Capitulo 4 – Sensações
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O sol estava agradável naquela tarde e nada melhor do que aproveitar uma belíssima cachoeira, as três mais novas com muito custo conseguiu fazer Píton ceder em deixar que Eudora aproveitasse a incrível tarde que teriam, mas somente concordou quando Lipara falou que as acompanharia e ficaria de olho na loira.
Quando a resposta foi dada elas mais do que depressa desceram correndo a escadaria longa das doze casas, Fésile e Eríthia puxavam o oráculo pelas mãos enquanto Cléia e Lipara vinham mais atrás.
- Será que dá para não correrem? – indagou Lipara tentando acompanhar o ritmo delas – Se Eudora se machucar quem vai ouvir da Píton serei eu! – avisou já imaginando o falatório e todo o texto que a pitonisa usaria.
Porém, sua fala fora praticamente esquecida por elas que apenas continuavam a correr e puxar Eudora, mas a ninfa não as culpava. Até mesmo ela estava contente pela menina poder sair um pouco, talvez devesse inventar motivos para sair somente para que Eudora pudesse desfrutar de uma liberdade, mesmo que temporária. Não era legal viver oculta do mundo e não saber as maravilhas que ele possui.
Mesmo que há partes ruins e pessoas cheias de ódio. Ainda havia beleza naquele mundo humano.
A correria chegou até alcançarem a casa de virgem, que como sempre estava silenciosa além do normal, ouviram de Atena que o cavaleiro daquela casa devia meditar o máximo possível para a Guerra Santa que se aproximava. Mas ainda sim era estranho saber que alguém ficava enfurnado em um templo vinte e quatro horas por dia.
- Meninas já chegam, aqui é um templo sagrado! Ouviram o que Atena disse – avisou novamente.
- Não se preocupe, Lipara, tomaremos cuidado! – avisou Fésile adentrando o templo junto das outras.
- Ok, mas tentem não...
Um estrondo agudo ecoou dentro da casa de virgem e Lipara fez uma careta.
-... Não esbarrar em nada – completou sua frase e logo correu até as outras.
Ao se aproximar viram Eríthia erguendo uma pequena mesinha redonda com incensos, um pratinho de prata com areia se encontrava no chão e o conteúdo espalhado. Ela suspirou, mas ao menos não haviam quebrado nada.
- Ta vendo por que queríamos que não corressem? – brigou Cléia com as mãos na cintura.
- Não foi por querer – disse Fésile.
- Ta certo... Esqueça isso e vamos sair logo daqui, estamos atrapalhando – falou empurrando-as para fora da casa.
Mal sabiam elas que o dono da casa se encontrava presente e observando tudo o que acontecia, mas a sua maneira. Por ser de certa forma especial, o cavaleiro de virgem possuía outros sentidos aguçados e apenas conseguia ver através do cosmo, mas não nitidamente. No entanto, algo havia chamado a atenção dele. Uma forma precisamente.
Uma forma que lhe causava sensações estranhas, mas talvez aquilo tudo fosse apenas curiosidade. Desde que sentira aquela áurea resplandecente e energizante, ele ficou curioso a respeito daquela forma, daquela áurea. Jamais havia sentido uma alegria sem igual habitar dentro de um ser humano e tal fato o fez prestar atenção atentamente nesse ser, nessa pequena ninfa. Senti-la em sua casa, sua energia emanando de seu pequeno corpo e contagiando a casa de virgem, o fez ficar tentado a ir ao seu encontro.
Mas talvez ficar "olhando-a" de longe fosse o bastante.
Asmita não sabia dizer ou explicar tal sensação que vinha da ninfa, mas dentre todas ela era a que mais lhe cativou. Até quando ficava em silencio era possível ver seu corpo se comunicando energeticamente. Aquilo era algo dela.
Mas assim era Fésile. A ninfa mais encantadora de todas, sua energia era capaz de contagiar e ás vezes inspirar as pessoas, deixando até algumas musas irritadas. Fésile é uma ninfa dona de um cabelo na altura dos ombros e rosa um pouco mais escuro que o de Cléia, seus olhos claros possuía uma luz própria que jamais se apagaria. E apesar de estar prestando atenção na pequena bronca de Lipara, ela sabia que estava sendo observada, era algo sutil, mas conseguia sentir. Mirou para algum ponto da casa, mas nada encontrou.
Após dar de ombros seguiu as ninfas, saindo enfim da casa de virgem.
[***]
O momento agradável de repente se perdeu. Quando chegaram a casa de gêmeos Eudora sentiu seu corpo mais pesado e andar era algo difícil, parecia que algo de muito peso estava amarrado a seus tornozelos. Ao adentrarem ela sentiu o ar ficar mais denso, uma sensação de perigo se apossou do lugar... Ou seria dela? Por um segundo ela se esqueceu de como respirar normalmente e cada canto, cada pilastra, cada azulejo era olhado com mais atenção.
O templo parecia mais encoberto que as outras, o breu parecia dominar ali não deixando espaço para a claridade. Mas ainda sim, apesar de todos esses sinais, Eudora se sentiu tentada a adentrar aquela escuridão. Mergulhar nela e nas lembranças que carregava.
Esse não é você!
Seu corpo deu um sobressalto e seus olhos vasculharam novamente o templo a procura de alguma presença, mas ela nada encontrou. A casa estava completamente vazia, caso contrario sentiria a essência do cavaleiro de gêmeos. Sentia Defteros ali. Mas ele não estava. Uma mescla de imagens passaram a sua frente em uma velocidade absurda que ela achou que estivesse vendo coisas.
Um sorriso macabro de um ser desconhecido lhe causou arrepios, a voz angustiada vinda de alguém lhe deixou preocupada e aflita.
- Eudora – disse Lipara tocando seu ombro, a garota se virou ainda meio confusa, como se estivesse em outra dimensão – Você está bem? – indagou.
- Ah sim – levou uma das mãos a cabeça – Acho que... Me perdi em pensamentos – sorriu brevemente.
Lipara a olhou cuidadosa, avaliando a postura dela, mas nada indicava que a mesma estava tendo uma visão. Quando Eudora tinha as visões elas não davam sinais, simplesmente vinha com tudo e a pobrezinha tinha que agüentar a carga de imagens que lhe passava na mente. Mas ela sabia como Eudora ficava quando isso acontecia. Então, ela estava bem.
- Vamos indo, senão vai ficar tarde para aproveitarmos a cachoeira – avisou levando-a para fora daquele templo, que lhe causava arrepios também.
~0~
- Esse também não... Esse muito menos, é chamativo demais – comentou parada diante da cama, onde varias peças de roupas estavam estendidas.
De repente algo estalou em sua mente e ela se repreendeu, negou com a cabeça enquanto andava pelo quarto resignada consigo mesma. O que diabos ela estava fazendo? Desde quando tinha dificuldades em escolher uma simples roupa para ir apenas à biblioteca? No qual a mesma ficava a apenas alguns lances de escada acima de sua cabeça.
Mas então ela parou de andar e fitou novamente a cama, uma das peças de roupa possuía um tom verde bem claro, igual aos longos cabelos do cavaleiro de aquário. E a cor que antes era bonita de repente pareceu um tom frio e neutro, assim como os olhos dele. Um suspiro insatisfeito escapou dos lábios bem modelados de Pasithea. Emburrada ela se sentou na cama sem se importar se amassaria alguma roupa sua. O balançar da cama fez alguns acessórios cair no piso de madeira, mas ela nem ao menos ligou.
- Oh, o que está fazendo aqui? – indagou Aerica ao entrar no quarto, mas Pasithea apenas resmungou algo – Aconteceu algo?
- Esse é o problema! Nada aconteceu e eu me sinto estranha... Ou talvez tenha acontecido e eu esteja ficando doida só isso – ralhou rolando os olhos e voltando a apoiar o queixo na mão.
Aerica abriu a boca em um grande 'o', não do feitio de Pasithea agir daquele jeito. Ela fazia par com Asterope no quesito de ser desastrada e alegre, mas perdendo para a animação de Fésile. Afinal ninguém ganhava dela nessa parte. Rapidamente a ninfa se sentou ao lado dela e passando as mãos carinhosamente em suas costas ficou atenta a ouvir.
- Então... O que houve? – indagou e após outros suspiro resignado ela se pôs a falar.
- Ontem quando eu fui à biblioteca acabei encontrando com um cavaleiro, mas ele me tratou de um jeito tão estranho que... Bom...
- Que jeito que ele lhe tratou?
- Frio – disse sentindo seu ser congelar só de lembrar-se da presença dele – Ele era frio como uma geleira. Não esperava por esse comportamento dele.
Se fosse Píton ou Lipara com certeza a pobrezinha ganharia uma resposta bem dada delas e ainda teria que ouvir que ela era uma tonta por se preocupar com uma besteira dessas. Na verdade, até Aerica achava isso, mas como conhecia bem a personalidade de Pasithea sabia que aquilo mexeria com ela. A maioria das ninfas, principalmente a ninfa hesperídes, não estavam acostumadas com jeitos mais reclusos e fechadas.
Quando estava na arena se lembra de ter visto um cavaleiro com as feições que Pasithea descreveu e até entendia ela estar daquele jeito, uma pessoa mais séria assustava-as.
- Se foi só isso não precisa se preocupar, cada pessoa possui uma personalidade até mesmo nós ninfas somos cada uma de um jeito – explicou docemente.
- Uhum... – assentiu, mas meio incerta.
Ela não estava preocupada com o fato da personalidade dele e sim com o fato de que aquilo a incomodou mais do que devia e algo dentro dela queria saber a respeito dele. Parecia que algo se escondia naqueles olhos profundos.
Aerica se levantou da cama e após um sorriso e mais palavras de conforto saiu do quarto deixando-a com seus pensamentos. Logo em seguida Pasithea se arrumou, pegou qualquer roupa julgando estar apresentável, não queria se irritar com algo tão simplório. Pegou um vestido branco de um ombro só com um pequeno pano que pendia em degradê, o vestido possuía uma saia pequena por cima da longa, bem ao estilo grego. O cinto dourado e algumas pulseiras completaram o look, enquanto que o cabelo ficou solto como gostava.
Chegara à biblioteca mais rápido do que o esperado. Ou seria por que no caminho se perdeu novamente em pensamentos?
O recinto estava silencioso e ela agradeceu por isso, porém, mesmo assim seus olhos vasculharam cada canto a procura de qualquer sinal da presença do aquariano. Para felicidade ou infelicidade ele não estava lá, ela suspirou aliviada e caminhou pela biblioteca carregando um livro que lera em somente uma noite. Ela era perita nisso. Ninguém conseguia ler mais rápido do que ela.
Guardou o livro em sua estante e depois deu mais uma olhada pelo imenso local, desceu as escadas que possuía corrimão em tons dourados. As mesas estavam limpas e livres de livros que os cobriam e o motivo se encontrava nas cinco criadas que se encontravam organizando aquela parte, a ninfa acenou para elas sorridente e ganhara uma leve curvada em respeito. Logo depois Pasithea se encaminhou em direção a uma pilha de livros colocados em uma única mesa.
- Posso ver estes aqui? – perguntou ao se aproximar.
- Claro senhorita – disse – Fique a vontade.
Pasithea abriu o primeiro livro que possuía a capa em cor neutra, após ler duas paginas vozes atraíram sua atenção e por um breve momento sentiu algo falhar e sua respiração se esvair. No andar de cima se encontraram o cavaleiro de aquário e o cavaleiro de escorpião, onde o segundo falava algo que o primeiro não parecia muito ansioso em ouvir. Mesmo de longe ela pode notar que suas feições não mudavam e continuavam inexpressivas.
A ninfa de repente se encontrou enfeitiçada pelas feições duras daquele cavaleiro e só saiu do transe quando notou as vozes mais altas e percebeu que eles se aproximavam, apesar de estarem no andar de cima. Pasithea sentiu seu corpo ficar tenso como no dia anterior e tomada pelas suas emoções que estavam a mil por hora ela largou o livro em cima da mesa e tratou de ir embora sem ser notada. Mas o destino não ia com a cara dela e sair de fininho era algo que Pasithea não conseguia, nem que tentasse.
De alguma forma seu vestido se prendeu e sua perna se enroscou nos da cadeira fazendo-a tropeçar e ir de encontro chão, mas não sem fazer um estrondo levando a cadeira e os livros que se encontravam em cima da mesa. Devido ao barulho alto ela conseguiu o que não queria: ser notada. Kardia e Degel se viraram ao ouvirem o ruído e o aquariano soltou um suspiro exasperado ao ver a mesma ninfa do dia anterior.
Do alto, onde estava, ele pode vê-la se ajoelhar fazendo os livros saírem de cima de suas pernas e logo ela os fitou, notou como ela parecia apreensiva em comparação de quando a viu pela primeira vez ali. Kardia como sempre não se agüentou e gargalhou, enquanto se debruçava sobre o parapeito formado por barras de ferro tingidas e finas. Degel negou com a cabeça e sem controlar seus pés se viu caminhando na direção dela e viu que o amigo o seguia.
Pasithea não percebeu sua aproximação, só o viu quando sentiu os livros em suas mãos serem tomados de si.
- Novamente carregando mais livros do que consegue – disse ele os pegando de suas mãos – Não aprendeu ainda? – falou a fitando ainda mais intenso e gélido do que antes.
Pasithea nada respondeu apenas abaixou o olhar enquanto mordia o lábio inferior, fazendo o aquariano prestar mais atenção naquela área, mais tempo do que deveria, deve-se ressaltar.
- Você não é uma das ninfas? – argumentou Kardia com a mão no queixo e a avaliando de cima abaixo – Pa... Pae... Ae... – tentou o nome dela.
- Pasithea! – disse baixo, mas ainda de forma educada e conseguindo esboçar um mero sorriso.
- Isso, Pasithea! – estalou os dedos – O que faz aqui?
- Ah, pensei em me ocupar lendo, minhas irmãs foram para a cachoeira, mas eu não estava muito afim – disse alisando o cabelo para tentar se acalmar.
- Não gosta de água? – brincou ele.
- Não... Eu apenas não estava afim... Hoje – disse.
O que era mentira, Pasithea adorava se divertir com as irmãs, mas estranhamente naquele dia sua vontade de ir a biblioteca era maior do que qualquer coisa e achou melhor ceder a sua vontade. Mas começava a se arrepender toda vez que olhava de relance para Degel.
- Entendo... – disse e em seguida ele sorriu mais abertamente – Já que não vai fazer nada e particularmente acho livros uma chatice... Gostaria de ir a uma doceria na vila conosco? – convidou.
- Kardia! – ralhou Degel.
- Ah...
- Nem vem... Você vai aceitar – sorriu – Gosta de tortas? Qual sua preferida?
- Gosto e adoro tortas de maçãs, Eríthia costuma fazer bastante – comentou incerta se devia responder.
- Ah, essas é das minhas! Bate aqui! – estendeu a mão e receosa a ninfa bateu na mão enorme do escorpião – Então vamos andando e não ligue para as caretas feias do Degel, esse aí é chato que nem os livros dessa biblioteca – falou ao passar o braço por cima de seus ombros e a puxando para andarem em direção a saída.
Degel apenas rolou os olhos e os seguiu.
~0~
Depois de uma pequena caminhada, as ninfas enfim chegaram até a cachoeira. Uma floresta repleta de vida e energia boas a rodeava, isso deixou as ninfas com animação para continuar ao passeio, a mesma não era grande, mas sua beleza era inspiradora. A água que formava o pequeno lago era cristalina e o barulho da água despencando era acolhedor, Eudora novamente sentiu seu corpo se coçar para experimentar pela primeira vez uma cachoeira.
Sim, Píton havia privado a menina até mesmo disso. Nem quando estavam no bosque de Hérmia ela podia ir com as outras ninfas. Mas aquele era uma experiência única, seria única.
- Nossa é muito bonito – disse Eríthia – Vamos meninas! – exclamou, mas fora segurada quando correu na direção da água – O que foi? – indagou a Lipara.
- Essa é a primeira vez que Eudora vê uma cachoeira e vai nadar em uma, acho que a primeira mergulhada deve ser dela – disse.
- Verdade... – comentou Fésile – O que está esperando Eudora? Vai! – sorriu.
A menina coçou a cabeça sem jeito.
- Mas... O que eu devo fazer? Será que é fundo? – indagou confusa.
- Fundo não deve ser, mas como é baixinha não vai dar pé para você – riu se aproximando dela – Mas primeiramente deve se livrar desse vestido – falou e a loira se afastou.
- O que? Tirar? Eu vou nadar nua?! – exclamou recuando.
- Sim, oras! Como acha que vai nadar? De roupa? – riu – Ninguém vai nos ver aqui, estamos só nós! – disse, mas ao ver o receio dela achou melhor ajudar – Ok, eu te ajudo – e em seguida começou a se despir – Vou pular com você – sorriu.
Lipara trajava um vestido branco simples sem muito enfeito e não usava nenhum acessório, uma puxava e o vestido se soltou de seu corpo caindo como uma pluma no solo coberto por algumas folhas e a grama bem verdinha. Sem o pano Lipara não usava nada, ou seja, sem o vestido estava completamente nua. Eudora ficou sem jeito diante da exuberância da ninfa, mesmo elas sendo todas mulheres. Afinal, nunca tinha ficado nua na frente de ninguém.
- Quer ajuda? – perguntou e timidamente ela negou.
Com calma, mas também de forma retraída Eudora começou a tirar seu vestido. Logo o mesmo caiu no chão e depois o entregou a Cléia, que o pendurou em um galho baixo de uma as árvores próxima ao lago. Em seguida deu a mão a Lipara e caminharam até uma parte elevada, havia duas árvores de tronco fino ali e meio tombadas, bem ao lado de onde a água despencava. Em cima de pequenas pedras as duas se posicionaram e após o aviso de Lipara, elas pularam.
Eudora sentiu seu corpo quente e ansioso ser atingido pela água gelada e refrescante. Fora um baque intenso, mas agradável, o oráculo mergulhou até o fundo e depois emergiu ainda tenso Lipara segurando sua mão. Quando voltou a superfície um sorriso nunca visto se formou naqueles lábios, as outras ninfas gritaram em animação e felicidade. Logo depois tiraram seus vestidos e caíram na água também.
- Ah como está boa – comentou Fésile.
- Então Eudora, como foi a experiência? – perguntou Eríthia.
- Foi ótima! – exclamou jogando água nas outras e logo começaram a brincar, até mesmo Lipara entrou no meio.
Ficaram ali brincando, nadando, conversando e rindo. Depois que cansou de ficar na água Eudora resolveu sair da água e se sentou na beirada do lago, mas logo se cansou e foi até a bolsa que trouxeram com comida e água. Eudora trouxera seu caderno de desenho, também dado por Asterope. As ninfas nadando naquela água cristalina era uma cena perfeita e digna de ser registrada. Tornou-se a se sentar na borda e começou a desenhar, a cena ficava ainda mais inspiradora quando Lipara sentou-se na única pedra que havia dentro do lago e a sua frente estava Eríthia tendo seus cabelos platinados penteados pelos dedos da ruiva rosada (Lipara).
Com um pedaço de carvão Eudora logo começou a deslizá-lo pela folha em branco, seus olhos alternavam da cena para a folha e tentava registrar o mais rápido possível antes que elas mudassem de posição. Não gostava de que o objeto ou pessoa a ser desenhado ficasse muito tempo parado, usava sua mente para registrar a cena e então gravá-la no papel. Gostava das coisas livres. Assim como ela queria ser.
- Ora, podia ter avisado que seriamos desenhadas! Assim faríamos umas poses melhores – avisou Cléia a olhando, ainda dentro da água.
Eudora apenas sorriu e foi retribuída.
Lipara parou de pentear os cabelos de Eríthia e mergulhou novamente na água e nadou até a loira.
- Por que não aproveita? – comentou e recebeu uma feição confusa por parte da menor – Píton não está aqui, aproveite e vá vasculhar o bosque, mas não vá muito longe claro – avisou e deu uma piscadela em seguida.
- Sério?! – sorriu animada.
- Será nosso segredo – piscou novamente.
Eudora se levantou apressadamente e quase tropeçando nos próprios pés ela foi até a árvore pegar seu vestido, o vestiu sentindo-o grudar no corpo ainda molhado. O cabelo se encontrava na mesma situação. O caderno ainda foi mantido em mãos assim como o pedaço de carvão. Deu uma rápida olhada para Lipara e a mesma assentiu, em seguida adentrou a mata.
O barulho de pássaros cantando e pequenos animais percorrendo o terreno daquela floresta causaram em Eudora uma sensação agradável. Andar era um pouco complicado devido a seus pés estarem molhados e as folhas grudarem sob o mesmo, mas a loira logo ignorou aquele incomodo. Pequenos feixes de luz conseguiam ultrapassar os galhos das árvores e iluminar seu caminho, as copas eram grandes demais e se não fosse por pequenos espaços e falhas entre um galho e outro com certeza estaria parcialmente escuro aquela floresta.
De repente a pequena garota parou quando foi interceptada por um pequeno esquilo que passava por ali e desavisado deparou-se com ela.
- Oi... – disse ao se agachar e esperançosa para ele viesse até ela.
O esquilo mexeu seu pequenino focinho e em seguida saiu em disparada, mergulhando na mata e logo depois de achar uma árvore subiu nela. E do alto ficou a observar Eudora. A loira procurou por uma pedra ou raiz para que pudesse se sentar, ao encontrar um lugar seguro sentou-se com cuidado e apoiou o caderno em seu colo e começou a desenhar o pequeno animal.
Sua mão se movia suavemente fazendo os contornos e...
Sua tranqüilidade fora tirada repentinamente quando um estouro ecoou na floresta, Eudora viu o esquilo pular no solo e então sumir de sua vista. Os pássaros saíram voando dali tão assustados quanto ela se encontrava e mesmo que seu corpo gritasse para que ela retornasse para as outras, não fora isso que ela fez. Com a sutileza de um felino a andar sem querer ser percebido, ela se esgueirou por entre a mata tomando cuidado com tudo ao seu redor.
O barulho começava a aumentar à medida que ela se aproximava, logo a frente depois de uma árvore grossa a paisagem começava a mudar, as árvores ficavam mais finas em seus troncos e poucas folhas habitavam nela. E foi ali que ele a viu...
Defteros estava bem diante dela, desferindo golpes um atrás do outro em uma das árvores e a cada soco era um estrondo alto fazendo com que os pássaros se agitassem e saíssem voando para longe. Logo sentiu suas bochechas arderem na região das bochechas e ao tocar não sentiu nada de diferente, mas a ardência ainda continuava e então percebeu que estava corando. E isso se devia ao fato de Defteros estar sem camisa facilitando ela de ver os rastros deixados pelas gotas de suor.
Eudora se encolheu ainda mais detrás da árvore e continuou a observar o cavaleiro. De repente, quando voltou a olhar para ele, viu o geminiano parar com os golpes e mover a cabeça ficando de perfil e com medo de ser vista ela se escondeu detrás da árvore e segurou o caderno contra o peito que subia e descia rapidamente.
Sentia medo naquele momento, não dele e sim de ser questionada sobre o que estava fazendo ali e ainda mais escondida. Aquela era a segunda vez que o observava de longe e quando estava prestes a ser descoberta se escondia, e por mais que fosse errado, ela adorava sentir aquela onda de adrenalina que preenchia seu corpo. Era sensação boa e ao mesmo tempo incontrolável e de certa forma vicioso.
Por estar escondida, Eudora não pode ver Defteros sorrir de canto deixando a mostra um dos caninos que era bem afiado. Como um cavaleiro de alta batente ele mais do que ninguém sabia como perceber a presença de uma pessoa, mesmo que ela esteja escondida. E por possuir uma audição favorável também escutou os passos suaves do oráculo, porém, não fez nada... Porque não quis. Deixou que ela achasse que não a tinha percebido, saber que era observado por ela era algo interessante e queria saber até onde ela iria.
Mas talvez não duraria muito.
- Eudora! – ouviu seu nome ser gritado e a menina sentiu seu coração acelerar. Deu mais uma espiada em Defteros, mas não o encontrou, mas também pouco se importou, apenas se levantou e saiu correndo indo de encontro a ninfa – Eudora! Onde estava? – indagou Lipara quando a mesma trombou na garota – Falei que poderia andar por aí, mas não era para ir muito longe! – brigou.
- Desculpe – disse ela.
- Vem vamos voltar, você tem que se alimentar – disse ela a levando de volta a cachoeira.
~0~
Pasithea se deparou com um beco sem saída, porém muito arrumado e limpo. A rua em que se encontrava era um pouco larga e com isso as mesas para quatro pessoas foram postas ao longo da mesma, apesar de que para andar ali você teria que se esgueirar por entre as mesas. Algumas pessoas já se encontravam sentadas desfrutando de pedaços de tortas que a vista pareciam deliciosos. Outros apenas preferiam beber alguma coisa.
Kardia exibia um sorriso contagiante deixando o clima mais alegre e jovial, mas era só olhar de relance para Degel que aquela alegria congelava no ar. Por isso a ninfa tratou de ficar mais perto do escorpião e embalar em sua faladeira sobre as melhores docerias da vila Ródorio. Escolheram uma mesa encostada a parede do estabelecimento, Pasithea ficou desconcertada quando acabou ficando de frente para Degel e Kardia na ponte, entre eles.
- Kardia! – uma mulher exclamou seu nome – Pensei que não o veria novamente – sorriu abertamente.
- Sai em missões ultimamente, mas vim porque trouxe uma amiga – falou passando o braço pelo ombro dela e mirou a ninfa – Madeleine esta é Pasithea, ela é uma ninfa. Pasithea esta é Madeleine, dona da doceria e uma das melhores.
- Muito prazer – disse ela fazendo uma mesura.
- Como é linda, adorei seu cabelo – disse se aproximando – Posso tocá-lo?
- Ah, claro – disse e em seguida a garota tocou suavemente os cabelos lisos e incomuns da ninfa.
- Nunca vi ninguém com cabelos tão macios – comentou – Quem dera eu tivesse um cabelo assim, talvez arrumasse um namorado mais rápido – falou emburrada.
- Ora, mas seu cabelo também é bonito – elogiou.
Madeleine não era uma garota feia, pelo contrario, possuía uma beleza natural. Tinha estatura mediana, cabelos curtos e castanhos intensos, olhos que lembravam mel. E seu sorriso era encantador e convidativo.
- Por que não falou que estava atrás de um homem? Eu me candidataria – falou Kardia e a garota fez cara feia.
- Você, Kardia? Nem pensar! – brigou – Já ouvi sobre sua fama, sei que dorme com a primeira que aparece – disse e em seguida entregou o menu a eles – Melhor mudarmos de assunto.
- Concordo – resmungou Degel e no instante seguinte seus olhos se erguerem deparando-se com os suaves da ninfa, viu-a ficar constrangida pelo flagra e rapidamente desviar o olhar para o menu em suas mãos.
Pasithea segurava fortemente o pequeno menu em suas mãos finas, seu corpo estava todo duro e não conseguia de jeito algum relaxar. Suas pernas estavam coladas uma a outra, sua coluna ereta e seus braços rentes ao corpo, uma mensagem clara de seu nervosismo extremamente alto. Normalmente ela não era assim, mas não esperava que fosse ficar tão perto e diante do cavaleiro de aquário.
- O que vão querer? – indagou.
- Duas tortas de maças e Degel... Creio que vá querer uma de limão – falou Kardia e o amigo apenas assentiu.
- Já trago os pedidos – piscou.
Um pequeno silencio se fez, mas que logo foi quebrado quando Kardia estalou os dedos.
- Ah quase me esqueci do motivo de ter lhe trago aqui – comentou sorrindo para ela – Posso lhe perguntar algo? – ela assentiu – Vocês são bem unidas ou tem uma de vocês que não se dão muito bem?
- Por que pergunta?
- Quero saber sobre a tal ninfa Aerica, aquela que derrotou Manigold – contou.
- Aerica não devia ter feito aquilo – contou e ela ganhou um olhar questionador do escorpião – As ninfas Têmides não podem lutar sem um motivo, somente se alguma vida correr perigo – explicou – São ordens de Zeus – deu de ombros.
- Você sabem lutar também?
- Sim, mas não somos tão fortes quanto as Têmides – disse apertando as mãos nos joelhos, contendo o nervosismo que anda a dominava – Mas o que quer saber realmente sobre ela?
- Você ainda está com aquilo na cabeça? – ralhou Degel.
- Aquilo? – indagou confusa.
- Kardia quer convidar sua amiga para participar dos treinos dele – respondeu olhando diretamente para ela, o que a deixou sem jeito.
- Ah bom... Não sei ela aceitaria, Aerica pode ser um tanto difícil quando se trata do... Sexo oposto – contou com cautela – Aconselho a não tentar, senão é capaz de acabar como seu amigo.
- Até você está me desmotivando? Assim não dá! – reclamou.
- Falo por conhecer Aerica mais do que você, ela não vai aceitar – falou.
Kardia, porém, apenas sorriu de canto.
- Já sei que vai me ajudar – disse e se levantou indo até Madeleine.
- Ah, ele não toma jeito – disse Degel em negação.
O silencio que antes se formara retornou com força e peso na mesa, Degel não era do tipo que conversava muito e preferia apenas observar as coisas ou as cenas do que trocar palavras com alguém, já Pasithea era totalmente o contrario, mas devido a personalidade reservada e intimidadora do aquariano ela se sentia nervosa demais para tentar falar algo com ele. Ainda mais depois da primeira impressão que fora desastrosa.
Mas para a sorte da ninfa ela não fora obrigada a suportar aquele silencio esmagador, pois logo algumas garotas se aproximaram com largos sorrisos.
- Com licença, mas você é uma das ninfas que chegaram ao santuário? – questionou uma delas, que possuía cabelos negros e uma franja jogada de lado.
- Sim, sou sim – sorriu ela docemente e em seguida o pequeno grupo de cinco garotas soltaram gritinhos em animação.
- Ah, isso é emocionante, nunca havia conhecido uma ninfa – disse outra, que era ruiva, em um tom alaranjado – Seu cabelo é muito lindo... Lembra o mar ou o entardecer, quando o céu começa a ser tingido de um azul cintilante – comentou.
- Obrigada – sorriu.
Pasithea era o tipo de ninfa que já estava acostumada com a atenção, principalmente que esta vinha devido à cor de seu cabelo. Mas não era atoa que essa comparação era feita, já que ela era uma Hespérides, conhecidas como ninfas do poente e viviam no Jardim das Hespérides*.
As perguntas e comentários das garotas se estenderam e logo a ninfa fora arrastada para a mesa delas, que ficava próxima a deles. O pedido ainda não havia chegado e sozinho Degel então se ocupou com algo, mas não que quisesse aquilo. Simplesmente seu corpo, ou melhor, seus olhos se moveram sozinhos e se fixaram na mesa a frente dele. Novamente se via analisando aquela ninfa de personalidade peculiar e exagerada para seu gosto critico.
Por mais que tentasse achar uma explicação para sempre avaliá-la ele não conseguia, apenas se deixava levar e quando percebia estava-a observando.
- Melhor fechar a boca ou vai entrar mosca – brincou Kardia sentando-se novamente e nem percebeu que quase matara Degel do coração.
- Você quer parar com isso?! – brigou e o amigo o olhou confuso – Pare de aparecer assim do nada!
- Não tenho culpa se estava todo concentrado em observar "discretamente" a ninfa – fez aspas com os dedos e Degel o fitou irritado – Não adianta mentir, eu vi você olhando para ela. Na verdade fez isso o caminho todo – constatou – Mas se bem que... Ela é bom bonita – a mirou.
- O que? Acha que estou interessado nela? – disse irônico e Kardia sorriu de lado maliciosamente.
- Não sei, eu não falei nada – deu de ombros e gargalhou da cara enfezada do amigo.
Logo Madeleine chegou com os pedidos, mas notou a falta da ninfa.
- Suas amiguinhas roubaram ela – disse o escorpião apontando para a mesa em que a ninfa se encontrava.
- Vou levar para ela – disse – Aqui está sua torta, Pasithea – disse ao se aproximar da mesa – Espero que aproveite! – falou acenando e retornando para dentro da doceria.
[...]
Aos poucos o céu ia se tingindo de um azul escuro e para as garotas da vila o cabelo de Pasithea ficava ainda mais belo naquele horário, assim como seus olhos. Passaram a tarde toda na doceria de Madeleine, tendo a ninfa como centro das atenções e Kardia não podia perder a oportunidade de se exibir dizendo que conhecia a ninfa desde muito tempo. Mas ela não desmentiu nada, deixou que ele aproveitasse a situação, ficou com pena de estragar a grande chance dele com uma garota bonita.
Já Degel estava quase arrancando aqueles dois dali e voltando para o santuário. E ficou feliz quando finalmente viu que eles iriam embora, tudo o que ele queria no momento era paz e sossego.
- Volte novamente a vila, Pasithea e traga suas irmãs – pediu uma das meninas.
- Claro! – sorriu e depois acenou ao se despedir.
- Pasithea eu tenho que te trazer mais vezes, com sua ajuda descolei um encontro no final de semana com a mulher mais linda dessa vila – sorriu Kardia abertamente, feito uma criança no natal.
- Você diz isso para cada garota que vai se encontrar – comentou Degel com desdém.
- Bem que poderia ter conseguido um encontro também – observou o escorpião – Assim quem sabe melhora essa cara.
- Não estou com tempo para isso, Kardia – respondeu.
- Madeleine ficou o tempo te olhando, mas você só ficava olhando para Pa... Ai! – exclamou ao receber um tapa na cabeça – Por que fez isso?
- Por que deu vontade – disse ríspido e virou o rosto.
Ao lado deles e em completo silencio, Pasithea observava a pequena discussão entre amigos e diante do assunto que se instalou ali tão de repente, fez a ninfa se sentir estranha. Gostara e muito de Madeleine, porém saber que ela olhava Degel de maneira um tanto apaixonada deixou o interior da ninfa amargo. Uma mescla de sensações entre a tristeza e a raiva invadia todo seu ser e isso a fez juntas as mãos frente ao peito.
Mas por que estava sentindo aquilo tão repentinamente?
Quando chegaram ao santuário à ninfa teve que percorrer o caminho ao lado de Degel e o pior: sozinha. Já que Kardia ficou em sua casa em escorpião, afirmando que havia algumas coisas importantes para arrumar e por isso não poderia acompanhá-los. Pasithea sentiu cada pelo de seu corpo se arrepiar na hipótese de ficar a sós novamente com o cavaleiro, mesmo que por pouco tempo ela já havia notado que ficar no mesmo ambiente que ele não fazia bem para seu estado mental.
O silencio entre eles era esmagador e a ninfa, que não estava acostumada com aquele tipo de personalidade, sentia seu corpo ter dificuldades para subir cada degrau em direção ao templo treze. Vez ou outra ela sentia seus pés se embolarem (de alguma forma) na barra de seu vestido e quase tropeçar. Mas acabou que uma dessas vezes Pasithea não conseguiu se segurar e por fim tropeçou de verdade e foi de encontro ao chão... Isso teria acontecido se não tivesse sido "salva".
- Você é bem desastrada – comentou Degel a olhando e Pasithea novamente não soube como era respirar.
- D-D-Desculpe – gaguejou.
O braço em torno de sua cintura a apertou ainda mais e ela não soube o que fazer, pois se viu presa naqueles olhos profundos. Nervosa e sem jeito, ela mesma se afastou dele, apesar de que gostaria de ficar mais um pouco naqueles braços que a seguraram de forma segura e protetora.
- Não precisa me acompanhar até o décimo terceiro templo, afinal sua casa é a próxima – falou um tanto tremula.
Degel apenas moveu a cabeça vendo a casa de aquário logo adiante.
- Tem certeza?
- Acha que não consigo chegar até lá? – brincou e o olhar dele a fez crer que sim, ela não daria conta.
- Desastrada do jeito que é, é bem capaz de se cortar com alguma rosa de Albafica – explicou.
- Não precisa ficar desse jeito, sei que sou desastrada, mas nunca me machuquei!
- Com certeza porque houve varias pessoas para te salvar e na maioria delas... Homens – disse cortante como o vento gélido da Sibéria.
- Claro que eram homens, sou uma ninfa e muito desejada por eles. Da mesma forma que você é desejado pelas garotas de baixo escalão da vila! – retrucou.
Tudo bem, ela não sabia o que estava acontecendo ali e nem como de repente estavam brigando por... Por que mesmo estavam brigando? Ela não sabia e talvez ele muito menos, mas era palpável uma tensão ali entre eles e sem um motivo aparente. Quando se deu conta de que estava brigando com alguém, coisa que jamais fez, Pasithea tampou sua própria boca ao perceber as coisas que dissera.
E após arregalar os olhos ela simplesmente saiu correndo deixando Degel para trás com a feição confusa. Mas logo se deu conta da forma que falara com ela.
Subindo as escadas feito um relâmpago em uma tempestade, a ninfa já se encontrava na entrada do décimo terceiro templo. Parou de correr assim que chegou e virou-se para trás vendo as casas do zodíaco, mais precisamente a de aquário. Uma leve brisa balançou seus fios azulados enquanto ela observava a penúltima casa do alto do santuário.
Seu coração nunca batera tão rápido.
Curiosidade:
Ninfas Hespérides: As ninfas eram tidas como filhas de Nix (a noite) e Érebo (a escuridão). Há, no entanto, outras versões para a sua ascendência. Uma delas as dá como filhas de Éter (luz celeste) e Hemera (luz do dia). Segundo a versão mais corrente, sãos filhas do Titã Atlas com a deusa Héspera. As ninfas Hespérides, também chamadas de ninfas do poente, habitavam o Ocidente, não longe da Ilha dos bem-aventurados, nas margens do oceano. Moravam em um belo palácio localizado a frente do jardim das árvores dos pomos de ouro. As ninfas possuíam o dom de controlar a vontade de feras selvagens e eram consideradas guardiãs da ordem natural, das fronteiras entre o dia e a noite, dos tesouros dos deuses, e também das fronteiras entre os três mundos (a Terra, o paraíso e o mundo subterrâneo, ou inferno).
(Fonte: wiki/Hesp)
Jardim das Hespérides: Na Mitologia Grega, o Jardim das Hespérides foi a morada destas ninfas. Situado ás margens do rio Oceano, guardado por um dragão (ou uma serpente). As Hespérides personificam o final da tarde, transição entre o dia e a noite. Hera recebera de Gaia lindas maçãs (pomos) de ouro como presente de seu casamento com Zeus e mandou plantá-las em seu longínquo jardim, no extremo Ocidente. Ela deu ás Hespérides, ninfas do entardecer e filhas de Atlas, a função de proteger este jardim. Quando as ninfas começaram a usar os frutos de ouro para próprio beneficio, Hera teve que procurar um guardião mais confiável. Assim, Ladão, o dragão de um corpo de serpente e cem cabeças, passou a proteger o jardim.
(Fonte: wiki/Jardim_das_Hesp)
Notas finais: Espero que tenham gostado e até o próximo capitulo.
