Olá!!! Mais um capítulo chegando! Só pra avisar... Vai rolar beijo... rsrs

Boa Leitura!!!

Capítulo 5

"Já passam das 10h." Bella comentou com Alice, preocupada. "Pensei que seu pai fosse estar aqui a essa altura... Você disse que ele não a deixa dormir tarde."

"Humm... eu sei."

Alice parecia bem menos perturbada pela ausência do pai do que ela, notou Bella, o que a surpreendeu. Teria pensado que, considerando o óbvio desgosto de Alice por Tânia, a garotinha teria ficado ao menos ligeiramente ansiosa com o fato de Edward estar passando mais tempo com a mulher do que o previsto.

Talvez Tânia o tivesse convencido a levá-la para casa afinal. Uma vez lá, insistiria que ele entrasse para um licor, e, é claro, enquanto ele tomasse o licor, colocaria o vídeo "só para que ele pudesse assistir alguns minutinhos". E então, obviamente, seria necessário um pequeno passo... um passo minúsculo para aquele tipo de mulher... diminuir as luzes e encher mais uma vez o copo de Edward, insistindo que não havia motivo para que ele se apressasse, que Alice podia perder um dia de aula uma única vez...

Bella quase podia ouvir os argumentos sedutores que Tânia sussurraria no ouvido de Edward, enquanto se sentava ao seu lado no sofá e colocava uma das mãos sobre o casaco dele, para remover um fiapo de linha inexistente. Depois, deslizaria a mão para o ombro largo e lhe acariciaria a nuca, onde os cabelos acobreados se curvavam. Bella fechou os olhos. Podia se lembrar tão claramente daquela sensação... de como ela se sentira, de como a simples intimidade de tocá-lo a deixava de joelhos bambos, a fazia derreter.

"Bella, você está bem?"

"O quê? Eu..." Sentindo-se culpada, ela abriu os olhos. "Sim" mentiu, erguendo o rosto rapidamente, a fim de evitar encontrar os olhos inocentes de Alice. "Talvez devêssemos ligar para o restaurante sugeriu. Eu..."

" Não, não. Não acho que isso seria uma boa ideia" Alice negou instantaneamente. "Quer dizer... papai estava tão bravo, não estava? E..." Mas apesar do que ela falava, Bella não pôde evitar notar que Alice estava olhando para o telefone silencioso. T"alvez alguma coisa o tenha atrasado... um pneu furado ou algo assim ofereceu ela, como palavras de conforto. De que comprimento são seus cabelos?" perguntou Alice, mudando o assunto do atraso de seu pai.

" Humm..."

"Solte-os agora" pediu Alice, estendendo as mãos para tirar os grampos dos cabelos de Bella, sem se dar ao trabalho de pedir.

Suspeitando que a garotinha estava mais perturbada pelo sumiço do pai do que queria admitir, Bella cedeu.

" Oh, são adoráveis" exclamou Alice, numa admiração sincera, quando todos os grampos finalmente foram removidos. Bella pegou uma pequena escova que guardava na bolsa e passou pelas ondas suaves.

"Estão ficando longos demais. Eu realmente deveria cortá-los" disse, com tristeza.

"Oh, não, não deveria." Alice passou os dedos gentilmente pelos cabelos de Bella. Ela sentiu o coração disparar, e então quase parar. Uma vez, muito tempo atrás, uma vida inteira atrás, mesmo que parecesse ontem, Edward havia tocado em seus cabelos exatamente da mesma forma e lhe falado palavras similares.

"Não, nunca corte seus cabelos" sussurrara ele. "Eu os amo tanto... Eu a amo tanto..."

Instintivamente, ela fechou os olhos.

"O que aconteceu?" Alice quis saber. "Você parece terrivelmente triste."

Havia um grande nó na garganta de Bella.

"Eu..." começou ela, mas parou quando o telefone de repente tocou. Alice chegou ao aparelho primeiro, mas, para a surpresa de Bella, esperou que ela atendesse.

" Bella?"

Não havia engano no tom aflito da voz de Edward.

"Sim. Edward..."

"Ouça, não posso falar agora. Houve uma emergência. Estou no viveiro. A polícia me chamou. Alguém ligou e disse ter visto intrusos tentando invadir o lugar. Até agora, não encontramos sinais de ninguém, mas parece que posso ficar preso aqui por um tempo. Alice..."

" Alice está bem comigo, a menos que você queira que eu a leve para casa da amiga" Bella o assegurou o mais calmamente possível. Por que seu coração estava batendo de modo tão frenético, a pulsação acelerada, a boca seca, seu corpo inteiro reagindo ao som da voz dele? Como se...

" Não. Provavelmente é melhor que ela fique com você. Não sei quanto tempo vou demorar aqui."

— Não se preocupe _disse Bella._ Alice ficará bem aqui comigo. Quer falar com ela?

Sem esperar pela resposta de Edward, ela passou o telefone para Alice, então andou até a janela e levou as mãos ao rosto subitamente enrubescido.

O que estava acontecendo com ela? Estava reagindo como... como uma mulher apaixonada! Um tremor profundo a percorreu. Impossível. Não. De jeito nenhum. De novo não! Pela segunda vez não...

"Pela segunda vez, o quê?" perguntou Alice, curiosa.

Com olhos arregalados, Bella se virou e a fitou. Não tinha ouvido Alice recolocar o telefone no gancho, e muito menos percebido que falara em voz alta.

"Eu... Nada. Ouça, pode demorar um tempo até seu pai chegar aqui. Se você quiser ir para a cama..."

" Não. Bem, sim. Talvez seja uma boa ideia" concordou Alice. "Mas eu não tenho roupa para dormir."

" Tudo bem, você pode dormir de calcinha por hoje" respondeu Bella de forma prática.

"Não gosto muito do escuro" disse a garotinha enquanto elas subiam a escada. "Você... vai ficar comigo até que eu pegue no sono?"

Mais uma vez, Bella foi lembrada do fato de que Alice era apenas uma menininha... uma menininha sem mãe... e Bella sabia bem o que isso significava. Conhecia as lágrimas de desespero derramada no travesseiro à noite. Lágrimas por amor e pelo cuidado de uma mãe. Alice tinha seu orgulho, Bella podia ver isso, mas também podia ver que a menina era vulnerável, necessitava ser tranquilizada, como uma mãe tranquilizava uma filha.

"Sim, é claro que vou ficar" concordou ela carinhosamente, apertando-lhe a mão de leve. "Eu também não gosto muito do escuro" acrescentou.

No final, levou mais uma hora antes que Alice estivesse finalmente na cama... na cama de Bella, a única que estava arrumada, e uma vez que Alice anunciara que havia gostado mais do quarto de Bella do que de todos os outros.

"Porque tem o seu cheiro" dissera ela de modo incrivelmente encantador.

Quem podia resistir àquele tipo de persuasão? E, pela segunda vez, Bella se lembrara, em seu íntimo de ouvir o pai de Alice fazer um comentário similar, embora num contexto totalmente distinto... Aquilo era íntimo e pessoal demais para ela recordar na presença de qualquer pessoa, quanto mais na da filhinha de Edward.

"Por que não? Por que você não quer que eu faça isso?" ele lhe perguntara com uma voz rouca quando ela tentara empurrá-lo na primeira vez em que Edward abaixara a cabeça para a parte mais íntima de seu corpo.

"Porque... porque..." De maneira desajeitada, ela se esforçara a explicar o quanto se sentia chocada e excitada com o pensamento de ser acariciada de forma tão íntima, de ter os lábios, a boca, os beijos dele na parte mais delicada de seu corpo. "Simplesmente não parece certo" murmurara trêmula, por fim. "Quer dizer, isso é..." Numa súplica, erguera o olhar para ele. "Edward, eu não... isso é..."

"É só uma outra maneira de lhe mostrar o quanto eu a amo" declarara Edward gentilmente. "Se você não quer, então eu não faço, mas quero apreciar seu cheiro e seu gosto... sua essência, Bella. Sei o que você está pensando, como está se sentindo, mas prometo que vai ser bom."

" Parece tão... Isso me deixa tão... tão nervosa e com medo, e tão... excitada ao mesmo tempo" confessara ela.

" Eu me sinto da mesma forma" dissera Edward numa voz profunda. Até mesmo com mais intensidade. "Vai permitir que eu faça, Bella? Prometo parar se você quiser. É só que..." Ele parara e lhe fitara os olhos profundamente, fazendo seu coração bater violento.

"Quero torná-la minha de todas as maneiras que existem. Conhecê-la completamente, amá-la completamente."

E então, quando ele finalmente a deitara ternamente na cama, inclinando a cabeça sobre seu corpo, fazendo-a sentir a ponta da língua passear pelo centro da feminilidade, Bella desejou que Edward não parasse nunca mais. Gemera freneticamente de puro prazer, todos os pensamentos racionais desaparecendo enquanto se entregava àquela intimidade maravilhosa...

" Bella."

Com um susto, ela voltou ao presente.

"Esta é uma cama muito grande, não é?" Alice falou baixinho. "Você sempre dorme numa cama grande assim?"

"Geralmente."

"Deve ser uma sensação solitária. Você nunca quis se casar, ter filhos?"

" Já passa das 11h" Bella a avisou, fugindo da questão, sabendo que a única resposta honesta que poderia dar não era adequada à filha de 10 anos do homem que quisera como marido.

"Fique comigo" sussurrou Alice novamente, sua pequena mão saindo de baixo das cobertas para segurar a de Bella.

Observando-a dez minutos depois, deitada ao seu lado, Bella sentiu uma onda de amor tão forte que a pequena mão de Alice parecia tocar seu coração.

" Pare com isso" censurou a si mesma com seriedade. "Não ouse começar a sonhar com isso. Não ouse!"

Muito cuidadosamente, Bella removeu o braço de sob o corpo adormecido de Alice. Estava dolorido e tinha começado a formigar. Desconcertada, todavia, descobriu, enquanto saía da cama, que sentia falta do calor e peso do corpinho de Alice.

A consciência de que provavelmente nunca se casaria e teria filhos era algo que havia reprimido nos últimos anos. Ter um filho, ou filhos, e criá-lo sozinha jamais fora uma opção para ela. Sua própria infância lhe dera uma boa ideia da necessidade de uma criança se sentir segura e, para Bella, o tipo de segurança pela qual ela ansiara tanto quando criança vinha de ser criada por pai e mãe.

Nos primeiros anos após ter se separado de Edward, toda vez que via um casal jovem com uma criança pequena, sentia apenas sofrimento e inveja.

Outra mulher, uma mulher diferente, descobrindo que o homem que amava, o homem que prometera sempre amá-la, havia se casado com outra, poderia ter endurecido o coração. Poderia ter derrotado suas próprias emoções e se forçado a encontrar outra pessoa, construir uma vida nova com um novo homem, mas Bella nunca fora capaz de fazer isso. Em primeiro lugar, os negócios não lhe deixavam tempo para formar novos relacionamentos, e, em segundo lugar... Em segundo lugar, por um longo tempo, havia se sentido tão magoada e traída, tão convencida de que Edward era o único homem que poderia amar, que simplesmente não tentara.

Mas jamais superara a sensação de perda, a pequena pontada de inveja pelas mulheres que possuíam o que ela não possuía: um homem para amar e filhos.

Mas agora, sentia que estava madura demais para se render a tais sentimentos.

"Que bobagem!" Rosalie lhe dissera recentemente quando o assunto surgira e Bella lhe contara isso. "Para começar, você tem apenas 30 e poucos anos. Além disso, mulheres com 40 anos ou mais estão dando a luz ao primeiro filho hoje em dia. Você nem pode mais me dizer que não tem tempo, e que os negócios exigem demais, já que agora não tem mais os negócios."

"Também não tenho um parceiro" Bella se sentira inclinada a apontar.

" O que poderia ser facilmente remediado" dissera Rosalie com firmeza. "E você sabe disso."

" Talvez eu simplesmente não seja do tipo maternal." Bella dera de ombros, ansiosa para mudar de assunto.

"Pare com isso" repreendera Rosalie. "Você sabe que meus dois filhos a adoram."

E ela os amava, reconhecia Bella, enquanto ia para a porta do quarto na ponta dos pés. Mas alguma coisa em Alice havia tocado seu coração e verdadeiramente abalando seu equilíbrio emocional.

Porque ela era filha de Edward?

Quando muito, isso deveria torná-la ressentida e fazê-la desgostar da garota, e não... Era muito claro que Tânia não se sentia nem um pouco maternal em relação à futura enteada. Era de Alice que ela não gostava, ou simplesmente se ressentia do fato de a menina ser a evidência física de que Edward havia amado outra mulher? Tânia com certeza não lhe parecera emocionalmente insegura.

Quando Bella abriu a porta do quarto, Alice se moveu em seu sono e murmurou alguma coisa. Prendendo a respiração, Bella esperou até ter certeza de que ela dormira novamente, deixando a porta do quarto aberta e a luz do corredor acesa. Então, desceu a escada rapidamente.

Já passava da meia-noite. Quanto tempo mais Edward demoraria?

Sua jaqueta estava sobre a cadeira onde a deixara. Automaticamente, ela a pegou e dobrou, alisando o tecido macio. Seu tio teria desaprovado a total falta de praticidade da compra de roupas brancas de tecido luxuoso e delicado. Roupas para ele precisavam simplesmente ser práticas. Bella ainda se lembrava do quanto ficara surpresa e excitada quando andava ao lado de Edward um dia e ele a parará em frente a uma vitrine, apontando um vestido e murmurando ternamente:

"Isso ficaria bonito em você."

O vestido era preto, sem mangas, o tecido de seda estampado com flores femininas, completamente diferente do que ela costumava usar: jeans impecável e camisas pregueadas, roupas sem graça, compradas sob a supervisão da governanta escocesa de 60 anos de seu tio.

" Oh, Edward, é adorável! exclamara , "mas... é bonito demais para mim."

"Nada pode ser bonito demais para você" Edward retornou suavemente, acrescentando com voz rouca: "Talvez não seja bonito o suficiente."

"Oh, Edward" sussurrara ela, enrubescendo.

"Oh, Bella" ele a provocara. Porém, alguns dias depois, quando chegara, levando-lhe o vestido de presente, a expressão nos olhos... Quando a persuadira a experimentar o vestido, ela enrubescera por uma razão muito diferente.

Bella havia protestado, é claro, dizendo que ele não deveria ter lhe comprado algo tão pessoal ou tão caro.

"Por que não?" perguntara ele. "Você é a mulher que eu amo, a mulher com quem vou me casar."

Ela era tão jovem e tão ingênua na época, presumindo que, mesmo como esposa de Edward, teria de aceitar os desejos de seu tio e assumir o lugar dele nos negócios. Sabia também, é claro, que Edward não estava feliz com o silêncio que Bella decidira manter sobre o assunto, acreditando que tudo daria certo. Ele certamente passaria a respeitar seu ponto de vista. Eles eram jovens e apaixonados, afinal. Como alguma coisa tão mundana quanto uma obrigação familiar poderia interferir naquele relacionamento? Ela deveria estar cega de amor e felicidade para não ver que Edward ainda veria seu papel como futura esposa de uma perspectiva muito diferente da sua própria.

Pela janela da sala, Bella viu os faróis de um carro se aproximando da casa. Edward! Só podia ser.

Ela abriu a porta da frente, pondo os dedos sobre os lábios, a fim de avisá-lo que Alice estava dormindo.

Ele parecia cansado, reconheceu ela, com linhas profundas no rosto, e uma evidente tensão no modo como se movia enquanto entrava na casa. Por motivos inexplicáveis, aqueles indícios de que ele não era mais um jovem de 20 anos lhe aumentavam os atrativos masculinos, em vez de diminuí-los. O coração de Bella disparou enquanto a adrenalina a tomava, como uma perigosa onda de emoção por suas veias.

"Estava tudo bem no viveiro" perguntou ela, tremendo, enquanto ele a seguia até a cozinha.

Era melhor não olhar para ele. Ainda não. Não até que tivesse recobrado todo o seu controle. Não que aquela sensação tão familiar em seu corpo significasse qualquer coisa, é claro. Simplesmente não... não... Bem... Não queria que Edward olhasse para seu rosto e reconhecesse qualquer coisa que lhe pudesse ser familiar.

"Bem, não há nenhum sinal de que o viveiro foi invadido," respondeu Edward, cansado. "Chequei e re-chequei o local e o sistema de alarme, e tudo parece em ordem. Mas a polícia diz que definitivamente recebeu um aviso de que o lugar estava sendo invadido, e isso sempre nos deixa preocupados. Você conhece esse tipo de coisa... um alarme falso é dado, e então, quando todos tiverem esquecido a confusão... Nós temos muitas mudas valiosas lá no momento, além de estátuas antigas de jardim todas para serem entregues a um de meus clientes. Estão no seguro, mas..." Ele mudou de assunto: "Obrigado por cuidar de Alice para mim."

Edward parou e fez uma careta quando seu estômago vazio roncou em protesto.

"Você está com fome." Bella o encarou. "Gostaria de comer alguma coisa?"

Ele começou a menear a cabeça... e parou no instante em que seu estômago protestou de novo, mais alto desta vez.

" Não é nada demais" Bella o avisou, sem esperar que ele recusasse. "Somente patê e pão francês."

Enquanto se ocupava na geladeira, ela o ouviu gemer atrás de si.

"Parece maravilhoso" disse Edward, admitindo: "Estou faminto. Não almocei hoje."

"Mas você jantou" começou Bella enquanto pegava o patê e uma salada na geladeira , e costumava gostar muito de comida italiana.

"Você também. Lembra quando eu fui a Nova York para vê-la e você me levou a todos os restaurantes italianos que tinha descoberto?"

Bella o olhou.

" Sim" concordou, com voz a rouca. "Eu lembro."

Tinha sido uma visita muito breve... um pacote econômico que Edward conseguira, com estadia para apenas duas noites. Sua visita fora uma surpresa no aniversário dela.

Bella havia chorado de alegria quando ele chegara, e chorado novamente... de tristeza... quando ele partira. Mas aquelas lágrimas não tinham nada a ver com as que derramara no dia em que lera sobre o casamento de Edward com outra pessoa.

"Infelizmente, Tânia não gosta tanto de comida italiana quanto eu, e, além disso... Bem, nós deixamos o restaurante logo depois de vocês... a polícia ligou para mim antes que pudéssemos fazer o pedido."

"Não é nada demais" repetiu Bella quando pôs o patê a salada que acabara de temperar sobre a mesa e foi cortar o pão.

"Nada demais?! Isso é maravilhoso, um manjar dos deuses" disse Edward fervorosamente.

"Cappuccino?" ofereceu, estudando-o, no momento em que lhe entregou a cestinha de pão.

Eles sempre costumavam brincar sobre o fato de Edward adorar cappuccino. Ela não precisava se perguntar como Alice tinha aprendido a gostar da mesma coisa.

" Humm... este patê está muito bom. Você o comprou por aqui?" perguntou Edward.

Meneando a cabeça, Bella se virou de costas. Apesar do que Alice havia suposto, ela era, na verdade, uma boa cozinheira autodidata.

" Eu mesma fiz" falou com sinceridade, e, pelo modo como Edward olhou do prato para sua calça branca nada prático, mas pôde adivinhar que ele estava pensando. "Não usando isto" acrescentou com um leve sarcasmo.

Ele tinha quase acabado de comer, e começou a franzir o cenho novamente.

"É melhor eu subir e pegar Alice" disse Edward. "Sinto por você ter precisado ficar com ela hoje... E um dos probleminhas de ser um pai solteiro..."

" Sim. Deve ter sido muito difícil para você perder sua esposa" Bella se forçou a falar.

"Nem de perto tão difícil quanto foi para ela perder a própria vida, ou para Alice perder a mãe" confessou ele duramente, antes de acrescentar com a mesma rigidez, enquanto olhava para os dedos sem anéis de Bella. "Obviamente, você nunca se casou."

"Não" concordou ela, com frieza. "Os negócios..." começou, mas Edward não lhe permitiu terminar, interrompendo-a em tom áspero:

"Não me conte. Eu sei, lembra?"

Edward começou a se levantar quando ela ia tirar o prato da mesa, seus cabelos acidentalmente caindo para a frente e roçando o rosto dele no momento em que ambos se moveram ao mesmo tempo.

Imediatamente, Bella ficou tensa, erguendo uma das mãos para afastar os cabelos do rosto, mas Edward, já em pé àquela altura, fez o movimento antes. A sensação dos dedos dele em seus cabelos era tão familiar, tão íntima, que ela instintivamente fechou os olhos.

" Bella" ouviu Esward murmurar, e então, no instante seguinte, estava nos braços fortes. Ele a beijava com sede, paixão e raiva, esmagando suas defesas e fazendo-a corresponder de imediato. Bella sentiu como se tivesse voltado no tempo como se fosse uma garota novamente, como se eles fossem um casal, um par. Estar nos braços dele era a coisa mais natural do mundo. Nada era mais natural para ela do que sentir o que estava sentindo naquele momento, nada era mais natural do que querer o que queria.

Sob a boca e mãos de Edward, o corpo dela se libertou das restrições que se impusera com tanta firmeza. Ele era seu novamente, e ela era de Edward. Seu para que pudesse tocá-lo, deslizando as pontas dos dedos pelo espaço que milagrosamente encontrara entre os botões da camisa, sentindo a familiar pele sólida e quente. Sem perceber o que estava fazendo, abriu um dos botões que a estava impedindo de tocá-lo do jeito que queria.

Sob a boca de Edward, emitiu um pequeno som de triunfo e prazer por ser capaz de abrir as mãos sobre o peito dele, sem nada para bloquear a exploração sensual da pele nua.

Era tão bom tocá-lo, senti-lo, tão maravilhosamente familiar... Ele possuía até o mesmo gosto que ela se recordava. Por instinto, Bella se pressionou mais contra ele, tremendo em puro deleite quando sentiu as mãos de Edward deslizarem para lhe segurar o traseiro, erguendo-a de leve para encaixá-la em seu corpo.

Bella podia sentir a avidez, o desejo intenso no modo como ele a tocava, deslizando as mãos por todo seu corpo enquanto a beijava com uma paixão cada vez maior. O som da respiração ofegante de ambos, farfalhar das mãos tocando as roupas, o sussurro sedoso de pele contra pele...

"Faz tanto tempo" sussurrou Bella, emocionada, entre os beijos. "Eu o quis..."

Eu o quis tanto, ela estava prestes a dizer. Mas, de súbito, ficou tensa. Ouviu a porta do banheiro se abrir no andar de cima. Esward devia ter ouvido também, porque imediatamente a liberou, dizendo:

" Isso não deveria ter acontecido. Culpa da frustração da noite."

"A frustração?" As mãos de Bella estavam tremendo tanto que ela teve de escondê-las enquanto voltava à realidade com uma sensação nauseante.

O que Edward estava lhe dizendo? Que fora a frustração sexual dele por ter deixado Tânia que o fizera beijá-la?

Por um momento, pensou que realmente fosse vomitar. Uma dor, como facas afiadas, estava esmagando suas emoções. Edward não estivera pensando nela de maneira alguma. Toda aquela paixão, todo aquele desejo que sentira nele, não tinha sido por ela. Como uma idiota completa, estivera realmente prestes a lhe dizer, a revelar...

Virando-se de modo que ele não pudesse ver seu rosto, ela disse baixinho:

" Alice obviamente está acordada."

"Vou subir e pegá-la" anunciou Edward, brevemente. "Obrigado por cuidar dela por mim."

"Eu não fiz isso por você" disse Bella, com raiva. "Fiz por ela."

Ainda não podia se arriscar a virar. E se... E se, o quê? E se Edward adivinhasse o quê ela estava pensando... sentindo... querendo? A pena dele era algo que não poderia suportar. O desprezo e a rejeição já seriam difíceis o bastante... quase tão difíceis quanto saber que, pela segunda vez, ele a rejeitava em favor de outra mulher, informando-a que simplesmente não a queria. Mas se Bella o olhasse agora e visse pena nos olhos dele...

Rapidamente, ela se dirigiu para a porta da cozinha.

" Eu vou lhe mostrar em que quarto Alice está" disse, sem olhá-lo.

Alice já estava de volta na cama quando Bella abriu a porta do quarto. No momento em que viu o pai, sorriu de forma triunfante.

"Posso ficar aqui com Bella esta noite?" pediu.

"Não, não pode" negou Edward com determinação, suavizando sua negação ao dizer: " Tenho certeza que Bella está muito ocupada..."

"Isso não é verdade, é, Bella?" apelou Alice. Bella hesitou. "O que poderia dizer?"

"Talvez uma outra vez" ofereceu ela, enquanto Edward pegava as roupas da filha e parava, esperando determinadamente.

A casa pareceu vazia depois que eles saíram.

Oh... Como ela pudera ser tão estúpida? Reagir de forma exagerada só porque... Não era de se admirar que Edward achasse necessário deixar claro que não havia nada de pessoal nos beijos que lhe dera. Ela podia sentir o rubor de humilhação e dor. Quando estava arrumando a cozinha, um pequeno item no chão lhe chamou a atenção. Franzindo o cenho, abaixou-se para pegar. Era um botão... um botão de uma camisa de homem. Seu rosto esquentou ainda mais. Deveria tê-lo arrancado quando... Rapidamente, Bella engoliu em seco. Jamais fora movida por sua sexualidade, e, mesmo na época em que era amante de Edward, sempre fora a parte mais passiva. Não se lembrava de ter rasgado a camisa dele antes. Com raiva, levou as mãos ao rosto agora vermelho. A última coisa de que precisava era que Edward pensasse que ela gostava dele... que ainda o queria, que era tola o bastante para ainda se sentir magoada pelo modo como ele a tratara.

Daquele momento em diante, quando eles se encontrassem... se eles se encontrassem... deixaria muito claro que os beijos daquela noite tinham sido algo tão pouco desejado ou saboreado por ela quanto haviam sido por ele!