Olá! Voltei com mais uma adaptação maravilhosa! Ela é um romance da Penny Jordan que eu leio e releio a muito tempo... E que eu amo, sempre quis adapta-lo mas não sobrava tempo nenhum mas agora espero que gostem tanto quanto eu gostei de lê-la. Lembrando que os personagens são da minha querida Stephanie Meyer e o livro é da Penny Jordan! Aproveitem!

Capítulo 1

Isabella Swan, fez uma careta enquanto guiava a longa frente do sofisticado BMW esporte que dirigia nos arredores daquela que havia um dia sido sua cidade natal.

Embora fizesse mais de uma década desde que partira, pelo que podia ver, nada parecia ter mudado muito... Mas até aí, por que deveria ter mudado? Só porque muita coisa havia mudado em sua vida., não significava... O carro estava atraindo muita atenção, ainda que dissimulada, e não era de se admirar. Da pintura brilhante e imaculada até as rodas esporte originais e a capota conversível polida, ele parecia gritar: "Olhem para mim... admirem-me... desejem-me".

Ela jamais teria escolhido um carro tão caro e que chamasse tanta atenção, e o comprara, na verdade, apenas para fazer um favor a uma amiga. Sua amiga, uma jovem moderna e muito bem-sucedida, fruto dos anos 1980, havia recentemente tomado a decisão de "reduzir os custos" e se mudar, com seu homem e seus dois filhos, para uma área remota nas Terras Altas da Escócia, onde, ela explicara com tristeza para Bella, o BMW seria um luxo que simplesmente não teria condições de manter. O que também não tivera condições de fazer fora arrumar tempo para procurar um comprador que pudesse pagar um bom preço pelo veículo seminovo. Então, heroicamente, Bella havia entrado em cena e se oferecido para comprar o carro. Afinal de contas, não era como se não tivesse condições financeiras para isso... podia comprar uma dúzia de carros novos, se quisesse.

Juntamente com o carro novo, também havia adquirido, da mesma amiga, um guarda-roupa quase novo de lindas peças, todas compradas nas melhores lojas da rua Bond.

Eu dificilmente usarei Gucci, Lauren, Prada ou Donna Karan no lugar onde iremos morar. _Rosalie suspirara. _ E nós vestimos o mesmo número.

Bella sabia, embora sua amiga não tivesse dito isso, e apesar da atitude alegre e otimista, que "diminuir os custos" não fora uma decisão totalmente voluntária. O orçamento de Rosalie estaria muito mais apertado e Bella havia entendido as indiretas de Rosalie sobre vender suas roupas de grife e se oferecido como compradora.

Ela podia, é claro, simplesmente ter oferecido o dinheiro à amiga. Como multimilionária, mesmo que temporariamente possuía, afinal de contas, condições para isso. No momento, sabia como isso feriria o orgulho de Rosalie, e a amizade delas era importante demais para que Bella arriscasse prejudicá-la.

Afinal de contas, eu não sou a única que está recebendo um favor_ Rosalie havia comentado de maneira entusiasmada no grande quarto de sua futura ex-casa em Knightsbridge, estudando a aparência de Bella em um conjunto branco Gucci. _Agora que você vendeu seus negócios e não vai mais trabalhar incansavelmente 24 horas por dia, irá precisar de um guarda-roupa decente. Todavia, é melhor tomar cuidado com os "caçadores de fortuna" aconselhou com firmeza. Sei que você está na casa dos 30 agora, mas ainda é uma mulher muito atraente...

E o fato de eu atualmente valer 40 milhões de libras me torna ainda mais atraente_ sugeriu Bella secamente.

Não para mim, é claro _Rosalie a assegurou com um abraço caloroso. _Mas existem homens...

Por favor... Você parece meu tio falando 'disse Bella.

Seu tio. Bella estava pensando nele enquanto dirigia pela cidade, aproximando-se de seu destino. Tinha sido um toque irônico do destino que a mesma casa onde ela crescera sob a tutela de seu falecido tio, fosse uma das que o corretor de imóveis lhe indicara como imóvel adequado para alugar.

As pessoas lhe haviam perguntado o que pretendia fazer, tendo finalmente tomado a decisão de vender os negócios que herdara de seu tio... negócios que fora preparada para administrar desde que fora morar com ele após a morte de seus pais. Aquilo fora comprado para ser tratado como um monopólio sagrado, como a razão de viver de Bella, e como algo muito, muito mais importante do que quaisquer desejos ou necessidades pessoais que pudesse ter... Ela lhes dissera, com a calma pela qual era famosa, que não tinha planos. Pretendia simplesmente tirar umas férias, para refletir sobre o que queria fazer com o resto de sua vida. Afinal de contas, aos 33 anos, podia não estar velha, mas também não era jovem, e era sábia o bastante para ser capaz de manter seu próprio segredo...

Não era bem verdade que não fizera nenhum plano. Tinha feito planos. Mas sabia exatamente como seus conselheiros, tanto financeiros quanto emocionais, veriam aquilo.

Desfazer-se de todo o dinheiro que havia recebido com a venda da companhia não era um passo que eles considerariam inteligente ou lógico. Contudo, pela primeira vez na vida, Bella queria fazer o que parecia certo para ela, ser motivada por seu próprio julgamento em vez de apenas atender às necessidades e exigências de outras pessoas.

Havia travado uma longa batalha para reter o controle dos negócios... não porque quisesse, mas porque sabia que era o que seu tio falecido teria esperado. Mas a batalha terminara. Como seus conselheiros financeiros a haviam alertado, e como a própria Bella sabia, houvera um grande perigo, se ela não aceitasse uma das excelentes ofertas que recebera, ficaria em uma posição na qual a venda lhe seria forçada. Pelo menos conseguira garantir que o nome de seu tio permanecesse perpetuamente associado a suas marcas.

Bella franziu o cenho, checando automaticamente o velocímetro ao notar que estava se aproximando da escola local. Era hora da saída.

Era a mesma escola na qual estudava. Suas lembranças dos tempos de escola não eram muito felizes, devido, principalmente, ao fato de a rigidez e obsessão de seu tio em relação a suas notas ter feito com que ela não se misturasse com suas colegas de classe. Durante as longas noites de verão, quando elas saíam para se divertir, Bella havia permanecido em casa, estudando sob o olhar de águia de seu tio. Ele tivera a intenção de que o pai de Bella, seu irmão temporão, que trabalhara ao seu lado, assumisse seu lugar um dia... Mas a morte prematura do pai dela colocara um fim nisso, e à possibilidade de que ele pudesse ter mais filhos... filhos homens.

Bella só descobrira que seu tio não podia ter filhos, após a morte dele, e suspeitava que esse fosse o motivo pelo qual ele jamais se casara.

Ela já havia passado da escola, e as casas se tornavam mais distantes umas das outras, erguidas em grandes jardins.

Sabendo que logo deixaria a avenida principal, Bella automaticamente começou a frear e, dez segundos depois, ficou muito grata por tê-lo feito. De forma totalmente inesperada, uma garotinha saiu de uma banca de jornal de patins, foi para a rua, bem na frente do carro.

Instintiva e imediatamente, Bella reagiu, freando de maneira brusca, virando o volante para um lado. No entanto, ainda ouviu o som apavorante de um impacto na frente do carro.

Freneticamente, trêmula Bella soltou seu cinto de segurança. Seu coração disparava com a descarga de adrenalina por puro horror e medo quando correu para a frente do carro.

A garota estava se esforçando para ficar em pé, tão pálida quanto ela mesma devia estar.

O que aconteceu? Você se machucou? Consegue andar? _Enquanto fazia perguntas frenéticas sem parar, Bella foi forçada a respirar fundo.

A menina estava em pé agora, mas se apoiava na lateral do carro. Parecia bem, mas talvez tivesse alguma lesão interna, pensou Bella, ansiosa, enquanto se aproximava e colocava o braço ao redor dela para apoiá-la.

Sentiu o corpo magro sob as roupas da garota, e supôs que ela não deveria ter muito mais de 10 anos. Os olhos verdes eram enormes no rosto pequeno e acentuadamente branco, e, quando ela ergueu uma das mãos para afastar os cabelos longos, pesados e acobreados do rosto, Bella viu, com uma onda de medo, que havia sangue na mão da menina.

Está tudo bem _disse a garotinha de forma hesitante. _É só um arranhão. Estou bem, de verdade... Foi culpa minha... eu não olhei. Papai sempre diz...

Ela parou de falar, as lágrimas de repente brilhando nos olhos, o corpo inteiro começando a tremer com os soluços.

Está tudo bem _Bella a assegurou, instintivamente envolvendo-a nos braços e abraçando-a apertado. _Você está em estado de choque. Venha se sentar no carro...

Olhando na direção da banca de jornal da qual a menina tinha acabado de sair, Bella perguntou gentilmente:

Sua mãe está com você? Quer que eu...

Eu não tenho mãe _respondeu a menina, permitindo que Bella a ajudasse a se sentar no banco do passageiro, onde se recostou e fechou os olhos antes de acrescentar: _Ela está morta. Morreu quando eu nasci. Você não precisa sentir pena de mim _ complementou, sem abrir os olhos._ Eu não me importo, porque não a conheci, e tenho papai e ele é...

Eu não sinto pena de você _garantiu Bella, acrescentando com uma abertura que só poderia se dever ao fato de também estar desorientada e em choque: _Perdi ambos os meus pais num acidente de carro quando eu tinha 6 anos.

A garota abriu os olhos e a observou, pensativa. Agora que estava começando a se acalmar, parecia bastante alerta e inteligente, e, de alguma forma que Bella não conseguia compreender bem, levemente familiar.

É horrível ter pessoas sentindo pena de você, não é? _disse a menina com evidente emoção.

As pessoas não demonstram pena para nos menosprezar _respondeu Bella. _Mas entendo o que você quer dizer...

Papai me proibiu de andar de patins fora do jardim. _Ela avaliou Bella com um olhar. _Ele vai me pôr de castigo por anos... provavelmente para sempre._ Bella esperou, adivinhando o que viria a seguir. _ Suponho que não... Bem, ele tão precisa saber, precisa? Eu poderia pagar pelo conserto do seu carro com a minha mesada e...

Que tipo de homem era aquele pai, que, de forma tão evidente amedrontava a filha e não a fazia se sentir amada? Um homem como o tio dela, quis saber? Um homem que, enquanto dava a um filho todos os benefícios materiais não era capaz de atender suas necessidades emocionais, que eram, sem dúvida, muito mais importantes.

Não, ele não precisa saber _ concordou Bella, _contando que o hospital lhe dê alta.

Hospital?! _Os olhos da menina se arregalaram.

Sim, o hospital _replicou Bella com firmeza, fechando sua própria porta e ligando o carro de novo. Seria extremamente negligente em seu papel de adulta responsável se não fizesse tudo para se certificar de que a garota estava mesmo tão bem quanto parecia.

Você vai virar à esquerda aqui _começou a menina, e então estudou Bella mais de perto ao perceber que ela já havia começado a virar antes de suas instruções. _ Você sabe o caminho?

Sei.

E sabia muito bem. Fora lá com seu tio com bastante frequência. Antes da transferência da matriz da companhia para Londres, o equipamento médico especializado que inventara fora testado no hospital da região, e Bella acompanhara muitas visitas.

Uma das coisas que desejava fazer com o dinheiro da venda da companhia era financiar uma ala especial do hospital e dar a ela o nome de seu tio. O resto... O resto seria utilizado de maneiras igualmente filantrópicas. Esse era o motivo pelo qual havia voltado para sua velha cidade natal, para tirar um tempo para refletir sobre o que queria fazer com o resto de sua vida... e decidir a melhor maneira de fazer com que outras pessoas se beneficiassem do dinheiro de seu falecido tio.

Quando elas entraram na emergência, tiveram sorte de não haver mais ninguém esperando para ser atendido.

A enfermeira, que franzia o cenho enquanto Bella explicava o que havia acontecido, se virou então para a pequena companheira de Bella e perguntou:

Certo... Vamos começar com o seu nome.

E... E Alice... Alice Cullen.

Alice Cullen. Bella de súbito sentiu seu coração disparar violentamente no peito. Estava sendo tola, é claro. Cullen não era um nome tão incomum, e estava levando sua própria apreensão por uma coincidência longe demais para presumir que só por causa de um sobrenome isso...

Endereço? _perguntou e enfermeira, rapidamente. Obediente, Alice lhe deu o endereço.

Pais?

Pai. Tenho apenas... meu pai _começou Alice com fraqueza. _O nome dele é Edward Bem, na verdade, Edward Cullen.

Ela fez uma careta e olhou para Bella, dizendo, de modo inesperado: _Você parece... _ Alice parou e a observou mais uma vez intrigada, mas Bella não notou.

Edward Cullen. Alice era filha de Edward. Como não percebera? Como não havia adivinhado? Podia ver com clareza que achara as feições de Alice tão estranhamente familiares porque ela era filha de Edward. Tinha até os mesmos cabelos espessos, cobres e rebeldes, pelo amor de Deus. E aqueles olhos verdes, com cílios longos... eram dele, sem dúvida. O olhar perturbadoramente equilibrado e sensato também era de Edward, e...

Você está se sentindo bem?

Bella enrubesceu ao perceber que tanto Alice quanto a enfermeira a observavam.

Estou bem _mentiu ela, acrescentando secamente: _Mas não é todo dia que encontro patinadoras desgovernadas tentando se matar na frente do meu carro.

E certamente não era todo dia que descobria que a patinadora era a filha de um homem... do homem... O que Alice pensaria se soubesse que um dia Bella acreditara que os filhos de Edward seriam seus filhos, que seria ela quem conceberia seus bebês, usaria sua aliança, compartilharia sua vida? Mas isso fora antes... Antes que seu tio a relembrasse de qual era seu verdadeiro dever, e antes que Edward lhe dissesse de forma tão firme, que tinha seus próprios planos, e que esses não incluíam se submeter aos desejos de outra pessoa, às regras de outro, aos negócios de um outro.

Mas não posso simplesmente partir e abandonar o meu tio, abandonar os negócios _ Bella protestara, abalada, quando Edward lhe dera um ultimato. _Ele precisa de mim, Edward. Espera que eu assuma os negócios...

E quanto às minhas necessidades e às minhas expectativas? _Edward perguntara, furioso.

No final, eles haviam feito as pazes. Porém, seis semanas depois, seu tio anunciara que providenciaria que ela fosse para América, onde deveria trabalhar para uma companhia que fabricava uma linha de equipamentos médicos similar à deles. Acreditava que a experiência seria muito boa para Bella quando assumisse os negócios da família. Ela havia ficado tentada a recusar, a se rebelar, mas a rigidez com que fora criada pelo tio a impedira... assim como seu senso de responsabilidade e dever em relação não apenas ao tio, mas aos negócios. Os vinte anos de diferença entre eles, haviam feito com que o pai de Bella tivesse um temor respeitoso pelo irmão. E Bella, uma menininha de seis anos, órfã, muito nervosa, desesperadamente infeliz, fora intimidada até se tornar incapaz de pensar em se rebelar contra seu tio ditador. As sementes da obediência haviam sido plantadas cedo em Bella.

Mais tarde, sem a presença opressiva do tio, ela começara a amadurecer e se descobrir, a se sentir capaz de fazer seus próprios julgamentos e possuir seus próprios valores. Soubera, então, tentara então... mas fora tarde demais.

Rapidamente, fechou os olhos para que Alice e a enfermeira não pudessem ler seus pensamentos.

Vamos precisar tirar alguns raios-X, e, é claro, ela terá de passar pelo médico, embora aparentemente não haja nada errado _ a enfermeira tranquilizou Bella.

Você me espera aqui. Não vai embora sem mim, vai? _Alice suplicou a Bella enquanto a enfermeira indicava que ela devia segui-la.

— Eu..._ Bella hesitou. Também sabia como era se sentir sozinha, abandonada, sentir que não tinha ninguém...

Seu pai... _a enfermeira começou, com firmeza, mas Alice meneou a cabeça.

Não _disse ela rapidamente. _Eu não quero... Ele está viajando... a negócios, e não volta até... até a próxima semana _ respondeu.

Ouça, se isso ajuda, eu vou esperar e me responsabilizar por tudo _ofereceu Bella.

Bem, não tenho muita certeza. Isso não está de acordo com o procedimento _ começou a enfermeira. _Você é parente, ou...

Ela... ela vai ser a minha nova mãe _ interrompeu Alice antes que Bella pudesse dizer qualquer coisa. Então, a olhou de modo suplicante enquanto a enfermeira observava Bella com uma expressão questionadora, buscando alguma confirmação do que acabara de ouvir.

Eu... eu vou... esperar por você aqui _ respondeu Bella, sabendo muito bem que deveria ter corrigido a mentira absurda de Alice, mas suspeitando que tal mentira refletisse um mero desejo de evitar a burocracia e a espera até que o hospital contatasse quem quer que seu pai tivesse deixado responsável por ela.

Admirava Bella que um pai pudesse ser tão negligente em relação ao bem-estar de um filho ou filha, mas ela sabia, é claro, que isso acontecia. Uma das coisas que queria fazer com sua riqueza era sé certificar de que crianças na situação de Alice não fossem expostas ao tipo de risco que ela havia acabado de correr. O que Bella queria era estabelecer uma rede de assistência segura, fora da escola, que garantisse o bem-estar de crianças cujos pais, por qualquer razão, simplesmente não pudessem estar lá para elas. Sabia que estava assumindo uma tarefa gigantesca, mas estava determinada. Esse era seu projeto do coração.

Levou quase uma hora até que a enfermeira retornasse com Alice, anunciando alegremente que a menina estava bem.

Eu a levarei para casa _ofereceu Bella enquanto elas saíam de novo para o sol do começo do verão.

Alice tinha parado e estava desenhando uma figura na terra com a ponta de seu sapato.

O que foi? Alguma coisa errada?_ perguntou Bella.

Eu... Papai não precisa saber sobre nada disso, precisa?_ indagou Alice, desconfortavelmente. _ É só que... Bem...

Bella estudou-a com atenção por alguns instantes, o coração já cativado por ela. No entanto guardou seus sentimentos para si quando falou baixinho:

Bem, eu certamente não vou contar nada a ele.

Não era verdade? O pensamento de ter qualquer coisa... qualquer coisa a ver com Edward Cullen era o bastante para fazê-la suar frio. E não importava o quanto teria adorado lhe dar um sermão sobre sua horrível negligência com relação ao bem-estar da filha...

Você não vai contar, isso é ótimo._ Um sorriso amplo iluminou o rosto de Alice enquanto começava a correr em direção ao carro de Bella. Quando chegaram lá, todavia, o sorriso desapareceu no momento em que ela viu a parte amassada e a pintura arranhada no lugar onde colidira com o carro.

É um BMW, não é? Isso significa que será caro consertar...

Temo que sim _concordou Bella cordialmente. E se recusou a permitir que seus lábios sequer esboçassem um sorriso quando Alice lhe disse com seriedade:

Custe o que custar, eu vou pagar pelo conserto, mas pode demorar muito tempo. Papai está sempre regulando a minha mesada _acrescentou ela com uma expressão aflita._ Isso não é justo. Ele pode ser muito "pão-duro".

Eu entendo, Bella queria dizer. Conhecia aquele tipo de mesquinhez. Seu tio costumava lhe dar muito pouco dinheiro, e ela ainda achava frequentemente difícil gastar dinheiro consigo mesma sem imaginar a reação dele. Esse era o motivo pelo qual seus armários haviam estado tão desprovidos de roupas de grife e seu carro antes de fazer uma boa ação e comprar o BMW de Rosalie tinha sido um modelo popular usado.

Recebo dinheiro para despesas toda semana. Eu queria ter uma mesada maior, mas papai diz que ainda sou muito nova... Onde você mora?_ perguntou ela.

Calmamente, Bella lhe falou onde morava, observando-a enquanto Alice memorizava o endereço com cuidado.

Você pode parar aqui? _ Alice pediu de modo súbito e urgente, acrescentando, quando Bella a olhou com uma expressão indagativa_ Eu... eu prefiro que você não me leve até em casa... para o caso de... bem...

Não vou levá-la até a porta _ concordou Bella _mas não vou parar até poder estacionar em um lugar de onde possa ver você entrando em casa em segurança.

Para seu alívio, Alice pareceu aceitar permitindo que Bella parasse em um ponto de onde poderia vê-la entrando em casa.

Vai ter alguém na sua casa? _Bella se sentiu obrigada a perguntar.

Oh, sim _disse Alice com alegria. _Sue estará lá. Sue cuida de mim... de nós... Ela trabalha para papai no viveiro de plantas quando estou na escola... Eu não vou esquecer o dinheiro_ prometeu ela solenemente quando saiu do carro.

Tenho certeza de que não vai_ respondeu Bella, com a mesma seriedade.

Então Edward ainda tinha o viveiro...

Ela lembrava como ele tinha planos para o viveiro quando conseguira levantar o dinheiro para comprá-lo. Seu tio o ridicularizara.

Um jardineiro? _perguntara quando Bella contara sobre os planos de Edward. _Você está saindo com um jardineiro? Onde o conheceu?

Bella podia lembrar como seu coração afundara ao ser forçada a admitir que conhecera Edward quando ele fora trabalhar nos jardins da casa. Sentira vergonha e agonia quando seu tio exigira saber o que ela, com sua situação privilegiada e educação, poderia ver com alguém que cortava grama para viver.

Não é assim _Bella protestara, tentando defender seu primeiro amor e seu primeiro amante. _ Ele fez faculdade, mas...

Mas o quê?_ indagara seu tio, ríspido.

Ele... ele descobriu, quando estava lá, que não era aquilo que queria fazer...

O que a faculdade me ensinou mais do que tudo _Edward lhe dissera, _foi a conhecer a mim mesmo, e agora sei que eu detestaria ficar trancado em um escritório abafado em algum lugar. Quero estar ao ar livre, plantando coisas... Isso está no meu sangue, afinal de contas. Meu tataravô era jardineiro. Ele trabalhava para o duque de Hartbourne, como seu jardineiro mestre. Contudo, não quero trabalhar para os outros... Quero ter meu próprio negócio. Quero comprar um pedaço de terra, cultivá-lo, construir um viveiro...

Com grande entusiasmo, ele começara a contar seus planos a Bella. Seis anos mais velho do que ela, possuía maturidade e masculinidade, duas coisas que a fascinavam e a seduziam. Edward representara tudo que ela não possuía em sua própria vida, e Bella havia se apaixonado completa e loucamente por ele...

De forma automática, ela virou o carro na estreita rua que levava à casa que originalmente pertencera a seu tio... A casa onde crescera, a casa onde vira Bella pela primeira vez, a casa onde dissera a ele, entre lágrimas, que sua responsabilidade, seu dever para com o tio teria prioridade sobre o amor deles. E então Edward havia se casado com outra pessoa.

E tal pessoa devia ter sido a mãe de Alice. Ele deveria tê-la amado muito para não se casar uma segunda vez. E obviamente conservara suas lembranças e seu amor pela ex-esposa por muito mais tempo do que tinha conservado seu suposto amor por ela, reconheceu Bella cansada. Chegou a seu destino e passou dirigindo pelos portões de ferro, que não existiam quando vivera na casa. Ao menos por fora, todavia, o lugar parecia em grande medida o mesmo, Uma casa grande e antiga, sem nenhum design ou atrativo estético em particular.

Tanto seu tio quanto seu pai haviam passado a infância ali, mas para Bella, ela nunca parecera uma casa de família, apesar do tamanho. Seu tio mudara muito pouca coisa desde a morte de seus próprios pais, e, para Bella, a propriedade sempre parecera ter um ar solitário e misterioso, totalmente diferente do lar caloroso e pequeno que partilhara com seus pais.

Depois que ela voltara da América, seu tio vendera a casa. A saúde dele começara a se deteriorar durante a ausência de Bella, e a parte operacional dos negócios seria transferida para Londres. Na época, fizera sentido que ambos se mudassem para lá também, Bella para sua pequena casa em uma área prática e valorizada perto do rio e seu tio para um confortável apartamento sob os cuidados de uma devotada governanta.

Parando o carro, ela enfiou a mão na bolsa para pegar as chaves que o corretor lhe dera. Então, respirando fundo, desceu e se dirigiu para a casa.

Não tinha muita certeza do motivo pelo qual escolhera voltar, não apenas para aquela casa mas também para aquela cidade. Não havia, afinal, nada ou ninguém para ela lá.

Talvez um dos motivos fosse se certificar de que era agora dona de si mesma... de que tinha controle de sua própria vida, de que estava finalmente livre, de que tinha o direito de tomar suas próprias decisões. Havia cumprido seu dever para com o tio e para com os negócios. Agora, aos 33 anos, estava no limiar de uma vida inteiramente nova, mesmo que ainda não tivesse decidido que tipo de vida seria.

O que você precisa é de um homem... se apaixonar _Rosalie a provocara no verão anterior, quando Bella lhe falara sobre a impossibilidade de tirar uns dias de folga e viajar com sua amiga e a família dela. _Quando você se apaixonar, vai ter que arranjar tempo...

Apaixonada? Eu? Não seja ridícula_ replicara Bella.

Por que não? _Rosalie a desafiara_ Outras pessoas se apaixonam... mesmo os workaholics como você. Bella, você é uma mulher atraente, adorável carinhosa _disse ela com determinação.

Diga isso para meus acionistas_ brincou Bella, adicionando mais seriamente_ Não preciso de mais nenhuma complicação na minha vida Rose. Já tenho muitas e, além disso, os homens que conheço não estão interessados em mim como a pessoa que verdadeiramente sou. Eles estão apenas interessados em Isabella Swan, que é diretora de Swan Medical...

Já houve alguém, Bella? _perguntou Rosalie, gentilmente._ Alguém especial... uma antiga paixão?

Não, ninguém _mentira Bella, endurecendo seu coração frente às lembranças que ameaçavam contra elas.

Bella tivera oportunidades, é claro... saíra com... homens que a queriam conhecer melhor... Mas... mas jamais soubera ao certo se eles a queriam ou se queriam seu dinheiro, e simplesmente nunca se importara o suficiente para se arriscar a descobrir. Já havia sido machucada uma vez, acreditando em um homem que dissera amá-la. Não permitiria que isso acontecesse uma segunda vez.

Endireitando os ombros, girou a chave.