Olá!!! Voltei com mais um capítulo explicando um pouco do passado do nosso casal!
Boa Leitura!!!
Capítulo 3
A campainha tocou no exato momento em que Bella acabara de desfazer as malas. Franzindo o cenho, ela desceu para atender. Quem poderia ser? Certamente não estava esperando ninguém.
Ainda estava franzindo o cenho quando abriu a porta e um pequeno gemido de choque escapou de seus lábios ao ver e reconhecer de imediato o homem parado ali.
"Edward!"
Instintivamente, Bella levou uma das mãos ao pescoço, enquanto tentava, tarde demais, reprimir aquele gemido traidor.
"Bella" seu visitante respondeu com seriedade. "Posso entrar?"
Sem esperar resposta, Edward abriu caminho com o ombro e adentrou o hall.
"Como... como você soube que eu estava de volta?" ela conseguiu perguntar, rouca. Era possível que ele tivesse se tornado ainda mais alto e mais forte durante os anos que os haviam separado? Claro que não. Entretanto, Bella não se lembrava de Edward preenchendo quase todo o espaço do hall antes. Ele podia estar dez anos mais velho, mas ainda era tão magnificamente másculo quanto ela recordava. Era forçada a reconhecer contra a sua vontade. Talvez estivesse até mais... Como jovem, Edward usava sua sexualidade de maneira muito descuidada, suavizando-a com a ternura e a consideração que mostrara com ela.
Agora... Bella respirou fundo e tentou se controlar. Agora não havia nada remotamente suave ou terno no jeito como ele a olhava. Longe disso.
"Eu não sabia, até que fui ao hospital e descobri que você havia levado Alice lá. Que tipo de gente é você, Bella? Primeiro, quase passa com o carro por cima da minha filha, e então nem mesmo se incomoda em me informar que ela sofreu um acidente. O que estou dizendo? Sei exatamente que tipo de gente você é, não sei? Por que eu deveria estar surpreso com qualquer coisa que você pudesse escolher fazer, sabendo tudo que sei?"
Bella não conseguia articular uma única palavra. O que ele estava dizendo? Do que estava tentando acusá-la? Edward fazia parecer como se ela tivesse tentado atropelar Alice de propósito, quando a verdade era...
"Fiz o que achei melhor" replicou ela, friamente. De modo algum iria deixá-lo ver o quanto ele a pegara desprevenida ou o quanto se sentia agitada e despreparada para lidar com sua presença ali.
Pensar sobre Edward mais cedo não havia feito nada para prepará-la para a realidade de vê-lo ali diante de si. Pensara, lembrara de um jovem com vinte e poucos anos. Aquele era um homem maduro de quase 40 anos, e um homem que...
"O que você achou melhor." Ele lhe deu um olhar incrivelmente zangado enquanto repetia as palavras dela. " Não lhe ocorreu que, como pai de Alice, eu tinha direito de saber o que aconteceu? Não passou por essa sua mente pequena que você tinha a responsabilidade de me informar sobre o ocorrido? Afinal de contas, você costumava ser muito boa no que dizia respeito às responsabilidades, certo? Oh, mas eu estava esquecendo, o tipo de responsabilidade que você prefere é o que significa..."
"Eu não o contatei porque não tinha ideia de que você era o pai de Alice até que chegamos ao hospital" Bella o interrompeu rapidamente. "E então..."
E então Alice havia lhe suplicado que não contasse ao pai sobre o ocorrido. Ainda por cima, mentira para ela e a enfermeira, dizendo que Edward estava indisponível e fora do país. Mas certamente não iria contar isso a Edward. Contra todas as probabilidades, e de maneira ridícula, sentia certa proximidade com Alice, como um elo entre mulheres.
Elo entre mulheres com uma menina de 10 anos. E se considerava inteligente? Rosalie estava certa... ela precisava dar um jeito em sua vida.
"Presumivelmente, todavia, você soube no momento em que Alice informou à enfermeira que você seria sua nova madrasta" disse ele com acidez mortal.
Bella estava certamente muito velha e suficientemente senhora de si para ser traída agora pelo tipo de rubor facial que tinha com tanta facilidade quando jovem. Entretanto, pegou-se desviando o olhar apressadamente da expressão furiosa de Edward e curvando os dedos dos pés dentro dos sapatos enquanto mentia:
"Uh... ela falou isso? Realmente não lembro... o pronto-socorro estava cheio emendou. Eu só queria me certificar de que Alice recebesse atendimento médico...
"Mentirosa" Edward lhe interrompeu a explicação gaguejada com uma voz tão incisiva que a fez se encolher. "E não pense que não sei exatamente por que você não contestou a existência de um relacionamento entre nós."
Aquilo era pior do que seu pior pesadelo, pior mesmo do que a situação mais embaraçosa e mais humilhante que poderia imaginar lhe acontecendo, concluiu Bella. Não se lembrava de jamais ter se sentido tão exposta e vulnerável, tão horrivelmente consciente de ter suas emoções mais profundas e íntimas expostas para serem ridicularizadas e desprezadas. Não, nem mesmo da primeira vez que tivera de enfrentar o conselho diretor de seu falecido tio, sabendo o quanto cada um deles devia ressentir o fato de ela ter sido indicada como líder, como a pessoa a quem teriam de obedecer.
Naquela única sentença, Edward havia destruído por completo todas as delicadas defesas que ela trabalhara tão arduamente para tecer... defesas que criara com paciência e grande determinação. Defesas que, unidas com bom humor e sorrisos alegres, lhe haviam possibilitado jamais permitir que ninguém adivinhasse seus verdadeiros sentimentos, ou o quanto sua vida era vazia às vezes, quão pouco correspondia às expectativas idealistas que tivera um dia. A compaixão alheia era algo que Bella evitava e recusava com gentileza. O fato de não ter um homem com quem compartilhar a vida, um filho com quem compartilhar seu amor, era uma escolha sua... Eram coisas que impedia a si mesma, com extrema determinação, de desejar. Possuía sua vida, seus amigos, sua saúde.
Mas agora, de forma brutal e impiedosa, Edward havia destruído aquela frágil e preciosa paz de espírito que ela tanto lutara para conseguir.
Edward adivinhara, revelara o pequeno patético segredo que Bella havia tão seguramente escondido de outras pessoas.
Corajosamente, ela ergueu a cabeça. Não permitiria que ele tivesse uma vitória total. Alguma coisa poderia ser salva dos destroços, da destruição que ele causara, mesmo que fosse somente seu orgulho.
"Ao contrário do que você parece achar..." começou ela.
Porém, mais uma vez, ele a interrompeu, furioso:
"Eu não acho. Eu sei. Você deixou a enfermeira acreditar que tinha o direito de assinar o formulário de consentimento de Alice porque pensou que isso a livraria da culpa. Porque assim não teria de enfrentar o que fez, não teria de sofrer nenhuma possível consequência legal. Meu Deus, que tipo de mulher você é para dirigir de forma tão descuidada em uma área residencial, para começar? E no horário de saída da escola! Mas ambos já sabemos, não? Assuntos tão mundanos quanto a segurança de crianças, suas vidas, simplesmente não lhe importam, não é? Você tem coisas muito mais importantes com as quais se preocupar. Quantos milhões você vale hoje, Bella? Sem dúvida o carro do lado de fora é somente um dos benefícios que resulta da riqueza de uma mulher. Engraçado... eu sabia, é claro, que os negócios vinham em primeiro, segundo e terceiro plano para você. Mas nunca a imaginei como uma mulher que precisasse se cercar de todos os luxos de um estilo de vida materialista.
Bella lhe deu um olhar estupefato, totalmente confuso. O que ele estava dizendo? Alguma coisa sobre seu carro? Sobre sua riqueza? Não importava. Tudo que importava era a incrível sensação de alívio que teve ao perceber que se enganara, afinal, a respeito do que Edward quisera dizer ao afirmar saber o motivo pelo qual ela não refutara a declaração absurda de Alice de que logo seria sua madrasta. Que achava que ela não desmentira a declaração de Alice de modo que não precisasse responder perguntas sobre o acidente, e não porque secretamente ainda ansiava por... ainda queria...
"Meu Deus, como você mudou" ela o ouviu murmurando com raiva. "Aquele carro... esta casa... estas roupas..."
Suas roupas? Bella afastou sua sensação eufórica de alívio. Haveria tempo para saborear aquilo mais tarde, quando estivesse sozinha.
"Estou usando uma calça jeans" conseguiu observar em tranquila defesa.
"Jeans de grife" disse Edward brevemente, indicando o logotipo costurado no jeans.
Jeans de grife? Como Edward sabia disso? O Edward que ela conhecia não teria sabido ou se importado com o lugar de onde as roupas dela vinham. O Edward que conhecia e se recordava teria, na verdade, mostrado mais interesse no que havia por baixo das roupas, em vez de na grife da qual elas vinham.
Rapidamente, Bella redirecionou seus pensamentos, dizendo-lhe o que seus próprios olhos astutos haviam notado.
"Suas roupas também não são de uma loja qualquer."
Havia uma leve coloração traidora se infiltrando por baixo da pele dele?, Bella se perguntou, sentindo-se triunfante.
"Eu não as escolhi" replicou ele com rigor.
Então, quem as havia escolhido? Uma mulher? Por algum motivo, a admissão de Edward tirou o prazer original dela em pegá-lo no pulo, reconheceu Bella, triste.
"Suponho que você tenha achado que estava sendo muito esperta e que tivesse se safado de quase matar a minha filha" Edward estava voltando a agredi-la. "Bem, infelizmente para você, uma... uma amiga minha por acaso a viu na cena do acidente e anotou a placa de seu carro."
"Verdade? Quanta gentileza da parte dela" zombou Bella. "Suponho que não ocorreu à sua amiga que teria sido mais útil tentando ajudar Alice em vez de brincar de detetive amadora?"
"Tânia estava a caminho de uma reunião muito importante. Ela dirige várias instituições de caridade e, como mencionou, não podia esperar que pessoas de negócios muito ocupadas, que já estavam lhe dando seu tempo, se sentissem inclinadas a fazer uma doação generosa em dinheiro para uma instituição de caridade cuja responsável não chega pontualmente à reunião."
Quem quer que a tal Tânia fosse, Edward obviamente gostava muito dela, refletiu Bella. Ele a fazia parecer um anjo.
"Você não vai negar que foi responsável pelo acidente de Alice, espero" continuou Edward retomando ao ataque.
Bella estava começando a ficar furiosa também. Como ele ousava falar com ela assim? Teria feito isso se não a conhecesse? Teria julgado... se ela fosse uma estranha? De alguma forma, duvidava disso. Edward estava sendo injustamente crítico e cruel por causa de quem ela era, porque um dia Bella fora tola o bastante para amá-lo, e ele fora... Rapidamente, ela reprimiu os pensamentos desenfreados.
Negar que havia sido responsável? Mas ela não fora responsável. Aquilo era... No momento de abrir a boca para informá-lo vigorosamente o quanto ele estava errado, Bella se lembrou de sua conversa com Alice e da ansiedade da menininha. Imediatamente voltou a fechá-la.
"Foi um acidente" isso era tudo que ela poderia se permitir dizer.
"Um acidente causado pelo fato de que você estava dirigindo de forma perigosa, em excesso de velocidade, por uma área urbana, em um carro mais apropriado para dirigir em uma autoestrada. Ou, o que no seu caso, é mais provável, para se exibir entre seus amigos."
Bella suspirou.
"Para sua informação" começou ela, "eu comprei esse carro..." Quando ia lhe explicar por que tinha comprado o BMW, de súbito mudou de ideia. Afinal de contas, que explicações devia a ele. Nenhuma. Absolutamente nenhuma. "Comprei o carro porque eu quis... porque gostei dele. Sem dúvida, sua amiga prefere dirigir alguma coisa ecologicamente correta, modesta e econômica. Ela tem um Beetle, talvez, ou quem sabe um Morris Minor bem cuidado, que herdou de alguma tia idosa" sugeriu Bella, ácida
" A propósito... não que isso seja da sua conta, mas dirige um Jaguar. Foi parte de seu acordo de divórcio... Mas eu não estou aqui para falar de meus amigos ou de minha vida particular. Você se dá conta de que eu poderia denunciá-la para a polícia por direção perigosa, certo?"
Bella congelou de imediato, incapaz de controlar sua expressão.
"Sim, pode ficar chocada" disse Edward com raiva.
"Você não pode fazer isso" protestou ela, pensando em Alice.
"Não posso? Certamente tenho motivo para isso, embora, considerando sua atitude arrogante em relação à verdade, e ao fato de que não houve testemunhas do evento inteiro, sem dúvida você encontraria um meio de se safar."
"A minha atitude arrogante em relação à verdade? Isso é profundo vindo de você" retorquiu Bella com amargura.
"O que você quer dizer com isso?" Edward a desafiou.
Ela o encarou, tão irritada quanto ele. Afinal de contas, não podia lembrá-lo de que um dia lhe declarara seu amor, dizendo que sempre a amaria, que jamais existiria outra pessoa...
"Por que você voltou?" ele exigiu saber, abruptamente.
"Eu cresci aqui. Esta é a minha cidade natal" ela o relembrou com calma.
"Sentimentalismo. Você voltou por sentimentalismo. Meu Deus, realmente já ouvi o bastante!"
"Minhas raízes estão aqui" continuou Bella, rezando para que nada em sua voz ou em sua expressão revelasse com quanta crueldade ele a estava ferindo.
" Raízes, talvez" concordou Bella numa voz tensa. "Mas se você está esperando revisitar o passado ou ressuscitar antigos..."
"Não estou esperando fazer uma coisa dessas" interrompeu ela com veemência. "Pelo que sei, o passado está no passado e é exatamente onde pretendo que continue. Não existe nada no passado de que eu sinta falta."
"Nada nele de que sinta falta, e, com certeza, nada nele a que você algum dia tenha dado valor" murmurou Edward.
E então, para o choque de Bella, ele de repente deu um passo em sua direção.
"Edward" atordoada, ela se moveu também, mas não foi capaz de se distanciar dele o quanto tinha planejado. Não. Em vez disso, o que realmente fez foi dar um passo em direção a Edward. Um passo que a levou para a intimidade dos braços fortes, para dentro do espaço pessoal do corpo másculo. Eles estavam tão perto que Bella não apenas podia ver a linha sombreada ao longo do maxilar, onde a barba crescia, mas também tocá-la, sentir os pêlos que apontavam contra a sua palma. Exatamente como fizera tantos anos antes, na primeira vez em que eles haviam dormido juntos. Ela acordara na luz opalescente de uma manhã de verão, com eufórica consciência de que Edward estava ali ao seu lado, que ela tinha o incrível abençoado direito de simplesmente virar a cabeça e observá-lo dormir. Sabia que pertenciam um ao outro e que nada ou ninguém ia separá-los... jamais.
"Edward!"
Bella fechou os olhos. Podia sentir as batidas fortes e descontroladas de seu próprio coração agitando seu corpo como em uma convocação urgente. Era isso que a estava deixando tão fraca, tão...
"Estou lhe avisando, Bella, fique longe de mim. Fique fora de minha vida..." As palavras a atingiram vulneráveis e desprotegidas emoções. Instintivamente, ela tentou se proteger delas cruzando os braços, mas Edward já estava se virando e indo em direção à porta. "Falo sério" avisou ele ao parar para abri-la. "Fique fora de minha vida."
Ela devia estar sofrendo de algum tipo de choque, concluiu Bella, perplexa, dez minutos depois, enquanto subia a escada vagarosamente.
Ficar fora da vida dele? Edward achava mesmo que precisava avisá-la disso, que Bella não sabia que não havia lugar lá para ela? E nenhum amor...
De modo entorpecido, olhou pela janela de seu quarto e para o jardim abaixo. Daquela janela, podia ver o telhado da pequena cabana onde haviam se abrigado da chuva, e fora ali naquele quarto, se não naquela cama, que Bella havia passado horas deitada, vivenciando tola e ardentemente seus sonhos de menina com ele.
E fora lá também que passara os dias deitada depois de fazer amor com Edward, sentindo e acreditando que a realidade do ato de amor dele superava todas as suas fantasias mais sensuais.
Tinha sido para aquele quarto, para aquele santuário que Bella fora depois da briga horrível, quando Edward a desafiara a escolher entre seu amor por ele e seu dever para com o tio. E também ali ela chorara as lágrimas de alívio e felicidade quando ele lhe dissera, com remorso e arrependimento, que a última coisa que queria era magoá-la. Feri-la o machucava muito também, e, é claro, entendia sua vontade de pelo menos tentar aceitar os desejos do tio por uma questão de dever e honra.
" Eu não vou demorar muito para voltar" prometera Bella, enquanto Edward lhe segurava o rosto e as lágrimas caíam livremente sobre a mão dele. "A América não é tão longe assim, e quando eu voltar..."
"Quando você voltar, eu nunca mais vou deixá-la sair de perto de mim" dissera ele com firmeza. "Se você não fosse tão teimosa, eu não a deixaria ir agora."
"Eu tenho de ir" murmurara Bella, chorando. "Devo isso ao meu tio." Entretanto, sabia mesmo na época, que uma parte sua desejava que ele se recusasse a permitir sua partida, que, por menos plausível que pudesse ser, Edward insistisse.
"Você poderia ir comigo" ela havia sugerido. "Poderia trabalhar lá..."
"Ir com você? Como o quê?" Edward havia protestado imediatamente, acrescentando: "Sou um homem independente, Bella. Não posso viver a suas custas. Além disso, e quanto aos nossos planos de comprar o pequeno terreno que visitamos na semana passada para transformá-lo em um viveiro?"
Bella fechou os olhos, e encostou o rosto quente contra o vidro frio da janela.
"Vou esperar por você" Edward havia prometido quando ela partira, "Vou esperar por você, independentemente de quanto tempo leve..."
Mas ele não esperara. Não a amava. Não lhe dera o anel de noivado nem o filho que lhe prometera com tanta paixão, em que Bella havia acreditado sinceridade.
Oh, Deus! Edward teria adivinhado, poucos minutos antes no hall de entrada, quando ela se aproximara em vez de se afastar, o que estava passando por sua mente, por seu corpo? O quanto teria sido fácil para ela... Edward saberia que uma parte tola e ingênua de Bella chegara a pensar que ele realmente iria beijá-la, e que ela queria aquele beijo? Que a mesma parte tola e ingênua lembrava com tanta intensidade que era exatamente daquela forma que ele costumava se mover em sua direção quando...
"Não!" Bella protestou em um murmúrio de desespero. "Não, por favor, não..." Mas já era tarde demais. As lembranças já estavam voltando, inundando-a.
A primeira vez que eles haviam feito amor... Podia se recordar de maneira tão clara e intensa quanto se tivesse acontecido no dia anterior.
Eles haviam saído para passar o dia juntos. Uma outra visita ao famoso jardim... Edward, como ela descobrira na época, era um defensor entusiasmado da importância da boa estrutura para um jardim.
"Não ter uma estrutura adequada para mim é como... como... bem, imagine tentar vestir um corpo humano se todos os membros estivessem presos ao acaso, aqui e ali e por toda parte, ou se uma casa fosse projetada simplesmente adicionando um cômodo ao lado do outro."
E ele lhe mostrara livros e fizera desenhos para reforçar a ideia. Completamente apaixonada nessa época, ela reconhecia que estava prestando mais atenção no jeito como os cabelos dele se curvavam no colarinho ou lhe caíam sobre a testa do que nos desenhos que lhe eram mostrados. Mas ouvira o que Edward estava dizendo, e ficara tão impressionada e excitada quanto ele pela elegância simples dos jardins que eles iam visitar.
"Todo jardim tem o direito de ser adequadamente projetado" disse ele com entusiasmo. " E você só precisa ler um dos livros de Sir Roy Strong para entender como o conceito de um planejamento arquitetônico pode ser aplicado até mesmo ao menor jardim urbano."
Eles estavam sentados e comendo sanduíches naquele momento.
" Humm" concordara Bella, lhe sorrindo com adoração.
E então Edward largara o próprio sanduíche e tirara-lhe o dela da mão. Pegara-a nos braços e a beijara demoradamente, com incrível gentileza, antes de erguer a cabeça, fitar-lhe o olhar amoroso, e murmurar com voz rouca:
"Eu daria tudo para estar sozinho com você em algum lugar mais reservado agora." Muito devagar, ele estendeu uma das mãos e lhe percorreu o contorno dos lábios com a ponta de um dedo. "Perfeitos" sussurrou com carinho.
"Um bom planejamento arquitetônico" provocara Bella num sussurro.
"Melhor do que isso. O melhor" murmurara Edward solenemente. E o sorriso desaparecera dos olhos dele quando a ponta do dedo tocara o centro do lábio inferior de Bella, e ela pudera senti-lo começar a tremer de desejo... um desejo ao qual correspondia plenamente.
"Nós não podemos fazer isso... ficar juntos?" perguntara ela com a voz rouca.
Eles haviam conversado sobre se tornarem amantes, mas Edward lhe dissera que havia parado de procurar o esconderijo perfeito para eles. Queria ter certeza absoluta de que era isso que ela queria... que ele era quem Bella queria... e não gostaria de apressá-la.
"Nós poderíamos... Há o meu quarto." Com ousadia, ela havia oferecido sua casa novamente. Seu tio estava fora em outra viagem. O caso de apendicite do diretor de vendas se havia tornado mais complicado do que os médicos esperavam, causando uma demora na recuperação, e o tio de Bella precisava assumir as tarefas dele. Consequentemente, vinha viajando mais a negócios do que o normal.
"Não, não lá" Edward havia respondido com firmeza. "Mas se você tem certeza..."
Ele estava lhe segurando a nuca com uma das mãos, fazendo carinho. Tremendo de excitação e emoção, Bella sorrira. A expressão nos olhos de Edward fizera seu rosto esquentar... mas não com o embaraço de uma jovem virgem e inexperiente...
"Eu tenho certeza" dissera ela com segurança. "Oh, Edward, tenho tanta certeza..."
"Quero que tudo seja certo... especial" sussurrara ele com voz rouca. "Dei uma olhada nos hotéis da área, e eu poderia reservar um quarto para nós... esta noite."
"Oh, sim, sim!" exclamara ela.
Carinhosamente, Bella estendera uma das mãos e lhe tocara o rosto, sentindo o calor da pele dele sob a ponta dos dedos, os ossos firmes e os músculos abaixo. Ela podia não ter experiência, podia nunca ter tido um amante antes, mas não havia medo ou hesitação, simplesmente uma profunda certeza interior de que aquilo era certo, de que Edward era o homem certo!
Edward encontrara um hotel para eles a alguns quilômetros do jardim que tinham visitado. Pequeno e isolado, era cercado por seus próprios jardins, mas pela primeira vez, Edward não mostrava nenhum interesse em explorá-los...
" Eu... eu pensei que talvez você quisesse ver os jardins" protestara Bella, um tanto insegura, quando estavam sozinhos no quarto.
Edward meneara a cabeça, trancando a porta antes de se voltar para ela.
"Não. Agora há uma única coisa que quero fazer, um jardim que quero explorar" murmurara ele, suavemente. E Bella soubera, pelo modo como ele a observava, pelo olhar que acariciava lentamente cada parte de seu corpo, exatamente o que Edward queria dizer.
"Eu... Eu não sei o que fazer" dissera ela finalmente e com honestidade, enrubescendo e depois rindo. "Bem, eu sei. Ou pelo menos acho que sei, mas..."
"Venha aqui" pedira Edward, e, ainda rubra, Bella fora até ele.
Eles haviam se beijado antes, é claro, e se tocado intimamente, mas nunca daquela maneira, reconheceria Bella, enquanto Edward lhe beijava os lábios lentamente e repetia o gesto que fizera mais cedo. Pressionava o polegar em seu lábio inferior, mordiscando a pele macia que expusera, os braços a envolvendo com força de modo possessivo enquanto ela tremia em resposta aos toques. A língua dele lhe acariciava o interior doce da boca, explorando ritmicamente e a ensinando a fazer o mesmo.
Enquanto repetia as carícias íntimas e sensuais, Bella podia sentir o tremor que percorria o corpo de Edward a excitação sexual que o acompanhava.
Com os braços ao redor dele, ela havia se aproximado o máximo que era capaz, instintivamente roçando-se contra o corpo quente e forte, gemendo baixinho de prazer, de olhos fechados.
"Bella, Bella" ouvira Edward murmurar, enquanto as mãos másculas lhe seguravam a cintura, como se ele fosse afastá-la de si. Mas então ele parecera mudar de ideia, e deslizara as mãos para as nádegas dela, segurando-as e pressionando os próprios quadris contra o corpo receptivo de Bella.
Um tremor delicioso de prazer a fizera se arquear, e Edward, gentilmente, lhe massageara a extensão da coluna numa carícia tão terna que fez Bella abrir os olhos e fitá-lo em confusão.
"Eu não quero fazer as coisas rápido demais" Edward respondera a pergunta que ele ainda não fizera. "Esta será a nossa primeira vez, e quero... Quero torná-la perfeita para você... de todas as maneiras, Bella."
"Será perfeita" prometera ela, sabendo que era verdade, com um profundo instinto feminino que não precisava ser analisado ou questionado.
Com carinho e gentileza, Edward a havia despido, pausando para acariciar e beijar cada pedaço de pele que expunha. Mas quando chegara aos seios, Bella sentira o autocontrole dele começar a fraquejar. Enquanto Edward circulava vagarosamente um dos mamilos rijos e ruborizados com o polegar, ela soubera que não era a única que estava tremendo numa reação sensual tão violenta.
"Estas são as coisas mais lindas... você é a coisa mais perfeita que eu já vi" sussurrara Edward com a voz embargada de prazer ao pegá-la no colo e carregá-la para a enorme cama.
" Mais perfeita do que um dos jardins de Sir Roy Strong?" provocara Bella, lembrando da brincadeira que haviam compartilhado mais cedo.
Como resposta, um sorriso havia curvado os cantos de sua boca e, momentaneamente, suavizado a paixão que lhe escurecera os olhos quando brincara de volta:
"Quem é Sir Roy Strong?"
As risadas de ambos acabaram de imediato com quaisquer pequenas inibições que Bella achasse que poderia sentir, e, segundos depois, seus dedos estavam tão ocupados quanto os de Edward. Era talvez um pouco menos paciente enquanto lhe abria os botões da camisa com ansiedade fechava os olhos em prazer no momento em que finalmente revelava o peito largo e bronzeado.
Sentindo-se inundada de amor, enterrou o rosto contra o peito de Edward, fechando os olhos e inalando o aroma almiscarado, antes de delicadamente lamber-lhe o centro do peito, descobrindo o leve gosto salgado, o gosto dele.
"Bella..."
"Quero fazer isso" protestara ela. "Quero conhecer cada parte sua, Edward. Quero abraçar você, tocá-lo, sentir seu gosto. Eu quero..."
"Você não sabe o que está dizendo" ele a avisara.
Mas, subitamente sentindo-se uma mulher madura e sensual, Bella falara baixinho com seriedade:
"Oh, sim, eu sei. Quero você, Edward" dissera ela, erguendo-lhe uma das mãos e colocando-a primeiro contra seu coração, e, em seguida, contra seu sexo, acrescentando , "aqui e aqui." Então, levara a mão de Silas a sua têmpora e repetira com suavidade: "E aqui."
"Com meu coração te amo" sussurrara Edward em resposta, pegando a mão de Bella, beijando-a, antes de colocá-la contra seu peito. "Com meu corpo te venero."
Observando-lhe os olhos, ele pusera a mão dela intimamente contra seu próprio corpo. A respiração de Bella se havia tornado ofegante, seu coração pulsando com a mesma ferocidade da masculinidade que tocava. Instintivamente, o envolvera com os dedos, aprendendo e conhecendo-o com delicadeza. Edward continuava murmurando com voz grossa, erguendo-lhe uma das mãos até sua própria testa, enquanto a outra o acariciava de maneira tão feminina e amorosa.
"Com minha mente a honro, com minha alma me comprometo com voe» agora, Bella. Nada jamais quebrará o elo laço estamos formando entre nós esta noite. Nada..."
"Nada" repetira ela suavemente. Sob os dedos, podia sentir o membro viril enrijecendo ainda mais, e começando a pulsar numa exigência feroz.
"Na primeira vez em que ele a penetrara," Bella gritara. Não de dor, mas em exultação, agarrando-se a ele de forma apaixonada, recebendo-o em seu interior com um coração repleto de amor e alegria. Suas emoções tão à flor da pele, a sensação de tê-lo dentro de si, a consciência da intimidade, o amor que eles compartilhavam, o laço que estavam criando... tudo isso levara lágrimas emotivas a seus olhos.
Vendo-as, Edward imediatamente praguejara baixinho e começara a sair de dentro de Bella, acreditando que a machucara. Rapidamente, ela o tranquilizara, explicando, com a voz trêmula, que as lágrimas eram pela alegria de tê-lo dentro de seu corpo, e não de dor.
Mais tarde, ele lhe dissera que o que eles tinham vivenciado era apenas o começo do prazer que pretendia lhe dar, da intimidade especial que iriam compartilhar.
"Você é o meu jardim especial, Bella" Edward havia murmurado, enquanto acariciava seu corpo nu e quente. Meu jardim particular mais secreto, onde as flores que nos cercam são especiais, mágicas e somente para nós.
" E que, um dia, se tudo der certo, vai dar frutos" continuara Bella, enquanto deslizava as pontas dos dedos ao longo da coluna dele, deleitando-se com a sensação de estar a seu lado e poder tocá-lo. "Mas não por um longo tempo" acrescentara sonolenta. "Suponho que tio Aro não vai querer que eu tenha mais do que a licença maternidade mais básica."
" Licença maternidade?" Edward a havia estudado o corpo de repente ficando tenso enquanto ele franzia o cenho. "Sei que seu tio espera que você trabalhe na companhia depois que terminar a faculdade, mas o que aconteceu entre nós muda isso, não? Não sou machista a ponto de impedi-la de trabalhar, se é isso que você quer, mas..."
"Não é uma questão do que eu quero, Edward" dissera Bella lentamente. "Meu tio espera que eu trabalhe ao lado dele e assuma seu lugar futuramente. Isso significa tudo para ele."
"Mais do que você e a sua felicidade?" Edward a desafiara. "Ou está tentando me dizer que os negócios e seu tio significam mais para você do que eu e nossos filhos?"
"Não, é claro que não... mas eu devo tanto a ele e..."
"Mais do que deve ao nosso amor?"
Eles estavam à beira de uma briga, e os olhos de Bella se abriram com lágrimas de mágoas. Edward era incapaz de entender como as coisas eram difíceis para ela? E claro que queria ficar com ele. Como poderia não querer?
"Por favor, não vamos estragar as coisas com uma briga" ela havia suplicado. Embora Bella sentisse que ele queria continuar a discussão, Edward suspirou e dissera:
"Não, você tem razão. Este não é o momento... ou o lugar..."
"Faça amor comigo de novo, Edward" pedira ela. E não fora até muitos, muitos meses depois, que amadurecera o bastante para reconhecer quão perigosamente havia criado o hábito de usar o sexo para evitar o assunto e distrair a atenção de Edward do futuro deles. Na verdade, não havia sido até que o próprio Edward a acusasse de fazer isso que Bella fora forçada a reconhecer o que estava fazendo, e àquela altura...
"Vou amá-la para sempre. Você é tudo que eu sempre quis, tudo que eu sempre vou querer" prometera Edward na manhã seguinte, enquanto estavam aconchegados na cama, um nos braços do outro, o corpo de Bella ainda brilhante e úmido da paixão do recente ato de amor.
Mas ele não cumprira o que dissera. Edward havia quebrado a promessa, partira o coração dela e quase a destruíra.
