o puxou para seus braços, cingindo-o carinhosamente e o apertando de encontro a si. - O amor de vocês dois, meu anjo, era algo lindo! Um sentimento assim não pode ser ignorado! Compreende?

- Sim, eu sei mama! Mas mesmo depois de tantos anos separados? - questionou ao fungar no ombro materno.

- Mesmo… - sorrindo encarou o filho. - Seu pai e eu estaremos sempre aqui, e não importa as decisões que venha a tomar, o apoiaremos ferrenhamente. Então, meu bem, se esse é seu desejo e sonho, corra atrás!

- Obrigado, mama! - agradeceu aliviado.

- Agora vá lá, lave seu rosto. A partir de hoje, seu treinador - preferiu não pronunciar seu nome - voltará a ser apenas o que nunca deveria ter deixado de ser: um mísero treinador! - e assim que o filho levantou, deu-lhe um tapinha em suas nádegas.

Não seria fácil pedir seu afastamento, talvez tivesse problemas com os seus patrocinadores, mas Afrodite precisava daquilo. Precisava ir atrás de sua felicidade. Talvez devesse ter tomado essa atitude antes da primeira Olimpíada, mas não tivera a coragem suficiente, que agora parecia estar o dominando.

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Momento Coelha Aquariana no Divã:

*sentada quietinha a frente do Pc, a Coelha nem percebe que já não está mais tão sozinha assim. Alguém lê por cima de sua cabeça o texto que está sendo arrumado minuciosamente para ir ao ar.*

Mask: Miracoli! *batendo palmas, o canceriano quase mate a loira de susto*

Ai Mask! Que milagre o que? Isso não é nenhum milagre, ainda não sou santa!

Mask: Má bambina! Olha só que formosura! *apontando para o novo capítulo de OdA* Já estava pensando que nunca mais iria continuar essa fanfic! Mia Flor e eu merecemos, bambina! Afinal, começou a escrever algo com aqueles lá..
*apontado para o lado onde o casal Poison e Ice dos idos de mil setecentos e lá vai bolinha estão*

Ah! Eu sabia que só poderia estar com ciuminho! *arqueando as sobrancelhas um pouco* Eu escrevo com vocês quando eu me sentir a vontade...

Mask: Ba! Bambina, no seja uma strega!

Como é que é? Bruxa, eu? Ah! Eu vou te mostrar quem é aqui é bruxa, seu carcamano dos araques! *perdendo a paciência e jogando a garrafa de água no canceriano. * Vaza, bichinho à toa! Vaza que perdia paciência contigo! Me deixa escrever em paz, maledeto!

Ah! Me desculpem, se aqui chegaram, perdoem nosso comportamento, quando não é Kardia e seus achismos, é Enzo com suas manias! Ma va bene! Agradeço de coração quem por aqui chegou, e façam essa pula pula feliz... deixem um carinhosinho ali embaixo!

Beijocas e até o próximo surto