Oiiii!!! Mais um capítulo pra vcs!!! Comentemmm!!! Quero saber o que estão achando!!!
Boa Leitura!!!
Capítulo 6
"Papai."
"Humm" olhou para a filha ao seu lado no carro.
"Quando Bella morou aqui antes, vocês eram amigos?"
"O que a faz perguntar isso?" questionou ele com seriedade.
"Nada." Alice sorriu, erguendo a cabeça para olhá-lo.
"Então, vocês eram?"
" Não" replicou Edward brevemente.
"Foi isso que ela disse." Ele franziu o cenho "Mas ela é muito bonita, não é?" continuou Alice, alegremente. " Demetri com certeza achou."
" Muito" concordou ele, cerrando os dentes. Quando mais jovem, Bella possuíra uma beleza doce e natural. Mas... como mulher... havia amadurecido e se tornado alguém cuja sutil sensualidade...
As plantas favoritas de Edward eram sempre aquelas que requeriam um pouco de conhecimento, cujos atrativos não eram necessariamente visíveis à primeira vista. Nunca gostara de flores extravagantes ou óbvias, e Bella... Bem, depois de beijá-la poucos minutos antes, ele fora tomado pela lembrança de certa noite que eles haviam passado juntos no calor do pequeno apartamento dela em Nova York. Durante o ato de amor, Bella o envolvera com as pernas e...
Esta noite, observando o jeito como ela se movia naquela roupa branca sedosa, e sob ela pernas igualmente sedosas e femininas...
"Eu gosto muito de Bella, e ela vai ser minha amiga" Alice o informou. "Posso convidá-la para tomar um chá em casa amanhã?"
"O quê? Não, não pode. Você tem escola pela manhã, e lição de casa."
"Não, não tenho. Não haverá aula amanhã... eu falei semana passada."
" O quê?!" Edward a olhou e gemeu. " Alice, por que você não me lembrou disso mais cedo? Tenho uma reunião de manhã, não posso cancelar."
"Você deveria ter me deixado ficar na casa de Bella" disse Alice, de um ponto de vista prático. "Agora, terá de ligar para ela e pedir que cuide de mim amanhã cedo."
" O quê?! De jeito nenhum. E quanto a Emily?"
" Não." Alice meneou a cabeça com firmeza. "Os tios dela estão hospedados lá, lembra?"
Edward gemeu novamente.
Quando Alice era bebê, ele havia empregado uma sucessão de babás por período integral para cuidar de sua filha sempre que ele saía. Também a levara para o trabalho quando podia. Mas, agora que Alice crescera, a situação estava mais complicada. Para começar, ela era extremamente independente e muita boa em conseguir as coisas de seu próprio jeito. Encontrar a pessoa certa... alguém firme o bastante para que Alice respeitasse, mas jovem o suficiente para não ser restrita demais, estava se provando incrivelmente difícil. Sue ajudava quando ele podia liberá-la do viveiro, mas eles estavam ocupados demais no momento para que ela ficasse longe das plantas o dia todo.
Sua última empregada fora embora após Edward deixar muito claro que a contratara para cuidar das necessidades de Alice e não das dele. Desde então, vinha confiando numa série de arranjos aleatórios, se virando como podia e aceitando a ajuda de bons amigos.
Se não estivesse tão ocupado com os negócios, poderia ter posto um anúncio e contratado alguém de forma mais permanente, porém...
" Imagino que Tânia tenha ficado muito zangada quando você teve de sair para ir ao viveiro" comentou Alice.
Edward lhe deu um olhar cauteloso.
"Só um pouquinho" concordou.
A verdade era que Tânia havia ficado furiosa. Ela não era uma mulher particularmente maternal. Na verdade, os dois filhos que tinha viviam com o pai e sua nova companheira. Edward sabia muito bem que o objetivo de Tânia era se casar com ele, mas ser a madrasta de Alice era a última coisa que queria.
Ela era uma mulher que, como lhe contara abertamente, possuía uma sexualidade muito forte. Até agora, apesar de todo o encorajamento que Tânia lhe dava, Edward vinha mantendo o relacionamento deles em bases puramente platônicas. Talvez fosse antiquado para os tempos modernos, mas sexo por sexo era algo que não lhe agradava. Nunca lhe agradara, motivo pelo qual...
Edward olhou mais uma vez para os cabelos cobres de sua filha como sempre, toda vez em que pensava na mãe de Alice, era preenchido com um misto de culpa e arrependimento.
Nenhum dos dois imaginara, quando Sarah concebera Alice, que dar à luz a um bebê resultaria na morte de Sarah. Se eles tivessem...
Havia sido Sarah a sugerir que eles interrompessem a gravidez... afinal de contas, nenhum dos dois estava pensando em ter filhos quando Alice fora concebida... Mas Edward a convencera a ir em frente com aquilo.
" Não tenho condições de criar um bebê" dissera ela freneticamente.
" Eu tenho" replicara Edward.
Uma semana depois, eles haviam se casado, e, aproximadamente sete meses depois, Alice nascera.
Quarenta e oito horas após dar a luz, Sarah estava morta, apesar de tudo que os médicos haviam feito para tentar salvá-la. Nada fora capaz de deter a grande hemorragia que lhe tirara a vida, e, no final, os médicos disseram a Edward que não havia nada que pudessem fazer. O corpo de Sarah estava debilitado demais para sobreviver a uma cirurgia de emergência.
Ela falecera sem sequer ver Alice.
Naqueles primeiros anos, não tinha sido fácil para Edward se tornar totalmente responsável por uma garotinha sem mãe. Seus próprios pais já estavam aposentados e vivendo no exterior. Ele estava determinado a uma vez que agora era o "pai solteiro" de Alice, se envolveria na vida dela e ser o mais presente possível.
Então, havia aprendido a trocar fraldas sem se acovardar, a balançá-la para fazê-la dormir e a interpretar corretamente todos os significados dos diferentes choros de bebê. Mas então, assim que dominara todas aquelas complexidades, Alice havia encontrado novas maneiras de desafiar suas habilidades de pai. E jamais deixara de fazê-lo, admitiu Edward dez minutos depois, enquanto a conduzia para o quarto. Ele fora recém-decorado em seu último aniversário, quando Alice anunciara que a decoração de "Barbie" que pedira aos 6 anos, era muito infantil para uma garota com sua nova maturidade.
Agora, o quarto resplandecia com todas as coisas necessárias a uma fã ardorosa da última "banda de garotas" da moda.
"Eu realmente gosto de Bella" disse Alice, sonolenta, quando ele a pôs na cama. " Eu gostaria..."
" Durma" disse Edward.
Ele havia chegado à porta e estava prestes a apagar a luz quando ela o chamou.
" Papai."
"Sim." Edward esperou. Alice se sentou ereta na cama e o olhou com seriedade.
"Você sabe, não sabe, que estou chegando a uma idade em que preciso ter uma mulher com quem conversar?" Edward não se deixou enganar. Alice, como ele bem sabia, era capaz de passar a perna em uma mulher quatro vezes mais velha... Era capaz e, de maneira exasperante, o fazia com frequência. "Você entende o que quero dizer" enfatizou ela. "Há coisas que preciso saber... coisas de menina."
Edward lhe deu um olhar cético. Ele e Alice tinham um relacionamento aberto e honesto. Nenhum assunto era tabu entre os dois, e ele presumira que, quando chegasse o momento de falar do amadurecimento dela como mulher e sobre sexualidade, eles poderiam lidar com aquilo juntos. Aparentemente, sua filha tinha outras ideias.
" Durma" aconselhou ele, pensativamente, antes de apagar a luz e descer.
Desejava também poder ir para a cama, mas precisava trabalhar em uma papelada. A empresa de paisagismo, que havia construído do nada, havia prosperado. Após dois anos, ganhara boas críticas dos juízes do Chelsea Flower Show, e estava agora atolado, com encomendas para os próximos 18 meses.
Somando-se a isso o viveiro, não era de se admirar que estivesse encontrando dificuldade para lidar com tantos compromissos ao mesmo tempo.
Quando Bella deixara claro que assumir a empresa do tio significava mais para ela do que estar com ele, Edward sofrerá mais do que gostava de pensar... Aquilo o magoara e quase o destruíra. Não que fosse arrogante a ponto de para pensar que uma mulher, sua mulher, não deveria ter uma carreira ou dirigir a própria vida. Apenas presumira que... Presumira que o relacionamento deles, o amor que compartilhavam, significava tanto para Bella quanto para ele, e que...
Todavia, estivera dolorosamente errado.
"Dê-me tempo" ela lhe suplicara na época. E porque a amava demais, Edwad lhe dera tempo.
"Preciso ir para Nova York" dissera ela. "Mas eu voltarei... Isso não é para sempre, e haverá as férias." Contudo, muitos meses se passaram sem que Bella voltasse, e, no fim, ele fora a Nova York para vê-la. Escassas 48 horas tinha sido todo o tempo que passaram juntos... tudo pelo que Edward tivera condições de pagar, e só conseguira isso porque trabalhara alguns dias numa agência de turismo."
" Não me faça esperar muito tempo" implorara ele.
"Por favor, entenda" Bella lhe pedira.
Finalmente, chegando ao limite de seu orgulho e de seu amor, ele lhe dera um ultimato.
"Venha para casa. Precisamos conversar", Edward havia escrito. Mas Bella ignorara sua carta... e quando ele telefonara para o apartamento dela, uma estranha voz masculina havia atendido, alegando não saber onde ela estava.
Ele não voltara a ligar. Então, quatro semanas depois, conhecera Sarah, e o resto, como diziam, era história.
O jornal local publicara diversos artigos sobre o tio de Bella cinco anos antes, na época de seu falecimento. Ele fora afinal de contas, provavelmente o habitante mais rico e bem-sucedido da cidade. Mas Edward nunca esperara que Bella voltasse, mesmo após a morte do tio.
Se não fosse pelo incidente com Alice e seus patins, duvidava que eles até mesmo tivessem se visto. E Edward desejava com fervor que isso não tivesse acontecido. Aquela noite havia ressuscitado muitas lembranças dolorosas. Irritado, voltou os pensamentos ao presente.
Precisava achar alguém para ficar com Alice no dia seguinte. Mas quem? Esgotara seu crédito com suas "babás" normais. Se o pior acontecesse, teria de levá-la consigo para o viveiro e pedir que Sue ficasse de olho nela.
Edward gemeu. Às vezes, sua filha o fazia se sentir mais velho do que Matusalém. Outras, a maturidade de Alice o deixava estupefato e apreensivo.
Mais cedo naquela noite, entrando no restaurante e vendo-a lá com Bella, ele sentira um misto de emoções confusas e poderosas. No momento em que as duas o olharam com expressões idênticas de arrogância e rejeição, ele sentira... Mal-humorado, passou uma das mãos pelos cabelos. Elas certamente formavam um time formidável.
Um time... Oh, não. Não! Não! De jeito nenhum!
Edward olhou para Alice com uma expressão interrogativa quando entrou na cozinha e ela estava recolocando o telefone no gancho. Ela parecia invejavelmente renovada e alerta, considerando a hora em que fora para a cama na noite anterior.
"Acabei de falar com Bella" contou a Edward com um ar de mulher adulta enquanto se servia de cereais. " E ela disse que pode ficar comigo hoje. Já combinamos que ela vem me buscar às 10h."
Edward abriu a boca, e então voltou a fechá-la, indo preparar uma xícara de café para si mesmo. Esperou até pôr a água ferve sobre os grãos de café antes de confiar em si mesmo para falar.
" Corrija-me se eu estiver errado, Alice" começou ele, de maneira agradável , "mas pensei que eu fosse o adulto desta casa. E, como tal, eu deveria tomar as decisões por aqui."
"Eu sabia que provavelmente você não teria tempo de me levar na casa de Bella" alegou Alice vitoriosa. "Foi por isso que pedi a ela para vir me buscar aqui."
" Alice!" Edward exclamou, e praguejou baixinho quando o telefone tocou.
Enquanto ele falava ao telefone, Alice fez uma retirada estratégica para seu quarto.
O telefone tocou novamente, e Edward deu um gole rápido em seu café, agora frio. Muito em breve, teria uma conversa séria com Alice... uma conversa muito séria.
Alice esperou seu pai sair, deixando-a temporariamente aos cuidados da faxineira, antes de dar seu segundo telefonema da manhã.
" Sou eu" anunciou ela quando ouviu a voz de sua amiga Emily do outro lado da linha. "Adivinhe o quê."
"Está dando certo?" perguntou Emily animada. "Seu pai... eles..."
"Os dois estão fingindo que mal se conhecem" Alice contou para sua amiga. "Eu não disse a eles que achei aquela fotografia. Consegui que Bella me levasse para jantar ontem à noite, como nós combinamos... no mesmo lugar aonde papai ia levar Tânia. Você devia ter visto a cara dela..."
" De Bella? Ela parece que ainda o ama? Seu pai..."
" Não, não Bella" Alice a interrompeu. "Você devia ter visto a cara de Tânia... ela estava furiosa."
"Aposto que ela não ficou muito feliz mais tarde também, quando seu pai recebeu aquele telefonema sobre o viveiro sendo invadido." Emily riu.
"Humm... isso deu muito certo. Diga ao seu primo que eu pagarei o que lhe devo assim que receber minha mesada. Não posso ficar muito tempo ao telefone. Bella vem me apanhai às 10h para passarmos o dia juntas. Quando ela chegar aqui, vamos formar um tipo de elo feminino."
" O que é isso?" perguntou Emily, incerta.
"Não tenho certeza, li isso numa revista. Acho que é quando as mulheres se sentam e falam sobre bebês e coisas assim" disse Alice.
"Oh. Eu preferia falar sobre meninos" Emily a informou. "Você tem certeza de que seu pai ainda está apaixonado por ela?"
"Tenho. Ontem à noite eles se beijaram" Alice a informou de modo orgulhoso.
" O quê? Você os viu?"
"Não, mas papai estava com batom na boca.":
" Pode ter sido o de Tânia..."
"Não. Tânia usa batom vermelho. Aquele era cor-de-rosa."
"Mas se eles realmente se amam como você diz, como ele se casou com sua mãe?"
"Eu não sei. Suponho que eles devem ter deixado de se amar por alguns anos. Pense. Se eu não tivesse achado aquela fotografia, nunca teria descoberto que papai e Bella se conheciam antes. Não vejo a hora de eles se casarem."
"Você vai ser uma das damas de honra?" perguntou Emily com ansiedade.
"Eu serei a dama de honra" respondeu Alice com firmeza, inconsciente do leve toque de ansiedade na sua própria voz.
"Eles irão fazer uma daquelas viagens de lua-de-mel e deixar você em casa" Emily a avisou, retaliando o comentário de Alice sobre ser "a" dama de honra, e destruindo suas próprias esperanças de entrar na igreja ao lado de sua amiga em uma nuvem de tule cor-de-rosa. Apesar das alfinetadas e artimanhas de Alice, Emily ainda guardava uma ternura pela época em que as duas costumavam brincar de Barbie.
"Meu tio deixou Charlie em casa quando ele se casou."
"Não, eles não vão fazer isso" disse Alice, acrescentando: "Bella jamais permitiria que papai me abandonasse. Ela é a pessoa certa para papai" disse, com um sorriso feliz. "Eu pude ver isso no momento em que a conheci."
Emily sabia, por experiência própria, quando a mente de sua amiga estava em outras coisas.
"Peguei um vídeo novo" disse ela. "Podemos assisti-lo juntas no sábado."
"Talvez" Alice se esquivou. "Eu posso não estar muito bem."
" Não estar muito bem? O que você quer dizer?" Emily quis saber.
" Espere e veja" respondeu Alice misteriosamente, antes de acrescentar com rapidez: " Bella acabou de chegar. Preciso ir."
" Papai me pediu para lhe agradecer muito por ficar comigo hoje" disse Alice a Bella em um tom sério quando ela lhe abriu a porta da frente. "Ele falou que está muito, muito grato a você, e que não poderia pensar numa pessoa em que confiasse mais para cuidar de mim."
Bella piscou. Havia ficado surpresa ao receber um telefonema de Alice, perguntando se podia passar o dia com ela, porque não tinha escola e Edward precisava fazer alguma coisa importante. Depois do que acontecera entre eles na noite anterior, teria pensado que seria a última pessoa que Edward quereria perto de sua filha... e perto dele.
Que tipo de pai era ele exatamente, se podia confiar tão facilmente sua filha a uma mulher de quem nem mesmo fingia gostar?, perguntou-se de maneira crítica quando Alice saiu para pegar o casaco.
Pensativamente, esperou pelo retorno de Alice.
" Seu pai sabe mesmo que você vai passar o dia comigo, não sabe?" questionou ela, secamente.
Alice lhe deu um olhar magoado.
"E claro que sabe. Pode ligar para o celular dele, se quiser."
" Não, tudo bem" disse Bella, adicionando paliativamente: "Não estou acostumada a cuidar de crianças... jovens... O que você gostaria de fazer?"
" Você pode me levar para fazer compras?" pediu Alice. "Não tenho roupas bonitas" confidenciou. "Papai não é muito bom em comprar coisas para mim." Ela olhou para seu próprio jeans e camiseta e disse: "Acho que às vezes ele esquece que sou menina."
Alice não poderia ter dito nada que tocasse mais o coração de Bella, reconheceu ela. Também sofrerá com uma ideia errada do tipo de roupa adequado a uma garotinha.
Mesmo assim...
" Seu pai" começou ela, insegura, mas Alice meneou a cabeça.
" Papai não vai se importar" respondeu a menina, animadamente. " Ficará satisfeito. Ele detesta me levar para fazer compras. Na verdade..." Com uma pausa, olhou para Bella, estudando-a, perguntando-se o quanto deveria tentar sua sorte. Não muito, se aquela pergunta astuta que Bella lhe fizera mais cedo fosse alguma indicação. " Bem, vem comentando que teria de encontrar alguém... uma mulher... para me levar às compras." Alice lhe deu um olhar de súplica.
" Tânia não poderia..." começou Bella com cautela.
Mas Alice imediatamente meneou a cabeça e fez uma careta, antes de informá-la:
"Tânia não gosta de mim... Acho que se ela... se ela um dia se casar com meu pai, tentará me mandar embora."
O olhar de horror que Bella lhe deu tranquilizou Alice. Tudo daria certo. Bella seria uma mãe perfeita para ela.
Antes de receber o telefonema de Alice, Bella tinha planejado passar o dia trabalhando. Após algumas horas com a criança, começava a se perguntar se trabalhar não teria sido uma melhor opção.
Elas estavam numa famosa loja de roupas, no setor de pré-adolescentes. Bella esperava do lado de fora do provador enquanto Alice experimentava as roupas que havia escolhido.
" E eu pensei que ter adolescentes fosse ruim" uma mulher parada ao de Bella reclamou. " Minha mais nova" ela gesticulou com a cabeça em direção a um dos provadores "não está falando com o pai, porque ele se recusa a deixá-la colocar um piercing no umbigo. Vai fazer 11 anos na semana que vem. Até agora, as únicas roupas que ela diz que vai usar são aquelas que certamente causarão um acesso de nervos no pai, e devo admitir que ele tem razão. É claro, todas nós sabemos que os pais não gostam de ver suas garotinhas crescendo, mas..."
" Bella, o que você acha?" perguntou Alice, subitamente emergindo do vestiário numa blusa curtinha e justa, que se colava adoravelmente seus seios ainda retos, e uma calça de lycra num misto de cores tão berrantes que fez os olhos de Bella arderem.
"E... Eu não acho que seu pai vá gostar muito" começou Bella.
Mas foi convencida quando Alice a informou alegremente:
"Não, não acho que ele vá gostar, mas você logo será capaz de convencê-lo."
Ela podia convencê-lo do contrário? Bella abriu a boca, então a fechou novamente.
" Alice" começou ela, mas Alice já estava desaparecendo no provador.
Mais três horas se passaram antes que Alice se declarasse razoavelmente satisfeita com as suas compras, dizendo que estava com fome e sugerindo que fossem ao McDonalds mais próximo.
Elas estavam acomodadas a uma mesa quando Alice fez a pergunta mais íntima que já fizera a Bella:
"Você já se apaixonou?" Bella pôs seu café sobre a mesa.
" Uma vez" admitiu baixinho, depois de alguns longos segundos. " Muitos anos atrás."
" O que aconteceu?" perguntou Alice, curiosa.
Bella a observou. O que diabos estava fazendo? Aquele não era um assunto para uma conversa com uma menina de 10 anos, mesmo quando a menina era filha do homem ela amara... Não. Especialmente quando a garotinha de 10 anos era filha do homem que amara, corrigiu-se rapidamente. Entretanto, para sua consternação, ouviu a si mesma dizendo com uma voz emocionada:
" Ele... ele se casou com uma outra pessoa."
" Talvez tenha se casado com outra porque pensou que você tivesse parado de amá-lo" disse Alice sem demora. "Talvez ele ainda a ame" acrescentou com ansiedade.
Bella franziu o cenho. Era definitivamente hora de mudar de assunto.
" São 4h30 da tarde" murmurou ela. " Que horas seu pai falou que voltaria?"
A reunião de Edward tinha acabado um pouco mais cedo do que ele imaginara, e, precisando de gasolina, foi ao posto fora da cidade, e ao grande supermercado onde normalmente fazia compras.
A mãe de Emily estava se dirigindo ao caixa com um carrinho carregado quando ele entrou. Sorrindo, ela perguntou:
" Sua tia gostou de ver Alice? Emily ficou desapontada por ela não ter podido ficar conosco."
Edward franziu o cenho.
" Perdão?" começou... e então refletiu. O que exatamente estava acontecendo? Alice dissera a ele que não podia ficar na casa de Emily porque a família de sua amiga estava de visita. No entanto, o que a mãe de Emily acabava de dizer dava a impressão de que Alice tivera o compromisso familiar.
" Oh, e obrigada pelo convite para jantar na próxima semana. Nós adoraríamos ir."
"O convite para jantar? Na semana seguinte?..." Sua filha, pensou, irritado, tinha sérias explicações a dar.
Eram cinco horas quando Bella finalmente parou na garagem da casa de Edward. Felizmente o carro dele não estava lá, mas ela sabia que não poderia escapar até que ele voltasse para cuidar da filha. Além disso, Alice não estava se sentindo muito bem.
"Meu estômago está doendo" reclamou ela para Bella.
"Não estou surpresa. Você tomou dois milkshakes" Bella a relembrou.
"Não é esse tipo de dor" devolveu Alice rapidamente. "É o tipo de dor que você sente quando está triste e... e solitária."
Uma vez dentro da casa, contudo, Alice de repente se lembrou de alguma coisa que precisava fazer do lado de fora.
" Fique aqui" disse ela, abrindo a porta da cozinha. "Eu não vou demorar."
A cozinha era generosamente proporcionada e confortável. Bella podia ver uma cesta sobre uma máquina de secar roupas e uma pilha de roupas limpas ao lado, como se alguém as tivesse tirado da máquina e não tivesse tido tempo de dobrá-las. Automaticamente, aproximou-se das roupas e começou a fazê-lo. As roupas de baixo de Alice, o uniforme de escola e...
Seus dedos ficaram tensos quando ela pegou uma cueca macia, branca e de estilo moderno. Tremia tanto que quase a derrubou. Rapidamente, largou-a, como se o tecido a tivesse queimado. Ouviu Alice voltando.
" Eu comprei essa cueca para papai de Natal" contou a menina, pegando a peça que Bella largara. " Estou aprendendo a cozinhar na escola. Você deveria dar jantares e convidar as pessoas."
Bella a olhou.
"Jantares?" perguntou cautelosamente.
" Humm... A mãe de Emily faz jantares o tempo todo. Papai estava dizendo a semana passada o quanto se sente envergonhado, porque quer convidá-los para jantar aqui mas não tem ninguém para ajudá-lo. Quer dizer, ele sabe cozinhar, mas são as outras coisas, entende?" Alice perguntou seriamente. "As flores e os... arranjos. Tânia diz que essas coisas são muito importantes."
Os arranjos. Bella mordiscou o lábio inferior para se manter séria. Não poderia rir e magoar os sentimentos de Alice. A última vez em que ouvira alguém se referir à importância de arranjos tinha sido num tedioso jantar diplomático em Washington.
" Sim" concordou ela. " Bem, tenho certeza de que Tânia ficaria feliz em ser anfitriã para seu pai."
" Ela não pode" replicou Alice imediatamente. "A mãe de Emily não gosta dela... Talvez você possa fazer isso sugeriu."
Os olhos de Bella se arregalaram.
" Eu? Mas..."
" Não sei se você cozinha bem, mas eu poderia ajudar." Bella automaticamente continuou dobrando as roupas. Então, parou e se virou para Alice.
" Alice" começou ela gentilmente. "Eu não acho..."
" Papai chegou. Acabo de ouvir o carro" interrompeu Alice, acrescentando de modo apressado: "Não comente nada sobre o jantar. Papai não gosta que as pessoas pensem que ele não sabe fazer coisas."
Do lado de fora da cozinha, Edward hesitou. Apenas a visão do BMW de Bella havia feito seu coração disparar. Qual era o problema? Não tinha aprendido a lição na primeira vez? Onze anos antes, Bella o rejeitara em favor dos negócios do tio, e ele seria um tolo se permitisse a si mesmo esquecer tal fato.
No entanto, o que viu quando finalmente abriu a porta o fez cerrar os punhos. Bella e Alice estavam paradas na área de serviço, conversando, sua filha segurando a ponta de um lençol enquanto Bella o dobrava.
" Papai sempre diz que é perda de tempo passá-los, porque ninguém além de nós os vê."
Ninguém! O coração de Bella bateu mais forte. Aquilo significava que Tânia e ele não... Ou Edward apenas escolhia ser discreto e não compartilhar uma cama com sua amante na mesma casa onde sua filha dormia?
" Papai!" exclamou Alice, soltando o lençol no momento em que viu o pai e atravessando a cozinha para abraçá-lo com um amor tão evidente que Bella se sentiu profundamente emocionada.
Observando os dois, pensou como era óbvio, não somente o fato de Alice ser filha de Edward, como também o quanto eles se amavam. Não havia nada de falso ou artificial no jeito como Edward abraçava a filha.
"Obrigado por ter ajudado" murmurou ele para Bella, formalmente. " Eu..."
" Papai, Bella me levou para fazer compras. Só espere para ver o que nós compramos. Eu disse a ela que você pagaria" Alice se apressou em falar, " mas ela mesmo assim não me deixou comprar tudo que eu queria. Havia uma blusa e uma calça de lycra..." continuou de maneira entusiasmada, explicando como era o conjunto chamativo, antes de adicionar: "Mas Bella não achou que aquelas cores combinavam comigo."
Sobre a cabeça da filha, Edward encontrou os olhos de Bella. " Obrigado," balbuciou ele silenciosamente, então voltou a atenção para Alice e falou com seriedade.
" Aposto que ela estava certa."
" Bem, foi o que pensei, porque as roupas de Bella são tão lindas" concordou Alice. "Você não acha que ela está sedutora nesse conjunto, papai?"
Sedutora...
Bella pôde sentir o rosto começar a esquentar quando dois pares de olhos idênticos estudaram seu corpo vestido em Donna-Karan.
" Ela certamente parece muito... elegante... e bem-sucedida" murmurou Edward baixinho. Mas, de alguma forma, em vez de soarem como um elogio, as palavras soaram mais como uma condenação, reconheceu Bella com tristeza.
" Eu estava dizendo a Bella o quanto você quer oferecer um jantar" Alice continuou tagarelando, aparentemente alheia à tensão crescente entre os dois adultos silenciosos. " Ela falou que adoraria vir ajudar, e que isso irá ajudá-la a conhecer pessoas também, não é?"
" Alice..."
Quando os dois falaram ao mesmo tempo, Bella e Edward se entreolharam.
" Agora vocês dois estão zangados comigo..."
Lágrimas brilharam nos olhos magoados de Alice, enquanto seu lábio inferior tremia e ela desviava o olhar.
Bella foi imediatamente tomada por uma onda de culpa. Devido à sua própria sensação de embaraço e ao medo de que Edward pensasse que ela estava deliberadamente tentando invadir sua vida de novo, havia magoado Alice.
Edward parecia menos preocupado, mas ainda estava franzindo o cenho.
" Este jantar" começou ele, ignorando os olhos lacrimejantes da filha " ...não seria o mesmo ao qual a mãe de Emily me informou que adoraria vir quando nos encontramos no supermercado mais cedo, seria, Alice?"
Alice lhe deu um sorriso alegre.
" Oh, eles podem vir?! Ótimo. A mãe de Emily é uma cozinheira maravilhosa" contou ela a Bella " e..."
" Alice!" exclamou Edward em tom ameaçador. Rapidamente, Bella pegou sua bolsa.
" Acho melhor eu ir" anunciou ela, baixinho.
" Ir? Oh, não, ainda não. Eu quero que você fique para jantar" suplicou Alice.
" Sinto muito, mas não posso. Eu... tenho outro compromisso" mentiu Bella.
Os olhos de Alice se arregalaram.
" Mas esta tarde você disse que ia ficar em casa de noite" murmurou Alice, confusa.
" Eu acompanho você até lá fora" disse Edward, dando um olhar sério para a filha.
" Obrigado mais uma vez por ter cuidado de Alice" disse ele de maneira formal enquanto a acompanhava até o carro.
Bella não ousaria olhá-lo, mas, de repente, ele passou por ela e examinou as rodas do carro.
" Seu pneu dianteiro furado" Edward a informou. Não podendo acreditar, Bella olhou para seu carro.
" Eu... eu tenho um estepe" disse, mas ele estava meneando a cabeça.
" Não vai adiantar muito. O de trás também está furado. Ambos estão com pregos" contou ele. — Você deve ter passado por cima eles.
" Sim, pode ser" concordou ela, meneando a cabeça. " Mas não imagino onde. Se eu puder usar seu telefone para chamar um borracheiro..."
" Você pode, mas duvido que eles sejam capazes de consertá-los antes de amanhã cedo" disse ele secamente. " É mais provável que as borracharias por aqui estejam todas fechadas." Sentindo-se desamparada, Bella estudou seu carro. Como havia conseguido passar por cima de dois pregos... e onde? Certamente não percebera, e não se lembrava de passar por algum lugar onde houvesse pregos soltos pelo chão.
" Vamos entrar de novo. Conheço o mecânico local. Vou ligar para ele" sugeriu Edward.
Silenciosamente, Bella o seguiu para dentro da casa.
Observando-os da janela da sala, Alice cruzava os dedos secretamente. Até agora, o plano para uni-los estava funcionando muito bem. Contudo, tinha sido um trabalho duro colocar aqueles pregos nos pneus... muito mais duro do que havia esperado.
"Você não pode fazer isso" Emily tinha protestado, os olhos arregalados com um misto de choque e excitação quando lhe contara o que planejava.
" Espere e verá" Alice a desafiara, a temeridade ofuscando toda a culpa pelo que ia fazer.
Bella esperou na cozinha com Alice, enquanto Edward ia ao escritório ligar para o mecânico. Quando voltou, seu semblante era sério.
— Eles não podem vir até amanhã. Lamento, mas você terá de passar a noite aqui.
Bella abriu a boca para protestar e dizer que, se ele não podia levá-la para casa, ela pegaria um táxi. Mas então, por alguma razão inadmissível e perigosa, descobriu-se incapaz de fazê-lo.
" Oh, ótimo, agora nós podemos jogar Scrabble, e você pode dormir no meu quarto" Alice estava falando, animadamente.
" Bella pode dormir no quarto de hóspedes" reprovou Edward com autoridade. " E quanto a jogar Scrabble..."
Bella sorriu. Alice havia lhe contado mais cedo naquele dia o quanto gostava do jogo.
" Eu adoraria jogar com ela" interrompeu Bella. " Sempre foi um dos meus jogos favoritos."
" Sim. Eu... também gosto" concordou Edward.
Com o coração batendo descompassado, Bella se perguntou se a leve hesitação na voz dele fora sua imaginação. Edward estivera prestes a dizer, como ela sentira momentaneamente, que se lembrava do quanto eles costumavam jogar juntos?
Era ridículo sentir uma felicidade tão grande com tal pensamento.
" Ainda não consigo entender como arrumei aqueles pregos nos pneus" comentou Bella, meneando a cabeça.
Eles tinham acabado de tirar a mesa após o jantar, e Alice subira para pegar o Scrabble.
" De onde eles vieram não importa agora" apontou Edward.
" O dano está feito."
" Humm..."
" Mais vinho?" ofereceu Edward, tirando a garrafa ainda pela metade da mesa da cozinha.
No instante em que ia recusar, Bella mudou de ideia. Que mal aquilo podia fazer, afinal? E, uma vez que não ia dirigir... Eles haviam jantado um frango simples com legumes, preparado por Edward com a assistência errática de Alice.
Todavia, Bella ficara tocada quando Alice insistira em levá-la ao jardim para pegarem algumas flores para pôr sobre a mesa.
" Papai, quando você for dar aquele jantar, nós teremos de usar a sala de jantar" ela disse ao pai enquanto eles comiam. " Eu vou lhe mostrar a sala de jantar depois, Bella. Você precisará saber onde tudo fica."
" Alice" começou Edward, "eu não acho..."
Mas Alice se recusou a ouvi-lo. Em vez disso, virou-se para Bella e perguntou calorosamente:
" Você vai ajudar, não vai, Bella? Por favor!" antes de dizer ao pai: " Você não entende. Detesto quando na escola os outros falam de festas que as mães dão. Posso sentir que todos estão com pena de mim. Sei que talvez Bella não saiba cozinhar, mas nós podemos fazer um jantar tão bom aqui quanto eles fazem."
Depois de uma explosão tão apaixonada, o que mais Bella podia fazer senão engolir seus próprios sentimentos e ceder? Para Edward, ela suspeitava, devia estar sendo igualmente difícil... talvez ainda mais difícil, se o olhar intrigado no rosto dele fosse alguma indicação.
" Você não podia ter convidado a mãe e pai de Emily, independentemente das circunstâncias..." Pausando, Edward meneou a cabeça, cresceu com severidade: " Não podia mesmo. Mas já que convidou, concordo que não podemos contar a verdade para a mãe de Emily. Mas" ele olhou para Bella, " por favor, você não precisa se sentir obrigada a se envolver."
" Eu ficaria feliz em ajudar" respondeu ela, fitando-lhe os olhos diretamente quando disse baixinho: " Eu sei como Alice se sente, mas, é claro, se houver outra pessoa que você prefira que aja como sua anfitriã..."
Ela esperou. Ele lhe diria que, por direito, Tânia deveria cuidar dos preparativos daquele jantar? E se dissesse? Por que isso deveria preocupá-la?
" Não. Não há ninguém" negou ele, antes de acrescentar: " Além disso, suspeito que esse jantar será de Alice, não meu..."
" Você pode escolher o vinho, papai" Alice o informou num tom de voz gentil. " Isso é trabalho de homem. O que vamos fazer sobre a comida?" perguntou para Bella, sem conter a excitação.
" Vamos pensar em alguma coisa" prometeu Bella, enquanto revia mentalmente qual de seus pratos favoritos devia servir.
Em Londres, não tivera muito tempo para oferecer jantares, mas os poucos que fizera tinham sido ocasiões que apreciara muito.
Boa comida, bom vinho e bons amigos... acima de tudo bons amigos... eram a receita do melhor tipo de entretenimento. Mas não conhecia os amigos de Edward, e a situação provavelmente seria desconfortável e estranha. Ele estava sendo educado sobre isso agora, assim como fora educado sobre o acidente com os pneus, e o fato de ter sido forçado a lhe convidar para passar a noite. Mas ambos sabiam como Edward realmente se sentia em relação a ela.
Rapidamente, Bella pegou o vinho e deu um grande gole, fazendo uma careta quando o líquido queimou sua garganta.
" Você sempre foi fraca com bebida" comentou Edward, observando-a.
Silenciosamente, eles se entreolharam por um longo momento.
" Isso foi dez anos atrás" Bella finalmente conseguiu murmurar com voz rouca. "Meus gostos mudaram desde então."
" Aqui está."
Os dois olharam quando Alice entrou na cozinha, carregando o jogo de tabuleiro.
A Alice não é fácil não!!! Quando ela quer algo não tem como ninguém impedir!!! Só fico rindo das tramóias dela! Se preparem porque o próximo capítulo está pegando fogo literalmente... Até!
