Oiiieeee! Apreciem o capítulo ! Só lembrando que a Alice não é fácil não! E ela vai aprontar muito mais para juntar o Edward e a Bella !!!

Boa leitura!!!

Capítulo 4

Sua primeira impressão de que a cidade não havia mudado fora errada, pensou Bella ao pôr as sacolas de supermercado sobre a mesa da cozinha.

Havia passado a tarde explorando seu antigo território antes de ir a um posto fora da cidade completar o tanque do carro e parar num supermercado para comprar comida.

O layout do centro da cidade podia ser essencialmente o mesmo, mas muitas das pequenas lojas de que ela se lembrava haviam desaparecido, sendo substituídas pelo que Bella pessoalmente considerava efeito de uma atuação exagerada de consórcios e corretoras de imóveis. Todavia, a transformação do centro da cidade em área exclusiva para pedestres, tinha de admitir, fora uma melhoria. Ela gostara particularmente do jeito como as árvores haviam sido plantadas e dos canteiros coloridos com plantas e flores de verão agrupadas de maneira artística ao redor. Com os bancos posicionados de forma estratégica, eles criavam uma atmosfera relaxada e informal no centro, que era realçada pelo fato de o clima quente de verão incentivar as pessoas a comer do lado de fora de diversos restaurantes na praça, ou em Cafés, sob os guarda-sóis que decoravam mesas e cadeiras nas calçadas. Havia sido perturbador, contudo, ler em uma pequena placa que a praça fora reprojetada por Edward, como um presente para a cidade.

Assim como o centro da cidade em si, as pessoas também tinham parecido bastante diferentes. Bella nunca fizera amigos realmente íntimos em seu tempo de estudante. O regime imposto por seu tio impedira isso, mas houvera garotas cujas companhias ela teria apreciado.

Esta noite ligaria para Rosalie, prometeu a si mesma, enquanto começava a desempacotar as compras. Seria bom ouvir uma voz amistosa. Não queria pensar nas consequências do fato de que uma das poucas vozes adultas que ouvira desde que retornara havia sido a de seu ex-namorado, e que esta não fora nada amistosa.

Uma "amiga" contara a Edward sobre o acidente, dissera ele de forma sucinta. O que exatamente isso significava? O termo "amiga" aplicado a um membro do sexo oposto podia cobrir inúmeras possibilidades. De qualquer forma, por que ela deveria se importar com quem era aquela mulher ou o que ela representava para Edward?

Removendo a jaqueta do conjunto Gucci que estava vestindo, Bella abriu a porta da geladeira.

Usar Gucci para fazer compras no supermercado talvez fosse um pouco demais, especialmente fora de Knightsbridge. E o conjunto em questão ainda era branco, e havia se destacado muito em meio do cenário colorido da estação. Mas, considerando que havia cedido aos apelos de Rosalie e comprado as roupas de grife, não podia deixá-las penduradas no guarda-roupa. Entretanto, notara os olhares estranhos que recebera de outros compradores, mulheres vestidas numa espécie de uniforme urbano: calça jeans, camisa branca e blazer azul-marinho.

Bella supunha que seus cabelos não ajudassem também, reconheceu, jogando-os para trás dos ombros. Então, pegou um prendedor do bolso e os prendeu no topo da cabeça. Usava os cabelos compridos desde que podia se lembrar. Quando adolescente, tivera vontade de cortá-los, mas pela primeira vez, seu tio e Edward haviam concordado... com seu veto, ainda que por razões muito diferentes. Seu tio costumava insistir que Bella prendesse os cabelos num coque antiquado e elegante... o tipo que ele lembrava da mãe usando... E enquanto isso, Edward... Edward sussurrara, na primeira noite que eles haviam passado juntos, que fantasiara segurar seus cabelos e deixá-los envolvê-lo, sentindo sua maciez lhe acariciar a pele.

Ela realizara aquela fantasia para ele, mesmo que tivesse enrubescido um pouco ao fazer isso na primeira vez.

Nos anos que se haviam passado desde então, Bella ainda não cortara os cabelos... aparava as pontas ocasionalmente, mas cortar mesmo, nunca... e, até vender a companhia, em obediência aos desejos de seu tio, mantivera-os presos num coque elegante.

Tinha perdido a conta de quantas vezes Rosalie tentara persuadi-la a usá-los soltos.

"Estou velha demais para cabelos compridos soltos" protestara Bella com determinação.

"Está louca?" Rosalie discutira, acrescentando: "Você viu essa nova campanha de jeans... aquela que mostra uma mulher de costas com os cabelos soltos até a cintura? Ela tem 70 anos, e está fazendo uma declaração positiva sobre como as mulheres têm o direito de se valorizar. Além disso, ela é absolutamente espetacular. Se eu tivesse os seus cabelos... espessos, ondulados... nada me faria escondê-los."

"No mundo dos negócios, dos grandes negócios, os homens vêem cabelos longos em uma mulher como sinal de fraqueza. Deve ser algum tipo de complexo de Narciso" observara Bella com ironia. "Eles olham para cabelos longos e imediatamente pensam: "Ah... ela vai passar mais tempo diante do espelho do que na frente dos números de vendas", e então esfregam as mãos de alegria pensando que vão passar a perna em você."

" Oh, sim. Deixe-me lhe dizer uma coisa, mocinha" Charlotte a corrigira depois de parar de rir: "A razão pela qual eles esfregam as mãos de alegria é porque pensam: "Uau, que mulher! Eu quero levá-la para cama"."

"Em outras palavras, cabelos compridos para eles indicam promiscuidade e fraqueza."

"Por que eu tenho a distinta impressão de que, em algum lugar, em algum momento, algum homem a magoou profundamente?" Rosalie perguntara de forma intuitiva.

Mas Bella apenas meneara a cabeça. O passado, seu passado, era algo sobre o que simplesmente não estava preparada para falar... nem mesmo com sua melhor amiga.

Uma coisa que havia notado, contudo, quando saíra, e que mexera muito com suas emoções já vulneráveis, era o número de casais fazendo compras juntos... e nem todos eram jovens. Ver os olhares ternos e amorosos que um casal trocara enquanto o homem estendia o corpo a fim de pegar alguma coisa que a mulher queria em uma prateleira mais alta... e a mulher disfarçadamente lhe acariciando a coxa enquanto isso... tinha feito Bella desviar os olhos, ciente e envergonhada do vazio emocional em sua própria vida. Não precisava ser assim. Quanto tivesse tempo para pensar, para avaliar e planejar, uma vez que se envolvesse com os projetos de caridade que pretendia estabelecer com o dinheiro de seu tio, não haveria tempo para dores e lamentações sobre o que poderia ter sido.

Era o fato de ter visto Edward que a desestabilizara daquela maneira, disse a si mesma com irritação. Vê-lo e ouvi-lo fazer aquelas acusações absurdas contra ela.

Bella ficou tensa quando ouviu a campainha tocar. Não havia motivo para pensar que fosse Edward, é claro, mas caso fosse... Forçando a si mesma a assumir a expressão que normalmente reservava para reuniões de diretoria... aquela que dizia: "Nem pense em se meter comigo"... dirigiu-se com determinação para a porta da frente e a abriu.

" Alice!" exclamou ela, surpresa. "O que você está fazendo aqui?"

"Recebi minha mesada hoje. Vim pagar a primeira prestação do dinheiro que lhe devo pelo estrago no seu carro " disse Alice. E antes que Bella pudesse falar qualquer coisa, acrescentou: "Posso entrar? Está tão quente..."

"Sim, é claro. Vou pegar algo gelado para você beber" ofereceu Bella, levando-a até a cozinha. "Você veio para cá andando?"

" Humm" murmurou Alice ao dar um grande gole no suco de laranja que Bella lhe entregara. "Humm... um suco de verdade!" exclamou, feliz. "Maravilhoso, mas é muito caro" disse seriamente. "Papai não vai comprar... ele diz que eu o desperdiço porque nunca termino o suco, e que é muito caro. Mas ele compra este suco quando Tânia vai lá." Ela fez uma careta. "Aparentemente, Tânia gosta de suco no café da manhã... não que já tenha passado a noite lá. Mas bem que ela gostaria. Tânia pensa que eu não sei qual é o jogo dela, mas eu sei... uma mulher sempre sabe" concluiu com orgulho. "Ela quer se casar de novo e quer se casar com papai. Ele seria louco se fizesse isso... ela é má." Alice fez mais uma careta expressiva. "Tânia sequer gostou das roupas novas que fiz papai comprar, e eu sei por que... não quer que nenhuma outra mulher olhe para ele."

Alice tinha escolhida as roupas de grife de Edward! Mas Bella não teve tempo de digerir aquela informação, porque Alice continuou:

"Eu tentei avisá-lo, mas papai não consegue enxergar isso. Suponho que não consiga enxergar a verdade por baixo de toda a maquiagem que Tânia usa. Ela detesta crianças, também. Foi por isso que deixou o primeiro marido. Eu sei... mas papai acha que é porque ele não queria que ela engravidasse."

Bella lhe deu um olhar cauteloso.

"Oh, tudo bem, papai não me disse isso. Ele é um ótimo pai, o melhor, mas nós não temos esse tipo de relacionamento. Ele é do tipo que mantém os pensamentos de adulto para si mesmo, mas não sou mais criança... e presto atenção nas pessoas. Tânia não é boa o suficiente para ele."

"Quantos anos você tem exatamente, Alice?" perguntou Bella com fraqueza, automaticamente enchendo mais uma vez o copo agora vazio que Alice lhe estendia.

"Dez" respondeu Alice de imediato.

Com uma mente muito mais evoluída do que os seus 10 anos, decidiu Bella. Edward tinha alguma ideia de como a filha se sentia em relação à madrasta em potencial? Pelo menos agora sabia exatamente o que a palavra "amiga" significava quando aplicada ao relacionamento de Edward com a namorada.

"Estou morrendo de fome" comentou Alice de forma triunfante, "e papai saiu para jantar fora hoje. Suponho que eu não possa..."

A autoconfiança dela era realmente extraordinária para alguém tão jovem. Talvez Bella devesse lembrá-la com firmeza da diferença de idade que existia entre as duas e aconselhá-la que não era educado se convidar na casa de outras pessoas... Mas gostava de Alice, admitiu, e mesmo se isso fosse uma fraqueza sua, simplesmente não seria capaz de abalar aquele orgulho juvenil apontando tais fatos à menina.

"Lamento não poder lhe oferecer nada para comer" respondeu em vez disso, pretendendo dizer a Alice que achava que o pai dela desaprovaria aquele tipo de contato entre as duas... e não somente porque ele obviamente considerava que ela havia atropelado Alice graças ao testemunho da "namorada". Bella decidiu manter seus pensamentos para si mesma e, em vez disso, falou: "Eu estava planejando jantar fora."

"Oh, ótimo!" Alice sorriu, dizendo francamente: "Eu também detesto cozinhar."

Bella piscou.

" Alice, eu não detesto cozinhar. É só que..."

"Há uma excelente cantina italiana que acabou de abrir na cidade, comida italiana é a minha favorita. E eu adoro os sorvetes deles."

Contrariando o bom senso, Bella sabia que estava enfraquecendo.

"Humm"... concordou. "Gosto de comida italiana, também." De mulher para mulher, elas se entreolharam. "Você está certa" Bella se ouviu dizendo, admirada com suas próprias palavras. "Por que cozinhar em casa quando se pode jantar comida italiana em algum outro lugar?"

O que ela estava pensando? O que estava fazendo?, perguntou-se dez minutos mais tarde, quando parou o carro no estacionamento no centro da cidade. O preço a pagar seria alto se Edward descobrisse, pensou de forma fatalista, franzindo um pouco o cenho, enquanto esperava que Alice saísse do carro antes de ativar o sistema de alarme.

Não havia um motivo pelo qual estava fazendo aquilo, havia? Para se aproximar de Edward? Certamente estava acima daquele tipo de manobra infantil, não estava?

"É por aqui" disse Alice, alegremente entrelaçando o braço no de Bella. "Você deveria deixar os cabelos soltos" aconselhou com seriedade, observando o reflexo das duas na vitrine de uma loja. "Os homens gostam."

"Hã-hã... uh... Eles gostam?"

Meu Deus, o que estava errado? Não deveria ser ela a agir como se estivesse confusa e sem graça, Bella censurou a si mesma.

"O propósito de ser uma mulher não é para agradar os homens ou procurar pela aprovação deles" ela explicou a Alice.

" Não, mas certamente ajuda se você quer as coisas do seu jeito" disse Alice com praticidade.

Bella lhe deu um olhar conservador.

"Seu pai foi me procurar contou ela baixinho. A... amiga dele... Tânia... viu o acidente e contou a ele."

A expressão de Alice se tornou mais séria.

"Sim, eu sei. Ele não me pôs de castigo, mas ficou bastante zangado. Papai fica zangado porque no fundo, se sente culpado por não poder estar perto de mim o tempo todo." Alice falou com uma maturidade que emocionou Bella. "Ele se preocupa comigo... eu também me preocupo com ele" admitiu inesperadamente, revelando uma vulnerabilidade comovente ao confidenciar relutante: "Não é muito divertido... não ter uma mãe. Dói muito, às vezes."

"Eu sei" concordou Bella em voz baixa.

Por um momento, elas se entreolharam. Então, Alice falou rapidamente:

"Olhe, o restaurante é aqui" chamando a atenção de Bella para a casa diante delas. "Não permita que eles nos dêem uma mesa ruim só porque somos duas mulheres sozinhas sem um homem" sussurrou Alice no momento em que elas entraram.

"Duas o quê?" Bella começou a perguntar, mas o maitre já estava se aproximando. Ciente não apenas da advertência de Alice, mas também de ser uma mentora em potencial... sem mencionar um modelo... para a menininha, Bella deveria mostrar um bom exemplo, olhou firmemente para o homem e disse: "Gostaríamos de uma mesa para dois, por favor. Aquela ali" acrescentou, apontando para a que era obviamente a "melhor" mesa deles.

Sem hesitar nem por um instante, o maitre fez uma pequena reverência para as duas e concordou:

"Muito bem, senhoras. Acompanhem-me, por favor."

"Isso foi bom" comentou Alice alegremente, quando elas estavam sentadas.

"Não" corrigiu Bella com um sorriso , "isso foi Gucci." Ela apontou a própria roupa. "Não é somente a cabelos longos que os homens são suscetíveis, sabia?" salientou graciosamente antes de pegar o menu. "Pronta para fazer o pedido?" perguntou, alguns minutos depois.

"Sim."

Erguendo uma das mãos discretamente, Bella chamou o maitre, esperando que Alice fizesse o pedido antes de fazer o seu.

" Oh, e uma taça do tinto da casa" Alice incluiu de maneira decidida.

O maitre ficou visível e seriamente impressionado, como seria natural, reparou Bella quando, bem menos surpresa deu um olhar significativo para Alice.

"Com água" acrescentou ela sem demora, obviamente sentindo o veto prestes a partir de Bella.

"Não tem problema" disse Alice na defensiva depois que o garçom se retirou. "Papai me deixa beber vinho com água... diz que é importante que eu cresça aprendendo como lidar com o álcool. Ele diz que isso evita abusos mais tarde..."

"Papai disse que você morava aqui na cidade" comentou Alice um tempo depois, enquanto saboreavam a entrada.

"Sim, é verdade" concordou Bella.

"Você o conhecia na época?"

Bella parou, a garfada que levava à boca de repente parecendo bem menos apetitosa.

"Não... acho que não" mentiu. O quanto Edward tinha contado à filha? Não a verdade. Como poderia?

"Você conheceu a minha mãe?" indagou Alice impressionando Bella com a pergunta inesperada.

"Não" respondeu com sinceridade. Pobre criança... E Alice ainda era uma criança, apesar de todas as suas atitudes maduras, independência e determinação, reconhecia Bella. Não devia ser fácil para a garotinha crescer sem saber nada da mulher que a colocara no mundo.

"Ela e papai se conheceram quando ele estava em Londres" continuou Alice, pragmática. "Acho que você não poderia conhecê-la. Não me pareço muito com ela."

"Não, você se parece com seu pai" concordou Bella. E seu coração disparou quando a porta do restaurante se abriu e o assunto da conversa delas entrou, acompanhado por uma mulher que Bella não reconheceu, mas supôs imediatamente ser a "amiga" de Edward, Tânia.

"O que foi?" perguntou Alice inocentemente.

"Seu pai acabou de entrar" disse Bella para preveni-la. Porém, para sua surpresa, em vez da reação que ela esperara, um amplo sorriso da garotinha a deixou bastante intrigada.

" Você sabia que ele viria aqui" sussurrou ela.

" Este é lugar da "moda" no momento, mas Tânia não vai ficar feliz por nós termos ficado com a melhor mesa" comentou Alice, radiante.

Não, ela com certeza não ficaria, pensou Bella, estudando a expressão zangada da mulher. E pior... provavelmente não estava furiosa apenas pelo fato de a melhor mesa estar ocupada. A presença delas... sem sombra de dúvida... tinha muito mais a ver com a raiva de Tânia.

Em qualquer outra circunstância, o olhar de condenação de Edward a teria feito se levantar e partir, refletiu Bella com tristeza. No entanto, não podia deixar Alice enfrentar a ira do pai sozinha, mesmo que ela talvez merecesse um pouquinho.

Edward vinha até a mesa delas, tendo antes dito alguma coisa a sua namorada. Esta agora estava parada, olhando cruelmente mais para Alice do que para ela, reconheceu Bella, sentindo um forte impulso protetor em relação à garotinha.

"Humm, isso está tão gostoso... Oi, papai" Alice cumprimentou o pai, virando a cabeça para lhe dar um amplo sorriso.

"Você gostaria de me explicar o que pensa que está fazendo aqui?" Edward perguntou a Bella, perigosamente calmo, ignorando o cumprimento alegre da filha.

"Demetri nos deu a melhor mesa, papai" Alice continuou tagarelando, aparentemente inconsciente tanto da tensão de Bella quanto da ira do pai. "Bella falou que foi por causa das roupas dela. São Gucci, sabe? Mas eu acho que provavelmente foi porque Demetri gostou dela. Ele gosta de ruivas" acrescentou de modo carinhoso para Bella. "Acho que é por isso que nunca dá uma mesa boa para Tânia" falou para o pai, enquanto Bella fechava os olhos e fazia uma oração, não apenas por sua própria segurança ante o ódio de Edward mas também pela de Alice. "Ele não gosta de loiras... Papai..." Ela fez uma pausa calculada antes de preencher o garfo "você acha Tânia pinta o cabelo? Eu acho, porque são de um tom tão... amarelo... O que você acha, Bella?"

Bella engoliu em seco e meneou a cabeça, incapaz de formular qualquer tipo de resposta. Estava entre ceder a um acesso de riso ante à magistral alfinetada de Alice na mulher que a menina claramente considerava uma rival... e uma consciência mais madura de sua própria situação e do quão pouco Edward apreciaria o fato de ela testemunhar os maquiavélicos estratagemas da filha dele.

"O que você está fazendo aqui, Alice?" Edward se voltou para a filha e perguntou com sua calma assustadora.

" Eu... eu... a convidei para jantar comigo" começou Bella, imediatamente defendendo a garotinha. Porém, Alice obviamente parecia não precisar de nenhuma defesa. Em vez disso, parecia gostar de enfrentar a faria do pai, fitando-o diretamente nos olhos.

" Eu convidei Bella para jantar comigo" declarou ela de modo desafiador. "Era o mínimo que eu podia fazer depois..."

"O mínimo que você podia fazer?" Meneando a cabeça, ele se virou de Alice para Bella e falou de maneira incisiva: "Primeiro, você quase mata minha filha com sua direção perigosa, e então, só Deus sabe por que meios, a convence a jantar em sua companhia. O que estava pretendendo fazer? Persuadi-la a mudar a história, caso eu de fato decidisse denunciá-la? Você a atropela e depois..."

" Não, papai... Não foi assim..." Alice afastou o prato e olhou do rosto pálido de Bella para o de Edward "Eu... Não foi culpa de Bella... Eu..." Ela engoliu em seco continuou bravamente: "Foi culpa minha."

"Sua? Mas Tânia disse..."

" Aconteceu exatamente como você me avisou que aconteceria" interrompeu Alice com determinação. "Fiz o que você me proibiu de fazer. Eu estava de patins e não pensei em parar ou olhar, e então perdi o controle e..."

" Isso é verdade?" perguntou Edward friamente a Bella.

Por um momento, Bella ficou tentada a mentir e assumir a culpa. Contudo, antes que pudesse fazê-lo, Alice estava falando novamente, tocando o braço do pai.

"Sim. É verdade, papai" murmurou ela. "Sinto... Sinto muito... Por favor, não fique zangado. Eu... fui procurar Bella porque quero pagar o estrago que fiz no carro dela com o dinheiro da minha mesada. E foi ideia minha que nós saíssemos para jantar..."

" Alice. Você conhece as regras. Deveria ter ido diretamente da escola para casa da Emily e permanecido lá esta noite."

"Eu sei, papai, mas hoje Emily disse que os tios dela iam lá para passar uns dias, e eu sabia que aconteceria um tipo de reunião familiar... Eu não queria" ela ergueu a cabeça antes de falar em tom choroso: "... eu não teria me sentido bem lá."

Enquanto a ouvia, o coração de Bella se comovia. Sob o exterior incrivelmente esperto, ela ainda era, afinal de contas, uma menininha muito vulnerável. Uma menininha que nunca conhecera o amor da mãe, que, compreensivelmente, sentia um ciúme protetor de seu lugar na vida do pai. Chegara a deixar claro que não gostava da mulher que temia se tornar sua madrasta.

"Acho que talvez seja melhor irmos embora, Alice" interferiu Bella, gentilmente tocando o braço da menina, reunindo toda a força de vontade que com frequência fora forçada a usar em suas batalhas no conselho administrativo. Assumir os modos de um "homem" nunca fora o seu estilo... havia outras formas de esclarecer um ponto, e qualquer homem, ou qualquer pessoa que pensava que ela poderia ser ameaçada ou intimidada só porque não entrava em discussão com frequência, logo descobriam o quanto estavam errados.

" Eu ainda não tomei o sorvete" Alice a lembrou de forma decisiva, mas Bella pôde ver que ela estava satisfeita por sua intervenção protetora.

"Tenho algumas frutas e sorvete em casa" disse ela, antes de se voltar para Edward e encará-lo nos olhos ao dizer: "Você tem toda a razão, eu deveria ter lhe consultado antes de sair com Alice... Foi esse o meu erro. O seu..." Ela parou e lembrou a si mesma que, com Alice como testemunha e parte interessada, não importando o maitre ou uma Tânia agora obviamente furiosa, aquele não era o momento ou o lugar para apontar onde ele havia errado ou o quanto seu julgamento fora falho.

"Posso levar Alice na casa da amiga sem problemas, mas eu gostaria que você permitisse que ela terminasse o jantar comigo."

"Oh, sim, papai. E então você vai me buscar na casa de Bella quando estiver voltando" suplicou Alice com ansiedade. "Isso seria muito melhor do que ir para casa de Emily."

"Se você quer um sorvete, vou pedir ao maitre para levar uma outra cadeira, e você pode se sentar comigo e com Tânia. Suponho que você tenha acabado sua refeição" Silas se dirigiu a Bella friamente.

"Não, não acabou. Bella não tomou o sorvete dela" disse Alice indignada, acrescentando: "Além disso, não quero ficar com você e Tânia. Você sabe que ela não gosta de mim."

" Alice" começou Edward, vermelho de raiva. No entanto, pelo que Bella podia ver, ela mesma estava mais alarmada com a fúria de Edward do que Alice.

"Ouçam, o que está acontecendo? Quando nós vamos comer?"

Os três olharam para cima quando Tânia finalmente se cansou de esperar resolveu entrar na batalha.

"Desculpe" disse Edward, com um sorriso caloroso. Mas Tânia não estava olhando para ele. Em vez disso, seu olhar estava fixo em Bella, estreitando-se com raiva enquanto lhe estudava as roupas de grife.

"Eu estava explicando a Alice que ela pode terminar a refeição conosco" Edward disse a Tania.

" O quê?! Mas você vai lá em casa depois para ver aquele vídeo do casamento de minha prima" protestou Tânia, com um olhar fulminante para Alice.

"Se eu ficar com vocês, posso tomar cappuccino no final?" Alice perguntou ao pai.

" Eu..." Edward olhava, desorientado do rosto da filha para o da namorada. Em qualquer outra circunstância, e com qualquer outro homem, Bella sabia que teria sentido compaixão. No caso de Edward, simplesmente disfarçou o sorriso e chamou a atenção de Alice.

"Lembra-se de uma história da Bíblia sobre Salomão?" perguntou, num sussurro.

"Salomão?" Alice sussurrou de volta, enquanto Edward e Tânia se afastavam um pouco da mesa para o que parecia uma conversa muito tempestuosa. "Oh, aquela em que as duas mulheres querem o bebê e Salomão ameaça cortá-lo em dois e dar metade para cada uma?"

"Essa mesmo" concordou Bell docemente. Alice franziu o cenho, e, de súbito, caiu na gargalhada quando Bella olhou na direção de Edward.

"Oh, mas papai não é um bebê."

"Não, mas ele é seu pai, e, às vezes, amar alguém significa deixar esse alguém tomar suas próprias decisões" disse Bella gentilmente.

" Mas ela não é a mulher certa para ele" insistiu Alice mas deu de ombros. "Tudo bem."

"Papai... Alice..." Bella esperou enquanto os dois tentaram falar e pararam.

"Se você tem certeza de que não se importa de dar o sorvete a Alice e mantê-la em sua casa até que eu possa apanhá-la..." Edward perguntou a Bella, parecendo distante.

" Eu não me importo de maneira alguma" respondeu ela com sinceridade, acrescentando com um sorriso para Alice: "Na verdade, será um prazer."

"Meu Deus... Lá se vai o plano de Tânia para tentar empolgar papai com a ideia de casar aproveitando o vídeo do casamento da prima" comentou Alice alguns minutos depois. Saíra do restaurante segurando um enorme pote de sorvete que o maitre, confuso, insistira em lhe dar, em um balde de gelo, para não derreter até que elas chegassem em casa.

"Eu não teria tanta certeza" Bella a avisou. " Tânia me parece uma mulher muito determinada."

"Determinada ela pode ser, mas papai é catastroficamente antiquado quanto à minha hora de dormir em dias de escola. Ele não vai para a casa de Tânia esta noite de jeito nenhum."

Bella parou de andar e se virou para estudar Alice com uma expressão incrédula.

"Você planejou tudo isso?" perguntou, atônita. Alice fez uma expressão magoada.

"Eu? Tenho 10 anos."

"Sim, mas, de alguma forma, parece muito mais velha" respondeu Bella, comovida.

Enquanto elas andavam como duas amigas em direção ao carro de Bella, Alice se permitiu relaxar.

Parte de seu plano estava funcionando. O que Bella diria, se perguntou, se ela lhe contasse que a reconhecera imediatamente no dia do acidente? ...De uma fotografia que havia encontrado na mesa de trabalho de seu pai... Edward precisava ser resgatado de Tânia, e Alice resolvera que já era hora de ter uma mãe... uma de sua própria escolha!

Olhou de lado para Bella. Por que ela mentira sobre não conhecer Edward? Ficou tentada a perguntar, mas decidiu que seria melhor não apressar as coisas... por enquanto. Honestamente, os adultos eram tão lentos... Mas era como conversara com sua amiga Emily mais cedo naquela tarde, quando alegremente lhe contara tudo sobre Bella. Às vezes, os adultos não sabiam o que era melhor para eles. Mas felizmente Alice estava lá para lhes mostrar.

O que precisava fazer agora era separar seu pai de Tânia, mas se seus planos dessem certo, como sabia que dariam, isso não seria muito difícil... Emily já sabia o que fazer!

Bella lhe deu um olhar surpreso quando Alice de repente lhe pegou a mão e lhe sorriu amplamente.

"Não adianta tentar me enrolar assim" avisou Bella, séria, acrescentando com sinceridade: "Além disso, eu não sei fazer cappuccino."

"Não, mas aposto que Tânia sabe" disse Alice. "Ela estava realmente espumando pela boca, não estava?" observou casualmente.

"Honor..." Bella começou em tom de repreensão... e estragou tudo com um acesso de riso que não foi capaz de conter.

"Bella... Um momento, por favor..."

O corpo de Bella enrijeceu em choque à voz de Edward chamando-a. Ela já havia destrancado o carro para que Alice entrasse. Vendo o pai, Alice abriu a porta e fez menção de sair.

Edward meneou a cabeça e falou:

"Fique onde está, por favor, Alice. Quero dar uma palavrinha com Bella... em particular!"

Bella não sabia qual das duas parecia mais desconfiada... ela ou Alice. O que sabia mesmo, todavia, era que estava enrubescendo tanto quanto Alice, que, depois da expressão séria do pai, fechou a porta sem qualquer protesto.

Igualmente temerosa, Bella se descobriu, se afastando do carro, acompanhando Edward para que Alice não pudesse ouvi-los. Apenas para deixar claro que, diferente de sua filhinha, ela não era alguém a quem ele pudesse dar ordens, antes que Esward lhe dissesse o que quer que o fizera sair do restaurante apressadamente, deixando Tânia de lado, Bella exigiu com frieza:

"Por favor, seja rápido, Edward. Eu ainda não tomei o meu sorvete."

"Sorvete?" Ele deu um sorriso zombeteiro. "Pelo que eu lembro, você sempre gostou mais de queijos e biscoitos e..."

Imediatamente, os olhos de Bella se incendiaram. Como ele ousava lembrá-la da intimidade que haviam compartilhado? De tudo que haviam significado um para o outro, quando...

" Foi por isso que você veio correndo atrás de nós? Para me lembrar que eu optei por sorvete em vez de queijo e biscoitos? Meus gostos mudaram Edward... assim como os seus..."

Porém, por mais duras que as palavras fossem, por algum motivo inexplicável, Bella descobriu que estava olhando para a boca de Edward e recordando,.. E uma onda de desprezo a abalou quando reconheceu do que estava se lembrando, os olhos escurecendo por si mesma.

Edward se recordara daquele sorvete que haviam compartilhado, muito tempo atrás? E, em caso positivo, se lembraria também do jeito como ele a provocara, oferecendo-lhe a última colherada e, então, quando Bella aceitara, beijando-a com o sorvete gelado na boca. Os lábios, a língua tão deliciosamente sensuais tocaram seus lábios para, quando o sorvete derretera, beijá-la com tanta paixão que praticamente a derretera?

Com o rosto queimando, Bella deu um passo atrás, se afastando. No entanto, para sua consternação, Edward imediatamente a alcançou e a deteve, uma das mãos poderosas segurando-lhe o braço num aperto de que ela sabia que seria impossível se desvencilhar.

" Bella" começou ele, a voz inesperadamente grossa e rouca, como se...

Rapidamente, ela lhe deu um olhar velado. Certamente, Edward parecia um pouco mais corado do que o normal.

Porque estava zangado? Com certeza. Não poderia estar excitado, poderia?

De modo inesperado, ele balançou a cabeça, como se tentando afastar algum pensamento indesejado. Quando falou novamente, a voz era muito mais ríspida:

" Alice tem 10 anos de idade... uma criança. Eu não a quero magoada" começou Edward em tom ameaçador.

Imediatamente, Bella se sentiu ofendida. Como ele ousava sugerir que ela poderia magoar Alice?

"Se você está querendo dizer que eu posso magoá-la" replicou, ela furiosa, "está muito enganado. Na verdade, se acredita que Alice está sendo magoada, deveria procurar a fonte da mágoa mais perto de sua casa."

Houve um momento de pausa antes que ele perguntasse, incrédulo:

"Está tentando dizer que eu posso estar magoando minha filha?" Aproveitando-se do lapso de concentração momentâneo de Edward, Bella se libertou da mão dele e começou a se virar em direção ao carro, " Bella eu não terminei" ela o ouviu dizer em tom furioso. Mas bastava... era mais do que o suficiente, se o jeito como seu corpo e seus sentidos reagiam à lembrança de um simples sorvete compartilhado tanto tempo atrás fosse alguma indicação.

"Oh, mas eu acho que sim" corrigiu ela com os dentes cerrados. Então, parou abruptamente, chocada ao descobrir que, por algum motivo, toda a atenção de Edward parecia focada em sua boca. Instintivamente, levou dedos protetores aos lábios, o corpo inteiro começando a tremer.

" Bella" ela o escutou murmurar com uma voz rouca, mas meneou a cabeça, incapaz de ouvir qualquer coisa que ele quisesse falar, quaisquer críticas desdenhosas que quisesse fazer a seu desprotegido coração.

"Vá embora, Edward" exigiu ela, tremendo. "Volte para Tânia."

E sem esperar para ver qual seria a reação dele, apressou-se em direção ao carro e abriu a porta.

"O que papai queria?" perguntou Alice, desconsertada, alguns minutos depois, quando Bella já havia saído do estacionamento.

"Uh... ele queria me dizer que você não deve tomar muito sorvete" mentiu, inventando a primeira coisa que lhe passou pela cabeça.

"Não há muita chance de que isso aconteça. Até chegarmos à sua casa, o sorvete já estará todo derretido... desaparecido" disse Alice com desgosto.

Desaparecido... como o amor dele. Bella mordiscou o lábio inferior. Sorvete... os beijos de Edward... Era engraçado o quanto as coisas mais doces podiam se estragar tão rápido...