LES CAUCHEMARS

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Os raios de sol mal começaram a surgir no céu e Nathalie já estava de pé.

Seria um dos dias mais trabalhosos que já tivera e com a maior carga emocional envolvida. Se alguma coisa desse errado, ela poderia estar colocando as esperanças de uma vida em risco...

Não havia tempo para lamuriar. Ela já havia feito inúmeros planos de contingencia para todas as circunstancias possíveis e, independente do que acontecesse, ela faria tudo dar certo.

Custe o que custasse, tudo precisava dar certo.

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A secretaria deu um leve chiado, terminando de se aprontar para mais um dia de serviço, enquanto aquelas frases "motivacionais" continuavam a ecoar em sua cabeça.

Ao sair do quarto, Nathalie sentiu como se o chão estivesse desmoronando sob os pés. Ela previu desfalques na equipe técnica, atrasos, até mesmo portas emperradas, mas ela jamais imaginaria algo como o que estava a sua frente agora: a mansão estava praticamente vazia - salve poucas coisas que estavam encaixotadas e largadas no chão.

Ela correu, correu o mais rápido que seus saltos poderiam permitir, em direção ao ateliê. Gabriel era um artista egocêntrico, mas fazer tudo aquilo já estava além do que seu nível de drama poderia compreender.

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Ao abrir as portas, pronta para gritar e exigir explicações bem detalhadas e concisas, mais uma vez, ela sentiu o chão desmoronar sob os pés. Porém, agora, ela sentia-se andando em nuvens de algodão.

Emilie Agreste - a mulher que tornou necessária a existência de Hawk Moth - estava lá, de pé, vivida como sempre. A secretária julgou-se estar louca ou apenas vendo uma miragem, mas era muito mais real do que sua imaginação poderia permitir.

Era como se ela jamais, sequer, tivesse ido a algum lugar. A Agreste falava no telefone de forma amena, caminhando pelo cômodo e dando um sorriso meigo ao notar a presença de Nathalie – o que não a fez interromper a conversa.

— Sim, senhor Bourgeois, hoje mesmo a mansão vai estar pronta... — entre uma resposta e outra, ela desviava o olhar para Nathalie, como se pedisse para ela esperar — Claro, claro! Vou pedir para a minha assistente levar os papéis hoje mesmo! Obrigada mais uma vez, senhor Bourgeois! — E, assim, a ligação foi encerrada e Emilie permanecia sorrindo — Conseguimos!

— Co-Conseguimos...? — Perdida, mas julgando se tratar do despertar da outra, Nathalie endireitou os óculos e afirmou: — Conseguimos!

— Hoje mesmo você vai levar os papéis da venda da mansão para o prefeito!

— Cla...! Venda da mansão? A mansão foi vendida? Quando e como a mansão foi vendida!? — A assistente não conseguia ver uma linha lógica nessa decisão — O senhor Agreste realmente concordou com isso?

— ... Nathalie, sabe que ele não tem condições de opinar sobre nada e... — e, com tal frase, o sorriso encantador de Emilie se esvaeceu — Apenas vamos pensar de forma positiva: vai ser melhor para todos.

— Eu entendo que a senhora queira sair dessa mansão de uma vez por todas, — Nathalie caminhava de um lado ao outro, nervosa, até que decidiu ficar em frente ao grande e dourado quadro de Emilie — mas o senhor Agreste tem praticamente uma vida dentro desse ateliê... — quando ela tentou pressionar os botões escondidos, como para provar a si mesma que não havia enlouquecido de vez, era como se não existissem mais.

— Eu sempre quis entender a fixação do Gabriel com os detalhes desse quadro. Sabe, as vezes eu penso que foi esse quadro o deixou naquele estado terrível... — com passos calmos, ela andou até estar ao lado da assistente — Por favor, não fique como ele.

— A-Adrien! O Adrien, onde ele está?

— Oh, não! Por favor, Nathalie! — Desesperada, Emilie segurou os ombros dela — Eu sei que você não tem senso de humor para isso! Por favor: não se finja de louca como o meu marido, não tem graça alguma!

— Mas senhora, o Adrien realmente concordou com uma mudança desse nível?

— Se ele estivesse aqui ainda, eu reconsideraria deixar esse lugar para trás, mas eu preciso esquecer o vazio que ele deixou aqui... — a voz de Emilie saiu repleta de ressentimento e melancolia, enquanto ela finalmente largava a assistente — D-Desculpe, eu... eu apenas preciso de alguns minutos. Você poderia...? — Ela pediu, com algumas lagrimas já teimando em escorrer pelas bochechas.

Sentindo os pés, mais uma vez, não terem um chão firme abaixo deles, Nathalie começou a maquinar todas as possíveis explicações para aquilo: perca de memória; alteração da linha temporal; uma grande brincadeira idiota e por aí vai. Tantas possibilidades devastadoras passaram em seus pensamentos, até que ela teve coragem de perguntar:

— Onde está o senhor Gabriel?

— Por que você está sendo tão cruel comigo, Nathalie? Sabe muito bem que... — ela precisou parar alguns momentos devido ao soluço do choro — que depois do acidente, ele perdeu completamente a razão! Por que você está me fazendo lembrar do quão ruim é a minha vida, Nathalie!? Quer tanto assim que eu admita que preferia estar morta!?

— Senhora, eu tenho certeza que o senhor Agreste iria odiar ouvir isso! — A secretária colocou as mãos nos ombros da outra, tentando passar ao menos um pouco de apoio, mas ficou surpresa ao ser abraçada com força — Se-Senhora...

— Eu perdi os dois, Nathalie! — Ela continuava a chorar, agora a voz embargada estava sendo abafada pelo abraço — Se Adrien estivesse aqui ainda, eu teria um pedacinho do Gabriel nele, mas eu perdi os dois, os dois de uma vez só! Não me deixa sozinha também, Nathalie... por favor!

Emilie permaneceu se lamentando em meio as lagrimas, sem lembrar a Emilie tão sorridente e feliz dos quadros que um dia fizeram parte da decoração da mansão. A assistente continuou ao lado dela, servindo de apoio, até que a superior conseguiu se acalmar e resolveu sair do ateliê, falando ter algumas coisas importantes para fazer.

Nathalie esperou um pouco até ter certeza de que estava sozinha para, só então, se permitir começar a chorar e entrar em pânico:

Adrien havia tido a vida trocada pela da mãe por culpa de Hawk Moth, fardo que Gabriel não havia suportado carregar. O pior de tudo não era o fim trágico da família Agreste, o pior é que Nathalie contribuiu para tudo de forma cega, com as consequências desmedidas... ela era tão culpada, se não mais, do que Hawk Moth.

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O quarto dos funcionários ficava um ao lado do outro, nos fundos da mansão, apenas para aqueles que exerciam funções em tempo integral e aceitaram viver no trabalho, ou seja, Nathalie e Gorila. Por vezes, um ou outro empregado dormia lá também, quando considerava já ser tarde demais para ir para casa, como o chef considerou naquela noite.

As paredes que separavam os quartos não conseguiam abafar os sons provindos deles, pois eram relativamente finas. O cozinheiro, não tão exausto quanto os outros, teve seu sono leve interrompido pelo acesso sonambulo de Nathalie.

Ele tentou descobrir o que estava acontecendo, mas sem sucesso algum. Resolveu então usar de uma arma secreta para lidar com a secretária que sempre era eficaz: Gorila. Ele acordou o grandalhão sem tantas dificuldades e só explicou o que estava acontecendo quando já estavam em frente à porta do quarto da outra.

— Viu o que estava a falar? Ela ensandeceu! Já chamei pelo nome, já dei vivas, já ofereci até um copo d'água e tudo o que ela faz é continuar a falar estranhezas! — O gorducho estendeu a jarra com água que havia levado para o guarda-costas — Sobrou para ti: são amigos, passam maior parte do tempo juntos, tu deves de saber como lidar com a moçoila. Eu estou a render-me! Cuida-te com as almas penadas que devem estar a ataca-la! — O cozinheiro, temendo por sua segurança e sono, voltou para o quarto em passos apressados e planejando usar o travesseiro como um abafador de sons.

Gorila sabia que a porta dela nunca ficava trancada: era mais prático para que ela saísse caso alguma coisa acontecesse. Sendo assim, não houveram empecilhos para que ele entrasse no quarto.

O cozinheiro havia razão em ter acordado: a secretária se debatia na cama, falava palavras sem sentido algum e parecia chorar em desespero. Se ela não estivesse dormindo, poderia jurar que ela estava tendo uma epifania – coisa provável de acontecer cedo ou tarde, caso ela continuasse estressada.

Em todo o tempo que trabalhou próximo de Nathalie, nunca viu ela derramar uma lagrima sequer, tão pouco falar coisas sem sentido como estava agora: ela parecia até mesmo se culpar por uma tragédia. Se ela estava surtando devido ao trabalho em excesso, que fizesse isso fora do único horário que tinham para descansar.

Ele, nem um pouco satisfeito na interrupção de seu sono, tomou uma providência simples e eficaz – talvez não tão eficaz quanto usar a meia "Plagg" – que consistiu em pegar a jarra de água que tinha nas mãos e, sem pena alguma, jogar todo o conteúdo na cara da secretária. Poderia ter sacolejado ela pelos ombros, mas não iria ser tão divertido:

As palavras sem sentido deram lugar à uma tosse de engasgo, enquanto Nathalie se debatia e finalmente parecia estar despertando de um sonho onde provavelmente estava morrendo afogada. Gorila apenas bocejou e assistiu sua "vingança" pelos preciosos momentos de sono perdido.

Agora, a assistente estava finalmente desperta de seu pesadelo. Porém, ela estava tão irritada quanto ao decorrer do dia com direito a um bônus: ela estava ensopada.

— Eu não acredito que você me acordou desse jeito! O que deu em você!? — As reclamações apenas começaram.

Enquanto Nathalie disparava ofensas e perguntas - em sua maioria retóricas - sem uma pausa sequer, a única coisa que o grandalhão conseguia era ignorar tudo aquilo e pensar: "quantos suéteres vermelhos ela tem? " Uma dúvida um tanto boba, mas ela sempre estava usando um, até mesmo para dormir! Soaria estranho demais caso ele abrisse o armário para ver? Deveriam ter vários e vários empilhados, assim como várias cópias exatas do terno que ela sempre usava...

Quando Gorila finalmente parou de pensar em tais idiotices, voltou a prestar atenção no que ela estava falando:

— ... e resolva isso antes de eu voltar, entendeu!? — E, por fim, ela jogou o travesseiro no colega enquanto saia do quarto, à passos fundos, parecendo irritada como sempre.

A única coisa que o guarda-costas conseguiu pensar, vendo-a cruzar a porta, foi uma última idiotice: "Nathalie dorme de uniforme ou usa o pijama para trabalhar? ". Independente da resposta, ele teria os preciosos minutos até que ela voltasse para poder xeretar armário da colega.

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Um pouco mais calma e sem saber ao certo como ter sono mais uma vez, Nathalie caminhou pela cozinha, pela sala de jantar e pela entrada, até que sua perambulação semiconsciente a fez parar em frente ao quarto de Adrien. Talvez tenha sida levada lá por um resquício da preocupação que tinha sentido no sono... por via das dúvidas, não custaria em nada ver se ele estava bem.

Com os passos mais suaves que ela conseguiu dar, entrou sorrateiramente no quarto e foi até a cama do rapaz. As janelas amplas permitiam que a luz do luar invadisse o ambiente, iluminando o dorminhoco.

— Adrien... — ela chamou quase em um sussurro, com medo de acorda-lo por nada.

— Só falo na presença do Camembert.

Segurando as risadas, Nathalie resolveu falar de um jeito que ele respondesse mesmo dormindo:

— A Ladybug me pediu para perguntar se você está bem.

— Eu e o hamster estamos bem porque amamos pintinhas — automaticamente um sorriso apaixonado surgiu no rosto do rapaz.

Livre de dúvidas e achando adorável ver Adrien tão apaixonado, a assistente não resistiu e ficou um pouco mais ao lado dele, observando-o e esperando mais palavras sem sentido e engraças.

Aos poucos, o sorriso de Adrien deu lugar a uma feição preocupada, como se sua incrível heroína estivesse tendo problemas contra algum malfeitor – provavelmente a terrível meia suja. Sem nem pensar duas vezes, mesmo em um sonho, ele precisava se tornar o ChatNoir para salvar sua joaninha em perigo:

— Plagg, mostrar as...!

— Quietinho! — a assistente mandou, enquanto fazia-o ficar com a boca fechada — Não quer acordar o seu pai, quer? Salve a LadyBug como Adrien.

— Mas eu não consigo... — lamuriou ele, escondendo o rosto no travesseiro e se encolhendo sob os cobertores.

— Tenho certeza que você consegue fazer qualquer coisa para salvar quem você ama, Adrien — Nathalie sorriu, afagando cuidadosamente os fios loiros. Se havia algo que Gabriel passou ao filho, isto sem dúvida alguma era a teimosia para sempre continuar tentando.

— Obrigado, Nathalie... — o rapaz murmurou, um pouco mais animado para continuar seu sonho.

Quando teve certeza que ele já estava em um sono tranquilo mais uma vez, a assistente saiu do quarto com passos tão leves quanto entrou. Se seu subconsciente havia a levado até lá, havia mais um lugar onde ela precisava ir antes de tentar dormir mais uma vez.

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Gabriel também estava enfrentando dificuldades para dormir. A cama vazia se assemelhava mais com a constatação óbvia de sua solidão do que como um lugar aconchegante. Haviam noites como aquela, em que ele trocava horas de sono pelo trabalho e, em seguida, fazia uma visita apenas para apreciar a beleza de Emilie ofuscada pelos vidros da capsula.

Uma das poucas coisas que o confortava era a certeza de que, em breve, ela não estaria mais presa naquele lugar. Porém, enquanto o momento tão desejado não chegava, Gabriel precisava se contentar em apenas observá-la dormindo.

Seu momento de contemplação foi interrompido por barulhos vindos do elevador. Não havia motivo para se alarmar, uma vez que a única pessoa que sabia sobre seu segredo era Nathalie. Sua secretaria era cegamente leal a ele.

— Não deveria estar dormindo? — Havia mais repreensão do que algum sinal de preocupação na voz dele.

— Eu lembrei que precisava mandar alguns e-mails, as luzes do ateliê estavam acesas, mas o senhor não estava lá... — a secretária tentava se retratar, caminhando lentamente até considerar já estar próxima o suficiente tanto do superior quanto de Emilie. Felizmente, a senhora Agreste parecia perfeitamente bem, levando em conta as circunstâncias.

A desculpa inventada com improviso teria sido perfeita, caso Gabriel não se atentasse a um pequeno detalhe:

— Lembrou disso enquanto dormia? — Perguntou ele, erguendo uma das sobrancelhas.

— O trabalho me consome até mesmo durante o sono, senhor.

— Estou vendo, você até mesmo dorme com o uniforme! — A observação de Gabriel teve um tom divertido, um pouco mais ameno — Encomende um buquê de flores para amanhã. Quero rosas vermelhas, rosas brancas e alguns jasmins também.

— Sim, senhor Agreste. Algo mais?

Apesar de perguntar, Nathalie desejava imensamente que a resposta fosse não. Ela tinha ido apenas ver se a mulher adormecida dentro do casulo de vidro estava bem, não esperava encontrar Gabriel e muito menos ter que decorar uma ordem tão especifica como aquela.

— Vá dormir.

— Sim, senhor. — Nathalie deu alguns passos, mas ainda estava preocupada demais para voltar — Antes eu só queria... Eu... — a voz começou a falhar, ela realmente estava aceitando a hipótese de estar louca, mas ela precisava saber para conseguir dormir outra vez: — O que o senhor vai trocar pela volta da senhora Agreste?

— Não é obvio, Nathalie? — Ele repousou a mão cuidadosamente sobre o vidro, admirando a esposa mais uma vez — Hawk Moth, LadyBug, ChatNoir e o que mais for necessário para trazer ela de volta...

— E se o preço for alto demais? E se não valer a pena trazer a...

Antes que qualquer palavra mais pudesse ser dita, a secretária foi presa pelos ombros e encarada com um dos mais ameaçadores semblantes que Gabriel era capaz de dar. Era como se a pior de todas as ofensas tivesse sido referida a ele.

— Nunca mais ouse falar que a Emilie não vale a pena! Nunca mais! — As palavras foram cuspidas com ira — Entendeu!? — A assistente, assustada, apenas concordou e tentou empurrar as mãos do superior — Agora saia da minha frente! — Ele ordenou e, por fim, deixou a mulher livre.

Nathalie deu alguns passos para trás, ainda assustada com a reação exagerada e ameaçadora de Gabriel. Sabia que a combinação entre a personalidade teimosa e gananciosa junto a obsessão dele por Emilie era perigosa, mas nunca julgou dele ser capaz de fazer algo como aquilo. Talvez a vilania estivesse consumindo-o bem mais a vida do que ele pudesse controlar.

— Senhor... — ela chamou quase em um sussurro, e só quando teve certeza de estar a uma "distância segura", continuou: — E se o preço for o Adrien?

Como resposta, o outro apenas deu alguns passos na direção dela pronto para disparar mais ameaças e descontar a raiva, mas apenas olhou-a de uma forma fria e, como se estivesse jurando uma praga, respondeu:

— Que morra Paris se for para que ela volte!

— Adrien é seu filho! — Teimou a assistente, tentando trazer o superior de volta a si — Não posso permitir que faça mal a ele! A senhora Emilie não iria aprovar isso! É o filho dela também!

— Suma das minhas vistas antes que você seja a primeira a morrer pelo meu objetivo, Nathalie! — Gabriel ameaçou, enraivecido.

— Se for pelo bem do Adrien...! — E, antes que ela conseguisse terminar, o superior a agarrou pelo antebraço e a fez voltar para o elevador.

Gabriel nunca faria algo do gênero, apesar de um vilão, ele era um homem cortês independente das circunstâncias – até mesmo quando tinha que usar de outros para conseguir o que queria. Quando irritado, ele nem ao menos deixava as pessoas se aproximarem, ele escolhia cuidadosamente onde descarregar a ira para que nada irremediável acontecesse.

Aquele que estava gritando com ela e ameaçando tantas vidas estava longe de ser Gabriel. Aquele que estava diante dos olhos dela agora, com certeza, era apenas a essência de HawkMoth. Não era a primeira vez que ela lidava com aquela entidade desprezível, mas era a primeira vez que se manifestava assim, sem uma transformação ser necessária.

— DESAPAREÇA DE UMA VEZ, NATHALIE!

A mulher, sentindo-se ainda mais amedrontada com a possibilidade de tais palavras virarem ações, acatou as ordens e voltou para o ateliê o mais rápido que conseguiu. Ela não tinha coragem de esperar até o superior se acalmar para voltar e ver se Emilie estava bem, tão pouco de ficar ali e esperar por ele.

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Plagg estava enfrentando uma das maiores dificuldades em sua vida: acordar Adrien de madrugada. O pequeno kwami já tinha tentado chamar, cutucar, puxar o cabelo, apertar o nariz e tantas outras coisas inúteis que só se viu com uma saída: método Nathalie.

Ele flutuou até o banheiro, escolhendo dentre as roupas sujas a meia que parecia estar lá há mais tempo. A peça fedorenta de roupa era segurada com cuidado – e um tanto de nojo – até que foi posta bem no nariz do dono.

Não demorou mais do que três segundos para Adrien acordar, assustado, se debatendo até conseguir tirar a meia suja do rosto.

— Nathalie!

— Xiu! — Pediu o outro — Fui eu quem te acordei!

— Vilões atacando de madrugada? Sem problema... — o rapaz bocejou — Plagg, mostrar as...! — E, antes que ele conseguisse terminar, foi interrompido por um puxão de cabelo — Ai!

— O maior perigo aqui é você!

— Mas eu não fiz nada, estava dormindo... — Adrien começou com sua mania de passar as costas das mãos sobre as pálpebras.

— Exatamente: você é sonambulo! — O gatinho repousou sobre a cabeça do dono e continuou a falar da forma mais dramática que podia — A Nathalie quase descobriu tudo só por causa de um sonho bobo. Eu nem acredito que quase tive minha vida livre de agendas arruinada!

— A Nathalie? O que ela veio fazer aqui? É de madrugada ainda — comentou ele, encarando a ampla janela.

— Ver se você estava bem ou algo assim, coisas de babá eu acho... — o gatinho saiu dentre os fios loiros e se acomodou no travesseiro — Foi bem fofo, se quer saber... chegou a ser enjoativo! — Ao final da opinião o kwami bocejou demoradamente, deixando claro a sua intenção de voltar a dormir.

— Ela não é mais minha babá. — O Agreste também se acomodou melhor pronto para dormir mais uma vez, mas a curiosidade o fez perguntar: — E você me acordou só para falar que eu sou sonambulo?

— Não, não... acordei você para que espere até a Nathalie parar de zanzar pela casa antes de dormir de novo. Não quero que eu e o ChatNoir ganhemos uma agenda, você precisa nos proteger disso! — mais uma vez, Plagg voltou a soar dramático.

— Ela não vai descobrir, fica calmo! — Pediu Adrien, tentando manter a tranquilidade também. Jamais esperou que seus sonhos fossem tão perigosos para si mesmo — E por que ela está acordada até agora? Aconteceu alguma coisa?

— Não sei, a única coisa que eu sei sobre ela é que... — o gatinho se aproximou mais do ouvido do dono, como se fosse um segredo obscuro.

— Que...?

— Ela definitivamente é um robô.

— Plagg!

E, antes que o pequenino pudesse se defender, leves batidas na porta ecoaram pelo quarto. Da maneira mais apressada que conseguiram, os dois se ajeitaram como se estivessem dormindo ainda, bem em tempo de Nathalie abrir a porta.

— Adrien? — A secretária sussurrou, entrando cuidadosamente no cômodo — Você está acordado?

— Tem um pepino no telhado! — Adrien murmurou em resposta. Foram as primeiras palavras sem sentido que passaram por sua mente.

— Sonambulo de novo. Parecia ter outra voz também... — a mulher constatou, indo até a cama e olhando atentamente para o rapaz e em seguida ao redor dele. Sem encontrar nada fora do lugar, ela apenas endireitou os cobertores de Adrien e começou a afagar os fios loiros cuidadosamente — Acho que trabalhar para o seu pai está me deixando louca de verdade...

Adrien continuou imóvel, se controlando para não concordar ou falar algo como "ele deixa qualquer um louco". Ele preferiu ficar quieto e aproveitar o breve momento de carinho.

Apesar de Nathalie ser a pessoa dentro da mansão que passava mais tempo com ele, ou melhor, cuidando dele, ela sempre permanecia séria e rígida – salve poucas exceções. Até mesmo quando ainda era sua babá, ela não demonstrava ser tão "humana": não costumava dar brechas para conversas aleatórias e muito menos se preocupava em ser amigável, ela era apenas eficientemente profissional.

Entretanto, mesmo não sendo afetuosa, ela sempre intervia a favor de Adrien e ele tinha exemplos claros disso: quando quis começar a estudar fora de casa e ela ajudou a convencer Gabriel; quando fugiu de casa no Natal e ela fez questão de chamar os amigos dele; haviam bem mais situações parecidas, mas que o rapaz não tinha plena certeza da influência dela ou não...

Talvez Nathalie fosse apenas tímida, talvez a convivência com o outro Agreste tornasse as pessoas indiferentes e secas... talvez ela fosse proibida de ser algo além de eficiente, para que Adrien não ficasse triste caso ela fosse demitida.

Impossível!

Nathalie jamais seria demitida: era ela quem mantinha tudo em ordem.

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Gorila deixou-se cair em uma armadilha traiçoeira, levado pela curiosidade em saber quantos uniformes Nathalie tinha dentro do armário. Ao abrir as portas e ver todas aquelas peças de roupas emboladas e sem nenhum tipo de ordem entre elas, colocou-se a dobrar e arrumar tudo.

Maldito gosto pela arrumação!

Gorila não fazia a menor ideia do que estava fazendo com sua vida, mas sabia que haviam vinte e um suéteres, a maioria de cores avermelhadas; haviam onze ternos do uniforme dela, estes seguindo o mesmo padrão de cores; havia também uma ou outra peça de roupa despojada no meio daquilo tudo, porém, coisas que ele nem se lembrava de ter visto a colega vestindo alguma vez – como por exemplo, uma saia.

Todas as peças estavam agora arrumadas, alinhadas e dobradas dentro do armário. Restava apenas um lugar para arrumar: um pequeno cubículo na parte de baixo, onde ela colocava os sapatos. Três caixas do mesmo modelo, na mesma cor, exatamente iguais.

Qual problema ela via em mudar de vez em quando, afinal!?

Quando ele puxou uma das caixas para poder tirar o pó, uma surpresa inesperada veio em cima da embalagem de papelão: uma temível aranha, com suas patinhas compridas e vários olhinhos brilhantes, toda essa monstruosidade condensada em uma criatura de pouco mais de dois centímetros – contando com as perninhas esticadas.

Na mesma hora, agindo por impulso e medo, o grandalhão jogou a caixa longe e sua moradora indesejada também, por consequência. Agora era ainda pior: a aranha poderia estar se escondendo em qualquer lugar do quarto de Nathalie, esperando a menor distração para pular em cima dele!

Havia apenas uma opção segura para manter sua sobrevivência naquele cômodo, com a terrível aracnídea a solta: subir na cama, olhar tudo atentamente e esperar por Nathalie. Aquela famosa frase "ela deve estar com mais medo de você do que você dela" não se aplicava a Gorila. Ele, com toda a certeza, estava com muito mais medo da aranha do que qualquer ser no mundo teria medo dele.

Para a sorte do guarda-costas, Nathalie não demorou mais do que um minuto para chegar até o quarto, esbaforida, olhando tudo atentamente como se procurasse por um invasor.

— Que barulho foi esse? O que aconteceu? — Quando ela finalmente notou o outro em cima de sua cama, o tom de preocupação foi substituído por irritação — O que está fazendo na minha cama?

— Aranha!

— Onde!? Onde!? — Ela perguntava, enquanto também subia onde ele estava e olhava para todos os cantos do quarto.

Nathalie não compartilhava da aracnofobia do colega, mas aranhas poderiam ser perigosas e tudo o que ela não precisava agora é parar em um Pronto Socorro por culpa de uma picada venenosa.

— Pode estar em qualquer lugar, eu joguei a caixa em que ela estava no chão!

— Ela mordeu você!? Como ela é? Peluda? Marrom?

O grandalhão respirou fundo, tentou se acalmar e lembrar da aparência da criatura. Não havia muito o que falar, então ele segurou as mãos de Nathalie e mostrou um pequenino espaço entre elas.

— Acho que desse tamanho, escura...

— De perninhas finas?

— Essa mesma, você viu ela!?

— É a droga de uma aranha doméstica! — A secretária começou a desferir leves golpes no colega, empurrando-o para fora da cama.

— Mas não deixa de ser uma aranha!

— Ela não vai fazer nada a menos que você incomode ela! — Nathalie recuperou o folego, tentando buscar sua "paz interior" e saber exatamente o que houve: — Onde ela estava?

— Em uma caixa no seu armário...

— E por que você estava mexendo no meu armário? — A voz saiu entre os dentes, deixando claro que a "paz interior" já havia ido para o espaço de novo.

— Arrumando.

— Você arrumou o meu armário? Ele todo? — Agora as perguntas eram ditas com descrença — Até mesmo a primeira gaveta?

— Até ela... — um tanto mais calmo, o grandalhão foi até o armário e fechou as portas — Não há de que. Depois eu arrumo os sapatos.

— Você não vai arrumar mais nada! Esqueça tudo o que viu!

— Acredite, eu não faço questão alguma de me lembrar! — Ele fez uma breve pausa para suspirar — Nunca mais vou conseguir olhar para você sem imaginar uma daquelas peças com estampas de gravatinha.

— Já mandei esquecer! — Ela berrou, com o rosto completamente vermelho, enquanto atirava o travesseiro nele.

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Horas já haviam se passado e agora os relógios marcavam três e trinta e três da manhã.

Nathalie pensava no plano de Gabriel, pensava sobre Emilie aprovar ou não o que estavam fazendo, pensava em Adrien, pensava até mesmo sobre a pobre aranha que foi desalojada... todas aquelas pequeninas coisas, unidas com estresse e ansiedade não permitiam que ela dormisse.

Sem ter como se obrigar a descansar, ela sentou-se na cama e começou a adiantar tudo o que poderia: agenda do dia, e-mails, encomendas, até mesmo o buque com as flores especificas que Gabriel pediu. Não demorou muito para que ela se visse entediada e com sono mais uma vez, impossibilitada de dormir devido sua mente relutante.

O pouco que poderia fazer, às quatro e cinquenta e seis da manhã, era levantar de uma vez e aproveitar o "tempo extra" para fazer algo que quase nunca tinha tempo: lavar o cabelo.

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Um dos malefícios de acordar tão cedo, era a fome vir igualmente cedo.

Ainda faltava cerca de vinte minutos para ter alguém acordado na mansão e Nathalie já estava na cozinha, procurando alguma coisa suficientemente saborosa para o café da manhã. Ela não tinha muitas exigências, apenas algo rápido, prático e sem gosto de frutas secas.

Não tardou até que ela recorresse ao grande baú do tesouro gastronômico, ou seja, a geladeira. Era lá onde ficavam os doces, as sobremesas, os pequeninos requintes que levavam qualquer um a loucura.

Foi encontrado entre a segunda e a terceira prateleira, logo atrás de algumas embalagens de ingredientes desinteressantes como estrato de tomate, se encontrava o grande amor da secretária: geleia de cerejas. O chef sabia sobre aquele amor proibido e, por tanto, havia escondido em um dos poucos lugares que poderia.

Nathalie se armou com a primeira colher que viu e começou a se deliciar com as cerejas imersas em calda. Provavelmente ela se sentiria mal depois, mas era um risco totalmente válido: eram cerejas!

Ela só não esperava de ser pega em flagrante, mais parecendo uma criança com as bochechas sujas de vermelho, enquanto tentava lamber o resto de calda que havia sobrado no potinho depois de sua comilança.

— Nathalie... — a voz grave e mal-humorada quase a fez derrubar tudo, enquanto ela tentava esconder o pote e a colher — O que está fazendo na cozinha?

— Bom dia, senhor Agreste! — Ela não teve coragem de olhar. Apenas abriu a torneira da pia e começou a lavar as provas do que estava fazendo, ignorando completamente a possibilidade de ele ter visto algo — Acordei um pouco mais cedo.

— Sobre ontem... — começou ele, mantendo o tom mal-humorado enquanto procurava algo na geladeira também.

— Não lembro de absolutamente nada. Deveria lembrar de algo, senhor?

— Não. Não aconteceu nada. — A resposta veio mais mansa, terminando a curta conversa.

Nathalie continuava sem coragem alguma para encarar o superior e Gabriel, por sua vez, estava ocupado demais atacando a garrafa indefesa de leite. Quando ele finalmente matou a sede, deixou a garrafa sobre a pia e comentou antes de sair:

— Não deveria grudar o pote de geleia no rosto, fica bem claro o que você estava fazendo. — Quando a assistente olhou para ele, completamente pasma, o mesmo fez questão de indicar no próprio rosto onde havia uma mancha avermelhada no rosto dela.

— E o senhor não deveria beber leite direto do gargalo — como um xeque, ela apontou para si mesma, indicando que ele estava com um clássico "bigode branco de leite".

Os dois se encararam, ambos constrangidos com os próprios deslizes e arrogantes demais para limparem os rostos. Um esperava o outro agir primeiro, admitindo ter culpa para que só então o outro também admitisse.

Atrapalhando a grande competição entre os dois, Gorila entrou na cozinha sem cerimônia alguma, ajeitando a gola do terno e resmungando algo sem importância. Ele só parou quando já estava destrancando a porta de saída que ficava no cômodo, notando que não estava só:

— Onde vai a essa hora da manhã? — O superior perguntou sério ao ponto de quase parecer ameaçador, se não fosse a mancha de leite sobre os lábios.

— Ele vai comprar mais leite — Nathalie interferiu, respondendo pelo colega e dando um xeque-mate no superior.

— Ótimo. Compre mais geleia de cereja também. — O Agreste mandou, sem se deixar perder sozinho.

Gorila, que observou tudo completamente calado, só conseguia tentar imaginar o tipo de discussão que os dois estavam tanto tão cedo. Por vezes, ele queria ser o preferido do chefe como Nathalie e poder dar respostas como aquela sem correr o risco de ser demitido.

Só depois, quando já estava no carro, o grandalhão começou a dar suas risadas silenciosas, finalmente entendendo os rostos sujos e os pedidos de compras.

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As horas seguintes percorreram do mesmo jeito de sempre: o chef começou a preparar o café da manhã, Gabriel se trancou no ateliê até tudo estar pronto, Nathalie acordou Adrien, Gorila chegou com os croissants, ela e Gorila levaram o rapaz até a escola...

A única diferença da fatídica rotina começava exatamente na volta para casa: a assistente iria pegar a roupa pronta de Adrien e levar até o camarim dele, aproveitando para coordenar o restante dos preparativos para o desfile. Foi isso o que ela planejou, pelo menos.

A realidade amarga que estava vivendo era bem diferente: segurava vários e vários alfinetes e demais utensílios do gênero enquanto Gabriel teimava em ter um ou outro reparo para fazer. Nathalie não via diferença alguma entre como as peças estavam agora e de como elas estavam antes...

— O que acha? Está com um caimento mais simétrico, proporcional ao... — o superior gastava todo seu vocabulário técnico, enquanto a assistente se focava ao máximo para não acabar engolindo nenhum dos alfinetes — ... O que acha, Nathalie?

— Hun?

— Responda logo, não tenho o dia todo!

— Bom... — a resposta foi um resmungo, a única coisa que ela conseguiu com os lábios ocupados.

— Como assim bom? Eu não faço coisas boas! Adrien não pode vestir algo simplesmente bom!

E assim começou o martírio de um estilista incompreendido, que zanzava pelo ateliê e falava suas lamurias. Gabriel poderia ser o melhor entre os melhores, o dono da razão, mas quando se tratava sobre Adrien o temperamento delicado se tornava ainda mais quebradiço.

Sabendo onde tudo aquilo iria parar, Nathalie se livrou dos pequenos alfinetes que estavam em sua boca, deixando-os todos em um canto da mesa, e começou a tirar os alfinetes da roupa para poder dobra-la.

— Ei! O que pensa que está fazendo? Não está pronto ainda!

— Quer saber o que eu realmente acho sobre essa roupa, senhor? — A voz dela era irritada, assim como o olhar — Eu acho que está horrível! Horrível como tantas outras peças que o senhor já fez e que foram um grande sucesso em Paris! Adrien vai vestir a roupa e vai ser um sucesso, como sempre é!

Depois de já ter falado sem pensar, Nathalie chegou a culpar-se por ter ido longe demais visto que Gabriel a encarava com um olhar perdido e completamente sem resposta. O que ela menos precisava era de uma crise artística agora.

— Senhor... eu...

— Como ousa falar que está horrível!? O que você entende de moda para poder julgar alguma obra minha!? Eu não aceito críticas de alguém que faz conserto em roupas com um grampeador, Nathalie! — O drama deu lugar à irritação. A única pessoa que poderia dar críticas nas confecções de Gabriel era ele próprio, qualquer pessoa além era "desprovida de senso estético", o que tirava totalmente a credibilidade.

Ignorando completamente o superior e sem sentir um pingo de culpa novamente, a assistente colocou a roupa cuidadosamente na caixa que pertencia e já se preparava para sair, mas avisando claramente antes:

— Adrien espera ver o senhor no desfile de hoje.

Como resposta, o Agreste simplesmente virou o rosto e fingiu não se importar. Ele tinha coisas importantes para fazer antes.

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Para alguém que passou praticamente a noite toda em claro, Nathalie se sentia no meio de um pesadelo: a equipe de segurança não havia chego ainda; algumas pessoas já estavam começando a se aglomerar do lado de fora e atrapalhando a arrumação do local de fotos; a equipe de limpeza tirou quase tudo o que já estava pronto do lugar; uma das luzes estava queimada; e, como a cereja bem no topo, o prefeito Bourgeois zanzava de um canto ao outro ordenando coisas completamente sem sentido e atrapalhando a todos – completamente compreensível, ele deveria estar em pânico mais do que qualquer um.

Seria uma verdadeira luta contra o tempo para que tudo fosse terminado antes da chegada de Audrey Bourgeois. Qualquer esforço para o desfile valeria a pena, seria a última aparição de Hawk Moth e a primeira – de muitas – de Emilie Agreste.

Pensar sobre aquilo, sobre como a vida de Adrien iria ser melhor, sobre os super-vilões de Paris desaparecerem... todas aquelas vantagens deram uma injeção de ânimo em Nathalie.

Ela faria tudo dar certo, custe o que custasse!

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NOTAS FINAIS:

Starry-sky12: "RIP Nathalie's mental stability is all I have to say."

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Hello! I'm impressed that someone translated my fanfic to be able to read it (I do this frequently), I'm very happy! I hope you continue to enjoy reading!

Who knows, one day, when I'm a little better in English, translate it? Hehe.

And yes: I'm using the Google Translator, kkkks.

Once more: thank you! Beijokas! (it's like kiss).

Ah! About Nathalie's mental stability: you haven't seen anything yet! Muahahahahaha (lightning in the background)