Mais um capítulo para vcs apreciarem!

Boa leitura!!!

Capítulo 2

Quando entrou no hall longo e estreito da casa, Bella piscou em total surpresa. Não havia mais a pintura escura e o tapete igualmente escuro dos quais se recordava. A atmosfera fria, austera e desagradável não existia mais, e, em seu lugar, o hall de entrada brilhava com cores suaves e claras, aquecidas pela luz do sol que entrava pela janela e ia até a metade da escadaria. A casa estava diferente, reconheceu.

Meia hora depois, tendo inspecionado tudo, ela admitiu que os donos atuais tinham feito um trabalho maravilhoso ao reformá-la. Seu tio teria, é claro, ficado horrorizado tanto pelo luxo quanto pela total falta de praticidade do carpete cor de creme em todos os pisos. Bella, por outro lado, achava aquilo aconchegante e deliciosamente sensual, se alguém pudesse usar tal palavra para o tão mundano quanto um mero carpete. O carpete do quarto, por exemplo, com sua espessura e maciez particular, tinha uma aparência tão convidativa que ela teve de lutar contra a vontade de tirar os sapatos e senti-lo sob seus pés descalços. Quanto ao maravilhoso banheiro pseudovitoriano, com sua banheira funda e enorme, repleta de artigos de luxo, sem mencionar o box separado que a acompanhava... era uma festa para os olhos.

"É a melhor casa que temos" o corretor lhe dissera. "O casal a reformou em grande estilo, e se a companhia do marido não o tivesse transferido para Califórnia, eles ainda estariam vivendo lá."

Bem, pelo menos havia muito espaço no guarda-roupa, pensou Bella algumas horas mais tarde, tendo levado a última das malas para o andar de cima e começado a remover os conteúdos.

Tinha sido Rosalie quem decidira que elas deveriam se desfazer de todas as roupas executivas que Bella usara durante seus anos como presidente da companhia.

"Jogue-os fora!"

Bella gemera em choque quando ouvira a proposta de Rosalie.

"As roupas são boas demais para isso. Elas..."

"Vão durar para sempre, eu sei. Lembro de você ter me dito a mesma coisa quando comprou... e isso foi cinco anos atrás."

"Logo depois que tio Aro faleceu. Sim, eu sei" concordara Bella com tristeza.

"Eu as detestei em você na época, e elas agora não têm mais lugar na sua vida." Rosalie a relembrara, adicionando: "E, já que estamos falando no assunto, eu nunca, jamais quero ver você usando os cabelos presos de novo... especialmente porque eles ficam tão maravilhosos soltos. A natureza é muito, muito injusta continuara. Não apenas lhe deu a pele mais perfeita, um perfil magnífico e lindos olhos castanhos iguais a chocolate, como também lhe deu os mais gloriosos cabelos castanhos escuros com mechas avermelhadas. São tão bonitos quanto os da Cindy Crawford, e formam cachos naturais..."

"Cindy o quê?" provocara Bella, rindo quando Rosalie começara a parecer entrar em pânico, e erguendo as mãos em rendição no momento em que admitiu: "Tudo bem. Eu sei quem ela é."

"O que você precisa fazer é cultivar uma aparência mais natural e mais acessível" aconselhara Rosalie. "Pense em jeans e camisetas brancas, um blazer azul-marinho e mocassins, com seus cabelos soltos e uma maquiagem bem leve"

" Rose" respondera Bella "estou no mundo dos negócios há tempo demais para não reconhecer alguém tentando empacotar um item para venda."

"A única pessoa que você precisa vender é a si mesma" replicara Rosalie. "Perdi a conta do número de homens que lhe apresentei, os quais você simplesmente ignorou... Um dia você vai acordar, descobrir que tem 40 anos e..."

" Isso é tão ruim assim?" protestara Bella.

"Bem, há outras coisas na vida. E eu já a presenciei com os meus filhos tempo o bastante para saber como você é boa com crianças."

Aquele não era um assunto a que Bella quisesse dar continuidade. Nem mesmo Rose, sua melhor amiga, sabia sobre Edward e o sofrimento que ele lhe causara. Guardara para si as esperanças que um dia alimentara... o amor que uma vez oferecera, somente para vê-lo desprezado quando ele se casara com outra, apesar de lhe haver dito... Mas que sentido fazia voltar ao passado?

Bella tinha 19 anos quando conhecera Edward, 22 quando ele se casara... com uma outra pessoa... O tempo que haviam passado juntos fora quando conseguia escapar em seus anos de faculdade, seguido por um breve e tranquilo período de menos de seis meses entre o final da faculdade de Bella e o momento em que fora enviada para a América seu tio. Quer dizer... tranquilo para ela. E para Edward?

"Encare a verdade," disse a si mesma com firmeza enquanto acabava de pendurar suas novas e espetaculares roupas no guarda-roupa. "Ele levou você realmente a sério, apesar de tudo que falava. Se assim fosse, teria cumprido o que prometera."

"Eu a amarei para sempre" ele lhe dissera na primeira vez em que haviam feito amor. "Você é tudo que eu sempre quis, tudo que eu sempre vou querer..."

Mas ele havia mentido, reconheceu Bella sem uma ponta de lágrimas. Edward jamais a amara realmente. E por que a encorajara a acreditar que a amava, ela realmente não conseguia entender. Ele nunca lhe parecera o tipo de homem que precisava alimentar o ego através de conquistas sexuais. Era alto, tinha cabelos cobres e olhos verdes com o tipo de porte físico que vinha do trabalho árduo ao ar livre, e Bella havia se apaixonado sem a necessidade de qualquer encorajamento ou sedução. Edward se apresentara e a observara. Ela era inexperiente demais, e estava confusa demais para esconder sua reação imediata a ele, seu rosto e corpo enrubescendo profundamente.

Bella ficou tensa, lembrando quão traiçoeiramente seu corpo jovem extremamente sensível revelara sua reação a Edward, os mamilos sob a camiseta fina enrijecendo tanto que a fizeram instintivamente cruzar os braços sobre os seios para esconder sua excitação.

Edward não parecera se abalar ao notar o que lhe acontecera, ou o quanto estava constrangida por aquilo. Em vez disso, virara a cabeça sabiamente, direcionando-lhe a atenção para o canteiro de flores de que estava cuidando. Então, fazendo comentários sobre o design do jardim, deu-lhe alguns minutos para recobrar o equilíbrio, enquanto, ao mesmo tempo, diminuía a distância entre os dois. No momento em que começou a lhe chamar a atenção para outra parte do jardim, estava perto o bastante para lhe tocar o braço nu.

Bella era capaz de se lembrar até mesmo o quanto havia tremido em reação imediata ao toque dele.

Sem poder evitar, virara a cabeça para encará-lo, seu olhar fixo primeiro nos olhos de Edward, e então na boca sensual.

Ele lhe dissera mais tarde que o único motivo pelo qual não a abraçara e a beijara naquele momento fora o medo de assustá-la e fazê-la se afastar.

"Você parecia tão jovem e inocente que receei que pudesse... Temi que se eu a deixasse ver o quanto a queria, pudesse assustá-la, apavorá-la" Edward lhe contara espontaneamente, semanas depois. Então, já a tinha nos braços e a beijava repetidas vezes, do jeito que ela secretamente, apesar do medo, havia desejado que ele fizesse naquele primeiro dia no jardim.

Recordando-se com a maturidade que havia adquirido desde então, Bella ainda não conseguia ver sinais, nenhum aviso do que estava por vir ou do enorme sofrimento que aquilo lhe causaria.

Ela havia acreditado totalmente em Edward quando ele lhe dissera que a amava. Por que não deveria? Fora ele, afinal de contas, quem a perseguira, a cortejara, e conquistara seu coração e sua vida.

O primeiro verão havia sido um caleidoscópio brilhante de carinho, amor e risadas, ou assim parecera na época. Ainda estava conversando com Edward horas depois de se conhecerem no jardim, quando seu tio voltara para casa. As malas de Bella ainda estavam na porta, onde o motorista de táxi a deixara. Estava abençoadamente inconsciente do quanto era tarde até ver o tio aparecer.

"Ainda aqui?" ele perguntara a Edward brevemente, assentindo com um gesto de cabeça para dispensá-lo se virando para a sobrinha e exigindo com uma carranca: "Eu imagino que você tenha muito o que estudar para ficar perdendo seu tempo aqui, Isabella."

Repreendida, Bella murmurou um tímido "adeus" para Edward e, virando-se, seguiu o tio para dentro da casa. Mas, quando foi apanhar suas malas, Edward já se havia adiantado, pegando as duas malas mais pesadas como se não pesassem nada.

Para Bella, acostumada ao físico muito mais frágil de seu tio idoso, a visão daquela força máscula e sexual a excitou e a fascinou.

Seu tio lhe dera um sermão durante o jantar sobre a necessidade de Bella encontrar tempo durante as férias de verão para se dedicar mais arduamente aos estudos.

" É claro que você irá à fabrica comigo durante o dia" ele a informou, e Bella não tentou discutir. Assim passara todas as férias desde que completara 16 anos, aprendendo cada aspecto dos negócios da fábrica sob os olhar crítico do tio.

Mas o destino parecia ter outros planos para Bella. Na manhã seguinte, quando descera a escada... descobrira que seu tio havia recebido um telefonema tarde na noite anterior, informando que o diretor de vendas da companhia havia sido levado ao hospital com apendicite aguda. Isso significava que seu tio teria de substituí-lo e voar para o Oriente Médio, a fim de dirigir a negociação de vendas.

Ele ficaria fora, informara a Bella, por quase um mês.

"Eu terei de deixar você aqui por sua conta" dissera ele. "Não posso permitir que vá à fábrica sem a minha supervisão. Se isso tivesse acontecido um pouco mais cedo, eu poderia ter feito arranjos para você viajar comigo. Teria sido uma experiência excelente para você, mas, infelizmente, é tarde demais agora para providenciar suas inoculações, e para que eu lhe consiga um visto. Todavia, você deve ter trazido trabalhos da faculdade para fazer nas férias."

"Sim" concordara ela, documente, o olhar cabisbaixo, o coração de súbito batendo tão freneticamente contra o peito que a deixara zonza,

Mesmo com o tio viajando, ela ainda era incapaz de reconhecer o verdadeiro motivo por sua excitação e senso de liberdade. Assim como reconhecer o motivo de sua repentina decisão de estudar na sala de visitas com vista para a parte do jardim onde Edward havia trabalhado no dia anterior... ou usar um short de algodão que mostrava suas pernas longas e delgadas.

Edward havia chegado uma hora depois que seu tio havia partido, e pela posição estratégica de Bella na sala de visitas, ela fora capaz de, discretamente, observá-lo trabalhando. Quando o dia esquentara, ele parará de trabalhar e erguera o corpo, alongando as costas antes de remover a macia camisa de algodão.

Com a boca seca, Bella o observara, seu corpo tremendo com a sensação mais perturbadora que já havia experimentado.

Luxúria disse a si mesma, irritada, enquanto dobrava as últimas calcinhas e as guardava organizadamente em uma das gavetas do armário.

Luxúria. Era ingênua demais para saber o que isso significava, e o quão poderoso tão poderia ser. Tudo que sabia era que, por mais que tentasse se concentrar em seus estudos e nas palavras no papel à sua frente, tudo que conseguia realmente ver era a imagem de Edward.

Na hora do almoço, havia saído para lhe oferecer uma bebida gelada e algo para comer. Com seriedade, ele aceitara, seguindo-a para a cozinha. Somente mais tarde admitira que havia levado refrescos consigo, mas que a oportunidade de passar algum tempo com ela fora uma tentação irresistível.

Bella sabia fazer muito poucas tarefas domésticas, cujo aprendizado seu tio considerava uma perda de tempo. Ela assumiria a empresa e eles possuíam uma empregada que morava na casa... mas que, por acaso, estava de férias. Assim, ela preparou nervosamente uma salada rápida para Edward, e, durante a refeição leve, ouviu, fascinada, enquanto ele descrevia seu trabalho e seus planos.

"Chega de falar de mim" anunciara ele de forma brusca quando eles acabaram de comer. "E quanto a você? O que pretende fazer com a sua vida?"

" Eu? Vou assumir os negócios de meu tio" respondera Bella seriamente. "É para isso que ele está me treinando. Sou a única herdeira de meu tio, entende? É o trabalho da vida dele e..."

"O trabalho da vida dele, mas você tem a sua própria vida, e o direito de fazer suas próprias escolhas, certo?" interrompe Edward de modo ríspido, antes de acrescentar explicitamente: " Meus pais originalmente queriam me treinar para ser médico, como meu pai, mas jamais tentariam impor esse tipo coisa, nem eu lhes permitiria..."

"Eu... meu tio... Meu tio me acolheu quando meus pais faleceram" explicara Bella em voz baixa. "Eu sempre soube o que ele espera de mim... o que quer que eu... Tenho muita sorte, na verdade. É uma oportunidade maravilhosa."

"É uma oportunidade maravilhosa se for o que você realmente quer fazer" concordara Edward. " Caso contrário... E isso que você quer, Bella?"

" Eu... eu... É o que se esperava de mim" respondera ela, um tanto abalada. Estava se provando difícil se concentrar no que Edward falava quando ele estava sentado tão perto... perto o bastante para que Bella se sentisse embaraçosamente ciente do poderoso corpo e da evidente masculinidade, aroma másculo tentador. Ele lhe pedira permissão para lavar as mãos antes de se sentar para almoçar, e estava novamente com a camisa que tirara mais cedo.

Todas as vezes em que ela ousava olhá-lo, era tomada por uma exultação tão intensa que podia sentir o rosto esquentando e enrubescendo.

"O que é esperado de você? Ouça" exigira Edward, aproximando-se e pegando sua mão. Manteve-a entre as suas com uma naturalidade que fizera com que Bella fosse incapaz de protestar. "Ninguém tem o direito de esperar nada de você. Você tem o direito de escolher o que quer fazer com sua vida. É a sua vida que está em jogo, e não a de seu tio."

Bella mordiscou o lábio.

"Eu sei" respondera ela insegura. "Mas..."

"Vou tirar o dia de folga amanhã" dissera Edward, mudando de assunto. "Há um jardim aberto ao público a uns trinta quilômetros daqui... Eu estava planejando ir lá e conhecer. Você gostaria de ir comigo?"

Com os olhos brilhando e rubra de felicidade, Bella assentira com um gesto de cabeça.

"Ótimo" murmurara ele. "Eu apanho você às 9h, tudo bem?"

Mais uma vez, ela assentira, não confiando em si mesma para falar.

Edward ainda estava segurando sua mão, e ela tivera de puxá-la antes que ele a liberasse, sorrindo com tristeza enquanto fazia isso.

E claro, Bella não havia estudado mais nada pelo resto do dia, assim como não tinha conseguido dormir naquela noite.

Três trajes haviam sido experimentados e descartados antes que Edward chegasse para apanhá-la, e ela corara de modo traiçoeiro ao olhar de aprovação que ele lhe dera enquanto estudava sua silhueta vestida em uma calça jeans justa, que delineava seu pequeno e firme traseiro.

Jeans. Quanto tempo fazia desde que não usava uma calça jeans? Bella se perguntou, quando o resto de suas roupas de baixo se juntou ao que já tinha sido guardado.

Havia comprado alguns jeans de Rosalie, de grifes famosas e com uma caída espetacular.

"Você podia levar estas com você" Bella havia protestado quando Rosalie lhe entregara as calças.

"O quê? Usar Lauren no lugar aonde nós vamos? Você se importa? O jeans que usarei de agora em diante é um 501" contara, sorrindo amplamente ao ver as sobrancelhas de sua amiga se arqueando numa expressão intrigada.

"Oh, 501. Pobrezinha" comentara Bella secamente.

" Bem pode estar na moda, mas também é ideal para trabalhar. Além disso, os jeans Lauren estão muito apertados em mim. Mal consigo me mexer dentro deles. Em você, ficarão muito melhor, já que está mais magra do que eu."

Jeans. Bella foi até o guarda-roupa e pegou uma das calças, tocando no tecido, sentindo-o entre seus dedos.

O jeans que tinha vestido em seu primeiro encontro com Edward fora comprado com sua mesada. Desde então, não o usara na frente do seu tio, sabendo que ele não teria aprovado. Era um homem antiquado, que não gostava de ver mulheres vestidas em calças... de nenhum tipo.

De modo cortês, Edward lhe abrira a porta de sua pequena caminhonete. O interior do carro era totalmente limpo, Bella notara, assim como notara que Edward era um motorista bom e cauteloso.

Os jardins que eles haviam visitado eram magníficos, reconhecia, mas tinha de admitir que não prestara muita atenção a eles nem às explicações de Edward sobre as plantas e combinações de cores. Estivera muito mais ocupada estudando-o, notando como a natureza havia sido incrivelmente dedicada em sua tarefa quando dera a ele uma sensualidade tão espetacular. Até mesmo o jeito como Edward andava fazia o coração dela disparar, e apenas olhar para aquela boca, sem mencionar imaginar como seria a sensação de ser beijada... por ele...

" O que houve? Você está se sentindo bem?" Edward perguntou em certo momento.

"Estou bem" Bella conseguiu sussurrar, com muito medo de que ele adivinhasse seus verdadeiros sentimentos.

Ele levara um lanche embrulhado para ambos... muito mais saboroso do que a refeição que ela lhe preparara no dia anterior, admitia Bella. Presumira, até que Edward negasse, que a mãe dele havia preparado aquilo para os dois.

"Mamãe? De jeito nenhum" dissera ele. "Ela acredita que seus filhos devem ser autossuficientes. Além disso, trabalha fora... é enfermeira. Meus dois irmãos estão ambos casados agora, e sou o único que resta na casa, mas mamãe ainda insiste que eu prepare minhas próprias refeições. Uma coisa que ela nos ensinou como enfermeira, contudo, foi a importância de uma boa nutrição. Veja estes sanduíches, por exemplo. São de pão integral com baixas calorias, o atum proporciona nutrientes importantes, e a salada que adicionei é saudável e gostosa."

"Como isto" Bella o provocou, balançando na frente dele duas barras de chocolate que tinha levado.

Edward riu.

"Chocolate faz bem" murmurou ele solenemente, acrescentando com um sorriso malicioso: "É a comida do amor, sabia?" Bella apenas meneara a cabeça. Então ele a tentara: " Quer que eu lhe prove?"

Ele gostava de provocá-la, admitiria mais tarde. Porém, o que apreciava ainda mais era descobrir que, sob a timidez, ela possuía não somente inteligência, mas, ainda mais importante, um bom senso de humor.

Eles certamente riram muito naquele primeiro verão juntos. Riram muito e se amaram muito, também.

Bella ainda era capaz de se lembrar da primeira vez em que ele a beijara. Não estava sol naquele dia. Trovejava, o céu estava escuro e pesado, e no final da tarde, de repente começara a chover forte, obrigando-os a buscar refugio em uma pequena cabana a alguns metros nos fundos do jardim.

Eles haviam corrido para lá, Bella segurando a sua mão, ambos entrando no pequeno cômodo abafado, sem fôlego e rindo.

Quando a porta vai-e-vem se fechara, confinando-os numa pequena sala quente e mal iluminada, Edward se havia virado para ela, afastando-lhe os cabelos do rosto. As mãos másculas estavam frias e úmidas, e, sem pensar no que estava fazendo, Bella virara a cabeça para lamber um pingo de chuva dele, um gesto instintivo quase infantil, mas que marcou o fim de sua infância, transformando-a, certa tarde, de criança em uma mulher.

Mesmo sem fechar os olhos, ainda conseguia evocar a expressão no rosto de Edward, sentir a tensão que subitamente enrijecera o corpo dele. Exteriormente, nada havia mudado. Ele ainda lhe segurava o rosto, eles ainda estavam em pé, com os corpos separados, mas, interiormente, tudo tinha mudado, reconhecia.

Fitando dentro dos olhos de Edward, ela sentira o próprio corpo começar a tremer... não de frio, e certamente não de medo.

"Bella..."

Seu nome, que Edward havia começado a dizer a centímetros de seu rosto, acabara no encontro dos lábios dele com os seus, os corpos de ambos pressionados.

E não havia nada remotamente infantil no jeito como ela o abraçara, se lembrava Bella. Nada remotamente infantil na maneira como havia aberto a boca sob a dele e deliberadamente o convidado a explorar sua intimidade. Eles se haviam beijado freneticamente, com total ardor, sussurrando palavras de amor incompreensíveis um para o outro. Ela gemia de prazer contra a pele de Silas, e ele murmurava, com voz rouca, que a amava, que a adorava, que a queria. Repetidamente, haviam se beijado e se tocado, e Bella se sentia em chamas com a alegria do que estava experimentando, com a alegria de ser amada, de saber que Bella a amava tanto quanto ela sabia que o amava.

Não fizeram amor naquele dia. Ela queria, mas Edward meneara a cabeça, dizendo, com a voz embargada pela paixão:

"Nós não podemos... Eu não posso... Eu não tenho... Eu poderia engravidá-la" explicara ele, acrescentando sinceramente: "A verdade é que eu poderia querer engravidá-la, Bella. Eu a amo a esse ponto, e sei que, uma vez que a tivesse em meus braços, uma vez que meu corpo estivesse dentro do seu, não haveria maneira de... Eu quero me satisfazer dentro de você" declarara abertamente. Ela o fitara com uma expressão insegura, e ele explicara numa voz baixa e emotiva: "Quero ter esse tipo de intimidade com você. A perpetuação de si mesmo é o instinto mais básico do homem, semear a fertilidade de sua mulher, especialmente quando ele a ama tanto quanto eu a amo."

"Eu... eu poderia tomar pílulas" sugerira Bella, mas Edward meneara a cabeça.

"Não" dissera ele gentilmente. "Cuidar desse lado das coisas é responsabilidade minha. Além disso" continuara com suavidade, olhando à sua volta na casa de veraneio abafada e atolada de móveis, " aqui não é realmente o lugar certo. Quando fizermos amor, quero que seja... Quero que seja especial para você. Perfeito."

Bella umedecera os lábios.

" Meu tio ainda está viajando" ofereceu ela, sem graça. "Nós poderíamos..."

" Não. Não na casa de outro homem. Sim, eu sei que é a sua casa, mas não, não aqui" murmurara ele baixinho.

"Onde, então?" perguntara Bella com ansiedade.

"Deixe isso comigo" dissera Edward. "Deixe tudo por minha conta."

E como a pessoa obediente que fora criada para ser, Bella havia abaixado a cabeça e concordara.