Capitulo 2 – Brincadeiras e Presentes!
A apresentação trágica parecia ter ficado para trás, ou melhor, no dia anterior. Depois de toda aquela confusão as ninfas se recolheram para seu quarto onde uma Asterope ganhou bronca de quase todas as ninfas, exceto por Fésile e Eríthia, que estavam mais preocupadas em rir da situação do que brigar com a ninfa Têmides.
No jantar as coisas já estavam mais calmas, mas daquela vez Asterope garantiu que Ari, sua cobra de estimação, não saísse de perto dela. Sasha e as ninfas pareciam estar se dando bem, pois sempre que se encontravam eram vários os assuntos que conversavam e as risadas eram garantidas. Tal fato deixou o grande mestre contente, pois a deusa andava tristonha por conta da guerra que se aproximava e pela falta de companhia.
A primeira noite das ninfas foi tranqüila e ao raiar do dia, elas levantaram cedo para aproveitar o belo lugar que se encontravam e como eram curiosas, queria conhecer o santuário. Porém, uma delas se recolheu no jardim enquanto as outras se arrumavam para passear ou até mesmo apenas observar os cavaleiros treinarem.
A mais reclusa de todas era Lipara, uma ninfa dona de cabelos vermelhos rosados intensos contrastavam com seus olhos rubis vivos. Era fato que qualquer um se perdia naqueles olhos, mas ela gostava de apenas um homem se perdendo neles e era por ele que a ninfa suspirava naquele momento. Sua vida antes era calma e apenas seu dever dado por Zeus era importante, mas depois que ele apareceu tudo pareceu perder o sentido e somente ele lhe interessava.
Um suspiro desolado escapou seus lábios pintados de um rosa bem claro, Lipara se encontrava toda relaxa em um galho grosso de uma das árvores do enorme jardim do décimo terceiro templo. Em suas mãos um pequeno lírio branco brincava entre seus dedos finos com unhas bem feitas.
Um barulho de galho se quebrando fez com que ela se virasse bruscamente para o local de onde vinha o ruído, foi então ela deparou-se com a figura doce e angelical de Eudora. A mesma exibia um sorriso singelo e seu olhar compreensivo, combinando com o vestido todo solto em tonalidade branca que ela usava.
- Não vai se arrumar? – indagou Eudora se aproximando mais da árvore grossa.
- Não tenho motivos para conhecer o santuário – respondeu mantendo sua atenção no lírio – Quando tudo isso acabar iremos voltar para o Olimpo e vocês para o bosque de Hérmia.
- Fala como se soubesse quem está atrás de mim – comentou ela.
- E não sei, mas mais dia menos dia essa pessoa vai aparecer e então quando tudo resolver cada uma de nós vai para um lado – falou e então em um pulo desceu do galho caindo com graciosidade na grama fofa ao redor das raízes da árvore – Não gosto de me apegar as coisas e nem a ninguém – a fitou.
- E isso se deve a essa pessoa por quem você está... Apaixonada? – riu ao notar a surpresa na ninfa mais velha.
- Do que está falando? O que você sabe sobre o amor? – indagou um tanto severa, ao mesmo tempo em que aproximava da menor.
Eudora por outro lado nada disse, apenas deu de ombros. Aquele assunto não era algo do qual ela sabia falar, mas já ouvira sobre aquilo. Ainda mais sabendo que Lipara se encontrava encantada com alguma coisa e Aerica lhe falou que ela estava apaixonada.
- Nada sei sobre o amor, até por que tudo o que sei está nas historias e contos que li em livros – explicou fitando a grama sob seus pés – Mas Aerica me contou que você está apaixonada e certa vez um lhe questionei sobre os sorrisos e suspiros constantes que você dava – disse.
Lipara sorriu de canto, para uma menina que nada conhecia do mundo a loira era bem esperta e parecia demonstrar uma sabedoria nata. Mesmo não tendo idéia do que saia de sua boca. Não era atoa que ela era o oráculo.
- Então, vai me contar quem faz esses suspiros saírem? – questionou novamente e agora outro risinho a acompanhava.
- Danadinha – disse Lipara – Para que quer tanto saber?
- Talvez eu possa ajudar, posso ver o futuro e talvez... Mesmo sem saber sobre isso que chamam de amor, posso ajudá-los a levar esse sentimento adiante da melhor forma. Como o oráculo não apenas vejo o futuro, mas também oriento as pessoas – explicou.
A ninfa a sua frente colocou as mãos na cintura e sua feição se fechou.
- Está parecendo a Píton falando – zangou-se – Já falei para agir como Eudora e não como o oráculo! Mas se quer tanto saber... – ela caminhou até um dos bancos próximo a fonte e ali se sentou – Lhe direi, mas não falarei o nome dele. Isso é segredo – piscou e Eudora acompanhou o sorriso dela.
~0~
A arena nunca estivera tão quente como naquele momento, mas talvez o calor excessivo seja pelo fato dos exercícios pesados que os cavaleiros de ouro estejam praticando sobre a supervisão de Hasgard de touro. Não era comum um cavaleiro de ouro "ensinar" ou ditar exercícios de treinos assim aos companheiros, mas naquele caso era algo mais especifico.
- Kardia eu juro que ainda vou te matar! – ralhou Manigold quando subiu seu corpo ao fazer uma abdominal.
Todos os dourados e os pupilos de alguns deles se encontravam deitados no chão fazendo os abdominais que Hasgard exigiu. O mesmo exibia um sorriso grandioso nos lábios robustos e de braços cruzados se divertia com as dores dos companheiros.
Há duas semanas atrás os dourados foram até a taverna no centro de Ródorio, entre uma caneca de cerveja e outra Kardia acabou zombando dos métodos de treino do taurino e o mesmo garantiu que eles eram intensos e capazes de fortalecer os músculos, mas que as dores eram temíveis. O escorpião então, tomado pelo efeito da bebida, claro, desafiou ele em um jogo de cartas e se o amigo vencesse todos os cavaleiros de ouro e seus aprendizes teriam que participar dos treinos de Hasgard por duas semanas.
Talvez não seja preciso dizer quem ganhara a aposta.
Com exceção de Asmita e Albafica, pelo ultimo estar em missão, o restante fora obrigado a participar dos exercícios. Nos três primeiros dias todos agüentaram facilmente, mas depois as dores que vinham pelo treino rigoroso causaram danos em muitos e reclamações que choviam, principalmente de Kardia. Manigold era outro que reclamava, mas este brigava com o escorpião.
- Ah cala a boca, Manigold! – ralhou ele forçando o corpo para cima e pra frente.
A maioria dos cavaleiros já tinha tirado a camisa e o suor escorria pelas peles alvas e outras bronzeadas mostrando a intensidade do treino e o calor excessivo que fazia no momento. Aquela era a ultima parte do treino que acontecia todos os dias na parte da manhã, a tarde eles estavam livres para fazerem seus próprios treinos ou descansarem.
- Eu concordo com ele, foi idéia sua e por sua estupidez estamos pagando! – retrucou El Cid que já demonstrava cansaço, apesar de tentar não transparecer.
Ele poderia desmaiar ali na arena, mas jamais admitiria que seu corpo não estava preparado para os treinos intensos de Hasgard. Sísifo estava ao seu lado e sua concentração tirava o amigo do sério, ele parecia inabalável, mas vez ou outra era possível ver uma careta. Os cavaleiros de ouro formaram uma fila ao se deitar, um ao lado do outro, e os aprendizes estavam logo atrás. Em um estado pior que os mestres e alguns cavaleiros.
E a maioria proferia xingamentos de morte a Kardia.
- Muito bem, faltam apenas mais dez abdominais e então poderão parar para descansar! – avisou o taurino.
O sorriso vitorioso dele irritava a qualquer um, menos seus aprendizes que já estavam acostumados com o ritmo forte e rigoroso. Mais alguns movimentos e então tudo acabou, não havia mais Hasgard gritando com eles, os chamando de maricas e fracotes, não havia mais series de exercícios, havia terminado. Faltava apenas mais cinco dias.
- Eu acho que vou morrer! – suspirou Kardia estirado no chão – Como eles conseguem? – ergueu a cabeça vendo alguns cavaleiros se levantarem sem problema e irem até a arquibancada.
- Eles não são frouxos como você – disse Degel – Vê se toma isso como lição e aprende a nunca mais desafiar Hasgard para um jogo de cartas. Não sabe o quão ele é bom nisso?
- Não e se você fosse mesmo meu amigo, teria me avisado – ralhou se sentando – Minhas costas! – reclamou.
- Achei que seria melhor você aprender uma lição, mas não esperava que fosse levar todo mundo junto – disse se levantando e seguindo para a arquibancada.
Na mesma havia varias toalhas de rosto para que eles pudessem limpar o suor que escorria feito uma cachoeira. Os poucos que usavam camisas se encontravam com elas ensopadas, como se tivessem mergulhado em um lago de roupa e tudo. Degel se jogou no primeiro degrau da arquibancada e despejou a água do cantil e pouco se importou se estava quente a água, até por que poderia usar seu cosmo para gelar a mesma.
E parece que alguns aprendizes tiveram a mesma idéia, já que pediram para ele esfriar seus cantis. E ele atendeu prontamente, os coitados deviam estar em pior estado do que ele.
- Mais alguém aqui quer matar o Kardia? – disse o canceriano sentado próximo do cavaleiro de aquário.
- Ninguém vai matar ninguém aqui – disse Dohko na arquibancada de cima – Além do mais do jeito que estamos, não vamos nem conseguir pegar ele – falou.
- Tenho que concordar com você – foi a vez de Shion falar, o mesmo deitara na arquibancada e tentava normalizar a respiração.
- Como vocês reclamam! Deviam agradecer ao Kardia, assim vocês ficam mais resistentes! – riu Hasgard se aproximando.
- Viu! Pelo menos um me defende! Acho que vou ficar desse lado mesmo! – e então se sentou perto do taurino, Kardia literalmente se esborrachou ao se sentar e estirou as pernas enquanto enxugava o suor que escorria – Bem que as ninfas podiam aparecer para melhorar esse dia chato – comentou.
- Até agora isso foi a única coisa legal que saiu de sua boca – disse Regulus sentado ao lado de Sísifo – Será que elas vem? – olhou para a enorme sacada do décimo terceiro templo que dava uma visão ampla da arena.
- Vai saber, talvez elas...
Um grito agudo fez alguns deles pularem ao serem pegos de surpresa e outros ficaram em alerta, Kardia foi um daqueles que pulou devido ao susto. De repente ao olharem para a entrada da arena eles viram algumas meninas correndo e ao olharem melhor, notaram serem as ninfas. Uma delas inclusive se escondeu atrás de Hasgard, por ser o único de pé e ser praticamente uma muralha.
- Fésile! Me devolva isso agora! – ameaçou Cléia parada diante do cavaleiro e fuzilando a irmã que se escondia atrás do mesmo.
Logo mais atrás as outras ninfas pareciam mais preocupadas em rir e provocar a garota irritada.
Fésile, que antes mostrava uma cara assustada, agora exibia um sorriso travesso e então saiu correndo tendo a irmã logo atrás. As outras não tardaram a correr.
- Fésile, aqui! – exclamou uma delas.
A ninfa que gritou se chamava Eríthia, possuía cabelos platinados e bem ondulados, seus olhos possuíam uma coloração âmbar intensos que os fazia ficar ainda mais destacados. Ela trajava um vestido azul marinho de uma alça só, o mesmo possuía um cinto fino dourado abaixo do busto e havia detalhes geométricos na barra do vestido que ia até os joelhos. Ela estava descalça, mas possuía amarras de uma sandália desde abaixo dos joelhos até o tornozelo. Sem contar as pulseiras e o bracelete no braço direito.
A ninfa pegou o que parecia um lenço de cor azul bem claro, porém por ser um tecido fino era difícil jogá-lo. Então Fésile correu até ela e entregou o lenço e em seguida saiu correndo. Eríthia não perdeu tempo e correu o mais rápido que pode, de todas ela era a melhor para correr. Ela provocou Cléia e então esperou ela chegar próxima a si para sair correndo, fazendo assim a ninfa se desequilibrar e cair de joelhos.
O lenço fora passado novamente para outra ninfa, esta era um pouco mais alta que a ninfa de cabelos platinados. Sua pele branca fazia seu cabelo num tom que ora parecia verde-água e ora parecia ser de um azul claro, ele era longo e possuía uma franja repicada jogada de lado para dar um charme. Seus olhos eram de um verde azulado, uma confusão de cores tal qual seu cabelo. Ela usava um vestido da mesma cor que Eríthia, só este era longo e ela usava uma sandália gladiador dourado.
Para apimentar a brincadeira, Pasithea, a ninfa de cabelos que lembravam o mar profundo, formou uma esfera de água e colocou o lenço ali dentro. Ela virou-se para a ninfa de cabelos róseos e sorriu.
- Ah, você não fez isso! – ralhou e novamente correu e então a esfera de água foi jogada para Fésile novamente.
A única que ninfa que não participava da brincadeira era a mais velha, seu nome era Asterope, a nunca dona da cobra que caíra do lustre e matara metade dos cavaleiros do coração. A mesma usava um top de cor bege claro e com um decote generoso, uma saia longa com duas fendas laterais, não usava sandália, possuía varias pulseiras em ambos os pulsos. Seus cabelos estavam presos em um coque e o restante do cabelo caia como cascata em suas costas, eles eram castanhos intensos e seus olhos verdes a deixavam mais encantadora.
- Vamos meninas, parem com isso! – pediu ela, que estava ao longe apenas observando a cena.
Torcia para que Cléia pegasse logo aquele lenço e acabasse com aquilo, sem contar que os cavaleiros estavam olhando a cena. Muitos rindo da situação, mas... Até ela estava se divertindo e sentindo vontade de entrar na brincadeira e só não o fazia por não querer ouvir Aerica falar na sua orelha mais tarde. Mas estávamos falando de Asterope, a ninfa um tanto atrapalhada que apesar de mais velha adorava aprontar com as mais novas.
E não resistindo acabou correndo pela arena e pegando a esfera quando esta fora jogada para Pasithea novamente. Ela agarrou a esfera de água, que quase estourou contra seu peito devido o aperto que se fez, e saiu correndo em meio a gargalhadas.
- Pensei que estava do meu lado! Sua traidora! – ralhou ela.
- Estava, mas não consigo resistir – riu sapeca – Não fique com ressentimentos – piscou ainda exibindo o sorriso contagiante, menos para Cléia – Eu vou jogar, tente pegar – avisou.
Em seguida Asterope jogou a esfera na direção de Eríthia que estava atrás de Cléia, mas a uma distancia considerável. Porém, a ninfa jogara forte e rápido demais a esfera d'água e por isso a ninfa platinada não conseguiu pegar e a mesma passou por cima de sua cabeça... Acertando alguém que havia acabado de entrar na arena.
O barulho da esfera estourando fez todas miraram na direção do "alvo" e seus olhos se arregalaram.
- EUDORA! – exclamaram todas.
Rapidamente elas correram na direção a garota, que agora se encontrava molhada. A esfera criada não era grande, mas também não era pequena e se estourasse acabaria molhando com abundancia alguém. No caso acabou molhando Eudora, que havia chegado a arena junto de Aerica. Mas não houve tempo para impedir da mesma de ser atingida por uma esfera d'água.
- Ai meu Zeus! Eudora, você ta bem?! – indagou Pasithea, que a ajudou a se levantar.
A garota possuía os cabelos louros molhados e alguns fios estava grudados na face angelical, seu vestido branco, que era preso no pescoço e todo solto se encontrava também molhado na parte de cima, mas felizmente não chegou a ficar transparente.
- Me diz que você ta legal! Ta sentindo alguma coisa? Ta machucada? Consegue respirar? Quantos dedos tem aqui?! – disse Asterope afoita.
- Ah, pare com isso está até parecendo a Píton! De neurótica já não basta uma! Credo! – ralhou Cléia – Ela está bem... – disse e de repente se virou preocupada para a loira – Você ta bem, né?
Porém, tudo o que ganhara como resposta foi uma risada graciosa por parte dela. A menina levou as mãos pequenas e delicadas a boca tentando conter as risadas.
- Podiam ter me falado que estavam brincando – disse sorrindo.
- Ah – suspirou Asterope – Ela ta bem.
- Não estávamos brincando – bufou Cléia – Acontece que essas desocupadas pegaram meu lenço preferido e saíram correndo, não tive outra escolha a não ser ir atrás e acabamos aqui... Aqui... Onde é aqui? – indagou olhando ao redor.
De repente Manigold aparece diante delas, ainda sem camisa e com um sorriso galante.
- Desculpe... Mas vocês estão na arena, que é onde treinamos – respondeu dando uma piscadela.
- AAAHHHH! – gritou Aerica tampando os olhos de Eudora, que nada entendeu – O que pensa que está fazendo?! – exclamou.
- Ah... Estou lhe dizendo onde vocês se encontram, oras – falou.
- Não é disso que estou falando... Estou falando da maneira como está vestido, isso é jeito de se apresentar diante de uma dama, seu tarado! – gritou.
Um grito vindo de Asterope fez a mesma cobrir os olhos de Cléia que cobriu os de Fésile, Pasithea fez a mesma coisa com Eríthia.
- Mas eu quero ver! O que eles estão fazendo? – indagou a menina ingenuamente.
Foi então que os rapazes notaram que ainda estavam sem camisa, pois ficaram concentrados na confusão que elas armaram por causa do lenço e depois ao molhar a garota de longos cabelos loiros e ondulados que mais parecia um anjo.
- O que estão esperando? Vistam-se! – ordenou Dohko e Shion ao mesmo tempo, eles eram os únicos já vestidos adequadamente.
- Peço perdão, senhoritas, mas não esperávamos que aparecessem por aqui – disse Shion ao se aproximar, após todos já se vestirem.
As ninfas mais velhas destamparam os olhos das mais novas, que ainda se encontravam confusas.
- Céus, ainda está molhada – comentou Aerica.
- Atchim... – espirrou Eudora, fazendo elas se alarmarem.
- Ah, lamento, mas não temos nenhuma toalha seca... Por causa dos treinos nós as usamos – comentou Regulus.
- Pode usar a minha – a voz grave fez Eudora arrepiar até o ultimo fio de seu corpo, ao se virar deparou-se com os olhos ferozes do cavaleiro de gêmeos. O mesmo a fitava tão intensamente, que era impossível não se sentir como um animal indefeso diante de seu predador – É a única seca – disse entregando a toalha a ela.
- O-Obrigada – agradeceu baixinho, mas ele conseguiu escutar.
- Vem, vou te ajudar a se enxugar – disse Aerica que a puxou em direção a arquibancada.
Eudora se sentou e Aerica fez a mesma coisa ao seu lado, com calma ela secava os fios molhados da loira, que parecia mais interessada em olhar o cavaleiro de canto de olho. Defteros se encontrava sentado mais afastado e o único agora sem camisa de treino, sabia que era observado e retribuía o olhar severamente na direção dela, que encabulada voltava sua atenção para frente. Nem se quer dava atenção ao que Aerica dizia.
Tudo de repente pareceu sumir e somente ela e o cavaleiro de gêmeos pareciam existir na arena.
Mas talvez seja a imagem que contribuía para que ela ficasse o contemplando, já que Defteros estava meio deitado na arquibancada encostando suas costas na da de cima, seu tronco nu e levemente bronzeado fazia a visão ficar tentadora e o sol pegando no mesmo parecia dar a ele um ar mais atraente. Era impossível para Eudora não ficar olhando e sua ingenuidade contribuía para não saber o que estava fazendo.
Em outro canto Asterope, agora mais calma, caminhou até perto de alguns dos dourados e puxou conversa.
- Olá, gostaria de saber quem poderia me acompanhar a até a vila Ródorio – perguntou.
- Na vila?! – exclamou Manigold e rapidamente a ninfa tapou a boca dele pedindo silencio.
- Não grite – exigiu – Quero ir comprar um presente, por isso nenhuma das minhas irmãs pode saber – contou.
- Eu a acompanho senhorita – disse Regulus.
- Irei junto também, apenas por precaução – anunciou Sísifo.
Asterope sorriu contente.
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Os olhos esverdeados se encontravam encantados e maravilhados com a beleza humilde da vila, próxima ao santuário. Não havia grande movimento naquele momento, mas dentro de poucos minutos seria hora do almoço e então a agitação seria armada, muitos dos moradores estavam trabalhando ou recolhidos em suas casas. Estas eram pequenas e possuíam uma aparência aconchegante e rústica, o que fez Asterope se arrepiar devido a elegância do lugar.
Não era algo refinado, como certas vilas e cidades que ela já conhecer, mas toda aquela simplicidade tornava a vila bem bonita.
Como prometido Regulus e Sísifo acompanharam a ninfa pela vila e mostravam cada ponto da mesma, desde lojas até tavernas. As pessoas, curiosas, paravam para admirar a beleza da ninfa e alguns perguntavam sobre ela, algumas crianças até mesmo chegavam a andar atrás dela. Regulus olhava toda a cena surpreso, não sabia que as ninfas eram tão encantadoras a ponto de ter tanto seguidores assim. Nem Sasha quando vinha a vila era seguida daquele jeito.
Sísifo por outro lado apenas observava para que ninguém a machucasse, apesar de ser uma vila hospitaleira, ainda havia algumas pessoas de fora que se hospedavam nos pequenos hotéis. E eram pessoas estranhas então era preciso tomar cuidado.
- Nossa! Nunca vi uma vilazinha tão cativante! – sorriu caminhando entre os dois cavaleiros – Mas está um tanto parada.
- Muitos estão trabalhando, senhorita – contou Sísifo.
- Asterope! – riu ao dizer seu nome – Não precisa me chamar de senhorita, não gosto dessa formalidade toda. Isso é com a Lipara, ela que é chata demais – contou – Pode me chamar apenas de Asterope – virou-se para ele.
- Como quiser se... Quer dizer, Asterope – falou e a ninfa sorriu como a agradecimento – Seria atrevimento meu perguntar qual presente procura?
- Ah sim – falou mostrando um sorriso largo, que deixava seus dentes brancos e alinhados a mostra – Eudora adora pintar, desenhar... E como o santuário oferece paisagens incríveis sei que ela vai querer gravá-las para guardar de recordação, então decidi dar um presente a ela – explicou – Além do mais, desenhar vai fazê-la se acalmar quando Píton surtar – se emburrou.
- A pitonisa parece ser bem... Ah... Durona – comentou Regulus sem jeito.
- Ela é pior do que isso – ralhou – Sei que Eudora é o oráculo e que se alguém descobrir o paradeiro dela, principalmente Hades estamos ferrados, mas... Ela ainda é uma garota e precisa viver um pouco, mas Píton é tão obcecada com controle que ás vezes extrapola – disse mostrando sua irritação.
- Píton me lembra alguém – disse o leonino olhando para o sagitariano que apenas virou o rosto.
Logo a frente eles entraram em uma loja pequena, onde a mesma vendia varias telas, pinceis e tintas de todas as cores. A vendedora era uma garota de cabelos castanhos amarrada em duas tranças que caia frente aos ombros. O barulho do sino pregado acima da porta a fez sair de sua leitura, prontamente sorriu ao ver os clientes.
- Bom dia! Senhores e senhorita – disse – O que desejam?
- Gostaria de ver algumas telas de pintura e um jogo de pinceis, pagarei por tudo – disse Asterope pondo um saquinho escuro em cima do balcão.
A menina pegou o saquinho e ao ver as três moedas de ouro, arregalou os olhos.
- O que foi? – indagou ao ver a cara da menina.
- São... São moedas do Olimpo? – gaguejou ao pegar uma, os cavaleiros fizeram a mesma coisa.
- São – respondeu simplesmente, sem entender qual o motivo daquele alvoroço todo – Qual o problema?
- Moedas do Olimpo são raras de serem encontradas, muitos dizem que apenas são achadas do templo de Zeus – contou Sísifo – Com elas você poderia comprar uma cidade inteira se quisesse, está em um valor muito acima de nossas moedas – completou.
- Ah! – exclamou a garota – Você é uma deusa?!
- Não, sou apenas uma simples ninfa do Olimpo. Me chamo Asterope, uma ninfa Têmides e filha do poderoso Zeus – disse educadamente. Se a frase tivesse sido falada por Lipara teria parecido um tanto arrogante e superior, mas Asterope possuía uma postura simplista demais se comparada a da irmã – Então posso comprar as telas?
- Ah, claro!
Prontamente a garota foi até um canto da loja e pegou as telas, de vários tamanhos, e entregou a ninfa que sorriu agradecida. Depois de pegar os pinceis e embrulhar tudo em um papel para presente ela saiu da loja acompanhada dos cavaleiros.
- Espere, moça! Apenas uma moeda é o suficiente! – falou da porta da loja.
Asterope se virou e sorriu amigavelmente.
- Fique com as três! É um presente por ter sido tão gentil comigo – disse e depois se voltou para frente e seguiu seu caminho.
O trajeto de volta fora a mesma coisa, as pessoas ainda pareciam ficar maravilhadas com a presença da ninfa e algumas resolveram fazer-lhe um agrado. Um senhor lhe dera um saco com frutas suculentas, uma mulher lhe entregou uma rosa e Asterope vibrou por dentro, já que de todas as flores as rosas eram suas favoritas, principalmente as brancas.
Levou mais tempo para retornarem ao santuário devido ao tumulto que fizeram ao redor da vila, Regulus e Sísifo estavam cheios de sacolas contendo os mimos dos moradores e o presente de Eudora. E mesmo Asterope insistindo que poderia carregar, eles negaram ajuda. O difícil seria apenas subir os degraus das doze casas.
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Quando a porta do quarto se abriu, a cena que esperava ver era das ninfas mais jovens jogando travesseiros umas nas outras ou então risadas altas por parte de Fésile ecoando pelo quarto, mas tudo o que encontrou fora cinco garotas, quatro com feições sérias e uma completamente perdida sem saber como agir e com medo do que poderia sair de sua boca.
- Nossa, que clima de velório é esse? Alguém morreu enquanto eu fui até a vila? – indagou Asterope fechando a porta do quarto.
- Píton descobriu que atiramos a esfera d'água em Eudora e ficou furiosa – contou Pasithea – Ela brigou feio com a gente e pediu que ficássemos aqui no quarto, para a segurança de Eudora.
- Pediu?! Ela praticamente berrou com a gente e ainda na frente do grande mestre – ralhou Cléia, que era a ninfa que mostrava um semblante emburrado e irritado.
Eudora suspirou, sentada em sua cama a loira tentava argumentar com as meninas para tentar consolá-las, mas parecia que qualquer coisa que saísse de sua boca não faria as coisas melhorarem. Realmente Píton havia pegado pesado, ela apenas havia se molhado sem querer e as ninfas estavam brincando, não era razão para ela surtar e dizer que havia colocado-a em perigo, que poderia ficar gripada e mais um monte de coisa.
Desolada o oráculo abaixou a cabeça deixando algumas mexas caírem por seu rosto.
- Ora, não faça essa cara – a voz de Asterope soou ao seu lado e ao erguer a cabeça viu a mesma parada diante de si, com alguns embrulhos nas mãos – Comprei algo para você – sorriu docemente.
A ninfa estendeu três embrulhos grandes e quadrados a loira, que os pegou rasgando logo o papel em torno deles. O semblante apagado e entristecido dela deu lugar a uma feição alegre e estonteante ao ver as telas de pintura, logo depois ela abriu o outro embrulho onde um conjunto de vários pinceis de diferentes tamanhos e jeitos se encontravam junto das tintas. Cores vibrantes e chamativas, que fazia Eudora se perder em inspiração.
O clima chato melhorou após Eudora esboçar um sorriso, apesar de estarem irritadas com Píton tudo o que menos queriam era deixar o oráculo contagiada com seus ressentimentos. E ficaram felizes ao ver um sorriso angelical naqueles lábios finos e pequenos.
- Sabia que ia gostar – disse Asterope – Como vi que ficou encantada com a paisagem que o santuário oferece achei que seria uma boa, ainda mais sabendo que a chata da Píton não vai deixá-la sair – completou.
- Obrigada, Asterope – sorriu.
- Bom, agora vou lá ver a fera – disse movendo as mãos como se tivessem garras.
Ao entrar em seu quarto, no qual dividia com as outras, Asterope notou falta de Píton.
- Onde está ela? – indagou.
- Foi dar uma volta – respondeu Lipara que fazia a mesma cara que as meninas – E nem tente falar com Aerica, ela está deitada ali na cama e coberta até a cabeça desde que a pitonisa neurótica brigou com as meninas.
- Deixa eu adivinhar? Daí depois as duas brigaram – disse e a ruiva assentiu – Píton ainda vai causar discórdia entre nós – suspirou.
- Então se prepare porque algo me diz que a tendência é só piorar.
Depois disso fora a vez dela se jogar na cama e suspirar.
Notas Finais: Espero que tenham gostado. Fotos das ninfas voces podem encontrar na minha pagina no facebook: Pandora Cipriano Fanfics.
Obrigada e até o próximo.
