Capítulo cheio de revelações!
Boa Leitura!!!!
Capítulo 7
" Certo, hora de ir para a cama."
Oh, papai, só mais uma partida" protestou Alice, mas Edward já estava meneando a cabeça.
"Você disse isso da última vez" ele a relembrou com seriedade.
Diplomaticamente, Bella se ocupou em arrumar as letras do jogo e guardar tudo no lugar. Alice não precisara ser poupada durante o jogo, e os derrotara não uma, mas duas vezes. Talvez porque, no caso de Bella, sua concentração estivesse mais nas palavras que Alice tinha formado do que em superá-las, admitiu olhando para o tabuleiro.
Amor... Discórdia... Briga... Mamãe... Certamente sua reação diante daquelas palavras tinha sido exagerada. Afinal, Alice não sabia sobre o passado deles.
Subitamente apressada, Bella desmanchou as palavras e fechou o tabuleiro.
" Você vai subir para me dar boa-noite, não vai?" implorou Alice, acrescentando com determinação: " Quero que vocês dois subam... juntos."
Bella não foi capaz de olhar para Edward. Em vez disso, se ocupou lavando as xícaras de café enquanto Edward levava a filha para o andar de cima.
Estava prestes a retirar as taças de vinho quando ele voltou.
" Não. Deixe essas" disse Edward. " Talvez possamos terminar a garrafa."
" Vou subir para desejar boa-noite a Alice" murmurou ela.
Ficar sozinha enquanto Edward subia com Alice lhe dera muito tempo para pensar, para lembrar... para se lamentar.
Se as coisas tivessem sido diferentes, Alice poderia ter sido sua filha. Se as coisas tivessem sido diferentes... Se Edward não a tivesse rejeitado... Se... Se... Mas de que adiantava pensar sobre o que poderia ter sido? Isso não trazia nada de bom a um coração sofrido e solitário. Um coração que ainda batia ridiculamente descompassado por um homem que o machucara tanto.
Alice estava deitada de costas debaixo das cobertas, os cabelos espalhados no travesseiro. Bella se inclinou para beijá-la e automaticamente lhe afastou os cabelos do rosto.
" Gosto muito de você, Bella" disse Alice suavemente. " Eu gostaria que você pudesse ficar sempre aqui conosco."
Lágrimas inundaram os olhos de Bella. Não era totalmente ingênua, e sabia muito bem que Alice era capaz de usar de certa chantagem emocional para conseguir o que queria. Mas pela primeira vez, não havia dúvidas quanto à emoção real na voz da garotinha. A emoção real e a verdadeira necessidade, reconheceu Bella.
Alice estava procurando, se não por uma mãe, por uma mentora, um modelo, uma mulher com quem pudesse formar um elo verdadeiro. Ninguém sabia melhor que Bella como era entrar na pré-adolescência sem uma influência feminina em sua vida, pensou. Era uma das situações mais isoladas e solitárias do mundo... quase tão solitário e doloroso quanto perder o homem a quem entregara o coração.
Seu tio, apesar de ter cuidado de seu bem-estar material, jamais dera atenção às necessidades emocionais de uma garotinha. Bella se lembrava, com sofrimento, a forma como, quando adolescente, havia tentado desesperadamente se aproximar da mãe de uma colega de escola. E então, quando isso fora desencorajado de modo gentil pela mulher em questão, ela se voltara para uma das professoras. Porém, ambas as mulheres, embora fossem gentis e carinhosas, tinham suas próprias famílias e suas próprias vidas, e o distanciamento delas fizera Bella se sentir ainda mais solitária do que antes. E não somente solitária, mas ciente de que havia sido colocada gentilmente a distância.
Alice, ela suspeitava, embora sob a superfície fosse uma garota diferente do que Bella havia sido, estava passando por uma fase similar. Não havia dúvida quanto ao amor de Edward pela filha, nem quanto a sua preocupação paternal com ela. Ele era, Bella podia ver, um pai ativamente envolvido na vida da filha, mas Alice estava deixando claro que queria a influência de uma mulher em sua vida, juntamente com a de seu pai.
" Você vai passar a noite aqui, não vai?" sussurrou Alice, apertando a mão de Bella. " Quero que você esteja aqui quando eu acordar pela manhã."
" Estarei aqui" prometeu Bella.
" Gosto mais de seus cabelos quando estão soltos" disse Alice, sonolenta. " Você fica... mais bonita. Emily, minha amiga, tem dois irmãos e muitos e muitos primos..." Os olhos dela se fecharam. Muito gentilmente, Bella se abaixou para beijá-la.
Com toda aquela aparência de independência, por dentro ela ainda era uma garotinha. A garotinha de Edward.
Em silêncio, Bella se levantou e se dirigiu à porta do quarto.
Sozinho na cozinha, Edward se permitiu relaxar pela primeira vez desde que havia chegado em casa. Não sabia que tipo de jogo Alice estava fazendo ao convencer Bella a ajudar no bendito jantar, e o único motivo pelo qual não a repreendera por causa disso fora a consciência de que sua filha estava em um estágio sensível e delicado de seu desenvolvimento. Seu orgulho florescente e seu senso de identidade podiam ser facilmente feridos. Teria de conversar com Alice sobre isso, é claro, e explicar que ela colocara Bella numa posição embaraçosa e desconfortável.
Havia sido difícil adivinhar como Bella realmente se sentia quanto à situação. Ela desenvolvera uma calma desconcertante e uma maturidade feminina que, com muita eficiência, traçava uma linha que ninguém tinha permissão de atravessar. E ele, no entanto, sabia bem como iria se sentir, sentado à frente dela na mesa de jantar enquanto Bella agisse como sua anfitriã. Seria um inferno, uma noite sofrida e cheia de pensamentos sobre o que "poderia ter sido", tudo porque sua filha querida queria se equiparar às colegas de escola.
Bem, ele não poderia culpá-la. Isso fazia parte do crescimento. Alice estava se preparando para entrar na adolescência, e estava deixando claro que queria uma mulher em sua vida, alguém em quem pudesse se espelhar.
Edward tinha, em certo estágio, imaginado se Tânia poderia fazer tal papel, mas as duas nunca se aceitariam.
Se Bella fosse qualquer outra pessoa, ele suspeitava que estaria agradecendo ao destino por tê-la colocado em seu caminho. Era totalmente óbvio como Alice se sentia em relação a ela... e não somente pela maneira determinada como estava se aproximando de Bella. Sendo honesto consigo mesmo, sempre tentava ser, sem o passado para lançar sua sombra de infelicidade... Sabia muito bem que, se tivesse encontrado Bella pela primeira vez agora, teria ficado instantaneamente atraído por ela.
Bella ainda possuía, apesar da vida que havia levado, um ar de feminilidade gentil e suave, uma aura de força feminina natural, com compaixão e amor.
Edward achava difícil imaginá-la como a presidente de uma empresa multimilionária, tomando decisões baseadas puramente em lucros, e sem nenhuma emoção. Não que duvidasse das habilidades dela, mas, mesmo agora, sentia algo em Bella que o fazia querer tomar conta dela e protegê-la.
Protegê-la?! Estava louco? Ela tivera toda a proteção necessária em seus bens materiais, que havia escolhido em vez do amor deles.
" É o meu dever, eu devo isso ao meu tio" ela lhe dissera com tristeza quando permitira que o tio os separasse e a enviasse para Nova York, mas aquelas haviam sido palavras que Edward não quisera ouvir.
Na noite anterior, segurando-a em seus braços, beijando-a... Ela voltara havia menos de uma semana e já... Ele não cometeria o mesmo erro que cometera um dia. Desta vez, manteria a guarda...
Edward soubera, é claro, dos planos do tio dela para o futuro de Bella, e do modo como o tio deliberadamente encorajara e usara o senso de dever da sobrinha em benefício próprio.
Uma das primeiras coisas que decidira quando se vira viúvo e pai de uma menininha foi que nunca manipularia os sentimentos de sua filha nem a faria sentir em débito com ele por nada: Não faria o que testemunhara o tio de Bella fazendo.
Mas, ingenuamente, talvez, havia presumido que Bella compartilhava de seus sentimentos, sua crença de que os dois teriam um futuro juntos.
" Você me ama?" perguntara ele, e ela assentira timidamente com um gesto de cabeça.
Bella o amara um dia ou...
" Eu voltarei logo de Nova York, e então nós poderemos ficar juntos" prometera ela.
E Edward havia acreditado que aquilo significava que ela o amava e compartilhava seu sonho de abrirem um negócio juntos.
Ainda podia se lembrar da excitação e orgulho que sentira no em dia que a levara, pela primeira vez, para ver o pequeno terreno que esperava comprar. Bella parecera tão radiante e excitada quanto ele.
Há um bom mercado para um viveiro e serviço de jardinagem, mas não será fácil Edward a avisara. Analisei os números com o banco e, nos primeiros anos, teremos de investir cada centavo que ganharmos de volta no negócio. Eu não poderei comprar uma casa grande para nós, ou lhe dar um bom carro.
" Eu não me importo com essas coisas" Bella o assegurara suavemente, deixando-o emocionado e revelando uma daquelas mudanças de uma garota ingênua para uma mulher madura. Ele ficava fascinado, encantado com o privilégio de ver aqueles relances da mulher que ela viria a se tornar. Bella era tão gentil, tão adorável, tudo que mais o agradava em uma mulher.
" Não me importo com onde vamos morar, contanto que estejamos juntos."
"Bem, eu certamente serei capaz de ganhar o bastante para sustentar uma esposa e nosso filho ou filha... ou filhos" Edward havia sussurrado. Isso era tudo que queria na época. Seus pais estavam viajando de férias com amigos, e ele a levara para sua casa, onde fizeram amor no fim de uma tarde de verão. Edward tinha 27 anos e já se considerava um homem. Bella tinha 21.
" Vou falar com o gerente do banco amanhã" sussurrara ele, enquanto lentamente lhe beijava as pontas dos dedos " e fazer uma oferta formal para o terreno. Uma vez que for nosso, podemos começar a fazer planos para o nosso casamento."
Ele pensara que as lágrimas a preencher os olhos de Bella fossem de amor e de prazer... ela frequentemente chorava de alegria depois que eles faziam amor... Era somente mais tarde que percebera que Bella havia chorado porque sabia que, quando ele fosse dono do pequeno pedaço de terra, ela estaria do outro lado do Atlântico.
Edward a avisara repetidamente que seu tio estava tentando separá-los, que possuía suas próprias razões egoístas para não querer que eles se casassem, mas Bella havia se recusado a ouvir.
" Seu tio não era assim," protestara ela, o rosto pálido. Edward não pressionara, pensando entender a vulnerabilidade de sua amada. Como se ela precisasse acreditar que o homem que a criara gostava mais da sobrinha do que dos negócios. Então, Edward não havia insistido, pois não queria fazer nada que pudesse magoá-la.
Magoá-la! Ela se importara em magoá-lo quando ignorara sua carta, seus apelos para que voltasse? Bella nem mesmo se dera ao trabalho de responder e lhe dizer que estava tudo terminado. Simplesmente ignorou sua carta.
E então, o tio dela aparecera, supostamente para comprar plantas. Na realidade, fora informá-lo de que Bella havia decidido ficar em Nova York por mais um ano.
Os negócios não estavam prosperando tão rapidamente quanto Edward havia esperado. Esforçava-se para pagar o empréstimo que pegara no banco para comprar e desenvolver o viveiro. E, quando o gerente de seu banco lhe telefonara uma semana depois para informá-lo de uma oferta anônima de compra do viveiro recém-estabelecido, Edward ficara muito tentado a aceitar, a se mudar e começar uma vida nova em algum outro lugar. O que, afinal de contas, o prendia àquela região? Seus pais haviam decidido se aposentar em Portugal, e ele sabia que não suportaria viver na cidade à qual Bella um dia retornaria para assumir os negócios do tio... Mas o destino se intrometera em seus planos.
Ele havia comprado ingressos para o prestigioso Chelsea Flower Show... Dois ingressos, porque presumira que, àquela altura, Bella estaria de volta de Nova York e poderia acompanhá-lo na viagem.
Edward quase decidira não ir. Havia perdido seu amor, e, aparentemente, logo perderia o seu negócio também. Porém, os ingressos estavam comprados e pagos. Resolvera, então embarcar para Londres.
Viu Sarah enquanto se registrava no hotel. Ela estava hospedada no mesmo hotel, uma garota magra e muito pálida, que não se parecia nem um pouco com Bella, e pela qual, sendo honesto, sentira mais compaixão do que desejo. As tentativas de Sarah para conquistá-lo eram tão óbvias e tão desajeitadas que Edward ficara com pena e oferecera um drinque. Então, ela lhe contara que era da Austrália, onde tinha morado com pais adotivos. Depois, fora para a Inglaterra para tentar descobrir quem era sua mãe verdadeira.
Enquanto morava em Londres, Sarah havia conhecido e se apaixonado por um australiano, que deixara o país para continuar sua viagem ao redor do mundo, recusando-se a levá-la consigo.
" Eu pensei que ele me amasse" dissera ela para Edward com tristeza. " Mas ele não me amava. Estava apenas me usando."
Edward se identificara com aquelas palavras e com a tristeza de Sarah. Numa tentativa de animá-la, lhe oferecera seu ingresso extra para a exposição de flores, e ela aceitara.
Eles passaram aquele dia inteiro juntos, e o dia seguinte, apesar de não haver nada remotamente sexual entre os dois. Edward simplesmente não se sentia assim em relação a Sarah. Bella era a única mulher que desejava. Emocionalmente, podia detestá-la pelo que ela lhe fizera, mas fisicamente, à noite, sozinho em sua cama, ainda a desejava com desespero. Jamais soubera dizer o que o levara a bater à porta de Sarah na segunda noite após tê-la conhecido. Ela não havia atendido, mas, movido por algum tipo de intuição, ele virara a maçaneta e abrira a porta. Ele a encontrara sentada na cama, um copo de água em uma das mãos e um pote de remédio na cama ao seu lado. Edward a sacudira com tanta força enquanto exigia saber quantos comprimidos ela havia tomado que quase lhe quebrara o pescoço, reconheceria mais tarde.
" Nenhum" dissera ela, com uma expressão entorpecida.
" Ainda não."
" Ainda não. Nem nunca!" dissera Edward com determinação, pegando o pote de remédio e indo ao banheiro jogar o conteúdo no vaso sanitário.
Quando voltara, ela estava chorando compulsivamente, ambas as mãos no rosto.
" Não vá embora" suplicara Sarah. " Eu não quero ficar sozinha."
E ele havia ficado. Inevitavelmente, talvez, eles haviam feito sexo, por compaixão da parte de Edward, e por solidão e desejo da parte de Sarah.
Pela manhã, eles haviam se separado, mas não antes de Edward insistir em lhe dar seu telefone e pegar o endereço de Sarah.
Quando Edward voltara para casa, se sentiu preocupado o bastante para telefonar duas vezes por semana.
No fundo, havia sempre a preocupação de que Sarah pudesse sucumbir e tentar tirar a própria vida uma segunda vez. Ela lhe contara com tristeza que, quando o namorado a abandonara, sentira que não tinha mais motivo para viver. A dor de Edward por ter perdido Bella lhe permitia compreender o que Sarah estava sentindo. Ele a aconselhara a pensar sobre voltar para a Austrália, para os pais adotivos e amigos, e Sarah lhe prometera pensar no assunto. Então, Edward recebera um telefonema choroso que mudara sua vida completamente. A vida de ambos...
Estava grávida, Sarah lhe contara. Fora um acidente. Tomava pílula mas havia esquecido de tomar um dia. Edward não devia se preocupar, pois ela pretendia interromper a gravidez.
Edward reagira de maneira imediata e instintiva, pegando o primeiro trem para York, onde Sarah estava morando.
" Não tenho condições de sustentar um bebê" protestara ela quando ele fora contra a ideia de um aborto.
" Este bebê é tanto meu quanto seu" ele a relembrara seriamente. " Podemos nos casar e compartilhar a responsabilidade."
" Casar? Nós?! Você e eu? Mas você não... Foi apenas sexo" protestara ela, tremendo.
Apenas sexo, talvez, mas eles haviam dado origem a uma nova vida. No final, Sarah havia cedido e eles se casaram rapidamente.
Até que começasse a ir à escola, Edward levava Alice para o trabalho com frequência, e o elo entre os dois era muito forte. Ela havia perguntado sobre a mãe, é claro, e Edward lhe contara o pouco que sabia, mas, até, Alice parecera perfeitamente satisfeita com o fato de serem apenas os dois na família.
Ele lhe dera o nome de Alice, uma forma de prometer a Sarah que sempre honraria o pacto que haviam feito: colocar o bem-estar da criança em primeiro lugar. E Edward acreditava ter honrado tal acordo.
Pôde ouvir Bella descendo a escada.
" Eu... sinto muito sobre... sobre o carro" gaguejou ela de modo desajeitado ao entrar na cozinha.
" Não foi culpa sua" apontou Edward. " Você pretende ficar muito tempo na cidade?" perguntou educadamente, enquanto lhe entregava o cálice de vinho que lhe servira.
" Eu... ainda não tenho certeza." Edward franziu o cenho.
" Certamente..." começou, mas Bella o interrompeu, meneando a cabeça.
" Eu vendi a empresa. Era isso ou arriscar ser forçada a assumi-los de fato. Planejo utilizar o dinheiro para estabelecer um fundo de caridade em nome de meu tio" disse ela.
Edward lutou arduamente para não demonstrar seu choque. O que tinha acontecido com a mulher que sempre pusera a carreira antes do amor deles? Bella devia ter mudado de maneira dramática... ou talvez enfraquecido. Rapidamente, ele se recompôs. Não fazia sentido permitir que seus pensamentos viajassem naquela direção, ou esperar, desejar... o quê? Que Bella tivesse mudado mais cedo, que o amor deles... que ele tivesse sido mais importante para ela, que eles pudessem ter... Pare com isso! Avisou a si mesmo.
" Deve ter sido difícil para você tomar a decisão de vender" comentou Edward com o mínimo de emoção de que foi capaz. " Afinal de contas, isso tem sido sua vida."
Sua vida. Edward tinha ideia de como estava sendo cruel?, Bella se perguntou. Sabia como era ouvir dele, entre todas as pessoas, que sua vida era tão fria, vazia e sem emoções verdadeiras? Ela endireitou a coluna e pôs o cálice sobre a mesa.
" Não mais do que os seus negócios tem sido a sua vida" apontou baixinho.
Aquilo não era verdade, é claro. O trabalho de Edward era algo que ele amava, que escolhera livremente fazer, enquanto o dela... Nem mesmo com Edward, Bella seria capaz de descrever a sensação de finalmente deixar o pesado fardo que a empresa sempre fora para ela, sentir-se livre, ser dona de si mesma pela primeira vez na vida.
Ela respirou fundo com uma pontada leve de dor.
" Acho que eu gostaria de ir para cama" disse tremendo. " Foi um longo dia."
Significando, é claro, que ela não queria passar mais tempo em sua companhia, reconheceu Edward.
" Eu a levarei para cima" replicou ele brevemente.
O quarto de hóspedes, Bella descobriu, era mais uma pequena suíte particular no último andar da casa, onde devia ter sido originalmente o sótão... um quarto bonito com teto inclinado e seu próprio banheiro, além de uma pequena sala de estar.
" Mandei fazer esta, conversão para Alice". Edward a informou. " Ela está chegando a uma idade em que vai precisar de seu próprio espaço e de sua própria privacidade."
Quando ele se virou e andou em direção à porta, Bella conteve um forte impulso de segui-lo e detê-lo.
" Edward..."
Ele parou e se virou mais uma vez, esperando em silêncio.
":Boa noite" murmurou ela com a voz trêmula.
" Boa noite."
Depois de tomar um banho e escovar os cabelos, Bella foi para a cama. Era tão estranho estar ali na casa de Edward... Durante os anos que eles haviam ficado separados, ela resistira à tentação de pensar nele e no que poderia ter sido. Achava que tinha aprendido a viver com a dor, mas vê-lo novamente despertara não apenas a dor que sentira, mas também todas as outras emoções. Não poderia amá-lo até hoje. Não havia aprendido a lição? Bella podia sentir a garganta começar a doer com o peso das lágrimas reprimidas quando fechou os olhos e se determinou a dormir.
