Aqui está mais um capitulo fresquinho, lamento pela demora. Andei passando por uns probleminhas particulares, mas já está tudo resolvido e irei voltar com a fanfic.


Capitulo 5 – Surtos

Seus pés afundavam na grama daquele solo macio, onde sombras frescas se formavam devido à claridade do sol. Apesar de caminhar a passos lentos e contados, seu olhar era preciso e atento a cada detalhe ao seu redor, desde uma simples borboleta voando livremente até sua sombra que se movia a acompanhando.

O enorme muro de pedra acinzentada marcava a entrada do santuário, o limite entre o final da vila e o começo do solo sagrado de Atena. Seus olhos vasculharam o alto do muro onde alguns guardas de prontidão se encontravam, uns andando para lá e para cá e outros se apoiando em suas lanças e deixando suas caras de sono visíveis. Ela não gostou nada de ver aquilo, se fossem atacados seriam mortos em um piscar de olhos.

Havia verificado o muro que cerca a parte do fundo do santuário e o cenário era o mesmo, nem parecia que uma guerra estava eminente e que a qualquer hora um espectro poderia aparecer. E era isso que a estava causando irritação e desconfiança até mesmo da própria sombra. Aquilo não estava certo. Por que Hades não liderou nenhum ataque? Por que não viram nenhum espectro andar por aí?

Nos bosques de Hérmia ela ficava vigilante a todo instante, pois foram vários os momentos em que vira um espectro perambulando pelo bosque a procura da entrada. Havia se passado cinco dias desde que chegaram e nenhum movimento por parte deles fora detectado. Mas havia algo de errado, ela sabia.

De repente um quebrar de galho foi ouvido e quando se virou sentiu seu corpo ser jogado contra a parede do muro e ver a face do cavaleiro de capricórnio diante de si. O braço dele estava parado rente ao seu pescoço como se fosse cortá-la com um só movimento e sua feição era dura e séria.

- Não está tão vigilante, caso contrario teria me percebido – falou ele bem próximo dela, mas em seguida se afastou recuando alguns passos.

Píton massageou o pescoço e fez uma careta em desgosto.

- Claro que estou, apenas me perdi em pensamentos. Uma falha minha – comentou virando o rosto – O que faz aqui?

- Você não está vigilante, está agitada isso sim – falou – Tanto que seu cosmo está alto e é possível sentir por todo o santuário. Você anda como se quisesse ser achada e isso pode causar sua morte! – avisou.

- Por isso veio?

- Achei que tinha algo de errado e os outros também estavam preocupados – comentou somente.

- Preocupada estou eu com toda essa quietude – ralhou olhando novamente para o muro – Como eles conseguem ficar tão calmos?

- Eles não são cavaleiros, são apenas guardas que ficam de vigia e durante um ataque repentino devem ser fortes até que nós cheguemos ao local do ataque – explicou... De novo – Você nos menospreza fácil demais – disse.

- Não os menosprezo, apenas digo as falhas que vejo, para assim melhorarem – ponderou – Além do mais... Não acha estranho tudo estar calmo demais, sendo que a qualquer momento a guerra pode começar?

- Pode ser, mas estamos em alerta para qualquer movimento.

- Como tem tanta certeza de que vão conseguir saber de um ataque antes que ela aconteça. As visões de Eudora são difíceis de decifrar – explicou.

- Asmita de virgem – contou e a pitonisa o olhou confusa – O cavaleiro de virgem é conhecido como o homem mais próximo de deus e seus sentidos estão mais aflorados do que qualquer um de nós, ele vigia constantemente o santuário até mesmo durante a noite – falou – Se houvesse qualquer coisa anormal acontecendo ele nos contaria ou ao grande mestre.

Píton emitiu um grunhido de irritação, apesar de não ter se convencido daquela historia. Foda-se se o mesmo era o mais próximo de deus, ele não era vidente e nem possuía um dom como a de Eudora. Como preveria anormalidades ao redor do santuário ou do mundo?

Mas antes que pudesse procurar pelas respostas, um grito de pânico ecoou perto deles e logo um dos arbustos se mexeu e Cléia saiu de entre eles.

- Píton! – gritou ao sair com certa dificuldade do arbusto.

Quando parou diante a pitonisa a ninfa não conseguiu dizer nada, mas bastou Píton dar uma olhada na feição e no estado dela para saber que havia algo errado. O corpo dela estava tremulo, suas feições assustadas e suor escorria pela lateral do rosto, a tensão e medo pairavam sobre ela como uma tempestade arrebatadora.

- O que houve? Fale de uma vez! – ordenou. Mas a pobre ninfa não conseguiu falar, sua boca tremia como se tivesse visto um fantasma.

- Eudora... – sussurrou o nome e Píton arregalou os olhos.

Sem esperar por mais uma fala a sacerdotisa saiu em disparada se enfiando entre a mata que rodeava o santuário. Porém, os outros dois não a seguiram, não por não querer e sim por Cléia que acabou cedendo e seus joelhos atingiram a grama e suas mãos foram a cabeça enterrando-se nos fios rosados.

El Cid ao vê-la viu o nítido estado de pânico que assolou nela. Tentou acalmá-la e ao se ajoelhar diante da ninfa viu como o corpo tremia como se estivesse congelando. Seu semblante era de desespero.

- Ei... Ei... – chamou segurando o rosto dela e fazendo-a olhar para ele – Olhe para mim!

Cléia negou com a cabeça e mesmo que estivesse com a boca levemente aberta, o grito que queria soltar parecia entalado na garganta.

- Tente respirar, assim não vai se acalmar – ordenou com a voz mais grave, mas ela negou novamente.

- Não... Consigo... – disse meio engasgada.

- O que aconteceu? Alguém está ferido? – indagou e teve uma negação como resposta.

- Eudora... Ela... Nós... – puxou o ar com dificuldade e achou que fosse desmaiar de tanto nervosismo.

- O que aconteceu com ela? Consegue me dizer?

- Visão... Ela está tendo... Uma visão – contou baixo ainda com as mãos na cabeça.

El Cid a encarou um tanto confuso, mas entendeu o que ela disse. Porém, não compreendia por que alguém ficaria naquele estado ao ver uma pessoa ter uma visão do futuro. A não ser que o futuro fosse desastroso.

Mas o capricorniano não sabia que as visões que Eudora tinha ás vezes a machucava, as imagens vinham com intensidade e causava certa agonia no oráculo, principalmente quando a visão não era nítida. O oráculo entrava em um estado de tormenta e palavras sem nexo saiam de sua boca e tinham que ser rápidos para decifrar ou decorar o que saia dos lábios dela. Caso contrario não poderiam evitar o que quer que o oráculo visse.

E era com esses pensamentos que Píton corria como se fosse morrer dentro de alguns segundos, seu coração mantinha o ritmo frenético que demonstrava que a qualquer momento iria sair pela boca ou comprimir ao extremo seu peito que iria rasgar a pele e quebrar os ossos e sair de seu corpo. Mas ela tinha que agüentar, pelo menos até chegar a Eudora. Ela mais do que ninguém sabia como o oráculo ficava quando tinha as visões sejam elas claras ou não e qualquer pessoa que não estava acostumada com as cenas ficava no mesmo estado em que Cléia.

As escadarias já estavam diante dela e algumas casas foram ultrapassadas como se sem existissem, não demorou muito para ela ver um aglomerado de cavaleiros e as ninfas parados nos degraus bem diante da casa de libra. Próximo a entrada, ainda nos primeiros degraus, se encontrava Shion que segurava a loira que se contorcia como se estivesse sendo torturada. Ao redor estava o cavaleiro de câncer, sagitário, touro e o dono da casa de libra, Dohko.

- Ainda bem que você chegou... – disse Aerica tensa – Começou de repente, estávamos todas aqui conversando com Dohko quando ela começou a ter dor de cabeça e a grunhir de dor, logo os olhos dela se tornaram brancos... Então pedi que Cléia fosse te chamar – explicou.

- Fez bem, mas tenho que avisar que a coitadinha não está nada bem – contou e se aproximou de Eudora.

A mesma estava em um estado que deixaria qualquer um a beira do pânico, era possível ver as feições de desconforto dos cavaleiros ali presente e não demorou muito para que mais chegassem. Logo viu Kardia, Regulus e Degel se aproximarem acompanhados de Sasha e Sage.

- O que está acontecendo? – indagou o grande mestre preocupado, Sasha ao ver o estado de Eudora se preocupou também.

- Ela está tendo uma visão – disse Asterope, que se encontrava tão tensa quanto as outras.

- E ela fica... Assim? – questionou Kardia engolindo em seco.

Eudora se contorcia nos braços de Shion, que tentava inutilmente segurá-la, suor escorria sem piedade pelo rosto bastante pálido dela. Seus olhos estavam bem abertos e totalmente brancos, sua boca pequena se movia como se quisesse falar, mas nenhum som saia.

- Eudora... Eudora olhe para mim – pediu, mas o oráculo não conseguiu fazer tal tarefa. Então tentou outra coisa – Se está me ouvindo segure firme minha mão! – pediu e logo depois veio um aperto considerável, ela estava perdendo a consciência.

O oráculo tinha que perder totalmente a consciência de seu ser para que pudesse ver com mais nitidez as visões. Minutos depois Eudora começou a proferir palavras, não eram frases como as que ela já proferira uma vez, eram palavras curtas e aparentemente sem sentindo.

- Ro-Rochedo... – disse tremula e seu corpo se encontrava do mesmo jeito – Es... Espectro... C-Cortes... O... O mar, onde há cortes... – conseguiu dizer com mais clareza, mas seu corpo ainda dava tremeliques – Pa... Pas... Pasithea... – disse e logo depois os olhos de Eudora voltaram ao normal e ela desmaiou.

- Eudora! – gritou ao ver o corpo mole e desfalecido do oráculo – Droga! – praguejou.

- Shion, leve-a para o décimo terceiro templo e a coloque na cama. Ela precisará de repouso – ordenou Sage.

- Sim, grande mestre – assentiu Shion a pegando no colo e passando por ele.

As ninfas acompanharam Shion ficando somente Aerica e Lipara para trás, logo Sage e Sasha fizeram a mesma coisa e retornaram para o templo treze. Quando eles partiram o burburinho começou.

- O que diabos aconteceu aqui? – indagou Manigold.

- Aquilo era o oráculo se manifestando – respondeu Lipara cruzando seus finos braços.

- Nunca imaginei que ela ficasse daquele jeito – comentou Dohko – Senti... Como se...

- Sentiu uma dor interna, algo beirando a desconforto – foi à vez de Aerica falar – É isso que ela causa nas outras pessoas que não estão acostumadas a ver o oráculo se manifestar, com o tempo você se acostuma – explicou.

- Ela sempre fica assim? – indagou Hasgard.

- Sempre. Às vezes fica pior quando a visão não é clara, como aconteceu agora.

- E aquelas palavras que ela disse, quer dizer que não foi uma visão nítida que ela teve – argumentou Dohko e as ninfas assentiram.

- Quando Eudora consegue ver mais claramente, as palavras fluem naturalmente de sua boca e seu corpo fica menos tremulo do que ficou agora – falou Lipara.

- E o que acontece agora?

- Agora, cavaleiro Sìsifo, teremos que trabalhar e tentar entender o que Eudora viu e impedir que aconteça. Se não conseguirmos e a visão se concretizar... Teremos problema, mesmo que a visão seja algo sem muita importância – contou Aerica olhando para o alto rumo ao templo treze.

[...]

Com cautela Píton cobriu o pequeno corpo de Eudora, que agora se encontrava mergulhada em um sono profundo como se nada tivesse acontecido. Como se fosse embalada pelos anjos. Em seguida saiu do quarto e retornou para o grande salão onde Sage e os outros a esperavam.

- Ela está dormindo – disse ao chegar e ganhar vários olhos questionadores sobre si.

- O que quis dizer aquela visão? – perguntou o grande mestre.

- Lamento grande mestre, mas não tenho a resposta. Nem sempre Eudora vê claramente o futuro, às vezes elas vem em pequenos fragmentos e então temos que ir decifrando a partir do que ela nos dá – explicou Píton.

- Quais as providencias que quer tomar?

- Quero que Eudora não saia daquele quarto até termos decifrado a visão dela – disse – Todas nós vamos trabalhar para decifrá-lo – olhou para as meninas que assentiram – Não podemos fazer mais nada.

- Acha que pode ser um ataque futuro? Vindo de Hades?

- Provavelmente. Sugiro que reforce a vigilância, senhor – pediu, mas mantendo-se firme.

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Com calma ela virou o copo que lhe foi entregue, o mesmo continha uma água com açúcar para conter seus nervos que ainda estavam aflorados e em estado de pânico diante da cena vista a poucos minutos. Cléia se encontrava agora na casa de capricórnio tomando um copo com água para se acalmar. Ao subirem as escadas encontraram a mesma vazia, sem sinal de que todos os cavaleiros e as ninfas estavam aglomerados ali vendo Eudora se contorcer como se estivesse prestes a morrer.

Após dar um gole depositou o copo na mesa diante de si e voltou a se encostar ao encosto da cadeira, seus ombros ainda demonstravam tensão e El Cid não sabia o que fazer. Gostaria de ajudar, claro, mas nunca fora bom em falar algo para amenizar uma situação. Sentimentos e palavras não era com ele.

- Sente-se melhor? – indagou após alguns minutos de silencio.

Cléia apenas assentiu, enquanto mantinha sua atenção nas mãos pousadas no colo.

- O que eu faço agora? – indagou baixo, mas ainda sim ele conseguiu escutar – O que eu faço? Nunca vira Eudora ter uma visão, normalmente quando isso acontece Píton está do lado dela, mas agora... Tudo mundo viu – comentou abaixando o rosto.

El Cid retirou seu elmo da cabeça e o colocou na outra ponta da mesa e se sentou.

- Fique do lado dela – disse ele sério e a ninfa o olhou – Se você se importa com ela, então deve ajudar no que for preciso.

- Mas... Eu... – virou o rosto sentindo os olhos ainda marejados.

- Creio que ela vá precisar de ajuda, não no que diz respeito a sua visão, seja lá o que ela viu, mas sim pelo estado que ela deve ficar. Acho que não deve ser legal você ver o futuro e saber que aquilo pode mudar a vida de uma pessoa, seja para o lado bom ou ruim – explicou.

Cléia suspirou.

Em seguida ergueu o rosto e seus olhos, sem querer, se fixaram nos do capricorniano. Rapidamente sentiu suas bochechas arderem e desviou o olhar constrangida, mesmo sem saber o real motivo. Logo em seguida ela se levantou.

- Acho melhor eu ir – falou sem olhá-lo – Obrigada... Por me ajudar.

- Não tem de que... – disse – Consegue ir sozinha?

- Não precisa se preocupar – disse mais firme, voltando aos poucos a ser a velha Cléia de sempre – Agradeço a hospitalidade mais uma vez!

Dito isso Cléia saiu às pressas da cozinha e pelo seu andar, logo saiu da casa de capricórnio. Subiu os últimos lances de escadas e quando adentrou o décimo terceiro templo encontrou-o vazio, pelo menos no grande salão. Então rumou para o quarto onde sabia que Eudora se encontraria, ela achou estranho quando notou que não havia guardas ao longo do corredor ou na porta do quarto que dividia com as outras.

Adentrou o mesmo e encontrou o recinto mergulhado na penumbra, parcialmente na verdade, pois ainda havia uma fresta da cortina que permitia a claridade adentrar. Encontrou Eudora deitada em sua cama dormindo em um sono profundo, ela parecia tão calma e serena que era difícil de acreditar que parecia estar sendo torturada.

Se aproximou da cama com cuidado para não despertá-la, tocou de leve seus cabelos ondulados e depositou um beijo no topo de sua cabeça.

- Vamos cuidar de você, Eudora – disse baixinho – Não está sozinha – sorriu.

Depois de ajeitar melhor a coberta, Cléia saiu do quarto e foi à procura das outras ninfas.

As encontrou após questionar a uma criada, que contou que as mesmas se encontravam na biblioteca. Quando chegou a mesma viu todas sentadas em uma mesa cobertas de livros de todos os tamanhos. Desceu as escadas e foi até elas.

- Onde estava? – indagou Asterope docemente.

- Ah... Me recompondo – respondeu sem jeito – Desculpe.

- Não ligue para isso – falou ela tocando seu ombro – Agora precisamos de toda ajuda possível. A visão de Eudora não fora muito clara, mas sabemos que um possível ataque de um espectro pode acontecer, mas não sabemos onde.

- O que vamos fazer para descobrir? – questionou.

- Mapear as estrelas, revirar os livros ou qualquer coisa que possa nos ajudar – contou Pasithea.

- Irei ajudar então! – disse e se encaminhou para a mesa.

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As pesquisas pareciam sem sentido no começo, mas foram se transformando em quadros complicados. Píton era uma pilha de nervos e suas mãos tremulas folheavam as paginas de livros e abria pergaminhos de forma desengonçada e apressada. Quando a pitonisa ousava falar com uma delas era aos berros e ás vezes parecia não falar coisa com coisa. Causando assim irritação nas outras e uma delas era Eríthia.

A ninfa nunca fora de se exaltar, precisava de muito para isso, mas Píton parecia ser capaz de irritar até o mais calmo ser daquele mundo. Suas neuras enlouquecia qualquer pessoa.

- Ah! – suspirou alto a ninfa ao fechar o livro, fazendo questão de chamar a atenção – Pra mim já basta! – falou se levantando e causando ruído com a cadeira ao afastar a mesma.

- Aonde pensa que vai? – ouviu a voz séria e desesperada da sacerdotisa.

Eríthia apenas a olhou por cima dos ombros.

- Vou andar um pouco, minha cabeça já está doendo de tanto ver palavras e não chegar a lugar algum – ralhou e começou a andar ignorando completamente a pitonisa.

Antes de sair da biblioteca Eríthia ainda pode ouvir as outras concordarem que precisavam de um tempo, afinal estavam ali dentro há quanto tempo? Ela não sabia ao certo, mas já havia passado varias horas desde que almoçaram. A confusão aconteceu logo pela manhã, então... Muito tempo.

A ninfa agradeceu de todos os jeitos quando sentiu o sol quente tocar sua pele, fechou os olhos por uns instantes para absorver aqueles raios de sol que lhe faziam bem. Logo depois se pôs a descer as escadas rumo a arena, talvez se visse os cavaleiros treinando ou um cenário diferente que não houve prateleiras lotadas de livros ela se sentisse melhor.

Pelo caminho encontrou com alguns cavaleiros de ouro, nos quais a questionou sobre o estado de Eudora, após responder seguira seu caminho tranquilamente. Na entrada da mesma era possível ouvir os urros que os belos homens davam ao proferirem socos e chutes ou até mesmo outras técnicas de luta. Caminhando calmamente ela seguiu até a arquibancada e ali no alto se sentou, apoiou seu queixo nas mãos e os cotovelos nos joelhos e ficou a admirar o treino.

Em um canto da arena dois amigos treinavam golpes a fim de mostrarem a intensidade dos cosmos de um cavaleiro, mas claro que era apenas demonstração, dois cavaleiros de ouro não podiam lutar entre si.

- Parece que uma das ninfas está entediada – comentou El Cid desviando dos golpes de Sísifo.

Um olhar de relance foi o que o sagitariano deu para a direção da exótica ninfa de cabelos platinados e olhos cor de âmbar intensos e brilhantes.

- Será que o oráculo melhorou? – indagou ainda distribuindo chutes e socos.

- Por que não vai lá e perguntar a ela? – riu ele de canto e Sísifo desviou o olhar do amigo, que aproveitou a brecha e lhe deu um soco (não muito forte).

- Nunca abaixem sua guarda! – disse virando-se aos pupilos.

- Me pegou desprevenido – defendeu-se massageando o local, mas o capricorniano apenas rolou os olhos.

Logo em seguida El Cid escolheu um pupilo para treinar com ele e por em pratica as técnicas que viu, enquanto isso Sísifo se encaminhava em direção a ninfa, que apesar de olhar para a arena possuía os pensamentos distantes. Com uma toalha ele se secou, não gostaria de se aproximar da ninfa todo suado e fedendo, apesar de que sobre o segundo não podia fazer muita coisa.

Subiu os degraus indo até ela, quando se aproximou escutou um suspiro um tanto desapontado escapar de seus lábios tão pequenos.

- Os treinos ás vezes podem ser um tanto entediantes – comentou ele atraindo sua atenção, com um gesto mudo ele questionou: - Me permite? – ela assentiu e então Sísifo se sentou.

- Entediante talvez, mas no momento está me reconfortando da tonteira de tantos livros que vi até agora – respondeu voltando a ser mais espontânea.

- Falando nisso, como está o oráculo?

Após fazer a pergunta Eríthia pela primeira vez fechou a cara e o sagitariano achou ter falado algo de errado, apesar de não saber o que exatamente. Eríthia e Fésile eram parecidas no quesito animação e serem sempre extrovertidas, ao contrario das outras. E vê-la fazer cara feia ou ficar brava era algo realmente raro.

- Eudora! – falou séria – O nome dela é Eudora, não sei por que todo mundo insiste em chamá-la de oráculo! – ralhou.

- Perdão, senhorita, não foi minha intenção ofende-la – se desculpou – Eudora está melhor? – refez a pergunta.

- Ainda está dormindo e não sabemos quando vai despertar – soltou o ar dos pulmões. Sísifo a olhou de maneira curiosa então ela tratou de explicar – Normalmente quando Eudora não tem uma visão clara do futuro ela apaga por alguns dias para repor suas energias. E isso por um lado é bom, pois vez ou outra em seus sonhos ela consegue ter mais alguns fragmentos da visão.

- Então mesmo após desmaiar ela ainda pode ver algo em relação a visão que teve – disse e Eríthia assentiu, apesar de aquela frase não ter sido uma pergunta – Devo dizer que o ora... Quer dizer, Eudora possui poderes formidáveis. Mas talvez seja um tanto desagradáveis – mirou a arena.

- Creio que sim... Deve ser horrível prever a morte de alguém querido – abaixou a cabeça.

- Se me permite dizer, um semblante entristecido não combina com o seu – comentou a olhando e Eríthia ergueu o olhar – Prefiro quando sorri – mas só então notou o que havia falado e um pouco corado tentou desfazer o que havia falado – Quer dizer... Ninfas são sempre tão harmoniosas e angelicais que uma expressão de tristeza e sofrimento não combina com vocês – disse corando ainda mais.

E tal fato acabou arrancando risadas de Eríthia. Sísifo chegou a conclusão de que o sorriso dela era como o sol ao amanhecer, caloroso e acolhedor. E não pode não se sentir contagiado por aquela pequena risada, que fazia toda sua beleza ficar ainda mais estonteante.

- Tenho que te agradecer, cavaleiro – comentou ela – Estava me sentindo cansada por causa dos livros e da constante irritação que Píton sente, mas você conseguiu me acalmar e me relaxar. Gosto quando pessoas me fazem me sentir bem – sorriu docemente para ele.

- Fico contente em saber que lhe ajudei de alguma forma – disse sorrindo também, mas sem mostrar seus dentes – Sempre que quiser conversar e relaxar, estarei aqui – falou.

A ninfa apenas sorriu e agradeceu.

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- Olá meninas! – disse Manigold ao entrar na biblioteca, acompanhado de Degel e Kardia.

Aerica, que naquele momento virava as paginas dos livros de maneira desinteressada, ficou em alerta e seu semblante mudou ao ver o canceriano, mas seus olhos claros caíram na figura exuberante e grande do cavaleiro de escorpião logo atrás dele. O mesmo carregava um semblante descontraído e um sorriso de canto, que ao ver dela mostrava o quão idiota ele era. Mas não pode negar que aquele cavaleiro possuía uma beleza diferente e gritante dos outros.

Mas bastou ver o sorriso malicioso que ele lançou ao perceber que ela olhava para si, para que Aerica virasse a cara e voltasse sua atenção ao livro, no qual ela não tinha idéia de que assunto falava.

Já em outra mesa, uma Pasithea mal respirava. Ao ver Degel ali sentiu seu corpo entrar em desespero e uma vontade súbita de sair correndo como naquela noite se apossou dela e suas pernas que pareciam inquietas agora. Mesmo não olhando para ele sabia que era observada, ela sabia que aqueles olhos analíticos e sempre carregados de criticas a queimavam.

- O que vieram fazer aqui? – questionou Píton se aproximando deles.

- O grande mestre nos contou que estão mapeando as estrelas e olhando registros antigos, eu sempre ajudo e ajudei o grande mestre a fazer isso, posso ajudá-las se quiserem – proferiu Degel, mas vez ou outra seu olhar caia na ninfa Hespérides, que fazia questão de fingir que ele não estava ali.

- Graças aos deuses! – exclamou Asterope contente por receber ajuda, mas ela acabou ganhando um semblante sério da pitonisa – Ah por Zeus, Píton! Vamos combinar, não sabemos nada sobre isso, as únicas que sabem decifrar os registros das estrelas são as Híades e as Hespérides, ou seja, Cléia, Fésile, Eríthia e Pasithea! – cruzou os braços.

- Pior que tenho que concordar – suspirou ela – Tudo bem, aceitamos a ajuda – disse e Pasithea quase deu um treco em sua cadeira.

Prontamente se levantou e para completar toda estabanada e fazendo sua cadeira cair ao empurrá-la. E antes que alguma delas dissesse algo ela proferiu:

- Vou procurar por Eríthia, já tem um tempo que ela saiu – disse passando pelos cavaleiros e a passos apressados.

E devido a isso ela tropeçou na própria barra de seu vestido quase caindo e fazendo Degel negar (mentalmente) com a cabeça diante da personalidade bastante desastrada da ninfa. E um tanto irritante.

- Então podemos começar? – disse Kardia.

- Você volte para a arena – proferiu Degel se encaminhando a uma mesa e pegando um pergaminho – Você também, Manigold!

- O que? Por que? – exclamou ele.

- Vocês dois não sabem interpretar as coisas, mal conseguem entender um 'não' vindo de uma mulher, imagina ver os sinais das estrelas – disse ajeitando seus óculos em seu rosto – Vocês aqui só irão atrapalhar – completou.

- Eita consideração, hein! – rolou os olhos o escorpião.

- Apenas estou dizendo a verdade e só não pergunto o por que de ter vindo comigo, por medo da resposta. Apesar de eu já saber – falou olhando discretamente para as ninfas ali presentes.

Kardia abriu a boca para se defender, mas Aerica o interrompeu.

- Não ouviu cavaleiro? Degel pode nos ajudar e um cavaleiro já está de bom tamanho aqui, saia ou serei obrigada a lhe colocar para fora! – disse ela parando diante dele.

- Me colocar para fora? Acha mesmo que dá conta, ninfa? – sorriu de lado gostando daquela ninfa atrevida – Ah, bem reconheci seu rosto, você é a ninfa que deu o maior esculacho em Manigold – gargalhou – Adoraria ver do que mais é capaz – ameaçou aumentando seu sorriso malicioso.

- Não me provoque, cavaleiro – disse séria.

- Sorte sua que hoje não estou a fim de brigar, senão iríamos resolver de ouro jeito, apesar de que para essa sua irritação besta a segunda opção é valida – falou bem próximo dela.

- Kardia, não piore, apenas vá! – pediu Degel.

Kardia deu de ombros e antes de dar meia volta e ir embora, piscou para Aerica que fechou ainda mais a cara. E aquilo o fez vibrar e seu sorriso aumentar.

## Mais Tarde Naquele Dia ##

Aos poucos ia percebendo seus sentidos retornarem, como uma brisa leve que aos poucos tomava força se tornando uma ventania arrebatadora. Flashes e sons lhe preenchiam e aquilo passou a incomodá-la, porém sabia que estava despertando de um sono profundo. Quando finalmente abriu os olhos deparou-se com o teto do quarto que agora estava escuro, nenhum ruído era ouvido tanto no quarto quanto fora dele.

Ali ela ficou por um tempo, imóvel, apenas fitando aquele teto coberto pela penumbra. Depois alguns minutos assim foi que decidiu virar o rosto e viu a cortinada fechada, mas ainda sim ela percebeu que já era noite. Um suspiro cansado escapou por seus lábios ressecados. Sentindo o corpo um tanto estranho, ela se forçou a se sentar na cama macia e quando achou que estava apta a ficar de pé ela se levantou. Porém, sentiu uma vertigem e as coisas rodaram um pouco fazendo-a ter que se apoiar na beirada da cama e seguir em direção a grande janela.

Demorou um pouco para chegar até ela e quando o fez, abriu-a vendo o céu completamente escuro com estrelas brilhando intensamente. Constatou então que dormira por um dia inteiro e rezava que havia sido isso, não gostava de acordar após ter visões e saber que dormira por mais de um dia. Já teve vezes em que dormira por cinco dias inteiros, parecia que ela havia perdido dias maravilhosos e tempos precisos.

Quando estava prestes a fechar novamente a cortina, Eudora sentiu uma aceleração em seu peito causando outra tontura, ao ver o cavaleiro de gêmeos no jardim próximo a algumas árvores e arbustos com rosas, cuja as cores ela não conseguiu ver e nem estava preocupada com aquilo. Defteros estava ali, a poucos metros dela, trajando uma calça de treino e uma camisa. Sua pequena mão apertou com mais força a cortina, novamente sentiu a respiração densa.

Não sabia o que fazer, como agir, jamais esperava vê-lo ali parado. E... Quanto tempo será que ficou ali? Estaria ele esperando por ela ou algum sinal de sua melhora?

Confusa e retraída por vê-lo tão repentinamente, ela fez a única coisa que sua mente ordenava naquele momento. Ela acenou... Um aceno leve e meigo, acompanhado de um sorriso acanhado. Defteros apesar de sério e com seus olhos um tanto sombrios, talvez por causa da noite que pairava do lado de fora, retribuiu o aceno. Um sorriso quase imperceptível emoldurou seus lábios bem esculpidos e um dos seus caninos apareceu e Eudora podia jurar que viu certo brilho naquela presa.

Logo em seguida ela fechou a cortina, ao mesmo tempo em que o geminiano foi embora. Se sentindo um pouco melhor, mas tendo que se apoiar para andar, ela saiu do quarto e foi procurar pelas garotas. Não estava a fim de ficar sozinha naquele momento, apesar de que se Defteros continuasse parado lá, não se importaria de ficar na janela até o dia amanhecer.

Pelos corredores o silencio era ainda mais estrondoso qualquer ruído se dava a uma criada que passava por ela ou próxima a ela carregando alguma coisa. Não encontrou Sasha e nem mesmo Sage no grande salão então foi ao lugar onde havia uma possibilidade de encontrar algumas delas. Levou alguns minutos para encontrar a biblioteca, já que ela não tinha a menor idéia de onde ficava, por sorte encontrara uma criada no caminho e a questionou.

Era a primeira vez que entrava naquele lugar desde que chegara, nunca fora muito dada a livros, mas adorava ouvir historias e Pasithea ás vezes lia para ela e aos poucos pegou gosto pela leitura. Apesar de preferir ouvi-las.

E foi ali na gigantesca biblioteca que Eudora encontrou todas as ninfas, debruçadas sobre uma mesa grande de madeira e repleta de livros abertos e em determinadas paginas. Algumas folhas cobriam uns livros que estavam fechados e sabia que anotações estavam sendo feitas, todas demonstravam expressões cansadas apesar de estarem dormindo.

- Elas trabalharam bastante, tentaram entender o que sua visão quis dizer e o resultado fora esse – ouviu alguém comentar e quando se virou encontrou com o grande mestre, este lhe deu um sorriso singelo – Como se sente? – indagou, mantendo a voz baixa para não acordá-las.

- Um pouco estranha – respondeu no mesmo tom – Não queria preocupar ninguém – disse abaixando a cabeça.

- Não sinta-se culpada, elas apenas querem ajudar para que não fique com uma carga pesada nas costas – disse ele tocando seu ombro – Elas apenas querem ser úteis a você.

Eudora se permitiu esboçar um pequeno sorriso.

- Está com fome? – ela assentiu – Venha, pedirei que arrumem algo para você – a puxou – Deixemos que elas descansem um pouco, apesar de não ser a melhor posição para dormir – falou.

Sage acompanhou a loira até a cozinha, apesar de parecer cedo o horário da janta já havia passado a algumas horas. Eram nove da noite e naquele horário Sasha já se encontrava recolhida em seus aposentos, segundo o grande mestre.

A cozinha era grande, possuía o piso acinzentado e com desenhos estranhos, dois fogões a lenha e um forno da mesma maneira. Uma mesa retangular grande e de madeira onde as criadas usavam para cortar a comida, caso necessário, armários para guarda as louças e uma mesa menor onde elas usavam para se alimentar. Algumas preferiam comer do lado de fora, devido ao calor que era a cozinha.

- Boa noite, grande mestre! – curvou-se a cozinheira do templo treze – Deseja alguma coisa?

- Cassandra, poderia preparar algo para Eudora? Como sabe ela não se sentiu bem hoje pela manhã e acaba de despertar – disse pacientemente.

- Oh, sim, grande mestre! Vou preparar uma refeição caprichada – sorriu ela – Sente-se aqui queria! – pediu afastando uma cadeira um tanto velha da mesa pequena. E assim Eudora o fez – Irei preparar sua comida – falou seguindo para o fogão.

- A deixarei aos cuidados de Cassandra, Eudora – falou Sage – Irei retornar para meu escritório, ainda tenho coisas a fazer, mas fique a vontade e me chame se precisar de algo – avisou.

- Obrigada – disse ela e em seguida Sage se retirou.

Ainda sentada na cadeira e com suas mãos pousadas no colo, Eudora olhava cada detalhe daquela cozinha. Era nítida sua curiosidade. A cozinheira parecia mais concentrada nas panelas do que nela, mas o oráculo pode observar bem as feições da mesma. Cassandra possuía cabelos curtos e castanhos num chocolate intenso, pele branca e com curvas cheinhas, trajava uma vestimenta que compunha uma blusa de manga curta e uma saia ambas em tom bege claro e um avental branco amarrado na cintura.

Levou uma hora e meia para que tudo ficasse pronto, já que algumas coisas tiveram que ser refeitas e outras esquentadas novamente. Quando o prato de porcelana fora posto diante de si, Eudora sentiu seu estomago berrar de fome e não demorou para pegar um garfo e se por a comer. E sua boca vibrou com o gosto ótimo que se encontrava a comida, um suco bem feito fora posto ao lado de seu prato. Um suco de uva bem docinho.

- Se acaba de acordar, creio que não tenha tomado um banho, não é? – perguntou retoricamente – Pedirei que preparem seu banho, minha querida – disse e foi falar com outra criada, coisa que demorou alguns segundos – Está realmente faminta – comentou sorrindo.

- Ah perdão por parecer uma esfomeada, mas não comi nada desde o café da manhã – disse Eudora timidamente.

- Não se preocupe, coma o quanto precisar – disse – Você é uma das ninfas que estão hospedadas no décimo terceiro templo, não é mesmo? – indagou sentando-se a mesa com Eudora.

- Sim – sorriu após engolir a comida – A propósito... Está ótimo a comida – disse.

Cassandra era uma cozinheira nata e adorava receber elogios de sua comida, adorava prepará-las para as pessoas. E ver um rosto contente pela refeição feita por ela enchia seu coração de alegria.

Eudora logo acabou de comer e ficou mais alguns minutos conversando com a cozinheira, logo depois se despediu da mesma e voltou a andar um pouco pelo templo a fim de alongar as pernas. Passara o dia todo deitada, andar lhe faria bem, sem contar que após comer a deliciosa comida de Cassandra sua tontura melhorou consideravelmente. Apesar de vez ou outra ainda sentir uma vertigem ou outra.

Retornou para a biblioteca e ao entrar novamente encontrou as ninfas já despertas e agora acompanhadas de alguns cavaleiros de ouro.

- Eudora! – exclamou Eríthia ao vê-la no andar de cima, parada no corrimão, docemente ela acenou as outras.

- Graças a Zeus – suspirou Píton que se sentou novamente, deixando agora todo o peso de seu corpo pender.

Assim que ela desceu as escadas foi rodeada pelas ninfas e pelos cavaleiros ali presentes.

- Como se sente? Está tonta? Já comeu algo? – a encheram de perguntas e ela apenas olhava para as ninfas.

- Zeus! Vocês vão sufocá-la desse jeito! – gritou Kardia pegando a menina e a tirando do bolo que as ninfas formaram – Protinho, agora pode respirar.

- Ela parece bem, está até mais corada – respondeu Sísifo, ao lado dele estavam Dohko e Shion.

- Nisso você tem razão – falou Pasithea – Tem que comer alguma coisa...

- Já comi – respondeu ela – Eu acordei e fui procurar por vocês e encontrei com o grande mestre e ele me levou até a cozinha, acabei de comer e estou satisfeita – disse.

- Menos mal – proferiu Lipara – De resto como se sente?

- Um pouco tonta – falou encarando o chão – Mas... É normal, não é?

- É sim, Eudora – falou Píton se levantando – Sempre que tem uma visão e depois você desperta fica zonza, é super normal. Ficará bem amanhã – completou e ela assentiu.

- Menina, você deu um baita susto na gente, não faça isso de novo – bagunçou sua franja – Acho que não sobrevivo na próxima – brincou Kardia rindo e sendo acompanhado.

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A lua se encontrava esplendorosa devido à escassez de nuvens no céu todo o seu brilho era direcionado a um ponto só. Seu brilho próprio iluminava todo o santuário naquela noite encalorada, fazendo assim seu cabelo de uma tonalidade azul clara ficar mais cintilante. Sua franja farta e bem repicada caia por sobre seus olhos formando uma sombra, seu semblante calmo deixava nítido que sua energia estava serena assim como o silencio que pairava por todo o lugar.

Seus passos eram contados e pequenos, subia as escadarias sem a menor pressa de chegar logo a ultima casa ou ao décimo terceiro templo. A urna dourada em suas costas recebia todo a intensidade da lua e a deixava ainda mais imponente. Por ser um tanto tarde seu cosmo era baixo, mas o suficiente para seus companheiros saberem que ele havia retornado e estava atravessando as doze casas.

Fora um caminho tranqüilo e sem complicações, porém quando chegou a sua casa passou reto e achou que seria melhor informar de seu retorno ao grande mestre do santuário. Como conhecia um pouco de sua rotina sabia que o mesmo ainda se encontrava acordado e enfurnado em seu escritório cuidando da papelada e outras coisas. Não demorou muito e adentrou o décimo terceiro templo, ao entrar viu uma criada passar que ao vê-lo prontamente parou e se curvou, mas mantendo certa distancia dele.

- Poderia chamar o grande mestre? – pediu calmamente.

- Sim, senhor – falou e em seguida saiu.

Cinco minutos depois Sage apareceu no grande salão, que causava eco a cada passo dado ou voz proferida, sentou-se o trono e sorriu ao rever o cavaleiro.

- Parece que sua missão foi um tanto complicada, cavaleiro, peço perdão por tê-lo mandado para uma tarefa tão difícil – falou Sage.

- Não tenho do que reclamar, grande mestre, é meu dever – respondeu ao se agachar.

- Mesmo assim devo dizer que fiquei temeroso e Atena ficou preocupada pela sua demora, mas... Ela deixou seu desejo de boas-vindas pelo seu retorno, ela daria pessoalmente, mas está descansando – disse – Foi um dia agitado hoje.

- Eu compreendo – disse – Mas fico feliz em estar de volta! – respondeu Albafica.


Então, espero que o capitulo tenha ficado bom, confesso que já tem um tempo que ele está pronto e apesar de ter dado uma revisada rápida, fiquei com medo de não ter ficado bom como os primeiros que postei.

Como viram Eudora – que é o oraculo dos Deuses – teve uma visão e o problema é que ela não o visualizou corretamente, então as ninfas tiveram que trabalhar para tentar decifrar. Eu coloquei elas mapeando as estrelas e pesquisando em livros, pois os espectros de Hades são regidos pelas estrelas, então o motivo é esse. Apenas explicando caso tenha ficado estranho ou confuso elas fazerem isso. Kkk E um cavaleiro retornou de sua missão: Albafica de Peixes. Vamos ver o que ele irá achar quando descobrir que tem gente visitando seu jardim proibido sem que ele saiba kkkkk.

Então, é isso.

Agradeço por esperarem e obrigada por ler.